"Rede varejista quer concentrar os esforços em negócios mais maduros e reduzir custos. Empresa passou a investir na comercialização de produtos por catálogo em 2012."
*.=-=.* Por Bianca Ribeiro | 28/09/2015
A rede varejista Marisa encerra as operações de venda direta iniciada em 2012. A crise econômica foi o motivo da descontinuação deste modelo de negócio que conta com a atuação de consultoras e catálogos de compras.
Nesta segunda-feira, 28 de setembro, a direção da companhia emitiu nota afirmando que a iniciativa se dá para que os esforços da empresa se concentrem em negócios mais maduros e para reduzir custos.
As operações com venda, troca de mercadorias feitas pelo canal de venda direta serão encerradas no fim de outubro. Os consumidores de cidade onde a rede não possui lojas físicas poderão contar com o e-commerce.
A decisão da varejista é um reflexo direto de como a crise econômica está impactando as famílias brasileiras, que estão perdendo o poder de compra, e como consequência mudando os hábitos.
No segundo trimestre do ano, o consumo teve queda de 2,1% em relação aos três primeiros meses do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este foi o pior desempenho desde o terceiro trimestre de 2001, quando o recuo foi de 3,2%.
"Com aumento anual de 147% no número de usuário, plataforma pode ser uma oportunidade para as empresas estarem perto do consumidor quando ele busca inspiração."
*-.-.-* Por Roberta Moraes | 01/10/2015
Um lugar para se inspirar e motivar pessoas. Esta é a proposta do Pinterest, espaço de descoberta visual que ajuda os internautas a encontrarem e compartilharem interesses.
A plataforma, que recentemente chegou a marca global de 100 milhões de usuários, ainda não tem dados consolidados sobre o número de brasileiros que a utilizam, mas o planejamento já está bem traçado: o Pinterest quer se consolidar por aqui.
E isso já está acontecendo. O crescimento anual do site no Brasil é de 147% em número de usuários e o país é um dos cinco fora dos Estados Unidos que contam com um escritório dedicado, comprovando a relevância do mercado brasileiro para o canal.
Para impulsionar a presença da comunidade brasileira, o Pinterest investe em ações de relacionamento. O time nacional está promovendo diversos encontros com pinadores (usuários da plataforma) para aumentar o engajamento e promovê-la pelo boca-a-boca.
Um dos últimos aconteceu na semana passada no Rio de Janeiro e contou com a participação da Comunity Manager dos Estados Unidos, Enid Hwang, usuária da plataforma desde o início e funcionária número seis da empresa. O objetivo dessas reuniões é estimular a produção de conteúdo em português para impulsionar o interesse dos brasileiros.
Aumentando o número de usuários, cresce também o interesse das marcas em estarem presentes na plataforma.
O fortalecimento do canal por aqui possibilitará a vinda de ferramentas disponíveis apenas para o mercado norte-americano como posts patrocinados e a inserção do botão “Compre”, que levará o usuário direto para o e-commerce.
Mas para chegar neste estágio, ainda há um longo caminho a ser percorrido. “É importante que desde já as empresas comecem a investir na plataforma, desenvolvendo suas estratégias e publicando seus conteúdos. Montar um perfil interessante no Pinterest demanda tempo, é por isso que a nossa sugestão que as marcas comecem logo para acompanhar o crescimento da plataforma no Brasil.
Este momento é fundamental para que as empresas consigam montar seus planejamentos e perceber que tipo de postagem funciona melhor para a sua audiência”, explica Bruna Toni, Comunity Manager do Pinterest no Brasil, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Espaço para as empresas
Estar na plataforma quer dizer que a marca estará conectada a um banco de intenções de milhões de pessoas, pois, em geral, os painéis representam o que seus proprietários almejam. “O Pinterest é muito aspiracional e inspiracional.
O que as marcas podem fazer é colocar conteúdo que leve audiência para ela, trabalhem o desejo das pessoas e disseminem o conceito por trás da marca – mais do que simplesmente vender. Muitos usuários têm painéis com a wish list, onde são colocadas as fotos que representem os desejos delas e essa pode ser uma ótima oportunidade para uma empresa oferecer o seu produto”, acrescenta Bruna.
É por isso que as marcas devem estar atentas a algumas estratégias para garantir a conversão. A primeira delas é manter uma conta corporativa, pois é a que permitirá que o perfil tenha mais recursos.
Além disso, é importante incluir o botão de “Pin it” no próprio site, permitindo que as pessoas levem imagens da página para a plataforma. A frequência das postagens, ou pinagem, também é muito importante, pois quanto mais conteúdo, maior a possibilidade das pessoas verem e viralizá-lo no Pinterest.
Assim como vem acontecendo com outras plataformas, a melhor maneira de atrair esse consumidor é oferendo postagens relevantes para o momento de vida dele. O que é muito diferente de apenas vender um produto. “O Pinterest é uma plataforma diferenciada porque permite que as marcas envolvam seus públicos.
Vemos, por exemplo, empórios que postam os benefícios dos alimentos orgânicos e ainda apresentam uma receita no fim do dia. Ou seja, eles não estão vendendo nada, apenas oferendo conteúdo e dicas.
Esta não é uma rede social para estabelecer uma conversa, mas um canal onde as pessoas querem ver o que elas de fato estão interessadas e se realmente se encantarem com aquele pin, elas poderão entrar no site das marcas para obter mais informações, efetuarem uma compra ou em um blog para pegar uma receita”, exemplifica Enid Hwang, Comunity Manager do Pinterest nos EUA, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Oportunidade para todos os segmentos
Nesta variedade de postagem, a plataforma conta com um acervo com 100 milhões de painéis de comida, 60 milhões sobre moda, 90 milhões de jardinagem, 40 milhões sobre cabelo e beleza e 70 milhões com DIY (abreviação de Do It Yourself, faça você mesmo).
Apesar desses números, engana-se quem pensa que são apenas as marcas ligadas à moda e beleza que estão aproveitando a ferramenta. Negócios com maior valor agregado, mas que seus serviços ou produtos também estão no imaginário coletivo com itens de desejo, utilizam a plataforma para oferecer conteúdo e marcar presença no momento em que o consumidor está “sonhando acordado”.
Este é o caso da Tecnisa, que há 14 anos mantém uma forte presença digital e que mesmo atuando em um segmento que requer mais planejamento do que impulso – a compra de um imóvel - não abre mão de experimentar todos os canais online disponíveis para estar mais perto dos consumidores.
Com isso, 43% das comercializações da construtora provém do digital. Essa posição de vanguarda fez com que a empresa apostasse no painel virtual desde o surgimento dele, há cinco anos. Ao longo dessa trajetória, o perfil já acumula quase cinco mil seguidores e mais de três mil pins (post) distribuídos em 48 painéis.
Com uma linha editorial bem definida, a Tecnisa aproveita a estrutura oferecida pela plataforma para segmentar as postagens e mantém uma tela destinada para cada empreendimento, além de outros com sugestão de decoração, dicas para mulheres, assuntos atemporais ou posts exclusivos para cada período do ano, como carnaval, Natal e inverno.
A estratégia de inovação tem dado certo e 22% da visita orgânica do site da empresa é oriunda das publicações nas redes sociais. “É importante adequar a realidade e à finalidade de cada plataforma. Temos os temas principais a serem tratados, que orbitam no universo de moradia e de convivência do imóvel e, com isso, produzimos especificamente para cada canal.
Decoração é um tema muito forte e mantemos, inclusive, um canal exclusivo para esse tema no Youtube que faz um Cross link com o Pinterest. Investimos em posts com DIY, boards temáticos e em conteúdo que realmente seja relevante para o nosso público”, comentou Denílson Novelli, Gerente de e-business da Tecnisa, em entrevista ao Mundo do Marketing.
"Consumidoras mais abastadas trocam marcas e deixam os investimentos em beleza para segundo plano por conta da instabilidade financeira e medo de não conseguir honrar compromissos."
*.=-=.* Por Roberta Moraes | 29/09/2015
Trocar marcas, reduzir a visita ao salão de beleza e ao supermercado, repetir roupa em eventos sociais e colocar-se em segundo plano a favor dos filhos. Estes são alguns comportamentos que sempre fizeram parte da rotina das mulheres da Classe C e que começaram a ser adotados pelas consumidoras mais abastadas.
A instabilidade econômica e o medo do desemprego estão fazendo com que mulheres de todos os níveis sociais tenham hábitos de compras parecidos. Isso é o que destaca a pesquisa “O Consumo Feminino em Tempos de Crise”, realizado pela Ferraz Pesquisa de Mercado.
O levantamento mostra ainda que a palavra de ordem para todas elas neste momento é: economia. Ajustar o orçamento à nova realidade está tirando o sono dessas mulheres que, na maioria das vezes, são as responsáveis por administrar a receita familiar.
Afinal, desde o início da sociedade contemporânea coube a elas o papel de conduzir as questões domésticas: da alimentação, aos anseios dos filhos. Com a entrada no mercado de trabalho a responsabilidade cresceu ainda mais, fazendo delas provedoras e aumentando, principalmente, a autonomia para tomar decisões sobre as compras.
Diante desde novo cenário, as empresas devem repensar seus planejamentos para que as ações de Marketing sejam mais assertivas e que atendam aos anseios dessas mulheres preocupadas com as contas. É o momento de se posicionarem ao lado das consumidoras apoiando e dando suporte neste momento desafiador.
“Além de falarem em economia, as marcas devem estar atentas em suas estratégias de comunicação em proporcionar ações que ajudem às mulheres a se conscientizarem sobre o consumo sustentável, que estimulem a reeducação financeira.
Porque a consciência é levada para o resto da vida e a economia fica só por um período”, sugere Angelita Ferraz, Sócia-Diretora da Ferraz Pesquisa de Mercado, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Mais ações no ponto de venda
Estar ao lado dos consumidores no momento em que eles mais precisam é uma das 10 tendências globais de consumo que estão impactando marcas em 2015, apresentadas pela Trendwatching no início do ano, e que devem se consolidar. “Não adianta mais falar apenas da venda direta, estimulando a compra pela compra, pois, atualmente, isso não funciona mais.
As empresas devem estar atentas para ocuparem um papel de parceria com as suas consumidoras, fazendo a venda de maneira mais consciente, trabalhando a autoestima da mulher e indo por um caminho mais próximo, mais feminino na abordagem. Diferente do que sempre foi usado no mercado, que é o venha comprar”, acrescenta Angelita.
Além de se mostrar solidária diante dos desafios, as empresas também devem se preocupar em promover ações no ponto de venda para apresentar novas marcas para as consumidoras e, mais do que isso, oferecer soluções para as mulheres que estão se equilibrando com as contas.
Apesar do momento não estar muito propício para a aquisição de produtos premium, mais caros, esse público não abre mão da qualidade, pois o impacto será sentido pela família. Esse momento está abrindo novas possibilidades para as mulheres da classe A/B.
Se antes elas só compravam os líderes das categorias, agora elas se permitem experimentar produtos de marca própria. E isso pode gerar uma nova fidelização, caso os fabricantes realmente entreguem um produto de qualidade.
Esses novos hábitos podem provocar uma mudança completa no consumo das brasileiras, mesmo depois que esse período de recessão acabar. Com a renda curta, elas passaram a se informar mais. No aperto, elas investem mais tempo analisando os rótulos e estão descobrindo que muitos produtos de marca própria dos supermercados são fabricados pelas mesmas empresas que produzem os mais famosos.
Além disso, a pesquisa também mostra que as famílias não estocam mais alimentos, hábito adquirido nas épocas mais prósperas. Por medida de economia elas passaram a repor os itens em falta, salvo em caso de liquidações. Além disso, para encontrar as ofertas, as compras estão sendo feitas em mais de um supermercado.
A influência da maternidade
Responsável pela maior parte dos produtos que entram em casa, as mulheres não abrem mão de realizar os desejos dos filhos e para isso são capazes de reduzir gastos que fazem com elas mesmas para sobrar mais para os rebentos. “O impacto sofrido na classe A/B é percebido principalmente nas famílias com filhos.
A mulher brasileira alcançou a independência, entrou no mercado de trabalho, o que a deixa mais fora de casa. E esse é um dos fatores que fazem com que as mães sintam muita culpa e tentem compensar essa ausência com presentes e realizando as vontades deles”, acrescenta a Diretora da Ferraz Pesquisa de Mercado.
Não são só as mulheres da classe A/B que fazem de tudo pelos filhos, seis em cada 10 mães brasileiras (64,4%) não resistem aos apelos dos pequenos quando eles pedem algo desnecessário, segundo levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas.
E para sobrar mais dinheiro para atender aos desejos deles, as consumidoras estão espaçando as idas ao salão de beleza, pensando mais antes de comprar uma roupa nova, reduzindo as saídas, optando por lazer gratuito, abrindo mão da academia e dos tratamentos estéticos.
Das famílias que ainda continuam fazendo refeições fora de casa, o restaurante à la carte foi substituído pelo a quilo, que são mais em conta. Todas essas mudanças e, principalmente, não ter mais condições em investir no próprio bem-estar podem causar uma baixa autoestima nessas mulheres.
Com o uso da criatividade e do bom senso elas estão se adaptando à nova realidade. Pois estão dispostas a fazer qualquer coisa para evitar o sofrimento da família e afastar seus principais medos: desemprego, instabilidade financeira e acúmulo de contas.
Para não ficar no vermelho elas passaram a fazer hidratação no cabelo em casa, as próprias unhas, recorrer a cupons de descontos e promoções oferecidas por e-commerce. A pesquisa mostra ainda que as mais endinheiradas também estão modificando seus hábitos.
Se antes elas compravam roupas novas para cada evento, agora elas se permitem repetir o visual. Esse temor por conta das dificuldades financeiras está transformando a percepção delas em relação às compras. Se antes gastar era sinônimo de prazer, agora, elas se sentem culpadas.
Apesar da grande dificuldade financeira e da necessidade de se adequar a essa nova realidade, o período está sendo de grande aprendizado para essas mulheres que estão aproveitando para passar valores mais importantes para os filhos.
Com as contas de energia e água estão mais caras, assuntos como desperdício e reaproveitamento estão cada vez mais frequentes nos lares, ao lado de ensinamentos sobre a importância em economizar e poupar dinheiro.
Além disso, muitas participantes do levantamento afirmaram que os novos hábitos adquiridos farão parte do resto da vida, como a busca pela qualidade de vida, consumo de produtos mais simples e hábitos mais saudáveis.
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