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segunda-feira, 25 de julho de 2022

Ouro ilegal do Brasil é ligado a refinador italiano e a big techs, mostram documentos

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Polícia Federal alega que um refinador italiano comprou ouro de uma empresa que o adquire ilegalmente na região da floresta amazônica.
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TOPO
Por Jake Spring, Reuters

Postado em 25 de julho de 2022 às 12h25m

Post. N. - 4.399

Garimpeiro busca por ouro em área desmatada da floresta amazônica na cidade de Itaituba, no Pará 05/08/2017 — Foto: Nacho Doce/ Reuters
Garimpeiro busca por ouro em área desmatada da floresta amazônica na cidade de Itaituba, no Pará 05/08/2017 — Foto: Nacho Doce/ Reuters

A Polícia Federal alega que um refinador italiano comprou ouro de uma empresa que o adquire ilegalmente na região da floresta amazônica, de acordo com documentos policiais, enquanto divulgações corporativas mostram que o refinador forneceu o metal precioso para quatro das maiores empresas de tecnologia do mundo.

Registros públicos de Amazon.com, Apple, Microsoft e da controladora do Google, Alphabet, nomeiam a empresa privada italiana Chimet como fonte de algum ouro usado em seus produtos. As empresas de tecnologia costumam usar pequenas quantidades do metal em placas de circuito para eletrônicos de consumo.

Segundo documentos policiais obtidos pela organização de jornalismo investigativo Repórter Brasil e analisados pela Reuters, a Polícia Federal alega que a Chimet comprou milhões de dólares em ouro da empresa CHM do Brasil, que supostamente adquiriu o metal precioso ilegalmente de garimpeiros.

A CHM do Brasil, respondendo a perguntas por meio de um advogado, disse que todo o seu ouro foi adquirido legalmente com documentação adequada.

O garimpo ilegal aumentou no Brasil desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o cargo em 2019, defendendo os invasores e buscando legalizar a mineração em terras indígenas.

Minas não regulamentadas destroem as terras da floresta tropical na Amazônia ao mesmo tempo em que poluem rios com mercúrio. Grileiros têm entrado em confronto violento com as comunidades indígenas que protegem suas terras, deixando um rastro de morte, doenças e intimidações.

A entidade brasileira de sustentabilidade Instituto Escolhas estimou que o país produziu 84 toneladas de ouro ilegal nos primeiros dois anos de mandato de Bolsonaro, um aumento de 23% em relação aos dois anos anteriores e equivalente a quase metade da produção total de ouro do Brasil.

"Uma empresa que está comprando ouro que vem do Brasil, ela já sabe que ela tem um risco muito grande de estar comprando ouro com irregularidade --um ouro de sangue da Amazônia", afirmou Larissa Rodrigues, autora do relatório do Instituto Escolhas.

Um representante da Chimet disse que a empresa cortou relações com a CHM ao saber das alegações em outubro de 2021, quando a polícia realizou operações em nove Estados brasileiros e no Distrito Federal visando a CHM e outros supostamente envolvidos no comércio ilegal de ouro.

Um documento policial resumindo a investigação datado de agosto de 2021 afirma que a Chimet supostamente comprou 2,1 bilhões de reais (385 milhões de dólares) em ouro da CHM entre 2015 e 2020.

Um porta-voz da Polícia Federal no Pará se recusou a comentar a investigação porque ela está em andamento e permanece sob sigilo. Indiciamentos provavelmente serão anunciados quando a investigação for concluída ainda este ano, disse ele.

Promotores federais teriam então que decidir se vão apresentar denúncias, acrescentou.

As quatro empresas de tecnologia dos Estados Unidos listaram a Chimet entre mais de 100 refinarias de ouro em suas cadeias de abastecimento durante o período de cinco anos da investigação e nas divulgações mais recentes de 2021.

A Chimet não tem um relacionamento direto com as quatro grandes empresas de tecnologia, mas vende ouro para bancos que podem revendê-lo para diversos usos, disse o representante da empresa, Giovanni Prelazzi, em comunicado à Reuters. Ele não citou os bancos.

A Apple não abordou especificamente a Chimet, mas afirmou em comunicado que suas políticas proíbem o uso de minerais extraídos ilegalmente. As empresas que descumprem essa determinação são removidas de sua cadeia de suprimentos, disse a fabricante do iPhone.

Amazon, Alphabet e Microsoft se recusaram a comentar.

A Chimet disse que, após tomar conhecimento da investigação sobre a CHM, contratou a empresa de contabilidade Deloitte para realizar uma auditoria de seus outros fornecedores e em abril de 2022 foi novamente certificada pela associação de mercado de barras LBMA como atendendo aos padrões de fornecimento responsável de ouro.

Um representante da LBMA disse à Reuters que as ações da Chimet mostraram que problemas semelhantes não existiam com outros fornecedores e que os métodos de verificação estavam sendo fortalecidos.

Não registrada

Os documentos policiais informam que a CHM não estava registrada no Banco Central do Brasil como uma entidade legalmente autorizada a comprar e vender ouro, conhecidas como DTVMs.

A CHM não aparece no diretório online do Banco Central de DTVMs registradas. É ilegal para qualquer um, exceto mineradores e suas associações, comprar e vender ouro no Brasil sem tal registro.

A CHM disse que não comprou ouro como instrumento financeiro e que não é necessário registro para comprar ouro como mercadoria.

O Banco Central afirmou que não regulamenta "operações com ouro classificado como mercadoria".

Uma análise de 2020 das leis relevantes por promotores federais mostrou que esse registro é necessário para qualquer um que não seja mineradora para comprar e vender ouro, independentemente de seu uso.

Registros financeiros de transferências bancárias mostram que a CHM comprou ouro de cooperativa e diretamente de vários indivíduos no sul do Pará, que faz parte da Amazônia brasileira.

A cooperativa COOPEROURI tem licença para realizar mineração em uma área próxima à reserva indígena Kayapó, que é protegida, mas a polícia descobriu que tanto a CHM quanto a cooperativa compravam de garimpeiros independentes sem licença, de acordo com os documentos da investigação.

A COOPEROURI não foi encontrada para comentar.

Segundo relatório da polícia, cooperativas e garimpeiros individuais estariam extraindo minério ilegalmente na reserva indígena, embora não tenha indicado a base para essa alegação.

No relatório policial, imagens de satélite da reserva Kayapó --uma região maior que a Bélgica-- mostram vastas faixas de mineração lamacentas e pistas de pouso clandestinas para acessá-las.

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domingo, 24 de julho de 2022

Na luta contra Musk, Twitter registra prejuízo trimestral de US$ 270 milhões

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Em contrapartida, o número de usuários ativos diários aumentou 16,6% (237,8 milhões) em comparação com o mesmo período do ano anterior.
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Por Associated Press

Postado em 24 de julho de 2022 

Post. N. - 4.398

Twitter entra com batalha judicial contra Elon Musk — Foto: AP
Twitter entra com batalha judicial contra Elon Musk — Foto: AP

O Twitter anunciou nesta sexta-feira (22) que teve uma perda trimestral de US$ 270 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão) mesmo com o aumento do número de usuários.

A perda é registrada no período de batalha judicial com o bilionário Elon Musk para que ele possa cumprir a promessa, feita no mês de abril, de comprar a rede social por US$ 44 bilhões. Os últimos números de lucros trimestrais ofereceram um vislumbre de como o negócio se saiu durante a negociação.

A empresa perdeu US$ 270 milhões no período de abril a junho, depois que a receita caiu 1%, refletindo os ventos contrários do setor de publicidade bem como a incerteza sobre a oferta de aquisição de Musk.

Em contrapartida, o número de usuários ativos diários aumentou 16,6% (237,8 milhões) em comparação com o mesmo período do ano anterior. O Twitter atribuiu os ganhos a melhorias contínuas de produtos e conversas globais sobre eventos atuais.

Os últimos resultados de vendas do Twitter está sua briga legal com Musk para cumprir sua promessa de abril de comprar a empresa por US$ 44 bilhões.

Na semana passada, o Twitter processou Musk para concluir o acordo e ambos os lados estão se preparando para um julgamento no tribunal em outubro para resolver a disputa.

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sábado, 23 de julho de 2022

Google demite engenheiro por ter dito que programa de Inteligência Artificial da empresa tem consciência

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Companhia já tinha afastado Blake Lemoine no mês passado. Gigante de tecnologia afirma que ele violou políticas internas e que considera suas alegações "totalmente infundadas".
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Por Reuters

Postado em 23 de julho de 2022 às 12h35m

Post. N. - 4.397

Blake Lemoine acredita que o LaMDA - programa de IA do Google - tem personalidade, direitos e desejos. — Foto: THE WASHINGTON POST VIA GETTY IMAGES
Blake Lemoine acredita que o LaMDA - programa de IA do Google - tem personalidade, direitos e desejos. — Foto: THE WASHINGTON POST VIA GETTY IMAGES

O Google informou na sexta-feira (22) que demitiu um engenheiro de software que alegou que o chatbot de inteligência artificial (IA) da empresa, chamado de LaMDA, tem consciência.

Na sexta, o Google afirmou que Lemoine violou as políticas da empresa e que considerou suas alegações sobre o LaMDA "totalmente infundadas".

"É lamentável que, apesar do longo envolvimento neste tópico, Blake ainda tenha optado por violar persistentemente políticas claras de segurança de dados que incluem a necessidade de proteger as informações do produto", disse um porta-voz do Google em um e-mail à Reuters.

No ano passado, o Google disse que o LaMDA - Language Model for Dialogue Applications - foi construído com base em pesquisas da empresa que mostram que modelos de linguagem baseados em Transformers, treinados a partir de diálogos, podem aprender a falar sobre qualquer assunto.

O Google e muitos cientistas renomados foram rápidos em dizer que a opinião de Lemoine é equivocada, afirmando que o LaMDA é simplesmente um algoritmo complexo projetado para gerar uma linguagem humana convincente.

A demissão de Lemoine foi relatada pela primeira vez pela Big Technology, uma newsletter de tecnologia e sociedade.

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