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sexta-feira, 3 de julho de 2020

Ataques cibernéticos aumentam com pandemia e atingem companhias elétricas no Brasil e no mundo

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Especialista explica que atacantes conseguiram acesso apenas a redes administrativas e não às redes associadas à gestão do sistema elétrico.
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Companhias elétricas têm sido alvo de hackers durante pandemia de coronavírus — Foto: ReutersCompanhias elétricas têm sido alvo de hackers durante pandemia de coronavírus — Foto: Reuters

Um dos efeitos colaterais da pandemia de coronavírus foi um aumento no número de ataques cibernéticos, com muitos deles mirando empresas do setor elétrico no Brasil e no exterior, disseram especialistas à Reuters.
Desde meados de março, quando o vírus chegou com maior força ao território brasileiro e levou governos e prefeituras a decretarem quarentenas para tentar conter seu avanço, elétricas incluindo as locais Energisa e Light e as europeias Enel e EDP foram atingidas por criminosos virtuais.
Por serem serviços essenciais, as elétricas acabam sendo um dos alvos preferenciais dos criminosos digitais, que vêm chance maior de forçar pagamentos de resgates, cobrados em criptomoedas. Mas empresas de diversos setores foram atacadas, incluindo a Avon, do segmento de cósméticos, e a Cosan, conglomerado de açúcar, combustíveis e logística.

O fenômeno está claramente associado à migração em massa de companhias para regimes de trabalho remoto, com funcionários em casa, o que aumenta a vulnerabilidade das redes corporativas, disse à Reuters o presidente da empresa de segurança de infraestruturas críticas TI Safe, Marcelo Branquinho.

Ele ressaltou, no entanto, que nos casos registrados até o momento os hackers conseguiram acesso apenas a redes de tecnologia da informação (TI), e não às redes de automação (TA), associadas à gestão dos sistemas de eletricidade.
"Aconteceu um aumento que a gente calcula em torno de 460% no ataques a empresas de energia desde março até junho deste ano", disse, ao citar tentativas de ataques evitados por sistemas fornecidos pela empresa a clientes no setor.
"Os ataques atingiram apenas redes de TI, administrativas. Se um ataque desses conseguisse entrar na TA, poderia haver blecautes, o que seria infinitamente mais grave", acrescentou.

"A partir do momento em que há milhares de funcionários de cada empresa acessando a rede de uma forma que não era usual, isso abre brechas de segurança para hackers entrarem nas redes de TI... agora existem milhares de portas de entrada."

O movimento aumentou riscos para grandes empresas de todas áreas, mas há um foco particular dos cibercriminosos no setor de energia, porque essas companhias operam infraestruturas essenciais, além de possuírem dados pessoais dos clientes, disse o analista sênior de segurança da Kaspersky, Fabio Assolini.

"Os cibercriminosos escolhem as vítimas a dedo, fazem todo um planejamento antes do ataque. O que os alvos têm em comum é que todos são empresas grandes e estabelecidas no mercado, que podem pagar um resgate", explicou.

Os ataques geralmente têm origem no exterior, embora seja difícil rastreá-los, e visam bloquear sistemas ou roubar dados sigilosos em troca de um resgate, que pode ser pela liberação dos sistemas e arquivos ou mesmo para que estes não sejam divulgados publicamente, acrescentou Assolini.
Os valores são cobrados em bitcoins ou outras criptomoedas.

"As empresas, quando são vítimas e têm parte ou a totalidade de suas operações afetadas, precisam correr para resolver. E o setor de energia é crítico, então as empresas são ainda mais pressionadas a pagar o resgate, buscar solução, principalmente se o ataque vier a afetar a distribuição de energia."

Segundo o analista, os movimentos dos cibercriminosos geralmente ocorrem às segundas-feiras, dia de alta movimentação no mundo corporativo, e começam buscando descobrir senhas simples por meio de tentativas em massa de acesso ou tirando proveito de falhas de segurança em sistemas desatualizados.
Em análise sobre desafios que a pandemia de coronavírus traz para elétricas, a consultoria Strategy&, da PwC, citou "aumento do risco de ataques cibernéticos" como ponto de alerta principalmente para distribuidoras e áreas de vendas das empresas, que lidam com dados de consumidores.
Elétricas no Brasil são alvos
A Light, responsável pelo fornecimento em parte do Rio de Janeiro, e a Energisa, que tem 11 distribuidoras pelo país, foram alvos de hackers em 16 de junho e 29 de abril.

A portuguesa EDP, que atua com distribuição em São Paulo e Espírito Santo e tem ativos de geração e transmissão no Brasil, foi atacada em 13 de abril; já a italiana Enel, com concessionárias em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Goiás, além de negócios em geração, foi vítima em 7 de junho.

A EDP disse à Reuters que não pagou resgate aos hackers, enquanto Light, Energisa e Enel não responderam questionamentos sobre pedidos de recursos ou pagamentos.

A Energisa disse que levou uma semana para normalizar todos serviços e sistemas.
"A companhia ressalta que conseguiu blindar os sistemas de operação e o fornecimento de energia, inclusive os dados dos clientes, que não foram atingidos. A empresa adotou todas as medidas necessárias para garantir a segurança digital e acionou as autoridades", afirmou.

A Light disse apenas, na época, que o ataque atingiu "número limitado de computadores da empresa". "Desde o incidente, o corpo técnico da Light vem elaborando diagnósticos, ações e recomendações que já estão sendo implementadas."

A Enel negou impactos sobre operações no Brasil ou no exterior e disse que os criminosos tentaram espalhar um "ransomware" em sua rede — um tipo de ataque que geralmente bloqueia máquinas e sequestra dados em troca de resgate.
"Todos serviços internos de TI foram rapidamente e efetivamente restaurados, permitindo que todas atividades de negócio operassem corretamente. A Enel informa que não houve questões críticas no que se refere ao controle remoto de sistemas de distribuição e usinas, e que dados de consumidores não foram expostos a terceiros."

A EDP disse que o ataque afetou sistemas corporativos, mas não os operacionais, relacionados ao suprimento de energia.

"Não houve vazamento de informações relacionadas aos clientes. No Brasil, a companhia realizou o desligamento preventivo de alguns sistemas, enquanto as equipes técnicas avaliavam a extensão do ataque.".
A EDP acrescentou ainda, em nota à Reuters, que "não recebeu e nem efetuou pagamento de nenhum pedido de resgate".

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quinta-feira, 2 de julho de 2020

Pagamento pelo Whatsapp será aprovado se houver competitividade e proteção de dados, diz presidente do BC

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Durante evento, Roberto Campos Neto disse que órgão está disposto a aprovar a função do aplicativo caso siga 'o mesmo trilho dos outros arranjos'. 
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Por G1  
02/07/2020 16h39  Atualizado há 3 horas
Postado em 02 de julho de 2020 às 19h45m

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WhatsApp vai permitir fazer pagamentos a amigos e lojas pelo aplicativo. — Foto: Divulgação/WhatsAppWhatsApp vi permitir fazer pagamentos a amigos e lojas pelo aplicativo. — Foto: Divulgação/WhatsApp

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quinta-feira (2) que os pagamentos pelo Whatsapp serão aprovados pela autarquia assim que for comprovado que o arranjo proposto pela empresa é competitivo e tem a proteção de dados na forma que o BC considera adequada.

Ao participar de um evento, ele afirmou que o entendimento da autoridade monetária é que um arranjo que começa com 120 milhões de usuários — base do Whatsapp no país — não é pequeno e, portanto, precisa passar pelo mesmo crivo que outros arranjos.

"Em nenhum momento BC proibiu nada, está disposto a autorizar assim que for seguido o mesmo trilho dos outros arranjos", disse, segundo a agência Reuters.
'Expresso Futuro': veja a revolução do pagamento digital na China
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Função está bloqueada
Em junho, o aplicativo havia escolhido o Brasil para testar uma função de envio e recebimento de dinheiro, usando cartões cadastrados.
A função, no entanto, foi suspensa pelo Banco Central (BC) e pelo Conselho de Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O BC determinou na ocasião que as bandeiras de pagamento Visa e Mastercard, que viabilizavam as operações financeiras, paralisassem a função para que o órgão pudesse avaliar riscos e garantir funcionamento adequado do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB).

Já o Cade, que via potenciais riscos para a concorrência com o anúncio, retirou na terça-feira (30) a medida cautelar que impedia a criação do sistema de pagamento lançado pelo Whatsapp. O órgão de defesa da competição afirmou, porém, que vai continuar investigação sobre a parceria.

Em nota, o WhatsApp afirmou que está trabalhando junto às autoridades para restaurar o serviço. "O Banco Central expressou sua intenção de encontrar um caminho com a Visa e a Mastercard para que o serviço prossiga, além de envolver outras autoridades para resolver quaisquer dúvidas pendentes", disse Will Cathcart, chefe do WhatsApp.
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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Microsoft lança antivírus para Linux e Android e disponibiliza ferramenta que recupera arquivos apagados no Windows

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Solução antivírus corporativa é paga, mas ferramenta que recupera arquivos está disponível gratuitamente na Microsoft Store. 
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Por Altieres Rohr  
01/07/2020 07h00  Atualizado há 05 horas
Postado em 01 de julho de 2020 às 12h00m

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Ferramentas de segurança da Microsoft em funcionamento no Android. — Foto: Reprodução/Microsoft
Ferramentas de segurança da Microsoft em funcionamento no Android. — Foto: Reprodução/Microsoft

A Microsoft anunciou que o Microsoft Defender ATP chegou definitivamente ao Linux e agora também está sendo testado no Android. O Defender ATP é a versão empresarial do antivírus que vem incluído no Windows.

A companhia também lançou uma nova ferramenta gratuita para ajudar usuários que precisam recuperar arquivos que foram apagados: o Windows File Recovery, aplicativo que pode ser baixado na Microsoft Store.

Por ser direcionado ao mercado corporativo, o Defender ATP tem funções que facilitam a administração centralizada do produto. Em um só painel, técnicos podem receber relatórios e verificar a execução do software em diversas estações de trabalho e servidores.

Apesar de o Defender vir incluso com o Windows, a versão empresarial do software não é oferecida de graça, seja para o Windows ou para outras plataformas.
Segundo a Microsoft, os lançamentos para Linux e Android, que agora entrou em fase de testes, têm o objetivo de aumentar o número de produtos que podem ser gerenciados com a ferramenta.
Com a versão para Android, o monitoramento vai chegar aos celulares. Uma versão para o iOS, da Apple, também deve ser lançada ainda este ano, segundo a Microsoft.
A solução da Microsoft tem foco em tecnologias preventivas para identificar ameaças mais avançadas.

Na semana passada, a Microsoft anunciou que tecnologia do antivírus foi usada para criar o "Safe Documents", um recurso que verifica documentos do Office 365. Planilhas do Excel e documentos do Word são muito usados por espiões digitais para esconder armadilhas e conseguir o primeiro ponto de acesso à rede de uma empresa.
Interface em linha de comando do Microsoft Defender ATP no Linux.  — Foto: Reprodução/Microsoft
Interface em linha de comando do Microsoft Defender ATP no Linux. — Foto: Reprodução/Microsoft

Recuperação de arquivos
De acordo com a Microsoft, a nova ferramenta de recuperação de arquivos, o Windows File Recovery, pode ser usado para recuperar arquivos apagados no computador ou em mídias removíeis, como cartões SD e pen drives.
No momento, o software precisa ser usado com comandos – ele não tem uma interface gráfica que pode ser usada com o mouse. Por essa razão, é recomendado apenas para usuários avançados.
Quem tiver dificuldade pode recorrer a programas gratuitos de outros desenvolvedores, como o Recuva, que têm interfaces gráficas e são mais fáceis de usar.

Microsoft já teve produto antivírus para Linux e Mac
Embora o lançamento de um antivírus da Microsoft para sistemas concorrentes possa parecer estranho, esta não é a primeira vez que a empresa se aventura em soluções de segurança para diversas plataformas.

Depois do Microsoft Anti-Virus mantido de 1993 a 1996 para o MS-DOS, a Microsoft voltou ao mercado com a aquisição do romeno RAV Antivirus em 2003. Nos anos seguintes, a Microsoft adquiriu um anti-spyware chamado Giant e a Sybari, uma empresa especializada em fornecer sistemas de segurança multiplataforma.

Com essas aquisições e tecnologias, a Microsoft chegou a oferecer antivírus para outros sistemas por meio do "System Center Endpoint Protection". Esse produto, que era compatível com Linux e Mac, foi descontinuado no fim de 2018.

Criado como Windows Defender ATP em 2017, a nova versão empresarial do antivírus da Microsoft trocou de nome em março de 2019 e passou a se chamar "Microsoft Defender ATP". A troca, que afasta a associação do produto com o Windows, coincidiu com o lançamento do Defender para macOS, o sistema usado pela Apple em MacBooks.

Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com
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