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sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Americanos criam tecnologia para recuperar fotos nunca reveladas antes para reviver memórias familiares

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Mitch Goldstone e Carl Bergman administram a empresa Scan My Photos, que transforma negativos em fotos impressas e digitais.
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Por Por MICHAEL LIEDTKE Associated Press

Postado em 25 de agosto de 2023 às 16h35m

Post. N. - 4.713

Slides digitalizados — Foto: AP
Slides digitalizados — Foto: AP

Essa talvez pareça uma história triste, porque começa com um menino com poucas lembranças de seu pai, que morreu quando ele tinha 7 anos. É por isso que Mitch Goldstone valoriza tanto a única foto que tem com o pai — tirada na Disneylândia no final da década de 1960, quando o conceito de pessoas buscarem automaticamente no bolso as câmeras de seus smartphones só poderia existir na área do parque chamada Tomorrowland ("Futurolândia").

Mas esta história, e as histórias pessoais a seguir, não são nada tristes. E mais de cinquenta anos depois, Goldstone fez alguma coisa com essa lembrança.

Ele está seguindo uma carreira voltada para a alegria da redescoberta. Ele e seu parceiro de longa data, Carl Berman, administram a empresa ScanMyPhotos, que faz parte de um nicho especializado em transformar bilhões de slides analógicos, negativos não revelados e fotos impressas, tirados na época anterior aos smartphones, em baús do tesouro digitais repletos de lembranças que haviam sido esquecidas.

"Não há nada igual, há tão poucas empresas produzindo alguma coisa que faz as pessoas chorarem quando recebem o produto de volta", diz Goldstone. "Felizmente, costumam ser lágrimas de alegria."

Dar uma nova vida digital às fotos analógicas pode trazer à tona lembranças guardadas há muito tempo, e dar a elas uma sensação de atualidade. Pode trazer de volta o estrondo da água em antigas fotos de férias, ressuscitar em sua melhor forma familiares que se foram há muito tempo, e a reavivar a chama do amor incondicional de um animal de estimação da infância. Pode lembrar as pessoas da complexidade das relações familiares, evocar momentos esquecidos, e, talvez a melhor parte, facilitar compartilhá-los.

Aconteceu comigo. Finalmente encerrei os anos de procrastinação e confiei a profissionais a digitalização dos slides Kodachrome que herdei do meu pai de 81 anos quando ele morreu, em 2019.

Eu não havia conseguido olhar para eles, não de uma perspectiva emocional, mas porque não tinha o equipamento adequado para examinar slides analógicos. Convertê-los em mídia digital acessível me levou a uma jornada de volta à minha infância e ao passado dos meus pais, avós e bisavós. Isso, por sua vez, está me permitindo uma melhor compreensão de como me tornei quem sou.

É um fenômeno compartilhado por outras pessoas que também tomaram medidas para preservar fotos analógicas que haviam sido cuidadosamente tiradas décadas antes que os smartphones permitissem às pessoas tirar fotos de tudo regularmente.

Não é barato. Mas se você tiver os 200 a 300 dólares (930 a 1450 reais) que o processo possivelmente custará, e se conseguir encontrar tempo para vasculhar caixas, gavetas e armários mofados, poderá encontrar uma porta de entrada para experiências assim.

Slides digitalizados — Foto: AP
Slides digitalizados — Foto: AP

A última cena de um ator

Slides digitalizados — Foto: AP
Slides digitalizados — Foto: AP

Durante sua premiada carreira de ator, Ed Asner ficou famoso por interpretar personagens ranzinzas, mas adoráveis, sendo o mais famoso deles Lou Grant — o chefe de redação em duas populares séries de TV, "The Mary Tyler Moore Show", entre 1970 e 1977, e um spinoff de mesmo nome, entre 1977 e 1982. Asner também dublou o rabugento Carl Fredricksen na animação da Pixar de 2009, "Up: Altas Aventuras", que trazia uma cena comovente sobre o poder da fotografia de reavivar memórias.

Após a morte de Asner, em 2021, uma cena semelhante se tornou realidade. Seu filho, Matt, encontrou centenas de negativos não revelados. Ele decidiu digitalizá-los, juntamente com um acervo de fotos impressas.

"Honestamente, eu não sabia o que receberia de volta", diz Matt Asner. "É um pouco espantoso. Você recebe de volta esse tesouro que abre seus olhos para um passado de que você meio que se lembra. Mas tem muita coisa de que você não se lembra."

Olhar as fotos de seu pai reavivou lembranças que Matt não sabia que estavam guardadas em seu inconsciente. Certo dia, ele estava olhando algumas fotos tiradas dele próprio quando tinha 3 ou 4 anos de idade em uma casa de praia no sul da Califórnia, que seu pai alugava para a família no verão. Uma foto em especial abriu as comportas.

"Tem uma foto minha segurando um peixe morto, e eu tive essa lembrança maluca de encontrá-lo na praia e carregá-lo comigo por quatro dias", ele se recorda. "Minha mãe finalmente o jogou fora enquanto eu dormia, porque estava fedendo muito. Era uma lembrança muito forte, que eu tinha esquecido."

A conversão digital das fotos antigas de Ed Asner também produziu uma série de outras imagens interessantes, como uma do ator quando jovem, observando a si mesmo em um espelho pensativamente, talvez enquanto se preparava para um papel. Matt agora compartilha algumas de suas fotos favoritas do pai em seu perfil no Twitter, mas o que ele mais gosta de fazer é enviá-las aos familiares, algo que o formato digital facilitou.

"Algumas dessas fotos não eram vistas há 40, 50, ou até 60 anos", diz Matt Asner, deslumbrado. "É como abrir um mundo estranho para todos, e nos aproxima como família. Meu pai e minha mãe eram como uma cola para a família inteira. Agora, essas fotos substituem um pouco da cola que se foi."

Slides digitalizados — Foto: AP
Slides digitalizados — Foto: AP

A jornada de um diplomata

Slides digitalizados — Foto: AP
Slides digitalizados — Foto: AP

Após sua aposentadoria em 2021 de uma longa carreira como diplomata pelos EUA, trabalhando no mundo inteiro, Lyne Paquette voltou para sua casa em Chapel Hill, no estado da Carolina do Norte, e resgatou 12.000 fotos que ela havia tirado com sua câmera analógica durante suas muitas viagens. Depois de meses fazendo uma seleção, Paquette enviou cerca de 3.500 para serem digitalizadas.

Quando as recebeu de volta, ela se viu transportada novamente para muitos lugares onde esteve por designação ou a passeio — vários países da América Central e do Sul, Austrália, Alemanha, Bangladesh, Síria e Vietnã. Embora ela adore relembrar todos os bons momentos com os amigos que fez, algumas de suas fotos favoritas são de seus falecidos pais.

"Traz de volta tanta felicidade, mas às vezes também tristeza", diz Paquette, de 67 anos. "Eu vejo agora: tive uma vida muito, muito rica."

Portfólio de um correspondente de guerra

Russell Gordon trabalhou em 20 países como fotógrafo, fazendo coberturas que o enviaram a guerras, como a da Bósnia. Então, sim, em sua carreira ele acumulou muitas fotos analógicas, slides e negativos. Ele entregou para digitalização 200 das suas favoritas, incluindo registros únicos, como a foto de um colega jornalista no Afeganistão, que acabou sendo assassinado pelo homem que estava entrevistando na foto.

"Eu fiquei como uma criança no Natal, aguardando com muita expectativa", diz Gordon, de 58 anos, ao relembrar a espera pela conversão digital.

Ele não se decepcionou. As lembranças embutidas nas fotos são ainda mais valiosas para ele, que sofre de transtorno de estresse pós-traumático depois de anos cobrindo guerras terríveis. "Tenho um pouco de qualidade de vida agora, mas minha vida atualmente é em grande parte estruturada ao redor da nostalgia", diz Gordon. "Então, isso é um grande presente."

A experiência o convenceu ainda mais de que todas as pessoas com fotos analógicas devem digitalizá-las assim que tiverem oportunidade.

"A vida acontece, e as pessoas morrem", diz ele, com um suspiro. "Quando você se vai, a menos que esteja deixando dinheiro, a única coisa que vai deixar para trás serão algumas fotos."

A descoberta de um geólogo

Clifford Cuffey herdou a paixão pela geologia e pela fotografia de seu pai, que morreu no ano passado.

Essas características em comum se fundiram, e Cuffey se viu com mais de 100.000 fotos, incluindo 70.000 slides Kodachrome que ele tirou entre 1985 e 2009 usando câmeras equipadas com lentes manuais Olympus e Nikon. Muitas das fotos foram tiradas durante suas viagens e estão vinculadas ao seu interesse pela geologia, a profissão que escolheu.

E seu pai, professor de geologia na Universidade Estadual da Pensilvânia, havia deixado fotografias semelhantes, tiradas durante as viagens de férias, quando Cuffey e seu irmão o acompanhavam, ainda crianças. Mas também havia outras fotos dedicadas a hobbies, como trens e ferrovias que não existem mais, animais de estimação antigos, e, claro, fotos de família.

Cuffey, de 55 anos, gastou mais de US$20.000 (R$100.000) digitalizando as melhores fotos analógicas de sua coleção para ajudar a realizar seu objetivo de criar um site focado em geologia. Mas o investimento também está rendendo importantes dividendos emocionais.

"Essas foram coisas divertidas que eu fiz durante a infância", diz Cuffey. "Toda vez que olho minhas fotos escaneadas, fico com um grande sorriso no rosto e muito feliz por ter feito isso."

Opções para digitalizar suas fotos antigas

Slides digitalizados — Foto: AP
Slides digitalizados — Foto: AP

Com tantas fotos, slides e outras mídias visuais ainda limitadas ao analógico, a digitalização se tornou uma indústria caseira. Como acontece com qualquer serviço ou produto, é recomendável pesquisar para descobrir qual fornecedor atende melhor às suas necessidades. Mas aqui vão algumas dicas.

  • Caso não se sinta confortável entregando suas fotos antigas a estranhos, ou ache que os serviços de digitalização são muito caros, existem maneiras de fazer isso por conta própria. Mas isso requer algum conhecimento técnico, paciência e equipamento adequado.
  • Se você gosta de usar a Amazon, o site de comércio eletrônico reúne os produtos que considera os melhores em seu estoque. A revista PC Magazine recomenda alguns desses produtos. Usando o Google e outras ferramentas de pesquisa, é possível encontrar muitas sugestões para digitalizar fotos por conta própria.

Esta matéria foi originalmente publicada em inglês em 18 de agosto de 2023.

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quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Startup que planeja missão para limpar lixo na órbita da Terra diz que 1° alvo foi atingido por outros detritos

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Projeto em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA) está previsto para 2025 e será o primeiro do tipo para remoção ativa de lixo espacial.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 24 de agosto de 2023 às 07h05m

Post. N. - 4.712

Representação artística da missão ClearSpace-1. — Foto: ClearSpace/Divulgação
Representação artística da missão ClearSpace-1. — Foto: ClearSpace/Divulgação

A startup que planeja enviar uma sonda para ser a pioneira na coleta do lixo espacial afirmou nesta quarta-feira (23) que seu primeiro alvo foi atingido por outros detritos espaciais, gerando ainda mais lixo na órbita da Terra.

🛰️🌍 A empresa ClearSpace-1 tem parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA). A meta da missão é capturar, em 2025, um pedaço de foguete que que pesa aproximadamente 100 kg. O lixo é uma das partes do que restou do lançamento da sonda usada em 2013 para colocar satélites em órbita.

A startup suíça afirma que detritos não rastreáveis atingiram o pedaço de foguete no último dia 10 de agosto, levando à geração de mais lixo nas proximidades do objeto, que está em órbita a cerca de 800 km da Terra.

"A causa mais provável do evento pode ter sido um impacto de hipervelocidade de um objeto pequeno e não rastreado, que resultou na liberação de novos fragmentos de baixa energia", disse a ClearSpace em um comunicado.

🎯🚀 A ESA assinou um contrato de 86 milhões de euros para adquirir o serviço, cada vez mais necessário e relevante depois de décadas de exploração espacial que produziram milhões de detritos no espaço.

🔍📝 No mesmo comunicado, porém, a empresa responsável pela missão afirmou que, apesar da colisão, o projeto continuará conforme o previsto, mas acrescentou que dados sobre o incidente ainda estão sendo coletados.

"Uma avaliação preliminar indica que o aumento do risco de colisão para outras missões representadas por esses fragmentos é extremamente baixo", acrescentou a nota.

A ESA também informou que está avaliando cuidadosamente o impacto do evento na missão inédita, e acrescentou que uma análise completa durará várias semanas.

No vídeo abaixo, o g1 explica qual é o real risco do lixo espacial na Terra e no espaço? A reportagem também traz uma entrevista com o CEO da ClearSpace, Luc Piguet.

Qual é o real risco do lixo espacial na Terra e no espaço?Qual é o real risco do lixo espacial na Terra e no espaço?

O que é a ClearSpace1?

A ClearSpace1 tem como objetivo reduzir os riscos causados por objetos maiores que se fragmentam em detritos menores e potencialmente prejudiciais para equipamentos em órbita.

A missão será realizada por uma sonda espacial que será lançada na órbita do alvo. Ela localizará o lixo, o agarrará com quatro braços robóticos e o retirará da órbita da Terra. Tanto o pedaço de foguete quanto a sonda caçadora queimarão na atmosfera ao retornar ao nosso planeta.

Por isso, se tudo der certo, embora algumas missões semelhantes tenham sido realizadas nos últimos anos, a primeira iniciativa do mundo para limpar de fato lixo espacial será essa.

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quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Armas inteligentes: fabricante promete pistola que só dispara após identificar atirador

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Revólver que deve chegar aos EUA em 2024 confirma identidade por reconhecimento facial ou impressão digital. Para pesquisador sobre violência, produto pode reduzir disparos acidentais e roubos de armas, mas não é solução definitiva.
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Por Victor Hugo Silva, g1

Postado em 23 de agosto de 2023 às 07h15m

Post. N. - 4.711

Arma inteligente da Biofire usa leitor de digital e sensor de reconhecimento facial para identificar se atirador é uma pessoa autorizada — Foto: Divulgação/Biofire
Arma inteligente da Biofire usa leitor de digital e sensor de reconhecimento facial para identificar se atirador é uma pessoa autorizada — Foto: Divulgação/Biofire

Os Estados Unidos devem se tornar, no início de 2024, o primeiro destino de um lote de pistolas que só podem ser disparadas por seus donos ou por pessoas cadastradas por eles.

O prazo foi anunciado pela Biofire, que desenvolveu um modelo de "arma inteligente" (ou smart gun) e colocou o produto em pré-venda exclusiva para o mercado americano.

Uma arma é considerada inteligente quando tem mecanismos para impedir que os disparos sejam feitos por pessoas não autorizadas.

No caso da Biofire, trata-se de uma pistola 9 mm (milímetros) que, em teoria, só pode ser destravada depois que a identidade do usuário é confirmada por reconhecimento facial ou impressão digital.

Outras fabricantes preparam produtos parecidos: a LodeStar Works pretende usar um leitor de digitais e um aplicativo de celular para destravar a arma, enquanto a SmartGunz quer fazer isso com um anel que deve ser usado pelo atirador.

No passado, empresas como a Colt e a Armatix apresentaram armas que só seriam destravadas se o atirador estivesse usando uma pulseira ou um relógio correspondente. Mas os projetos não fizeram esse tipo de produto avançar.

Smart guns têm proteção contra uso não autorizado — Foto: Arte/g1
Smart guns têm proteção contra uso não autorizado — Foto: Arte/g1

As restrições em armas são positivas e podem ajudar a reduzir disparos acidentais e roubos de armas, mas não devem ser vistas como solução definitiva para questões sobre violência, diz o gerente do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani.

"Esse tipo de produto tem um potencial muito grande, especialmente para usuários domésticos com crianças ou adolescentes em casa, para reduzir o risco do acesso não autorizado", afirmou Bruno ao g1.

Dados do Ministério da Saúde compilados pelo Instituto Sou da Paz traçam o cenário de acidentes com armas de fogo no Brasil:

  • 229 mortes em 2021 (1.376 no período de cinco anos entre 2017 e 2021)
  • 2.598 pessoas hospitalizadas em 2021 (16.047 entre 2017 e 2021)

"O que essa tecnologia não responde é a violência praticada pelo proprietário da arma. A gente sabe que, infelizmente, muita gente compra dizendo que é para se defender, mas, no momento em que perde a cabeça, usa essa arma para cometer uma tragédia".

A Biofire diz que a verificação de reconhecimento facial na sua arma é feita por meio de um sensor infravermelho que fica na traseira da smart gun. Já a impressão digital é analisada por um leitor no cabo da arma.

O site da empresa diz que os sensores podem identificar a pessoa mesmo se ela estiver usando luvas ou máscara, mas não detalha como isso acontece. O g1 entrou em contato com a fabricante, mas não teve retorno

Ainda de acordo com a marca, a arma é bloqueada automaticamente quando deixa as mãos de uma pessoa autorizada.

O atirador pode autorizar outras pessoas a usar a arma ao conectá-la ao Smart Dock, dispositivo por meio do qual biometria é cadastrada. A Biofire afirma que os dados ficam armazenados na arma e não podem ser acessados por ninguém.

Biofire usa dispositivo chamado de Smart Dock para administrar pessoas autorizadas a usar sua arma inteligente — Foto: Divulgação/Biofire
Biofire usa dispositivo chamado de Smart Dock para administrar pessoas autorizadas a usar sua arma inteligente — Foto: Divulgação/Biofire

É segura?

Uma arma mais tecnológica também exige mais atenção com segurança. Em 2017, um hacker usou imãs para provar que era possível impedir o travamento da arma inteligente IP1, da Armatix.

A Biofire alega que sua arma não se conecta à internet e que, por isso, não pode ser controlada remotamente. A empresa também diz que, apesar de o Smart Dock ser capaz de se ligar à rede, essa conexão é opcional e serve apenas para receber atualizações.

Quanto custa?

As armas do primeiro lote do revólver, que a Biofire promete entregar no início de 2024, esgotaram e foram vendidas por US$ 1.899 (cerca de R$ 9.400, na cotação de 22 de agosto) cada uma. A partir do segundo lote, cada unidade custa US$ 1.499 (R$ 7.400).

A LodeStar Works planeja vender sua arma inteligente por US$ 895 (R$ 4.400) cada uma, segundo a Reuters. Já a SmartGunz anunciou que a sua custará US$ 2.195 (R$ 10.800). Nenhuma delas está disponível ao público.

"O desafio é que ainda é uma tecnologia muito cara. A gente precisa continuar insistindo em outros mecanismos mais baratos de guarda segura, como os cofres, e mostrar que há alternativas para o proprietário não correr risco de ter um acidente fatal dentro da sua casa", diz Langeani.

O pesquisador entende que este é um ponto deveria ter sido incluído nas regras sobre armas no Brasil. "Atualmente, no decreto de armas, não tem a previsão explícita para um cofre ou um equipamento semelhante de guarda segura", explica.

Pistola da Biofire deve começar a ser entregue nos Estados Unidos a partir de 1º trimestre de 2024 — Foto: Divulgação/Biofire

E as armas convencionais?

Nos Estados Unidos, governos discutem regras específicas sobre smart guns. Em Nova Jersey, por exemplo, lojas de armas são obrigadas a vender este tipo de armas se houver uma solicitação das fabricantes.

Mas não há garantias de que elas realmente tomarão o mercado. A própria Biofire diz ser contra a regra de New Jersey e diz que não vai pedir para ser vendida em todas as lojas de armas do estado. A empresa afirma ainda que vai lutar contra futuras propostas nesse sentido.

"Estamos orgulhosos da smart gun que desenvolvemos e acreditamos que será uma parte importante da estratégia de defesa doméstica de muitas famílias, mas entendemos que todos devem ter o direito de escolher a arma de fogo que atenda às suas necessidades", diz a fabricante.

Langeani, do Instituto Sou da Paz, diz que, é desejável ter regras que façam lojas disponibilizarem as smart guns, mas alerta que este tipo de produto não é uma receita milagrosa para os problemas com armas.

"A maior ferramenta são legislações que obriguem que o interessado opte por algum mecanismo de segurança, podendo ser uma arma regular com cofre ou uma smart gun".


Carros de aplicativo: veja quais são os principais recursos de segurança
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