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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Lojas viraram vitrines da internet? Entenda como os brasileiros estão mudando a forma de comprar

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Levantamento revela que consumidores transitam cada vez mais entre lojas físicas e digitais. Preço, promoções e disponibilidade dos produtos influenciam a decisão de compra e desafiam o comércio tradicional.
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Por Micaela Santos, g1 — São Paulo

Postado em 16 de Outubro de 2.026 às 08h00m

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Segundo a primeira edição do Radar Smollan, realizada em agosto deste ano, 76% dos entrevistados afirmaram já ter visto um produto em uma loja física e comprado pela internet posteriormente — Foto: Divulgação
Segundo a primeira edição do Radar Smollan, realizada em agosto deste ano, 76% dos entrevistados afirmaram já ter visto um produto em uma loja física e comprado pela internet posteriormente — Foto: Divulgação

Como mostrou o g1 em agosto, o comércio varejista tem enfrentado dificuldades para fechar as contas. Reduzir o número de lojas, cortar custos e investir em operações mais eficientes se tornaram parte das estratégias para reverter os números ruins.

Outro motivo para essa revisão das operações é a mudança no comportamento do consumidor. Ele pesquisa preços na internet, visita lojas para conhecer os produtos e, muitas vezes, finaliza a compra no comércio eletrônico.

Esse comportamento, conhecido como "showrooming", ajuda a ilustrar um dos desafios do varejo tradicional:

  • 🤔 Como manter a relevância das lojas físicas em um mercado no qual os consumidores comparam preços com facilidade e têm cada vez mais opções on-line?

Enquanto marketplaces e plataformas digitais ampliam a concorrência e pressionam os preços, o comprador enfrenta um aperto financeiro com os juros elevados e crédito caro, que limitam o espaço das famílias para consumir.

Nesse cenário, a loja física está perdendo espaço para o comércio eletrônico ou ganhando um novo papel na jornada de compra?

Uma pesquisa da Smollan, empresa de soluções para o varejo, mostra como a jornada de compra já combina os ambientes físico e digital.

Segundo pesquisa da empresa, realizada em agosto deste ano, 76% dos entrevistados afirmaram já ter visto um produto em uma loja física e comprado pela internet posteriormente.

O movimento também ocorre no sentido inverso:

  • 81% disseram pesquisar na internet antes de realizar uma compra em uma loja física;
  • 87% afirmaram já ter entrado em uma loja para comprar um produto e saído com outro.

O levantamento reuniu 1.828 conversas com consumidores de 156 cidades, distribuídas por 25 estados.

"O digital mudou a forma como o consumidor chega à loja, mas não reduziu a capacidade do ponto de venda de influenciar a escolha", afirma Renato Vechiatto, diretor de operações (COO) da Smollan para a América Latina.

“O consumidor chega à loja mais informado e, muitas vezes, já tem uma decisão encaminhada. Ainda assim, fatores como preço, disponibilidade, promoções e experiência de compra podem influenciar sua escolha. Para as marcas, isso reforça a importância de garantir que os produtos estejam disponíveis e bem apresentados nas lojas”, afirma Vechiatto. 
Por que o consumidor ainda vai à loja física?

Mesmo com a facilidade de pesquisar preços e comprar pela internet, ver o produto pessoalmente continua sendo um dos motivos para visitar uma loja.

Na pesquisa, 46,1% dos entrevistados apontaram essa experiência como um fator importante para ir ao ponto de venda. Outros 29,2% destacaram a vantagem de sair da loja com o produto em mãos.

🥘 A preferência pelo canal varia conforme a categoria:

  • Para comprar carne, 93,4% dos consumidores preferem lojas físicas;
  • No caso de hortifrútis, o percentual chega a 92%.
📱 Já no segmento de eletrônicos, as preferências são mais divididas:

  • 39,6% optam pela loja física;
  • 39% alternam entre os canais;
  • 22% compram pela internet.

A diferença mostra que a experiência presencial continua relevante, mas seu peso depende do produto e das necessidades do consumidor.

Em alguns casos, tocar, experimentar ou avaliar pessoalmente um item ajuda a reduzir a insegurança antes da compra. Em outros, a praticidade e a possibilidade de comparar preços on-line podem ser determinantes.

Para Vechiatto, os canais não precisam competir entre si. O varejista pode usar a loja para oferecer uma experiência que o ambiente digital não proporciona da mesma forma e, quando não consegue igualar o preço on-line, apresentar alternativas para concretizar a venda.

“Nem sempre será possível cobrir o preço do comércio eletrônico, mas é possível oferecer outras alternativas, como crediário, seguro e acessórios, ou até apresentar outro modelo de produto. A capacitação dos vendedores é importante para que a experiência seja única", afirma Vechiatto.

O executivo também destaca que a comparação de preços é mais simples no comércio eletrônico, enquanto a loja física oferece a possibilidade de conhecer o produto pessoalmente.

Nesse caso, o atendimento e a segurança durante a compra podem ajudar a convencer o consumidor a concluir a transação presencialmente.

Preço e disponibilidade podem mudar a decisão

Compras em sites brasileiros que não informam produtos vindos da China frustram consumidores e-commerce comércio on-line compras internacionais cartão de crédito consumo — Foto: Thaisa Figueiredo/g1
Compras em sites brasileiros que não informam produtos vindos da China frustram consumidores e-commerce comércio on-line compras internacionais cartão de crédito consumo — Foto: Thaisa Figueiredo/g1

A disputa entre os canais também passa pela capacidade de oferecer o produto certo, pelo preço esperado e no momento em que o consumidor deseja comprá-lo.

Na pesquisa, o preço foi apontado como fator importante na decisão de compra por 77,7% dos entrevistados.

As promoções apareceram em seguida, citadas por 61,1%. Marca (41,1%), disponibilidade do produto (23,2%) e atendimento (20,6%) também foram mencionados.

Quando questionados sobre o que mais chama a atenção dentro da loja, 59,6% destacaram as ofertas promocionais.

O levantamento também identificou um problema que pode levar à perda de vendas: 27% dos entrevistados disseram que a disponibilidade dos produtos é o aspecto que mais precisa melhorar nas lojas, à frente dos preços (20,9%) e da integração entre os canais físico e on-line (17,6%).

Além disso, 57% afirmaram já ter desistido de uma compra em uma loja física por não encontrar o produto que procuravam.

“A falta de um produto pode levar o consumidor a desistir não apenas daquele item, mas também de continuar comprando na loja. Por isso, garantir a disponibilidade e a boa exposição dos produtos no ponto de venda é tão importante para os resultados das marcas”, afirma Vechiatto.

A falta de integração entre os canais pode agravar o problema. Se o consumidor encontra um produto na internet, mas não consegue localizá-lo na loja ou não tem acesso a informações claras sobre estoque e entrega, a empresa corre o risco de perder a venda para um concorrente.

Por isso, manter estoques adequados e integrar as informações entre lojas, centros de distribuição e plataformas digitais se torna importante para evitar que o consumidor encontre o produto em um canal, mas não consiga comprá-lo nas condições desejadas.

Como as lojas podem se adaptar?

Black Friday no Amapá — Foto: Mariana Ferreira/g1
Black Friday no Amapá — Foto: Mariana Ferreira/g1

Como o g1 mostrou, as mudanças no comportamento do consumidor têm pressionado varejistas e redes de lojas físicas a rever suas operações. Manter esses estabelecimentos envolve custos com aluguel, funcionários, estoque e logística, o que leva as empresas a priorizar unidades mais rentáveis e formatos menores.

No varejo alimentar, juros elevados, crédito caro e consumidores mais atentos aos preços reforçam a busca por eficiência e integração com os canais digitais. Isso não significa o fim das lojas físicas, mas uma mudança em seu papel na jornada de compra, segundo Renato Vechiatto.

“A gente prevê um alinhamento, uma linguagem única, mantendo as características de cada canal. O consumidor que busca essencialmente preço pode ir até a loja física, mas ser orientado a comprar no digital. Os canais sempre serão ambientes que se complementam, mas a integração permite que o varejista não perca vendas para a concorrência.”

Segundo o diretor de operações da Smollan, essa integração também passa por mudanças na logística, como parcerias entre varejistas e centros de distribuição que reduzam custos e agilizem entregas.

Há também formatos que exigem estruturas menores, como lojas de automóveis com poucos veículos em exposição e operações de delivery e dark kitchens, voltadas exclusivamente à preparação de pedidos para entrega.

O showrooming, portanto, não representa necessariamente o fim das lojas físicas, mas reforça a necessidade de oferecer preços competitivos, disponibilidade e uma boa experiência, independentemente do canal de compra.

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Cientistas aprovam fim do ‘segundo bissexto’ e mudam a forma como o mundo marca o tempo; entenda

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Ajuste usado desde os anos 1970 para alinhar relógios atômicos à rotação da Terra deixará de ser feito em 2027. Mudança busca reduzir riscos em sistemas digitais e redes.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 16 de Outubro de 2.026 às 05h00m

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Ilustração mostra a Terra e um relógio, em referência à medição do tempo e à rotação do planeta. — Foto: AdobeStock
Ilustração mostra a Terra e um relógio, em referência à medição do tempo e à rotação do planeta. — Foto: AdobeStock

Cientistas e representantes de dezenas de países aprovaram nesta última quinta-feira (15) uma mudança na forma como o mundo mantém a hora oficial: o chamado “segundo bissexto” deixará de ser acrescentado aos relógios a partir de 2027.

A decisão foi tomada durante a Conferência Geral de Pesos e Medidas, em Versalhes, na França, e antecipa em oito anos uma mudança que estava prevista inicialmente para 2035.

⏱️ENTENDA: O segundo bissexto é um ajuste usado desde os anos 1970 para manter o Tempo Universal Coordenado (UTC), baseado em relógios atômicos, próximo do tempo determinado pela rotação da Terra.

Isso é necessário porque os dois sistemas não avançam exatamente no mesmo ritmo. Os relógios atômicos são extremamente precisos, mas a velocidade de rotação do nosso planeta varia ligeiramente por causa de movimentos no núcleo, nos oceanos e na atmosfera, além da ação das marés.

Desde 1972, 27 segundos bissextos já foram acrescentados. Eles não aparecem em intervalos regulares: entram em cena quando a diferença entre o tempo atômico e o astronômico se aproxima de 0,9 segundo.

O problema é que incluir um segundo extra pode causar falhas em sistemas que dependem de sincronização precisa, como redes de telecomunicações, satélites, bolsas de valores, data centers e redes de energia.

Em 2012, por exemplo, a inclusão de um segundo extra foi associada a problemas em serviços como Reddit e LinkedIn e a atrasos em voos da companhia aérea Qantas.

Isso levantou a possibilidade de ser necessário, pela primeira vez, fazer o contrário do que sempre foi feito: retirar um segundo dos relógios, em vez de acrescentá-lo.

Esse cenário preocupa especialistas porque um “segundo negativo” nunca foi aplicado e poderia gerar efeitos imprevisíveis em sistemas digitais.

“Esta medida é necessária e oportuna diante dos importantes riscos que poderia representar, nos próximos anos, a introdução pela primeira vez de um segundo intercalar negativo”, afirmou Dolores del Campo Maldonado, do Centro Espanhol de Metrologia, em comentário divulgado pelo Science Media Centre Espanha.

A partir de 20 de maio de 2027, o UTC poderá se afastar gradualmente do tempo marcado pela rotação da Terra sem que um segundo seja acrescentado ou retirado para corrigir essa diferença.

Pela nova regra, a diferença poderá crescer até chegar perto de uma hora. Isso deve levar séculos, segundo os especialistas.

Na prática, a mudança não será perceptível para quem olha o relógio no dia a dia. Os relógios atômicos continuarão funcionando normalmente, mas sem os pequenos ajustes feitos de tempos em tempos para acompanhar a rotação terrestre.

Astrônomos também continuarão acompanhando o movimento da Terra e poderão usar diretamente o tempo astronômico quando precisarem de medidas mais precisas da posição do planeta em relação aos astros.

Relógio analógico marca a passagem do tempo. — Foto: Pexels
Relógio analógico marca a passagem do tempo. — Foto: Pexels

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Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'
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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Deepfakes estão cada vez mais difíceis de detectar, alertam especialistas da OpenAI e Meta

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Avanço da inteligência artificial dificulta a identificação de vídeos e áudios falsos, o que pode comprometer a verificação de provas em julgamentos; especialistas dizem que não há método infalível para detectar esse tipo de conteúdo.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 15 de Outubro de 2.026 às 18h10m

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TSE mantém proibição de deepfake na campanha, mas exige realismo para ser ilícito
TSE mantém proibição de deepfake na campanha, mas exige realismo para ser ilícito

Especialistas em tecnologia da OpenAI e da Meta alertaram nesta quinta-feira (15) que os vídeos e áudios falsificados por inteligência artificial (IA), conhecidos como deepfakes, estão cada vez mais difíceis de distinguir de conteúdos autênticos.

O avanço da tecnologia pode dificultar a verificação de provas apresentadas em julgamentos nos Estados Unidos.

O alerta foi feito durante uma reunião em Boston do Comitê Consultivo sobre Regras de Provas da Conferência Judicial dos EUA, acompanhada pela Reuters, que discute há três anos como lidar com os riscos de materiais falsificados por IA nos tribunais.

Segundo os especialistas, os avanços da chamada IA generativa — tecnologia capaz de criar conteúdos, como imagens, vídeos e áudios, a partir de comandos — tornaram as falsificações difíceis de identificar tanto por pessoas quanto por programas de computador.

“As imagens geradas por IA estão ficando cada vez melhores, e não acredito que haja, no futuro, uma maneira científica de detectá-las”, disse Shira Anderson, consultora de políticas da OpenAI.

Desde 2023, o comitê debate como verificar a autenticidade de materiais suspeitos de serem deepfakes e como garantir que provas produzidas com IA atendam aos mesmos critérios de confiabilidade exigidos de outros tipos de evidência, incluindo aquelas analisadas por especialistas humanos.

Apesar da preocupação, ainda há poucos registros de casos do tipo nos tribunais americanos.

Em março, o Centro Federal do Judiciário, órgão de pesquisa do Poder Judiciário dos EUA, informou que apenas 15 dos 931 juízes que responderam a uma pesquisa haviam enfrentado um caso em que uma das partes contestou uma prova por suspeitar que ela fosse um deepfake.

“Há muitos comentários acadêmicos e de outras fontes prevendo que os tribunais terão de lidar com deepfakes, mas ainda não vimos muitos casos desse tipo”, disse o juiz federal Jesse Furman, de Manhattan, que preside o comitê.

Especialistas da indústria, da academia e do governo, porém, afirmam que o risco não é apenas hipotético. Para eles, será cada vez mais difícil para os tribunais identificar provas fabricadas com inteligência artificial.

Devin Norder, diretor de gestão de produtos da Meta, afirmou à Reuters que conteúdos criados pelos modelos de IA mais avançados já podem ser indistinguíveis, para os seres humanos, de mídias autênticas. Ele também destacou que produzir esse tipo de material exige pouco tempo e dinheiro.

OpenAI e Meta estão entre as grandes empresas que desenvolvem ferramentas e serviços para ajudar a verificar a autenticidade de conteúdos visuais.

Novas leis exigem marca d'água

Na Califórnia e na União Europeia, novas leis também exigem o uso de marcas-d'água para ajudar a identificar materiais falsificados por IA. Essas marcas são sinais incorporados ao conteúdo para indicar sua origem ou auxiliar na identificação.

Anderson, consultora de políticas da OpenAI, no entanto, alertou que não existe um método universal capaz de identificar com segurança todas essas marcas ou confirmar a autenticidade de um conteúdo visual.

Como cada empresa utiliza seu próprio sistema, a verificação continua sujeita a limitações.

“Minha impressão é que isso certamente continuará melhorando”, disse ela. “Não acho que algum dia será à prova de falhas.”

Imagem ilustrativa; deepfake; crimes cibernéticos; cyberbullying. — Foto: Freepik
Imagem ilustrativa; deepfake; crimes cibernéticos; cyberbullying. — Foto: Freepik

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