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quinta-feira, 30 de abril de 2026

China endurece regras e amplia apoio à adoção de inteligência artificial

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Governo reforça fiscalização contra uso indevido da tecnologia, ao mesmo tempo em que amplia financiamento e incentivos para sua adoção.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 30 de Abril de 2.026 às 14h10m
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Pessoa digitando computador — Foto: FreePik
Pessoa digitando computador — Foto: FreePik

A Administração do Ciberespaço da China (CAC, na sigla em inglês), principal órgão regulador da internet no país, lançou uma campanha contra o uso indevido de inteligência artificial. A iniciativa foi divulgada por meio de um comunicado nesta quinta-feira (30).

A campanha será realizada em duas fases e deve durar quatro meses. Segundo o órgão, a ação visa combater “práticas ilícitas em aplicativos de IA” e terá como foco falhas na revisão de segurança, o chamado “envenenamento” de dados, problemas nos registros de modelos de IA e a rotulagem inadequada de conteúdo gerado por inteligência artificial.

A campanha também terá como alvo o uso indevido de conteúdo gerado por IA, incluindo a disseminação de informações falsas, conteúdo considerado “violento e vulgar”, falsificação de identidade e materiais que prejudiquem menores de idade.

Ainda de acordo com o CAC, as autoridades removerão conteúdos considerados ilegais ou nocivos e punirão contas e plataformas online que não estiverem em conformidade com as regras.

Maior apoio a empréstimos

Na outra ponta, a China também tem tomado medidas que visam dar suporte à adoção de inteligência artificial. Nesta quinta-feira (30), o banco central do país informou que expandirá o apoio a empréstimos para transformação tecnológica e atualizações de equipamentos para incluir IA, instalações para consumidores e outros setores.

Segundo comunicado, a expectativa é que o país aprimore seus serviços de empréstimo "com foco no fornecimento de serviços financeiros para empresas que compram equipamentos de inteligência artificial e serviços de software".

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quarta-feira, 29 de abril de 2026

China dobra venda de carro para Brasil e engole rivais

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País vira terceiro maior mercado para veículos do gigante asiático no 1º trimestre

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Por Marta Watanabe e Álvaro Fagundes — De São Paulo
28/04/2026 05h02 Atualizado há 0 horas 
Postado em 28 de Abril de 2.026 às 07h00m
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Lia Valls: “China tem dificuldade de elevar consumo doméstico e desova produção de carros para outros países” — Foto: Leo Pinheiro/Valor

De janeiro a março de 2026 a China exportou ao Brasil US$ 2,16 bilhões em veículos, quase o triplo dos US$ 763,8 milhões de iguais meses de 2025, o que inclui carros a combustão que, apesar de ainda serem menos representativos, dobraram de valor, mostrando que o apetite chinês pelo mercado brasileiro não se restringe aos eletrificados. O valor total de carros exportados pela China ao Brasil no primeiro trimestre deste ano também foi maior que o US$ 1,17 bilhão de igual período de 2024, até então recorde para o período.

Com o desempenho, o Brasil saltou de sétimo para o terceiro maior destino de veículos de 2025 para 2026, ainda de janeiro a março, atrás apenas de Rússia e Reino Unido. Nos eletrificados, o que inclui os elétricos puros ou os híbridos, o Brasil saiu do quinto para o terceiro lugar, atrás de Bélgica e Reino Unido. No ranking dos carros a combustão, o Brasil também ganha mais destaque, subindo da 16ª para a sétima posição. 

Os dados são da Alfândega chinesa e consideram o que foi embarcado no primeiro trimestre. Parte dos veículos está em trânsito e ainda vai aportar no Brasil. As cargas de automóveis demoram, em média, de 40 a 60 dias para o trajeto desde a China até o desembaraço em terras brasileiras. 








Agenda de elevação de tarifas de importação,câmbio favorável e período de lançamentos de modelos são alguns fatores que explicam o ritmo mais intenso de chegada de veículos chineses ao Brasil, segundo especialistas. Eles ressaltam que o espaço conquistado pelo automóvel chinês nas ruas brasileiras mostram a consolidação de marcas num contexto olítico de maior protecionismo combinado com incertezas globais e a dificuldade de Pequim para acelerar a demanda doméstica chinesa, fatores que têm contribuído para a maior aproximação das relações comerciais sino-brasileiras. 

Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), que registram o que já foi desembaraçado no Brasil, mostram parte do impacto dos carros chineses. No primeiro trimestre as importações brasileiras de automóveis origem China atingiram US$ 1,5 bilhão, 552,5% a mais que iguais meses de 2025. Os chineses forneceram 65,6% dos carros que o Brasil  importou. Os argentinos vieram em segundo, com 11,3% e US$ 253,2 milhões, com queda de 25,5%, sempre de janeiro a março. 

Para Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o movimento é uma antecipação em relação ao que será o último aumento estabelecido pelo governo brasileiro no atual cronograma de elevação de taxas para importação de veículos elétricos ou híbridos. As alíquotas, lembra, devem atingir 35% em julho desteano, ante os atuais 28% para híbridos plug-in e 25% para veículos elétricos.

Os relatórios divulgados pela indústria automotiva, destaca André Valério, economista do Inter, mostram que as importações de veículos aceleraram em 2021, mas houve forte inflexão em meados de 2023, quando o debate sobre a atual agenda de elevação de tarifas de cados se intensificou. O calendário foi definido em 2023 e é aplicado desde janeiro de 2024, com alta gradativa de tarifas de importação. As alíquotas começaram em 10% e chegarão ao teto de 35% em julho. Antes disso a importação de elétricos e híbridos era livre da tarifa. Valério destaca que, além desse calendário, o movimento de aumento embarques de veículos da China ao Brasil também reflete um momento de campanha mais agressiva de vendas, em razão do ciclo da indústria automotiva, com lançamento de modelos 2026/2027.

O aumento do volume de importação de carros made in China também reflete, paralelamente, a elevação pela demanda do perfil de carro que os chineses oferecem, diz Cariello,  do CEBC. Muita gente quer comprar carro elétrico, que hoje é sinônimo de carro chinês. As pessoas veem o carro chinês rodando na rua e veem que é um produto de alta tecnologia. Cariello destaca que a China foi, de longe, o principal fornecedor de carros elétricos do Brasil, com participação de 97%, de janeiro a março. No caso dos híbridos in, o país também liderou com folga, respondendo por 89% das importações.

Segundo a Associação Brasileira de Veículo Elétrico (ABVE), 74,1% das vendas de eletrificados no Brasil em 2025 foram de fabricantes chineses. A liderança foi da BYD, com 50,4% do mercado. As vendas totais de eletrificados somaram 223,9 mil no ano passado, com alta de 26%  ante 2024.

Há uma percepção boa sobre o produto chinês, diz Cariello, que também se aplica a carros a combustão. “Os chineses miram o mercado de carros elétricos, mas isso beneficia a China em outros mercados no Brasil também.

Dados da Anfavea, que reúne a indústria automotiva brasileira, mostram que de janeiro a março deste ano o nto somou 625,2 mil autoveículos, 13,3% a mais que igual período de 2025. Somando 119,1 mil, o emplacamento de importados cresceu 5,6%. Os made in China rodaram em ritmo maior. O emplacamento alcançou 54,3 mil autoveículos e subiu 68,9%. Ao divulgar os dados do primeiro trimestre, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, lembrou que no ano passado, em agosto, a China ultrapassou a Argentina no fornecimento externo de carros ao Brasil e em março completaram-se oito meses consecutivos em que os chineses são os maiores exportadores de veículos ao Brasil.

Nós diminuímos bastante as compras de veículos da Argentina, que era de onde buscávamos os importados. "Parte dos consumidores tem preferido os carros elétricos, e a China é muito competitiva e é a grande provedora, globalmente, diz Valério, do Inter. E ela entrega um pacote muito bom, um carro tecnológico por preço competitivo. E com a promessa de menor custo com combustível. Caiu por terra a imagem que o carro chinês tinha há dez, 15 anos, de carro barato, mas com problemas de peças de reposição.

Os dados do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), mostram que o volume de importações brasileiras de bens de consumo duráveis chineses cresceu 204,8% de janeiro a março deste ano ante iguais meses de 2025. Só em março a alta foi de 330,7%. Os eços médios, porém, mostra o Icomex, foram em sentido contrário, com queda de 9,6% de janeiro a março contra igual período de 2025. Pelos dados da Secex, os automóveis representaram 71% do que o Brasil importou em bens de consumo duráveis da China no primeiro trimestre de 2026. Na importação total brasileira de bens chineses a fatia foi de 8,2%.

Os dados da China contrastam com os da Argentina. O volume da importação brasileira de bens de consumo duráveis argentinos caiu 25,8% no primeiro trimestre enquanto os preços médios ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,3%, sempre ante igual período de 2025. As tarifas impostas pelo Brasil na importação de automóveis não foram suficientes para deter os veículos chineses, porque a China tem grande economia de escala e o preço deles acaba compensando, diz Lia Valls, professora da UERJ e pesquisadora do FGV Ibre.

O câmbio mais favorável às importações também ajudou a criar um ambiente mais propício às compras externas neste ano, diz Valls. No primeiro trimestre de 2025 o dólar custava, em média, entre R$ 5,80 e R$ 5,90. Em igual período deste ano a média ficou entre R$ 5,20 e R$ 5,30.

Para Welber Barral, sócio da BMJ, os dados do governo chinês mostram que em alguns casos houve também desvio de comércio. Ele destaca o México, que muitas vezes é via para atingir o mercado americano. De janeiro a março de 2025 as exportações chinesas de veículos aos mexicanos somaram US$ 1,4 bilhão. O México era, então, o terceiro maior destino de automóveis chineses. O lugar foi ocupado pelo Brasil e o México caiu para o 12º lugar no ranking. A exportação chinesa de veículos aos mexicanos caiu praticamente à metade de janeiro a março deste ano, para US$ 750,8 milhões.

Para outros destinos, porém, os chineses elevaram ainda mais a exportação de veículos este ano. Para os belgas, no topo do ranking de eletrificados chineses, a exportação total de automóveis do país asiático somou US$ 2,1 bilhões de janeiro a março de 2026, com alta de 47,6% ante iguais meses de 2025. Para o Reino Unido, segundo no ranking, o valor foi de US$ 2,2 bilhões, com alta de 104,3%.

Valls, do FGV Ibre, lembra o contexto geopolítico, com a rivalidade comercial entre Estados Unidos e China, acirrada na gestão do presidente americano, Donald Trump. Há também, diz, ambiente de políticas protecionistas de vários países, ao mesmo tempo em que a China tem grande produção de veículos. Isso precisa ser absorvido por outros países porque a China está com dificuldade para elevar o consumo doméstico.

Os automóveis, aponta Valls, ajudam a China a manter a posição de maior origem das importações totais brasileiras. Segundo a Secex, 26,3% de tudo o que o Brasil importou no primeiro trimestre deste ano veio do país asiático. Ao mesmo tempo, alta Valls, as relações comerciais entre Brasil e China estão se estreitando, com parcela da exportação brasileira cada vez maior para os chineses. Isso, lembra, se intensificou com a política tarifária de Trump e também com a guerra no Oriente Médio, com um embarque maior de petróleo para a China.

Para Cariello, do CEBC, o atual fluxo de os chineses ao Brasil deve continuar intenso nos próximos meses, para aproveitar a janela de oportunidade com tarifas de importação um pouco mais baixas. À frente, em prazo mais longo, diz, a expectativa é que as importações caiam porque deve haver produção mais forte das montadoras chinesas no Brasil. Ao menos cinco delas confirmaram produção local. Além de GWM e BYD, com fábricas próprias, Geely e Leapmotor têm parcerias com Renault e Stellantis, respectivamente. A GAC divulgou que começará a produzir carros no Brasil em 2027. 

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EUA ordenam suspensão de envio de máquinas à 2ª maior fabricante de chips da China, diz agência

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Governo Trump enviou cartas a empresas do setor determinando a suspensão de fornecimento à Hua Hong. Medida busca conter o avanço da IA no gigante asiático.
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TOPO
Por Reuters — São Paulo

Postado em 29 de Abril de 2.029 às 11h00m
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EUA e China marcam disputa no avanço da IA — Foto: Reprodução/ TV Globo
EUA e China marcam disputa no avanço da IA — Foto: Reprodução/ TV Globo

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos ordenou que diversas empresas do setor de semicondutores interrompam o envio de determinadas ferramentas à Hua Hong, a segunda maior fabricante de chips da China. A informação é da Reuters.

A medida, adotada na semana passada, é a mais recente tentativa de desacelerar o desenvolvimento de chips avançados no país, segundo duas fontes com conhecimento do assunto ouvidas pela agência.

O departamento enviou cartas a algumas empresas informando sobre novas restrições a ferramentas e outros materiais destinados às instalações da Hua Hong, que autoridades americanas acreditam poder produzir os chips mais avançados da China, segundo as fontes.

Entre as empresas que teriam recebido a carta estão grandes fabricantes de equipamentos para chips dos EUA, como Lam Research, Applied Materials e KLA, todas com forte presença no mercado chinês.

A Reuters informou, em março, que o grupo Hua Hong havia desenvolvido tecnologias avançadas de fabricação que poderiam ser usadas na produção de chips de inteligência artificial — um marco nos esforços de Pequim para ampliar a autossuficiência tecnológica.

A unidade de fabricação sob contrato do grupo, a Huali Microelectronics, se preparava para adotar um processo de produção de 7 nanômetros em sua planta em Xangai, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

A SMIC, maior fabricante contratada de chips da China, é atualmente a única empresa do país capaz de produzir chips com tecnologia de 7 nanômetros, segundo a reportagem. A empresa não respondeu imediatamente a pedidos de comentário.

As cartas do Departamento de Comércio também visam impedir envios à Huali, segundo as fontes.

As ações da KLA, Lam e Applied caíram entre 4% e 6% após a divulgação das cartas pela Reuters. Já os papéis da Hua Hong recuaram 3,5% na terça-feira.

EUA buscam proteger liderança em chips de IA

Nos últimos anos, o Departamento de Comércio tem restringido o envio de equipamentos dos EUA para fábricas chinesas que produzem chips avançados, como parte de um esforço para preservar a liderança tecnológica do país na produção de chips de inteligência artificial e outros semicondutores, por razões de segurança nacional.

As cartas recentes dão continuidade a essa política, mas podem aumentar as tensões com a China antes da reunião prevista, em maio, entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim.

Empresas americanas de equipamentos para chips e outros fornecedores podem perder bilhões de dólares em vendas, disse uma das fontes, especialmente se abastecem fábricas em construção ou em processo de modernização para produzir chips mais avançados.

As restrições podem desacelerar o avanço da indústria chinesa de semicondutores, embora a Hua Hong possa substituir os equipamentos por alternativas de fornecedores estrangeiros ou locais.

Um porta-voz do Departamento de Comércio se recusou a comentar. A Hua Hong não respondeu imediatamente a pedidos de comentário feitos pela Reuters. Lam Research, Applied Materials e KLA também não se manifestaram.

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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Microsoft abre mão de exclusividade na nuvem e redefine parceria com a OpenAI

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A OpenAI passa a poder oferecer seus produtos em outros provedores, embora o Azure (da Microsoft) siga como sua principal plataforma de nuvem.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 27 de Abril de 2.026 às 11h35m
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Fachada do escritório da Microsoft em Issy-les-Moulineaux, nos arredores de Paris, em janeiro de 2025 — Foto: Gonzalo Fuentes/Reuters
Fachada do escritório da Microsoft em Issy-les-Moulineaux, nos arredores de Paris, em janeiro de 2025 — Foto: Gonzalo Fuentes/Reuters

A Microsoft e a OpenAI anunciaram nesta segunda-feira (27) um aditivo ao acordo original firmado entre as duas companhias. As mudanças têm como objetivo simplificar a relação entre as empresas e trazer mais flexibilidade, segurança e foco na ampla disseminação dos benefícios da inteligência artificial (IA).

A maior previsibilidade proporcionada pelo acordo revisado fortalece nossa capacidade conjunta de construir e operar plataformas de inteligência artificial em escala, ao mesmo tempo em que oferece a ambas as empresas a flexibilidade necessária para buscar novas oportunidades, afirmou a Microsoft em nota.

As principais mudanças do acordo estão relacionadas à dinâmica de exclusividade mantida pelas duas companhias até agora. Com as alterações, por exemplo, a OpenAI passa a poder oferecer todos os seus produtos em qualquer provedor de nuvem, e não apenas no Azure, da própria Microsoft.

Ainda assim, a Microsoft continua como a principal parceira de nuvem da empresa de pesquisa e desenvolvimento em inteligência artificial, de modo que os produtos da OpenAI serão lançados primeiro no Azure, exceto se a Microsoft não puder ou optar por não oferecer determinados recursos.

Além disso, a Microsoft mantém a licença de propriedade intelectual da OpenAI para modelos e produtos da companhia até 2032. Essa licença, no entanto, deixa de ser exclusiva, abrindo espaço para que a OpenAI firme acordos com outras empresas, como Amazon e Google.

As companhias também alteraram a dinâmica de pagamento de participação nos lucros. Enquanto a Microsoft deixará de pagar essa fatia à OpenAI, os repasses da empresa de inteligência artificial para a gigante da tecnologia continuarão até 2030, independentemente da evolução tecnológica da companhia.

Por fim, as empresas destacaram que, mesmo com as mudanças, a Microsoft segue como uma das principais acionistas da OpenAI e continua a participar diretamente do crescimento da companhia.

Segundo a Microsoft, embora essas alterações simplifiquem a parceria, o trabalho das duas empresas continua ambicioso.

"Desde a expansão de gigawatts de nova capacidade de data centers até a colaboração no desenvolvimento de silício de última geração, passando pela aplicação de IA para aprimorar a segurança cibernética e muito mais, estamos entusiasmados em continuar trabalhando juntos para promover e expandir a IA para pessoas e organizações em todo o mundo", disse a empresa em nota.

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domingo, 26 de abril de 2026

O que são os sites de 'apostas sobre tudo' que têm irritado bets esportivas no Brasil

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Plataformas como Kalshi e Polymarket, que permitem apostar na probabilidade de quase qualquer evento, de eleições a preços de ativos financeiros, crescem, desafiam a regulação e geram disputa com casas de apostas.

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Por Victor Hugo Silva, g1 — São Paulo

Postado em 26 de Abril de 2.026 às 08h00m
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Quem será a pessoa mais rica do mundo no final do ano? Por quanto tempo Nicolás Maduro seguirá preso? O regime do Irã cairá em duas semanas? Estas são algumas das perguntas apresentadas em sites que permitem especular sobre praticamente tudo.

Esportes, economia, política e até clima: os chamados mercados de previsão têm várias opções para usuários tentarem ganhar dinheiro apostando na probabilidade de um evento acontecer.

  • Um mercado de previsão é uma plataforma de compra e venda de contratos baseados em palpites sobre eventos futuros. Cada contrato tem um preço baseado na chance de o evento acontecer e paga um valor caso ele se concretize. Quanto menor a probabilidade, menor o preço e maior o retorno para quem acertar.

As casas de apostas que atuam no Brasil alegam que os mercados de previsão devem seguir as regras previstas pela lei de bets, que exige, entre outros pontos, uma licença de R$ 30 milhões para operar no país.


  • Brasileira é a mulher mais jovem do mundo a construir a própria fortuna

Os mercados de previsão mais conhecidos são a Kalshi, avaliada em US$ 11 bilhões, e a Polymarket, que vale US$ 9 bilhões.

A Kalshi se tornou mais conhecida no Brasil após sua cofundadora, a mineira Luana Lopes Lara, virar a bilionária mais jovem do mundo a construir sua própria fortuna. Ela tem 12% da empresa e fortuna de US$ 1,3 bilhão, segundo a Forbes.

O Ministério da Fazenda afirmou ao g1 que, pela lei, as empresas se enquadram como plataformas de mercado de previsão e que o setor é tema de estudos preliminares de sua Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).

"Cabe citar que, no momento, não há empresas brasileiras formalmente autorizadas pela SPA a atuar nesse segmento", disse o ministério.

Na última sexta-feira (24), o governo federal informou que Polymarket, Kalshi e outras 25 plataformas de apostas de "predição" foram bloqueadas.

"Quaisquer outras avaliações regulatórias sobre o assunto dependem da conclusão das análises técnicas em curso e serão conduzidas em articulação com os órgãos competentes, entre eles a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no intuito de análise acerca de eventuais interfaces regulatórias", completou.

Nesta semana, o Banco Central do Brasil tornou pública uma nova resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que proíbe a oferta e a negociação, no país, de apostas de previsões atreladas a eventos esportivos, jogos on-line e temas políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento.

Na prática, a regra impede Kalshi e Polymarket de oferecer apostas que não sejam ligados à economia — o que restringe bastante a amplitude do mercado de previsões.

Como funcionam os mercados de previsão?

As plataformas de mercados de previsão têm sites parecidos, em que perguntas e suas probabilidades para cada desfecho são destacadas logo na página inicial.

Ao clicar em uma pergunta, o usuário é direcionado para uma nova página com as opções de aposta — por exemplo, o barril do petróleo atingirá US$ 200 (cerca de R$ 1.000) até o final de abril?

A partir da escolha de "sim" ou "não", a plataforma indica quanto pagará caso o palpite esteja certo. O pagamento é feito pela carteira digital da conta, que pode ter saldo com transferências bancárias ou criptomoedas.

O que dizem as bets?

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, que representa as bets, disse ter feito um pedido formal para mercados de previsão serem classificados como apostas.

A entidade defende que empresas como Kalshi e Polymarket fiquem sob a regulação coordenada de SPA, CVM, Banco Central, Secretaria Nacional do Consumidor e Conar, que faz a autorregulação do mercado publicitário.

"Apostas em desdobramentos esportivos são apostas independentemente do formato. Se um mercado de previsão quer comercializar apostas esportivas, ele tem que aplicar para uma licença na SPA. Senão, está fora do enquadramento nacional, está cometendo um crime", defendeu André Gelfi, presidente do IBJR.

O g1 entrou em contato com a Kalshi e a Polymarket, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.

Na avaliação de Gelfi, os mercados de previsão operam sem qualquer tipo de controle no Brasil. "Tem pesquisa eleitoral sendo feita de forma velada, gente apostando em desgraça. Do ponto de vista ético, é no mínimo polêmico o modelo de negócios dos mercados de previsão".

Brasileiros gastam até R$ 30 bilhões por mês em bets, segundo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em uma audiência da CPI das Apostas Esportivas, em abril de 2025.

Um terço dos apostadores brasileiros têm perfil de jogo de risco ou problemático, de acordo com um estudo publicado em abril de 2025 pela Universidade Federal de São Paulo, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Mercados de previsão são casas de apostas?

Os mercados de previsão não se enquadram na definição de casas de apostas prevista na lei de bets, aprovada em 2018 e regulamentada em 2023, segundo dois advogados ouvidos pelo g1.

Para exigir que empresas como Kalshi e Polymarket sigam as mesmas regras para bets, seria preciso fazer ajustes na lei, explicou Hélio Ferreira Moraes, sócio da área digital do escritório PK Advogados.

"Quando você faz uma aposta contra a bet, ela tem as previsões e faz o pagamento. É o que chamamos de apostar contra a casa. Nos mercados de previsão, são contratos", afirmou.

"Os mercados de previsão funcionam como mercados descentralizados, onde o valor dos contratos emerge da interação entre os participantes, se aproximando do funcionamento de bolsas de valores", disse Moraes.

Página do mercado de previsões Kalshi — Foto: AP Photo/Jenny Kane
Página do mercado de previsões Kalshi — Foto: AP Photo/Jenny Kane

As plataformas de mercados de previsão estão em uma situação parecida com a das bets antes da lei para o setor no Brasil, analisou o advogado Gustavo Biglia, sócio do escritório Ambiel Advogados e especialista em regulação de apostas esportivas e jogos online.

"Como não tem regulamentação, a gente parte do pressuposto jurídico de que o que não é proibido, é permitido. A diferença é que elas estão atuando fora, sem qualquer tipo de fiscalização e sem pagar imposto no Brasil", disse Biglia.

"Outro conflito entre os dois mercados é identificar a legitimidade para colocar um contrato de opção dentro de uma aposta esportiva. O Brasil delimita quem pode vender esse tipo de produto".

O que dizem os mercados de previsão?

Os mercados de previsão são parecidos com as bets esportivas, mas não são idênticos, argumenta a Kalshi em seu site. Segundo a empresa, uma das diferenças é que os seus usuários apostam entre si, enquanto, na bets, as apostas são contra a casa.

A plataforma alega ainda que os preços são definidos a partir da compra e venda de contratos. E que fatura a partir de taxas cobradas em cada uma dessas transações.

"Os preços refletem as crenças agregadas dos investidores com participação direta no mercado, atraindo pessoas com conhecimento genuíno do setor", diz a Kalshi, lançada no Brasil em março por meio de uma parceria com a empresa de investimentos XP.

A XP afirma que sua corretora Clear atua como facilitadora do acesso e que a criação, a operação, a precificação e a liquidação dos contratos são de responsabilidade da Kalshi.

O banco BTG Pactual lançou em março o BTG Trends, uma plataforma de mercado de previsões exclusiva a assuntos financeiros. E a B3 lançará em 27 de abril contratos de eventos baseados na variação de índices da bolsa de valores, do dólar e do bitcoin.

Quais são as polêmicas nos EUA?

Os mercados de previsão foram usados recentemente para especular sobre ações militares no Irã e na Venezuela. Regras financeiras dos Estados Unidos proíbem contratos sobre guerra.

Um investidor anônimo ganhou R$ 2 milhões em janeiro por apostar na derrubada de Nicolás Maduro. O lucro foi alto porque o contrato foi feito antes mesmo da divulgação da operação militar dos EUA que levou a prisão do então presidente venezuelano.

Com preocupações sobre o uso de informações privilegiadas para apostar em eventos futuros, a Casa Branca orientou funcionários a não usarem discussões internas para especularem nas plataformas.

Mercado de previsão Polymarket — Foto: AP Photo/Wyatte Grantham-Philips
Mercado de previsão Polymarket — Foto: AP Photo/Wyatte Grantham-Philips

Nos Estados Unidos, eles estão sob supervisão da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), órgão nacional que se aproxima da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Mas lá também há polêmicas: em janeiro, um juiz de Massachusetts determinou que a Kalshi não pode oferecer contratos sobre eventos esportivos no estado por entender que a plataforma viola regras locais sobre jogos de azar.

Em março, a Justiça de Nevada determinou a suspensão da plataforma por concluir que ela não tem licença para operar atividades de aposta no estado.

O estado do Arizona foi outro que processou a empresa por argumentar que ela opera no mercado de apostas, proibido pela lei estadual. Mas a Justiça federal dos EUA derrubou a ação após concluir que a plataforma deve ser regulada nacionalmente pela CFTC.

A empresa disse que não é uma casa de apostas. "Estados como o Arizona querem regular individualmente uma bolsa de valores nacional e estão tentando todos os artifícios possíveis para conseguir isso", afirmou.

O presidente da CFTC, Mike Selig, demonstrou apoio à Kalshi. Nomeado ao cargo pelo presidente americano Donald Trump, ele afirmou que o estado do Arizona apresentou "um processo criminal totalmente inadequado".

Para Biglia, do escritório Ambiel Advogados, as plataformas oferecem uma porta para manipular apostas, o que as colocam em um mercado perigoso.

"Uma coisa é apostar no clima, se vai chover ou vai fazer sol. Outra é apostar quando Trump vai morrer. Você coloca a cabeça de alguém a prêmio por um determinado valor", afirmou.

Para Moraes, do PK Advogados, os riscos dos mercados de previsão são maiores por conta de sua área de atuação maior, o que exige o trabalho em conjunto de reguladores.

"Historicamente, essa coordenação no Brasil não é fácil. E esses temas multidisciplinares levantam essa dificuldade. Agora, o pior dos mundos é a gente não fazer regulação nenhuma", disse.

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