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sábado, 3 de fevereiro de 2024

Facebook, 20 anos: 4 formas como rede social mudou o mundo

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Vinte anos após lançamento, plataforma tem mais usuários do que qualquer outra, mas manutenção do posto é desafio num mercado cada vez mais competitivo e regulado.
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TOPO
Por BBC

Postado em 03 de fevereiro de 2024 às 18h45m

Post. N. - 4.830

Vinte anos após lançamento, plataforma tem mais usuários do que qualquer outra, mas manutenção do posto é desafio num mercado cada vez mais competitivo e regulado — Foto: Niall Kennedy via BBC
Vinte anos após lançamento, plataforma tem mais usuários do que qualquer outra, mas manutenção do posto é desafio num mercado cada vez mais competitivo e regulado — Foto: Niall Kennedy via BBC

"The Facebook". Era assim que o Facebook era chamado quando Mark Zuckerberg e um grupo de amigos lançaram a plataforma enquanto viviam em moradias estudantis, há 20 anos.

Desde então, a rede social mais popular do mundo foi redesenhada dezenas de vezes.

Mas seu objetivo permanece o mesmo: conectar pessoas online. E ganhar muito dinheiro com publicidade.

No momento em que a plataforma completa 20 anos, aqui estão quatro maneiras como o Facebook mudou o mundo.

1. Facebook mudou o jogo das redes sociais

Outras redes sociais, como o MySpace, já existiam antes do Facebook – mas o site de Mark Zuckerberg decolou instantaneamente quando foi lançado em 2004.

Isso mostrou a velocidade com que uma plataforma do tipo poderia se consolidar.

Em menos de um ano, ele tinha 1 milhão de usuários e, em quatro anos, ultrapassou o MySpace – alimentado por inovações como a capacidade de "marcar" pessoas em fotografias.

Levar uma câmera digital para sair à noite e depois "marcar" os amigos em dezenas de fotos era uma rotina da vida adolescente no final dos anos 1990.

O feed de publicações em constante mudança também foi um grande atrativo para os primeiros usuários.

Em 2012, o Facebook ultrapassou a marca de 1 bilhão de usuários mensais e, exceto por uma breve queda no final de 2021 – quando os usuários ativos diários caíram pela primeira vez para 1,92 bilhão, a plataforma continua a crescer.

Ao expandir-se para países menos conectados e oferecer internet gratuita, a empresa manteve e aumentou o número de usuários.

No final de 2023, o Facebook informou que tinha 2,11 bilhões de usuários ativos diários.

É fato que o Facebook é hoje menos popular entre os jovens do que costumava ser. No entanto, continua a ser a rede social mais popular do mundo e inaugurou uma nova era de atividade social online.

Alguns veem o Facebook e seus rivais como ferramentas que estimulam conexões, outros os veem como agentes viciantes de destruição.

2. O Facebook tornou nossos dados pessoais valiosos… e menos pessoais

O Facebook provou que coletar o que gostamos e não gostamos é extremamente lucrativo.

Facebook — Foto: GETTY
Facebook — Foto: GETTY

Atualmente, a Meta, empresa controladora do Facebook, é uma gigante da publicidade que, juntamente com empresas como a Google, detém a maior parte da receita publicitária global.

A Meta reportou quase US$ 40 bilhões (R$ 199 bilhões) em receitas no último trimestre de 2023, vindas principalmente de serviços de publicidade altamente direcionados; a empresa declarou ainda US$ 14 bilhões em lucros.

Mas o Facebook também mostrou como a coleta de dados pode dar errado.

A Meta foi multada diversas vezes por uso indevido de dados pessoais.

O caso mais divulgado foi o escândalo da Cambridge Analytica em 2014, que levou o Facebook a pagar US$ 725 milhões para encerrar uma ação legal devido a uma violação de dados significativa.

Em 2022, o Facebook também pagou uma multa de 265 milhões de euros (R$ 1,4 bilhão) à União Europeia por permitir a extração de dados pessoais do site.

No ano passado, a empresa recebeu uma multa recorde de 1,2 bilhões de euros da Comissão Irlandesa de Proteção de Dados, por transferir dados de usuários europeus para fora da jurisdição europeia. O Facebook está recorrendo.

3. O Facebook tornou a internet parte da política

Ao oferecer publicidade direcionada, o Facebook tornou-se uma importante plataforma para campanhas eleitorais em todo o mundo.

Donald Trump — Foto: GETTY
Donald Trump — Foto: GETTY

Por exemplo, nos cinco meses que antecederam as eleições presidenciais dos EUA em 2020, a equipe do então presidente Donald Trump gastou mais de US$ 40 milhões em anúncios no Facebook, de acordo com dados do site Statista.

O Facebook também contribuiu para mudar a política entre pessoas comuns – ao permitir que grupos díspares de usuários se reunissem, organizassem campanhas e planejassem ações em escala global.

O Facebook e o Twitter foram considerados cruciais na coordenação dos protestos da Primavera Árabe, ao divulgar notícias sobre o que estava acontecendo nas ruas.

Mas há críticas às consequências do uso do Facebook com fins políticos.

Em 2018, o Facebook concordou com um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) que afirmava que a plataforma não conseguiu impedir que as pessoas a usassem para "incitar a violência offline" contra o povo Rohingya em Mianmar.

4. O Facebook deu início ao domínio da Meta

Com o enorme sucesso do Facebook, Mark Zuckerberg construiu uma rede social e um império tecnológico que permanecem sem precedentes em termos de número de usuários e de poder.

Mark Zuckerberg — Foto: GETTY
Mark Zuckerberg — Foto: GETTY

Empresas como WhatsApp, Instagram e Oculus foram compradas e turbinadas pelo grupo Facebook, que mudou seu nome para Meta em 2021.

A Meta diz que hoje mais de 3 bilhões de pessoas usam pelo menos um de seus produtos todos os dias.

E quando não consegue comprar seus rivais, a Meta tem sido frequentemente acusada de copiá-los para manter seu domínio.

O recurso Stories do Facebook e do Instagram é semelhante a uma ferramenta do Snapchat; o Instagram Reels é uma resposta da empresa ao TikTok; e a ferramenta Threads é a tentativa da Meta de imitar o X, anteriormente conhecido como Twitter.

As táticas tornaram-se mais importantes do que nunca, graças ao aumento da concorrência e a um ambiente regulatório mais rigoroso.

Em 2022, a Meta foi forçada a vender com prejuízo o serviço de criação de GIFs (imagens em movimento) Giphy após reguladores do Reino Unido impedirem que ela controlasse o serviço.

Os reguladores citaram temores de que a Meta exercesse um domínio excessivo do mercado.

E os próximos 20 anos?

A ascensão e o domínio contínuo do Facebook são uma prova da capacidade de Mark Zuckerberg de manter seu site relevante.

Mas se manter como a rede social mais popular do mundo será um desafio monumental nos próximos 20 anos.

A Meta agora está se esforçando para construir seus negócios em torno da ideia do Metaverso, processo no qual está à frente de gigantes rivais como a Apple.

A inteligência artificial também é uma grande prioridade para a Meta.

Assim, à medida que a empresa se afasta das raízes do Facebook, será interessante ver o que o futuro reserva para o onipresente aplicativo azul.

*Com reportagem adicional de Iman Mohammed

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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Vision Pro: Apple começa a vender óculos de realidade virtual nos EUA por R$ 17 mil; veja detalhes

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Sem previsão de trazer dispositivo para o Brasil, a empresa evitou o termo 'metaverso' e o definiu como um 'computador espacial'. O rival Quest Pro, da Meta, custa a partir de R$ 7.400.
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Por Victor Hugo Silva, g1

Postado em 02 de fevereiro de 2024 às 07h00m

Post. N. - 4.829


Conheça o Vision Pro, o óculos de realidade mista da Apple

O Vision Pro, óculos de realidade virtual da Apple, começa a ser entregue para clientes dos Estados Unidos nesta sexta-feira (2), quase oito meses após ser revelado.

Sem previsão de chegada ao Brasil, ele é caro até para padrões americanos, onde estava em pré-venda há duas semanas: nos EUA, ele custa a partir de US$ 3.499 (mais de R$ 17 mil, na conversão direta).

Em sua chegada no setor de realidade virtual, a Apple evitou o termo "metaverso", que ficou famoso nos últimos anos devido a Mark Zuckerberg. A empresa que controla redes sociais do bilionário até passou a se chamar Meta para mostrar seu novo foco em realidades imersivas.

Mas as apostas no metaverso ainda não decolaram: os óculos costumam ser caros para a maioria das pessoas, o interesse pelo tema em buscas na internet está diminuindo e empresas como a Meta ainda estão longe de conseguirem lucrar nesse setor.

A Apple, por sua vez, diz que o Vision Pro é um "computador espacial revolucionário". A empresa defende que ele vai transformar como as pessoas "trabalham, colaboram, se conectam, revivem memórias e desfrutam de entretenimento".

"É o primeiro dispositivo da Apple que você olha através dele, não para ele", disse o CEO da Apple, Tim Cook, em junho de 2023, quando os óculos foram apresentados.

EyeSight, recurso do Apple Vision Pro, permite escolher se outras pessoas verão olhos de quem está usando os óculos — Foto: Divulgação/Apple
EyeSight, recurso do Apple Vision Pro, permite escolher se outras pessoas verão olhos de quem está usando os óculos — Foto: Divulgação/Apple

Como são os óculos da Apple?

À primeira vista, os óculos da Apple são bem parecidos com o Quest Pro, lançados pela Meta em 2022. Os dois têm baterias que duram cerca de 2 horas, de acordo com as fabricantes, e oferecem modos de realidade mista, em que o sistema interage com o ambiente ao redor do usuário.

Mas, enquanto no Quest Pro, da Meta, a transparência fica restrita à região das duas lentes, no Vision Pro, ela pode ficar em toda a tela. Isso é feito com o recurso EyeSight ("visão", em tradução direta), em que outras pessoas podem ver seus olhos (veja a foto acima).

Outra diferença entre os modelos é a navegação: no Quest Pro, tudo acontece com controles vendidos junto com o aparelho, e no Vision Pro, o uso depende apenas dos movimentos das mãos e dos olhos ou de comandos de voz.

Confira outras especificações do Apple Vision Pro:

  • 🏋️ Pesa cerca de 600 gramas, contra 722 gramas do Quest Pro;
  • 💾 Tem três opções de armazenamento (256 GB, 512 GB e 1 TB), enquanto o da Meta tem uma (256 GB);
  • 📹 Conta com 6 microfones e 12 câmeras, que permitem gravar vídeos e tirar fotos em três dimensões;
  • ⚙️ Usa o sistema operacional visionOS, que suporta centenas de aplicativos;
  • 🧠 O dispositivo é equipado com dois chips principais: o M2, que executa o sistema, e o R1, que se concentra em processar as imagens.

O Vision Pro pode custar ainda mais do que os US$ 3.499, seu preço de entrada. Com especificações mais avançadas e acessórios como bolsa e bateria externa, o preço do dispositivo pode chegar perto de US$ 5.200 (pouco mais de R$ 25 mil, em conversão direta).

Com o dinheiro da versão básica do Vision Pro, é possível comprar dois Quest Pro, que custam a partir de US$ 1.499 cada um (cerca de R$ 7.400) ou três iPhone 15 Pro Max, vendidos nos EUA por US$ 1.199 cada um (no Brasil, ele custa a partir de R$ 10.999).

Vision Pro, óculos de realidade mista da Apple — Foto: Divulgação/Apple
Vision Pro, óculos de realidade mista da Apple — Foto: Divulgação/Apple

A realidade virtual vai vingar?

A Apple não revela números sobre a pré-venda do Vision Pro, mas cerca de 200 mil unidades foram comercializadas em pré-venda nas últimas duas semanas, segundo o MacRumors, site especializado em notícias sobre a empresa.

Como comparação, o Meta Quest 2, modelo mais barato lançado em 2020, vendeu 10 milhões de unidades até setembro de 2023, de acordo com o site CNBC.

Meta Quest 3 — Foto: Divulgação/Meta
Meta Quest 3 — Foto: Divulgação/Meta

Agora, a expectativa é de que o Vision Pro dê novo fôlego para o setor. Para isso, a Apple precisará comunicar bem as vantagens da realidade virtual, avaliou Antônia Souza, diretora de operações da Lumx, que cria projetos de ambientes imersivos.

"Vimos o metaverso ser explorado, principalmente pela Meta, num campo que se assemelhava muito ao universo de games. Mas o que foi sendo contado pelas empresas dificultava a visualização desse produto pelos usuários", disse Antônia, ao g1.

"É como se as pessoas não enxergassem muitos usos para tecnologia que estava sendo entregue, embora existam. Tudo isso fez com que os resultados não fossem tão interessantes e expressivos quanto essas empresas esperavam".

A realidade virtual não foi totalmente explorada e, por isso, tem espaço para crescer "como metaverso ou com outro nome", analisou Rafael Alves, porta-voz da Siemens sobre metaverso industrial, conceito que recria linhas de produção em ambientes imersivos para tornar empresas mais eficientes.

"O ponto é o amadurecimento de todas essas tecnologias para que o metaverso seja factível para todos nós", disse Rafael. "Poucas pessoas testaram óculos de realidade virtual. Ainda é algo muito novo".

Mas, para realmente ter sucesso, o metaverso vai precisar trazer benefícios reais para os usuários. "Quando falamos do metaverso convencional, acho que ainda não vimos ele resolvendo alguns desafios que nós temos hoje na nossa sociedade".

Veja FOTOS do Apple Vision Pro

Apple apresentou óculos de realidade mista Vision Pro na WWDC 2023 — Foto: Divulgação/Apple
Apple apresentou óculos de realidade mista Vision Pro na WWDC 2023 — Foto: Divulgação/Apple


Vision Pro, óculos de realidade mista da Apple — Foto: Divulgação/Apple
Vision Pro, óculos de realidade mista da Apple — Foto: Divulgação/Apple


Apple Vision Pro — Foto: Reprodução / Apple
Apple Vision Pro — Foto: Reprodução / Apple


Apple Vision Pro — Foto: Divulgação/Apple
Apple Vision Pro — Foto: Divulgação/Apple


Apple Vision Pro tem botão no topo que permite controlar sistema — Foto: Divulgação/Apple
Apple Vision Pro tem botão no topo que permite controlar sistema — Foto: Divulgação/Apple

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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

O pedido de desculpas de Mark Zuckerberg a famílias de crianças prejudicadas por redes sociais

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Mark Zuckerberg, CEO da Meta – que administra o Instagram e o Facebook –, disse para pais cujos filhos foram prejudicados pelas redes sociais que "ninguém deveria passar" pelo que eles passaram.
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TOPO
Por BBC

Postado em 01 de fevereiro de 2024 às 11h00m

Post. N. - 4.828

Zuckerberg disse a pais de filhos prejudicados pelas redes sociais que 'ninguém deveria passar' pelo que eles passaram — Foto: TASOS KATOPODIS/EPA-EFE/REX/SHUTTERSTOCK
Zuckerberg disse a pais de filhos prejudicados pelas redes sociais que 'ninguém deveria passar' pelo que eles passaram — Foto: TASOS KATOPODIS/EPA-EFE/REX/SHUTTERSTOCK

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, pediu desculpas a famílias que dizem que seus filhos foram prejudicados pelas redes sociais, durante audiência no Senado dos Estados Unidos.

Zuckerberg – que administra o Instagram e o Facebook – virou-se para pais de filhos presentes na audiência e disse que "ninguém deveria passar" pelo que eles passaram.

Ele e os diretores do TikTok, Snap, X e Discord foram interrogados durante quase quatro horas por senadores dos dois partidos.

Os parlamentares querem saber o que as empresas estão fazendo para proteger as crianças nas suas plataformas na internet.

Está em tramitação no Congresso uma legislação que busca responsabilizar as empresas de mídia social pelo material postado em suas plataformas.

A audiência de quarta-feira (31/1) foi uma rara oportunidade para os senadores dos EUA questionarem os chefes das empresas de tecnologia.

Zuckerberg e o CEO do TikTok, Shou Zi Chew, concordaram voluntariamente em dar seu depoimento – mas os diretores do Snap, X (antigo Twitter) e da plataforma de mensagens Discord inicialmente recusaram e foram intimados.

Sentados atrás dos cinco diretores das gigantes de tecnologia estavam famílias que disseram que seus filhos se machucaram ou se mataram como resultado de conteúdo nas redes sociais.

Os pais se manifestaram o tempo todo durante a audiência — vaiando quando os CEOs entraram e aplaudindo quando os legisladores fizeram perguntas difíceis.

Embora a audiência tenha se concentrado principalmente na proteção das crianças contra a exploração sexual online, as questões variaram bastante, com os senadores aproveitando a oportunidade de ter cinco executivos poderosos sob juramento.

Shou Zi Chew, diretor do TikTok (que pertence à empresa chinesa ByteDance), foi questionado se sua empresa compartilhava dados de usuários dos EUA com o governo chinês, o que ele negou.

O senador Tom Cotton perguntou a Chew, que é de Singapura, se alguma vez ele pertenceu ao Partido Comunista Chinês.

"Senador, sou de Siganpura. Não", respondeu Chew.

Cotton então perguntou: "Você já foi associado ou afiliado ao Partido Comunista Chinês?"

Chew respondeu: "Não, senador. Mais uma vez, sou de Singapura."

Ele acrescentou que, como pai de três filhos pequenos, sabia que as questões em discussão eram "horríveis e o pesadelo de todos os pais".

Ele afirmou que seus próprios filhos não usavam o TikTok por causa das regras em Singapura, que proíbem menores de 13 anos de criar contas.

Pais de filhos que se machucaram ou se mataram por causa de redes sociais se manifestaram na audiência — Foto: Getty Images
Pais de filhos que se machucaram ou se mataram por causa de redes sociais se manifestaram na audiência — Foto: Getty Images

Senadores frustrados

O foco da audiência foi a atitude das empresas em relação à legislação de segurança online atualmente em tramitação no Congresso.

Isso foi resumido em um debate tenso entre Jason Citron, da empresa Discord, e o legislador republicano Lindsey Graham.

Graham listou uma série de projetos de lei em tramitação no Congresso relacionados à segurança online, perguntando se Citron os apoiava ou não.

Embora Graham tenha dado poucas oportunidades a Citron para responder, o chefe do Discord parecia ter reservas sobre a maioria deles.

Graham concluiu: "Então aqui está – se vocês esperam que esses caras resolvam o problema, vamos morrer esperando".

Antes da audiência, Meta anunciou novas medidas de segurança, incluindo que menores de idade não poderão receber mensagens de estranhos no Instagram e no Messenger.

O analista da indústria de mídia social Matt Navarra disse à BBC que acha que a audiência se assemelha a muitos outros confrontos — com exibição de muita arrogância por parte dos políticos e com Zuckerberg aproveitando uma oportunidade perfeita para aparecer nas fotos do noticiário, com seu pedido de desculpas, segundo ele.

O especialista diz que, apesar dos senadores concordarem com a necessidade de uma legislação bipartidária para regular as plataformas, não se sabe o que será decidido no futuro.

"Vimos essas audiências repetidas vezes, até agora, elas ainda não geraram nenhuma regulamentação significativa ou substancial", disse ele.

"Estamos em 2024 e os EUA praticamente não têm regulamentação, como foi apontado nas audiências, no que diz respeito às empresas de mídia social."

Na audiência, os diretores revelaram quantas pessoas contrataram para moderar o conteúdo em suas plataformas.

Meta e TikTok, com o maior número de usuários das plataformas representadas, disseram ter 40 mil moderadores cada; o Snap disse ter 2.300, o X, 2 mil e o Discord – que alegou ser uma plataforma menor – disse que tinha "centenas" de moderadores.

O Discord é uma plataforma de mensagens e já foi questionado no passado sobre como detecta e previne o abuso infantil em sua plataforma.

Após a audiência, alguns dos pais que estavam na sala organizaram uma manifestação do lado de fora, com vários apelando aos legisladores para aprovarem urgentemente legislação para responsabilizar as empresas.

"Assim como eu fazia antes, muitos pais continuam pensando que esses danos de que estamos falando hoje não afetarão suas famílias", disse Joann Bogard, cujo filho Mason morreu em maio de 2019. Ela disse que Mason participou de uma corrente no TikTok sobre asfixia.

"Esses danos estão acontecendo da noite para o dia com crianças comuns", disse ela. "Temos os testemunhos. Agora é a hora de nossos parlamentares aprovarem a Lei de Segurança Online para Crianças".

Arturo Béjar, um ex-funcionário de alto escalão da Meta que testemunhou no Congresso em novembro de 2023, também estava na audiência de quarta-feira e disse à BBC: "A Meta está tentando transferir aos pais sua responsabilidade de fornecer um ambiente seguro para os adolescentes, mas não adiciona um botão onde um adolescente pode dizer que sofreu uma abordagem indesejada."

"Como eles podem tornar esse ambiente seguro para os adolescentes sem isso?"

Durante a audiência desta semana, a Meta disse que criou "mais de 30 ferramentas" para gerar um ambiente seguro para adolescentes na internet.

Mark Zuckerberg pede desculpas por danos causados em suas redes sociais

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