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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Cibercriminosos de olho na biometria de caixas eletrônicos


Ana Rita Guerra, 
2016/09/27, 15:00
Postado em 27 de setembro de 2016 às 18h45m


Investigações da Kaspersky Lab revelam que a inclusão de autenticação biométrica em caixas eletrônicos está sendo vista por cibercriminosos como uma nova oportunidade de roubo de informações sigilosas.

A biometria é considerada pelas organizações financeiras uma das soluções mais promissoras na verificação de dados, e possível método a ser adotado em todos os terminais bancários. Envolve verificação de dados biológicos do cliente, como impressão digital, palma da mão e íris.

O método que os fraudadores usam para obter dados de cartões de crédito teve início com simples skimmers, isto é, dispositivos caseiros conectados ao terminal para roubar informações da fita magnética e o código PIN do cartão com ajuda de webcams ou teclados falsos. Ao longo do tempo, o design desses dispositivos foi aprimorado de modo a torná-los menos perceptíveis. 

Com a implementação de cartões de pagamento com chip e código, a clonagem foi dificultada. Porém, não foi impossibilitada, uma vez que a evolução também migrou para os golpes, ao serem criados os shimmers – artefatos muito parecidos, mas capazes de coletar informações suficientes do chip do cartão para realizar ataques de retransmissão online. Em resposta, o setor bancário tem usado novas soluções de autenticação, algumas baseadas na biometria.

De acordo com pesquisa realizada pela Kaspersky Lab no submundo do crime virtual, já existem pelo menos 12 vendedores oferecendo skimmers capazes de roubar impressões digitais das vítimas. E pelo menos três negociadores clandestinos estão pesquisando dispositivos para obter ilegalmente dados de sistemas de reconhecimento de impressões das palmas das mãos e da íris.

A primeira remessa de skimmers biométricos passou pela fase de testes pré-venda em setembro de 2015. Evidências coletadas pelos pesquisadores da Kaspersky Lab mostram que, durante avaliações iniciais, os desenvolvedores descobriram vários bugs. No entanto, o principal problema foi o uso de módulos GSM para a transferência de dados biométricos, considerada muito lenta para o grande volume de dados obtidos. Assim, novas versões dos skimmers usarão tecnologias de transferência de dados mais rápidas.

Também há sinais de discussões em comunidades secretas que indicam o desenvolvimento de aplicativos móveis baseados na colocação de máscaras sobre a face das pessoas. Com esse método, invasores podem pegar fotos de potenciais vítimas postadas nas mídias sociais e usá-las para enganar os sistemas de reconhecimento facial.

O problema da biometria é que, ao contrário das senhas ou dos códigos PIN que podem ser facilmente modificados quando afetados, é impossível alterar impressões digitais ou imagens de íris, explica Olga Kochetova, especialista em segurança da Kaspersky Lab. Ou seja, se suas informações forem comprometidas, este método de autenticação já não confiável. Por isso, é essencial manter seus dados protegidos e compartilha-los de modo seguro.

A especialista lembra que dados biométricos também são gravados nos passaportes eletrônicos e nos vistos. Se um invasor roubar este documento, além da certidão física, ele também terá os dados biométricos da vítima. A identidade da pessoa é roubada, avisa.

O uso de ferramentas capazes de comprometer dados biométricos não é a única ameaça virtual potencial aos caixas eletrônicos, segundo pesquisadores da empresa de segurança, uma vez que hackers continuarão realizando golpes como ataques baseados em malware, de caixa preta e de rede.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

BullGuard compra especialista em IoT Dojo Labs


Ana Rita Guerra, 
2016/08/17, 07:00
Postado em 26 de 2016 às 21h50m


A especialista em cibersegurança BullGuard anunciou a aquisição da Dojo Labs, uma empresa dedicada à segurança na Internet das Coisas (IoT).

Os termos do negócio entre a empresa britânica BullGuard e a startup israelense não foram revelados. Já este ano, a Dojo Labs foi nomeada Cool Vendor em casa conectada pelo Gartner, um reconhecimento das suas ofertas de segurança doméstica geridas através de um aplicativo e baseadas numa plataforma cloud com algoritmos proprietários de machine learning.

Mais de 4 bilhões de aparelhos de consumo estão conectados à internet, e este número está a crescer exponencialmente, refere Paul Lipman, CEO da BullGuard, no comunicado da aquisição. 

Até agora, a segurança e privacidade destes aparelhos tem sido essencialmente inexistente, deixando os nossos dados e posses mais preciosas expostos. O executivo sublinha que as duas empresas partilham a visão de 
resolver esta necessidade crítica do mercado.

Num estudo recente, patrocinado pela BullGuard, os investigadores salientaram a escala a que chegou este problema e os receios que as pessoas têm sobre a segurança dos seus aparelhos conectados. 

No Reino Unido, 66% dos inquiridos confessaram grande preocupação com a segurança destes aparelhos, enquanto 72% admitiu não saber como garantir a inviolabilidade. Nos Estados Unidos, 58% dos consumidores expressaram receios, enquanto 61% disse não saber como aplicar medidas de segurança a aparelhos IoT.

A promessa transformadora das casas inteligentes só pode ser concretizada quando o problema de segurança tiver sido resolvido, sublinha Yossi Atias, cofundador da Dojo Labs.

Com a aquisição da Dojo Labs, estamos entusiasmados para no futuro oferecermos o maior nível de proteção possível aos clientes em todos os aspetos das suas vidas conectadas”, acrescenta o CEO da BullGuard.

Allo, do Google, é menos seguro que o WhatsApp, diz Snowden


Leticia Cordeiro, 
2016/09/22, 13:00
Postado em 26 de setembro de 2016 às 21h25m


Ex-agente da SNA descreve o Allo como uma junção do Google Mail, Google Maps e Google Surveillance (vigilância) e é enfático: Não use o Allo.

O novo aplicativo de mensagens do Google, o Allo, que se integra com a assistente virtual baseada em inteligência artificial Google Assistent é uma ameaça à privacidade dos usuários, alega o ex-agente da agência de segurança norte-americana Edward Snowden. Em sua conta no Twitter, Snowden alerta que Allo, por padrão, é menos seguro que o WhatsApp, o que o torna perigoso para não-especialistas.


image: http://www.bitmag.com.br/wp-content/uploads/2016/09/Captura-de-Tela-2016-09-22-às-08.54.46-300x70.png
Snowden Twitter
Snowden é enfático: Liberado para download hoje: Google Mail, Google Maps e Google Surveillance (vigilância). Isso é o Allo. Não use o Allo. Ele recomenda, em seu lugar, o uso dos aplicativos Tor e Signal. 

O que é Allo? Um app do Google que registra toda mensagem que você mandar e a torna disponível quanto houver um pedido da polícia, complementa.

A grande questão é que, para fazer perguntas em linguagem natural ao assistente durante uma conversa no app de mensagem e obter respostas que facilitam a vida das pessoas, como por exemplo trazer diretamente para a janela da conversa informações sobre data, horário e preço dos ingressos para um show, sem que seja preciso sair do chat, o Allo coleta todos os dados da conversa e de seu usuário.

Obviamente, quanto maior a quantidade e a qualidade das informações coletadas, mais eficiente se torna o assistente. O problema? Essas informações são armazenadas sem criptografia, ao contrário do que acontece hoje com o WhatsApp e com o iMessage (da Apple), expondo assim todas as informações do usuário no caso de interceptações de órgãos de vigilância do governo e a ordens judiciais para quebra de sigilo, por exemplo.

A criptografia das mensagens do WhatsApp, vale lembrar, tornou inviável o cumprimento de ordens de quebra de sigilo de mensagens do aplicativo em investigações criminais autorizadas pela Justiça brasileira, o que levou inclusive à prisão de executivos do Facebook no Brasil e o bloqueio do app aqui no país em quatro ocasiões desde o ano passado.

Há uma opção nas configurações do Allo para impedir a coleta de dados, usando como anônimo, mas isso impede o uso do Google Assistent, o seu diferencial em relação a outros apps de mensagem.