"Restrições da Anvisa e concorrência acirrada dos genéricos fazem com que indústria farmacêutica lance mão da criatividade para desenvolver ações inusitadas e se diferenciar."
*//||\\* Por Leticia Muniz || 06/11/2012

As restrições impostas pela Anvisa para a divulgação de medicamentos e a concorrência acirrada dos genéricos vêm fazendo com que as indústrias farmacêuticas lancem mão de ações diferenciadas para divulgar seus produtos e atrair o consumidor. Muito mais que trabalhar os pontos de venda e os profissionais, os laboratórios desenvolvem ações que têm como foco a diversão e a promoção da saúde.
Para buscar a diferenciação, as companhias vêm usando as plataformas digitais para ideias inusitadas que vão desde a restauração de fotos, feita para a marca Nebacetin, do Laboratório Takeda, até apagar posts do Facebook e Twitter, papel desempenhado pelo “Dor de Balada”, aplicativo de Dorflex. A ideia é descentralizar o trabalho de divulgação dos balcões das farmácias, espaço trabalhado massivamente pelos grandes fabricantes de medicamentos genéricos.
Uma das indústrias que foi buscar no ineditismo uma forma de divulgar seus produtos foi o Laboratório Takeda, fabricante dos medicamentos dermatológicos Nebacetin e Neba-Sept. O conceito trabalhado para a pomada é o de reparação da pele após ferimentos e, pensando nisso, a marca desenvolveu o aplicativo “O Restaurador”. Por meio da ferramenta, internautas podem ter suas fotografias antigas restauradas. O usuário do serviço pode interagir acompanhando o andamento do trabalho.
A ideia do Laboratório Takeda foi alinhar a estratégia com o conceito do produto e envolver o consumidor pelo emocional. “Precisamos ter um Marketing diferenciado porque lidamos com saúde e com padrões cada vez mais restritos da Anvisa. Isso nos exige criatividade para seguir caminhos diferenciados para atrair o consumidor. Com Nebacetin, esse é o segundo ano que atuamos com a proposta de interação e, como o medicamento é voltado para a família, nada melhor que restaurar fotos antigas e recordações”, explica Juliana Tondin, Gerente de Marca OTC da Takeda, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Foco na promoção da saúde
O laboratório também desenvolve ações nas mídias sociais, especialmente o Facebook, para divulgar outras de suas marcas como Neosaldina e Eparema. O foco é sempre na interação lúdica com o público e na promoção da saúde, levando informações relacionadas à prevenção. A página de Eparema, por exemplo, disponibiliza dicas sobre digestão. O que a empresa busca é atuar em saúde de forma ampla, não visando apenas o medicamento em si.
Esse posicionamento do laboratório Takeda reflete a tendência atual do consumidor de estar mais voltado para a prevenção e para a qualidade de vida, e menos para a doença. Essa mudança de visão começou a ser percebida pelo mercado há cerca de cinco anos. “Esse novo foco foi a grande modificação no Marketing farmacêutico. Como as pessoas estão muito preocupadas com a qualidade de vida, as indústrias perceberam isso e a intenção é mostrar que o foco é a saúde e não mais a promoção da doença”, comenta Cristiano Calamonici, Sócio da Tino Comunicação, agência especializada em Marketing farmacêutico, em entrevista ao Portal.
A Sanofi também criou uma ação inusitada para divulgar o analgésico Dorflex. A ferramenta “Dor de Balada” apaga automaticamente as últimas postagens no Facebook e Twitter e promete evitar as “dores de cabeça” daqueles que exageraram na noite anterior e se arrependeram do que escreveram nas redes sociais. Após instalado, o aplicativo fica oculto no perfil do internauta e não é visto pelos seus amigos.
Consolidação de marca
O Laboratório Aché desenvolveu o aplicativo AlarmPill, que pode ser instalado no iPhone e atua como um despertador, avisando ao consumidor sobre os horários dos medicamentos. Com a ação, a empresa busca solidificar sua marca promovendo benefícios que impactem médicos e pacientes, contribuindo para a qualidade de vida. Apenas nos primeiros quatro dias de lançamento, o Aché já havia registrado 400 downloads do AlarmPill.
Além das regras da Anvisa, que restringem as ações de Marketing relacionadas aos medicamentos, a concorrência dos genéricos é outro fator que vem fazendo com que as indústrias lancem mão das estratégias diferenciadas. A principal frente de atuação dos fabricantes destes medicamentos está relacionada com os pontos de venda e muitas empresas chegam a, indiretamente, trabalhar com sistemas de incentivo sobre volume de vendas.
A concorrência fez com que os laboratórios passassem a ver o consumidor de forma integral. “Hoje a indústria precisa ter uma visão geral da doença, desde a prevenção, convivência e estrutura familiar. Dessa forma, elas cercam melhor o consumidor final. Não creio que haja uma ruptura entre o Marketing que era feito no passado e o atual, mas sim, uma diferença na forma de ver o consumidor”, pondera Ricardo Moura, Diretor da Unidade de Healthcare da GfK, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Trabalho com o médico
Apesar da importância do ponto de venda e a necessidade da atuação multicanal para atingir o consumidor, um dos principais approachs da indústria farmacêutica quando o assunto é Marketing de medicamentos ainda é o médico, principalmente no que diz respeito aos remédios chamados RX, ou seja, que necessitam de prescrição para serem comercializados. “O foco principal das indústrias ainda é o médico, isso porque a receita por si só não é mais geradora de demanda. Os médicos atuam prescrevendo com as bases científicas que são apresentadas pelos laboratórios e diante dos estudos de resultados dos medicamentos”, completa Ricardo Moura.
O próprio mercado acirrado obrigou os laboratórios a criarem estratégias e soluções criativas para buscarem diferenciação perante os concorrentes e para driblarem as regras da Anvisa. O que se vê hoje são especialistas de Marketing de grandes empresas de varejo e bens de consumo migrando para as indústrias farmacêuticas justamente com o objetivo de traçarem caminhos diferenciados. “Esse movimento profissional deu uma guinada no mercado. O que vejo é um cenário muito positivo, com um mercado ainda em franco crescimento e com a competição sendo alavancada pelos genéricos”, diz o Diretor da Unidade de Healthcare da GfK ao Mundo do Marketing.
"Média de gasto deve atingir 28% dos consumidores para a data festiva, segundo pesquisa da eCRM123. O índice empata com presentes entre R$ 51,00 e R$ 100,00."
*\\||//* Por Isa Sousa || 05/11/2012

O brasileiro pretende gastar mais de R$ 250,00 nas compras de Natal pelo e-commerce. Esse será o ticket médio para 28% dos CONSUMIDORES.
O índice é o mesmo para os que querem gastar entre R$ 51,00 e R$ 100,00 para a data mais representativa para o varejo nacional. Em seguida estão presentes de até R$ 50,00, para 25% dos entrevistados; de R$ 101,00 até R$ 150,00, para 11%; e de R$ 151,00 a R$ 250,00, para 8%. Os dados são da eCRM123, com base em entrevistas realizadas de 5 de outubro até 1º de novembro, e são parte de um estudo que será concluído até o fim deste mês.
"Montadora italiana aposta na junção de comunicação com relacionamento para reforçar sua marca junto ao público brasileiro e se diferenciar da concorrência."
*//||\\* Por Isa Sousa || 05/11/2012

Unir comunicação com relacionamento é o próximo desafio da Fiat para se diferenciar da concorrência. Com a meta de inovar em suas estratégias de Marketing, a montadora italiana fundou há dois anos a Agência Fiat. Fruto da união da Click Isobar e da Leo Burnett Tailor Made, a nova agência desenvolve trabalhos de forma individual com suas marcas, elaborando ações e campanhas para públicos específicos. A ideia é que em cada meta traçada pelo grupo tenha a integração das áreas digital e tradicional.
Em plataformas online a Fiat também tem sido ousada. Desde 2010, a montadora destina uma atenção especial à web com foco nos consumidores e prováveis compradores.
Da verba total destinada ao LANÇAMENTO de modelos, promoções e campanhas institucionais, entre 15% e 20% são direcionados para sites, redes sociais e ações para aplicação em celulares. Já as outras montadoras aplicam, em média, entre 8% e 10% nas ações online.
A CRIAÇÃO da Agência Fiat por si só é uma ação inovadora dentro do setor automobilístico. À época de seu lançamento, muitos chamaram o momento de “Quebra do Muro de Betim”, em referência a revolução que o Muro de Berlim causou e a nova agência estaria causando na cidade mineira onde a montadora tem sua sede. A união de conglomerados tão distintos – a online Isobar é vinculada ao inglês Aegis Media e a offline Leo Burnett ao francês Publicis – se explica pela força da Fiat no país. Em 2010, a companhia estava entre as 10 maiores anunciantes do Brasil, com um investimento de R$ 877 milhões. No ano passado, ficou em 11º lugar.
Um dos entendimentos para o foco no online é a repercussão obtida neste ambiente. “A TV aberta ainda é nosso maior canal de mídia, mas vimos nos últimos anos uma mudança no comportamento do consumidor, que se tornou mídia e também produtor de conteúdo.
Ser relevante é difícil, estamos em um novo cenário audiovisual e com novas tecnologias. Quem não inovar irá morrer nesse novo contexto”, indica Maria Lúcia Antônio, Gerente de Marketing da Fiat, em entrevista ao Mundo do Marketing durante o 4º Encontro Internacional Coppead de Comportamento do Consumidor.
A campanha “Dirija com responsabilidade”, feita com uma latinha de CERVEJA para impactar e reforçar o “se beber não dirija” é um case de sucesso para a marca. “Um ciclista foi colocado na ‘boca’ da lata e a frase dizia ‘agora você vê’ e, quando aberta, era dito ‘agora não’ teve um milhão de views nas redes sociais e, quando fomos para o vídeo, mais de cinco milhões, o que mostra as mudanças no perfil do consumidor, que passou a se interessar por novas mídias”, completa Maria Lúcia.
Um milhão de fãs não é suficiente
Com mais de 1,2 milhão de fãs no Facebook, hoje a Fiat possui uma das maiores audiências entre as montadoras na rede social. A Volkswagen, por exemplo, tem pouco mais de 770 mil usuários e a Chevrolet, 655 mil. Para a italiana, no entanto, visto de forma isolada o número não significa vantagem sobre a concorrência.
Para o grupo, audiência não resolve problemas e nem é vista como solução para alcançar os resultados esperados. “Não resolve porque a palavra hoje não é integração, mas sim engajamento e relacionamento. De alguma forma conseguimos fazer isso. Somos muito próximos, muito leves e isso é inovador e mexe com as pessoas. Nosso usuário recebe a Fiat de uma forma muito positiva e reconhece quando é surpreendido e, se reconhece, compra”, indica a Gerente de Marketing.
Outros desafios para a marca estão no excesso de informação, na briga por relevância e na mudança de comportamento do seu target. Nesse sentido, se tornou papel da Agência Fiat entender quem é e o que busca o novo brasileiro. “Ninguém acorda pensando ‘o que a marca vai fazer por e para mim’. É preciso ter produto, gerar experiência. Planejamento e CRIATIVIDADE podem andar juntos, apesar de difícil, não é impossível”, afirma Maria Lúcia.
Quando o consumidor entende
O entendimento da Fiat de que a forma que tem dialogado por meio das novas plataformas de comunicação e com um novo consumidor está no resultado final de suas ações. O exemplo para a companhia é com o lançamento do Fiat Cinquecento, em 2011.
A relação do tamanho do carro com a guinada profissional e econômica é característica no país. “Estamos em um momento de crescimento onde o carro diz muito mais sobre as pessoas que elas mesmas são capazes de falar e, quanto maior o carro, mais sucesso você tem. Conseguir vender um carro que é pequeno é muito diferente e mudar essa ideia das pessoas é muito interessante. Associamos o ‘subir na vida’ com um formato menor”, relembra Maria Lúcia.
Hoje, por um acordo em Brasil e México, a Fiat pode trazer mil Cinquecentos ao país. Segundo a montadora, todos os carros são vendidos assim que chegam. “Darwin dizia que não é o mais forte e nem o mais inteligente que sobrevive, mas o que melhor se adapta as mudanças. Nosso diferencial é que entendemos e isso e colocamos na prática”, define Maria Lúcia Antônio, Gerente de Marketing da Fiat, ao Mundo do Marketing.