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domingo, 10 de maio de 2020

Projeto que estuda proteínas se torna computador mais potente do mundo com contribuições para pesquisar coronavírus

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Folding@Home acumulou mais capacidade de processamento que os 500 maiores supercomputadores do mundo durante a pandemia. Entre contribuintes estão Amazon, Google, Nasa e a Globo. 
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 Por Thiago Lavado, G1    
 08/05/2020 11h00  Atualizado há 2 dias  
 Postado em 10 de maio de 2020 às 14h00m  

O cientista Greg Bowman, do projeto Folding@Home — Foto: Reprodução 
O cientista Greg Bowman, do projeto Folding@Home — Foto: Reprodução

Um projeto de estudo de proteínas criado na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, há quase 20 anos se tornou o computador com maior capacidade de processamento durante a pandemia de coronavírus.

Chamado de Folding@Home (lê-se folding at home), ele faz simulações dinâmicas sobre o funcionamento de proteínas, principalmente sobre como elas se dobram ou se mexem, daí o nome folding, em inglês.

O apoio cresceu durante a pandemia, com o projeto estudando também o coronavírus. Os vírus também têm proteínas, que são usadas para suprimir nosso sistema imunológico, o Folding@Home entrou no combate à pandemia para entender as propriedades virais do Sars-Cov-2 e como podemos desenvolver algum tipo de tratamento para a doença.
O objetivo aqui é entender como se comportam as proteínas na superfície do vírus, para encontrar moléculas e substâncias que possam interferir na funcionamento do vírus. Até agora, o Folding@Home já tem descobertas em doenças como fenilcetonúria e alguns processos de evolução do câncer.
Contra o coronavírus, o projeto começou a simular o comportamento da proteína S, usada pelo vírus para reconhecer um hospedeiro (a célula) e se fundir a ele ao entrar.
Esse tipo simulação gráfica demanda muito processamento de computadores, mas pode ajudar cientistas a entender como se comportam doenças complexas como Alzheimer ou câncer.

Para conseguir processar todas essas informações, a iniciativa utiliza processamento dividido entre vários computadores ao redor do mundo. É preciso baixar um aplicativo e permitir que ele use o computador para fazer cálculos e enviá-los para os servidores do Folding@Home.
Na semana passada, Greg Bowman, cientista diretor do Folding@Home, afirmou que 3,5 milhões de computadores já estavam conectados à iniciativa, somando mais de 19 milhões de núcleos de processamento e mais de 700 mil unidades de processamento gráfico.
Segundo Bowman afirmou ao portal Arstechnica, eram 30 mil voluntários usando o software em fevereiro e 400 mil em março.
O Folding@Home ganhou força pela primeira vez em 2007, quando a Sony permitiu que o sistema do PlayStation 3 contribuísse com a iniciativa. Mas houve declínio de popularidade desde então, até o surgimento do coronavírus.

Com muita gente em casa e empresas sem funcionários por causa de medidas de isolamento mundo afora, o número de computadores distribuídos pelo mundo que passaram a ajudar o projeto cresceu.
Folding@Home dá informações de quantos núcleos está usando e qual projeto o usuário está ajudando. — Foto: Reprodução 
Folding@Home dá informações de quantos núcleos está usando e qual projeto o usuário está ajudando. — Foto: Reprodução

É possível acompanhar isso pelo aumento na capacidade do projeto, que se tornou tão grande que superou os maiores supercomputadores do mundo.

Em março, Bowman já havia anunciado que a capacidade de processamento do projeto alcançou um exaflop — medida que serve para definir a capacidade de supercomputadores. Foi a primeira vez que essa medida foi alcançada e antes ainda de empresas gigantes desse setor, como IBM, Intel ou AMD.
Em abril, a adesão ao projeto foi tão alta que ele alcançou 2.4 exaflops, mais rápido do que os 500 maiores supercomputadores do mundo somados.
O termo "Flop" se refere a um cálculo matemático com ponto flutuante — um método de cálculo que os computadores usam em suas operações. Algumas atividades dependem muito de cálculos desse tipo, principalmente na pesquisa científica ou na previsão do tempo.

Empresas deixam computadores contribuindo
Alguams empresas também passaram a ajudar no processamento dos projetos. Na lista estão a Nasa, o acelerador de partículas LHC, a Petrobras, a fabricante de processadores gráficos Nvidia, o Google e até um time do youtuber de tecnologia Linus Tech Tips, que é a equipe com maior contribuição mensal atualmente no projeto.

A Globo também participa com computadores do time do Media Tech Lab, projeto que desenvolve soluções de tecnologia para serem aplicadas nos programas da emissora, e que por isso trabalha com computadores bastante potentes.

A iniciativa nasceu dentro do laboratório, com uma organização própria dos funcionários do Media Tech Lab. Atualmente o time está entre os 1,5 mil que mais contribuem para o Folding@Home — são mais de 250 mil ao todo. O ranking funciona como um estímulo para que as pessoas contribuam.

Alguns [dos computadores] estão sendo usados para processar remotamente nosso trabalho, mas outros estão vagos. A partir daí começamos a disponibilizar os computadores para esse processamento. Nosso grupo todo se mobilizou, explica Pablo Bioni, gerente de computação gráfica no Media Tech Lab.

Segundo Giulio Bottari, pesquisador sênior do Media Tech Lab, as pessoas que trabalham no laboratório ficaram sabendo da iniciativa voltada para a pesquisa sobre o coronavírus no Folding@Home e perceberam que os computadores do laboratório poderiam ajudar.

No começo, iniciamos com duas máquinas e depois foi crescendo, e o pessoal foi incluindo as máquinas de casa, conta. Agora, eles buscam outras pessoas interessadas em ajudar.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Cão robô reforça medidas de distanciamento social em parque de Singapura

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País possui mais de 21 mil casos de coronavírus, um dos maiores índices da Ásia. Por lá, violar as regras da quarentena pode resultar em multas e até prisão.  
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 Por Reuters    
 08/05/2020 17h35  Atualizado há 5 horas  
 Postado em 08 de maio de 2020 às 22h40m  

O cão robô Spot, da Boston Dynamics — Foto: Edgar Su/Reuters
O cão robô Spot, da Boston Dynamics — Foto: Edgar Su/Reuters

Um educado cão robô foi encarregado pelas autoridades de Singapura para ajudar a conter as infecções por coronavírus na cidade-estado pedindo que corredores e ciclistas mantenham distância entre eles.

O robô de quatro patas, movimentado por controle remoto e feito pela Boston Dynamics, foi usado pela primeira vez em um parque central nesta sexta-feira (8), como parte de um teste de duas semanas que pode se juntar a outros robôs que policiam os parques de Singapura durante o confinamento em todo o país.

"Vamos manter Singapura saudável", disse em inglês o robô amarelo e preto chamado Spot. "Para sua própria segurança e para os que estão ao seu redor, afaste-se pelo menos um metro. Obrigado", acrescentou, com uma voz feminina suave.
Apesar da educação, as violações das rígidas regras de quarentena de Cingapura podem resultar em pesadas multas e até prisão.
O robô Spot, da Boston Dynamics, patrula parque em Singapura durante a pandemia de coronavírus. — Foto: Edgar Su/Reuters 
O robô Spot, da Boston Dynamics, patrula parque em Singapura durante a pandemia de coronavírus. — Foto: Edgar Su/Reuters

A cidade-estado, com 5,7 milhões de habitantes, possui mais de 21 mil casos, um dos registros mais altos da Ásia, em grande parte devido a infecções em massa entre trabalhadores migrantes que vivem em dormitórios apertados em áreas pouco visitadas por turistas.

De acordo com as regras para manter a quarentena até 1º de junho, os residentes só podem deixar suas casas para tarefas essenciais, como ir ao supermercado, e devem usar uma máscara o tempo todo em público. Exercício ao ar livre é permitido, mas deve ser feito sozinho.

As autoridades responsáveis pelos testes mais recentes — as agências governamentais de tecnologia e segurança cibernética — disseram em comunicado que o SPOT pode se movimentar em terrenos mais difíceis em parques e jardins.
Além de transmitir mensagens lembrando aos visitantes as medidas de distanciamento social, o Spot é equipado com câmeras e ferramentas de análise para estimar o número de pessoas no parque.
As autoridades disseram que as câmeras não seriam capazes de identificar indivíduos ou gravar dados pessoais.

O Spot também foi recentemente testado para uso em um hospital temporário, levando medicamentos para os pacientes.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Microsoft oferece recompensa de US$ 100 mil para quem encontrar falhas em sua tecnologia de 'internet das coisas'

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Plataforma Azure Sphere inclui hardware, conectividade com nuvem e software baseado em Linux. 
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 Por Altieres Rohr    
 06/05/2020 15h46  Atualizado há 4 horas  
 Postado em 06 de maio de 2020 às 20h00m  

Hardware para desenvolvimento de software baseado na tecnologia Azure Sphere, da Microsoft — Foto: Divulgação 
Hardware para desenvolvimento de software baseado na tecnologia Azure Sphere, da Microsoft — Foto: Divulgação

A Microsoft anunciou um programa de "caça às falhas" voltado para sua plataforma de internet das coisas, o Azure Sphere. Os especialistas interessados devem se inscrever no site da Microsoft até o dia 15 de maio e participar do desafio entre os dias 1º de junho e 31 de agosto. Quem encontrar falhas e conseguir executar códigos não autorizados poderá receber até US$ 100 mil (cerca de R$ 540 mil) pela façanha.
Nos programas de recompensas por falhas, empresas pagam aos especialistas que conseguirem demonstrar vulnerabilidades em seus produtos.
Valores acima de US$ 50 mil são considerados muito atrativos nesse mercado e ficam normalmente reservados a brechas graves que comprometam de forma significativa a confiabilidade de um produto ou serviço.

Pelo menos inicialmente, o programa não estará aberto para todos – como outros programas de recompensas da própria Microsoft.

Uma curiosidade do Azure Sphere é que ele é baseado em um sistema Linux. Frequentemente visto como "concorrente" da Microsoft, o Linux e suas derivações são muito usados nos equipamentos conectados da "internet das coisas", como câmeras de segurança, gravadores de imagens e outros dispositivos com funções inteligentes.

Um dos desafios dos dispositivos da internet das coisas é a manutenção de software. Como esses dispositivos costumam ter limitações de capacidade de processamento e memória, os fabricantes constroem um software "sob medida" para melhorar a eficiência. O Linux permite essa moldagem por ser um sistema de código aberto – qualquer um pode adaptá-lo às suas necessidades.

Por outro lado, as atualizações de software – inclusive para fins de segurança – também exige um trabalho caso a caso. Um sistema alterado nem sempre pode receber as mesmas atualizações que outro.

A Azure Sphere da Microsoft pretende facilitar esse processo, criando um canal padronizado para a conectividade do sistema e distribuição de atualizações. Para isso, a plataforma conta com um hardware padronizado, com chip e funções de segurança próprias.

Interessados em participar do programa devem consultar os detalhes no site da Microsoft para se inscreverem até o dia 15 de maio. O formulário de inscrição questiona se o pesquisador tem conhecimento de Linux, processadores ARM, programação Assembly e internet das coisas.

Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com