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terça-feira, 26 de maio de 2020

Ladrão de senhas brasileiro para Android chegou à Play Store disfarçado de solução de segurança, alerta empresa

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Aplicativo utilizou permissão destinada a programas para pessoas com necessidades especiais. 
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 Por Altieres Rohr  
 É fundador de um site especializado na defesa contra ataques cibernéticos  
 26/05/2020 07h00  Atualizado há 6 horas  
 Postado em 26 de maio de 2020 às 13h10m  

Defensor Digital, um dos dois aplicativos suspeitos que chegaram à Play Store.  — Foto: Reprodução
Defensor Digital, um dos dois aplicativos suspeitos que chegaram à Play Store. — Foto: Reprodução
Uma praga digital de origem aparentemente brasileira conseguiu chegar à Play Store do Google, a loja oficial de conteúdo e software para smartphones com Android. Criado para roubar senhas bancárias, o aplicativo "DEFENSOR ID" foi identificado pelo especialista em segurança Lukas Stefanko, da fabricante de antivírus Eset.

O "DEFENSOR ID" prometia "mais segurança ao utilizar aplicativos", com "criptografia para usuários de ponta a ponta". O app, no entanto, não possuía nenhum desses recursos.
Em vez disso, ele requisitava as permissões de acessibilidade do Android. Caso a vítima concedesse essa permissão, o "DEFENSOR ID" passava a ter acesso a tudo que era digitado ou visualizado na tela.

De acordo com Stefanko, informações como SMS, e-mails e senhas – inclusive as geradas por aplicativos de autenticação de dois fatores – eram encaminhadas a um servidor de controle mantido pelos criadores do código. Isso permitia ao programa espião derrotar a maioria das medidas de autenticação em duas etapas.

As permissões de acessibilidade são voltadas para apps que facilitam o uso do smartphone por quem possui dificuldades de visão ou audição. Por esse motivo, elas são utilizadas por apps leitores de tela, que convertem texto em áudio. Isso exige acesso total a tudo o que é visualizado.

Não é incomum que programas maliciosos se aproveitem dessa permissão, já que ela dá acesso a informações que, por regra, ficam fora do alcance dos aplicativos.

Embora tenha chegado à loja do Google, o app conseguiu acumular apenas 10 instalações antes de ser removido da Play Store. Mas outra versão do aplicativo, chamada de "Defensor Digital", alcançou 100 downloads na Play Store, conforme apuração do blog. Essa versão não foi analisada pelo especialista da Eset, pois já havia sido removida da loja quando o "DEFENSOR ID" foi encontrado.

Segundo Stefanko, o "DEFENSOR ID" conseguiu evitar a atenção dos programas de segurança reduzindo sua atividade maliciosa ao mínimo necessário. Pragas digitais normalmente combinam várias ações suspeitas, mas o "DEFENSOR ID" se manteve operante apenas com as permissões de acessibilidade. Além de burlar os filtros da Play Store, nenhum dos mais de 60 antivírus no site "Virus Total" identificou o programa como suspeito.
"DEFENSOR ID", cadastro na Play Store. Aplicativo oferecia 'mais proteção ao utilizar seus aplicativos'.  — Foto: Reprodução/Eset
"DEFENSOR ID", cadastro na Play Store. Aplicativo oferecia 'mais proteção ao utilizar seus aplicativos'. — Foto: Reprodução/Eset

Controle remoto do smartphone
De acordo com Stefanko, o "DEFENSOR ID" era capaz de controlar o aparelho de celular, iniciando aplicativos e falsificando toques em áreas específicas da tela. É possível que os criminosos tivessem a intenção de roubar as contas bancárias das vítimas simulando um acesso a partir dos próprios aparelhos contaminados.

No início de 2019, a Diebold Nixdorf detectou um ladrão de senhas bancárias brasileiro com esse mesmo comportamento. Na época, o app também conseguiu chegar à Play Store.

Porém, ao contrário do programa identificado no ano passado, o "DEFENSOR ID" não é capaz de assumir o controle do smartphone se a tela for bloqueada. Por conta dessa limitação, ele muda a configuração do desligamento de tela do smartphone para "10 minutos". Com isso, o smartphone só será bloqueado se o botão de bloqueio for pressionado ou após dez minutos de inatividade.

Se o smartphone não for bloqueado de forma deliberada, os hackers têm esse intervalo de dez minutos para acessar o aparelho remotamente.

Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Coronavírus: Chefe do Tinder diz que pandemia mudará 'drasticamente' os relacionamentos

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Elie Seidman falou sobre o impacto da pandemia nos relacionamentos e como seu aplicativo vai reagir
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 Por BBC  

 Postado em 25 de maio de 2020 às 20h00m  

Elie Seidman virou executivo-chefe do Tinder em 2017 — Foto: Getty Images via BBC
Elie Seidman virou executivo-chefe do Tinder em 2017 — Foto: Getty Images via BBC
O coronavírus teve um efeito "dramático" na maneira como as pessoas usam o aplicativo de encontros Tinder, disse seu chefe à BBC News, mas as mudanças se adequam aos planos que ele já tinha para a plataforma.

A quarentena trouxe efeitos variados para plataformas de encontro on-line como o Tinder, de acordo com seu executivo chefe Elie Seidman.

Por um lado, o envolvimento dos usuários aumentou, uma tendência relatada por outros aplicativos de namoro também.

Os usuários do Tinder fizeram 3 bilhões de matches no mundo todo no domingo, 29 de março, o máximo que o aplicativo já registrou em um único dia. No Reino Unido, as conversas diárias aumentaram 12% entre meados de fevereiro e o final de março.

Houve uma "mudança dramática" nas métricas de comportamento que normalmente são estáveis, diz Seidman.

No entanto, o impacto econômico da quarentena significa que as pessoas têm menos dinheiro para gastar.

Esta não é uma notícia tão boa para o Tinder, que é uma plataforma gratuita, mas depende de assinaturas premium para sua receita.

"Os números do desemprego [dos EUA] são duros de ver", diz Seidman. "Estou muito preocupada com o que vai acontecer com a economia e com o impacto que isso terá sobre muitos de nossos membros."

O Tinder foi baixado mais de 340 milhões de vezes desde o seu lançamento em 2012. Mas a grande maioria de suas receitas vem de apenas 6 milhões de assinantes que pagam pelo serviço "ouro". A proporção desses preciosos usuários pagantes diminuiu com a quarentena.

Os dados da empresa mostram que as novas inscrições para membros premium começam a crescer onde as quarentenas estão sendo suspensas, diz Siedman.

"Dá para ver o retorno estado a estado [nos EUA], à medida que o pico da crise começa a passar."
As pessoas estão usando mais o Tinder na quarentena — Foto: Getty Images via BBC
As pessoas estão usando mais o Tinder na quarentena — Foto: Getty Images via BBC

Outras plataformas que oferecem inscrição gratuita notaram algo semelhante durante a quarentema.

"Vimos um aumento na atividade", diz Charly Lester, especialista em namoro da plataforma The Inner Circle. "O número de mensagens enviadas aumentou 10%, mas também percebemos menos disposição para pagar."

Siedman diz que talvez seja preciso esperar dois ou três trimestres financeiros para ver todo o impacto econômico no Tinder, à medida que a escala da crise global se tornar clara.
A outra questão que ficará clara com o tempo é se a popularidade do encontro virtual, por videochamada, veio para ficar, uma vez que os encontros físicos com estranhos se tornam mais possíveis.

Plataformas como eHarmony, OKCupid e Match relataram um grande aumento nos vídeos.
O Tinder planeja lançar sua própria função de encontro por vídeo em junho, diz Seidman.
O serviço de videochamada operará com uma política de dupla aceitação, portanto os dois terão que concordar com isso. Será gratuito.
Charly Lester é especialista em encontros do aplicativo The Inner Circle — Foto: BBC
Charly Lester é especialista em encontros do aplicativo The Inner Circle — Foto: BBC

As mudanças nos encontros provocadas pela quarentena apenas aceleraram uma mudança que a empresa já estava observando, diz Seidman.

Os jovens de 18 anos que ingressam no aplicativo agora, diferentemente de seus antecessores que ingressaram em 2012, cresceram imersos em aplicativos de mídia social e veem esse mundo virtual como algo bastante natural, explica ele.

Para os encontros on-line desta geração, não importa apenas organizar um encontro na vida real, mas também ter experiências on-line.
Por esse motivo, a empresa tem trabalhado para tornar o Tinder menos um lugar para organizar conexões offline e mais um lugar para ficar on-line, para conhecer pessoas.
Ela está testando espaços virtuais e eventos ao vivo onde as pessoas podem se encontrar.

Seidman resume o credo da nova safra jovem de usuários do Tinder: "Sua vida digital é tão importante quanto sua vida social no mundo físico".

Em um mundo de distanciamento social contínuo, esse credo também pode ter que ser adotado, em certa medida, por usuários mais antigos.

CORONAVÍRUS

    sábado, 23 de maio de 2020

    Hackers atacaram criadores de jogos sul-coreanos e taiwaneses, diz empresa de segurança

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    Programa de espionagem inédito foi usado na invasão. Objetivoo é desconhecido. 
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     Por Altieres Rohr    
     22/05/2020 15h20  Atualizado há um dia  
     Postado em 23 de maio de 2020 às 13h45m  


    A fabricante de antivírus Eset publicou detalhes sobre um novo programa de espionagem, que a empresa chamou de "PipeMon". Usado em ataques contra desenvolvedoras de jogos on-line na Coreia do Sul e em Taiwan, o código malicioso teve sua presença camuflada com um certificado digital roubado.

    A praga digital foi descoberta em fevereiro, mas a Eset só divulgou informações sobre o caso nesta quinta-feira (21). O nome das empresas atacadas não foi divulgado.

    A Eset apontou que as invasões foram realizadas por hackers do grupo conhecido como "Winnti". Em atividade pelo menos desde 2009, acredita-se que esses hackers são os mesmos que atacaram os sistemas da Asus para contaminar computadores e adulteram a versão oficial do software CCleaner para instalar um programa espião em computadores específicos.

    O Winnti já foi associado ao governo chinês em relatórios de outros pesquisadores e especialistas, mas a Eset não comentou sobre a origem do ataque.

    Hackers tiveram acesso a sistema para modificar games
    Não se sabe qual era o objetivo dos invasores, mas foi possível identificar os sistemas que eles alcançaram.
    De acordo com a Eset, os hackers conseguiram chegar ao sistema que prepara o arquivo de distribuição ("sistema de build") de uma das empresas.
    Com esse sistema em mãos, os hackers poderiam ter modificado arquivos do jogo para alcançar os computadores dos usuários. Foi isso que aconteceu com a desenvolvedora do CCleaner, por exemplo.
    Em outro caso, os hackers conseguiram acesso a um servidor de um jogo on-line, obtendo controle sobre itens, personagens e dinheiro do jogo. Isso poderia permitir a eles manipular o game para obter itens e moedas virtuais, que em muitos casos podem ser vendidas por dinheiro real, fora do ambiente do game.

    Apesar das possibilidades, não foram encontrados indícios de que qualquer um desses cenários tenha de fato ocorrido.
    Código do programa espião estava codificado e autenticado por certificado roubado para dificultar a ação de soluções de segurança. — Foto: Darwin Laganzon/Pixabay
    Código do programa espião estava codificado e autenticado por certificado roubado para dificultar a ação de soluções de segurança. — Foto: Darwin Laganzon/Pixabay

    Praga digital se escondeu como 'serviço de impressão'
    Os hackers utilizaram várias técnicas para evitar que ferramentas de segurança identificassem a presença do código malicioso.

    Um dos truques foi o uso de um certificado digital legítimo, pertencente a outra desenvolvedora de jogos. Certificados digitais atestam que um software pertence a uma determinada empresa e não sofreu modificações. Por essa razão, a maioria das pragas digitais não é associada a certificados de empresas conhecidas: se o hacker utilizar um programa legítimo e alterá-lo, a assinatura do certificado será invalidada.
    O Winnti, no entanto, roubou um certificado digital de uma outra desenvolvedora de jogos em 2018. O certificado não foi revogado, o que permitiu que eles o utilizassem para fazer parecer que o software espião era um produto dessa outra desenvolvedora de jogos. Na prática, era como se o software espião estivesse garantindo que tinha uma origem confiável.
    O programa de espionagem em si, o "PipeMon", não era conhecido antes de o caso ser descoberto. Programas de espionagem novos, especialmente quando utilizados contra alvos específicos, raramente geram alertas de programas de segurança.

    Para esconder o "PipeMon" no sistema, ele era instalado como um "serviço de impressão" no Windows. O Windows carrega os serviços de impressão instalados sempre que o computador é ligado, garantindo que o programa de espionagem estivesse sempre em execução na memória.

    Graças a esse método de inicialização, a maioria das listas que mostram programas iniciados com o Windows não indicaria a presença do programa de espionagem. O software também não aparecia na lista de "Processos" do Gerenciador de Tarefas.

    Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com