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domingo, 9 de novembro de 2025

Como descobrir se o vídeo que você está vendo é real ou gerado por IA

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O avanço das ferramentas de inteligência artificial possibilitou a criação e edição de vídeos cada vez mais sofisticados. Como — e até quando — poderemos identificar quando uma imagem é real ou criada por IA?
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TOPO
Por Thomas Germain

Postado em 09 de Novembro de 2.025 às 06h00m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
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Vídeos borrados e pixelados podem esconder inconsistências criadas pela inteligência artificial e enganar as pessoas com mais facilidade — Foto: Getty Images via BBC
Vídeos borrados e pixelados podem esconder inconsistências criadas pela inteligência artificial e enganar as pessoas com mais facilidade — Foto: Getty Images via BBC

Pronto! Está chegando a sua vez de ser enganado. Talvez você até já tenha sido.

Nos últimos seis meses, os geradores de vídeo por inteligência artificial (IA) ficaram tão bons que a nossa relação com as câmeras está azedando.

Isso é o que vai acabar acontecendo alguma hora, na melhor das hipóteses: você será enganado várias vezes, até que não aguentará mais e passará a questionar tudo o que vê. Bem-vindo ao futuro!

Mas, por enquanto, ainda existem alguns sinais de alerta para identificar quando um vídeo é real ou não.

Um desses pontos se destaca. Se você assistir a um vídeo com baixa qualidade de imagem (filmagem borrada ou granulada), pode ligar o seu "desconfiômetro": você pode estar assistindo a um vídeo gerado por IA.

"É um dos primeiros pontos que procuramos", afirma o professor de Ciências da Computação Hany Farid, da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos. Ele é pioneiro no campo forense digital e fundador da empresa de detecção de deepfakes (imagens falsas) GetReal Security.

É verdade que as ferramentas de vídeo com IA ficarão cada vez melhores e este conselho, em breve, será inútil. Poderá levar meses ou, talvez, anos. É difícil dizer, desculpe!

Mas, se você navegar pelas nuances desse assunto comigo por um minuto, esta dica pode evitar que você assista a algum lixo criado com IA, até aprender a mudar a forma em que você encara a verdade.

Sejamos claros. Não se trata de uma prova concreta. A verdade é que os vídeos de IA não costumam ter má qualidade. As melhores ferramentas de IA podem fornecer clipes bonitos e sofisticados. E os clipes de baixa qualidade também não são, necessariamente, feitos com IA.

"Se você observar algo realmente com má qualidade, isso não significa que ela seja fake. Não há nenhum significado nefasto nisso", afirma o professor Matthew Stamm, chefe do Laboratório de Segurança da Informação e Multimídia da Universidade Drexel, nos Estados Unidos.

A questão, na verdade, é que os vídeos de IA borrados e pixelados são aqueles com maior probabilidade de nos enganar, pelo menos por enquanto. Eles são um sinal para observarmos mais de perto o que estamos assistindo.

Brasileiro imita vídeos gerados por inteligência artificial e viraliza nas redes
Brasileiro imita vídeos gerados por inteligência artificial e viraliza nas redes

"Os principais geradores de texto para vídeo como o Veo, da Google, e o Sora, da OpenAI, ainda produzem pequenas inconsistências", explica Farid. "Mas não são mãos com seis dedos ou texto truncado. É algo mais sutil."

Mesmo os modelos mais avançados de hoje em dia, muitas vezes, introduzem problemas como texturas de pele excepcionalmente macias, padrões estranhos ou inconstantes dos cabelos e das roupas ou pequenos objetos de fundo que se movem de formas impossíveis ou não realistas.

Tudo isso passa facilmente despercebido. Mas, quanto mais clara for a imagem, maior é a probabilidade de observarmos esses sinais de erros de IA. Daí vem a vantagem dos vídeos de menor qualidade.

Quando você pede à IA algo que pareça ter sido filmado em um telefone antigo ou em uma câmera de segurança, por exemplo, ela pode esconder os itens que poderiam revelar se tratar de inteligência artificial.

Nos últimos meses, alguns vídeos populares criados por IA enganaram inúmeras pessoas. E todos eles tinham um ponto em comum.

Um vídeo falso, mas divertido, de coelhos silvestres pulando sobre um trampolim teve mais de 240 milhões de visualizações no TikTok.

Vídeos feitos com IA do Google bombam nas redes sociais
Vídeos feitos com IA do Google bombam nas redes sociais

Milhões de pessoas românticas online clicaram no botão de "curtir" em um clipe que mostrava duas pessoas se apaixonando no metrô de Nova York, nos Estados Unidos. Elas enfrentaram a mesma decepção quando se descobriu que o vídeo era fake.

Eu mesmo caí em um vídeo viral de um pastor americano, em uma igreja conservadora, dando um sermão surpreendentemente de esquerda.

"Os bilionários são a única minoria de quem devemos ter medo", berrava ele, com sotaque do sul dos EUA. "Eles têm o poder de destruir este país!"

Fiquei perplexo. Será que as nossas fronteiras políticas realmente desapareceram?

Não. Era simplesmente IA.

Resolução, qualidade e duração

O ponto em comum é que todos esses vídeos pareciam ter sido filmados de forma rudimentar.

Os coelhos de IA foram apresentados como uma filmagem feita à noite, por câmeras de segurança baratas.

O casal no metrô? Pixelado. O pastor imaginário? O vídeo parecia ter sido filmado de longe demais, com forte zoom.

E estes não eram os únicos sinais de alerta desses vídeos.

"Os três pontos que você deve observar são a resolução, a qualidade e a duração", segundo Farid. Vamos começar pela duração, que é o mais fácil.

"Na sua maioria, os vídeos de IA são muito curtos, menores até que os clipes que costumamos observar no TikTok ou no Instagram, de cerca de 30 a 60 segundos. A imensa maioria dos vídeos que me solicitam verificar tem seis, oito ou 10 segundos de duração."

Conheça o Sora, gerador de vídeos realistas da dona do ChatGPT
Conheça o Sora, gerador de vídeos realistas da dona do ChatGPT

Isso ocorre porque gerar vídeos com IA é caro. Por isso, a maior parte das ferramentas oferece, no máximo, clipes curtos.

Além disso, quanto mais longo for o vídeo, maior a probabilidade de que a IA apresente falhas.

"Você pode costurar diversos vídeos de IA, mas irá observar um corte a cada cerca de oito segundos", explica Farid.

Os outros dois fatores — a qualidade e a resolução — apresentam relação entre si, mas são diferentes.

A resolução indica o número ou o tamanho dos pixels em uma imagem. E o processo de compressão reduz o tamanho de um arquivo de vídeo, extraindo seus detalhes. Muitas vezes, ela deixa para trás padrões de blocos e extremidades borradas.

Na verdade, Farid afirma que os fakes de baixa qualidade são tão convincentes que os criadores mal intencionados degradam seu trabalho de propósito.

"Se eu estiver tentando enganar as pessoas, o que faria? Eu geraria meu vídeo fake, reduziria a resolução de forma que você ainda pudesse assistir, mas retirando todos os pequenos detalhes. Depois, eu acrescentaria compressão, que ofuscaria ainda mais os possíveis sinais."

"Esta é uma técnica comum", segundo ele.


Quando você pede à IA algo que pareça ter sido filmado em uma câmera de segurança, ela consegue esconder os sinais que poderiam denunciar às pessoas que se trata de inteligência artificial — Foto: Getty Images via BBC

A questão é que, neste exato momento, as gigantes da tecnologia estão gastando bilhões de dólares para tornar a IA ainda mais realista.

"Tenho más notícias", explica Stamm. "Estas dicas visuais, agora, estão aqui, mas deixarão de existir muito em breve."

"Prevejo que essas indicações visuais desaparecerão dos vídeos em até dois anos, pelo menos as mais óbvias, pois elas já evaporaram de grande parte das imagens geradas por IA. Você simplesmente não pode confiar nos seus olhos."

Mas isso não significa que a verdade seja uma causa perdida. Quando pesquisadores como Farid e Stamm verificam um conteúdo, eles contam com técnicas mais avançadas à sua disposição.

"Quando você gera ou modifica um vídeo, ele deixa para trás pequenos traços estatísticos que os nossos olhos não conseguem ver, como impressões digitais na cena de um crime", explica Stamm. "Estamos observando o surgimento de técnicas que podem nos ajudar a observar e expor essas impressões digitais."

Às vezes, a distribuição de pixels em vídeos falsos pode ser diferente da real, por exemplo, mas fatores como estes não são infalíveis.

As empresas de tecnologia também estão desenvolvendo novos padrões para verificar informações digitais. Basicamente, as câmeras poderão embutir informações no arquivo no momento em que criarem uma imagem, para ajudar a comprovar que ela é real.

Com o mesmo instrumento, as ferramentas de IA poderão acrescentar detalhes similares aos seus vídeos e imagens automaticamente, o que irá comprovar que elas são falsas. Stamm e outros especialistas afirmam que estas medidas podem ajudar.

A solução real, segundo o especialista em alfabetização digital Mike Caulfield, é começar a pensar diferente sobre aquilo que observamos online.

Procurar as indicações que a IA deixa para trás não é um conselho duradouro porque essas dicas estão sempre mudando, segundo ele. Em vez disso, Caulfield afirma que precisamos abandonar a ideia de que os vídeos ou imagens têm qualquer significado, quando estão fora de contexto.

"Meu ponto de vista é que, a longo prazo, o vídeo ficará mais parecido com o texto, a proveniência [a origem do vídeo] será mais importante que as características superficiais e podemos também nos preparar para isso", explica ele.


Para evitar cair em vídeos falsos na era das imagens geradas por IA, é preciso ter sempre em mente qual a origem do conteúdo, quem o postou, qual o seu contexto e se ele foi verificado por uma fonte de confiança — Foto: Getty Images via BBC

Você nunca olha para um texto e considera que ele é verdadeiro simplesmente porque alguém o escreveu. Se houver alguma dúvida, você irá investigar a fonte da informação.

Vídeos e imagens costumavam ser diferentes, pois a sua manipulação e falsificação era mais difícil. Agora, isso acabou.

Atualmente, tudo o que interessa é de onde veio aquele conteúdo, quem o postou, qual o contexto e se ele foi verificado por uma fonte de confiança. A questão é quando, ou mesmo se, todos nós iremos aceitar este fato.

"Se eu puder ser um tanto pomposo, acho que este é o maior desafio de segurança da informação do século 21", afirma Stamm. "Mas este problema surgiu há apenas alguns anos."

"O número de pessoas trabalhando para resolvê-lo é comparativamente pequeno, mas vem crescendo rapidamente. Precisaremos de uma combinação de soluções, educação, políticas inteligentes e abordagens tecnológicas, tudo trabalhando em conjunto."

"Não estou preparado para perder a esperança."

* Thomas Germain é jornalista da BBC, especializado em tecnologia. Ele escreve há quase uma década sobre inteligência artificial, privacidade e os confins mais profundos da cultura da internet. Seu usuário é @thomasgermain no X (antigo Twitter) e no TikTok.

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sábado, 8 de novembro de 2025

Agentes de IA são aposta de empresas, e quem domina a tecnologia pode ganhar até R$ 20 mil; veja como entrar

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Profissionais dessa área criam programas que executam tarefas e tomam decisões sozinhos, para aumentar eficiência e produtividade no trabalho.
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Por Darlan Helder, g1

Postado em 08 de Novembro de 2.025 às 06h00m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
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Agentes de IA viram aposta das empresas, e quem domina a tecnologia pode ganhar até R$ 20
Agentes de IA viram aposta das empresas, e quem domina a tecnologia pode ganhar até R$ 20

"Quem sabe criar e colocar agentes de IA em funcionamento hoje é muito valorizado. Digo isso por experiência própria", diz João Gama, de 19 anos, técnico em análise júnior em uma empresa de aluguel de veículos.

🔎 Agentes de inteligência artificial são programas que executam tarefas automaticamente, como realizar compras ou reservar restaurantes sozinhos. Nas empresas, eles tornam processos mais ágeis, eficientes e produtivos (saiba mais abaixo).

O mercado de agentes ainda é novo — tanto que nem existem cargos definidos para essa função —, mas vem evoluindo com os investimentos crescentes das empresas.

"O setor já pensa em criar funções especializadas para a área, como especialistas em agentes autônomos (criação) e auditores de agentes, responsáveis por ética e segurança", explica Evellyn Cid, professora de novas tecnologias da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP).

Para Raphael Bozza, diretor de RH do iFood, "nos próximos três meses, veremos surgir muitos cargos voltados ao trabalho com agentes de IA. Essas pessoas já existem e atuam na prática, mas a função ainda não tem um título formal".

Especialistas afirmam que trabalhar com IA, no geral, continua sendo um bom negócio e que os salários seguem em alta.

No Brasil, a remuneração média na área começa em R$ 3,5 mil e pode chegar a R$ 20 mil em regime CLT, segundo levantamento da Catho feito a pedido do g1.

Já o Guia Salarial 2026 da consultoria Robert Half mostra que um especialista em IA e "machine learning" (quando as máquinas aprendem analisando grandes quantidades de dados) ganha de R$ 17,9 mil a R$ 23,5 mil. E um engenheiro de IA pode receber entre R$ 19,5 mil e R$ 27,1 mil (CLT).

🔎 E onde eu posso trabalhar com IA? Em empresas de qualquer setor que estejam investindo na tecnologia: varejo, finanças, alimentos, bebidas, educação, finanças, comunicação, entre outras.

Apesar dos salários altos, a área ainda enfrenta um grande desafio: a falta de profissionais qualificados. "A demanda por especialistas em IA só cresce há mais de cinco anos, com média anual acima de 20%. No cenário global, pode passar de 30%", diz Cleber Zanchettin, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e estudioso de IA.

Ainda segundo ele, muitas pessoas que implementam IA ainda não têm formação de base suficiente, reforçando a necessidade de profissionais capacitados. "Mesmo que a IA esteja automatizando algumas tarefas, ela também cria novos desafios complexos, que exigem pessoas especializadas para resolver", completa Zanchettin.

🔎O que são agentes de IA

Agente do ChatGPT reserva restaurante, faz compra, mas erra ao insistir demais
Agente do ChatGPT reserva restaurante, faz compra, mas erra ao insistir demais

Agentes são sistemas de IA generativa, baseados em grandes modelos de linguagem (LLMs), capazes de criar respostas e executar tarefas de forma autônoma, tomando decisões de acordo com as metas definidas por quem os criou.

🔎 O que é Inteligência artificial generativa (ou GenAI): é a tecnologia que deu origem ao ChatGPT. Além de conversar com o usuário, podendo tirar dúvidas gerais, essa IA cria conteúdos, imagens, vídeos e músicas.

Os agentes podem, por exemplo, automatizar consultas de clientes com chatbots, analisar comentários e dados de vendas para identificar padrões em uma loja ou, em obras, avaliar clima, equipe e materiais para ajustar cronogramas da construção.

No iFood, um agente auxilia o time de RH na gestão de indicações de candidatos. O sistema analisa currículos, compara habilidades e cruza dados com as vagas abertas para sugerir as mais compatíveis, explica Raphael Bozza, diretor de RH da empresa.

No fim, para as empresas, eles aumentam a produtividade, reduzem custos e melhoram a experiência do cliente. Eles podem ser usados tanto em processos internos quanto como produtos para o consumidor final.

Amazon, Google, Microsoft, OpenAI e IBM, que lideram o mercado de IA, já oferecem tecnologias para criar agentes personalizados. "Os humanos estabelecem metas, mas um agente de IA escolhe de forma independente as melhores ações para atingi-las", resume a Amazon.

Eles também já estão disponíveis para usuários comuns. Neste ano, a OpenAI liberou para todos os assinantes do ChatGPT seu agente, capaz de reservar restaurantes, fazer compras e executar outras tarefas sozinho.

🤖 O que faz um profissional de agente de IA

João Gama, de 19 anos, trabalha com agentes de IA em uma empresa de aluguel de veículos. — Foto: Arquivo pessoal
João Gama, de 19 anos, trabalha com agentes de IA em uma empresa de aluguel de veículos. — Foto: Arquivo pessoal

O g1 conversou com dois profissionais que atuam com agentes de IA: João Gama, de 19 anos, e Evellyn Nicole, de 22.

João, citado no início desta reportagem, é técnico em análise júnior com foco em automação e diz ganhar R$ 3.600 por mês. Evellyn atua como engenheira de IA pleno em uma empresa do setor elétrico e preferiu não revelar quanto ganha.

O trabalho dos dois consiste em usar agentes de IA para tornar os processos internos mais eficientes.

João foi um dos responsáveis por desenvolver um agente que analisa automaticamente as fichas de inspeção dos veículos e identifica problemas na frota, como vazamentos de óleo, na locadora onde trabalha.

A ferramenta envia alertas à equipe, eliminando a necessidade de uma análise manual. "O sistema ajuda a detectar falhas rapidamente e torna as decisões mais ágeis", explica o jovem.

Formada em inteligência artificial pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Evellyn Nicole desenvolve agentes que automatizam tarefas repetitivas, ajudando analistas e gestores a economizar tempo e focar nas atividades mais importantes.

Ela se dedica a criar robôs que entendem perguntas simples e buscam as respostas no banco de dados da empresa.

Assim, qualquer pessoa pode digitar, por exemplo, "quanto vendi hoje?" e receber a resposta na hora, sem precisar programar. Esses agentes funcionam como tradutores: interpretam a pergunta e apresentam o resultado de forma clara.

Evellyn Nicole, de 22 anos, é engenheira de IA. — Foto: Arquivo pessoal
Evellyn Nicole, de 22 anos, é engenheira de IA. — Foto: Arquivo pessoal

Os dois profissionais veem a área como promissora e em rápida expansão. Evellyn destaca as chances de crescimento no mercado como um dos pontos que mais a atraem.

Já João, que ainda cursa sistemas de informação, diz acompanhar de perto as tendências da área e vê na IA uma possibilidade de construir uma carreira sólida.

"Quem domina a criação desses sistemas tende a se destacar profissionalmente, já que ainda tem poucas pessoas preparadas na área", diz João. Segundo ele, trabalhar com agentes é uma hard skill, ou seja, uma habilidade técnica, cada vez mais valorizada no mercado.

Os dois, contratados em regime CLT, dizem estar satisfeitos com a carreira em IA e destacam o modelo de trabalho. João atua em formato híbrido, indo ao escritório três vezes por semana, o que, segundo ele, "equilibra a vida profissional e pessoal". Já Evellyn trabalha 100% em home office.

"Já recebi propostas para trabalhar no modelo híbrido com salário melhor, mas preferi o conforto do home office", afirma Evellyn.

Entre os desafios, eles citam que a área muda em ritmo acelerado, com novidades surgindo quase todos os dias. Por ser um campo ainda novo e com poucos especialistas, muitos profissionais se sentem sozinhos nesse universo. Eles também apontam a falta de livros e materiais publicados no Brasil sobre o tema.

E um dos principais desafios técnicos está nas chamadas "alucinações" da IA, quando o sistema gera respostas incorretas ou inconsistentes. Como explica Evellyn, "um dia funciona, outro dia, não". Isso acontece porque a tecnologia trabalha com probabilidades, o que ainda exige supervisão humana e ajustes constantes.

O que devo estudar e quais habilidades devo ter?

Profissionais explicam que, pra criar bons agentes de IA, é preciso combinar duas habilidades: a tecnológica, que envolve programar e entender IA, e a de negócio, que exige compreender os processos e desafios da empresa. Equilibrar essas duas áreas é essencial para desenvolver bons agentes.

A professora Evellyn Cid, da FIAP, destaca que mesmo quem atua em áreas não técnicas, como a financeira, pode criar agentes, já que possui um conhecimento aprofundado sobre os processos de negócio, por exemplo.

Para começar a trabalhar com agentes, o primeiro passo é estudar a linguagem de programação Python, base da inteligência artificial atualmente, especialmente no desenvolvimento de agentes.

Também é recomendável explorar as principais ferramentas de criação de agentes usadas pelo mercado, como Lindy, OpenAI Operator, LangChain, CrewAI, AutogenAI e Langflow.

Em 2024, o g1 conversou com professores, executivos e profissionais para identificar os temas mais importantes para quem quer começar a trabalhar com inteligência artificial.

Eles citaram fundamentos de inteligência artificial, conceitos básicos de machine learning e linguagem natural, IA generativa, habilidades em programação (especialmente Python e R) e conhecimento em dados e análises, incluindo visualização.

➡️ Para quem quer trabalhar com agentes de IA, é importante considerar:

  • 🧑‍🎓 Graduação: hoje as empresas costumam valorizar profissionais com formação superior. Ao pesquisar vagas no LinkedIn, é comum ver exigências como "graduação" ou até "pós-graduação/mestrado" em IA.
  • 🔎 Perfil analítico e crítico: é importante ter um olhar humano, crítico e analítico para compreender o fluxo e o processo que será automatizado — não basta apenas o conhecimento técnico em inteligência artificial.
  • 🏬 Domine processos e conheça o negócio: o profissional deve entender as regras e objetivos da empresa para programar o agente de forma precisa e eficiente.
  • 📖 Estude constantemente: acompanhar a evolução da IA é um desafio, já que a área muda rápido e sempre traz novidades. É essencial manter o estudo e a dedicação contínuos.
  • 👩‍💻 Participe de eventos: hackathons e encontros voltados à IA, mesmo os que não exigem conhecimentos técnicos, são ótimas oportunidades para trocar ideias e desenvolver soluções na prática.
Emprego em tecnologia: IA ganha espaço, mas segurança da informação domina contratações
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Brasileiros treinam inteligência artificial para abordar temas como racismo e nazismo
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Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas
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sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Brasil recebeu quase 2 milhões de TV boxes ilegais da China em 1 ano, diz associação; esquema também opera na Argentina e no Paraguai

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Maior parte chega pelo Porto de Santos, segundo dados de 2023 da Alianza, associação de empresas contra pirataria audiovisual na América Latina. Aparelhos usam serviços como o My Family Cinema e o TV Express, que saíram do ar após investigação na Argentina.
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Por Victor Hugo Silva, g1

Postado em 07 de Novembro de 2.025 às 06h00m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
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Como foi a operação que derrubou apps de streaming pirata no Brasil
Como foi a operação que derrubou apps de streaming pirata no Brasil

O Brasil foi o destino de 1,7 milhão de TV boxes irregulares da China em 2023, informou ao g1 a Alianza, associação de empresas contra pirataria audiovisual na América Latina, com base em seu levantamento mais recente.

Os aparelhos costumam sair de fábrica com serviços de streaming pirata como o My Family Cinema e o TV Express, que estão entre os 14 que foram derrubados nos últimos dias após uma investigação na Argentina.

Ainda segundo a associação, a maioria dos dispositivos chega ao país por navio, sendo cerca de 50% para o Porto de Santos (SP) e 21% para o Porto de Paranaguá (PR).

Os dados são obtidos após uma análise dos registros de importações com foco em dados como o preço e o peso de cargas, explicou o presidente do conselho da Alianza, Jorge Alberto Bacaloni.

"É um trabalho bastante difícil, que exige a dedicação de pessoas para analisar as remessas. A Alianza faz isso de tempos em tempos para entender por onde os aparelhos entram", afirmou.

O Paraguai também é destino comum das TV boxes irregulares fabricadas na China. A Alianza registrou a chegada de 450 mil aparelhos ao país em 2023, mas já tinha notado um pico de 2,1 milhões de dispositivos em 2019.

"A queda em 2023 pode se dever ao fato de que as informações estejam sendo mais ocultadas. Não necessariamente menos equipamentos estão sendo importados", afirmou Bacaloni.

Modelos de TV boxes como Duosat e BTV, vendidos no Brasil sem autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), são alguns dos que tinham os serviços piratas.

As 14 plataformas derrubadas são: My Family Cinema, TV Express, Eppi Cinema, Vela Cinema, Cinefly, Vexel Cinema, Humo Cinema, Yoom Cinema, Bex TV, Jovi TV, Lumo TV, Nava TV, Samba TV e Ritmo TV.

Os serviços cobravam de US$ 3 a US$ 5 por mês (de R$ 16 a R$ 27 por mês) para liberar acesso a conteúdo como filmes, séries e transmissões esportivas, violando direitos autorais.

Com a derrubada dos serviços, muitos consumidores que pagaram pelas assinaturas recorreram até mesmo ao ReclameAqui, apesar de as queixas estarem relacionadas a plataformas com conteúdo pirateado.

O Procon-SP informou ao g1 que o consumidor "abdica de seus direitos" ao adquirir um produto ou serviço mesmo sabendo que ele é irregular.

"Até por uma questão prática, em tese, a empresa da qual ele adquiriu o produto ou serviço pode nem estar regularizada, o que impede que órgãos como o Procon-SP a notifique", disse o órgão de defesa do consumidor.
Esquema com equipes de marketing e TI

O Ministério Público Fiscal de Buenos Aires, na Argentina, abriu uma investigação em setembro de 2024 depois de uma denúncia da Alianza.

Em agosto de 2025, a Justiça da Argentina autorizou buscas em quatro escritórios de empresas que funcionavam como centrais do esquema de conteúdo pirateado.

Um dos escritórios tinha cerca de 100 funcionários com foco em marketing, vendas, atendimento a clientes e tradução de aplicativos.

"Eles tinham funcionários dedicados a monitorar o bloqueio de seus serviços, que eram reajustados quando bloqueados", disse Bacaloni, da Alianza.

Policiais apreenderam 88 notebooks, 10 pen drives, 37 discos rígidos e 568 cartões de recarga para liberar conteúdo nas TV boxes.

Autoridades encontraram ainda 9,4 milhões de pesos argentinos (cerca de R$ 35 mil) e US$ 3.900 (R$ 21 mil), além de carteiras digitais com US$ 120 mil (R$ 640 mil) em criptomoedas.

Os serviços só ficaram indisponíveis semanas depois porque a estrutura técnica do esquema estava hospedada na China, o que exigiu mais tempo para interromper seu funcionamento.

A estimativa é que o esquema teve faturamento anual entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões (de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão), segundo a Alianza.

Esquema de streaming pirata na Argentina tinha funcionários dedicados a monitorar bloqueio de serviços — Foto: Reprodução
Esquema de streaming pirata na Argentina tinha funcionários dedicados a monitorar bloqueio de serviços — Foto: Reprodução

TV box é ilegal?

As TV boxes, também conhecidas como aparelho de IPTV e caixinhas de TV, podem ser usadas no Brasil, mas precisam ter sido homologadas pela Anatel. A lista de aparelhos autorizados pela agência pode ser encontrada neste link ao selecionar o filtro "Tipo de produto" e selecionar "Smart TV Box".

"O processo de homologação é realizado para garantir que o equipamento atenda aos requisitos técnicos definidos pela Anatel em relação à emissão de radiofrequências, à segurança cibernética e ao uso regular das redes de telecomunicações", diz a agência.

A Anatel afirma que colabora com entidades como a Alianza, a Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) e a Agência Nacional do Cinema (Ancine) para bloquear o funcionamento das TV boxes não homologadas e o conteúdo de serviços de streaming pirata.

"Além de possibilitar a pirataria, TV Boxes piratas podem interferir em outros aparelhos legítimos e permitir ataques hackers às redes de seus usuários", diz a agência.

Policiais apreenderam dinheiro e dispositivos eletrônicos em escritório alvo de busca em operação contra streaming pirata — Foto: Reprodução
Policiais apreenderam dinheiro e dispositivos eletrônicos em escritório alvo de busca em operação contra streaming pirata — Foto: Reprodução

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