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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

'Parece lixo de IA': por que plataformas agora estão 'dedurando' conteúdos feitos com inteligência artificial

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LinkedIn, Claude, Substack, Snapchat e Google adotaram medidas para identificar ou limitar conteúdos gerados por IA. Especialistas dizem que pressão regulatória, AI slop e interesses financeiros ajudam a explicar a mudança.
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Por Darlan Helder, g1 — São Paulo

Postado em 28 de Agosto de 2.026 às 06h00m

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'Parece lixo de IA': por que plataformas agora estão 'dedurando' conteúdos feitos com inte
'Parece lixo de IA': por que plataformas agora estão 'dedurando' conteúdos feitos com inte

Um movimento curioso está acontecendo entre empresas de tecnologia que investem em inteligência artificial: elas estão criando formas para que os próprios usuários denunciem conteúdos feitos com IA ou identificando com mais clareza quando uma publicação foi produzida com a tecnologia. 👀

A questão envolve a pressão por regulação, a tentativa de "limpar o feed", e até a sobrevivência do modelo de negócio dessas plataformas, afirmam especialistas ouvidos pelo g1. (entenda mais abaixo)

Uma das questões centrais é a facilidade para criar conteúdos com IA. Segundo Elizabeth Saad, professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e pesquisadora de IA, as ferramentas são projetadas para serem simples de usar e atrair cada vez mais pessoas.

Mas a falta de esforço fez com que esse tipo de material se espalhasse rapidamente, mesmo que a qualidade do resultado seja questionável. É o que analistas chamam de "AI slop".

  • 🔎 O que é AI slop? É o nome dado à enxurrada de conteúdos de baixa qualidade feitos com IA. São textos, imagens, vídeos e músicas publicados em massa nas redes, muitas vezes sem sentido ou com pouco valor para quem consome, mas criados para atrair visualizações e gerar dinheiro para seus criadores.
Plataformas estão mais 'dedo-duro'
"Parece lixo de IA" — Foto: Reprodução/LinkedIn
"Parece lixo de IA" — Foto: Reprodução/LinkedIn

Recentemente, o LinkedIn passou a exibir um botão para denunciar postagens feitas com IA. Em português, ele se chama... "Parece lixo de IA".

"Estamos desenvolvendo uma série de classificadores novos e aprimorados que identificam se uma postagem é lixo de IA. Isso vai reduzir a quantidade de conteúdo de IA que você pode ver nas recomendações e fora da sua rede", defendeu o diretor de produto da empresa, Hari Srinivasan, em um post.

A plataforma de newsletters Substack anunciou uma ferramenta que estima, em porcentagem, quanto de um texto foi escrito por IA. O leitor pode ver se o conteúdo foi produzido 100% por pessoas, se recebeu ajuda da tecnologia ou se foi totalmente gerado por ela.

A novidade faz parte de uma parceria da empresa com o Pangram, software de identificação de textos produzidos por IA.

O Claude, IA rival do ChatGPT, também gerou polêmica ao anunciar que passaria a identificar textos e imagens criados com sua tecnologia para se adequar ao AI Act, lei da União Europeia que estabelece regras para conteúdos feitos com inteligência artificial.

Até o Snapchat disse, no fim de julho, que deixará de recomendar publicações totalmente geradas por IA. A nova regra vale para o Spotlight, um feed semelhante ao TikTok onde usuários publicam vídeos curtos e verticais.

"Não se trata de rejeitar IA", afirmou o Snapchat. "Sabemos que ela desempenha uma parte importante do processo criativo e acreditamos que ela pode desbloquear novas formas incríveis de expressão. Portanto, conteúdos que foram aprimorados ou editados com IA do Snapchat continuarão elegíveis para recomendação e incluirão indicadores de transparência", completou.

Em maio, o Google também anunciou que mais empresas adotariam o SynthID, tecnologia da companhia que ajuda a identificar imagens e vídeos criados por IA. Entre as parceiras estão a OpenAI, dona do ChatGPT, além da Kakao e da ElevenLabs. Segundo a empresa, todas vão incorporar o SynthID a seus produtos.

YouTube exibe informações sobre vídeos criados com IA. — Foto: Reprodução/YouTube
YouTube exibe informações sobre vídeos criados com IA. — Foto: Reprodução/YouTube

O YouTube, que vinha ampliando o uso de IA entre seus criadores, agora está mais cauteloso. A plataforma decidiu retirar a monetização de vídeos genéricos, com histórias repetitivas de IA e que não se diferenciam de outros conteúdos já publicados pelo mesmo canal, segundo o portal de tecnologia Mashable.

Para o YouTube, os vídeos precisam trazer histórias diferentes, explicações e ensinamentos que realmente agreguem ao público. A mudança faz parte de uma estratégia para combater a produção em massa de conteúdos de baixa qualidade.

Além desses casos, TikTok e Instagram já permitem que os usuários identifiquem, em suas próprias publicações, quando elas foram feitas com o auxílio de IA.

O que está por trás dessas mudanças

Rótulo de IA da Meta. — Foto: Divulgação/Meta
Rótulo de IA da Meta. — Foto: Divulgação/Meta

No dia 2 de agosto, entrou em vigor uma nova regra da União Europeia: o artigo 50 do AI Act (Regulamento de Inteligência Artificial da União Europeia), que determina que conteúdos gerados ou manipulados por IA sejam identificados de forma clara.

A mudança ajuda a explicar por que tantas plataformas anunciaram novidades relacionadas à identificação de conteúdo gerado por IA nos últimos meses, analisa Edney Souza, professor da educação continuada da ESPM e especialista em tecnologia e inovação.

"Toda plataforma grande que atende usuários europeus tinha esse prazo pela frente. A onda de anúncios entre maio e julho deste ano, como o rótulo da Meta em maio e o do LinkedIn em julho, acontece perto demais dessa data para ser coincidência de calendário de produto", afirma.

Para o especialista, as big techs estão olhando para a ética, mas, principalmente, para os impactos financeiros de não deixarem claro o que é real e o que foi gerado artificialmente em seus serviços.

"As plataformas entendem que, quando o feed enche de conteúdo genérico, a assinatura paga pelo usuário perde valor. Além disso, conteúdos feitos com IA e não identificados aumentam os riscos jurídicos, regulatórios e de reputação para elas", diz.

Google anunciou IA no Google Earth. — Foto: Divulgação/Google
Google anunciou IA no Google Earth. — Foto: Divulgação/Google

Essas empresas também estão preocupadas com a reputação de suas marcas. Quanto mais conteúdo ruim circula, maior é a impressão de que essas ferramentas só produzem publicações falsas, afirma Elizabeth Saad.

Um episódio recente ajuda a ilustrar esses riscos. O Google lançou uma ferramenta de IA capaz de criar imagens falsas a partir de registros reais de satélite do Google Earth, serviço que permite visualizar imagens da Terra.

A empresa voltou atrás e retirou o recurso após identificar que usuários estavam criando imagens de desinformação, como cenas falsas de guerras em locais reais. "Estamos revertendo esse recurso no Earth enquanto trabalhamos na implementação de proteções mais fortes", disse a empresa em comunicado.

Tendência não deve terminar aqui

Para a professora Elizabeth Saad, as pessoas aprendem a usar as novas ferramentas de IA com uma rapidez impressionante, o que acelera o ciclo de produção e consumo de conteúdos gerados pela tecnologia.

Como ainda não há uma regulamentação ampla para essas ferramentas, muitas empresas já estão se antecipando a possíveis problemas legais e questionamentos, afirma.

Mas a tendência é que esse movimento continue. Para o professor Edney Souza, a disputa entre quem cria modelos de IA e quem desenvolve ferramentas para identificá-los está longe de acabar.

"Tem uma corrida escondida nisso também. Cada geração nova de detector esbarra numa geração nova de modelo melhor em escapar dele. Então, essa infraestrutura de rotulagem vai continuar mudando por um bom tempo e não deve se estabilizar em um padrão único tão cedo", diz.

Elizabeth concorda. Segundo ela, o desenvolvimento de ferramentas para identificar conteúdos gerados por IA é contínuo e deve acompanhar a evolução dos próprios modelos.

Por que tanta gente está falando do Claude? Conheça a IA mais perigosa do mundo
Por que tanta gente está falando do Claude? Conheça a IA mais perigosa do mundo

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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Lucro da Nvidia dispara 126% no 2º trimestre, para US$ 59,7 bilhões, e CEO diz que demanda por chips segue forte

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Resultado superou as previsões, mas ações da empresa recuaram no pós-mercado diante de dúvidas sobre sua capacidade de manter o ritmo de crescimento.
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TOPO
Por France Presse — São Paulo

Postado em 27 de Agosto de 2.026 às 12h15m

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Ilustração mostra o logotipo da NVIDIA e a placa-mãe do computador — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
Ilustração mostra o logotipo da NVIDIA e a placa-mãe do computador — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração 

A gigante americana de semicondutores Nvidia voltou a superar as expectativas no segundo trimestre de seu exercício fiscal. O CEO da empresa, Jensen Huang, afirmou que a demanda, impulsionada pela inteligência artificial (IA), continua crescendo.

A empresa de maior valor de mercado do mundo registrou lucro líquido de US$ 59,7 bilhões (R$ 307,5 bilhões) no segundo trimestre. O resultado foi 126% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior, segundo comunicado divulgado nesta quarta-feira (26).

O lucro por ação, indicador de referência para os investidores, foi de US$ 2,22 (R$ 11,44), acima dos US$ 2,09 (R$ 10,77) projetados pelos analistas consultados pela FactSet.

"A IA atingiu seu ponto de inflexão. Está fazendo um trabalho útil. Seus tokens são produtivos e rentáveis", disse Huang, que busca reduzir as dúvidas, principalmente entre as empresas, sobre os benefícios econômicos da IA.

"A demanda está acelerando. A expansão da infraestrutura de IA avança a todo vapor", acrescentou.

A receita da empresa atingiu US$ 96,2 bilhões, alta de 106% em relação ao ano anterior. Apesar de os números terem superado as previsões, o resultado não impressionou o mercado.

No pós-fechamento, a ação da empresa caía 0,27%. Isso mostra o quão alto está o sarrafo para a Nvidia, observou o analista Jacob Bourne, da eMarketer.

Para ele, a falta de entusiasmo dos investidores se deve principalmente às dúvidas sobre a capacidade da empresa de manter o ritmo de crescimento.

O mercado também se preocupa com os valores elevados que a Nvidia destina a estruturas que permitem a seus clientes investir em IA. Para alguns especialistas, esses investimentos podem estar inflando artificialmente a demanda.

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Lula diz que tem 'muita gente estrangeira' comprando minerais críticos do Brasil antes de país regulamentar setor

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Declaração acontece após empresa americana avançar no processo de compra dúnica mineradora de terras raras em operação no Brasil.
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Por Isabella Calzolari, g1 — Brasília

Postado em 27 de Agosto de 2.026 às 11h35m

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Lula diz que tem 'muita gente estrangeira' comprando minerais críticos do Brasil
Lula diz que tem 'muita gente estrangeira' comprando minerais críticos do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (26) que "tem muita gente estrangeira" comprando minerais críticos sem o Brasil ter regulado os recursos naturais.

O presidente deu a declaração ao defender a aprovação no Senado do projeto que cria a política nacional para minerais críticos após um almoço no Palácio da Alvorada com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

"Se a gente não regular e definir que essa riqueza mineral não é minha, não é do Alcolumbre, não é do Hugo Motta, não é individualmente de ninguém e de nenhum empresário e muito menos de outro país, que é uma riqueza do Brasil e por ser do Brasil a gente tem que garantir que essas coisas se transforme em uma coisa que faça o povo brasileiro sonhar de que a possibilidade que nós temos de garimpar, tratar e produzir coisas importantes nesse país é uma coisa sagrada para o futuro do nosso país", disse o petista.

Na ocasião, Alcolumbre anunciou que levará ao plenário da Casa a proposta para a votação na próxima semana.

A Política Nacional de Minerais Críticos cria uma legislação específica para atrair investimentos nacionais para o setor, com um fundo de R$ 5 bilhões. O projeto já foi aprovado na Câmara em maio e aguarda somente a votação no Senado.

🔎Minerais críticos e estratégicos são cobiçados pela indústria e diplomacia mundial, isso porque, dentre eles, destacam-se as chamadas terras raras, grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de uma série de produtos.

Entre eles estão o lítio, o cobalto, o níquel e o grafite, fundamentais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores.

"Tenho compreensão que nós precisamos nos debruçarmos sobre a proposta encaminhada pelo governo porque é o governo que sabe o que está se passando em Estados do Brasil, de outros países estarem vindo no Brasil comprar as nossas riquezas", disse Alcolumbre.

"Quando falamos de soberania, temos que falar da soberania na sua plenitude e não em parte", complementou.

A medida deve ser analisada junto com a proposta que estabelece Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), considerada por Lula uma questão de soberania do país.

Minerais críticos: projeto aprovado na Câmara quer garantir que o Brasil não seja apenas exportador de matéria-prima — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Minerais críticos: projeto aprovado na Câmara quer garantir que o Brasil não seja apenas exportador de matéria-prima — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O Redata é uma política para incentivar a instalação de datacenters no Brasil. Esse tipo de instalação reúne servidores, sistemas de armazenamento e equipamentos de rede para processamento de dados em grande volume.

O Redata foi inicialmente instituído por meio de uma medida provisória que deveria ser votada até fevereiro. Na época, Alcolumbre deixou a medida vencer sem votá-la no plenário do Senado.

Nesta quarta-feira (26), ele justificou a decisão dizendo que como a Comissão Mista para a análise do tema não foi instalada, os senadores não se sentiam confortáveis em votar o tema.

Agora, segundo Alcolumbre, o novo projeto enviado pelo governo e já aprovado pela Câmara será votado pela importância para os "investimentos" no Brasil.

EUA avança na compra de mineradora brasileira

A companhia anunciou nesta segunda-feira (24) que garantiu os recursos necessários para concluir a compra. O negócio, no entanto, ainda depende da aprovação dos acionistas em uma assembleia marcada para esta sexta-feira (28).

O negócio prevê a combinação das operações das duas companhias para criar uma cadeia completa de produção de ímãs — da extração à fabricação — fora da Ásia, região que hoje domina esse mercado.

💰 Para concluir a compra, a USA Rare Earth afirmou ter garantido US$ 1,55 bilhão (R$ 7,7 bilhões) em recursos. O dinheiro ficará em uma estrutura financeira criada especificamente para viabilizar a operação.

💸 Desse total, US$ 750 milhões (R$ 3,8 bilhões) vieram do Departamento de Guerra dos EUA.

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