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domingo, 9 de agosto de 2026

Primeiro data center de IA na Amazônia gera debate por risco de ‘ilhas de calor’ e expõe ausência de regras específicas no Brasil

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Empreendimento de R$ 250 milhões em Belém promete ampliar a infraestrutura de inteligência artificial na região Norte, mas Ministério Público questiona possibilidade de formação de 'ilhas de calor' e ausência de estudos ambientais para esse tipo de projeto no país.
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Por Taymã Carneiro, g1 Pará — Belém

Postado em 09 de Agosto de 2.026 às 05h00m
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Belém terá o 1º data center de IA da Amazônia
Belém terá o 1º data center de IA da Amazônia

A área portuária de Miramar, no bairro do Barreiro, em Belém, vai receber o primeiro data center para Inteligência Artificial da Amazônia, o BEL1, da Elea Data Centers. O projeto é alvo de um inquérito civil do Ministério Público do Pará (MPPA), que alerta para o risco de formação de "ilhas de calor" em uma região já castigada por temperaturas extremas. O empreendimento também chama atenção para a ausência, no Brasil, de regras ambientais específicas para a instalação de data centers.

  • 🔎 Data centers (centro de dados, em inglês) são espaços que armazenam e processam informações com equipamentos como servidores de armazenamento e chips de processamento. Para processar grandes volumes de dados, essas máquinas consomem muita energia e geram calor continuamente. Por isso, dependem de sistemas de resfriamento para espalhar esse calor para o ambiente.

O projeto vai iniciar com a capacidade de 7,5 megawatts, depois tem previsão de expansão para até 100 megawatts, segundo a empresa.

Esses números chamam a atenção de especialistas ouvidos pelo g1, pois só na etapa inicial a potência de 7,5 megawatts seria suficiente para abastecer mais de 22,5 mil residências na região Norte, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia.

Com previsão de começar a funcionar no segundo trimestre de 2027, a empresa Elea promete que o BEL1 vai servir como a infraestrutura necessária para ampliar o acesso da região Norte à IA, à computação em nuvem e a serviços digitais, "aproximando o processamento de dados dos usuários e reduzindo a dependência de servidores em outras regiões do país e até no exterior".

Calor dissipado em região quente

A chegada da infraestrutura levanta questões sobre possíveis impactos ambientais. O empreendimento virou alvo de um inquérito civil do MPPA, sobre os potenciais riscos de criar 'ilhas de calor', que superaqueceriam o ambiente urbano, além da ausência de licenciamento ambiental e consultas públicas.

O promotor Márcio Maués, 1ª Promotoria de Justiça de Barcarena, quer apurar a legalidade da instalação e os riscos de "dano climático". A preocupação dele baseia-se em estudo de pesquisadores da Universidade de Cambridge, indicando que data centers podem elevar a temperatura da superfície terrestre em uma média de 2°C, com picos extremos que chegam a 9,1°C, estendendo efeitos térmicos por raio de até 10 km.

O novo data center na Amazônia — Foto: Arte g1
O novo data center na Amazônia — Foto: Arte g1

"Não basta afirmar que não trará consequências, não basta afirmar que será bom. Tem que ser demonstrado tecnicamente", alerta o promotor Maués.

A pesquisa de Cambridge utilizou dados de satélite da NASA para monitorar a temperatura da superfície terrestre no entorno de mais de 8 mil data centers de IA ao redor do mundo entre 2004 e 2024. Os resultados apontaram um aumento médio de 2,07°C na temperatura da superfície terrestre logo após o início das operações dessas estruturas.

Os cientistas identificaram que o efeito térmico se propaga por até 10 km, mas sua intensidade decai rapidamente com a distância. O aquecimento médio do solo fica em torno de 1°C em um raio de até 4,5 km das instalações, segundo os resultados.

Maués destaca ainda a vulnerabilidade de comunidades ribeirinhas nos arredores da cidade, como a Ilha das Onças, situada a apenas 4,5 km do local. Segundo ele, essas populações não foram ouvidas conforme exige a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Não foram realizadas consultas públicas com moradores dos bairros Miramar, Barreiro, Sacramenta e Pratinha, que ficam próximos ao local da instalação.

"O efeito depende da tecnologia utilizada, mas é algo que precisamos estar atentos. Não acho que seria o caso daqui de Belém, aumentar 9°C, mas é preciso demonstrar se haverá efeito de aumento da temperatura ou não, e em qual proporção", defende o promotor.

O empreendedor e ambientalista Murilo Monteiro é morador do bairro da Sacramenta e disse que acompanha com atenção as discussões sobre o projeto. "Ainda não houve comunicação dirigida à comunidade local nem às instituições que atuam no território. Essa ausência de diálogo gera dúvidas e demonstra a necessidade de ampliar a transparência e a participação social desde as fases iniciais do empreendimento", afirmou.

O pesquisador Juliano Ximenes, da UFPA, concorda com a preocupação, detalhando que estruturas de data center dissipam energia na forma de calor, elevando a temperatura externa em uma área que frequentemente já atinge sensações térmicas de 34°C ou mais, gerando "manchas de calor".

A empresa afirma que usará sistemas de ar-condicionado para resfriar os equipamentos, em vez de água. É a chamada "expansão direta", um tipo de refrigeração industrial bastante utilizado em data centers.

O fundador e CEO da Elea, o italiano Alessandro Lombardi, diz que estudos de impacto térmico mais profundos só seriam realizados para a fase de 100 MW, que ainda não tem data para sair do papel.

"Quando se constrói um data center maior, eu penso que essa sugestão de ouvir a sociedade tem que ser vista, mas não nesta fase atual do projeto, que eu posso garantir que não tem nenhum impacto. Será como um shopping center de médio porte, que ainda consome muito mais calor do que um data center deste tamanho na fase inicial", ele afirma.

Projeto da Elea Data Centers em Belém. — Foto: Reprodução / Elea Data Centers
Projeto da Elea Data Centers em Belém. — Foto: Reprodução / Elea Data Centers

Para além da temperatura, especialistas alertam para outros possíveis desequilíbrios. O professor Ximenes aponta que manter o resfriamento contínuo dessas máquinas pode gerar uma poluição sonora "severa": enquanto a Lei Complementar de Controle Urbanístico de Belém limita ruídos a 65 dB, o entorno de data centers pelo mundo pode atingir 96 dB.

Lombardi garante que o projeto prevê mecanismos de redução de ruídos. "O ruído eventualmente é dos geradores a diesel, e não do data center em si. Esses geradores emitem um som medido em decibel e ele tem uma legislação sobre o barulho. A contingência a estes ruídos está prevista."

Sem regras no Brasil

No Brasil, não há regulamentação específica para instalações de data centers, ou seja, não existem leis ou diretrizes ambientais criadas sob medida para avaliar o impacto de energia e calor desse tipo de tecnologia.

Data Center é o tema da série sobre questões urgentes da agenda ambiental brasileira
Data Center é o tema da série sobre questões urgentes da agenda ambiental brasileira

A Elea adquiriu um terreno em área industrial privada da Axia Energia e afirma que segue os trâmites gerais de licenciamento para grandes consumidores de energia. Já órgãos ambientais de Belém e do estado do Pará dizem que não possuem pedidos de licenciamento sendo analisados.

"A sensação que nos transmite é que o projeto já está definido e que todas as etapas de licenciamento ficam em segundo plano, como se fossem meras formalidades", alerta Maués.

A empresa Elea disse, em nota, que "as licenças ambientais e demais autorizações necessárias ao empreendimento estão sendo solicitadas dentro dos prazos e trâmites legais e em linha com os investimentos anunciados".

  • A Secretaria de Meio Ambiente de Belém (Semma) informou, em ofício de julho de 2026, que não há processo de licenciamento ambiental para o empreendimento e, por isso, não existem estudos de impacto de vizinhança (EIV) nem relatórios de impacto ambiental (RIMA).
  • A Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará (Semas-PA) também afirmou ao g1 que não possui processo de licenciamento em andamento para o data center.
  • Já a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) disse que não adota tratamento diferenciado para data centers de IA e que ainda estuda possíveis exigências relacionadas à infraestrutura da rede elétrica.
  • O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) foi procurado pela reportagem para explicar se está previsto algum impacto da carga prevista de 100 MW na rede local, mas não se manifestou.

Além do espaço, a energia usados pelo data center também será fornecida pela Axia Energia, geradora e fornecedora que atua no Pará com infraestrutura de 81 usinas e responde por 17% da capacidade de geração do país.

O centro de dados ficará em uma área alugada na propriedade da Axia; e a energia para alimentar os data centers será adquirida diretamente da fornecedora, sem envolver impactar o Sistema Integrado Nacional (SIN), segundo as duas empresas.

O CEO da Elea informou a escolha foi "estratégica" devido à proximidade à subestação de energia Miramar, gerenciada pela Axia, antiga Eletrobras/Eletronorte.

Lombardi afirma que a região Norte é uma grande produtora de energia hídrica renovável, com as usinas hidrelétricas, por exemplo, mas a falta de um "consumidor estável" de grande porte pode gerar desbalanceamento e instabilidade na rede local.

O que o data center fará?

Segundo a empresa, o data center será uma "infraestrutura de base necessária para que a Inteligência Artificial funcione de forma eficiente na região Norte". O local funcionará como um "motor" para facilitar o acesso não apenas às tecnologias de IA, mas também aos serviços de nuvem (cloud) e conectividade.

"O objetivo do data center é fomentar o ecossistema de inovação na região", explica o CEO.

De acordo com ele, é uma resposta ao "atraso" tecnológico da região, que atualmente depende de conexões via São Paulo até Miami.

O prédio também abrigará a infraestrutura para processar transações bancárias, como TEDs e Pix, prontuários eletrônicos de hospitais, sistemas do Tribunal de Justiça e a empresa disse que o centro de dados na região garantirá que o sinal de operadoras de 4G e 5G não sofra quedas.

  • 🔎 Atualmente, operações simples como um Pix ou o acesso a um prontuário médico no Norte dependem de uma rota física de dados gigantesca. As informações viajam por terra até São Paulo e seguem por cabos submarinos para processamento em Miami, nos Estados Unidos, antes de retornar ao Pará. Esse percurso dos dados gera "atraso tecnológico" e deixa as conexões vulneráveis a quedas, segundo a Elea.

A empresa explicou que os usuários do BEL1 serão gigantes do mercado. A empresa confirmou que já possui clientes âncora de grande porte, como empresas de tecnologia e nuvem, cujos nomes são mantidos sob sigilo comercial.

O professor da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e cientista da computação, Marcus Braga, afirma que o debate não é apenas técnico, mas de soberania digital. "A inteligência artificial é a nova eletricidade. O mundo atual não consegue mais viver sem ela", afirma.

Braga defende que a instalação é uma oportunidade de "chaveamento tecnológico" para um estado onde a internet no interior ainda é "precária".

Para quem fica a inovação?

Para evitar que o Pará sofra um novo ciclo de "extrativismo tecnológico", apenas fornecendo o espaço para o empreendimento, sem contrapartidas, o professor Marcus Braga da Ufra defende que o estado exija reservas de capacidade.

"O Estado poderia exigir, por exemplo, 10% da carga de processamento para que possa utilizar essa infraestrutura para setores estratégicos, como saúde e monitoramento ambiental", propõe Braga.

O debate sobre o BEL1 em Belém reflete um dilema global adaptado à realidade amazônica: o equilíbrio entre a necessidade urgente de desenvolvimento digital e a proteção de um microclima já severamente castigado. Um levantamento, exclusivo do g1, mostrou que Belém foi a segunda cidade com o maior número de dias castigados pelo calor atípico em 2024.

Para o professor Juliano Ximenes, a falta de clareza reforça a urgência de regulamentar o uso de IA e exigir transparência das transnacionais. "Sem isso, o neoextrativismo fará novos e maiores buracos degradados, reais e virtuais, no século que apenas começa", explica.

A Elea Data Centers disse, em nota, que "o projeto está sendo implantado em área industrial privada, dentro do Centro de Tecnologia da Axia Energia" e que a previsão de início das operações "reflete o cronograma de desenvolvimento do projeto, alinhado à implantação da infraestrutura e à entrada de seus clientes, permanecendo condicionada ao cumprimento de todas as etapas do processo de licenciamento e às aprovações dos órgãos competentes".

Ainda segundo a empresa, ainda "está sendo desenvolvida a estratégia de relacionamento com as comunidades do entorno, com previsão de mapeamento das lideranças locais, a apresentação do projeto e a criação de canais permanentes de diálogo".

A Elea afirmou ainda que "não foi formalmente notificada pelo MPPA" e que "permanece à disposição para colaborar com as autoridades, prestar os esclarecimentos necessários e cumprir integralmente todos os requisitos aplicáveis ao empreendimento".

Área onde ficará o data center de IA da Elea em Belém. Ponto específico no mapa não foi informado. — Foto: Reprodução / Google Maps
Área onde ficará o data center de IA da Elea em Belém. Ponto específico no mapa não foi informado. — Foto: Reprodução / Google Maps


Ilustração mostra projeto da Elea Data Centers em Belém — Foto: Reprodução / Elea Data Centers
Ilustração mostra projeto da Elea Data Centers em Belém — Foto: Reprodução / Elea Data Centers

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sábado, 8 de agosto de 2026

Galaxy Z Fold8: dobrável da Samsung vira 'minitablet' ao abrir; veja primeiras impressões

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Novo modelo tem tela interna de 7,6 polegadas, formato semelhante ao de um tablet pequeno e já está à venda no Brasil entre R$ 12,6 mil e R$ 14,2 mil.
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Por Henrique Martin, g1

Postado em Agosto de 2.026 às 09h45m

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Samsung Galaxy Z Fold8 fechado — Foto: Henrique Martin/g1
Samsung Galaxy Z Fold8 fechado — Foto: Henrique Martin/g1

O Galaxy Z Fold8, novo celular dobrável da Samsung, começou a ser vendido no Brasil nesta quinta-feira (6). Anunciado no final de julho, o aparelho ganhou um formato intermediário, semelhante ao tamanho de um passaporte.

Os preços variam de R$ 12.600, na versão com 12 GB de memória RAM e 256 GB de armazenamento interno, a R$ 14.200, no modelo com 12 GB de RAM e 512 GB de espaço.

 Galaxy Z Fold8: fechado, parece um passaporte, aberto, vira um tablet — Foto: Henrique Martin/g1

Com o aparelho fechado, o Z Fold8 difere da versão Ultra por ter um display mais largo que a média dos celulares modernos.

Linha de lançamentos Samsung em 2026: acima, os Galaxy Watch9. Abaixo, da esquerda para a direita, o Z Fold8, Z Flip8 e Z Fold8 Ultra — Foto: Divulgação
Linha de lançamentos Samsung em 2026: acima, os Galaxy Watch9. Abaixo, da esquerda para a direita, o Z Fold8, Z Flip8 e Z Fold8 Ultra — Foto: Divulgação

Enquanto o iPhone 17 adota a proporção de 9:19.5, o modelo da Samsung utiliza 10:16 na tela externa de 5,5 polegadas.

O visual lembra antigos aparelhos da Blackberry, mas sem o teclado físico. Essa parte externa oferece espaço para digitar mensagens e navegar na internet. É um aparelho pequeno, muito confortável de usar.

Samsung Galaxy Z Fold8 fechado — Foto: Henrique Martin/g1
Samsung Galaxy Z Fold8 fechado — Foto: Henrique Martin/g1

Ao ser aberto, o celular revela a tela interna de 7,6 polegadas, na proporção 4:3, semelhante a um tablet pequeno ou a um leitor de livros digitais Kindle, da Amazon.

O formato permite dividir aplicativos nas duas metades e facilita o consumo de vídeos. Fica com uma barra preta nas bordas, porém.

Samsung Galaxy Z Fold8 aberto reproduzindo vídeo — Foto: Henrique Martin/g1
Samsung Galaxy Z Fold8 aberto reproduzindo vídeo — Foto: Henrique Martin/g1

O smartphone pesa 201 gramas e tem 9,7 milímetros de espessura quando fechado. Aberto, a espessura cai para 4,5 milímetros, medida inferior à do iPhone Air, da Apple, que tem 5,6 milímetros.

Samsung Galaxy Z Fold8 aberto, com a tela interna voltada para baixo — Foto: Henrique Martin/g1
Samsung Galaxy Z Fold8 aberto, com a tela interna voltada para baixo — Foto: Henrique Martin/g1

A Samsung alterou a estrutura da tela dobrável, que agora é feita de titânio. O sistema utiliza uma película de liga de titânio, 30% mais fina que um fio de cabelo, somada a uma placa do mesmo material embaixo do painel OLED.

O objetivo da fabricante é reduzir o vinco no meio da tela. Apesar da mudança estrutural, a marcação continua visível e perceptível ao toque durante a navegação pelo display interno.

A tela do Galaxy Z Fold8 usa titânio para disfarçar o vinco do meio, mas ele segue lá — Foto: Henrique Martin/g1
A tela do Galaxy Z Fold8 usa titânio para disfarçar o vinco do meio, mas ele segue lá — Foto: Henrique Martin/g1

No design, o desnível do módulo de câmera na parte traseira faz com que o aparelho fique instável ao ser apoiado em uma mesa, mesmo com uma capa protetora.

O conjunto fotográfico do Z Fold8 segue uma solução semelhante à adotada no Galaxy S25 Edge, lançado no ano passado.

O celular possui uma câmera dupla traseira de 50 megapixels, composta por uma lente principal com zoom óptico de 2x e uma grande angular. As duas câmeras frontais têm 10 megapixels de resolução.

Câmera dupla do Galaxy Z Fold8 — Foto: Henrique Martin/g1
Câmera dupla do Galaxy Z Fold8 — Foto: Henrique Martin/g1

Quem são os concorrentes do Galaxy Z Fold8?

Rumores de sites especializados em tecnologia apontam que o formato quadrado também deve ser adotado pela Apple em seu celular dobrável, previsto para este ano. A fabricante não comenta sobre aparelhos que ainda não foram lançados.

Marcas chinesas, como a Huawei, já utilizam essa alternativa de design no exterior.

No mundo dos dobráveis de outros formatos (maiores e menores), a principal competidora da Samsung é a Motorola, com a linha Razr em três modelos: Razr Fold (grande) e Razr 70 / 70 Ultra (estilo flip).

Veja a seguir algumas opções de celulares dobráveis disponíveis nas lojas da internet em agosto. Os preços nas lojas consultadas iam de R$ 3.000 a R$ 12.600.

Novo Galaxy Z Fold8
Samsung Galaxy Z Fold8


Motorola Razr Fold
Motorola Razr Fold


Motorola Razr 70 Ultra
Motorola Razr 70 Ultra


Samsung Galaxy Z Flip7 FE
Samsung Galaxy Z Flip7 FE

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Limpeza do box: o terror da faxina
Limpeza do box: o terror da faxina

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Humanos podem 'desligar' uma IA se ela fugir do controle?

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O primeiro caso confirmado de um sistema de IA invadindo de forma autônoma uma empresa real alarmou especialistas em todo o mundo. Mas evitar novos episódios como esse é muito mais complexo.
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TOPO
Por Fernando Duarte

Postado em 08 de Agosto de 2.026 às 06h00m

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Os chamados kill switches ("botões de desligamento", em tradução livre) são mecanismos de emergência projetados para interromper uma IA antes que ela cause mais danos — Foto: BBC/Getty Images
Os chamados kill switches ("botões de desligamento", em tradução livre) são mecanismos de emergência projetados para interromper uma IA antes que ela cause mais danos — Foto: BBC/Getty Images

Muita gente já se perguntou o que aconteceria se a inteligência artificial (IA) escapasse ao controle humano.

Quem assistiu à franquia de filmes O Exterminador do Futuro, em que a humanidade entra em guerra contra a Skynet, uma IA que se torna poderosa demais, provavelmente também se pergunta isso.

E esse vilão fictício deve ter vindo à mente de muita gente no início deste mês, quando surgiram relatos de que um agente de IA (um programa capaz de tomar decisões e executar tarefas complexas com pouca ou nenhuma supervisão humana) saiu do controle durante um teste e invadiu os sistemas da Hugging Face, empresa que desenvolve ferramentas para computação.

Criado pela OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, esse agente de IA burlou um teste que avaliava a sua capacidade de explorar falhas de segurança e roubou as respostas dos servidores da Hugging Face. Durante dias, nem mesmo seus criadores parecem ter percebido o que havia acontecido.

IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI

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A OpenAI não deu mais detalhes, mas afirmou que está investigando os ataques. "Levamos muito a sério nossa responsabilidade de identificar e nos preparar para os riscos apresentados por sistemas de IA cada vez mais capazes", afirmou a OpenAI.

A invasão inicial, descrita como o primeiro caso confirmado de um sistema de IA que teria invadido de forma autônoma uma empresa de verdade, já havia sido suficiente para alarmar especialistas em todo o mundo e reacender o debate sobre os chamados kill switches ("botões de desligamento" ou "interruptores de emergência", em tradução livre): mecanismos de emergência projetados para, nesses casos, interromper ou desligar uma IA antes que ela cause mais danos.

Mas especialistas ouvidos pela BBC News afirmam que a questão é mais complexa.

Cathy O'Neil, matemática e cientista de dados, disse ao Serviço Mundial da BBC que o problema começa na forma como as empresas de IA reagem quando seus sistemas apresentam comportamentos inesperados.

Na avaliação de O'Neil, a OpenAI se apressou em atribuir o ataque à Hugging Face ao agente autônomo, em vez de reconhecer falhas em seus próprios métodos de avaliação.

O'Neil, que escreveu o best-seller Algoritmos de Destruição em Massa: Como o Big Data Aumenta a Desigualdade e Ameaça a Democracia (Ed. Rua do Sabão, 2021), no qual defende maior transparência e responsabilização das grandes empresas de tecnologia, disse à BBC News: "Há alguns anos, uma falha de computador deixou centenas de voos da American Airlines em solo nos Estados Unidos. Foi um grande constrangimento para a empresa. Imagine se ela tivesse tentado se defender dizendo: 'Ah, isso aconteceu porque o computador era mais inteligente do que nós.' Foi, essencialmente, isso que a OpenAI tentou fazer."

A Hugging Face não foi o único alvo do agente da OpenAI — Foto: Getty Images via BBC
A Hugging Face não foi o único alvo do agente da OpenAI — Foto: Getty Images via BBC

Nos EUA, onde está sediada a maioria das maiores empresas de IA, não existe uma legislação federal sobre o tema. A regulação se baseia em uma combinação de normas específicas para diferentes setores e compromissos voluntários assumidos pelas próprias empresas.

"Estamos dando aos proprietários desses sistemas de IA um poder absurdo", afirma O'Neil.

"Me recuso a dizer que foi a IA que fez isso [o ataque à Hugging Face]. Quem fez isso foi a OpenAI. A empresa deveria assumir a responsabilidade pelo projeto falho do sistema e pedir desculpas."

A cientista de dados Rumman Chowdhury, ex-diretora de ética em aprendizado de máquina do Twitter (hoje X), também defende uma regulamentação mais rigorosa para as empresas de IA, especialmente na área de segurança.

Para Chowdhury, essas empresas deveriam ser obrigadas a demonstrar que seus sistemas contam com "mecanismos eficazes de desligamento", inclusive por meio de testes independentes.

Mas também alerta para o risco de responsabilizar os agentes de IA — em vez das empresas que os desenvolvem — por ataques como o que atingiu a Hugging Face.

"Tratar esse episódio como um problema que seria resolvido com um botão de desligamento mais eficiente desvia a atenção do verdadeiro problema de arquitetura dos sistemas: os agentes estão recebendo acesso a ferramentas e credenciais de que não precisam", disse Chowdhury à BBC News.

"O que realmente acontece é que modelos treinados para cumprir objetivos passam, em determinados contextos, a interpretar instruções para interromper uma tarefa como um obstáculo ao objetivo final e procuram formas de contorná-las. [...] Esse é um problema de projeto e de treinamento, não de consciência."

O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT — Foto: AP/Michael Dwyer, Arquivo
O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT — Foto: AP/Michael Dwyer, Arquivo

Se as empresas de IA se recusarem a resolver esse problema e, em vez disso, optarem por culpar seus agentes autônomos, apenas aumentarão a carga de trabalho dos profissionais de cibersegurança, que já enfrentam diariamente ataques de hackers, afirma Oli Buckley, da Universidade de Loughborough, no Reino Unido.

Para Buckley, o problema não é que "a IA queira escapar ou prejudicar as pessoas", mas o desenvolvimento de agentes que "estão se tornando cada vez mais capazes de encontrar caminhos inesperados para cumprir uma tarefa".

"Na cibersegurança, é exatamente isso que os invasores fazem", afirma Buckley.

"Mais do que um alerta sobre uma 'IA rebelde', este caso mostra que nossas premissas de segurança precisam evoluir junto com os sistemas que estamos desenvolvendo."

Fontes da OpenAI disseram à agência de notícias Reuters que a empresa levou vários dias para perceber que havia perdido o controle do agente — Foto: Bloomberg via Getty Images/BBC
Fontes da OpenAI disseram à agência de notícias Reuters que a empresa levou vários dias para perceber que havia perdido o controle do agente — Foto: Bloomberg via Getty Images/BBC

Konstantinos Gkoutzis, especialista em IA do Imperial College London, no Reino Unido, concorda que a forma como a OpenAI apresentou o caso não ajudou.

"A principal conclusão para o público deveria ser que nenhuma máquina decidiu se voltar contra nós. Foi uma empresa que perdeu o controle de um teste de suas próprias capacidades", disse Gkoutzis à BBC News.

E, segundo ele, um kill switch não teria resolvido o problema. "Desligar o sistema não desfaz o que já aconteceu", afirma. "Se um sistema já foi comprometido, continuará comprometido, por mais rápido que alguém o tire da tomada."

Além disso, quem — ou o que — desligasse o sistema só poderia fazê-lo depois que o problema fosse identificado.

Fontes da OpenAI disseram à agência de notícias Reuters que a empresa levou vários dias para perceber que havia perdido o controle do agente.

Depois, um porta-voz da empresa rebateu a reportagem da Reuters afirmando à agência de notícias que o texto continha "várias imprecisões".

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