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terça-feira, 30 de junho de 2026

Justiça dos EUA mantém processo que acusa Meta de viciar crianças no Facebook e Instagram

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Juíza rejeitou pedido da empresa para encerrar ação movida por 29 estados americanos e afirmou que há elementos suficientes para discutir na Justiça se as plataformas foram projetadas para estimular o uso compulsivo por menores.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 30 de Junho de 2.026 às 16h25m
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Como o julgamento histórico da Meta e do Google pode impactar o Brasil?
Como o julgamento histórico da Meta e do Google pode impactar o Brasil?

Uma juíza federal dos Estados Unidos rejeitou o pedido da Meta Platforms para encerrar uma ação movida por procuradores-gerais de 29 estados norte-americanos. Eles acusam a empresa de desenvolver o Facebook e o Instagram de forma a tornar crianças e adolescentes dependentes das plataformas e de ocultar conscientemente os danos causados ao público.

Na decisão, divulgada na noite de segunda-feira (29), a juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers, de Oakland, na Califórnia, negou o pedido da Meta para arquivar as acusações relacionadas a práticas enganosas, práticas comerciais desleais e violações da Lei de Proteção à Privacidade Online das Crianças (Children's Online Privacy Protection Act - COPPA).

A magistrada também concluiu que a Meta não cumpriu as exigências da lei relativas à notificação dos pais e à obtenção de consentimento parental. Por esse motivo, concedeu julgamento sumário favorável aos estados nesse ponto específico do processo.

Em nota, a Meta afirmou: "Discordamos fortemente dessas alegações e estamos confiantes de que as provas demonstrarão nosso compromisso de longa data em apoiar os jovens."

Gonzalez Rogers também é responsável por uma ação coletiva multidistrital relacionada ao tema, movida por mais de 2.600 pessoas, distritos escolares e governos locais. O processo discute se plataformas como Facebook, Instagram, Google, YouTube, Snapchat e TikTok foram projetadas para gerar dependência em crianças e adolescentes.

Os estados argumentam que pesquisas mostram que o uso do Facebook e do Instagram por crianças e adolescentes pode contribuir para depressão, ansiedade, insônia, prejuízos à educação e à rotina diária, além de comportamentos de automutilação e até suicídio.

A Meta respondeu que os procuradores-gerais não apresentaram provas de que a empresa tenha enganado consumidores sobre o suposto caráter viciante de suas plataformas, incluindo em depoimentos prestados ao Congresso pelo diretor-presidente, Mark Zuckerberg.

A empresa, sediada em Menlo Park, na Califórnia, também argumentou que "vício em redes sociais" não é uma condição psiquiátrica oficialmente reconhecida. Portanto, segundo a Meta, declarações de que suas plataformas não são viciantes não poderiam ser consideradas falsas.

Além disso, a companhia afirmou que não violou a legislação de privacidade infantil porque Facebook e Instagram são destinados ao público em geral, e não especificamente a crianças menores de 13 anos.

Logo do Instagram, da Meta, e do TikTok. — Foto: Reuters
Logo do Instagram, da Meta, e do TikTok. — Foto: Reuters

Juíza vê disputa de fatos sobre potencial viciante das plataformas

Na decisão de 38 páginas, Gonzalez Rogers afirmou que existem controvérsias relevantes que deverão ser analisadas no processo, entre elas se as plataformas da Meta são, de fato, viciantes, se a empresa negou falsamente que elas foram projetadas dessa forma e se os serviços são direcionados, ao menos em parte, ao público infantil.

Segundo a juíza, os procuradores-gerais apresentaram uma interpretação razoável das declarações da Meta de que Facebook e Instagram não foram desenvolvidos para levar adolescentes a usar compulsivamente as plataformas em prejuízo do próprio bem-estar.

Ela escreveu que, caso as provas dos autores demonstrem que as plataformas foram realmente projetadas com esse objetivo, um júri poderá concluir que essas declarações eram falsas para uma pessoa razoável.

De acordo com os registros judiciais, o julgamento das ações movidas pelos estados da Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey contra a Meta está marcado para 18 de agosto.

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Celulares Android podem ajudar a prever terremoto?

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Mais de 11 milhões de celulares na Venezuela receberam um alerta avisando sobre a iminência de um terremoto; saiba como funciona esse sistema.
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TOPO
Por BBC

Postado em 30 de Junho de 2.026 às 10h00m
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Os celulares alertaram milhões de venezuelanos sobre o que estava acontecendo — Foto: Getty Images
Os celulares alertaram milhões de venezuelanos sobre o que estava acontecendo — Foto: Getty Images

A cena se repetiu, com pequenas diferenças, em casas, lojas e empresas de toda a Venezuela: um alerta insistente soou nos celulares, as pessoas olharam para a tela e, após um breve momento de incerteza, deixaram o local em busca de proteção. Segundos depois, tudo começou a tremer.

Foi assim que o sistema de alerta de terremotos do Google avisou milhões de venezuelanos que usam o sistema operacional Android sobre os dois terremotos que atingiram o país em 24 de junho deste ano.

O alerta foi enviado a 11,4 milhões de pessoas na Venezuela que, segundo a gigante empresa de tecnologia, tiveram de alguns segundos a até dois minutos para reagir antes de sentir o impacto do forte terremoto de magnitude 7,2. Segundos depois, outro tremor, de magnitude 7,5, atingiu o país.

Como a Venezuela não conta com um sistema nacional de alerta precoce para esse tipo de evento, é provável que o sistema do Google tenha ajudado a evitar mortes e feridos.

Mas como ele funciona?

Milhões de pequenos sismômetros

Os alertas foram enviados por meio do sistema de alerta do Android — Foto: Getty Images
Os alertas foram enviados por meio do sistema de alerta do Android — Foto: Getty Images

Em um artigo publicado em 2025, o engenheiro de software Marc Stogaitis explica como o Google desenvolveu um sistema de alerta precoce para terremotos (EEW, na sigla em inglês) usando as medições obtidas pela rede global de celulares Android.

"O acelerômetro de um celular Android, o mesmo sensor que gira a tela quando o aparelho é colocado na horizontal, também consegue detectar o movimento do solo provocado por um terremoto", explicou Stogaitis no texto.

Segundo ele, esse sensor identifica a onda P, a primeira gerada por um terremoto, e envia um sinal ao servidor de detecção sísmica do Google.

Como existem milhões de celulares Android em todo o mundo, o sistema reúne as informações enviadas pelos aparelhos localizados na área afetada. Com esses dados, o Google estima a localização, a extensão e a intensidade dos tremores e, em seguida, envia alertas para todos os dispositivos Android na região atingida.

A vantagem de medir as ondas P é que elas se propagam mais rapidamente e são menos destrutivas do que as ondas secundárias, também chamadas ondas S, geradas por um terremoto. Isso permite ganhar um tempo precioso para que as pessoas possam reagir.

O único requisito é que os celulares que detectam essas ondas estejam parados.

Segundo o Google, o objetivo do sistema é reunir essas informações rapidamente e alertar o maior número possível de pessoas antes da chegada das ondas S, que são as mais destrutivas.

Dois tipos de alerta

O que fazer durante um terremoto — Foto: BBC
O que fazer durante um terremoto — Foto: BBC

O sistema Android só envia notificações quando registra terremotos de magnitude igual ou superior a 4,5 e oferece dois tipos de alerta:

  • Be aware (traduzido como "Esteja Ciente do Alerta"), para tremores de menor intensidade.

  • Take Action (traduzido como "Alerta de Ação"), quando a estimativa é de um tremor mais forte. Nesses casos, o alerta ocupa toda a tela do celular e é acompanhado por um sinal sonoro.

Para receber os alertas, o celular precisa estar conectado à internet, por rede móvel ou wi-fi, e ter tanto a localização quanto o sistema de alerta de terremotos (EEW) ativados.

Segundo o Google, durante os dois terremotos na Venezuela foram enviados alertas dos dois tipos. Cerca de 1,4 milhão de usuários receberam o aviso mais grave, com orientação para tomar medidas de proteção.

No artigo de 2025, a empresa informou que seu sistema de alerta de terremotos estava disponível em cerca de 100 países. Em muitos deles, como na Venezuela, não existe um sistema nacional de alerta para terremotos.

O sistema multiplicou por dez o número de pessoas no mundo com acesso a alertas precoces de terremotos: de 250 milhões, em 2019, para 2,5 bilhões, em 2025, segundo o Google.

Em fevereiro de 2025, o Google emitiu o mesmo tipo de alerta no Brasil, mais especificamente em São Paulo, Rio de Janeiro e no sul de Minas Gerais. O aviso localizava o epicentro do tremor a cerca de 55 km de Ubatuba, no litoral paulista, no mar. Segundo a mensagem, o tremor teria magnitude de até 5,5.

Mas no caso brasileiro, não houve nenhum terremoto.

A Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), coordenada pelo Observatório Nacional (ON/MCTI), bem como instituições internacionais de monitoramento sísmico, também não detectaram nenhum evento sísmico na costa brasileira nesse período.

Em nota à época, o Google afirmou que seu sistema de alerta de terremotos detectou sinais de celulares em localização próxima ao litoral de São Paulo e disparou um alerta de terremoto aos usuários na região. "Nós desativamos prontamente o sistema de alerta no Brasil e estamos investigando o ocorrido. Pedimos desculpas aos nossos usuários pelo inconveniente e seguimos comprometidos em aprimorar nossas ferramentas", afirmou o Google em nota.

O Google ressaltou que seu sistema de alerta "não foi desenhado para substituir nenhum outro sistema de alerta oficial."

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

China e Coreia do Sul querem aumentar investimento em IA

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Países querem promover desenvolvimento da inteligência artificial e prometem aumentar investimentos e supervisão do setor.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 29 de Junho de 2.026 às 20h15m
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Fábrica de chips da Samsung Electronics em Pyeongtaek, Coreia do Sul. — Foto: Samsung Electronics/Divulgação via REUTERS
Fábrica de chips da Samsung Electronics em Pyeongtaek, Coreia do Sul. — Foto: Samsung Electronics/Divulgação via REUTERS

A China e a Coreia do Sul prometeram aumentar seus esforços para promover um maior apoio ao desenvolvimento da inteligência artificial (IA) em seus respectivos países.

Segundo a mídia estatal informou nesta segunda-feira (29), o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, afirmou que a China deve defender os princípios básicos de segurança da IA e reforçar a supervisão, pedindo esforços intensificados para promover avanços no setor.

Já a Coreia do Sul lançou megaprojetos abrangentes no setor de chips e inteligência artificial (IA), com o presidente Lee Jae-myung prometendo consolidar uma liderança industrial esmagadora por meio de investimentos superiores a US$ 576 bilhões ao longo dos próximos anos.

O anúncio marca a ofensiva mais ousada de Lee para alinhar as ambições de IA e semicondutores do país com sua promessa de reduzir as disparidades regionais e revitalizar as economias fora da região metropolitana de Seul.

Lee esteve acompanhado pelos líderes da Samsung Electronics e da SK Hynix, as duas maiores fabricantes de chips de memória do mundo, durante o anúncio transmitido pela televisão.

"Devemos assegurar os elementos centrais da IA mais rápido do que qualquer outro país", declarou o presidente. "Semicondutores, IA física e data centers de IA formam o triplo eixo para o nosso grande salto à frente."

A Samsung e a SK Hynix investirão 800 trilhões de wons (US$ 517,87 bilhões) junto a fornecedores para construir duas novas fábricas de chips cada na região sudoeste da Coreia do Sul, informou o mandatário.

Lee acrescentou que a cidade de Gwangju, no sudoeste, e a província de Jeolla do Sul também investirão entre 5 e 20 trilhões de wons nos projetos, com uma previsão de outros 81 trilhões de wons destinados a um polo de encapsulamento de chips na região de Chungcheong, próxima a Seul.

Segundo Lee, o sudoeste abrigará grandes complexos de produção de chips aproveitando a energia abundante e subutilizada da região.

"Para atender à demanda rapidamente crescente por semicondutores, precisamos concluir com agilidade os centros de produção que estão atualmente em construção", afirmou.

"Ao mesmo tempo, devemos garantir uma capacidade de produção esmagadora de forma antecipada por meio de novos investimentos em larga escala, inclusive na região sudoeste. Os complexos existentes em torno de Yongin e Pyeongtaek já atingiram o limite."

Representantes de outras companhias, incluindo LG Electronics, HD Hyundai Robotics, Korea Electric Power Corp e Korea Water Resources Corp também compareceram ao evento, segundo o gabinete presidencial.

Presidente defende plano

Lee Jae-myung — Foto: JUNG YEON-JE / AFP
Lee Jae-myung — Foto: JUNG YEON-JE / AFP

OS Chips de memória de alta largura de banda produzidos pela Samsung Electronics e pela SK Hynix tornaram-se cruciais na corrida global para o desenvolvimento de sistemas avançados de IA. Ambas as empresas já operam grandes instalações de semicondutores na região metropolitana de Seul e arredores.

O ministro da Indústria sul-coreano, Kim Jung-kwan, afirmou no evento que o país irá dobrar a produção de memórias de acesso aleatório dinâmico (DRAM) em cinco anos, antecipando para meados da década de 2030 a construção de fábricas na região metropolitana de Seul.

A DRAM é um tipo de memória utilizada para alimentar eletrônicos como notebooks e smartphones, e a HBM é produzida através do empilhamento de várias camadas de DRAM.

Lee defendeu a proposta do polo de chips no sudoeste em uma série de publicações no X no fim de semana, rejeitando as críticas de que a medida beneficiaria um reduto eleitoral progressista. Em vez disso, ele classificou a estratégia como uma "política de sobrevivência nacional" para atenuar desequilíbrios regionais e expandir a capacidade para a era da IA.

"A criação de um ecossistema industrial de semicondutores no [sudoeste] não é um favor especial para uma região específica", escreveu Lee em uma publicação. "Trata-se da criação adicional do centro industrial de semicondutores mais racional, por meio de decisões das empresas envolvidas e sob total apoio do governo"
"Especialistas do setor avaliam que diversificar o investimento em chips para além de Seul pode aliviar gargalos de infraestrutura, mas alertam que a construção de fábricas de última geração exige vastos recursos de eletricidade e água, logística avançada, redes densas de fornecedores e mão de obra altamente qualificada — elementos que podem não avançar rápido o suficiente em uma nova região para atender à explosiva demanda por IA".

Políticos da oposição criticaram duramente o plano, questionando se a proposta tem motivações políticas, dado que 85% dos eleitores da região apoiaram Lee na eleição presidencial do ano passado.

O anúncio ocorre em um momento de queda na popularidade de Lee, cuja taxa de aprovação recuou pela sexta semana consecutiva, atingindo 46,5%, de acordo com o instituto de pesquisas Realmeter.

*Com informações da agência de notícias Reuters

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