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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Tecnologia e pesquisas avançadas movimentam mercado de cosméticos


"Tendência para setor de beleza é investimento em produtos multifuncionais e que agreguem mais valor ao consumidor. Sucesso na categoria é associado a constantes inovações."



*#:#* Por Priscilla Oliveira, do Mundo do Marketing | 16/09/2014



Está cada vez mais raro encontrar cosméticos que tenham apenas as características básicas e simples do processo de fabricação do produto. Um shampoo, por exemplo, não só limpa o cabelo, como também contém nutrientes específicos para cada tipo de fio. 

Os estudos e pesquisas feitas em torno dos itens da beleza mostram que a tecnologia hoje é fundamental para que as empresas ofereçam lançamentos cada vez mais próximos das necessidades das pessoas e com resultados eficientes e rápidos.

Atualmente, o Brasil é o segundo maior mercado de cosméticos do mundo, sendo que a pele do rosto tem uma atenção especial: 27% buscam melhorar a textura, 25% tratar e prevenir a acne e 23% minimizar a aparição de linhas de expressões e rugas, segundo pesquisa da Mintel. As subcategorias de protetores solares e produtos para o corpo, entretanto, têm um crescimento projetado de, respectivamente 12,5% e 12,4%, entre 2012 e 2016, bem à frente, do setor de Cuidados Faciais (6,3%).

Tantas variações podem gerar muitos gastos financeiros e de tempo para o cliente. As fórmulas híbridas, como base com protetor solar e BB e CC creams são as potências deste nicho por terem diversas funções em um só frasco. “As japonesas têm 10 etapas de cuidados diários por dia, enquanto a mulher brasileira tem duas. 

Os multifuncionais são uma tendência, porque há essa necessidade de utilizar produtos que tenham vários benefícios associados que se adequem a velocidade que ela vive”, conta Fernanda Balbi, Gerente de Comunicação Científica da L’Oréal, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Características únicas
Diferentemente de como era há alguns anos, em que um creme antirrugas apenas reduzia as linhas de expressão e o resultado demorava um longo tempo, este mesmo produto hoje contém particularidades moldadas a cada DNA. As variações trazem outros acompanhamentos como clareamento, controle da oleosidade da pele, além de divisões por faixa etária. 


A expectativa, no entanto, é que os multifuncionais extrapolem as linhas para tratamento da pele e alcancem os mais diversos segmentos de produtos do setor. Após estudos técnicos, a Vichy lançou o Sérum 10 Olhos e Cílios, com ação rejuvenescedora também para as pestanas. A peculiaridade mostra o quão avançada estão as tecnologias para a diferenciação de cada ser humano.

As inovações no setor são pensadas justamente em cada característica existente nas raízes inter-raciais dos brasileiros. “É uma posição nossa buscar algo diferente e que chegue a todos. Fazemos estudos de mercado para saber o que esse consumidor precisa. 

Não adianta ter tecnologia e realizar pesquisas sem um propósito definido. Além disso fazemos testes aprofundados em nossos centros de pesquisa para que o lançamento seja eficaz”, conta Fernanda Balbi.

A complexidade na fabricação e mesmo os nomes patenteados podem parecer inalcançáveis para uma parcela da população, mas muitas novidades já chegam facilmente a todas as classes sociais, sejam em clínicas de estética, por indicação médica ou compras por impulso em pontos de venda. “Independentemente da classe social a que ela se destine, os consumidores vão querer produtos melhores. 

O empresário que não investir ficará obsoleto. O cosmético passa um bem-estar ao consumidor e seja o salário dele qual for, ele quer um valor agregado”, afirma Marcelo Guimarães, Professor de Farmácia e Especialista em Cosmetologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Estudo constante
Estar consciente de que esta área de atuação precisa de análises e diagnósticos frequentes é o primeiro passo para o sucesso de uma companhia. “É fundamental que as marcas tenham um profissional que se aperfeiçoe em desenvolvimento de cosméticos, porque é um setor que hoje tem um perfil de qualidade muito exigente e temos que ter alguém que conheça melhor a modernização e os avanços envolvidos nessa fase”, conta Marcelo Guimarães.


Manter o pensamento em evolução faz com que a empresa se mantenha atualizada inclusive em questões ambientais. Há alguns anos os testes em animais eram considerados mais uma etapa na concepção de um cosmético. Hoje em dia, já foi provado que a eficiência desses testes é duvidosa. 

Além disso, já existem peles sintéticas capazes de responder como a real de um ser humano. Diversas fabricantes que ainda testam em animais têm sido repudiadas em todo o mundo por manterem o método arcaico. A reputação acaba manchada na mídia e entre outros consumidores.

A tecnologia melhorou também as embalagens, que conseguem manter as substâncias intactas por mais tempo e não afetam a qualidade do que é prometido no rótulo. “Com a pesquisa foi descoberta que havia ativos nocivos no frasco. Além disso outros componentes da fórmula eram prejudiciais e, com isso, o rendimento esperado era prejudicado. 

A cafeína, por exemplo, não ativa se misturada ao óleo mineral. Quem espera um agente termoativo e tem o opositor na mesma formulação já sabe que não terá o efeito. Conseguimos excluir todas as substâncias nocivas e hormônios de nossa produção”, conta Isabel Piatti, Diretora de Desenvolvimento de Produtos da Buona Vita, em entrevista ao Mundo do Marketing.


Burocracia interna
Apesar da boa vontade de muitas companhias, o marasmo que ocorre em algumas repartições públicas faz com que o registro de patente e aprovação nos estudos demore para ser respondido, o que faz com que produtos lançados no exterior cheguem com um certo atraso no país. 


“Em termo de registro, encontramos dificuldades. Em pesquisas, o governo nem sempre autoriza de forma ágil. Muitos laboratórios usam o Brasil como teste em lançamentos, porque somos promissores e poderíamos ser mais se não fosse a lentidão e burocracia”, conta Isabel Piatti.

Mesmo com um processo lento, o Brasil consegue receber um volume considerável de lançamentos importados ou com pesquisas feitas em outros países. Entendendo esse percalço, algumas empresas se programam com até dois anos de antecedência para trazer um produto ao país. Quando os estudos são feitos nacionalmente, ainda há uma possibilidade de reduzir a espera, que chega a um ano, dependendo do caso.

“O consumidor brasileiro tem buscado mais valor agregado. Com isso, percebo o aumento no número de produtos de tratamento capilar e maquiagem com mais inovações. A maioria ainda é indicada por médicos, porque envolvem componentes específicos para cada indivíduo exigem conhecimento. 

Mesmo assim, a tecnologia está mais acessível e deve ter cada vez mais presente nas indústrias e nas feiras”, conta Marcelo Mattos, Gerente de Projetos da Beauty Fair, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Dunkin’ Donuts prepara volta ao Brasil


"Rede de cafeterias norte-americana pretende abrir 150 lojas em território brasileiro. 65 unidades devem ser instaladas no centro-oeste, primeiro PDV inaugura ainda este ano."



*$:$* Por Luisa Medeiros, do Mundo do Marketing | 16/09/2014



A Dunkin’ Donuts volta ao Brasil depois de ter encerrado suas operações no país em 2005. A rede de cafeterias norte-americana pretende abrir 150 lojas em território brasileiro nos próximos anos, de acordo com informações do Wall Street Journal.

A empresa assinou um contrato com o OLH Group, que será o primeiro franqueado de Brasília e Goiás. A previsão é de que 65 unidades sejam inauguradas no centro-oeste e a primeira unidade da região deve iniciar as suas atividades até o final deste ano.
cafeteria, loja, Brasil

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Ideia empreendedora: Piggo transforma moedas em dinheiro virtual


"Insight para criação da startup veio a partir do problema que as empresas enfrentam de falta de moedas. Serviço é gratuito para comerciantes e clientes."



*#:#* Por Luisa Medeiros, do Mundo do Marketing | 15/09/2014



A relação entre o comércio e o troco é praticamente indissociável. Se existem transações feitas em espécie, lá estão as moedas. Estes discos de metal estão presentes no cotidiano, mas são desprezados por boa parte da população. 

Entre os argumentos, estão o barulho nas bolsas e carteiras, o peso e o baixo valor, que fazem com que vários trocadinhos sejam esquecidos no fundo de gavetas ou em compartimentos de carros. Esta questão corriqueira serviu de inspiração para a criação do sistema dedicado ao troco virtual, o Piggo.

Apesar dos cartões serem a principal forma de pagamento para muitos consumidores, o dinheiro de plástico ainda não substituiu integralmente o papel moeda. A startup pretende acabar com a dor de cabeça que o simples fato de entregar o troco ao consumidor pode trazer aos comerciantes. 


O problema se acentua ainda mais entre os pequenos e médios empresários, que lidam com vendas de baixo valor. A dificuldade está diretamente ligada à escassez de moedas em circulação, já que grande parte delas acaba perdida em máquinas de lavar ou presas em cofrinhos.

A reposição periódica feita pelo Banco Central não dá conta da demanda do mercado. A produção dos níqueis custa mais caro do que os valores que estampam. O R$ 0,01 saiu de circulação no Brasil devido ao seu custo, R$ 0,09 cada. “O Piggo é uma evolução natural das relações de troca. 


Para o estado, este serviço também é interessante, porque a maior parte da população não utiliza as moedas como ferramenta de troca, as pessoas as recebem e as guardam. É um tesouro fracionado espalhado por todo canto”, diz Gilberto Braga, Professor de Finanças do Ibmec Rio de Janeiro, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Como funciona
Um ponto positivo é a facilidade na adesão ao sistema, que é gratuita. O empreendedor pode optar pelo acesso por meio de uma plataforma móvel compatível com dispositivos Android, chamada Piggo PDV, ou sincronizar o software com o sistema de caixa da empresa.  Já o consumidor não precisa de cadastro prévio para receber o troco digital. 


Basta que, no momento da compra, ele informe o seu CPF e o número do seu celular. Posteriormente, terá que completar os dados do cadastro, validando-o por meio de um código enviado por SMS.  

O lojista deposita uma quantia destinada ao troco na conta do seu estabelecimento no Piggo e pode transferir a quantia para a conta dos seus consumidores sem custos. O cliente, por sua vez, pode trocar os bônus acumulados por recarga de celular, doar a instituições de caridade ou ainda utilizar como poupança e efetuar saques de tempos em tempos. 


“Dar troco físico é caro, têm empresas que contratam transportadoras de valores para levar moedas. Conheço companhias que vão às igrejas comprar troco”, diz Bruno Peixoto, Sócio-Fundador do Piggo.

O empreendedor começou a prestar mais atenção aos tostões enquanto tomava milk shake em uma lanchonete de Maceió. “O dono estava preocupadíssimo porque os preços da tabela iam subir de R$ 8,00 para R$ 9,00 no dia seguinte e ele não sabia como garantir as moedas de R$ 1,00 necessárias para o caixa poder girar. 


Naquele momento, comecei a pesquisar mais sobre o problema para saber as reais dimensões”, lembra Peixoto em entrevista ao Mundo do Marketing.

Aporte financeiro
A observação foi o ponto de partida para o desenvolvimento do projeto, que se tornou o trabalho central de Bruno Peixoto e de mais dois sócios. Antes, o trio se dedicava à criação de uma plataforma que se chamaria “Só pago isso”, que não saiu do papel. 


O desenvolvimento do sistema de troco online tomou forma e custou R$ 30 mil, de recursos próprios dos sócios para ser posto em prática. A startup recebeu ainda um aporte de R$ 198 mil como prêmio do Startup Brasil.

Os recursos cobrem a folha de pagamento, que conta com um Gerente Comercial, três Desenvolvedores e um Especialista em Segurança de Rede. A plataforma entra em funcionamento oficialmente em outubro, em Maceió, e deve se expandir para o restante do país até o final de 2015. A fase de testes do sistema conta com 10 estabelecimentos locais cadastrados. Os primeiros parceiros vieram da rede de contatos particulares dos fundadores.

A expectativa é de que os pontos se pulverizem rapidamente atingindo 23 mil empresas e 300 mil usuários no primeiro ano. A presença do aplicativo nos pontos de venda é fundamental para a sua aceitação entre o usuário final e, consequentemente, a consolidação do modelo.


“Assim como no caso dos cartões de crédito, o Piggo também depende da construção de uma boa base de recebimento do sistema para validar sua existência. A dimensão do Brasil dificulta isso porque os terminais podem ficar muito espaçados, o que se torna uma barreira para a construção de marca”, pontua João Contart, Diretor da Argotechno, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Atrativos para o comerciante e para o consumidor
Para as empresas, o benefício de aderir à plataforma está diretamente relacionado às vendas. A garantia de que o cliente não receberá bala como troco ajuda a construir credibilidade junto à clientela. “O lojista tem como principal benefício poder adotar uma política de preços com valores fracionados. Às vezes a diferença de R$ 0,05 atrai a clientela com relação ao concorrente e sem a limitação das moedas poderá honrar com o compromisso”, avalia Gilberto Braga.

O consumidor, já acostumado a não receber o troco quando o valor se limita a alguns centavos, terá um experiência positiva com o estabelecimento que honrar exatamente o preço proposto na prateleira. “Para o cliente, o preço de R$ 1,99 passa a percepção de ser muito menor do que o de R$ 2,00, por exemplo.


A diferença do preço tem um efeito motivacional de decisão do consumidor. Para o comércio, esta é uma arma importante. Com o meio de pagamento eletrônico, a pessoa vai pagar realmente R$ 1,99”, complementa o Professor de Finanças do IBMEC.

O desafio de monetizar
O consumidor e nem o comerciante pagam para entregar ou receber o troco por meio do Piggo. Então quem paga a conta? A empresa já se prepara para uma segunda fase nos negócios, em que quer ser percebida como mais do que uma intermediadora de troco, mas como uma carteira virtual. A ideia é que o consumidor passe a fazer compras nas redes credenciadas utilizando como meio de pagamento o dinheiro acumulado no aplicativo.

Depois que este mecanismo estiver em vigor, a empresa receberá tarifas por transação de compra realizada, assim como as bandeiras de cartão já fazem. No caso dos clientes que optarem por converter o saldo em crédito para celular, as operadoras pagarão comissões sobre o valor. “O boom do faturamento vai acontecer nesta segunda fase. Projetamos que, até outubro de 2015, estaremos nos pagando e lucrando”, conta Bruno Peixoto.

O grupo está otimista quanto à adesão dos consumidores. Um ponto positivo é o crescente número de pessoas que realizam transações bancárias via internet. No Brasil, quase 73% dos internautas acessam o banco online, de acordo com uma pesquisa da Opinion Box. Mas para que tudo saia como planejado a empresa não pode se descuidar da segurança dos dados monetários do consumidor. 


“Se o usuário vai depositar valores em uma plataforma, ele quer ter segurança de que ninguém poderá fraudar sua conta. Todos os processos de autenticação devem ser ajustados, este é um processo de construção”, comenta o Diretor da Argotechno.