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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Empresas mantêm visão antiga, apesar de novas ferramentas de Marketing

"Ainda que o meio acadêmico fomente cursos e especializações com conceitos mais atuais, companhias ainda praticam as mesmas rotinas sem dar atenção a princípios básicos."


*.\o/.* Por Bruno Mello e Priscilla Oliveira | 28/08/2015

Luís Sá, idealizador e Coordenador Nacional do MBA em Marketing da Fundação Getulio Vargas
Se as práticas no Marketing mudaram ao longo dos anos, no meio acadêmico essa transformação foi sentida tão intensamente quanto no mercado. Isso porque as universidades têm a responsabilidade de levar para o profissional as atualizações e formas de implantar as novidades.

Ainda assim, mesmo com investimentos e salas de aulas cheias, muitas empresas continuam incorrendo no erro de não praticar o que foi ensinado ou mesmo mantendo a visão antiga, voltada à comunicação.

Essa estagnação das companhias traz uma preocupação ao mercado, uma vez que diversas ferramentas e novas plataformas que poderiam ser utilizadas para melhorar o relacionamento e o atendimento ao cliente, por exemplo, deixam de ser utilizadas, colocando o Brasil em uma posição atrasada em relação aos demais países. 

Conceitos como Design Thinking, Omnichannel ou Neuromarketing são pouco executados no dia a dia, justamente em um momento em que os consumidores estão cada vez mais exigentes em relação à atenção dispendida pelas marcas. Uma mudança comportamental das empresas – e não mais das pessoas – deve solucionar a maneira com que os gestores encaram suas presenças na vida dos clientes.

Acompanhar inúmeras novidades na área pode parecer assustador para quem atua no ramo, mas são justamente professores e especialistas em Marketing que podem trazer luz para que cada um encontre sua própria solução para os negócios. “As companhias conseguem de fato gerar um alto volume de informação e as classificam. 

Entretanto, elas não praticam o básico, que é entender minimamente as necessidades do cliente. Para isso é preciso haver uma integração entre os setores da empresa, pois o Marketing não pode se isolar. Cada um possui suas especialidades que podem dar uma maior aderência às ações. 

Os executivos têm que sair do ar-condicionado e ouvir mais pessoas”, afirma o professor Luís Sá, idealizador e Coordenador Nacional do MBA em Marketing da Fundação Getulio Vargas, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Mundo do Marketing: Em 20 anos de MBA de Marketing vivemos muitas mudanças. Como era antes e como está o Marketing hoje?
Luís Sá: Há duas décadas, ainda não se falava em internet, apesar de ela existir de forma embrionária. Nos cursos, passamos a tratar o tema em 1997, com a nossa primeira disciplina de aspectos online, que era sobre e-commerce. De lá para cá, vivemos transformações e, hoje em dia, é impossível falar no Marketing sem falar de comunicação digital. 


Em nosso curso de MBA, a cada ano vamos incorporando mais disciplinas na área digital, como gestão de mídias sociais, e-commerce e internet das coisas. Procuramos sempre inovar. O mundo mudou muito com a tecnologia da informação aplicada à comunicação. Houve um fenômeno, mas talvez as empresas não tenham percebido a sua extensão, que é uma transferência de poder dos fabricantes para os consumidores.

Os clientes, por meio da comunicação digital e todos os meios, interferem imensamente na estratégia de Marketing das empresas e isso é o que chamamos de consumer empowerment. Essa transferência de poder não foi algo autorizado, os consumidores simplesmente tomaram conta. 

Se, por um lado, essas pessoas ajudam as marcas a acertarem suas ofertas, o que, consequentemente, reduz o custo de desenvolvimento de produtos e serviços e aumenta a taxa de acertos, por outro vemos empresas reféns esperando uma resposta deles. O Marketing mudou, porque o mundo mudou. A relação da ambiguidade é algo com a qual temos que conviver. 

Fica mais difícil poder conversar com esse consumidor porque a comunicação está muito mais fragmentada. Está sendo uma revolução interessante, pois existem muitos benefícios. Os últimos sete anos foram mais acelerados. O universo online permite conhecer melhor quem são nossos consumidores e é mais fácil monitorar o comportamento online do que off-line. E essa é a vantagem.

Mundo do Marketing: O consumidor mudou, mas existem premissas do Marketing que não mudam, não é?
Luís Sá: Sim, há situações que continuam as mesmas, como a essência de entregar um custo-benefício e valor. O que mudou foi a forma de fazer, mas as empresas parecem não entender que por mais que o hábito mude, essas pessoas continuarão a buscar esse básico. 


O que existe é uma possibilidade maior de comunicar com o cliente em relação aos canais e de entregar o que você vende em outros meios, sem ser o físico – afinal, existem diversas plataformas online. A logística precisou se sofisticar e evoluiu bastante ao longo dos tempos. Ainda temos um desafio muito grande de varejo de loja em relação ao Omnichannel. 

Há exemplos positivos dessa integração, tanto a empresa ganha quanto o cliente, mas não vemos muitas práticas. O Brasil possui boas experiências que foram originadas pelo avanço brutal da tecnologia da informação, aplicada à comunicação, mas nesse ponto o processo ainda está lento.

Mundo do Marketing: Há 20 anos não tínhamos Design Thinking no currículo, algo que a FGV já incluiu em 2015. O que muda academicamente?
Luís Sá: Qualquer profissional de Marketing precisa conhecer constantemente o comportamento do cliente. Ele precisa desenvolver pesquisas de mercado, gerenciar produto e serviços da mesma forma que continua tratando logística e distribuição, além da comunicação. Já era assim no antigo currículo e continua sendo agora. 


O que trouxemos dessa vez são temas emergentes, como Design Thinking, Big Data, mobile, Neuromarketing, analytics 2.0 e gestão de redes sociais. São assuntos novos, que existem em nossos MBA há um tempo. Em 2015 investimos em conhecimento do varejo na era Omnichannel, que é um grande desafio para os próximos anos.

Se compararmos um programa de 1995 e o atual, existem diferenças consideráveis. Nossa turma teste aberta em 20 de maio de 1995, em Belo Horizonte, já viu um currículo diferente da turma aberta no Rio de Janeiro em 2007. 

Nesta, tínhamos as disciplinas de vanguarda, como e-commerce e Data Base Marketing (DBM), as quais, naquela época, poucas empresas utilizavam, com algumas exceções entre os bancos e as operadoras de cartões. Depois, o pensamento evoluiu e apareceu o CRM.

Mundo do Marketing: Até hoje, poucas empresas praticam o DBM corretamente…
Luís Sá: Costumo contar uma história que aconteceu com um cliente, que dizia que eu repetia demais que ele precisava aprimorar o conhecimento sobre os consumidores. E, de fato, é preciso visitá-los mesmo trabalhando em uma área de vendas. É importante estar conversando com eles. 


Esse cliente achava que não tinha necessidade de conversar com as pessoas. Ele era o vice-presidente de uma empresa grande e alegava que tinha um bom orçamento, que investia em muitas pesquisas, monitorava o comportamento na web, contava com um contact center que semanalmente fornecia relatório e, além disso, tinha um CRM analítico e operacional que juntava essas informações. Consequentemente, possuía mais informação que conseguia digerir. 

E aí voltamos ao primórdio do Marketing, que é uma empresa orientada para o mercado: aquela que consegue gerar uma série de informações e disseminá-las em todas as áreas funcionais. Temos o cliente como centro de tudo e agimos para satisfazê-lo.

O que eu noto é que as companhias conseguem de fato gerar um alto volume de informação e as classificam. Entretanto, elas não praticam o básico. O vice-presidente tem essas informações, mas para que e para quem elas circulam? Cerca de 20 minutos por mês, o executivo recebe um overview do que acontece no mercado. 

Quem tem acesso? Quem pede? Mais ninguém tem acesso. Não me admira que nós, brasileiros, não estejamos cumprindo o dever básico do Marketing, que é entender minimamente as necessidades do cliente. À medida que essa informação não circula, isso causa um isolamento da área de Marketing. A essência continua a mesma, mas ainda se erra no básico.

Mundo do Marketing: Por que não conseguimos entender isso?
Luís Sá: Entendo o Marketing como tendo uma função transversal a outras funcionalidades. E cabe a essa área a gestão dos clientes – que é o maior ativo que uma marca pode ter. Entretanto, esse departamento se comunica muito mal com os demais. 


Se vou lançar um novo produto, faço um plano de ação e pouco envolvo as outras áreas, apenas comunico o que será. O profissional só falará se precisar compor com outros setores para suprir sua necessidade, como financeiro ou de produção. A questão que parece fundamental é que o modo de fazer está errado.

O que aconselho é juntar os gerentes de todos os departamentos e compartilhar o projeto. Os outros profissionais possuem um nível de especialização que o Marketing não tem. Esse plano pode conquistar uma aderência maior se todos participarem e, se tudo der tudo certo, é importante dividir esse sucesso com todo mundo. O Marketing está integrado na empresa e até assume liderança, sempre que possível.

Mundo do Marketing: Seria o caso de fazer um Marketing holístico?
Luís Sá: Sim, um CEO quer ouvir falar de vendas, share de mercado, visibilidade, ganhos de eficácia obtidos, inovação de novos canais, precificação e modelos de negócios. O presidente se interessará em relação à retenção de clientes e à lucratividade (ROI) para sua família de produtos ou aquela que o profissional gerencia. 


Essas questões farão com que ele pare para ouvir. Falar que participou de uma feira ou que fez um folheto é importante, mas não ganha interesse de um CEO. Tem que focar no que impacta: venda, share e indicador de lucro. A pessoa pode encantar seu presidente se de fato souber administrar. 

Não adianta só entender de comunicação. Quem gerencia um ativo da companhia precisa entender de custo, logística, precificação e vendas. Como conseguir isso? Saindo do escritório, deixando o ar-condicionado e ouvindo os vendedores.

Mundo do Marketing: Após 20 anos, saímos de um Marketing de comunicação para um mais analítico?
Luís Sá: Esse lado analítico, que permite aplicar uma série de técnicas multivariadas na solução de precificação e de modelos preditivos de consumo é um campo que pouca gente domina, mas existem empresas especializadas, que trazem essa possibilidade para que uma marca consiga avançar, entender e prever o comportamento de compra do seu cliente.


Mundo do Marketing: Muitos problemas de hoje em dia não foram estudados. A todo momento, surgem novas questões. Como vocês se preparam para os próximos 20 anos? Que problemas virão e ainda não teremos histórico?
Luís Sá: Hoje em dia, há mais acesso ao que está acontecendo de mais recente. Em 2013, apareceu um artigo falando sobre Big Data e Analytics 2.0, em que estavam citadas duas consultorias que fazem o trabalho de maximizar os orçamentos das empresas. 


Elas desenvolveram uma série de algoritmos que oferecem as soluções para o cliente. No Brasil, não conheço nenhuma empresa que faça isso. Mas pelo menos entendemos que existem novidades que estão aparecendo, que mais cedo ou mais tarde teremos acesso a elas.

Especialmente assuntos que têm na sua essência tecnologia da informação. Então, estamos começando a falar do Brasil e isso envolve o varejo de lojas multicanal. 

Se tiverem duas experiências bem obtidas nesse campo, é algo válido, mas se nem todos os varejistas do mundo estão interessados e sabem atuar, os próprios acadêmicos têm que estar interessados em se debruçar sobre esse acontecimento. 

Leia também: Inbound: a estratégia de Marketing do presente e futuro. Estudo do Mundo do Marketing Inteligência. Conteúdo exclusivo para assinantes.

Inbound

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Google aponta momentos ideais para conversão do consumidor mobile

"Ocasiões classificadas como “Quero Saber”, “Quero Decidir” e “Quero Aprender” são as ideais para interagir com usuários entregando conteúdo relevante e tornando-os clientes."


*\.o./* Por Roberta Moraes | 26/08/2015

Fábio Coelho, Google BrasilSe a internet facilitou a vida dos consumidores, a conexão móvel deu a eles superpoderes. O acesso a mais informações está alterando a jornada de compra dos brasileiros e impactando a realidade das marcas. 

As mudanças são significativas e acontecem na rapidez de um clique, como mostra um levantamento realizado pelo Google no Brasil, que analisou o comportamento dos internautas nos dispositivos móveis. Em 2010, o número de brasileiros com acesso à internet era de 82 milhões, e apenas 10 milhões possuíam smartphones. 

Em cinco anos, esses números tiveram um salto expressivo, pulando para 117 milhões de conectados e 93 milhões que possuem celulares inteligentes. Com a informação na mão, o brasileiro está mais imediatista e ainda mais exigente por conta da expectativa elevada.

A gigante de buscas percebeu que o acesso à internet está marcado por micromomentos, e são eles que ditam as necessidades dos consumidores. A busca por um lugar para tomar café, a receita para o jantar, a leitura sobre um tênis de corrida ou a pesquisa sobre o destino de férias são, segundo o levantamento, as ocasiões ideais para entregar um conteúdo com relevância, a fim de responder os anseios e gerar conversão. 

Essas buscas atendem a momentos classificados pelo Google como: “Quero Saber”, quando há o consumo de informação; o “Quero Decidir”, em que as pesquisas dão mais confiança para finalizar processos; e o “Quero Aprender”, em que o internauta procura dados para facilitar a realização de atividades cotidianas.

Todos esses momentos estão ficando cada vez mais frequentes. O tempo que as pessoas passam conectadas à web pelos aparelhos móveis aumentou 112% no último ano. Esse contato possibilita maior liberdade de acesso a entretenimento, buscas e até mesmo altera a jornada de compra. “O Brasil precisa ser mais eficiente. 

O país passa por um momento de ganho de transparência em relação aos negócios. Nada como poder trazer essa transparência sob a ótica da comunicação, do engajamento, da construção de marca e da geração de negócio. Há cinco anos, entrávamos na internet, hoje vivemos nela. 

Precisamos interpretar o consumidor por meio de ocasiões em que eles estão conectados e entender como as empresas e marcas podem ser relevantes no momento que os usuários querem”, afirmou Fábio Coelho, Presidente do Google Brasil, durante a apresentação da pesquisa em São Paulo.

Visitas mais rápidas
Cada vez mais conectadas, as pessoas estão móveis até mesmo quando estão em casa e utilizam os celulares para acessarem à internet enquanto fazem alguma outra atividade. Toda essa mobilidade está gerando uma sensação de urgência cada vez maior no usuário, fazendo com que as visitas aos sites sejam cada vez mais rápidas. 


Segundo o levantamento, esse tempo teve uma redução de 9% nos últimos três anos. “As pessoas querem ter uma experiência o mais rápida possível. Elas desejam entrar e entender quais são as alternativas. E, depois, seguem para novas buscas. O brasileiro não se contenta com uma abordagem ou um ponto de vista. Ele quer conhecer a perspectiva de outros canais”, explica Coelho.

A visita mais curta não quer dizer que ela seja menos eficiente. A taxa de conversão via mobile aumentou 74%, de acordo com a pesquisa. O dado mostra como os dispositivos móveis estão se consolidando como um canal de compra, o que era impensado há cerca de três anos, quando a internet pelo celular era vista apenas como possibilidade de consulta. 

Essa mudança só foi possível por conta da melhora das interfaces, dos sites móveis e do surgimento dos aplicativos, que facilitaram a relação de consumo, transformando esses dispositivos em plataformas de negócio.

Apesar de todo o potencial, essa funcionalidade não está clara para muitos empresários, que ainda não aproveitam as oportunidades proporcionadas por este novo ponto de contato com os consumidores. 

“Nosso trabalho é ajudar as empresas, marcas e agências de propaganda a entenderem o novo momento. A nova realidade de comunicação é, na verdade, uma nova realidade do mercado. Hoje, as pessoas pesquisam na internet dentro das lojas, decidindo qual produto comprar. 

Com a informação em mãos, o consumidor pode negociar um desconto ou, simplesmente, buscar outra loja”, acrescenta o Presidente do Google.
Oportunidade para pequenos negócios
Os dados levantados mostram que não são apenas as grandes marcas que devem ficar atentas aos consumidores conectados. 


Os pequenos e médios empreendedores podem movimentar suas empresas ao perceberem que o uso de smartphones confere ainda mais relevância aos negócios locais, uma vez que a pesquisa de produtos e serviços próximos ao consumidor aumentou 55%. O dado reforça a importância da presença das PMEs no ambiente digital, o que pode ser fundamental para a conversão. É fundamental estar no mesmo lugar do consumidor quando ele sinaliza que quer efetivamente comprar.

A pesquisa mostra ainda que o brasileiro é hiperconectado e que escolhe como e quando se engaja. A maneira deste público explorar o ambiente online é feito por diversas maneiras: por meio de buscadores de preço, redes sociais, site de notícias, de vídeos, entre outras. A curiosidade do público nacional impulsiona, principalmente, a audiência no YouTube. 

As buscas relacionadas a “como fazer” na ferramenta tiveram aumento de 72%. No primeiro semestre de 2015, mais de duas milhões de horas desse conteúdo foram assistidas no Brasil. Metade do conteúdo foi visto em smartphones ou tablets. 

O uso do celular é tão intenso que quase a totalidade (94%) dos entrevistados disse que utiliza o aparelho para ter ideias enquanto realiza uma tarefa.

E oito em cada 10 brasileiros usam o smartphone para obter informações sobre a compra de um produto ou serviço. E quase a mesma quantidade (79%) dizem que estão procurando mais informações online agora, comparado a alguns anos atrás. E não são só as vendas diretas que são impactadas pela ferramenta. A comunicação entre as marcas e os consumidores pelas mídias tradicionais também acabou mudando.

Dentre os usuários de smartphones, 65% os utilizam para aprender mais sobre algo que viram em um comercial de TV. “As pessoas pegam o estímulo da televisão, que continua sendo mídia de massa, e vão nas plataformas para entender, validar, aceitar, aprofundar ou refutar aquele estímulo. 

O que é visto na TV hoje em dia continua pautando muito da nossa vida em relação ao conhecimento, mas por outro lado as pessoas estão o tempo todo conectadas, sejam real time ou após um evento, para entender o que está acontecendo”, finaliza Fábio Coelho.

 * A repórter viajou a São Paulo a convite do Google Brasil


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google

Crescimento da conexão mobile exige mudança estrutural nas empresas

"Diretora de Produtos e Inovação do Google para a América Latina, Flávia Verginelli, aponta a importância do profissional de user experience na construção de estratégias melhores."

 

*-\o/-* Por Roberta Moraes | 27/08/2015


Flávia Verginelli, Diretora de Produtos e Inovação do Google para a América Latina
O novo momento trazido pelo crescimento da conexão mobile, apontado em pesquisa pelo Google, exige uma mudança estrutural nos negócios. Se até pouco tempo atrás as grandes marcas se preocupavam em contratar os mais renomados arquitetos para transformarem seus espaços físicos a fim de encantarem seus clientes, hoje, o ambiente online também precisa de experts. 

Antes relegada ao segundo plano, a experiência proporcionada pelos sites pode ditar a eficiência da atividade, aumentando a conversão e, quem sabe, fidelizando os consumidores. E com o aumento dos acessos via smartphones, a conexão por meio dessas plataformas deve ser otimizada.

Com essa nova realidade, surge no mercado a necessidade de um novo profissional, aquele empenhado em transformar a visita em um site em algo agradável e com fácil navegação. Com a recente descoberta de que o tempo de visita nas páginas reduziu 9%, esse especialista precisará garantir que os canais sejam interessantes, tenham uso fácil, intuitivo e sejam confortáveis aos consumidores. 

Surge então a necessidade de especialistas em user experience, atividade que há cinco anos não tinha tanta procura no mercado. Esse profissional deve ser focado em tecnologia, a fim de desenvolver projetos inovadores, que facilitem a rotina dos usuários e, também, em design.

A percepção dos consumidores no ambiente online tem a capacidade de mudar o funil de vendas. Ao chegarem em uma loja física conectadas, as pessoas estão tomando decisões e mudando-as a todo instante, graças às informações que estão disponíveis na palma da mão. 

Isso quer dizer que uma simples pesquisa pode alterar a jornada de compra. Apesar de estar em crescimento e consolidação, algumas marcas já enxergaram a eficiência que os aparelhos móveis têm para os seus negócios, e que ultrapassa a estratégia de comunicação criando uma sinergia entre os ambientes físicos e virtuais.

A Starbucks, por exemplo, conseguiu levar mais eficiência para as lojas físicas ao criar um aplicativo que permite que os pedidos sejam feitos com antecedência, agilizando o processo ao identificar o cliente por geolocalização. “Depois de se posicionar como uma empresa de tecnologia que se monetiza com a venda de café, as ações da Starbucks na bolsa de valores tiveram um salto. 

A companhia entendeu a escala que pode ter com esses consumidores ao enxergar as possibilidades criadas pelos smartphones”, comenta Flávia Verginelli, Diretora de Produtos e Inovação do Google para a América Latina, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Mundo do Marketing: Como as novas tecnologias estão transformando o consumo e a relação das pessoas com as empresas?
Flávia Verginelli: Houve uma fragmentação muito grande no consumo das mídias. Antes, as pessoas tinham apenas um momento para terem acesso aos veículos. O fim do dia era destinado para assistir a um programa de TV, ler uma revista e isso mudou. Atualmente, durante o dia inteiro, as pessoas estão consumindo alguma coisa. 


Mas há o momento certo para as companhias se comunicarem com essas pessoas que estão conectadas o tempo todo, porque elas podem estar online, mas não estarem propensas a receber uma determinada mensagem de uma marca. 

E o que o Google quer é trazer relevância neste mundo segmentado, porque não acreditamos na interrupção pela interrupção. É preciso entregar um conteúdo de qualidade para o consumidor, no momento em que ele espera que isso aconteça.

Mundo do Marketing: Como as empresas estão aproveitando as ferramentas oferecidas pelo Google para atrair e engajar os consumidores?
Flávia Verginelli: Há diversas maneiras de entregar material que realmente seja importante para o internauta e, para isso, é importante perceber quando há uma intenção de consumo, de receber algo. Por exemplo, quando uma pessoa busca por “como fazer”, ela já sinaliza que quer algo e este é o momento de as empresas entregarem algo com relevância. 


E o papel do YouTube é muito importante para o How to e, não por acaso, o brasileiro é um dos principais públicos dessa ferramenta. A Sephora já entendeu essa característica e oferece vídeos de maquiagem, por exemplo, para consumidoras que estão procurando produtos de beleza. Essa é uma maneira de entregar um conteúdo relevante para o consumidor quando ele está sinalizando que está aberto a esse tipo de informação.

Mundo do Marketing: De que maneira o Google tem trabalhado para ser um aliado das marcas neste momento?
Flávia Verginelli: Se analisarmos este novo momento, veremos que a jornada de compra está diferente, pois, em geral, ela começa com a busca na internet. Ao fazer uma pesquisa no Google hoje, o internauta verá que a busca está mais rápida e mais inteligente. 

Hoje, temos a geolocalização, que identifica dentro do Maps qual a loja mais perto do usuário, a disponibilidade do estoque, que permite que o lojista abra o seu inventário dando mais informação ao cliente. Criamos ainda o botão click to call, que permite ao consumidor ligar para a loja apenas ao clicar no número do telefone. 

Dentro do próprio sistema de busca, o Google tem criado produtos que são quase imperceptíveis sob o ponto de vista do usuário, mas que permitem a ele ter uma melhor relação comercial com as organizações. O Brasil é muito importante para a empresa e estamos trabalhando para que os usuários daqui tenham a mesma experiência de uso dos norte-americanos.
      
Mundo do Marketing: Como capacitar as empresas para estarem preparadas e aproveitarem todas essas ferramentas?
Flávia Verginelli: As empresas são pautadas pelo consumo e pelo que as pessoas estão fazendo. O que tem acelerado esse processo é que hoje não existem barreiras para que negócios menores se tornem mais ágeis, porque a tecnologia barateou muito. 


Quando percebemos que estão acontecendo diversas transformações em vários segmentos, como na indústria do turismo e nos aplicativos para pedir táxi, percebemos que a tecnologia está melhorando a eficiência das empresas e facilitando o dia a dia dos consumidores. 

É por isso que investimos muito em pesquisas e estamos sempre abertos para conversar com as empresas e para ajudá-las a terem uma melhor relação com seus clientes.

Mundo do Marketing: Neste novo cenário, quais são as principais carências das marcas?
Flávia Verginelli: É preciso que haja um projeto de desenvolvimento de profissionais, porque o mercado depende de funcionários que estejam mais ambientados a este universo online. Vamos precisar de profissionais de user experience, que têm que agregar conhecimentos em tecnologia e design. 


Esse especialista deve estar preparado para olhar o ambiente online como principal espaço de consumo. Ele tem que ser responsável por garantir um tráfego ao site semelhante ao do ponto de venda de um shopping, com a diferença desse espaço estar aberto 24 horas nos sete dias da semana, disponível a um clique a qualquer dia e qualquer hora. 

Isso agregado a uma geração de Millennials, que nasceu neste ambiente digital, promete reforçar ainda mais essas mudanças, pois essa geração empurrará as empresas neste caminho sem volta. Ela não aceitará mais os modelos tradicionais.

Mundo do Marketing: Quais serão as habilidades desse profissional do futuro?
Flávia Verginelli: Ainda não sabemos qual será a profissão do futuro. E é por isso que veremos uma transformação na educação, pois esse estímulo terá que começar ainda na escola. 


Esses ambientes precisam estimular os jovens a serem mais inovadores, com inteligência emocional para lidarem com essas áreas cinzentas, com as transformações. 

O profissional do futuro é aquele capaz de lidar com as mudanças facilmente. Porque mudamos o tempo todo - seja a organização, o produto e até os consumidores.