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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

'Não dá pra viver sem VPN': como brasileiros na Rússia driblam restrições às redes sociais

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País anunciou o bloqueio do WhatsApp no último dia 12, ao mesmo tempo em que promove um aplicativo de mensagens ligado ao governo e criticado por não ter criptografia.
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Por Lara Castelo, g1

Postado em 19 de Fevereiro de 2.026 às 12h00m
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O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
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Como brasileiros na Rússia driblam restrições às redes sociais
Como brasileiros na Rússia driblam restrições às redes sociais

A Rússia anunciou o bloqueio total do WhatsApp na última quinta-feira (12) e, no dia anterior, disse que ia começar a restringir gradualmente o Telegram. O país alega que essas plataformas são usadas para propagar conteúdos criminosos; já as empresas chamam a ação de retrocesso contra a liberdade de expressão.

Na prática, essa mudança não teve grande impacto nos brasileiros que moram no país e já estão acostumados a usar uma VPN para burlar essas proibições.

"Pessoal já faz isso há muito tempo. É algo essencial aqui, não tem como você viver sem VPN", afirma Paola Loureiro, de 25 anos, que nasceu em Minas Gerais e faz mestrado em linguística em Moscou há dois anos e meio. Ela preferiu não informar o nome da faculdade por medo de represália.

🔎"VPN" (sigla para rede privada virtual) é uma tecnologia que cria uma espécie de “túnel” criptografado na internet, que mascara a localização do usuário. Assim, pode ser possível acessar serviços bloqueados pelo governo local.

Essa ferramenta foi criada originalmente para permitir que funcionários acessem as informações da empresa de forma segura, mesmo fora do escritório. Mas hoje também é usada para outras finalidades.

Imagem de Paola e Clarissa, brasileiras que moram na Rússia. — Foto: Acervos pessoais
Imagem de Paola e Clarissa, brasileiras que moram na Rússia. — Foto: Acervos pessoais

Em 2022, após o começo da guerra com a Ucrânia, a Rússia anunciou o bloqueio do Instagram e do Facebook. Na época, o país classificou a Meta, dona dos aplicativos, como uma organização extremista.

Paola conta que, desde essa época, seus conhecidos brasileiros e russos já usam uma VPN e que ela começou a usar assim que chegou no país.

Apesar disso, ela usava uma VPN gratuita que, segundo ela, não era estável. Ela passou a pagar pelo produto em setembro de 2025, depois que a Rússia restringiu as ligações de voz e vídeo no WhatsApp e no Telegram.

"Eu usava esses recursos para falar com a minha família no Brasil. Então, fui atrás de uma VPN melhor. Hoje pago cerca de R$ 10 por mês e falo com eles diariamente pelo WhatsApp, por mensagem ou ligação", conta.

Ela não é a única. Segundo a Meta, dona do WhatsApp, o aplicativo tem mais de 100 milhões de usuários na Rússia.

Paola explica que o funcionamento da VPN é simples: basta baixar o aplicativo e mantê-lo ativado.

"A maior chateação é a burocracia. Vira e mexe o governo bloqueia alguma VPN, aí temos que baixar outra. Não é difícil, porque circulam links no Telegram, mas é chato", afirma.

Além disso, ela comenta que manter uma VPN ligada gasta mais bateria e que, às vezes, mesmo as versões pagas apresentam instabilidade.

'Nem percebi a mudança'

Clarissa Ribeiro, de 25 anos, é pernambucana e se mudou para a Rússia há cerca de dois anos para estudar veterinária na Academia Estatal de Medicina Veterinária e Biotecnologia, uma universidade pública em Moscou.

Assim como Paola, ela usa VPN desde que chegou ao país, mas começou a usar uma paga no fim de 2025 para ter uma conexão melhor.

Tão acostumada ao recurso, ela nem tinha percebido o bloqueio total anunciado nesta semana — que inclui também o envio de mensagens.

Para testar o funcionamento do WhatsApp, Clarissa saiu da VPN e mandou uma mensagem para o g1 — que não chegou. Mas, ao reativar o recurso, a mensagem chegou instantaneamente.

"Então, realmente o WhatsApp parou de funcionar sem a VPN", constatou.

Em relação ao Telegram, Paola e Clarissa disseram que continua sendo possível enviar e receber mensagens sem a VPN, mas que nessa semana ficou mais lento. Já o Instagram e o Facebook seguem inacessíveis sem a VPN.

‘Disseram que, se não baixássemos o app russo, não poderíamos fazer as provas’

Max, aplicativo promovido pelo governo da Rússia — Foto: Reprodução/Max
Max, aplicativo promovido pelo governo da Rússia — Foto: Reprodução/Max

Ao mesmo tempo em que restringe aplicativos não ligados ao governo, a Rússia promove o uso do Max, aplicativo inspirado no chinês WeChat, que permite trocar mensagens e utilizar serviços do governo.

Mas, diferente do WhatsApp, por exemplo, ele não tem criptografia, o que permitiria que terceiros acessassem as mensagens, segundo o jornal Financial Times. A Rússia nega as acusações.

O receio de ter a privacidade violada faz com que Paola e seus amigos evitem o aplicativo. Segundo ela, o Max é mais comum entre pessoas mais velhas, que não conhecem a VPN.

Além disso, tanto Paola quanto Clarissa dizem já terem sido pressionadas pelas universidades para baixar o Max — o que nenhuma das duas fez.

Clarissa conta que, em dezembro de 2025, a universidade chegou a avisar que estudantes não poderiam fazer as provas de janeiro se não instalassem o Max.

"A conexão de todos os estudantes [ao Max] é estritamente obrigatória. Caso contrário, Khayam Zakirovich [vice-reitor da faculdade de medicina veterinária] não concederá a vocês a autorização para fazer os exames", diz a mensagem.

O aviso, segundo Clarissa, não foi enviado diretamente pela reitoria. Ele foi publicado no grupo da turma no Telegram pelo representante da sala — aluno que normalmente repassa comunicados após conversar com a diretoria. O g1 teve acesso à mensagem.

Apesar da ameaça, ela afirma que a maioria dos alunos ignorou a orientação e conseguiu fazer as provas normalmente.

"Eu não dei a mínima, fiz os exames, ninguém chamou minha atenção", conta.

Logo WhatsApp  — Foto: Unsplash/Dima Solomin
Logo WhatsApp — Foto: Unsplash/Dima Solomin

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Indústria criativa do Brasil defende diálogo com empresas de IA sobre uso de conteúdos protegidos

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Em nota, entidades do setor reconhecem a IA como inovação importante, mas ressaltam que seu avanço deve respeitar os direitos autorais e a propriedade intelectual.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 19 de Fevereiro de 2.026 às 11h00
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
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Habilidades como inteligência artificial, análise de dados e negociação estratégica serão diferenciais no mercado. — Foto: Freepik/ Reprodução
Habilidades como inteligência artificial, análise de dados e negociação estratégica serão diferenciais no mercado. — Foto: Freepik/ Reprodução

Diversas entidades da indústria criativa brasileira se manifestaram em defesa de um diálogo aberto e construtivo com empresas de inteligência artificial (IA) sobre o uso de conteúdos protegidos.

Em nota conjunta, representantes do setor reconheceram a IA como uma inovação importante, mas reforçaram que seu avanço deve respeitar os direitos autorais e a propriedade intelectual dos conteúdos produzidos.

"O uso não autorizado de tais conteúdos pode comprometer o ecossistema de produção jornalística e artística, além de desestimular a criação intelectual e, principalmente, violar direitos", diz o documento, citando a Constituição Federal e a Lei dos Direitos Autorais.

O comunicado é assinado pelas associações de emissoras de rádio e televisão (ABERT), de jornais (ANJ), de editores de revistas (ANER) e outras instituições, como o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD), responsável pela gestão e distribuição de direitos autorais.

Segundo as entidades, o objetivo é aproximar a tecnologia dos detentores de direitos autorais, garantindo que o avanço da IA no Brasil ocorra em harmonia com a sustentabilidade de quem produz informação de qualidade e cultura.

As instituições afirmam ainda que a proposta se estende a todas as plataformas e desenvolvedores de IA que utilizem ou tenham interesse em utilizar conteúdos protegidos produzidos por seus associados.

"Caso haja interesse em utilizar conteúdos de nossos associados para fins de (mas não se limitando) mineração de dados, treinamento ou desenvolvimento de sistemas de IA, estamos à disposição para discutir formas de autorização, remuneração e parcerias que beneficiem todas as partes envolvidas e que assegurem a proteção dos direitos autorais sobre tais conteúdos", diz o texto.

As entidades também sugerem que empresas de IA entrem em contato com as associações ou diretamente com os veículos caso a utilização de conteúdos já esteja ocorrendo. O objetivo, diz o comunicado, é negociar uma solução amigável, a fim de evitar litígios futuros.

Reforçamos que nosso objetivo é promover o diálogo e buscar soluções inovadoras, respeitando os direitos autorais e a legislação vigente. Estamos abertos a reuniões que possam resultar em acordos benéficos para todos, conclui o texto.

A nota é assinada pelas seguintes entidades:

  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO – ABERT
  • ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS – ANJ
  • ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EDITORES DE REVISTAS – ANER
  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MÚSICA E ARTES – ABRAMUS
  • ASSOCIAÇÃO DE MÚSICOS ARRANJADORES E REGENTES – SOCIEDADE MUSICAL BRASILEIRA – AMAR/SOMBRÁS
  • ASSOCIAÇÃO DE INTÉRPRETES E MÚSICOS – ASSIM
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE AUTORES, COMPOSITORES E ESCRITORES DE MÚSICA – SBACEM
  • SOCIEDADE INDEPENDENTE DE COMPOSITORES E AUTORES MUSICAIS – SICAM
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO E PROTEÇÃO DE DIREITOS INTELECTUAIS - SOCINPRO
  • UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES - UBC
  • UNIÃO BRASILEIRA DE EDITORAS DE MÚSICA - UBEM
  • ESCRITÓRIO CENTRAL DE ARRECADAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO – ECAD
Veja a íntegra do documento:

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT, Associação Nacional de Jornais – ANJ, Associação Nacional de Editores de Revistas – ANER, Associação Brasileira de Música e Artes – ABRAMUS, Associação de Músicos Arranjadores e Regentes –Sociedade Musical Brasileira – AMAR/SOMBRÁS, Associação de Intérpretes e Músicos – ASSIM, Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música – SBACEM, Sociedade Independente de Compositores e Autores Musicais – SICAM, Sociedade Brasileira de Administração e Proteção de Direitos Intelectuais – SOCINPRO, União Brasileira de Compositores – UBC, União Brasileira de Editoras de Música - UBEM e Escritório Central de Arrecadação e Distribuição – ECAD atuam há décadas na promoção da cultura nacional e na produção de informação de qualidade, investindo continuamente em profissionais e tecnologias para fortalecer o setor jornalístico, artístico e audiovisual brasileiros.

Reconhecemos que a Inteligência Artificial (IA) representa uma inovação relevante, já incorporada em nossas atividades e com potencial para impulsionar ainda mais a criatividade, produtividade e inovação em diversos segmentos. Nosso compromisso é com o desenvolvimento responsável e sustentável dessas tecnologias.

No entanto, entendemos que o avanço da IA deve respeitar os direitos autorais e a propriedade intelectual dos conteúdos produzidos por nossos associados, conforme previsto na Constituição Federal do Brasil e na Lei nº 9.610/98. O uso não autorizado de tais conteúdos pode comprometer o ecossistema de produção jornalística e artística, além de desestimular a criação intelectual e, principalmente, violar direitos.

Portanto, caso haja interesse em utilizar conteúdos de nossos associados para fins de (mas não se limitando) mineração de dados, treinamento ou desenvolvimento de sistemas de IA, estamos à disposição para discutir formas de autorização, remuneração e parcerias que beneficiem todas as partes envolvidas e que assegurem a proteção dos direitos autorais sobre tais conteúdos.

Na hipótese dessa utilização já estar sendo realizada, solicitamos que V. Sas. façam contato com as Associações e/ou com o veículo associado1 que teve seu conteúdo utilizado, para que seja negociada uma solução amigável, a fim de evitar futuro litígio.

Reforçamos que nosso objetivo é promover o diálogo e buscar soluções inovadoras, respeitando sempre os direitos autorais e a legislação vigente. Estamos abertos para reuniões que possam resultar em acordos benéficos para todos.

Aguardamos seu retorno e nos colocamos à disposição para avançar nesta conversa.

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