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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O que é PHP e a falha grave de segurança detectada por IA que tirou sites do ar

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Ferramenta de inteligência artificial descobriu falhas ocultas em sistema de gerenciamento de conteúdo, desencadeando resposta global de segurança cibernética.
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TOPO
Por Osmond Chia

Postado em 22 de Outubro de 2.026 às 10h15m

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O que é PHP e a falha grave de segurança detectada por IA que tirou sites do ar — Foto: Getty Images via BBC
O que é PHP e a falha grave de segurança detectada por IA que tirou sites do ar — Foto: Getty Images via BBC

Durante mais de uma década, falhas graves passaram despercebidas em uma tecnologia usada por grande parte da internet. Foi preciso que a inteligência artificial as trouxesse à tona, causando um alerta global de segurança cibernética.

As vulnerabilidades estão em uma linguagem de programação chamada PHP, que tem sido usada no mundo todo desde os anos 2000 para construir sites.

Governos e agências de segurança cibernética em todo o mundo estão se mobilizando para conter as consequências da descoberta feita na quarta-feira (21/10) e instaram os operadores de sites a instalarem uma nova correção de emergência ou a considerarem a possibilidade de desativar suas plataformas.

A empresa de cibersegurança Wiz — cujos pesquisadores ajudaram a descobrir as vulnerabilidades — descreveu as falhas como as "mais graves" já detectadas por IA.

A OpenAI — cuja tecnologia foi usada para encontrar as falhas — classificou a descoberta como "um dos problemas de segurança mais impactantes da história recente". 
O que é PHP?

Muitas pessoas podem nunca ter ouvido falar de PHP, mas provavelmente interagem com ele diariamente.

PHP é uma sigla em inglês para Hypertext Preprocessor. É a base de um grande número de plataformas, incluindo lojas online, a Wikipédia e o WordPress — o sistema de gerenciamento de conteúdo por trás de muitos sites, como blogs.

Quando você visita um site como a Wikipédia, o PHP é o código que coleta as informações necessárias e as apresenta de uma forma que você consiga lê-las na internet, afirma Paul Spain, diretor executivo da Gorilla Cyber Security, à BBC.

Qual é a vulnerabilidade?

Todos os sites que usam PHP ficaram expostos devido a uma falha que permite que hackers assumam o controle dos servidores de internet afetados sem autenticação e roubem dados confidenciais.

A inteligência artificial pode tornar esses ataques ainda mais fáceis e rápidos, afirma Paul Spain. Ele estima que a falha poderia afetar "milhões" de sites.

A pesquisadora de segurança cibernética Jill Slay, da Universidade de Adelaide, afirma que seria "desastroso" se hackers ou países explorassem a falha e roubassem dados privados de sites.

Quais sites foram afetados?

O alerta interrompeu serviços em todo o mundo, desde plataformas de jogos a portais governamentais e fóruns online.

Isso inclui a Wikimedia — a organização por trás da enciclopédia online Wikipédia — que desativou vários de seus sistemas como medida de precaução.

O governo da Finlândia, a prefeitura de Edimburgo, a agência de segurança cibernética da Holanda e a BBC estão entre os que retiraram seus sites do ar por um período.

Sites como o da Universidade de Genebra foram desativados na quarta-feira — Foto: EPA via BBC
Sites como o da Universidade de Genebra foram desativados na quarta-feira — Foto: EPA via BBC

Diversas organizações públicas da Escócia, incluindo conselhos e autoridades de saúde, também desativaram seus sites.

Alguns especialistas alertam que a vulnerabilidade pode deixar sites com baixo nível de manutenção — particularmente aqueles pertencentes a organizações menores com recursos de segurança limitados — em maior risco.

É provável que ocorram mais tentativas de explorar essas falhas nas próximas semanas, já que os detalhes técnicos estão sendo divulgados agora, afirma o pesquisador de segurança cibernética Salil Kanhere, da UNSW Sydney.

O que aconteceu depois que as falhas foram expostas?

Os desenvolvedores da plataforma PHP lançaram na quarta-feira atualizações para corrigir as vulnerabilidades que estavam presentes no software há anos.

"Recomenda-se fortemente que todos os usuários do PHP façam atualizações imediatamente", disse a empresa.

Autoridades e organizações de segurança em todo o mundo reiteraram esses alertas aos operadores de sites para que protejam suas plataformas.

A Agência de Segurança Nacional dos EUA alertou todas as organizações que utilizam PHP para que desliguem seus sistemas caso não consigam corrigir a falha imediatamente, acrescentando que ela pode fornecer um "caminho direto" para explorar o banco de dados de um sistema.

"Esses riscos são graves o suficiente para exigir correções imediatas em todos os departamentos e agências do governo dos EUA", disse a agência.

O Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido fez recomendações semelhantes e orientou organizações a verificarem a existência de "portas traseiras instaladas por um invasor".

Autoridades de segurança na União Europeia, em Singapura e na Austrália também emitiram alertas semelhantes.

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, pediu às pessoas que verificassem se seus sites públicos utilizavam a linguagem PHP.

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, pediu às pessoas que verifiquem se seus sites públicos são executados em PHP — Foto: Bloomberg via Getty Images
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, pediu às pessoas que verifiquem se seus sites públicos são executados em PHP — Foto: Bloomberg via Getty Images

"Temos um pedido urgente para que todos tomem providências esta noite", escreveu Takaichi no X.

"Se for difícil aplicar a correção prontamente, a suspensão temporária de sites e medidas semelhantes podem ser consideradas uma forma eficaz de reduzir o risco", disse ela.

Empresas de tecnologia também estão correndo contra o tempo para proteger seus sistemas.

A gigante do comércio eletrônico Amazon afirmou ter sido alvo de múltiplas tentativas de ataque dias antes da divulgação pública da vulnerabilidade no PHP. Não se sabe como os hackers tomaram conhecimento da vulnerabilidade.

As vulnerabilidades foram descobertas por pesquisadores das empresas de segurança Calif e Wiz.

Os pesquisadores utilizaram ferramentas avançadas de IA capazes de analisar o código e encontrar falhas muito mais rapidamente do que os humanos ou os sistemas mais antigos.

"O software moderno é incrivelmente complexo e algumas vulnerabilidades podem permanecer sem ser detectadas por anos", disse Kanhere.

"Os problemas subjacentes não eram novos; o que mudou foi nossa capacidade de encontrá-los", disse Kanhere.

Detalhes da descoberta vazaram online esta semana, forçando os desenvolvedores da plataforma PHP a divulgarem às pressas o anúncio da falha de segurança e sua enorme escala.

O incidente "destaca como a IA pode descobrir falhas de segurança", mas também como ela pode "ajudar invasores a desenvolver rapidamente ferramentas", disse a OpenAI em uma postagem no blog.

A empresa, que é dona do ChatGPT, afirmou ter lançado um programa para verificar se a plataforma PHP é segura.

"Muitas dessas falhas decorrem da forma como o software era construído no passado, priorizando a funcionalidade em detrimento da segurança", afirmou Ryan Ko, do Centro de Pesquisa Cibernética da Universidade de Queensland.

O que as pessoas podem fazer para se proteger?

Os proprietários de sites estão sendo aconselhados a proteger seus sites com a versão mais recente do PHP.

Segundo Spain, a correção do software PHP é uma pequena alteração de rotina para a maioria das equipes de TI.

A Agência de Segurança Nacional dos EUA recomendou "maior atenção" nas próximas semanas e o acompanhamento rigoroso das atualizações dos fornecedores de software.

A responsabilidade recai principalmente sobre os operadores dos sites, mas os usuários devem ficar atentos a quaisquer avisos de segurança emitidos pelos serviços afetados, como solicitações para alterar senhas, disse Kanhere.

Ele alertou as pessoas para que fiquem atentas a quaisquer mensagens de phishing que explorem a publicidade em torno do incidente.

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Meta é processada na Austrália por danos a crianças nas redes sociais

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Ação coletiva alega que Facebook e Instagram expuseram menores a conteúdos prejudiciais e usaram algoritmos para mantê-los viciados
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Renju Jose, da Reuters
22/10/26 às 01:56 | Atualizado 22/10/26 às 01:56
Postado em 22 de Outubro de 2.025 às 05h00m

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Imagem ilustrativa de logo da Meta
Imagem ilustrativa de logo da Meta  • 11/09/2025REUTERS/Dado Ruvic

Uma ação coletiva foi ajuizada em um tribunal australiano contra o Facebook e o Instagram, plataformas da Meta, sob a alegação de que os serviços expuseram crianças a conteúdos prejudiciais e as mantiveram viciadas por meio de algoritmos.

A ação, apresentada neste mês pelo escritório de advocacia MinterEllison à Corte Federal, a segunda mais alta instância judicial da Austrália, pode ser a primeira no país a responsabilizar as redes sociais por danos causados a seus usuários, especialmente crianças e adolescentes.

O processo coletivo foi movido em nome de oito autores, que alegam ter sofrido danos causados pela Meta quando tinham menos de 18 anos, e buscam indenização.

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“Estamos cientes dessa ação e nos defenderemos vigorosamente”, afirmou um porta-voz da Meta por e-mail.

Em uma ordem de sigilo emitida na segunda-feira (19), o tribunal proibiu a divulgação de qualquer informação que pudesse revelar a identidade dos autores da ação, bem como do conteúdo da petição inicial.

O processo ocorre em meio ao aumento das tensões entre a Austrália e as grandes empresas de tecnologia, após a implementação de uma proibição inédita no mundo ao uso de redes sociais por menores de 16 anos e a apresentação de novas regras propostas que poderiam permitir aos usuários desativar conteúdos determinados por algoritmos em seus feeds.

Em agosto, a Meta concordou em pagar US$ 18 bilhões para encerrar disputas com quase todos os estados dos Estados Unidos e resolver acusações de que a empresa desenvolveu redes sociais para viciar crianças.

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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Executiva que comanda o Signal contesta previsões de 'apocalipse de IA' e diz que risco é o uso descuidado da inteligência artificial

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Em entrevista à BBC, Meredith Whittaker, chefe de fundação que criou aplicativo de mensagens criptografadas, afirma que riscos da inteligência artificial têm sido mal compreendidos.
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Por Katie Roberts

Postado em 19 de Outubro de 2.026 às 06h00m

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Meredith Whittaker acredita que não há evidências científicas de que a inteligência artificial possa se voltar contra os seres humanos. — Foto: Alvaro Alvarez/ BBC
Meredith Whittaker acredita que não há evidências científicas de que a inteligência artificial possa se voltar contra os seres humanos. — Foto: Alvaro Alvarez/ BBC

Aviso: Este artigo contém linguagem forte que pode ofender leitores

Meredith Whittaker rejeita as previsões catastróficas sobre a inteligência artificial (IA) que ganham destaque no noticiário. Para ela, os alertas de que a tecnologia poderia se voltar contra a humanidade se baseiam em um temor "sem fundamento científico".

"O risco é muito real", afirma Whittaker, presidente da Signal Foundation, organização responsável pelo aplicativo de mensagens criptografadas Signal. "Mas não tem nada a ver com essas histórias fantasiosas contadas por garotos alarmistas."

Whittaker considera que o perigo mais imediato está no uso irresponsável da tecnologia.

Ela menciona um suposto caso noticiado pela emissora americana CNN, no qual um chatbot utilizado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos teria inventado informações sobre um navio chinês que supostamente transportava material nuclear.

Segundo a reportagem, o episódio levou os EUA a preparar uma resposta militar.

"Quase entramos em guerra com a China", afirma Whittaker ao BBC Global Women, do Serviço Mundial da BBC. "Um sistema que fornece informações de inteligência falsas e quase provoca uma guerra com a China não pode ser considerado superinteligente, seja qual for o critério adotado."

O Signal tem entre 40 milhões e 70 milhões de usuários, segundo estimativas — um número muito inferior ao do concorrente WhatsApp, que conta com cerca de 3 bilhões de usuários, também segundo estimativas.

No entanto, o aplicativo Signal é conhecido por sua postura rigorosa na proteção da privacidade dos usuários. Seus servidores não têm acesso à identidade de quem envia as mensagens, o que reduz a quantidade de informações que podem ser obtidas por terceiros ou invasores.

Whittaker foi apontada pela revista americana Time como uma das pessoas mais influentes na área de IA.

Ela participa de discussões sobre o futuro da tecnologia em alguns dos principais centros de poder do mundo, de empresas do Vale do Silício à sede do governo britânico, em Downing Street, passando pelo Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), e pelo Vaticano.

Ela estudou literatura na graduação e começou a trabalhar no Google em 2006, como funcionária temporária em um cargo inicial, sem formação em ciência da computação.

Whittaker ganhou notoriedade no fim de 2017, quando soube por um colega da existência do Projeto Maven, um contrato secreto entre o Google e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para desenvolver sistemas de IA capazes de identificar alvos para ataques com drones.

Ela compreendeu o que significava "encurtar a cadeia de ataque": reduzir o intervalo entre a identificação de um alvo por uma máquina e a decisão humana de disparar, deixando menos tempo para avaliar as consequências.

"Isso vai fazer com que informações de inteligência e dados de má qualidade pareçam confiáveis", lembra ter dito publicamente.

No ano seguinte, Whittaker ajudou a organizar uma paralisação que mobilizou cerca de 20 mil funcionários.

Eles protestavam contra a atuação do Google em diversas questões, incluindo o que consideravam uma implementação apressada de novas tecnologias. O Google desistiu do contrato, que foi assumido pela Palantir.

Whittaker critica a falta de apoio de investidores de capital de risco a startups comandadas por mulheres — Foto: Alvaro Alvarez/ BBC
Whittaker critica a falta de apoio de investidores de capital de risco a startups comandadas por mulheres — Foto: Alvaro Alvarez/ BBC

Whittaker relaciona diretamente o Projeto Maven ao ataque com mísseis dos EUA contra uma escola no Irã neste ano. Segundo ela, a operação utilizou o sistema e se baseou em informações de inteligência desatualizadas, que identificavam a escola como um alvo militar.

"Era exatamente isso que estávamos alertando em 2017", afirma.

A Palantir foi procurada pelo programa Global Women e declarou que "não há evidências de que o software da empresa tenha sido responsável por essa terrível tragédia".

A empresa acrescentou que "a Palantir não é responsável pelos dados utilizados pelo sistema nem pela identificação de falhas nas informações de inteligência".

No início deste ano, Louis Mosley, diretor da Palantir no Reino Unido e na Europa, disse à BBC que "sempre há uma pessoa envolvida no processo, portanto a decisão final é sempre tomada por um ser humano".

As Forças Armadas dos EUA ainda não divulgaram os resultados da investigação sobre o ataque à escola em Minab, no Irã, mas o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que os militares "jamais atacariam alvos civis".

'Tenho princípios'

Governos, incluindo o do Reino Unido, defendem ter mais acesso às conversas em aplicativos de mensagens como o Signal e o WhatsApp. Uma das principais justificativas é a de proteger mulheres e crianças.

Durante a semana de tecnologia London Tech Week 2026, o então primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que as empresas de tecnologia teriam de identificar e bloquear imagens de nudez nos dispositivos usados por crianças, sob pena de enfrentar novas leis.

Whittaker argumenta que as crianças conseguiriam contornar qualquer medida desse tipo e classifica a proposta do governo como "um sistema sem precedentes de controle das comunicações e das informações".

O Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia do Reino Unido informou à BBC que está preparando propostas de mudanças na lei sobre o assunto.

O Signal deixaria de operar em algum país, incluindo o Reino Unido, caso fosse obrigado a enfraquecer a criptografia de suas mensagens?

"Sim! Meu Deus, eu tenho princípios", responde Whittaker. "Eles não mudam conforme meu humor. Nem por orientação de consultores."

Whittaker aconselha mulheres que trabalham com tecnologia a não se deixar intimidar — Foto: Alvaro Alvarez/ BBC
Whittaker aconselha mulheres que trabalham com tecnologia a não se deixar intimidar — Foto: Alvaro Alvarez/ BBC

Segundo Whittaker, se fosse necessário submeter à vigilância pessoas "que confiam em nós, às vezes em situações de vida ou morte, e que poderiam ter essas informações usadas contra elas", a empresa "deixaria de atuar naquele mercado".

O aplicativo está total ou parcialmente bloqueado na Rússia, na China e no Irã.

Rani Govender, responsável pela área de segurança infantil na internet da Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças (NSPCC, na sigla em inglês), disse à BBC que a organização recebe relatos de crianças que foram aliciadas e levadas a usar plataformas com criptografia de ponta a ponta, nas quais são coagidas a produzir material de abuso sexual infantil.

"As empresas de tecnologia são responsáveis pelas decisões que tomam ao desenvolver seus produtos e não podem ignorar os riscos que essas escolhas podem representar para as crianças."

Mas o Signal conta com o apoio de algumas organizações de defesa dos direitos das mulheres, especialmente de países do Sul Global, cujas integrantes também utilizam o aplicativo.

"Em tempos de vigilância estatal e ataques cibernéticos, o Signal é uma ferramenta de sobrevivência", afirma Hera Hussain, fundadora da Chayn, organização de combate à violência de gênero que atua em todo o sul da Ásia.

"Como qualquer plataforma, ele também pode ser usado por pessoas mal intencionadas, e precisamos reconhecer essa realidade."

Bill Gates alerta que IA pode causar 'um bilhão de mortes'
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'O que vamos fazer com as cozinhas?'

Cito a Whittaker um caso ocorrido no Canadá, em que policiais trocaram mensagens racistas e misóginas em um grupo do Signal. O conteúdo só veio a público depois que um dos participantes o repassou à imprensa.

O advogado de um dos policiais afirmou que os homens acreditavam que suas conversas no Signal eram tão privadas e seguras quanto as que tinham dentro de casa.

"Se eles tivessem conversado na cozinha e um dos amigos os tivesse dedurado, a pergunta seria: 'O que vamos fazer com as cozinhas?'", questiona Whittaker.

"O aplicativo precisa funcionar para todos, caso contrário não funciona para ninguém. Esse é o princípio dos direitos fundamentais. Eles valem até para os idiotas."

Ela menciona o caso de uma mulher nos EUA que foi presa depois que a Meta (dona de Instagram, WhatsApp e Facebook) entregou a autoridades mensagens que mostravam que ela havia ajudado a filha a ter acesso a um aborto em um Estado onde o procedimento havia sido criminalizado.

Segundo Whittaker, a privacidade das comunicações protege as pessoas de diferentes ameaças, como "um marido abusivo, um policial misógino com acesso a um banco de dados ou um governo autoritário que acredita que as mulheres não devem estudar".

Pergunto o que ela diria a uma mulher que deseja trabalhar na área de tecnologia, mas se sente intimidada pelo machismo no setor.

"Você gosta mesmo disso?", questiona. "Quando se senta diante de um computador, sente aquela empolgação? Gosta de experimentar e desenvolver sistemas de inteligência artificial?"

Ela faz uma pausa antes de continuar: "Você consegue lidar com ambientes interessantes, mas complicados, onde nem todo mundo vai ser simpático? Porque não há nada mais perigoso do que demonstrar covardia diante de alguém que pratica intimidação".

Pergunto se esses ambientes estão cheios de pessoas assim.

Uma colega de Whittaker intervém: "Acho que já são 14h", horário combinado para o fim da entrevista.

Whittaker sorri. "Eu diria para não ser puxa-saco", afirma, usando uma expressão para se referir a quem bajula excessivamente pessoas em posição de autoridade.

"Isso não vai ajudar em nada. Não ria de uma piada se você não a achar engraçada."

Essa reportagem é parte do Global Women, do Serviço Mundial da BBC, que compartilha histórias importantes e inéditas sobre mulheres ao redor do mundo.

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