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sábado, 27 de junho de 2020

O que é o número gugol, que inspirou o Google

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Ele foi criado no início do século passado e é tão grande que supera a quantidade de átomos que existem no universo; hoje, é um dos termos mais falados no mundo.   
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Por BBC  
26/06/2020 17h58  Atualizado há um dia
Postado em 27 de junho de 2020 às 16h00m

      Post.N. -\- 3.776  
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Um gugol é 1 seguido de 100 zeros; termo inspirou nome do mecanismo de pesquisa do Google — Foto: Getty Images/BBC
Um gugol é 1 seguido de 100 zeros; termo inspirou nome do mecanismo de pesquisa do Google — Foto: Getty Images/BBC

Isto é um gugol:
10. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000. 000.
Não precisa contar: trata-se de um número 1 seguido de 100 zeros — ou, como preferem os matemáticos, 10 elevado a 100 (10^100). O gugol é tão grande que supera a quantidade de átomos que existem no Universo (estima-se hoje que eles seriam em torno de 10 elevado a 80 — ou 10^80).

Em 1937, durante uma conferência, o matemático americano Edward Kasner disse que "para a maioria das pessoas, o número é tão grande que é infinito, tão grande que não se pode nomeá-lo ou falar dele".
"Portanto, falarei dele. Direi a vocês exatamente o que ele é", acrescentou Kasner na ocasião.

Foi ele próprio quem criou o termo gugol, palavra que mais tarde serviria de inspiração para uma das marcas mais valiosas e influentes do planeta: Google.

Muitos 'o's
Como professor da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, Kasner buscava explicar conceitos matemáticos complexos e gerar interesse pela ciência.

O matemático "queria chamar atenção para números enormes por meio de seus significados e quantidades", explica à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC, o matemático Javier Aramayona, pesquisador do Instituto de Ciências Matemáticas (ICMAT) da Espanha.

Para isso, ele inventou um nome atraente para um destes números grandes — particularmente, o 1 seguido de 100 zeros.

Na virada dos anos 20 para os anos 30, Kasner recorreu à ajuda de seu sobrinho Milton Sirotta, de 9 anos, e pediu que ele batizasse o número. A única condição era que ele tivesse muitas letras "o" para representar a sequência de zeros.

Milton não só cunhou o termo gugol ("googol" em inglês), como também gugolplex ("googolplex"), que se refere a um 1 seguido de uma quantidade gugol de zeros. O termo também se popularizou.

Sem uso prático
"Os nomes servem simplesmente para que possamos nos referir de forma concisa ao que representam", diz Aramayona.

Após lembrar que existem infinitos números naturais (1, 2, 3, 4...), o matemático explica que há certos números "enormes" que são conhecidos por nomes específicos porque estão associados a problemas concretos.
Um exemplo é o número de Shannon (um 1 seguido de 120 zeros), que "surge ao se estudar a complexidade do xadrez", ou seja, na estimativa da quantidade de partidas possíveis que o jogo oferece.
Se por um lado o nome gugol provou seu objetivo de divulgação e segue conhecido 100 anos depois, por outro, Aramayona explica que ele "não tem uma utilidade prática concreta".
Em sua opinião, "possivelmente, grande parte da fama do termo gugol se deve ao fato de ele ter servido de inspiração para o nome Google".

De Backrub a Google
"A história do Google começa em 1995, na Universidade Stanford", narra a página oficial do buscador, que se tornou um império tecnológico, comercial e de comunicações.

Foi lá que Larry Page e Sergey Brin se conheceram e, alguns anos depois, "trabalhando em seus quartos, criaram um mecanismo de pesquisa que usava links para determinar a importância de páginas individuais na rede mundial de computadores" — o qual eles chamaram de Backrub.
"Depois, o Backrub passou a se chamar Google", diz a empresa. "O nome era um jogo de palavras com a expressão matemática usada para o número 1 seguido de 100 zeros, e refletia com precisão a missão de Larry e Sergey de 'organizar as informações do mundo e as tornar universalmente acessíveis e úteis'", diz o texto.

Até alguns anos atrás, a biografia corporativa dizia também que o jogo de palavras refletia sua "missão de organizar a vasta quantidade de informações aparentemente infinitas disponível na web".

Diferentemente do que alguns pensam, o best-seller Google (editora Dell), de David A. Vise e Mark Malseed, conta que os criadores não soletraram o nome do número de Kasner de maneira diferente para diferenciá-lo ou torná-lo mais exclusivo.
A grafia teria sido resultado de um simples erro.

Já a sede da empresa em Mountain View, no Estado americano da Califórnia, é chamada Googleplex. A escolha é justificada como um uso lúdico dos termos "gugolplex" e "complex", em referência ao complexo de edifícios.

Um gugol
Apesar de ter um nome atraente e de referências como o número de átomos no Universo ou o de informações disponíveis na web, dimensionar um número tão grande quanto o gugol pode ser difícil.

Foi isso que o designer holandês Daniel de Bruin se propôs fazer ao comemorar seu "um bilhão de segundos de vida", completado em 1º de março, exatamente às 14h52.
No "aniversário", De Bruin apresentou uma máquina que exibe o gugol.

"A máquina é composta por 200 engrenagens, das quais 100 têm 100 dentes e as outras 100, 10 dentes", explica.
"As engrenagens são conectadas de forma que, quando a primeira marcha gira, a segunda gira 1/10 de uma rotação. Em outras palavras, é dez vezes mais lenta", acrescenta.

A terceira engrenagem gira dez vezes mais devagar que a segunda; portanto, a primeira marcha deve girar 100 vezes para girar a terceira. E assim sucessivamente.
Em outras palavras, explica, "para que a última engrenagem rode uma só vez vez, a primeira terá que girar um gugol de vezes".
O vídeo de apresentação tem mais de 900 mil visualizações no YouTube e outras 230 mil no Instagram.
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sexta-feira, 26 de junho de 2020

Microsoft vai fechar todas suas lojas físicas

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Gigante da tecnologia afirmou que decisão causará impacto de US$ 450 milhões no atual trimestre fiscal. Quatro das lojas serão convertidas em 'centros de experiência'. 
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Por G1  
26/06/2020 13h19  Atualizado há 2 horas
Postado em 26 de junho de 2020 às 15h25m

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Sede da Microsoft em Redmond, Washington — Foto: Ted S. Warren/AP Photo/Arquivo

A Microsoft anunciou nesta sexta-feira (26) que vai fechar todas as suas lojas física de varejo ao redor do mundo. De acordo com a gigante de tecnologia, a decisão vai causar um impacto de US$ 450 milhões no trimestre atual gerado por depreciação de ativos.

A empresa afirmou que vai continuar investindo na loja on-line, bem como nas lojas do Xbox e do Windows, "alcançando 1,2 bilhão de pessoas todos os meses em 190 mercados".

Em comunicado, a empresa afirmou que "os membros do time de varejo vão continuar a servir consumidores corporativos da Microsoft e vendas realizadas remotamente", mas não especificou se haverá demissões.

"Esta é uma decisão estratégica difícil, mas inteligente, para a [o presidente-executivo Satya] Nadella tomar neste momento. As lojas físicas geraram uma receita de varejo insignificante para a Microsoft e, finalmente, tudo estava se movendo cada vez mais para os canais digitais nos últimos anos", disse o analista da Wedbush, Dan Ives, em nota à agência Reuters.
Segundo a Microsoft, quatro das lojas serão convertidas em "centros de experiências". Essas lojas ficam em Nova York, Sidney, Londres e em Redmond, onde fica a sede da empresa, no estado americano de Washington. A Microsoft não tem lojas no Brasil.
Segundo o portal The Verge, esse era um plano da empresa para o ano que vem, mas que foi antecipado devido à pandemia de coronavírus.
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quinta-feira, 25 de junho de 2020

BDS: como é o novo sistema de navegação por satélite chinês que quer concorrer com o americano GPS

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Nova aposta chinesa pretende superar o concorrente ao prometer, com 35 satélites e investimento de US$ 10 bilhões (quase R$ 54 bilhões em valores atuais), uma melhor e mais precisa cobertura de navegação global que a do GPS.   
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Por BBC  
25/06/2020 12h49  Atualizado há 3 horas 
Postado em 25 de junho de 2020 às 15h50m 

      Post.N. -\- 3.774  
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China pretende completar sua independência civil e militar do sistema americano GPS — Foto: Getty Images/BBC
China pretende completar sua independência civil e militar do sistema americano GPS — Foto: Getty Images/BBC

Com a entrada em órbita do último satélite do sistema Beidou-3, a China deu seu passo final para obter a cobertura global de seu próprio sistema de navegação, o BDS.

O país asiático busca independência do Sistema de Posicionamento Global, conhecido por sua sigla em inglês GPS, criado e administrado pelo governo dos Estados Unidos e usado em quase todo o mundo.
A nova aposta chinesa pretende superar o concorrente ao prometer, com 35 satélites e investimento de US$ 10 bilhões (quase R$ 54 bilhões em valores atuais), uma melhor e mais precisa cobertura de navegação global que a do GPS.
A independência do GPS é algo que a Rússia também alcançou com seu sistema GLONASS. A União Europeia também tem sua própria navegação, o Galileo.

Especialistas afirmam que o BDS ainda precisa ser posto à prova. Desenvolver e operar um sistema global de navegação por satélite é muito difícil, afirmou em entrevista à BBC Brian Weeden, diretor da Secure World Foundation, um think tank com sede na capital americana, Washington.

O lançamento do Beidou-3, o último do projeto, havia sido programado para a semana passada, mas houve atrasos por problemas técnicos no foguete Longa Marcha 3B.

Ele entrou em órbita na terça-feira (23/6) logo depois de deixar o Centro de Lançamento de Satélites Xichang, localizado em um vale rodeado de montanhas no sudoeste da China.
A informação do sistema BDS é usado por forças militares da China, a exemplo dos submarinos — Foto: Getty Images/BBC
A informação do sistema BDS é usado por forças militares da China, a exemplo dos submarinos — Foto: Getty Images/BBC

Não houve nenhuma falha, o lançamento foi um completo sucesso, afirmou o comandante Yin Xiangyuan à televisão estatal chinesa, segundo a agência de notícias EFE.

Quais são as vantagens do BDS?
O programa espacial da China se expandiu rapidamente nos últimos 20 anos, à medida que Pequim destinava mais recursos para desenvolver seus próprios sistemas de alta tecnologia do país.

Beidou (Ursa Maior, em chinês) é considerado um passo significativo porque dará acesso a informações de geolocalização tanto para atividades militares quanto para civis.

O Sistema de Navegação por Satélite Beidou, ou BDS, é composto por uma constelação de satélites lançados ao espaço ao longo de três fases.
China espera atrair mais países para seu sistema de geolocalização ao ampliar sua capacidade — Foto: Reuters/BBC
China espera atrair mais países para seu sistema de geolocalização ao ampliar sua capacidade — Foto: Reuters/BBC

A primeira, Beidou-1, tem três satélites operando desde 2000. A Beidou-2 melhorou a capacidade a partir de 2011, com mais 10 satélites para cobrir a região Ásia-Pacífico.
Com o acréscimo de mais 22 satélites do programa Beidou-3 a partir de 2015, o sistema alcançará cobertura global neste ano e superará o GPS em diversos pontos.

Um é a disponibilidade de satélites. O BDS conta com 35, seguido do GPS (32), do GLONASS (26) e do Galileo (26).
Pequim assegura que seu sistema terá uma precisão de localização de 10 centímetros. A do GPS é de 30 centímetros.
O BDS também oferece serviços de comunicação graças a uma maior largura de banda, além de incorporar relógios atômicos mais estáveis e precisos, segundo a Academia Chinesa de Tecnologia Espacial.

Os telefones celulares de fabricantes chineses como Huawei e OnePlus já têm acesso ao sistema BDS.

Os serviços de posicionamento por ponto preciso, conhecidos como PPP, estão em funcionamento em milhares de táxis, ônibus e automóveis particulares, além das Forças Armadas chinesas.
Com o lançamento do foguete Longa Marcha 3B, a China colocou em órbita o satélite número 35 de seu sistema BDS — Foto: Reuters/BBC
Com o lançamento do foguete Longa Marcha 3B, a China colocou em órbita o satélite número 35 de seu sistema BDS — Foto: Reuters/BBC

Yang Changfeng, um dos líderes do projeto, afirmou ao jornal estatal chinês Global Times que seu sistema é compatível com o GPS, o GLONASS e o Galileo, e os usuários podem escolher o que tiver a melhor cobertura.
Segundo Pequim, mais de 200 países pediram à China acesso às tecnologias BDS.

Oportunidade de negócios
Desenvolvido originalmente para o Exército chinês a fim de reduzir a dependência do GPS, o BDS se converteu em uma oportunidade comercial para a China à medida que sua cobertura se expandiu.

Três dezenas de países que integram o ambicioso projeto da Nova Rota da Seda da China já contam com acesso ao BDS.

Certamente há um aspecto de que isso tem a ver com a expansão da influência, mas também passa pela segurança econômica, afirmou à BBC Alexandra Stickings, do Instituto Real de Serviços Unidos para Estudos de Defesa e Segurança. “A principal vantagem de ter seu próprio sistema é a segurança de acesso, no sentido de que não depende de outro país. Os Estados Unidos poderiam negar acesso a usuários de algumas regiões em tempos de conflito, por exemplo.

Para Blaine Curcio, fundador da Orbital Gateway Consulting, uma consultoria do mercado de satélites sediada em Hong Kong, é provável que vejamos uma maior bifurcação do mundo em dois campos: pró-China e pró-EUA.
Programa de satélites da China teve mais de US$ 10 bilhões de investimento — Foto: Reuters/BBC
Programa de satélites da China teve mais de US$ 10 bilhões de investimento — Foto: Reuters/BBC

A partir dessa perspectiva, aqueles que se tornam pró-China podem ser mais propensos a desconfiar dos serviços de navegação por satélite dos Estados Unidos e da União Europeia, afirmou Curcio à BBC.
Apesar da sofisticação tecnológica, especialistas como Brian Weeden afirmam que o sistema BDS tem pelo menos um ponto fraco: um processo de transmissão bidirecional envolvendo satélites que enviam sinais para a Terra e dispositivos que transmitem sinais de volta.
Isso pode comprometer a precisão e requer mais largura de banda do espectro. Os dispositivos GPS, por exemplo, não precisam transmitir sinais para os satélites.

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