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terça-feira, 23 de março de 2021

Entenda por que não existe sistema ou software 'à prova de hackers'

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Tira-dúvidas responde por que ainda não conseguimos criar um sistema imune a ataques cibernéticos, além de mostrar mais desafios da área de segurança digital.
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TOPO
Por Altieres Rohr
É fundador de um site especializado na defesa contra ataques cibernéticos

Postado em 23 de março de 2021 às 13h00m

  *.- Post.N. -\- 3.988 -.*  

Com inovação constante, riscos nem sempre são conhecidos antes de um sistema ou serviço ganhar popularidade. — Foto: TheDigitalWay/Pixabay
Com inovação constante, riscos nem sempre são conhecidos antes de um sistema ou serviço ganhar popularidade. — Foto: TheDigitalWay/Pixabay

Saberia me dizer por que estamos em 2021 e ataques cibernéticos e vazamento de dados ainda são mais que comuns? É possível criar um sistema realmente seguro, digo "ihackeavel"? – Filipe Aruan

A sua pergunta é muito interessante, Filipe. E existem vários pontos, não sendo possível abordar em um único texto.

O que existe de mais recente na área de segurança digital prioriza a capacidade de "resposta a incidente" e incentiva uma mentalidade de desconfiança em tudo. Ideias que nos levam à noção de "confiança zero" ou até à suposição de que todo o sistema está possivelmente hackeado.

Ou seja, estamos hoje em uma situação que o mais seguro é presumir que nada ao nosso redor está seguro.

Em outras palavras, nunca conseguimos criar um sistema "à prova hackers" (ou "ihackeável", como você disse) e ainda estamos desenhando softwares e projetos de tecnologia em que nada merece confiança cega. Tudo precisa ser validado, conferido e monitorado.

Pensando dessa forma, o cenário parece desastroso. Mas a verdade é que consumidores e engenheiros têm levado a tecnologia para caminhos que não priorizam a segurança.

Vamos entender alguns pontos?

Segurança exige intenção e custa caro

A segurança jamais vai existir "automaticamente". Alguém deve desenhar a segurança de um sistema e alocar dinheiro para pagar os engenheiros dedicados à tarefa.

Na sociedade, nós temos muitos sistemas de segurança comum. Muitos deles já fazem parte da "paisagem" e não percebemos, mas até a iluminação pública contribui com nossa segurança.

Fiscalização de veículos, regras de trânsito e habilitação, vacinação, normas para construções, fiscalização de alimentos, alvarás, saídas de emergência – tudo isso tem um custo e, ao longo dos anos, nós aceitamos esse custo em troca da segurança.

O mundo inteiro ainda está engatinhando para trazer isso ao mundo digital.

O Brasil em breve terá regras para guarda de dados pela primeira vez com a regulamentação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Além disso, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) poderá, a partir de julho de 2021, forçar a retirada de equipamentos com vulnerabilidades do tipo "backdoor" nas redes de telecom.

Mas isso não chega perto da maturidade de segurança que temos em outros setores da sociedade. E muitos temem regulamentar o ramo da tecnologia e inibir a inovação antes que o setor possa crescer mais.

Desenvolvimento de smartphones não priorizou atualizações de segurança de longo prazo, apostando em prazos mais curtos para troca de aparelho e inovação. — Foto: Altieres Rohr/G1
Desenvolvimento de smartphones não priorizou atualizações de segurança de longo prazo, apostando em prazos mais curtos para troca de aparelho e inovação. — Foto: Altieres Rohr/G1

Inovação também inova nos erros

Não é uma verdade agradável, mas a segurança e a inovação raramente são aliadas. É claro que a segurança faz parte da inovação responsável, mas não é possível antever todos os problemas.

Seria muito difícil criar uma habilitação ou regras de trânsito se os carros mudassem completamente de poucos em poucos anos. Mas essa é a realidade da tecnologia.

Na última década, tivemos a revolução do smartphone, com aplicações e serviços que nem imaginávamos até alguns anos antes.

Mesmo que todos os desafios da segurança digital já estivessem resolvidos até então, é impossível que essas novidades cheguem sem novos desafios. Os bancos de dados que vazam hoje nem sempre são como os que vazavam anos atrás.

Um dos maiores exemplos disso é a própria web. Todas as tecnologias que utilizamos em sites de internet priorizam a flexibilidade e a inovação: cada site pode ter seu próprio visual, seu formato de dados, sua programação, sua interatividade.

Quanto mais variação existe, a complexidade também tende a ser maior. Quanto mais complicado algo for, mais complicada será sua segurança – e não é à toa que os navegadores web se tornaram grandes consumidores de memória e processador.

E a inovação não ocorre apenas para quem usa esses serviços, mas também para quem desenvolve os sistemas. O objetivo é sempre reduzir custos e agilizar processos, mas, na prática, essa aceleração também viabiliza novas tecnologias.

Quando programadores recorrem a ferramentas novas, passam por um período de aprendizagem. E se nossa tecnologia exige um constante aprendizado, erros são inevitáveis.

Não é possível que exista um especialista experiente sobre o recém-inventado.Reconhecimento facial amplo e imediato é uma das várias tecnologias que aumentam o valor dos dados armazenados em sistemas digitais. — Foto: REUTERS/Thomas Peter

Reconhecimento facial amplo e imediato é uma das várias tecnologias que aumentam o valor dos dados armazenados em sistemas digitais. — Foto: REUTERS/Thomas Peter

O digital ficou mais importante

Quanto mais valioso é o que está dentro do cofre, mais forte ele precisa ser. Conforme a tecnologia ocupa espaços na nossa vida, violar os mecanismos de segurança digital se torna uma empreitada mais e mais lucrativa.

O resultado aparece na sofisticação dos ataques. Invasões como a da SolarWinds não eram vistas até alguns anos atrás e, agora, são quase recorrentes – ainda que nem sempre na mesma dimensão.

Em uma audiência no Senado dos Estados Unidos, Brad Smith, presidente da Microsoft, afirmou que a empresa acredita que "pelo menos mil engenheiros" estavam envolvidos nessa operação de hacking contra a SolarWinds e outras empresas (que atingiu inclusive a Microsoft).

Ninguém imaginava esse tipo de adversário. Mas com sistemas digitais e conectados por toda parte, começa a valer a pena esse tipo de investimento em ataques cibernéticos. No futuro, a tendência é que isso comece a mudar a relação do preço da segurança e seus benefícios.

Um exemplo prático: pouca gente realmente entendia os riscos da adoção de torpedos SMS e chamadas telefônicas para a autenticação. Quando esse método de segurança se popularizou, as brechas começaram a aparecer. Isso levou aos vazamentos das conversas dos envolvidos na operação Lava Jato.

Dito de outra forma, o "peso" que colocamos sobre o digital começa a mostrar os limites da estrutura que foi criada como fundação dos sistemas que usamos.

É difícil de vender segurança no mercado

Você sabe qual dos aplicativos que você usa se preocupa mais com a sua segurança? A dificuldade de responder a esta pergunta ilustra como as escolhas dos usuários e consumidores nem sempre recompensam os investimentos realizados na área de segurança.

Não existe uma "fórmula" no mercado que nos permita saber de antemão quais serviços são seguros. Você pode olhar quantas vulnerabilidades são corrigidas em um aplicativo ou software, mas nem sempre essa informação está completa e, pior ainda, ela raramente tem relação direta com a segurança do produto.

Para "mostrar" a segurança, alguns sites e serviços recorrem a "selos" e outras medidas questionáveis que pouco significam para o consumidor.

Podemos evitar o uso de um serviço depois que um problema de segurança acontece, mas isso é apenas uma defesa reativa. Ela não impede o problema.

Além disso, é mais fácil que a empresa se recupere de um incidente se ela já estava com um produto atrativo no mercado. Uma empresa que começa investindo em segurança pode falir antes de ter a chance de errar.

Após a pandemia do coronavírus, a popularidade repentina do Zoom trouxe à tona os riscos decorrentes da conveniência do app, obrigando empresa a modificar o funcionamento do serviço e investir em segurança. — Foto: Altieres Rohr/G1
Após a pandemia do coronavírus, a popularidade repentina do Zoom trouxe à tona os riscos decorrentes da conveniência do app, obrigando empresa a modificar o funcionamento do serviço e investir em segurança. — Foto: Altieres Rohr/G1

A segurança não parou no tempo

O mundo aos poucos caminha para uma regulamentação maior do setor de tecnologia, com mais exigências de segurança. Isso vai ajudar, mas não vai fazer mágica.

No futuro, quando todo tipo de experimento em tecnologia já tiver sido feito e talvez não tenhamos tanto a ganhar com inovação, talvez a prioridade mude com um redesenho total das nossas tecnologias colocando a segurança acima de tudo.

No clima atual, é muito difícil exigir mais responsabilidade por parte das empresas de tecnologia. De fato, quem está errado são os hackers, não as empresas. Então, há várias formas de abordar o problema.

Por enquanto, as empresas já estão se valendo da confiança que acumulam: a distribuição de software está mais controlada, e grandes ataques com pragas digitais são raridade.

Até hoje, nunca tivemos nada como um "WannaCry" nos smartphones, enquanto computadores sofreram com muitos problemas semelhantes na década de 2000, quando eles se popularizaram.

Mas isso também tem um custo. Quando confiar no desconhecido gera muitos riscos, o mercado tende a se concentrar em marcas de boa reputação. A liberdade que devia levar à inovação acaba estrangulando a concorrência que aceleraria os avanços.

Os desafios não param, e a enxurrada de novos serviços interessantes nos mantêm navegando no desconhecido.

De todo modo, ao contrário do que parece à primeira vista, a segurança digital evoluiu muito, e os ataques que temos hoje já não são os mesmos que funcionavam antes.

É difícil de crer que algum dia haverá um sistema "à prova de hackers" – o custo de qualquer coisa infalível tende ao infinito. Também é inegável que temos muito a melhorar, não só no desenvolvimento de sistemas, mas no arcabouço jurídico para punir quem comete crimes.

Mas os benefícios da aposta que a sociedade fez em inovação também estão bem à vista – inclusive no dispositivo que você acabou de usar para ler este texto.

Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com

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Aplicativos fechando no Android? Veja como fazer atualização que corrige o problema

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Usuários relataram desde a noite de segunda-feira (22) caixa de erro no sistema do Google avisando que apps 'apresentam falhas continuamente'.
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Por G1

Postado em 23 de março de 2021 às 11h00m

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Google disse que falha estava relacionada a atualização do 'Web View'. — Foto: Divulgação/Google
Google disse que falha estava relacionada a atualização do 'Web View'. — Foto: Divulgação/Google

Usuários de celulares Android relatam desde a noite da última segunda-feira (22) um erro que fecha repentinamente diversos aplicativos, mostrando a mensagem de "falhas contínuas".

O Google, desenvolver do Android, admitiu o erro e afirmou que ele está relacionado com uma atualização do WebView, recurso que exibe páginas da web dentro dos apps.

Para resolver o problema os usuários precisam atualizar o WebView e o Google Chrome pela Play Store, loja de apps do Android:

  1. Abra a Play Store no seu celular;
  2. Procure por "Android System WebView" ou toque neste link;
  3. Selecione a opção "Atualizar";
  4. Atualize também o app do Google Chrome.

A companhia afirmou ter solucionado o erro em sua página de suporte às 6h30 (horário de Brasília) desta terça (23).

Caso a atualização para o WebView não esteja disponível e a mensagem de erro persista:

  1. Vá até as Configurações;
  2. Procure a opção "Aplicativos";
  3. Encontre o "Android System WebView" e toque nele;
  4. Selecione a opção "Desinstalar atualizações";
  5. Se a opção não estiver disponível, desative o Google Chrome e instale as atualizações na Play Store.
Veja relatos de pessoas que estão com dificuldades:

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sexta-feira, 19 de março de 2021

Procon-SP multa Apple em R$ 10 milhões por vender iPhones sem carregador

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Órgão de defesa do consumidor também aponta publicidade enganosa e cláusulas abusivas.
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Por G1

Postado em 19 de março de 2021 às 21h25m

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Tim Cook, CEO da Apple, apresentando o iPhone 12 na Califórnia em 2020 — Foto: Brooks Kraft/Apple Inc./Handout via Reuters
Tim Cook, CEO da Apple, apresentando o iPhone 12 na Califórnia em 2020 — Foto: Brooks Kraft/Apple Inc./Handout via Reuters

O Procon-SP multou a Apple em R$ 10,5 milhões por prática abusiva ao vender iPhones sem o carregador de energia.

A informação foi dada pelo órgão de defesa do consumidor na noite desta sexta-feira (19). A empresa tem direito a recorrer.

A Apple deixou de incluir o adaptador de tomada em todos os seus celulares em outubro passado, após anunciar os novos iPhone 12, afirmando que a decisão faz parte de "seus objetivos ambientais".

Na época, o Procon questionou a fabricante para obter mais explicações.

Em novembro, o órgão afirmou que "a empresa não demonstrou esse ganho ambiental" em sua primeira resposta, pois não apresentou um plano de recolhimento dos aparelhos antigos e de reciclagem.

Agora, o Procon diz que não obteve resposta para questões como se houve redução no preço do aparelho iPhone 12, em razão da retirada do acessório; quais os valores do aparelho comercializado com e sem o adaptador e a efetiva redução no número de adaptadores produzidos.

Além deste motivo, a multa acontece após o órgão apontar outras irregularidades (veja abaixo).

O G1 procurou a Apple e aguarda um posicionamento da empresa.

Publicidade enganosa

O Procon-SP diz ainda que consumidores reclamaram que "seus aparelhos iPhone 11 Pro – cuja publicidade afirmava ser resistente à águaapresentaram problemas sem que a empresa os reparasse".

E que, quando questionada pelo Procon-SP, a Apple informou que a resistência à água não seria uma condição permanente do aparelho, podendo diminuir com o tempo; e que para evitar danos líquidos os consumidores devem deixar de nadar ou tomar banho com o smartphone e de usá-lo em condições de extrema umidade.

"Todavia, as publicidades do modelo faziam afirmações como: 'testes rigorosos e refinamentos ajudaram a criar um iPhone durável e resistente à água e poeira', 'resistente à água a até 4 metros por até 30 segundos', 'feito para tomar respingos e até um banho' e traziam imagens do celular recebendo jatos de água nas laterais e na parte superior sendo utilizado na chuva e em recipiente de água", diz o órgão.

Problemas após atualização do sistema

O Procon-SP também ouviu consumidores que relataram problemas com algumas funções de seus aparelhos após fazerem a atualização do sistema.

"Apesar de notificada, a Apple não apresentou explicações sobre vários questionamentos feitos, deixando de prestar informações de interesse dos consumidores e inviabilizando a verificação de eventual conduta lesiva aos mesmos", afirmou a entidade.

Cláusulas abusivas

Na análise do termo de garantia dos produtos, o Procon-SP considerou que a Apple impõe algumas "cláusulas abusivas".

"Em uma delas a empresa se isenta de todas as garantias legais e implícitas e contra defeitos ocultos ou não aparentes; em outra informa que 'o software distribuído pela Apple, seja da marca Apple ou não (inclusive, entre outros software de sistema), não está coberto por esta garantia' e que 'a Apple não garante que o funcionamento do produto Apple será ininterrupto ou sem erros'", apontou o Procon.

Com essas cláusulas a empresa desobriga-se da responsabilidade por problemas dos produtos ou serviços e infringe o artigo 51, I do Código de Defesa do Consumidor, segundo o órgão.

Há outra cláusula prevendo que a empresa poderá solicitar autorização de cobrança em cartão de crédito do valor do produto ou da peça de substituição e custos de envio.

Para o Procon-SP, ela é abusiva e também desrespeita o artigo 51, IV, do Código, na medida em que transfere ao consumidor o risco da atividade e o custo com o cumprimento da garantia, "ofendendo o princípio da boa-fé, do equilíbrio e da vulnerabilidade do consumidor e o colocando em desvantagem exagerada".

Empresa não consertou aparelho

Ao listar os motivos da multa, o Procon-SP citou ainda que a Apple não consertou um problema apresentado por um aparelho adquirido no exterior dentro do prazo estabelecido pela lei, que é de 30 dias.

"Ao deixar de resolver o problema do smartphone Apple adquirido no exterior, mas também comercializado no Brasil, a empresa constituída neste país como distribuidora e prestadora de serviços de assistência técnica dos produtos da Apple, desrespeitou o artigo 18 do Código", afirmou o órgão.

Apple anuncia a nova geração do iPhone
Apple anuncia a nova geração do iPhone

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