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terça-feira, 20 de julho de 2021

China nega estar por trás de ataque cibernético contra Microsoft

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Grupo de países ocidentais acusou hackers patrocinados pelo Estado chinês estariam envolvidos no incidente, que afetou pelo menos 30 mil empresas.
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TOPO
Por BBC

Postado em 20 de julho de 2021 às 19h40m

  *.- Post.N. -\- 4.082 -.* 

EUA acusam China de hackear a Microsoft
EUA acusam China de hackear a Microsoft

A China criticou afirmações "infundadas" de que realizou um grande ataque cibernético contra a gigante da tecnologia Microsoft.

Um grupo de países ocidentais acusou a China de hackear o Microsoft Exchange — uma plataforma de email popular usada por empresas em todo o mundo.

A declaração conjunta acusou o Ministério de Segurança da China de minar a estabilidade e a segurança globais. A China sempre afirmou que se opõe a todas as formas de crimes cibernéticos.

Na segunda-feira (19/7), a Nova Zelândia se juntou ao grupo de países, incluindo Reino Unido, Estados Unidos e Austrália, ao culpar atores patrocinados pelo Estado chinês por "atividades cibernéticas maliciosas" no país, incluindo o ataque à Microsoft.

A embaixada chinesa em Wellington classificou as acusações de "infundadas e irresponsáveis". "O governo chinês é um defensor ferrenho da segurança cibernética", informou um comunicado publicado pela embaixada em resposta a um questionamento de repórteres. "Fazer acusações sem (provas) é malicioso."

A embaixada chinesa na Austrália reafirmou essas observações, descrevendo Washington como "o campeão mundial de ataques cibernéticos maliciosos".

Ataque em larga escala

O ataque contra a Microsoft afetou pelo menos 30 mil organizações em todo o mundo. O Exchange é uma plataforma de email usada por grandes corporações, pequenas empresas e órgãos públicos em todo o mundo.

A Microsoft culpou um grupo chinês de espionagem cibernética de explorar uma vulnerabilidade no Microsoft Exchange — que permitia a hackers acessarem remotamente as caixas de entrada de emails.

O grupo, conhecido como Hafnium, foi descoberto pelo Centro de Inteligência de Ameaças da Microsoft como patrocinado pelo Estado e operando na China.

Bandeiras da China e dos Estados Unidos em imagem de arquivo de encontro diplomático de representantes dos países em abril — Foto: Jason Lee/Reuters
Bandeiras da China e dos Estados Unidos em imagem de arquivo de encontro diplomático de representantes dos países em abril — Foto: Jason Lee/Reuters

Fontes de segurança ocidentais acreditam que o Hafnium obteve conhecimento prévio de que a Microsoft pretendia corrigir ou eliminar a vulnerabilidade e, portanto, a compartilhou com outros grupos baseados na China para maximizar o ataque antes de ela ser solucionada.

"Acreditamos que ciberoperadores trabalhando sob o controle da inteligência chinesa aprenderam sobre a vulnerabilidade da Microsoft no início de janeiro e estavam correndo para explorá-la antes que ela fosse amplamente identificada no domínio público", disse uma fonte de segurança à BBC.

O ataque sinalizou uma mudança de uma campanha de espionagem direcionada para uma ação destrutiva, levando a preocupações de uma escalada do comportamento cibernético chinês, de acordo com os serviços de segurança ocidentais.

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido disse que o governo chinês "ignorou repetidos apelos para encerrar sua campanha imprudente, permitindo que atores apoiados pelo Estado aumentem a escala de seus ataques e ajam de forma imprudente quando pegos".

A Casa Branca disse que se reserva o direito de tomar medidas adicionais contra a China por causa de suas atividades cibernéticas. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse a jornalistas que o governo chinês pode não ter executado os ataques, mas sim "protegendo aqueles que os estão cometendo. E talvez até os abrigando ao serem capazes de fazê-los".

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos também anunciou acusações criminais contra quatro hackers supostamente ligados ao Ministério de Segurança chinês que, segundo o governo americano, estavam vinculados a uma campanha de longo prazo cujo alvo era governos estrangeiros e entidades em setores-chave em pelo menos uma dúzia de países.

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segunda-feira, 19 de julho de 2021

Países invadiram smartphones de milhares de pessoas com programa de empresa de Israel, segundo consórcio de jornais

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Jornais afirmam que há uma lista de 50 mil smartphones que podem ter sido alvos de um software de espionagem chamado Pegasus. A lista foi descoberta por duas organizações sem fins lucrativos, a Forbidden Stories e a Anistia Internacional. 
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Por G1

Postado em 19 de julho de 2021 às 09h25m

  *.- Post.N. -\- 4.081 -.* 

Jornais afirmam que há uma lista de 50 mi smartphones invadidos pelo malware Pegasus  — Foto: Freestocks/Unsplash
Jornais afirmam que há uma lista de 50 mi smartphones invadidos pelo malware Pegasus — Foto: Freestocks/Unsplash

Jornalistas, grupos de ativistas e políticos de oposição de 50 países podem ter tido seus smartphones invadidos por um programa de espionagem chamado Pegasus.

Programas de computador que têm como função invadir outros computadores são conhecidos como malware. O Pegasus foi criado por uma empresa de Israel, o NSO Group. A história foi revelada no domingo (18) por jornais do Reino Unido e dos Estados Unidos.

Imagem de julho de 2020 de Hatice Cengiz, noiva do jornalista Jamal Khashoggi, que foi assassinado no consulado da Arábia Saudita em Istambul — Foto: Emrah Gurel/AP
Imagem de julho de 2020 de Hatice Cengiz, noiva do jornalista Jamal Khashoggi, que foi assassinado no consulado da Arábia Saudita em Istambul — Foto: Emrah Gurel/AP

O Pegasus é uma ferramenta extremamente invasiva, que pode ligar a câmera e o microfone do celular, bem como acessar dados do dispositivo, convertendo-o em um espião de bolso.

Em alguns casos, ele pode ser instalado sem a necessidade de enganar o usuário para que ele faça um download, que é a maneira mais comum de invadir um aparelho.

A empresa israelense vendeu o programa para governos de países. Supostamente, eram os clientes dessa empresa que decidiam quais eram os smartphones que seriam invadidos.

Já foram identificados mais de mil pessoas, em 50 países, que foram alvo do malware do NSO Group.

Entre eles, há 189 jornalistas, mais de 600 políticos ou dirigentes de governo, ao menos 65 executivos de empresas, 85 ativistas de direitos humanos e alguns líderes de Estado, segundo o "Washington Post". 
Como surgiu a história?

A Forbidden Stories, uma organização sem fins lucrativos de Paris, e a Anistia Internacional conseguiram uma lista de 50 mil números de telefones que podem ter sido invadidos pelo malware israelense.

As duas entidades procuraram um grupo de 16 jornais internacionais para formar um consórcio que tenta descobrir quem são as vítimas da espionagem.

É esse consórcio que conseguiu identificar os mil primeiros nomes e tenta chegar aos 50 mil da lista.

Não foi revelado como a Forbidden Stories teve acesso aos 50 mil números de smartphones que foram invadidos.

O consórcio acredita que os números da lista são alvos em potencial dos clientes do NSO.

Resposta da empresa

O NSO Group disse que o relatório da Forbidden Stories elabora teorias sem comprovação e é cheio de suposições erradas. A empresa nega que tenha mantido uma lista de alvos em potencial.

A empresa afirma que o Pegasus é vendido apenas para agências governamentais que são aprovadas e que é usado apenas para perseguir terroristas e grandes criminosos. Além disso, o NSO Group diz que não tem acesso aos dados de seus clientes.

A lista de clientes não é revelada. O NSO Group afirma que vende sua tecnologia somente para governos que são aprovados por Israel para identificar terroristas e acabar com redes de pedofilia e tráfico de drogas ou pessoas.

A empresa também afirma que o Pegasus ajudou a salvar milhares de vidas.

Fundado em 2010 pelos israelenses Shalev Hulio e Omri Lavie, o NSO tem sede no centro de alta tecnologia israelense de Herzliya, perto de Tel Aviv, e emprega centenas de pessoas em Israel e ao redor do mundo.

Jornalistas vítimas do malware

Entre os jornalistas que foram vítimas do programa israelense há pessoas que trabalham para as agências Associated Press e Reuters, para os jornais "The Wall Street Journal", "The Financial Times" e "Le Monde" e para a rede CNN.

O "Washington Post" identificou 37 números de smartphones de seus funcionários na lista. O "Guardian" encontrou o número de 15 de seus jornalistas.

A agência Associated Press identificou os números de dois repórteres.

A Anistia Internacional afirmou que na lista também consta o número de telefone de Hatice Cengiz, a noiva do jornalista Jamal Khashoggi, assassinado no consulado da Arábia Saudita em Istambul em 2018 (o smartphone dela foi incluído no rol quatro dias depois do assassinato).

Países mais afetados

Dos 50 mil smartphones da lista da Forbidden Stories e da Anistia Internacional, 15 mil são do México. Além do México, há muitos números da Arábia Saudita e de outros países do Oriente Médio.

Também há números da França, Hungria, Índia, Azerbaijão, Cazaquistão e Paquistão, entre outros.

O "Washington Post" informou que 15. mil números de telefone estavam no México e afetavam políticos, líderes sindicais, jornalistas e críticos do governo.

Há o número de um jornalista independente mexicano que foi assassinado semanas depois que seu smartphone foi adicionado à lista. Seu telefone nunca foi encontrado e não está claro se ele foi hackeado.

Os serviços de segurança marroquinos utilizaram o software espião para invadir o celular de quase 30 jornalistas e executivos de grupos de comunicação franceses, segundo a investigação.

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sábado, 17 de julho de 2021

O importante papel do 'escudo de silício' que protege Taiwan da China

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A relevância de Taiwan como produtor mundial de microchips fará a China pensar duas vezes antes de usar a força contra o país, o território insular que Pequim considera uma província rebelde.
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TOPO
Por Cristina J. Orgaz, BBC

Postado em 17 de julho de 2021 às 11h00m

  *.- Post.N. -\- 4.080 -.* 

Taiwan tem acesso à mais avançada tecnologia militar dos Estados Unidos — Foto: Getty Images via BBC
Taiwan tem acesso à mais avançada tecnologia militar dos Estados Unidos — Foto: Getty Images via BBC

A pequena ilha de Taiwan, que não chega ao tamanho de Cuba, vive olhando para seu eterno inimigo.

A apenas 180 quilômetros de distância de suas fronteiras fica a República Popular da China, com quem compartilha a mesma língua e os mesmos ancestrais, mas que tem um regime político diferente.

De um lado do estreito, Pequim lidera um país comunista de 1,3 bilhão de habitantes sob o comando de um partido único.

Do outro, Taipei administra uma república democrática de 23 milhões de habitantes.

A disputa que ambos os países travam desde 1949 privou Taiwan de acesso a organizações internacionais e confere a ele um status indefinido e reconhecimento internacional limitado.

Na verdade, apenas 15 países no mundo reconhecem o território como um estado soberano, enquanto a China reivindica a ilha como parte de seu domínio e a considera uma província rebelde.

Em 2005, o Partido Comunista chinês aprovou uma lei antissecessão que prevê seu direito de recorrer a "medidas não pacíficas" contra Taiwan se a ilha tentar se separar da China continental.

Desde então, se Taiwan declarasse independência, poderia ser alvo de um ataque militar.

Após anos de hostilidade e tensão, contudo, a ilha encontrou uma estratégia que contribui para sua sobrevivência nacional neste conflito assimétrico: o chamado "escudo de silício", que tem usado para afastar o fantasma de uma invasão chinesa.

Trata-se de uma "arma" que ninguém consegue replicar a médio ou longo prazo dado o seu nível de complexidade. É a indústria de chips semicondutores, do qual o silício é matéria-prima e de que dependem desde as fabricantes de aviões de combate até o setor de painéis solares, passando pelo segmento de videogames e instrumentos médicos.

A BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, conversou com Craig Addison, o jornalista que cunhou o termo com a publicação de seu livro Silicon Shield: Taiwan's Protection Against Chinese Attack"(Escudo de Silício: Proteção de Taiwan contra Ataque Chinês").

Os chips são o 'cérebro' de qualquer dispositivo eletrônico — Foto: Getty Images via BBC
Os chips são o 'cérebro' de qualquer dispositivo eletrônico — Foto: Getty Images via BBC

BBC News Mundo - Como podemos explicar o que é o "escudo de silício"?

Craig Addison - Significa que a posição de Taiwan como líder mundial na fabricação de chips semicondutores avançados atua como um elemento de dissuasão para a ação militar chinesa.

O impacto de uma guerra nesta parte do mundo seria tão grande que a China pagaria um preço muito alto, incluindo graves danos à sua própria economia.

O gigante asiático, como o resto da economia mundial, depende de chips super sofisticados fabricados em Taiwan.

Essas pequenas peças são feitas com semicondutores, ou seja, circuitos integrados feitos geralmente de silício.

BBC News Mundo - Do que isso protege Taiwan?

Addison - O escudo de silício é semelhante ao conceito de MAD (sigla em inglês para "destruição mútua assegurada") da Guerra Fria, porque qualquer ação militar no estreito de Taiwan seria tão prejudicial para a China quanto para Taiwan e os Estados Unidos.

De modo que, com efeito, evita o início do conflito e protege o pequeno território de um ataque militar ordenado por Pequim.

O custo de tal ação seria tão alto, não apenas para o mundo, mas para a própria China, que o governo de Xi Jinping teria que pensar duas vezes antes de dar a ordem.

BBC News Mundo - Há algum exemplo na história recente do impacto desta proteção?

Addison - O fato de o governo chinês não ter conseguido levar adiante sua intenção declarada de tomar Taiwan à força se necessário mostra que o "escudo de silício" está funcionando.

Se Taiwan não fosse um fornecedor tão importante de tecnologia para o mundo, é possível que a China já tivesse tomado medidas para ocupar o território.

Na crise dos mísseis no estreito de Taiwan em 1996, os Estados Unidos enviaram dois grupos de porta-aviões de guerra para dissuadir exercícios militares chineses em direção a Taiwan, que incluíam o disparo de mísseis.

Este é um exemplo específico dos interesses que existem para que um ataque não aconteça.

BBC News Mundo - Os Estados Unidos estão de qual lado do conflito então?

Addison - A maioria dos especialistas militares concorda que a China não tem capacidade militar para lançar um ataque em grande escala contra Taiwan.

Em seu depoimento perante o Congresso dos Estados Unidos em junho, o general Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto, disse que um ataque seria "extraordinariamente complicado e caro" para a China.

Ao decidir lançar uma ação militar contra Taiwan, a China também deve considerar se os Estados Unidos vão sair em defesa da ilha.

É difícil acreditar que os Estados Unidos ficariam de braços cruzados e deixariam a China assumir o controle de Taiwan à força.

BBC News Mundo - Por quê?

Addison - Além da enorme perturbação que traria para a cadeia de suprimentos de alta tecnologia global e para a própria economia americana, uma invasão daria à China o controle sobre as fábricas de chips mais avançadas do mundo.

E o gigante asiático se apoderaria das avançadas armas de guerra que Washington vendeu a Taipei ao longo dos anos.

Alguém acredita que os Estados Unidos vão ficar de braços cruzados e deixar que isso aconteça?

BBC News Mundo - Os Estados Unidos mantiveram a mesma política em relação a Taiwan com todos os presidentes?

Addison - Quando o presidente Jimmy Carter estabeleceu unilateralmente relações diplomáticas com Pequim em 1979 e cortou relações oficiais com Taiwan, o Congresso aprovou a Lei de Relações com Taiwan, que autoriza a venda de armas para a ilha.

A política dos EUA em relação a Taiwan continua sendo de "ambiguidade estratégica", o que significa que não declara publicamente se defenderá ou não Taiwan caso seja atacado. Isso torna mais difícil para a China planejar qualquer estratégia militar.

Em 2001, o presidente George W. Bush disse que faria "o que for necessário" para proteger Taiwan de um ataque chinês. No entanto, a maioria dos demais presidentes americanos não diz nada publicamente, embora suas ações falem mais alto do que palavras.

Como mencionei antes, na crise dos mísseis do estreito de Taiwan em 1996, o presidente Bill Clinton ordenou que dois porta-aviões de guerra monitorassem os exercícios bélicos chineses, enviando uma mensagem contundente a Pequim.

O governo Trump estabeleceu laços militares mais estreitos com Taiwan, incluindo a autorização da venda de armas modernas para Taipei.

E essa política de laços mais estreitos tem continuado sob a gestão do presidente Joe Biden.

No início de junho, uma delegação de senadores americanos chegou a Taiwan em um Boeing C-17 como parte do programa de doação de vacinas contra Covid-19 de Biden.

O pouso de um avião militar gigante dos EUA em um aeroporto de Taiwan foi visto pela China como mais um sinal do apoio de Washington ao pequeno território.

BBC News Mundo - O que a escassez de microchips semicondutores no mercado tem a ver com Taiwan?

Addison - A escassez de semicondutores começou no setor automotivo, porque os fabricantes calcularam mal a rapidez com que a demanda se recuperaria após a pandemia de covid.

Em um primeiro momento, eles cancelaram seus pedidos de chips, e depois perceberam que precisavam entrar no fim da fila para fazer um novo pedido.

Mais tarde, a escassez se estendeu a outros produtos eletrônicos, incluindo laptops e consoles de videogames, que estavam em alta demanda devido aos confinamentos impostos em todo o mundo.

Taiwan, sendo um grande fornecedor de chips para esses produtos, se tornou o gargalo na cadeia de abastecimento global.

BBC News Mundo - Qual foi a resposta do país?

Addison - Em resposta à escassez, a companhia Taiwan Semiconductor Manufacturing Co (TSMC), que fornece um quarto dos chips do mundo, está investindo em uma nova capacidade de produção, mas essa é uma solução de longo prazo.

No curto prazo, adotou uma política de dar prioridade a pedidos "reais" de compradores de chips com necessidades imediatas, em vez de atender clientes que estão "reservando o dobro" para cobrir suas provisões durante a escassez.

BBC News Mundo - Qual é o papel da empresa TSMC neste equilíbrio geopolítico?

Addison - A TSMC tentou ser a Suíça da indústria de chips, ou seja, permanecer neutra, mas essa estratégia chegou ao fim.

A empresa teve que ficar do lado dos Estados Unidos na guerra comercial com a China, aceitando as sanções que Washington impôs à gigante da tecnologia chinesa Huawei Technologies Co.

Na verdade, a TSMC não tinha muita opção porque a maioria de seus clientes (62%, de acordo com seu relatório anual de 2020) são da América do Norte.

Suas vendas são provenientes de empresas como Apple, Nvidia e Qualcomm, e apenas 17% das vendas naquele ano foram para a China (incluindo a Huawei).

Por sua vez, a TSMC também depende de empresas americanas como a Applied Materials, Lam Research e KLA, que fabricam as máquinas para fazer os microchips. Sendo assim, não pode ir contra a vontade dos EUA ou corre o risco de ser proibida de ter acesso a essa tecnologia.

É por isso que dizem que a TSMC é uma empresa taiwanesa com "alma" americana, porque seu fundador (Morris Chang) e a maioria de conselheiros e altos executivos fizeram faculdade lá e tiveram longas carreiras em empresas americanas.

Na verdade, muitos deles são cidadãos americanos.

BBC News Mundo - Há algum país que seja tecnologicamente autossuficiente?

Addison - Nenhum país é autossuficiente em todos os aspectos da tecnologia e, definitivamente, não em semicondutores.

Nas últimas décadas, a indústria de semicondutores se tornou fragmentada e várias etapas da cadeia de suprimentos são realizadas em diferentes locais ao redor do mundo e por diferentes empresas.

O design do chip é feito principalmente nos Estados Unidos, a placa é fabricada em Taiwan e a montagem e os testes do chip são realizados na China ou no Sudeste Asiático.

BBC News Mundo - O que está por trás da decisão da TSMC de construir uma nova fábrica no Arizona (EUA) para fabricar chips para a indústria militar americana?

Addison - O governo dos EUA pressionou a TSMC a investir na construção de uma fábrica de placas no Arizona.

Não foi uma decisão inteiramente impulsionada pela Defesa.

É verdade que o exército americano quer garantir um fornecimento seguro de chips em uma instalação em seu próprio território depois que o "fornecedor confiável" do Departamento de Defesa, a GlobalFoundries, que possui fábricas de placas nos Estados Unidos, ficou para trás na corrida tecnológica.

Portanto, o Departamento de Defesa se beneficiará da decisão da TSMC de construir uma fábrica de placas avançadas no Arizona.

Mas acredito que os principais beneficiários das novas fábricas da TSMC serão os grandes clientes americanos como Apple, Qualcomm e Nvidia.

Agora eles poderão ficar mais tranquilos ​​sabendo que podem obter algumas peças-chave no país e não depender de Taiwan para tudo.

BBC News Mundo - A China está desenvolvendo planos para se tornar uma potência na fabricação de chips. Quanto tempo levará para conseguir se livrar da dependência de Taiwan?

Addison - A China não é o único país que quer se livrar da dependência de Taiwan.

Isso também se aplica aos EUA, Europa e Japão.

Dito isso, a autossuficiência na produção de semicondutores, se isso incluir toda a cadeia de suprimentos, desde o design dos chips até a fabricação de placas, é impossível na prática.

Mesmo que fosse tecnicamente possível, o custo de alcançá-la seria proibitivo para qualquer país.

Isso não se aplica apenas à China, mas também aos Estados Unidos. Portanto, nesse sentido, tudo que se fala sobre autossuficiência da China é ilusório.

O que a China está tentando alcançar em seu chamado impulso de "autossuficiência" é reduzir sua dependência de chips importados, o que significa que quer poder fabricar seus chips em casa.

Mas essas fábricas de placas chinesas ainda terão que depender de tecnologia estrangeira para fazer chips, e essa situação não mudará nas próximas décadas.

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