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domingo, 17 de maio de 2026

Medo da tecnologia faz universitários abandonarem estes cursos e migrarem para áreas 'à prova de IA'

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Jovens trocam áreas ligadas à tecnologia por cursos voltados a habilidades humanas, como comunicação e pensamento crítico.
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TOPO
Por Associated Press

Postado em 17 de Maio de 2.026 às 06h00m
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Como a IA está impactando o trabalho de freelancers
Como a IA está impactando o trabalho de freelancers

Há dois anos, Josephine Timperman chegou à faculdade com um plano. Ela escolheu cursar análise de negócios, imaginando que aprenderia habilidades específicas que se destacariam no currículo e a ajudariam a conquistar um bom emprego após a graduação.

Mas o avanço da inteligência artificial (IA) mudou esse cenário. As competências básicas que ela estava desenvolvendo, como análise estatística e programação, agora podem ser facilmente automatizadas.

"Todo mundo tem medo de que os empregos de nível inicial sejam substituídos pela IA", disse a estudante de 20 anos da Universidade de Miami, em Ohio.

Há algumas semanas, Timperman trocou de curso e migrou para marketing. Sua nova estratégia é usar a graduação para desenvolver pensamento crítico e habilidades interpessoais — áreas em que os humanos ainda têm vantagem.

Não basta apenas saber programar. É preciso saber se comunicar, construir relações e pensar criticamente, porque, no fim, é isso que a IA não pode substituir, afirmou Timperman.

Josephine Timperman, estudante da Universidade de Miami — Foto: (Foto AP/Jeff Dean)
Josephine Timperman, estudante da Universidade de Miami — Foto: (Foto AP/Jeff Dean)

Ela mantém a análise de dados como disciplina optativa e planeja se aprofundar no tema em um mestrado de um ano.

Estudantes universitários dizem que escolher uma área à prova de IAé como mirar em um alvo em movimento. Eles se preparam para um mercado de trabalho que pode ser profundamente diferente quando concluírem os estudos.

Como resultado, muitos estão repensando seus caminhos profissionais. Cerca de 70% dos universitários veem a IA como uma ameaça às perspectivas de emprego, segundo pesquisa de 2025 do Instituto de Política da Harvard Kennedy School.

Ao mesmo tempo, levantamentos recentes da Gallup mostram que trabalhadores americanos estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de serem substituídos por novas tecnologias.

Estudantes buscam cursos que valorizem habilidades “humanas”

A incerteza parece maior entre aqueles que optam por cursos de tecnologia e áreas profissionalizantes. Nesses casos, os estudantes sentem que precisam dominar a IA, mas também temem ser substituídos por ela.

Uma pesquisa da Quinnipiac aponta que a maioria dos americanos considera muitoou um tantoimportante que universitários aprendam a usar IA.

Dados da Gallup Workforce indicam ainda que a adoção da tecnologia é mais acelerada em áreas ligadas à tecnologia. Por outro lado, cursos nas áreas de saúde e ciências naturais tendem a ser menos impactados por essas mudanças, também segundo a Gallup.

Vemos estudantes mudando de curso o tempo todo. Isso não é novidade, mas normalmente acontece por diversos motivos, afirmou Courtney Brown, vice-presidente da Lumina, organização sem fins lucrativos voltada à educação. O fato de tantos alunos dizerem que a decisão está relacionada à IA é surpreendente.

Uma pesquisa recente da Gallup com jovens da Geração Z (entre 14 e 29 anos) mostra um aumento do ceticismo em relação à tecnologia. Embora metade dos adultos dessa geração use IA ao menos semanalmente — e os adolescentes relatem um uso ainda maior — muitos enxergam desvantagens e se preocupam com impactos nas habilidades cognitivas e nas oportunidades de trabalho.

Cerca de 48% dos jovens trabalhadores afirmam que os riscos da IA no mercado superam os possíveis benefícios.

Parte do desafio para esses universitários é a falta de respostas claras. Especialistas que costumam orientar suas decisões — como professores, conselheiros e pais — também enfrentam incertezas.

Os alunos estão tendo que lidar com isso praticamente sozinhos, sem um mapa claro, disse Brown.

Josephine Timperman trocou Análise de Negócios por Marketing — Foto: Foto AP/Jeff Dean
Josephine Timperman trocou Análise de Negócios por Marketing — Foto: Foto AP/Jeff Dean

Essa dúvida ficou evidente no mês passado na Universidade de Stanford, onde lideranças de diversas instituições se reuniram para discutir o futuro do ensino superior. Entre os principais temas estava o impacto da IA, que já transforma a forma de aprender e obriga educadores a rever métodos de ensino.

Precisamos refletir seriamente sobre o que os alunos devem aprender para ter sucesso no mercado de trabalho daqui a 10, 20 ou 30 anos, disse Christina Paxson, presidente da Universidade Brown.

E a verdade é que ninguém tem essa resposta, completou.

Acredito que comunicação e pensamento crítico serão fundamentais. As bases de uma formação ampla podem ser mais relevantes agora do que aprender, por exemplo, uma linguagem específica de programação.

A ansiedade também atinge estudantes de ciência da computação.

Ben Aybar, de 22 anos, formado pela Universidade de Chicago na primavera passada, se candidatou a cerca de 50 vagas — principalmente em engenharia de software — sem conseguir sequer uma entrevista. Diante disso, optou por iniciar um mestrado em Ciência da Computação. Paralelamente, conseguiu um trabalho de meio período como consultor de IA para empresas.

Profissionais que sabem usar IA serão muito valorizados, disse Aybar.

Ele acredita no surgimento de novos cargos que exigirão domínio da tecnologia, especialmente para quem consegue traduzir conceitos complexos de forma simples. Saber se comunicar e interagir de maneira genuinamente humana é mais valioso do que nunca.

Na Universidade da Virgínia, Ava Lawless, estudante de ciência de dados, questiona se seu curso ainda é uma boa escolha, mas não encontra respostas claras.

Alguns orientadores acreditam que a área continuará relevante, já que esses profissionais desenvolvem modelos de IA. Ainda assim, ela se depara com análises pessimistas sobre o mercado de trabalho.

Isso me deixa um pouco sem esperança em relação ao futuro, disse Lawless.E se, quando eu me formar, não houver mais espaço para essa profissão?

Ela considera migrar para artes plásticas, sua segunda área de interesse.

Cheguei a um ponto em que penso que, se não conseguir trabalho como cientista de dados, talvez seja melhor me dedicar à arte, afirmou. Se existe o risco de ficar desempregada, prefiro ao menos fazer algo que eu realmente ame.

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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Volvo apresenta o EX60, carro com IA e o mais inteligente da marca

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SUV chega ao Brasil em novembro com opções P6 e P10, oferecendo autonomia de até 800 quilômetros
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Jorge Moraes
Jornalista, creator, diplomado pela Universidade Católica de Pernambuco, técnico em mecânica e premiado como um dos mais admirados do setor automotivo do país, atua no segmento desde 1995 e está presente nos principais salões nacionais e internacionais

14/05/26 às 15:47 | Atualizado 1405/26 às 17:22
Postado em 14 de Maio de 2.026 às 17h35m
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Volvo EX60  • Jorge Moraes

O Volvo EX60, lançado na Catalunha, Espanha, chegará ao Brasil em novembro. O SUV é um dos mais inteligentes do mundo, e conta com inteligência artificial nativa, reconhecendo o dono e quem passar pela frente da série de sensores do veículo.

O SUV feito na Suécia promete no modelo P10, AWD (tração nas quatro), alcançar a média de 660 quilômetros enquanto o modelo P12 vence a barreira dos 800 quilômetros.

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É a segunda geração dos elétricos de alto padrão com proposta de cativar o público pelo luxo e pelo bolso porque vai custar perto dos R$ 560 mil, 10% a mais comparado ao XC60 plug in. A marca também pretende oferecer a versão de entrada P6 e o aventureiro Cross Country.

O modelo estreia a inédita plataforma SPA3 construída na arquitetura 800 V (que permite recargas ultra-rápidas) e aposta em mais autonomia e uma experiência ainda mais conectada com o cliente. Uma mistura que reúne o design escandinavo, a potência da bateria de 95 KWh, o lifestyle e o desejo de consumo.

O EX60 será o primeiro Volvo totalmente desenvolvido como um software-defined car, conceito em que praticamente todas as funções do veículo passam a evoluir por meio de atualizações remotas. Um só carro, sempre atualizado, argumenta Felipe Yagi, diretor de comunicação da Volvo Cars Brasil.

Motorizações

No desempenho, o SUV terá três opções de máquina elétrica: P6, P10 e P12. A versão de entrada P6 traz tração traseira e entrega 374 cv e 480 Nm de torque, acelerando de 0 a 100 km/h em 5,9 segundos.

Na configuração P10 AWD sobe para 510 cv e 710 Nm, reduzindo o tempo para apenas 4,6 segundos. Carro do nosso teste drive com impressões ao volante embargadas até o próximo dia 20.

No topo da linha aparece a P12 AWD, que alcança impressionantes 680 cv e 790 Nm, suficiente para cumprir o 0 a 100 km/h em 3,9 segundos mas esse EX60 vai ficar para 2027. A Volvo não pode trazer um carro no pé do EX90, flagship da marca.

O EX 60 usa arquitetura elétrica de 800V, permitindo recargas rápidas de 10% a 80% em cerca de 16 a 20 minutos, dependendo da configuração.

Por dentro, a Volvo aposta em um ambiente sofisticado, inspirado no design escandinavo. O acabamento utiliza materiais reciclados e sustentáveis, incluindo revestimentos sem couro animal, madeira certificada FSC e tecidos compostos parcialmente por poliéster reciclado.

A cabine traz iluminação ambiente com seis temas inspirados na natureza escandinava e uma central multimídia OLED horizontal de 15,04 polegadas com sistema Google integrado e CarPlay sem fio. Outro destaque é a integração com o Gemini, inteligência artificial conversacional do Google que permite interações mais naturais com o carro.

Nas dimensões, o carro tem porte generoso para reforçar a proposta familiar executiva. O SUV mede 4,80 metros de comprimento, 1,90 m de largura e conta com 2,97 m de entre-eixos, priorizando espaço interno e conforto para os ocupantes com sistema de som B&W de 28 falantes.

O porta-malas traseiro oferece até 523 litros na configuração tradicional, podendo chegar a 1.647 litros com os bancos rebatidos. Na dianteira, o modelo ainda adiciona um compartimento de 58 litros para guardar cabos e pequenos objetos.

Design externo e cabine

O visual segue a nova identidade minimalista da Volvo que sempre destaca as luzes e os contornos da aerodinâmica. O EX60, sem barras no teto (que é panorâmico e eletrocrômico onde você controla a entrada do fluxo de luz), tem coeficiente aerodinâmico de 0,26, além da tradicional assinatura do martelo de Thor com faróis pixel de alta definição nas versões mais completas e lanternas traseiras verticalizadas.

As maçanetas embutidas chamadas de Wing Grip ajudam no fluxo de ar e reforçam o aspecto moderno do SUV com a folha de porta limpa.

Volvo EX60 • Jorge Moraes
Volvo EX60 • Jorge Moraes

Estreia

Na segurança, o EX60 estreia uma nova geração chamada Safe Space Technology, incluindo cintos dianteiros adaptativos capazes de ajustar a força de retenção com base em informações coletadas por sensores internos e externos.

Outro ponto são os assistentes avançados de condução e uma nova arquitetura eletrônica desenvolvida pela própria Volvo que não deixa o motorista errar.

Além disso, lembro que a dona da patente do cinto de três pontos desde 1959 liberou para a indústria o uso do equipamento para ampliar a segurança em caso de acidentes.

* O colunista Jorge Moraes viajou a Barcelona a convite da Volvo Cars.

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Tópicos


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 também pretende oferecer a versão de entrada P6 e o aventureiro Cross Country.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

América Latina faz parte da disputa geopolítica entre EUA e China; entenda

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Superpotências competem por domínio dos setores comercial, tecnológico, logístico, entre outros
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Gonzalo Zegarra, da CNN em Espanhol
13/05/26 às 17:36 | Atualizado 13/05/26 às 17:36
Postado em 13 de Maio de 2.026 às 18h00m
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Presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping 30 de outubro de 2025  • REUTERS

O tão esperado encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, tem vários assuntos prioritários na agenda em um momento de conflitos internacionais. Mas a disputa geopolítica entre as duas principais potências mundiais também se desenvolve na América Latina, onde existem múltiplos cenários de confronto nos setores comercial, tecnológico, logístico, entre outros.

Alguns países da região têm um forte compromisso com uma das partes, enquanto outros tentam manter um equilíbrio estratégico entre Washington e Pequim para tentar tirar vantagem de cada uma.

A China, com progresso constante desde o boom das commodities, ultrapassou a União Europeia há alguns anos como segundo parceiro comercial da América Latina e, no caso de vários países, já está acima dos Estados Unidos em volume de comércio. Por sua vez, a Casa Branca adotou uma postura mais coercitiva desde 2025.

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A estratégia de segurança nacional que o governo de Donald Trump revelou no final de 2025 estabelece que uma das prioridades dos Estados Unidos é expandir a sua presença na região e enfrentar influências estrangeiras.

Brasil

O Brasil, a maior economia e o país mais populoso da América Latina, tem o relacionamento mais dinâmico com a China, seu parceiro no bloco Brics. Pequim compra soja, ferro e carne do Brasil, enquanto as empresas chinesas ampliam os investimentos em energia e logística.

Trump, também motivado pela sua aliança com o ex-presidente Jair Bolsonaro, endureceu o seu discurso em relação ao Brasil no ano passado e impôs tarifas ao país. Desde então, parte das taxas foram retiradas e a tensão diminuiu após conversas diretas entre Trump e Lula.

Depois da reunião na Casa Branca, dias antes de Trump viajar a Pequim, Lula afirmou ter dito a Trump que precisava voltar a olhar para os produtos brasileiros. A China é atualmente o maior comprador do Brasil.

Os Presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva sorridentes durante encontro na Casa Branca • Divulgação
Os Presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva sorridentes durante encontro na Casa Branca • Divulgação

Um dos focos de interesse dos EUA e da China são os minerais de terras raras, recurso natural que o Brasil precisa de investimentos para explorar  Não temos preferência sobre quem compra todos os minerais; qualquer pessoa que queira trabalhar conosco para nos ajudar a usar esse recurso natural é bem-vinda para vir ao Brasil, disse Lula.

Panamá

O Canal do Panamá tornou-se o foco principal do discurso Trump contra a influência da China no hemisfério ocidental. Antes de assumir o seu segundo mandato, Trump acusou Pequim repetidas vezes de operar o canal, que é gerido por uma autoridade independente nomeada pelo governo panamenho. A China nega ter interferido nas operações do canal.

Em meio à  pressão de Washington, o Panamá anunciou em 2025 a sua saída da Iniciativa Cinturão e Rota, um programa de infraestruturas chinês que desde 2013 tem sido um símbolo da sua ascensão global.

Mas o canal continua sendo o centro da polêmica, com trocas de acusações entre Washington e Pequim.

O Governo do Panamá, mais alinhado com a Casa Branca, denunciou que a China aumentou a detenção de navios com bandeira panamenha para supostas inspeções, depois de as autoridades locais terem assumido a administração em ambas as extremidades do canal em fevereiro.

A medida das autoridades panamenhas foi motivada por uma decisão judicial que declarou inconstitucional um contrato com a Panama Ports Company e a sua empresa-mãe de Hong Kong, CK Hutchinson Holding, um grupo que operou os terminais durante quase três décadas.

Um navio cargueiro navega em direção ao Oceano Pacífico após passar pelo Canal do Panamá, visto da Cidade do Panamá • AP Photo/Agustin Herrera
Um navio cargueiro navega em direção ao Oceano Pacífico após passar pelo Canal do Panamá, visto da Cidade do Panamá • AP Photo/Agustin Herrera

Peru

O porto de Chancay, inaugurado por Xi Jinping em 2024, virou o projeto chinês mais emblemático no Pacífico Sul, como um grande centro logístico que facilitará um volume gigantesco de carga entre a Ásia e a América do Sul.

O terminal, 60% do qual pertence a uma empresa de capital chinês, despertou suspeitas em Washington, que este ano emitiu um alerta sobre a possibilidade de o governo do Peru perder poderes de supervisão.

O embaixador dos EUA em Lima, Bernie Navarro, alertou em fevereiro que o Peru poderia perder a soberania sobre esta questão.

De qualquer forma, a China continua avançando com um eixo em Chancay: a empresa chinesa Junefield assinou um contrato para um novo parque industrial em Ancón, localizado entre o terminal e o porto de Callao, com investimentos estimados em mais de US$ 1,2 bilhão para facilitar a movimentação de mercadorias.

Entretanto, o Peru mantém os seus laços com os Estados Unidos, no meio da sua turbulência política. Em abril, as autoridades assinaram um contrato para compra de aeronaves F-16 da empresa americana Lockheed Martin, um processo polêmico que desencadeou a demissão de dois ministros por divergências com o presidente.

Argentina

Sob o governo do presidente Javier Milei, a Argentina optou por um forte alinhamento com Washington, especialmente em questões ideológicas. No entanto, a China continua a ser um dos principais parceiros comerciais do país sul-americano, concorrendo pelo primeiro lugar com o Brasil, e Milei moderou a sua linguagem em relação a Pequim.

Os Estados Unidos têm realizado exercícios militares no Atlântico Sul, área altamente estratégica, e realizaram diversas visitas de autoridades militares.

O governo Milei, que tem estado muito próximo de Trump e viajou várias vezes aos EUA, conseguiu um acordo financeiro importante de 20 bilhões de dólares em 2025, que permitiu evitar uma crise monetária pouco antes das eleições legislativas.

Mas a Argentina e os EUA têm economias que não se complementam. Os dois países americanos produzem soja, milho, trigo, carne ou óleo, e por isso Washington fica atrás da China, do Brasil e da União Europeia entre os principais parceiros comerciais. Além disso, a estação espacial chinesa em Neuquén e os investimentos estratégicos continuam a gerar suspeitas na Casa Branca.

México

O México, uma das maiores economias da região, reforçou alguns laços com a China, mas a sua margem de ação é limitada pela sua proximidade geográfica com os Estados Unidos. Washington também é o seu principal parceiro comercial e exerce maior influência no México do que em outros países mais distantes.

A relação com a China deve ser um dos principais pontos de debate quando os países forem negociar a renovação do acordo comercial entre México, EUA e Canadá, já que Washington quer evitar que empresas da Ásia, principalmente chinesas, utilizem o seu vizinho do sul como plataforma para entrar no mercado americano sem pagar tarifas.

Diante desta pressão, o México anunciou em dezembro aumentos nas tarifas sobre as importações vindas da China e de outros países sem acordos de livre comércio, de até 35% sobre centenas de produtos. Em resposta, a China disse que tem o direito de retaliar, embora não tenha anunciado tarifas.

Os investimentos chineses continuam: por exemplo, a montadora GAC ​​confirmou o início das operações de uma montadora no México para o segundo semestre deste ano.

A presidente Claudia Sheinbaum tem repetido que aborda a relação com Trump com cabeça fria, enquanto alguns críticos a acusam de ceder às exigências da Casa Branca.

Chile

O Chile mantém relações fluidas com Washington, ao mesmo que tempo tem um acordo de livre comércio com China e aderiu à Iniciativa Cinturão e Rota, demonstrando capacidade de equilibrar a sua diplomacia entre as duas potências.

O Chile é um território importante pelos seus minerais críticos para baterias e para a transição energética, além de alvo de competição para garantir o fornecimento estratégico de cobre e lítio.

No ano passado, o Chile cancelou a licitação de uma empresa chinesa para a produção de passaportes depois que os EUA ameaçaram cancelar o programa Visa Waiver, que autoriza a entrada sem visto no território americano.

Em fevereiro, antes da mudança de governo no Chile, o Departamento de Estado dos Estados Unidos retirou os vistos de três ​​chilenos que participaram na entrega de uma concessão para a construção de um cabo submarino de fibra ótica que ligasse a China ao país sul-americano. O impasse abalou a transição presidencial e continua em avaliação.

O ultradireitista José Antonio Kast tomou posse em março com um discurso mais parecido com o de Trump, embora sem mudanças radicais na política externa chilena.

Equador

A diplomacia do presidente do Equador, Daniel Noboa, é outro exemplo de um delicado equilíbrio entre os dois poderes. A sua gestão tem sido marcada pela luta contra a violência e o crime organizado, razão pela qual reforçou a sua cooperação em segurança com Washington e manifesta a sua proximidade ideológica. Ao mesmo tempo, defende a relação comercial com a China, fundamental para a economia do país.

Washington aumentou a assistência tecnológica, a coordenação militar e as operações conjuntas, e Noboa defende os EUA como parceiro estratégico contra o tráfico de drogas e a insegurança. O presidente participou da cúpula Escudo das Américas, convocada por Trump na Flórida, em março, mas deixou claro que não esfriará os laços com Pequim.

Noboa anunciou que pretende viajar para a China em agosto. Ele esteve no país pela última vez em junho do ano passado.

Venezuela

A captura do ditador Nicolás Maduro em janeiro e a mudança do governo chavista para uma postura mais alinhada a Washington abalou os interesses da China na Venezuela. Durante os anos em que as sanções de Washington pressionaram Caracas, Pequim manteve o seu apoio político e reforçou os laços no setor energético, mas a operação de 3 de janeiro mudou a situação.

Embora a China tenha reduzido a sua exposição financeira no país sul-americano, comprou mais de metade do petróleo bruto que a Venezuela exportou, e que é agora amplamente controlado pelos Estados Unidos e pelos seus interesses energéticos.

Assim, a influência de Pequim sobre a Venezuela está sendo reconfigurada diante do papel crescente de Trump, que está limitando as possibilidades da China. Quando o Departamento do Tesouro retirou significativamente as sanções aos bancos públicos venezuelanos, a licença excluiu expressamente as entidades chinesas, bem como as da Rússia, do Irã, da Coreia do Norte e de Cuba. A mesma proibição foi estabelecida quando as sanções ao setor petrolífero foram aliviadas.

Paraguai

No caso do Paraguai, a disputa acontece acima de tudo no plano diplomático: é o único país sul-americano que reconhece Taiwan oficialmente, ponto delicado na rivalidade entre Estados Unidos e China.

O presidente Santiago Peña visitou a ilha na semana passada. A viagem foi criticada por Pequim, que pressiona o Paraguai a romper relações com Taiwan.

A questão é motivo de debate no Paraguai, uma vez que os setores empresariais e os agroexportadores consideram que poderiam se beneficiar de uma melhor relação com a China, mas os Estados Unidos estão interessados ​​em manter essa posição.

Colômbia

A Colômbia, que nas últimas décadas foi um dos aliados mais próximos dos Estados Unidos, principalmente em questões de segurança, aprofundou os seus laços com a China durante o governo do presidente Gustavo Petro.

No ano passado, a Colômbia assinou um acordo de intenções para aderir à Iniciativa Cinturão e Rota depois declarou que a decisão também foi aprovada porque lá não nos insultaram nem nos ameaçaram, referindo-se às críticas de Washington. Semanas depois, o governo Trump cancelou a certificação da Colômbia na luta contra o tráfico de drogas, atribuindo a medida ao presidente colombiano.

A China tem ganhado destaque em obras de infraestrutura no país, incluindo a construção da Linha 1 do Metrô de Bogotá e da rodovia Urabá.

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