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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Opinião: na Copa do revisionismo, a história ainda resiste ao anacronismo da bola

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Nas últimas semanas, vivemos uma nova onda de esquecimento intencional direcionado a Pelé
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Por Luiz Teixeira — São Paulo

Postado em 24 de Julho de 2.024 às 18h30m
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PC Vasconcellos rechaça comparações de Pelé com qualquer outro jogador
PC Vasconcellos rechaça comparações de Pelé com qualquer outro jogador

O revisionismo histórico ganha, a cada dia, novos capítulos em uma sociedade envenenada pelos rotineiros épicos espalhados numa rede nada social. Reinterpretar fatos adulterando a história, cujo objetivo único é justificar narrativas próprias, é o mesmo que negar a existência de consensos já estabelecidos ou não contextualizar, de forma correta e com fatos, o que já passou. História não é nada sem contexto, assim como presente não é nada sem passado, inclusive em Copas do Mundo.

Nas últimas semanas, vivemos uma nova onda de esquecimento intencional direcionado ao Rei do Futebol, exatamente na primeira Copa do Mundo sem a presença física de Edson Arantes do Nascimento, mesmo Pelé sendo lembrado e com muito destaque na abertura da grande final em Nova Jersey.

De uma maneira geral, parece que olhar e respeitar o passado virou uma ofensa grave, assim como rememorar tudo que foi pavimentado virou motivo de chacota, principalmente para nós, brasileiros. Incoerente, não? Sim, mas há um método. Silenciar também é opinar. Omitir também é se posicionar. E o desapego pela memória está cada dia mais presente no nosso dia a dia, inclusive no futebol, principalmente em tempos de Copa.

Qualquer comparação com Pelé é diferente, ou ao menos seria, se o debate não fosse logo interditado por quem se recusa a valorizar um passado menos documentado do que o presente. Na monarquia da bola, assim como na sociedade, tomar a coroa, que não seja por herança, é uma missão de guerra, mas quase todas as estratégias usadas são sujas, mesmo que os números estejam a favor do Rei.

"O Pelé jogou mais do que você imagina, mais do que você não viu e mais do que você jamais verá"

Pelé está no Guiness Book como o jogador de futebol, com registros oficiais, que mais marcou gols na história: 1279. Em 1959, um ano após se tornar o jogador mais jovem a marcar gols e conquistar uma Copa do Mundo, o Rei atingiu a inalcançável marca de 127 gols em um único ano, registro exaltado e destacado pela Fifa em seu site oficial no dia da morte de Pelé. No entanto, as duas estatísticas citadas foram simplesmente apagadas da história. O motivo? Revisionismo histórico, jogos invalidados e desaparecimento daquilo que existiu e foi vivido.

Liderada por Pelé, seleção brasileira conquistou a Copa do Mundo de 1970 no Estádio Azteca — Foto: Divulgação / Fifa
Liderada por Pelé, seleção brasileira conquistou a Copa do Mundo de 1970 no Estádio Azteca — Foto: Divulgação / Fifa

O que antes valia, hoje não presta. A tentativa de reorganizar a memória do futebol apagando o passado é um movimento que está ganhando força através do sumiço de feitos e de conquistas de quem construiu o esporte que temos hoje. Estamos entregando a cabeça do Rei de bandeja para quem sempre o quis fora do trono e nem estamos falando de revolução ou quedas históricas. O nome desse apagamento é outro.

Já sobre o anacronismo de exaltar a longevidade de atletas atuais sem analisar o contexto da época do Pelé, é leviano ignorar tecnologia e avanços da medicina esportiva, além da superproteção aos craques do presente. No entanto, o mito da não perenidade do Rei cai sobre terra diante dos números.

Pelé deu os primeiros passos no futebol em 1957 pelo Santos, se aposentando em 1977, 20 anos depois, sendo campeão e melhor jogador da Liga Norte Americana de Futebol pelo New York Cosmos. 20 anos de alto nível, com títulos brasileiros, de Libertadores, Mundial de Clubes, três Copas do Mundo, sendo uma em cada década e mais de 1200 gols marcados.

No livro O Avesso da Pele, Jeferson Tenório destaca que resistir é recusar o apagamento da história quando abordamos a luta contra a invisibilidade social. O mesmo vale para o futebol e para o Rei Pelé. Recusar o apagamento significa afirmar a existência, a memória e a dignidade de grupos historicamente marginalizados.

Na véspera da final entre Espanha e Argentina em Nova Jersey, Lionel Messi usou da história para justificar os feitos da Argentina em Copas. "Aconteça o que acontecer, este grupo já escreveu uma história que ninguém poderá apagar", escreveu o craque em sua rede social. Com Messi vale e com Pelé não? Apagar um corpo negro da história não é uma novidade. O Pelé é a bola da vez, de um esporte em que ele sempre foi o dono da bola. Um Rei que criou o futebol moderno, que inventou a camisa 10 e O camisa 10. Número que Messi usa por causa de Pelé.

Não seria uma final de uma Copa do Mundo que mudaria a monarquia da bola e ela não mudou. A verdadeira história desta Copa não será contada apenas pelos gols que vibramos, mas também por tudo aquilo que escolhemos não enxergar. E falar. De casos de racismo a xenofobia, passando por interferências presidenciais e falta de isonomia entre determinadas seleções.

Na Copa do revisionismo, quem perdeu foi a história. E a história não se apaga. Podem continuar tentando substituir Pelé, mas o futuro do futebol, assim como o passado, é negro. De um rei único e nunca posto, já que os fatos são imunes à pós-verdade.

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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Google é multado em US$ 1 bilhão pela União Europeia e tenta evitar novas sanções

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Empresa foi punida por violar a Lei dos Mercados Digitais da UE, mas reguladores europeus disseram que as negociações com a gigante de tecnologia têm sido "construtivas".
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- TOPO
Por Reuters

Postado em 23 de Julho de 2.026 às 09h40m
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— Foto: Reprodução/TV Globo
— Foto: Reprodução/TV Globo

O Google, da Alphabet, foi multado nesta quinta-feira (23) em 890 milhões de euros (cerca de US$ 1 bilhão, ou R$ 5,6 bilhões) por violar regras da União Europeia criadas para limitar o poder das grandes empresas de tecnologia, informou a Comissão Europeia.

Apesar da punição, a gigante americana deve evitar novas sanções. Reguladores europeus elogiaram o progresso da empresa na adaptação à Lei dos Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês).

As multas reforçam a estratégia da União Europeia de combater práticas anticompetitivas das big techs, mesmo diante das críticas do governo dos EUA e das ameaças de impor tarifas retaliatórias.

A Comissão Europeia aplicou uma multa de 460 milhões de euros ao Google por favorecer seus próprios serviços nos resultados de busca relacionados a compras, hotéis, transporte e esportes.

Uma segunda multa, de 430 milhões de euros, foi aplicada pelas restrições impostas na loja de aplicativos Google Play, que impedem desenvolvedores de direcionar gratuitamente os usuários para ofertas mais baratas em lojas de aplicativos ou sites concorrentes.

A Reuters antecipou as duas penalidades. Elas são as primeiras aplicadas ao Google com base na DMA, mas correspondem à quinta e à sexta multas recebidas pela empresa na União Europeia por práticas anticompetitivas.

Com isso, o valor total das sanções impostas ao Google no bloco chega a 10,38 bilhões de euros (cerca de R$ 65,3 bilhões) ao longo de quase duas décadas.

"Nosso dever e obrigação é cumprir as leis e garantir que elas sejam plenamente respeitadas", afirmou a chefe da área antitruste da União Europeia, Teresa Ribera, ao ser questionada sobre a reação dos EUA.

"O objetivo da DMA é garantir condições de concorrência justas e equitativas. Com essas decisões, queremos assegurar que haja competição", disse a comissária europeia para Tecnologia, Henna Virkkunen.

O Google tem 60 dias para cumprir as determinações da Comissão Europeia, que exigem tratamento justo e não discriminatório aos concorrentes e permitem que desenvolvedores direcionem usuários para ofertas fora do Google Play.

A empresa criticou as conclusões da União Europeia e afirmou que poderá recorrer à Justiça.

"Para cumprir essas exigências, estamos tendo que remover recursos de busca em tempo real que os europeus apreciam, como preços instantâneos e disponibilidade direta de hotéis, voos e restaurantes, além de desmontar proteções de segurança no Google Play", afirmou Kent Walker, presidente de Assuntos Globais do Google, em comunicado.

"Isso não é concorrência justa; é uma degradação do produto impulsionada por um pequeno grupo de reclamantes que busca apenas benefícios próprios, enquanto empresas e consumidores europeus sofrem as consequências. A regulamentação deveria melhorar os produtos, não piorá-los", acrescentou.  
Diálogo com reguladores

A Comissão Europeia indicou que novas multas são improváveis e destacou o "diálogo construtivo" mantido com o Google, além do progresso significativo da empresa para cumprir a DMA.

Segundo o órgão, o Google propôs e começou a testar mudanças na forma como exibe seus próprios serviços na Busca para categorias como compras, hotéis e voos. A Comissão classificou essas alterações como um avanço substancial.

A empresa também iniciou testes para modificar a apresentação de anúncios relacionados a compras e a conteúdos, como esportes. A Comissão informou que continuará avaliando essas mudanças e mantendo negociações com a companhia.

Os reguladores europeus acrescentaram que o Google poderá aplicar os princípios da decisão desta quinta-feira também aos seus resumos gerados por inteligência artificial, conhecidos como AI Overviews e AI Mode. As discussões sobre essas ferramentas devem continuar.

Já as mudanças nas regras de direcionamento do Google Play receberam uma aprovação preliminar da Comissão.

"Esses avanços representam um bom progresso rumo ao cumprimento das normas e também serão avaliados à luz da ordem emitida na decisão de hoje", afirmou o órgão.

A atuação da União Europeia contra as grandes empresas de tecnologia tem provocado atritos com o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou retaliar com tarifas por considerar que as medidas atingem empresas americanas. Parlamentares americanos também aumentaram a pressão sobre o bloco.

As sanções desta quinta-feira são a terceira aplicação de multas com base na DMA, após as penalidades impostas à Apple e à Meta em abril do ano passado.

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quarta-feira, 22 de julho de 2026

OpenAI diz que sua IA agiu por conta própria e lançou um ataque cibernético 'sem precedentes'

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Empresa informou que algumas de suas IAs invadiram uma startup. Empresa disse que seu agente estava sendo testado em um ambiente controlado, mas teve vulnerabilidades.
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TOPO
Por BBC

Postado em 22 de Julho de 2.026 às 10h00m
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Logo da OpenAI, dona do ChatGPT — Foto: AP Photo/Michael Dwyer
Logo da OpenAI, dona do ChatGPT — Foto: AP Photo/Michael Dwyer

A OpenAI informou que alguns de seus modelos de inteligência artificial mais avançados agiram por conta própria e invadiram uma startup após a empresa perder o controle sobre eles durante um teste de segurança.

A criadora do ChatGPT declarou que seu agente — um sistema de IA capaz de operar autonomamente após receber instruções iniciais de humanos — estava sendo testado em um ambiente controlado, mas teve vulnerabilidades.

O sistema teve como alvo a Hugging Face, uma das maiores plataformas do mundo para compartilhamento de modelos de IA, obtendo acesso a alguns sistemas internos da empresa.

A OpenAI classificou o incidente como "sem precedentes" e afirmou estar conduzindo uma investigação em conjunto com a Hugging Face.

O CEO da Hugging Face, Clement Delangue, declarou em uma publicação no X que era "impressionante que tudo isso tenha acontecido de forma autônoma". "A investigação está em andamento, e compartilharemos mais aprendizados sobre o que pode ser o primeiro incidente desse tipo", acrescentou.

Homem processa OpenAI e diz que ChatGPT reforçou delírio de que era Jesus Cristo
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Ambientes de teste (sandboxes) inseguros

Gina Neff, diretora do Centro Minderoo de Tecnologia e Democracia da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, disse ao programa Today, da BBC Radio 4, que os testes de segurança — conhecidos como sandboxes — "deveriam ser ambientes seguros onde é possível observar do que os modelos são capazes".

"Neste caso, parece que a OpenAI não criou um ambiente de teste suficientemente seguro", acrescentou ela.

Em vez disso, os agentes criaram seu próprio ataque cibernético contra o ambiente de teste, encontrando uma vulnerabilidade que lhes permitiu escapar.

Uma vez fora, a IA identificou a Hugging Face como uma provável fonte das respostas que buscava no teste e tentou obter acesso.

Neil Lawrence, professor de aprendizado de máquina na Universidade de Cambridge, classificou o feito como "impressionante", mas ressaltou que ele "está totalmente dentro das capacidades conhecidas da geração atual" de modelos de IA de alto desempenho.

Ele observou que a OpenAI busca abrir seu capital na bolsa de valores e enfrenta forte pressão da rival Anthropic, que ganhou destaque com sua própria ferramenta de IA poderosa, a Mythos.

"A OpenAI está agora correndo atrás do prejuízo; eles estão tentando demonstrar as capacidades de seus próprios sistemas em segurança cibernética."

"Isso nos mostra que a OpenAI não é capaz de implementar sua própria tecnologia com segurança", acrescentou.

Em seu comunicado inicial sobre a invasão, em 16 de julho, a Hugging Face informou que ainda estava avaliando se dados de clientes ou parceiros haviam sido afetados e que entraria em contato com as partes atingidas, se necessário.

A empresa afirmou que já corrigiu as vulnerabilidades apontadas pelo incidente e reconstruiu os sistemas afetados.

"Ferramentas ofensivas autônomas impulsionadas por IA já não são algo teórico", declarou a empresa. "Defender uma plataforma online agora significa tratar os dados e a superfície do modelo como uma superfície de ataque de primeira ordem, e utilizar IA na defesa para acompanhar o ritmo.

"Continuaremos investindo nessa área e compartilhando o que aprendermos."

'Momento de reflexão'

O incidente levantou novas questões sobre as capacidades de sistemas avançados de IA e se as salvaguardas existentes são suficientes à medida que a tecnologia se torna mais poderosa.

Spencer Starkey, executivo da empresa de cibersegurança SonicWall, disse à BBC que o episódio deixou claro que as organizações precisam "intensificar" suas defesas e "tratar a resiliência cibernética como uma prioridade operacional fundamental".

"A verdade desconfortável é que muitas organizações ainda se defendem na velocidade humana, enquanto os adversários estão avançando para a velocidade das máquinas", afirmou.

Enquanto isso, Travis Lelle, engenheiro-chefe de segurança da consultoria Guidepoint Security, disse que a atualização marcou um "momento de reflexão na cibersegurança". "Isso evidencia uma assimetria conhecida", disse ele.

"Os agentes ofensivos não têm restrições, enquanto as melhores ferramentas de defesa estão limitadas por mecanismos de controle que não conseguem compreender o contexto."

No entanto, Jake Moore, consultor global de cibersegurança da ESET, observou que o anúncio também poderia ter uma dimensão competitiva.

Ele argumentou que a OpenAI pode estar tentando destacar suas próprias capacidades de IA, uma vez que a rival Anthropic atrai cada vez mais atenção com seu modelo Claude Mythos.

"Isso levanta a questão de se a OpenAI estaria tentando alcançar o sucesso de marketing da Anthropic", disse.

O fato ocorre uma semana após a startup chinesa de IA Moonshot apresentar o Kimi K3 — um novo e gigantesco modelo de inteligência artificial que, segundo a empresa, pode rivalizar com as principais companhias dos EUA.

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