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sábado, 25 de julho de 2026

A invasão de vídeos feitos com IA para 'hipnotizar' crianças no YouTube: 'Pode impactar pelo resto da vida'

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Pesquisadores identificaram que vídeos de baixa qualidade são sugeridos pelo algoritmo da plataforma e que criadores não avisam sobre o uso de tecnologia.
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TOPO
Por Luiz Fernando Toledo

Postado em 25 de Julho de 2.026 às 07h00m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
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Personagens que mudam de nome, de voz e até de aparência ao longo da história, sem qualquer explicação, aparecem em vídeos de IA no Youtube — Foto: Bloomberg via Getty Images
Personagens que mudam de nome, de voz e até de aparência ao longo da história, sem qualquer explicação, aparecem em vídeos de IA no Youtube — Foto: Bloomberg via Getty Images

Um urso panda reencontra um antigo cuidador e reage com surpresa, quase como se fosse um ser humano. A imagem é extremamente realista.

Um avatar de Jesus aparece em uma praia construindo estátuas de si mesmo.

Músicas infantis que não têm refrão claro, trazem letras incompreensíveis e misturam trechos em mais de um idioma.

Personagens que mudam de nome, de voz e até de aparência ao longo da história, sem qualquer explicação.

Estes são alguns dos vídeos aparentemente criados com inteligência artificial e sugeridos pelo algoritmo do YouTube, inclusive após buscas relacionadas ao universo infantil.

Em um teste da BBC News Brasil, bastaram cerca de 15 minutos navegando pelos vídeos curtos da plataforma para que clipes desse tipo aparecessem. A busca inicial havia sido por temas como os jogos Roblox, Minecraft e vídeos de animais.

Produzidos em escala e replicados por diferentes canais, muitos desses conteúdos acumulam dezenas ou centenas de milhares de visualizações.

Criadores chegam a recomendar o nicho infantil como uma oportunidade de negócio e afirmam ser possível obter renda com esses vídeos.

Já especialistas ouvidos pela BBC News Brasil alertam que esse material pode levar as crianças a confundir realidade e ficção e afetar de forma significativa e permanente sua capacidade de atenção e seu desenvolvimento cognitivo e social.

O que explica essa invasão de vídeos gerados por IA no YouTube, o maior serviço de streaming do mundo?

Um dos fatores é econômico, segundo pesquisadores ouvidos pela reportagem.

O YouTube, por sua vez, diz priorizar o combate a conteúdos de IA de baixa qualidade e adotar regras mais rígidas para vídeos destinados a crianças.

Como são os vídeos infantis feitos com IA

Pesquisadores identificaram músicas, conteúdo religioso e cópias de personagens com direitos autorais em vídeos gerados por IA no Youtube — Foto: Reprodução/André Mintz/Youtube
Pesquisadores identificaram músicas, conteúdo religioso e cópias de personagens com direitos autorais em vídeos gerados por IA no Youtube — Foto: Reprodução/André Mintz/Youtube

Ainda não é possível dimensionar com clareza o tamanho e alcance deste fenômeno.

A reportagem tentou estimar a frequência com que vídeos feitos com IA aparecem para o usuário, com base no alerta visual exibido pelo YouTube para conteúdos deste tipo.

A maioria, porém, não apresentava qualquer aviso, mesmo quando havia fortes indícios do uso da tecnologia, como vozes que não correspondiam aos personagens, desenhos que mudavam de forma entre uma cena e outra e gestos ou movimentos incomuns.

Pesquisadores ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que o YouTube não identifica automaticamente vídeos feitos com IA e que muitos criadores não informam quando recorrem à tecnologia.

Uma análise do jornal The New York Times feita manualmente e também com uma ferramenta de detecção ajuda a ilustrar a frequência com que esses vídeos aparecem.

Em uma sessão de 15 minutos realizada após a exibição de um vídeo do canal infantil CoComelon, mais de 40% dos vídeos assistidos pareciam conter imagens geradas por IA.

Mesmo com dificuldades na coleta de dados, um estudo conduzido por André Mintz, professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e pela estudante de graduação em Cinema de Animação e Artes Digitais Juno Bozzi buscou identificar a presença desse tipo de conteúdo em vídeos infantis em português e inglês no YouTube.

A pesquisa partiu de uma base com cerca de 17 mil vídeos encontrados por meio de buscas com palavras-chave relacionadas à inteligência artificial e conteúdo infantil.

Em seguida, os pesquisadores aplicaram novos filtros para identificar apenas vídeos efetivamente voltados às crianças.

Os vídeos infantis gerados por IA analisados apresentavam diferentes níveis de uso desta tecnologia. Alguns pareciam ter sido produzidos quase integralmente desta forma. Outros incorporavam apenas alguns elementos, como cenários das animações.

A maior parte dos conteúdos era musical, com imagens geradas por IA acompanhadas de canções infantis. O estudo também encontrou adaptações de histórias, vídeos educativos, como lições sobre o alfabeto, e conteúdos religiosos.

Uma categoria que chamou a atenção dos pesquisadores foi a dos vídeos de "transformação", nos quais personagens de desenhos animados são recriados por IA em versões com aparência de crianças. A pesquisa aponta que esses vídeos tendem a repetir imagens genéricas e estereotipadas.

"O que chama a atenção é um certo desprezo pelo espectador infantil, de colocar qualquer coisa e confiar que a criança vai aceitar", diz o professor André Mintz à BBC News Brasil.

'Crianças pequenas não conseguem distinguir fantasia de realidade'

Rachel Franz, diretora do programa Young Children Thrive Offline (Crianças pequenas se desenvolvem melhor longe das telas, em tradução livre) da organização americana Fairplay, explica que esse tipo de vídeo se enquadra no chamado "AI slop"

Essa expressão é usada para definir vídeos de baixa qualidade, produzidos em massa com o uso de softwares de inteligência artificial.

Segundo Franz, a preocupação é maior em relação aos efeitos disso nas crianças pequenas, em um período da vida em que o cérebro ainda passa por intenso desenvolvimento.

"O cérebro das crianças atinge cerca de 90% do tamanho adulto até os 5 anos, e o que elas encontram nesse período molda seu desenvolvimento e pode impactá-las pelo resto da vida", afirma Franz.

"Crianças pequenas não conseguem distinguir fantasia de realidade. Assistir a AI slop pode condicionar o cérebro delas a acreditar que algo é real quando não é."

Franz afirma que muitos desses vídeos são produzidos para capturar a atenção infantil, não para ensinar.

Segundo ela, a sucessão de imagens confusas também pode sobrecarregar a quantidade de informações que uma criança consegue processar de uma só vez.

"Quando o cérebro é sobrecarregado com informações, a criança não consegue aprender tão bem quanto ao vivenciar situações reais, no seu próprio ritmo e usando todos os sentidos."

Ela também relaciona o consumo prolongado desses vídeos ao tempo que deixa de ser dedicado a atividades como brincar, dormir e interagir com outras pessoas.

"Vídeos hipnotizantes de músicas infantis gerados por IA, por exemplo, podem moldar o cérebro das crianças no longo prazo, afetando sua capacidade de atenção, sua resiliência e sua habilidade de regular as emoções mais tarde na vida."

Especialistas sugerem que YouTube deixe de recomendar vídeos gerados por IA — Foto: AFP via Getty Images
Especialistas sugerem que YouTube deixe de recomendar vídeos gerados por IA — Foto: AFP via Getty Images

Os possíveis efeitos do consumo deste tipo de vídeo gerado por IA já são percebidos em atendimentos, segundo Telma Pantano, fonoaudióloga e psicopedagoga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq/HCFMUSP).

"Há crianças que estão vindo com muitos medos, com muita dificuldade de definir o que acontece e o que não acontece."

Pantano afirma que a maturação das áreas pré-frontais do cérebro, relacionadas à capacidade crítica, à autorregulação e ao automonitoramento, começa por volta dos 6 anos e se estende até a vida adulta.

Segundo ela, a distinção entre realidade e fantasia começa a se consolidar por volta dos 7 ou 8 anos, enquanto habilidades como tomada de decisão e resolução de problemas se desenvolvem mais tarde.

"Até os 10 anos, é uma idade de muito risco, porque a criança ainda não sabe separar a realidade da fantasia e não tem capacidade de tomada de decisão, organização e planejamento para resolver problemas."

Para a especialista, há ainda um custo no contato constante com imagens prontas, que exigem pouco da imaginação infantil.

"Sabe aquela sensação de quando a gente vai ver um filme depois de ler o livro? Normalmente não gostamos do filme porque ele vai contra a nossa imagem mental", diz.

"O que estamos fazendo com essa construção de vídeos? Estamos permitindo que crianças e adolescentes entrem em contato com a imagem sem antes fazer essa construção mental. As imagens vêm prontas, e a criatividade fica bastante restrita."

'Quanto menor a criança, mais atrativo aquilo fica'

Pantano afirma que também não se pode esperar que as próprias crianças identifiquem e rejeitem vídeos de baixa qualidade.

Conteúdos com cores, movimentos e mudanças rápidas podem capturar a atenção mesmo quando não apresentam uma narrativa coerente ou informação confiável, diz.

"Mesmo conteúdos sem significado, sem base científica ou sem conhecimento vão atrair a criança da mesma forma. E, quanto menor a criança, mais atrativo aquilo fica."

André Mintz avalia que esse tipo de vídeo se aproveita da dificuldade de muitas famílias em controlar o consumo de conteúdo infantil online.

"Geralmente, quando você vê crianças que assistem muito conteúdo online, é essa situação do pai ou da mãe sem tempo para ficar com a criança, precisando entretê-la enquanto cuida da casa, trabalha ou faz outra coisa."

Para ele, o problema não está apenas na existência dos vídeos, mas na forma como esse tipo de conteúdo se encaixa no modelo das plataformas.

"Se tem gente assistindo, para o YouTube está bom. Vai ser recomendado, vai aparecer", diz Mintz.

Rachel Franz concorda que o impacto sobre as crianças é agravado pelo próprio modo de funcionamento das plataformas.

"Elas são projetadas para fisgar as crianças e mantê-las engajadas pelo maior tempo possível. Elas usam táticas deliberadas, como reprodução automática e recomendações algorítmicas, para alimentar as crianças com um vídeo atrás do outro", afirma.

"Quando acrescentamos AI slop, que hipnotiza ainda mais as crianças, essa se torna uma batalha perdida. Isso não apenas impacta o desenvolvimento infantil, como torna impossível exercer o papel de pai ou mãe quando a própria tela luta contra você."

YouTube diz que combater vídeos de IA de baixa qualidade é prioridade

O YouTube afirma que, embora seja permitido conteúdo gerado por IA, a plataforma tem padrões mais rígidos para o conteúdo voltado para espectadores mais jovens.

"Combater o conteúdo de baixa qualidade gerado por IA é uma prioridade máxima para nós, e isso inclui esforços contínuos para remover conteúdo de IA marcado como 'feito para crianças' quando ele não atende aos nossos princípios de qualidade", diz a plataforma em nota à BBC News Brasil.

A empresa afirma que canais que usam IA continuam qualificados para monetização, ou seja, para exibir propaganda e serem pagos por isso, "desde que o produto final seja uma criação original que adicione uma perspectiva autêntica, siga nossas diretrizes de comunidade e de monetização, e divulgue adequadamente quando o conteúdo for alterado ou sintético".

Em uma entrevista ao canal Creator Inside, em julho, o vice-presidente de confiança e segurança do YouTube, Matt Halprin, disse que são considerados problemáticos vídeos em que o conteúdo seja genéricos ou repetitivo, que busquem manipular as emoções dos espectadores ou criem peronsagems com IA para abordar temas considerados mais sensíveis, como finanças, questões legais ou saúde.

Para João Victor Archegas, coordenador de direito e tecnologia do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), é positivo que o YouTube sinalize ao público o que caracteriza como um conteúdo que não seja autêntico, e que isso possa impedir sua monetização.

Isso permite que os criadores de conteúdo compreendam melhor os limites estabelecidos pela plataforma.

Para uma empresa que opera uma das maiores máquinas publicitárias do mundo, ressalta Archegas, é importante dar sinais claros a parceiros e anunciantes de que há uma preocupação com o uso dessa tecnologia, e que há alguma forma de controle pela própria plataforma.

Mas Archegas avalia que há uma contradição: o YouTube incentiva ativamente a adoção de ferramentas de IA para a criação de vídeos, enquanto tenta frear o "AI slop" (conteúdo de baixa qualidade) que essas mesmas tecnologias permitem escalar.

Isso tem, na prática, um efeito limitante sobre a capacidade do YouTube de conter a disseminação destes vídeos.

"A plataforma segue tendo o desafio imenso de identificar conteúdos gerados por IA e atuar quando eles são identificados", diz Archegas.

"Essas novas categorias podem ajudar o moderador a entender o que a plataforma considera prioritário, mas não dizem o que, de fato, o YouTube classifica como conteúdo gerado por IA ou quais são os parâmetros técnicos usados nessa moderação."

IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI
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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Opinião: na Copa do revisionismo, a história ainda resiste ao anacronismo da bola

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Nas últimas semanas, vivemos uma nova onda de esquecimento intencional direcionado a Pelé
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Por Luiz Teixeira — São Paulo

Postado em 24 de Julho de 2.024 às 18h30m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

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PC Vasconcellos rechaça comparações de Pelé com qualquer outro jogador
PC Vasconcellos rechaça comparações de Pelé com qualquer outro jogador

O revisionismo histórico ganha, a cada dia, novos capítulos em uma sociedade envenenada pelos rotineiros épicos espalhados numa rede nada social. Reinterpretar fatos adulterando a história, cujo objetivo único é justificar narrativas próprias, é o mesmo que negar a existência de consensos já estabelecidos ou não contextualizar, de forma correta e com fatos, o que já passou. História não é nada sem contexto, assim como presente não é nada sem passado, inclusive em Copas do Mundo.

Nas últimas semanas, vivemos uma nova onda de esquecimento intencional direcionado ao Rei do Futebol, exatamente na primeira Copa do Mundo sem a presença física de Edson Arantes do Nascimento, mesmo Pelé sendo lembrado e com muito destaque na abertura da grande final em Nova Jersey.

De uma maneira geral, parece que olhar e respeitar o passado virou uma ofensa grave, assim como rememorar tudo que foi pavimentado virou motivo de chacota, principalmente para nós, brasileiros. Incoerente, não? Sim, mas há um método. Silenciar também é opinar. Omitir também é se posicionar. E o desapego pela memória está cada dia mais presente no nosso dia a dia, inclusive no futebol, principalmente em tempos de Copa.

Qualquer comparação com Pelé é diferente, ou ao menos seria, se o debate não fosse logo interditado por quem se recusa a valorizar um passado menos documentado do que o presente. Na monarquia da bola, assim como na sociedade, tomar a coroa, que não seja por herança, é uma missão de guerra, mas quase todas as estratégias usadas são sujas, mesmo que os números estejam a favor do Rei.

"O Pelé jogou mais do que você imagina, mais do que você não viu e mais do que você jamais verá"

Pelé está no Guiness Book como o jogador de futebol, com registros oficiais, que mais marcou gols na história: 1279. Em 1959, um ano após se tornar o jogador mais jovem a marcar gols e conquistar uma Copa do Mundo, o Rei atingiu a inalcançável marca de 127 gols em um único ano, registro exaltado e destacado pela Fifa em seu site oficial no dia da morte de Pelé. No entanto, as duas estatísticas citadas foram simplesmente apagadas da história. O motivo? Revisionismo histórico, jogos invalidados e desaparecimento daquilo que existiu e foi vivido.

Liderada por Pelé, seleção brasileira conquistou a Copa do Mundo de 1970 no Estádio Azteca — Foto: Divulgação / Fifa
Liderada por Pelé, seleção brasileira conquistou a Copa do Mundo de 1970 no Estádio Azteca — Foto: Divulgação / Fifa

O que antes valia, hoje não presta. A tentativa de reorganizar a memória do futebol apagando o passado é um movimento que está ganhando força através do sumiço de feitos e de conquistas de quem construiu o esporte que temos hoje. Estamos entregando a cabeça do Rei de bandeja para quem sempre o quis fora do trono e nem estamos falando de revolução ou quedas históricas. O nome desse apagamento é outro.

Já sobre o anacronismo de exaltar a longevidade de atletas atuais sem analisar o contexto da época do Pelé, é leviano ignorar tecnologia e avanços da medicina esportiva, além da superproteção aos craques do presente. No entanto, o mito da não perenidade do Rei cai sobre terra diante dos números.

Pelé deu os primeiros passos no futebol em 1957 pelo Santos, se aposentando em 1977, 20 anos depois, sendo campeão e melhor jogador da Liga Norte Americana de Futebol pelo New York Cosmos. 20 anos de alto nível, com títulos brasileiros, de Libertadores, Mundial de Clubes, três Copas do Mundo, sendo uma em cada década e mais de 1200 gols marcados.

No livro O Avesso da Pele, Jeferson Tenório destaca que resistir é recusar o apagamento da história quando abordamos a luta contra a invisibilidade social. O mesmo vale para o futebol e para o Rei Pelé. Recusar o apagamento significa afirmar a existência, a memória e a dignidade de grupos historicamente marginalizados.

Na véspera da final entre Espanha e Argentina em Nova Jersey, Lionel Messi usou da história para justificar os feitos da Argentina em Copas. "Aconteça o que acontecer, este grupo já escreveu uma história que ninguém poderá apagar", escreveu o craque em sua rede social. Com Messi vale e com Pelé não? Apagar um corpo negro da história não é uma novidade. O Pelé é a bola da vez, de um esporte em que ele sempre foi o dono da bola. Um Rei que criou o futebol moderno, que inventou a camisa 10 e O camisa 10. Número que Messi usa por causa de Pelé.

Não seria uma final de uma Copa do Mundo que mudaria a monarquia da bola e ela não mudou. A verdadeira história desta Copa não será contada apenas pelos gols que vibramos, mas também por tudo aquilo que escolhemos não enxergar. E falar. De casos de racismo a xenofobia, passando por interferências presidenciais e falta de isonomia entre determinadas seleções.

Na Copa do revisionismo, quem perdeu foi a história. E a história não se apaga. Podem continuar tentando substituir Pelé, mas o futuro do futebol, assim como o passado, é negro. De um rei único e nunca posto, já que os fatos são imunes à pós-verdade.

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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Google é multado em US$ 1 bilhão pela União Europeia e tenta evitar novas sanções

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Empresa foi punida por violar a Lei dos Mercados Digitais da UE, mas reguladores europeus disseram que as negociações com a gigante de tecnologia têm sido "construtivas".
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Por Reuters

Postado em 23 de Julho de 2.026 às 09h40m
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— Foto: Reprodução/TV Globo
— Foto: Reprodução/TV Globo

O Google, da Alphabet, foi multado nesta quinta-feira (23) em 890 milhões de euros (cerca de US$ 1 bilhão, ou R$ 5,6 bilhões) por violar regras da União Europeia criadas para limitar o poder das grandes empresas de tecnologia, informou a Comissão Europeia.

Apesar da punição, a gigante americana deve evitar novas sanções. Reguladores europeus elogiaram o progresso da empresa na adaptação à Lei dos Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês).

As multas reforçam a estratégia da União Europeia de combater práticas anticompetitivas das big techs, mesmo diante das críticas do governo dos EUA e das ameaças de impor tarifas retaliatórias.

A Comissão Europeia aplicou uma multa de 460 milhões de euros ao Google por favorecer seus próprios serviços nos resultados de busca relacionados a compras, hotéis, transporte e esportes.

Uma segunda multa, de 430 milhões de euros, foi aplicada pelas restrições impostas na loja de aplicativos Google Play, que impedem desenvolvedores de direcionar gratuitamente os usuários para ofertas mais baratas em lojas de aplicativos ou sites concorrentes.

A Reuters antecipou as duas penalidades. Elas são as primeiras aplicadas ao Google com base na DMA, mas correspondem à quinta e à sexta multas recebidas pela empresa na União Europeia por práticas anticompetitivas.

Com isso, o valor total das sanções impostas ao Google no bloco chega a 10,38 bilhões de euros (cerca de R$ 65,3 bilhões) ao longo de quase duas décadas.

"Nosso dever e obrigação é cumprir as leis e garantir que elas sejam plenamente respeitadas", afirmou a chefe da área antitruste da União Europeia, Teresa Ribera, ao ser questionada sobre a reação dos EUA.

"O objetivo da DMA é garantir condições de concorrência justas e equitativas. Com essas decisões, queremos assegurar que haja competição", disse a comissária europeia para Tecnologia, Henna Virkkunen.

O Google tem 60 dias para cumprir as determinações da Comissão Europeia, que exigem tratamento justo e não discriminatório aos concorrentes e permitem que desenvolvedores direcionem usuários para ofertas fora do Google Play.

A empresa criticou as conclusões da União Europeia e afirmou que poderá recorrer à Justiça.

"Para cumprir essas exigências, estamos tendo que remover recursos de busca em tempo real que os europeus apreciam, como preços instantâneos e disponibilidade direta de hotéis, voos e restaurantes, além de desmontar proteções de segurança no Google Play", afirmou Kent Walker, presidente de Assuntos Globais do Google, em comunicado.

"Isso não é concorrência justa; é uma degradação do produto impulsionada por um pequeno grupo de reclamantes que busca apenas benefícios próprios, enquanto empresas e consumidores europeus sofrem as consequências. A regulamentação deveria melhorar os produtos, não piorá-los", acrescentou.  
Diálogo com reguladores

A Comissão Europeia indicou que novas multas são improváveis e destacou o "diálogo construtivo" mantido com o Google, além do progresso significativo da empresa para cumprir a DMA.

Segundo o órgão, o Google propôs e começou a testar mudanças na forma como exibe seus próprios serviços na Busca para categorias como compras, hotéis e voos. A Comissão classificou essas alterações como um avanço substancial.

A empresa também iniciou testes para modificar a apresentação de anúncios relacionados a compras e a conteúdos, como esportes. A Comissão informou que continuará avaliando essas mudanças e mantendo negociações com a companhia.

Os reguladores europeus acrescentaram que o Google poderá aplicar os princípios da decisão desta quinta-feira também aos seus resumos gerados por inteligência artificial, conhecidos como AI Overviews e AI Mode. As discussões sobre essas ferramentas devem continuar.

Já as mudanças nas regras de direcionamento do Google Play receberam uma aprovação preliminar da Comissão.

"Esses avanços representam um bom progresso rumo ao cumprimento das normas e também serão avaliados à luz da ordem emitida na decisão de hoje", afirmou o órgão.

A atuação da União Europeia contra as grandes empresas de tecnologia tem provocado atritos com o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou retaliar com tarifas por considerar que as medidas atingem empresas americanas. Parlamentares americanos também aumentaram a pressão sobre o bloco.

As sanções desta quinta-feira são a terceira aplicação de multas com base na DMA, após as penalidades impostas à Apple e à Meta em abril do ano passado.

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