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Medida aproxima OpenAI, dona do chatbot de IA mais famoso do mundo, do modelo de negócios de gigantes como Google e Meta. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por France Presse Postado em 18 de Janeiro de 2.026 às 13h30m . #.*Post. - Nº.\ 5.327*.# .
DeepSeek, ChatGPT e Gemini: qual é a melhor inteligência artificial?
A OpenAI anunciou nesta sexta-feira (16) que vai começar a testar a inclusão de anúncios no ChatGPT para usuários gratuitos e para quem usa o plano mais econômico nos EUA.
"Nas
próximas semanas, nos preparamos para iniciar o teste da publicidade
nos Estados Unidos para os usuários gratuitos e do plano Go [assinatura
de menor preço]", anunciou a OpenAI, confirmando uma mudança muito esperada e comentada há semanas no Vale do Silício.
"As assinaturas Plus, Pro e Enterprise não incluirão publicidade",
especifica a empresa em uma extensa publicação que detalha como pretende
introduzir esta fonte de receita e, ao mesmo tempo, "manter a
confiança" dos usuários nas respostas do ChatGPT, o mais utilizado do mundo.
Desde seu lançamento em 2022, o valor da OpenAI disparou para US$ 500 bilhões (R$ 2,7 bilhões, na cotação atual) em rodadas de financiamento, acima de qualquer outra companhia privada.
Alguns esperam que ela possa abrir o capital com uma valorização de US$ 1 trilhão (R$ 5,4 trilhões).
Mas o criador do ChatGPT queima dinheiro a um ritmo vertiginoso, principalmente devido ao poder de computação necessário para oferecer seus serviços.
Com esta medida, a OpenAI aproxima seu modelo de negócios ao dos gigantesGooglee Meta, que construíram impérios publicitários sobre a base de serviços gratuitos.
Ao contrário da OpenAI,
estas empresas possuem receitas publicitárias para financiar a inovação
em IA, e a Amazon também está construindo um sólido negócio de
publicidade em suas plataformas de compras e de streaming de vídeo.
"Os anúncios não são uma distração da corrida da IA generativa; são a forma de a OpenAI manter-se nela", disse Jeremy Goldman, analista da Emarketer.
"Se o ChatGPT ativar anúncios, a OpenAI
estará admitindo algo simples e transcendental: a corrida já não é
apenas sobre a qualidade do modelo; trata-se de monetizar a atenção sem
corroer a confiança", acrescentou.
Uma reflexão sobre o poder dos algoritmos, os vieses das plataformas, o protagonismo crescente da IA, e os desafios da regulação das redes sociais <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Ruben Interian* 18/01/2026 05h00 Atualizado há 02 horas Postado em 18 de Janeiro de 2.026 às 07h00m . #.*Post. - Nº.\ 5.326*.# .
Celular — Foto: Unsplash/camilo jimenez
Em duas décadas, as redes sociais se infiltraram na vida da maioria da
população e se tornaram indispensáveis. Essa dependência está ligada à
nossa necessidade de socializar, característica intrínseca do ser
humano.
À medida que digitalizamos atividades como trabalho, finanças e
consumo, a vida social acompanha esse movimento. Muitos de nós sentimos a
necessidade de obter aprovação de outras pessoas em aspectos do
cotidiano, como roupas, aparência ou opiniões, para sustentar uma
autoimagem consistente.
A dependência das redes sociais entre crianças e adolescentes é
especialmente preocupante. Nessa fase da vida, emoções intensas e a
busca por recompensas coexistem com uma capacidade ainda limitada de
controlar impulsos e avaliar riscos.
Do ponto de vista da neurociência, o sistema límbico amadurece no
início da puberdade, enquanto o córtex pré-frontal, responsável pelo
autocontrole, desenvolve-se mais tarde. Esses fatores
precisam ser considerados na formulação de políticas públicas e na
definição da idade mínima para o uso das redes sociais, como ocorre em países como Austrália, França e Itália.
Imersos nas redes, estamos à mercê dos algoritmos?
Em grande parte, os algoritmos decidem a quais informações teremos acesso
com base em critérios que conhecemos: mostram conteúdos semelhantes aos
que já vimos ou curtimos, ou aqueles acessados por pessoas com gostos
próximos aos nossos. Há outros parâmetros, como priorizar conteúdos
virais ou aumentar a probabilidade de engajamento.
Embora os algoritmos operem a partir de lógicas internas complexas, não podemos dizer que somos conduzidos por eles. Os algoritmos mostram caminhos, mas a escolha da direção é nossa.
Não podemos cair na armadilha de culpá-los por todos os males da
sociedade e pelas nossas decisões. Somos influenciados por fatores
econômicos, ideológicos e morais e, muitas vezes, não temos interesse em
sair das nossas bolhas.
Muitos consideram que os algoritmos das plataformas digitais polarizam a
sociedade. Porém, estudos quantitativos mostram que, mesmo quando os
algoritmos oferecem informações não enviesadas, o usuário escolhe
informações similares. As escolhas individuais desempenham um papel mais
importante na limitação da exposição a conteúdos diversos do que as
decisões algorítmicas.
Os algoritmos simplesmente nos dão mais opções. Sabemos que mais interações e mais tempo em redes sociais levam a maiores graus de polarização.
Essa é uma das principais razões para as recentes mudanças na
sociedade, que são consequência do uso cada vez mais generalizado das
redes sociais.
Em artigo que escrevi sobre as eleições brasileiras de 2022, Group polarization, influence, and domination in online interaction networks, observei que comunidades de direita apresentavam maior capacidade de comunicação coordenada e níveis elevados de isolamento.
Esse achado ajuda a compreender dinâmicas recentes, mas não deve ser
interpretado como evidência de um viés ideológico automático das
plataformas. As redes tendem a favorecer aqueles que sabem utilizá-las melhor. Em geral, quem melhor explora suas capacidades é o ator político contestatário, que se coloca contra a visão dominante.
Comparando o Brasil e os Estados Unidos, identificamos um padrão
semelhante de crescimento de grupos conservadores, com forte presença
nas plataformas digitais. Porém, temos base empírica para afirmar que,
em países como Colômbia e México, os movimentos digitais mais influentes
nas redes foram protagonizados por movimentos progressistas.
Esses exemplos indicam que não há um viés ideológico único associado às
redes. O que se repete é a capacidade das plataformas de facilitar a
entrada de novos atores no discurso público.
Estes novos atores geralmente vêm para desafiar o status quo,
mas também para canalizar a insatisfação com instituições e partidos
políticos tradicionais. O impacto das plataformas não decorre de um
determinismo algorítmico ou de um viés ideológico único.
O crescente protagonismo da inteligência artificial
Aplicativos de inteligência artificial — Foto: Reprodução
A inteligência artificial(IA)está
trazendo mudanças disruptivas. Ela já alterou a forma como fazemos
buscas na internet, ameaçando a existência de sites e plataformas
menores. A IA generativa permite criar textos, imagens, vídeos e perfis
de forma barata e em massa. A produção automatizada de conteúdo amplia a
possibilidade de manipulação política e ideológica.
Apesar dos riscos, há diversas alternativas para lidar com esses
problemas. A regulação do uso da IA em plataformas digitais é um tema
muito relevante. Na nossa Constituição, “é livre a expressão do
pensamento, sendo vedado o anonimato”. A transparência é a chave.
A identificação clara de contas automatizadas e daquelas geridas por
humanos deve se tornar regra, e as violações devem ser punidas, seja
pelas próprias plataformas, seja por meio de medidas externas. E não há
como avançar sem educação midiática e digital, que desenvolva
consciência sobre o funcionamento e os limites das novas tecnologias.
Controle das plataformas digitais
A concentração da propriedade das grandes plataformas digitais levanta questões para o funcionamento das democracias.
As Big Techs acumulam poder econômico e capacidade de influenciar a
forma como consumimos informação e interagimos socialmente. Os
incentivos econômicos dessas empresas vão apenas na direção de aumentar o
tempo de permanência dos usuários.
Além disso, a tecnologia tornou-se um campo de disputa geopolítica.
A interpenetração entre governos e empresas reacende as preocupações
sobre o controle dos meios de comunicação. A participação direta de
governos ou de representantes eleitos nessas empresas representa uma
grande ameaça.
Exemplos concretos ilustram esse risco.
Sistemas estatais de controle da informação, como o Grande Firewall
chinês, mostram como a infraestrutura digital pode restringir o debate
público. Plataformas associadas a lideranças políticas, como a Truth Social, controlada indiretamente por Donald Trump,
são mais um exemplo de um perigoso conflito de interesses entre o
público e o privado, capaz de distorcer o sistema de pesos e contrapesos
presente nas sociedades democráticas.
Na ausência de melhores incentivos, as plataformas tendem a priorizar conteúdos sensacionalistas e polarizadores.
No projeto Redes de Interação em Plataformas Digitais, que coordeno com
apoio da FAPESP, a polarização e radicalização são investigadas como
processos relacionais, resultantes da interação entre indivíduos, grupos
e algoritmos implementados nas redes sociais digitais.
A pesquisa analisa como essas relações se organizam estruturalmente,
produzindo padrões de isolamento, os seus mecanismos de coordenação
interna e o surgimento de conflitos. O objetivo é compreender em que
condições essas configurações se estabilizam ou evoluem, e quando elas
podem se transformar em formas de radicalização.
A regulação das plataformas e redes sociais
O modelo de negócios das plataformas baseia-se no tempo de permanência e
na captura de atenção, criando incentivos para a amplificação de
conteúdos extremos ou polarizadores. Esse desenho tem efeitos sensíveis em crianças e adolescentes, pois ainda não desenvolveram mecanismos de autorregulação diante da exposição contínua.
A regulação é uma alternativa necessária que precisa ser concebida com
muito cuidado. A liberdade de expressão é um princípio central das
democracias. Porém, comportamentos inaceitáveis no mundo físico não
podem ser tolerados no ambiente digital. Precisamos de limites claros,
sem transformar o controle do discurso em política de Estado.
É fundamental tratar as plataformas como atividades econômicas. U
Um bom exemplo é o conteúdo impulsionado ou monetizado, quando há
pagamento para ampliar o alcance de uma mensagem, e existe ganho
financeiro. Podemos regulamentar o que pode ou não ser impulsionado,
assim como regulamos a publicidade em outros meios, quando a sociedade
considera algo como nocivo. Essa abordagem não limita o discurso. É uma
regulação econômica, não ideológica.
Por outro lado, o elevado grau de polarização na sociedade não
desaparecerá da noite para o dia. Nós, como indivíduos, precisamos nos
abrir para ouvir principalmente pessoas com quem discordamos.
Para isso, é necessário adotar políticas públicas que garantam que toda
opinião, até mesmo aquela em que discordamos profundamente, será
respeitada, e que nenhum tipo de violência será tolerado.
Devemos criar fóruns, inclusive nas universidades, onde pessoas com
opiniões completamente contrárias possam conversar livremente. Muitos
querem o bem do país, mas às vezes por caminhos diferentes. O pior que
podemos fazer é nos isolar em bolhas de pessoas que pensam como nós.
* Em
parceria com a revista FCW Cultura Científica, da Fundação Conrado
Wessel, o The Conversation Brasil publica uma série dedicada a discutir
os impactos políticos, sociais e institucionais das redes digitais. A
edição atual reúne reflexões de pesquisadores sobre o papel dos
algoritmos, da concentração de poder tecnológico e das escolhas humanas
na reorganização do espaço público, da polarização política e dos riscos
de formas contemporâneas de autoritarismo mediadas por tecnologia.
** O
estudo que subsidia este artigo foi apoiado pelo Instituto Kunumi e
pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP
(Processo nº 2024/12936-5). As opiniões, hipóteses e conclusões ou
recomendações expressas neste material são de responsabilidade do(s)
autor(es) e não necessariamente refletem a visão da FAPESP.
*** Este texto foi publicado originalmente no siteThe Conversation Brasil.