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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Empresas sofrem de efeito iguana. Saiba o que é e como evitar


"Cultura organizacional pode limitar o sucesso quando não enxerga a longo prazo e quando não prioriza o que o consumidor deseja. Não ter medo de errar é fundamental."

 

*-.:.-* Por Priscilla Oliveira | 03/08/2015



Em momentos difíceis para as empresas, com faturamento cada vez menor e orçamentos se tornando enxutos, uma questão paira na mente de diversos gestores: por que algumas companhias e marcas se destacam e crescem, enquanto outras sofrem com queda nas vendas? A diferença está no comportamento que cada uma apresenta frente a questões como inovação e sobrevivência. 

A cultura organizacional, nesse momento, é peça chave para o sucesso.
A forma com que lidam com a concorrência e o futuro pode mais aprisionar a companhia do que dar a ela oportunidades para crescer. 

No livro “Efeito Iguana”, de Graziela di Giorgi, a autora aborda como algumas marcas ainda mantêm uma visão fria e instintiva frente aos problemas. O fato de o réptil não chorar é o que leva à alusão a ele, simbolizando a falta de interesse real desse grupo pelas pessoas e a falta de análise de longo prazo.

Hoje, já não é mais aceitável que uma empresa foque seu pensamento apenas no lucro. “Uma das grandes motivações para inovar, para a empresa iguana, é aumentar o faturamento, o market share, mas essa é uma resposta incompleta, porque é apenas consequência de gerar um valor percebido para quem usa o seu serviço. 

A Apple, a Microsoft, a Nike desenvolvem serviços com base na necessidade do usuário e é isso o que os clientes querem, mas essa visão, muitas vezes, não está nem no discurso das marcas”, diz Graziela di Giorgi, Diretora-Geral do Grupo Consultores, em entrevista à TV Mundo do Marketing.

Ser visionária
Para conseguir evoluir, um dos principais pilares da companhia deve ser o foco no consumidor. “A empresa tem que saber quem é, precisa ser autêntica. O ser é maior do que o ter. É preciso ter um propósito claro do porquê existe. A partir daí, ela vai para um segundo nível, torna-se uma empresa empática. Um terceiro nível é ocupado pelas empresas visionárias, que sabem o que querem ser dentro de um tempo”, ressalta Graziela.


Justamente em um ano como o de 2015, que exige adaptação das marcas, aquelas que se prepararam para uma possível desestabilização são as que continuam mantendo suas vendas. “A inovação tem o mito de sempre ocorrer no futuro. 

É preciso fazer hoje, trazer para o presente o que as empresas querem ser no futuro. Ter uma visão a longo prazo é um sintoma de que ela está indo pelo caminho correto”, conta Graziela.

O medo de arriscar e sofrer possíveis perdas é um dos entraves, mas ter a consciência de que esse sentimento impede a sobrevivência é o primeiro passo a dar. “Já está comprovado cientificamente que o ser humano possui uma aversão ao fracasso e valoriza mais a tristeza do que a alegria. 

Nas entrevistas para escrever o livro, fiz uma análise com uma perspectiva da psicologia econômica e desenvolvi 12 sintomas pelas quais se consegue perceber como iguana e 12 estímulos para deixar de ser uma. Com isso, podemos abrir novos caminhos para a inovação”, diz Graziela.

Riscos e acertos
Uma atitude estratégica simples pode originar diversas oportunidades. Permitir-se errar e estar preparado para isso é algo que ocorre constantemente nas startups, mas que grandes companhias ainda evitam. “É preciso que haja uma verba destinada para as tentativas e falhas. 


Se der errado, estava previsto; se der certo, vc pode aumentar esse budget. Uma das coisas mais interessantes que ouvi é que errar faz parte de um caminho que nunca foi trilhado. Provavelmente, você vai pegar um caminho errado, mas pode tirar benefícios disso”, afirma a Diretora-Geral do Grupo Consultores.

Ser responsável por suas escolhas e estar atenta ao que os consumidores querem faz com que os deslizes não tomem uma proporção maior do que poderia haver caso a postura da companhia fosse outra. 

A Havaianas é um exemplo de empresa que assumiu o erro rapidamente. Em 2009, uma ação publicitária protagonizada por uma avó moderninha foi alvo de críticas, o que fez com que a marca de calçados respondesse aos consumidores antes que se tornasse uma polêmica.

Se na fabricante de chinelos a nova comunicação não agradou, na Fiat a tentativa de incluir um novo modelo jamais antes implantado na montadora agradou. “Nas grandes companhias, a dificuldade de inovar é maior, porque há uma hierarquia muito grande. 

Ainda assim, eles investiram uma parte de recursos para o projeto do Uno, que fez sucesso e gerou aprendizado às outras marcas, que aproveitaram a experiência. Possuir olhos e ouvidos próprios para captar o que diz seu cliente é fundamental. Hoje, terceirizam muito e, com isso, há um filtro do que é coletado”, conta Graziela.

Quando uma empresa passa a ver o negócio pela própria ótica, mostra que está sensível ao que as pessoas querem e se adianta às tendências. Ainda que um produto obtenha aceitação do mercado, essa posição pode não durar para sempre, por isso enxergar além do presente traz fôlego para a sobrevivência da marca. 

Foi o que aconteceu com a Blockbuster ao perder espaço para a Netflix. O serviço de streaming entendeu que os consumidores não queriam mais sair de casa para pegar e entregar os filmes e deu a eles essa opção antes de oferecer a versão digital.

Capacidade para todos
Uma cultura organizacional não é algo que se transforme do dia para a noite, mas a partir da compreensão de que o atual comportamento não está levando a empresa para nenhum rumo, muito pode ser feito entre os colaboradores. “Eu acredito no empoderamento das pessoas para que elas possam multiplicar isso no local de trabalho. 


Ao usarem no dia a dia, elas enraizarão esse pensamento. É um processo contínuo e que pode encontrar dificuldades no caminho”, afirma Graziela di Giorgi.

Dar tempo para pensar em novas possibilidades é um dos movimentos que já vem ocorrendo em alguns escritórios. A correria diária tende a deixar os profissionais muito ocupados nas tarefas que já possui. O que a liderança transmite é que vai dirigir para o novo ideal. Se oprime o erro, ninguém vai tentar, mas se permite errar, há uma predisposição à tentativa e ao risco.

De qualquer forma, entender que existirão momentos “iguana” faz com que haja uma postura mais racional frente a situações decisivas. “Às vezes, passamos por fases apáticas, em que não conseguimos enxergar além. Isso aconteceu com a família que administrava o The Washington Post. 

Ao verem que não queriam apenas o sucesso, eles entenderam que precisavam de mais e passaram o comando para quem sabia fazer esse algo mais. Isso ajudou a levantar o jornal”, conta Graziela.

Tal postura mostra amadurecimento e segurança frente ao desconhecido. Por esse motivo, quem age mais como humano do que como o réptil cresce muito mais do que as empresas que não mudam. “Todos que estão voltados ao capitalismo consciente, lucram mais ao abrir mão do lucro. 

É curioso como isso acontece, mas é o simples pensamento de que o lucro é consequência do valor percebido”, pontua a Diretora-Geral do Grupo Consultores.

Assista ao hangout completo com Graziela di Giorgi.

Leia também: Inovação pelos olhos do consumidor. Pesquisa no Mundo do Marketing Inteligência. Conteúdo exclusivo para assinantes.

Inovação

domingo, 2 de agosto de 2015

Nutella ganha super embalagem com 650 gramas


"Versão em tamanho família chega para atender a pedidos dos fãs do produto e, também, profissionais do mercado culinário. Novidade, por enquanto, só está disponível no Sul e Sudeste."



*-.:.-* Por Roberta Moraes | 31/07/2015


A Ferrero coloca no mercado versão gigante de Nutella, com 650 gramas. O creme de avelã em tamanho família pode ser encontrado nos hipermercados e atacadistas da região Sudeste e Sul do país ao preço sugerido de R$ 27,50. A novidade chega para integrar ao portfólio da marca que já conta com as embalagens de 140 gramas e 350 gramas.

Além de atender a pedidos dos consumidores, que queriam uma opção para compartilhar com amigos e parentes, o tamanho diferenciado também poderá ser utilizado por profissionais do mercado culinário por conta da relação custo-benefício, já que o preço por grama será mais baixo na embalagem maior.
Nutella

Geração Y não age exatamente do jeito que você pensa


"Generalizações sobre o comportamento dessa geração no mercado de trabalho podem estar levando empresas a focarem nas questões erradas para atrair e reter talentos."

 


*-.:.-* Por Renata Leite | 31/07/2015



A atração e a retenção de talentos é uma das chaves para o sucesso de uma companhia, o que justifica a preocupação de muitos gestores em descobrir as melhores formas para motivar e engajar os profissionais da Geração Y. 

Também conhecidos como Millennials, os jovens nascidos entre 1980 e 2000 já são maioria na força de trabalho: nos Estados Unidos, representam 37% do total de empregados, ante 34% de Baby-Boomers - grupo formado pelos nascidos entre 1960 e 1980. Os líderes, entretanto, podem estar se guiando por generalizações um tanto equivocadas.

O senso comum de que a Geração Y não está preocupada com a carreira é o primeiro conceito derrubado por uma reportagem publicada esta semana na revista The Economist. 

Um levantamento realizado pela empresa de consultoria CEB - que entrevista 90 mil profissionais americanos a cada trimestre - mostrou que, entre os Millennials, 33% colocam a oportunidade de crescimento futuro dentro da companhia como uma das cinco principais razões para escolher um emprego. Esse índice é de 21% em outras gerações.

Outra máxima que foi por terra refere-se ao suposto comportamento colaborativo desse grupo mais jovem no mercado de trabalho, que seria estimulado pelas redes sociais. A pesquisa apontou que são justamente os Millennials os mais competitivos: 59% deles disseram que a competição é o que os levanta da cama diariamente, pela manhã. 

O levantamento mostrou ainda que 58% dos profissionais da Geração Y dizem comparar suas performances com a de seus pares, enquanto nas demais gerações esse índice é de 48%.

Valorização do feedback
Outro sinal de que esse grupo seria formado, em parte, por individualistas e não por colaboradores é a falta de confiança entre eles. Apesar das frequentes trocas de mensagens por smartphone, 37% dos Millennials dizem não confiar em seus pares, comparados aos 26% de outras gerações. A conclusão é de que as generalizações aplicadas ao grupo se tornam extremamente inconsistentes, quando se lança um olhar mais acurado.


Os mitos não param por aí. Muito se fala de que a Geração Y é impaciente com qualquer freio ou imposição, o que a leva a não querer receber ordens. Segundo o levantamento da CEB, entretanto, 41% concordaram que os empregados precisam fazer o que seus chefes mandam, ante 30% dos Baby Boomers e 30% da Geração X. 

Os mais jovens também valorizam os feedbacks dos gestores, especialmente aqueles dados pessoalmente, tanto é que 90% afirmaram querer receber avaliações de performance  e discutir a carreira com seus líderes.

Os dados não excluem a existência de diferenças entre os grupos segundo a faixa etária, mas sugerem que elas estariam mais no comportamento de consumo do que no campo do trabalho. 

A geração conectada está, por exemplo, mais inclinada a ler notícias no site BuzzFeed do que os Baby Boomers. Os reflexos comportamentais no emprego seriam bem menores, tirando um peso das costas dos gestores.

Mudança de ação
Hoje os líderes vivem preocupados em dar liberdade para esse grupo e em aumentar os orçamentos destinados a ações socioambientais, já que os Millennials demonstram ser mais comprometidos com os problemas da humanidade. 

O grupo estaria sempre em busca de um significado para o que fazem, sob o risco de abandonarem a empresa se não o encontrarem. 

A pesquisa da CEB, no entanto, mostra que pode ser mais importante colocar ênfase nas recompensas individuais e em prover esses indivíduos com planos de carreira claros para retê-los nos quadros da companhia.

A matéria da The Economist ressalta ainda que, mais do que categorizar gerações segundo rótulos comportamentais, é fundamental tratar as pessoas como indivíduos diferentes. 

E que todas as faixas etárias estão em busca de questões semelhantes: ter um trabalho interessante para fazer, ser recompensado por suas contribuições e ter a chance de trabalhar duro e ir adiante no percurso profissional.

Leia também: 5 coisas que os profissionais de Marketing devem saber sobre os Millennials. Pesquisa no Mundo do Marketing Inteligência. Conteúdo exclusivo para assinantes.
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