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quinta-feira, 15 de abril de 2021

Como é possível instalar dispositivos de 'casa inteligente' de forma segura?

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Tira-dúvidas explica riscos associados ao uso de aparelhos da 'internet das coisas'.
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TOPO
Por Altieres Rohr
É fundador de um site especializado na defesa contra ataques cibernéticos

Postado em 15 de abril de 2021 às 10h00m

  *.- Post.N. -\- 4.008 -.*  

Se você tem alguma dúvida sobre segurança da informação (antivírus, invasões, cibercrime, roubo de dados etc.), envie um e-mail para g1seguranca@globomail.com. A coluna responde perguntas deixadas por leitores às terças e quintas-feiras.

Dispositivos Echo da Amazon: Echo Show 5 (esquerda), e Echo (centro) e Echo Dot (direita). — Foto: Thiago Lavado/G1
Dispositivos Echo da Amazon: Echo Show 5 (esquerda), e Echo (centro) e Echo Dot (direita). — Foto: Thiago Lavado/G1

Gostaria de saber como posso implementar dispositivos de casa inteligente de forma segura e sem perigo de invasão ou acesso externo aos dispositivos.

Os dispositivos seriam Assistente Echo Dot (Alexa), interruptores inteligentes, câmeras IP, aspirador robô e o que mais tiver. – Alexandre Antoniosi

As tecnologias para uma "casa inteligente", e tudo mais que compreende a "internet das coisas", ainda têm muitos desafios de segurança a superar.

Para citar um exemplo, Alexandre, as câmeras IP que você citou foram protagonistas do vírus Mirai.

Centenas de milhares desses equipamentos foram hackeados no mundo todo e usados em ataques para derrubar sites da web em 2016.

Embora muitos desses dispositivos tenham erros crassos em sua segurança, utilizando senhas universais ou sistemas muito desatualizados, existem também alguns desafios próprios de qualquer dispositivo conectado. A obsolescência é o maior deles.

Quando você pretende trocar as câmeras que você vai instalar?

Dispositivos eletrônicos são considerados bens duráveis, mas eles têm um prazo de vida útil.

Quando o fabricante deixa de dar suporte adequado e de atualizar o equipamento, as falhas começam a se acumular com o tempo, e esses dispositivos ficam cada vez mais inseguros.

Só existe uma forma de controlar esse risco: trocar os equipamentos. Isso, claro, tem um custo.

Não é possível falar em um interruptor inteligente que dure tanto quanto um interruptor "comum".

Você pode fazer uma aposta, mas não há como saber se a segurança da tecnologia de Wi-Fi que usamos hoje vai durar mais dez anos – ou só mais três.

Limitar o acesso externo é sempre uma boa saída, mas você precisa pensar se é isso mesmo que você quer.

Vale a pena ter uma câmera que você só pode acessar dentro da sua própria casa? Cada uma dessas decisões e preferências vai mudar os impactos de segurança.

De qualquer forma, você será obrigado a procurar um especialista para fazer a instalação e informar todos os detalhes referentes aos produtos que você está comprando. Veja alguns pontos que você deve prestar atenção:

  • Os dispositivos não devem possuir "backdoor" ou "senha universal" (uma senha definida pelo fabricante que dê acesso em qualquer circunstância). Infelizmente, alguns desses backdoors não são documentados. Caso seja encontrado, o equipamento deve ser atualizado para corrigir ou problema ou trocado.
  • Todas as senhas definidas de fábrica devem ser trocadas por senhas fortes.
  • Se não for absolutamente necessário, os dispositivos não devem ter acesso à internet. Caso eles tenham suporte à IPv6, o acesso deve ser exclusivamente local.
  • Pode ser necessário trocar o roteador de internet por um modelo mais robusto, compatível com a vazão de dados das câmeras e dispositivos e com configurações avançadas de rede. Isso depende do tamanho da sua residência, da qualidade de imagem das câmeras e da quantidade de câmeras e dispositivos. Apenas um profissional qualificado pode realizar a configuração adequada desse dispositivo.
  • Informe-se com os fabricantes sobre o prazo de suporte de todos os produtos. Fique atento para não adquirir modelos de gerações antigas: eles podem ser mais baratos, mas vão ficar obsoletos mais rápido – o que vai exigir um novo investimento.
  • Se possível, opte por aparelhos com funções mais limitadas que não exigem conexão à rede. Você pode ter um ambiente climatizado de forma adequada com um termostato sem que ele esteja ligado à internet, ou usar sensores de movimento para controlar a iluminação. Avalie os prós e contras de cada tecnologia – tudo que for digital e conectado tende a durar menos, mesmo que pareça barato na hora da aquisição. Muitos dispositivos dispensam botões para que você controle tudo por aplicativo. Pode parecer uma boa ideia, mas celulares, métodos de conectividade e sistemas envelhecem bem mais rápido do que botões.
  • Use conexões cabeadas sempre que possível e não deixe cabos de rede expostos.

Entendo que essas dicas possam parecer excessivas. Infelizmente, alguns fabricantes promovem seus produtos com facilidades e recursos interessantes, mas não explicam as limitações inerentes a qualquer dispositivo conectado, principalmente quanto ao tempo de vida útil.

Então, cada uma dessas dicas é apenas um princípio que deve ser seguido. A configuração dos equipamentos vai depender das suas necessidades e precisa ser feita por um profissional qualificado.

Na construção ou para bens duráveis como televisores, temos uma expectativa de que produtos durem décadas.

E isso não existe em equipamentos "inteligentes", porque a "inteligência" desses produtos acaba quando o fabricante abandona o software.

Além disso, a tecnologia ainda é muito nova para que tenhamos uma ideia concreta a respeito da durabilidade desses produtos.

Às vezes, o próprio hardware fica muito antigo e não é mais compatível com as versões novas e seguras do software, o que vai exigir uma troca mesmo que o fabricante ainda tivesse interesse em manter aquele produto atualizado.

Muitos sistemas da "internet das coisas" são baseados em variações do Linux, e os fabricantes não controlam toda a cadeia de desenvolvimento do software.

Quando certas versões desses sistemas são abandonadas, os fabricantes são obrigados a migrar para algo novo – o que pode "estourar" os requisitos de hardware e os custos de manutenção do software.

Canal de YouTube explica como ímã pequeno e forte (direita) pode acionar relé em placa de trava eletrônica (placa à esquerda, equipamento montado ao fundo) para abri-la sem utilizar a senha ou leitor biométrico.  — Foto: Reprodução
Canal de YouTube explica como ímã pequeno e forte (direita) pode acionar relé em placa de trava eletrônica (placa à esquerda, equipamento montado ao fundo) para abri-la sem utilizar a senha ou leitor biométrico. — Foto: Reprodução

Tenha muito cuidado também com travas eletrônicas. Algumas têm vulnerabilidades críticas e podem até ser abertas com um ímã. O ímã aciona o relé interno e muda a trava para o estado "aberto" pelo lado de fora da trava.

Se quiser ver isso acontecendo na prática, assista a um vídeo do canal de YouTube "LockPickingLawyer", especializado em travas de todos os tipos. A trava abre quando o especialista aproxima um ímã da sua parte lateral em 1:20 do vídeo.

Essa, claro, não é a única vulnerabilidade em travas eletrônicas. Lembre-se: não é porque um produto parece mais complexo que ele é mais seguro!

Vale repetir que a tecnologia das "casas inteligentes", ao menos para dispositivos conectados, ainda está no início. Tecnologias novas sempre saem caro – seja na aquisição, na instalação ou pelos riscos de adoção.

Dúvidas sobre segurança digital? Envie um e-mail para g1seguranca@globomail.com.

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quarta-feira, 14 de abril de 2021

Twitter apresenta iniciativa que visa igualdade algorítmica na plataforma

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Empresa disse que plano procura oferecer mais transparência sobre sua inteligência artificial e lidar com "os potenciais efeitos prejudiciais das decisões algorítmicas".
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TOPO
Por France Presse

Postado em 14 de abril de 2021 às 21h00m

  *.- Post.N. -\- 4.007 -.*  

Ícone do Twitter, em smartphone — Foto: Thomas White/Reuters
Ícone do Twitter, em smartphone — Foto: Thomas White/Reuters

A rede social Twitter anunciou na quarta-feira (14) que lançará uma iniciativa sobre "aprendizado de máquina responsável" que incluirá análises de igualdade algorítmica em sua plataforma.

A empresa, sediada na Califórnia, disse que o plano visa oferecer mais transparência sobre sua inteligência artificial e lidar com "os potenciais efeitos prejudiciais das decisões algorítmicas".

A iniciativa surge em meio à crescente preocupação com os algoritmos usados pelos serviços online, que alguns dizem que podem promover violência, conteúdo extremista e reforçar o preconceito racial ou de gênero.

"O uso responsável da tecnologia inclui o estudo dos efeitos que ela pode ter a longo prazo", escreveram em um blog Jutta Williams e Rumman Chowdhury, da equipe de ética e transparência do Twitter.

Quando o Twitter usa aprendizado de máquina ou automático, "isso pode afetar centenas de milhões de tweets por dia e, às vezes, a maneira como um sistema foi projetado para ajudar pode começar a se comportar de maneira diferente do esperado", explicaram.

Segundo os pesquisadores, a iniciativa busca "assumir a responsabilidade por nossas decisões algorítmicas" com o objetivo de alcançar "equidade e justiça nos resultados".

"Também estamos construindo soluções de aprendizado de máquina explicáveis, para que nossos algoritmos possam ser melhor compreendidos, o que os informa e como eles impactam o que (o usuário) vê no Twitter".

Williams e Chowdhury disseram que a equipe compartilhará suas descobertas com pesquisadores externos. "Para melhorar o entendimento coletivo da indústria sobre esta questão, nos ajude a melhorar nossa abordagem e nos responsabilizar."

Essa estratégia do Twitter segue uma série de controvérsias na equipe de ética de inteligência artificial do Google, que levaram à demissão de dois pesquisadores de alto nível e à demissão de um cientista de alto escalão.

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terça-feira, 13 de abril de 2021

Especialistas encontram códigos maliciosos nas lojas de apps APKPure e Huawei AppGallery para Android

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Praga digital 'Joker' foi encontrada em apps da loja da Huawei, enquanto instalador da APKPure estava contaminado com vírus 'Triada'.
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TOPO
Por Altieres Rohr
É fundador de um site especializado na defesa contra ataques cibernéticos
13/04/2021 18h34 
Postado em 13 de abril de 2021 às 20h35m

  *.- Post.N. -\- 4.006 -.*  

App listado no AppGallery da Huawei instalava código malicioso conhecido como 'Joker'. — Foto: Reprodução/Dr. Web
App listado no AppGallery da Huawei instalava código malicioso conhecido como 'Joker'. — Foto: Reprodução/Dr. Web

A fabricante de antivírus russa Dr. Web publicou alertas informando que pragas digitais foram encontradas em duas lojas "alternativas" de aplicativos para Android: a APKPure e a Huawei AppGallery.

Embora bastante diferentes um do outro, ambos os casos são recentes e demonstram os desafios que usuários de Android podem enfrentar para obter apps de forma segura.

O blog não recomenda utilizar outras lojas além da Play Store, mas até downloads na Play Store exigem cautela.

O AppGallery é uma loja oferecida pela Huawei que funciona da mesma forma que a loja do Google. Desenvolvedores podem cadastrar apps no AppGallery, mas devem ser aprovados para publicação.

Em seu site, a fabricante afirma que "o AppGallery possui um mecanismo de detecção de quatro camadas para garantir que os aplicativos apresentados na plataforma sejam seguros para download e uso".

Mas, de acordo com a Dr. Web, dez aplicativos de dois desenvolvedores foram cadastrados na loja com o Joker, um código malicioso para Android que se conecta a um servidor de controle para receber comandos e "módulos" de funcionamento.

Entre suas várias funções, o Joker tenta interceptar mensagens SMS para cadastrar o usuário em serviços "premium", que aumentam a conta de telefone e transferem a receita desse cadastro para o golpista.

Esse código malicioso é conhecido pelo menos desde 2017, mas está em constante evolução. Diversas versões do Joker já apareceu na Play Store, mas é a primeira vez que um código malicioso é encontrado no AppGallery da Huawei, segundo a Dr. Web.

O blog procurou a Huawei para comentar o caso, mas a empresa não se manifestou até a publicação.

 Apps com 'Joker' na Play Store do Google.  — Foto: Reprodução/Dr. Web
Apps com 'Joker' na Play Store do Google. — Foto: Reprodução/Dr. Web

Código no instalador da APKPure

A APKPure é uma loja que promete aos usuários a possibilidade de baixar apps da Play Store de qualquer região e a partir de qualquer aparelho, inclusive aqueles que não foram certificados pelo Google.

Por ser um "clone" da Play Store, a APKPure teria o mesmo conteúdo e normalmente não seria possível que um app malicioso estivesse disponível na loja da APKPure e não na Play Store.

Contudo, o próprio instalador da APKPure estava contaminado com um código malicioso. Ou seja, o problema não eram os apps específicos da loja, mas a loja em si.

De acordo com os especialistas da Dr. Web e da Kaspersky, o arquivo de instalação da APKPure possuía um kit de códigos de publicidade ("SDK", na sigla em inglês) que executava instruções associadas ao Triada, um programa malicioso conhecido para Android.

Dependendo da versão do Android – especialmente em versões antigas –, o Triada pode tentar instalar o xHelper, um programa malicioso agressivo que não é removido pela redefinição do sistema.

Em todos os dispositivos, o Triada atua exibindo anúncios publicitários em momentos inoportunos, atrapalhando o uso do celular, drenando a bateria e consumindo o pacote de dados.

Por ser um código malicioso versátil, o Triada também pode instalar outros programas no celular para realizar outras atividades. O Triada também é capaz de cadastrar o usuário em serviços que aumentam a conta de telefone, como o Joker.

Os responsáveis pela APKPure publicaram uma nova versão do instalador, a 3.17.19, informando que foi "corrigido um problema de segurança". Não foi explicado como o código do Triada foi parar no arquivo.

Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com

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