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sábado, 10 de agosto de 2024

Guerra dos supertênis: as armas da indústria para fazer maratonistas e corredores comuns 'voarem'

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Fabricantes apostam em calçados com placas de carbono e espumas mais modernas para ajudar a melhorar performance de atletas. Um dos objetivos atuais é atingir recorde abaixo das duas horas na maratona masculina.
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Por Victor Hugo Silva, g1

Postado em 10 de agosto de 2024 às 06h00m

#.* Post. - Nº.\  4.934 *.#


O que são os supertênis, armas para atletas profissionais e amadores 'voarem'

"Imagine eu em 1998 com um tênis de hoje, seria uma marca bem melhor". A avaliação é de Ronaldo da Costa, que, há quase 26 anos, virou o único brasileiro a ter quebrado o recorde masculino da maratona, prova de 42,195 km de distância.

Ele atingiu o feito na Maratona de Berlim, na Alemanha, com o tempo de 2h06min05s. E acredita que poderia reduzir o tempo em cerca de três minutos com os tênis e, claro, treinamentos e dietas atuais, por exemplo.

O atual recorde masculino da maratona é 2h00min35s, tempo registrado pelo queniano Kelvin Kiptum, que morreu em fevereiro, aos 24 anos. Entre as mulheres, o melhor tempo é da etíope Tigist Assefa, com 2h11min53s.

E não são só corredores que buscam essas marcas: as fabricantes de tênis travam uma longa guerra por recordes de atletas que elas patrocinam e, hoje, têm como um de seus objetivos atingir um tempo abaixo de duas horas na maratona masculina.

Para isso, elas produzem os chamados "supertênis", que utilizam materiais de ponta como placas de carbono sob as palmilhas e espumas modernas que deixam os calçados mais leves. Um modelo desse tipo chega a custar R$ 4.000.

Há também uma empresa que trabalha em um tênis impresso para se ajustar perfeitamente ao pé do atleta. O modelo é feito com uma espécie de pistola de cola quente automatizada, que usa 1,5 km de fios e dispensa colas e costuras.

Essas são algumas das estratégias adotadas por fabricantes de tênis de corrida, que têm buscado:

  • ⏱️ melhorar a impulsão de atletas a cada passada, criando uma espécie de efeito trampolim;
  • 🏃 oferecer mais estabilidade para permitir que corredores façam movimentos ainda mais coordenados e diminuir os riscos de lesões;
  • 👟 aumentar o conforto com tênis mais leves e tecidos que têm mais capacidade de dissipar o calor.
A avaliação é de Rudnei Palhano, doutor em Engenharia de Materiais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e mestre em Ciências do Movimento Humano pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

"O avanço da tecnologia está contribuindo para que novos recordes venham a ser batidos", disse Palhano, ao g1. "E essa tecnologia não é somente para os atletas, chega no público de forma geral".

Como são feitos os 'supertênis' de corrida — Foto: Bruna Azevedo/Arte g1
Como são feitos os 'supertênis' de corrida — Foto: Bruna Azevedo/Arte g1

Carbono no tênis?

Na disputa pelo melhor tênis, a placa de carbono é uma das armas usadas pelos fabricantes, que ajustam esse componente de acordo com seus interesses. Ele é uma camada fina que fica nas entressolas do tênis e servem para melhorar a estabilidade e a impulsão dos atletas.

"Quando o atleta pisa, o calçado devolve um pouco dessa energia no calcanhar, fazendo com que ele tenha uma propulsão e gaste menos energia nesse movimento", explicou Palhano.

"Quando você consegue economizar energia, pode chegar mais íntegro ao final da sua competição. Pode ser uma pequena fração, mas, no caso de uma maratona de 42 km, isso é significativo".

Tigist Assefa alcançou recorde feminino da maratona em 24 de setembro de 2023, ao usar tênis Adizero Adios Pro Evo 1, da Adidas — Foto: AP Photo/Markus Schreiber
Tigist Assefa alcançou recorde feminino da maratona em 24 de setembro de 2023, ao usar tênis Adizero Adios Pro Evo 1, da Adidas — Foto: AP Photo/Markus Schreiber

O primeiro tênis com placa de carbono foi criado pela Nike e estreou na maratona das Olimpíadas do Rio, em 2016. Dois corredores patrocinados pela empresa alcançaram o pódio naquela ocasião com o que viria a ser chamado de Vaporfly 4%.

Em 2019, o queniano Eliud Kipchoge usou outro tênis da Nike com placa de carbono, o Alphafly 3, e conseguiu correr uma maratona abaixo de 2h, mais especificamente em 1h59min40s. Mas, como a corrida era promocional e tinha sido criada para Kipchoge, o feito não foi reconhecido como recorde.

Eliud Kipchoge durante a Maratona de Berlim, em 24 de setembro de 2023 — Foto: AP Photo/Markus Schreiber
Eliud Kipchoge durante a Maratona de Berlim, em 24 de setembro de 2023 — Foto: AP Photo/Markus Schreiber

'Doping mecânico'?

O Vaporfly 4% e o Alphafly 3 estiveram em uma controvérsia por supostamente darem uma vantagem indevida para corredores, prática também conhecida como "doping mecânico". Depois deles, a World Athletics, federação internacional de atletismo, definiu novas regras sobre tênis.

A entidade decidiu em 2020 que tênis usados em competições de atletismo devem estar disponíveis para compra por qualquer atleta e não podem ter sola com mais de 40 mm de espessura, por exemplo.

Apesar da polêmica, outras empresas passaram a adotar a placa de carbono em seus modelos para atletas de elite. Mais recentemente, o material também passou a ser oferecido em modelos para atletas amadores, mas ainda com preços altos.

Esse avanço foi possível após a adoção de espumas mais leves, chamadas de Pebax, que permitem usar solas maiores e com maior amortecimento sem deixar os tênis pesados, explicou Márcio Callage, diretor de marketing da Olympikus, que usou a tecnologia no tênis Corre Ultra.

"Daí veio a ideia de colocar uma placa de carbono, para que, ao mesmo tempo em que a espuma amortecesse a pisada, não trouxesse lentidão na hora da resposta, no efeito trampolim. Hoje, essa é a grande revolução no mundo da tecnologia esportiva".

'Supertênis' de corrida usam placas de carbono e espumas mais modernas para dar mais impulsão, estabilidade e conforto para corredores — Foto: Divulgação/Nike/Adidas/On
'Supertênis' de corrida usam placas de carbono e espumas mais modernas para dar mais impulsão, estabilidade e conforto para corredores — Foto: Divulgação/Nike/Adidas/On

Tênis impresso?

Os métodos para criar tênis que ajudem a melhorar a performance de atletas variam. A fabricante suíça On, por exemplo, criou modelos que são feitos em impressoras e são moldados aos pés dos corredores.

"Isso deixa o atleta mais tranquilo com a sua corrida e no seu desempenho. Você não precisa se preocupar com o peso do cadarço, com algumas distrações no produto", disse Alexandre Martinez, diretor de marketing da On.

A empresa patrocina 66 atletas de 15 esportes nas Olímpiadas de Paris e vê o evento como uma oportunidade de demonstrar os benefícios de seus produtos.

"A gente está muito esperançoso", disse Martinez. "Foram milhares de testes entre os nossos atletas até chegar ao modelo correto".

Entre os atletas patrocinados pela marca, está a queniana Hellen Obiri, que utilizou um protótipo do tênis mais moderno da empresa ao vencer a maratona de Boston, nos Estados Unidos, com tempo de 2h22min37.

O modelo será usado em Paris, com visual repaginado, e deverá ser levado ao público até o final de 2024. Mas a marca não revelou como vai garantir que eles se ajustem aos pés de cada pessoa.

Hellen Obiri (centro) venceu Maratona de Boston com tênis Cloudboom Strike LS, da On, em 15 de abril de 2024 — Foto: AP Photo/Jennifer McDermott
Hellen Obiri (centro) venceu Maratona de Boston com tênis Cloudboom Strike LS, da On, em 15 de abril de 2024 — Foto: AP Photo/Jennifer McDermott

As tecnologias chegarão para todos?

A ideia é que, depois de os "supertênis" (ou "supershoes") serem usadas por atletas de elite, versões mais acessíveis desses calçados também sejam levadas para atletas amadores.

"A tecnologia começa cara e vai barateando. Hoje, todas as marcas têm os supershoes, que são para competição, e os supertrainers, tênis que também têm placa, mas com outros materiais, para rodagem no dia a dia", disse Callage, da Olympikus.

Mas, neste momento, o objetivo é mostrar que os modelos mais modernos podem ser úteis em competições. "A Olimpíada é um momento máximo, é a representação da marca", disse Martinez, da On. "E a gente está muito esperançoso".

Ronaldo da Costa, que deteve o recorde masculino da maratona por quase um ano, o treinamento representa 90% do que é necessário para ganhar uma prova, enquanto equipamentos como tênis são 10%.

Mas, quando todos estão em alto nível, os calçados podem ser a diferença que falta para chegar em primeiro lugar. "Você tem que treinar, mas, se tiver um material de primeira na mão, esses 10% ajudam muito", disse.

Para Ronaldo, o recorde masculino da maratona deve ficar abaixo das duas horas em breve. "Não vai demorar. Do jeito que estão na ponta dos cascos, tudo é possível".

Ronaldo da Costa, durante a corrida de São Silvestre, em 1994 — Foto: Fábio Lucio/TV Globo/Acervo
Ronaldo da Costa, durante a corrida de São Silvestre, em 1994 — Foto: Fábio Lucio/TV Globo/Acervo

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sexta-feira, 9 de agosto de 2024

27% dos brasileiros já compartilharam nudes, diz pesquisa; veja como proteger imagens íntimas

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E 53% dos brasileiros dizem conhecer alguém que foi vítima de abuso de imagem íntima, também conhecido como pornografia de vingança. Dados são de pesquisa encomendada pela empresa de cibersegurança Kaspersky.
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Por g1

Postado em 09 de agosto de 2024 às 08h30m

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Teve um nude vazado? Prática é crime; saiba como denunciar 

Um em cada quatro brasileiros com mais de 16 anos (27%) afirma já ter compartilhado nudes com quem namoram ou conversam pela internet. Outros 22% dizem guardar fotos íntimas de si próprios em seus dispositivos módeis.

Mas a prática pode colocar muita gente em risco: 53% dos brasileiros dizem conhecer alguém que passou por abuso de imagem íntima, também conhecido como pornografia de vingança (confira abaixo como se proteger).

Os dados são de uma pesquisa encomendada pela empresa de cibersegurança Kaspersky e realizada pela Censuswide, a partir de 9.033 pessoas com 16 anos ou mais em 12 países: Reino Unido, Bélgica, Países Baixos, Colômbia, França, Grécia, Itália, México, Peru, Estados Unidos, Espanha e Brasil.

A pesquisa aponta que a troca de nudes é mais comum entre pessoas de 16 a 34 anos (52%). E que pessoas com mais de 35 anos são mais afetadas por pornografia de vingança: 15% dos brasileiros neste grupo dizem ter sido vítimas desse tipo de abuso, contra 11% no grupo de 16 a 34 anos.

Ao compartilhar fotos íntimas, é importante estar ciente dos riscos e buscar formas de minimizá-los: uma das formas é evitar fotos que, de alguma forma, possam te identificar.

Veja abaixo como enviar nudes com mais segurança.

E lembre-se: compartilhar nudes sem consentimento é crime e pode dar até cinco anos de prisão, além de indenização por danos morais e materiais. Teve um nude vazado? Veja como juntar provas, denunciar e pedir remoção da internet.

Como mandar nudes de forma segura — Foto: Gabriel Wesley Marques Santos / arte g1
Como mandar nudes de forma segura — Foto: Gabriel Wesley Marques Santos / arte g1

Violentada a cada clique, vítimas contam consequências da pornografia de revanche

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Como a Intel desprezou a OpenAI e ficou para trás na era da inteligência artificial

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A Intel chegou a discutir a compra da OpenAI entre 2017 e 2018, mas desistiu do negócio por entender que modelos como o ChatGPT não pagariam seu investimento. Com a decisão, a empresa foi ultrapassada por rivais como a Nvidia.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 09 de agosto de 2024 às 07h00m

#.* Post. - Nº.\  4.932 *.#

Intel e OpenAI — Foto: AP Photo/Richard Drew; AP Photo/Michael Dwyer
Intel e OpenAI — Foto: AP Photo/Richard Drew; AP Photo/Michael Dwyer

A Intel, gigante americana de chips, poderia estar em um momento bem diferente se tivesse tomado outra decisão no passado. A empresa, que vai demitir mais de 15 mil funcionários, não comprou o que viria a ser a dona do ChatGPT e ficou para trás na corrida da inteligência artificial (IA).

Há cerca de sete anos, a empresa teve a chance de comprar uma participação na OpenAI, que, naquele momento, era apenas uma organização de pesquisa sem fins lucrativos que trabalhava em um campo até então pouco conhecido: inteligência artificial generativa.

O termo ficou mais conhecido depois que a própria OpenAI lançou no final de 2022 o ChatGPT, serviço capaz de "conversar" com os usuários. Nos meses seguintes, outras empresas anunciaram as suas próprias ferramentas de IA generativa.

Relatos à Reuters de quatro pessoas com conhecimento da negociação de Intel e OpenAI indicam que, durante vários meses de 2017 e 2018, executivos das duas organizações discutiram várias opções para a transação.

ChatGPT — Foto: Reuters/Florence Lo
ChatGPT — Foto: Reuters/Florence Lo

Uma das possibilidades analisadas foi a compra pela Intel de uma participação de 15% na OpenAI por US$ 1 bilhão em dinheiro, afirmaram três das pessoas. Duas fontes afirmaram que a gigante dos chips avaliou comprar 15% adicionais se fabricasse componentes para a startup a preço de custo.

Na época, a Intel decidiu não concretizar o negócio, em parte porque o então presidente-executivo, Bob Swan, não acreditava que os modelos de IA generativa chegariam ao mercado em um futuro próximo.

O executivo acreditava que os modelos de IA não pagariam o investimento da Intel, de acordo com três das fontes, que pediram anonimato para discutir assuntos confidenciais.

A OpenAI estava interessada em um investimento da Intel porque isso teria reduzido sua dependência dos chips da Nvidia e permitido que a startup construísse sua própria infraestrutura, disseram duas das pessoas.

O acordo também não foi concretizado porque a unidade de data center da Intel não queria fabricar produtos a preço de custo, acrescentaram as pessoas.

Um porta-voz da Intel não respondeu às perguntas sobre o possível acordo. Swan não respondeu a um pedido de comentário, e a OpenAI se recusou a comentar.

Conheça o GPT-4o, novo modelo de IA usado pelo ChatGPT

O que mudou para a Intel?

A decisão da Intel de não investir na OpenAI, hoje avaliada em cerca de US$ 80 bilhões, não tinha sido divulgada anteriormente e é vista como um dos vários infortúnios estratégicos que fizeram a empresa, antes na vanguarda dos chips de computador, tropeçar na era da IA.

No início de agosto, a Intel informou que teve um prejuízo de US$ 1,6 bilhão e queda de 1% na receita, o que causou queda acentuada no valor das ações da companhia, que teve seu pior dia de negociação desde 1974.

A empresa disse que a demissão de 15 mil funcionários (15% de sua força de trabalho) faz parte do plano de cortar despesas em US$ 10 bilhões até 2025.

"Nossas receitas não cresceram como esperado e ainda precisamos nos beneficiar totalmente de tendências poderosas como a inteligência artificial. Nossos custos são muito altos, nossas margens são muito baixas", disse o presidente-executivo da Intel, Pat Gelsinger, em comunicado.

Pela primeira vez em 30 anos, a Intel vale menos de US$ 100 bilhões. A antiga líder do mercado – cujo slogan de marketing "Intel Inside" representou por muito tempo o padrão ouro de qualidade – ainda está lutando para colocar no mercado um produto de chip de IA de grande sucesso.

Hoje, a empresa é ofuscada pela rival Nvidia, que atingiu US$ 2,6 trilhões em valor de mercado depois de deixar de investir apenas em gráficos de videogame e focar em chips usados para operar grandes sistemas de IA, como o GPT-4, da OpenAI, e os modelos Llama, da Meta.

A Intel também ficou atrás da AMD, avaliada em US$ 218 bilhões.

Questionado sobre o progresso da empresa em IA, o porta-voz da Intel citou comentários recentes do atual presidente-executivo da companhia, Pat Gelsinger, que promete superar rivais com a terceira geração do chip de IA Gaudi, com previsão de lançamento no terceiro trimestre de 2024.

Gelsinger disse que a empresa tem "mais de 20" clientes para a segunda e terceira geração do Gaudi e que seu chip de IA Falcon Shores de próxima geração seria lançado no final de 2025.

"Estamos nos aproximando da conclusão de um ritmo histórico de inovação tecnológica de design e processo, e estamos encorajados pelo pipeline de produtos que estamos construindo para capturar uma fatia maior do mercado de IA daqui para frente", disse o porta-voz à Reuters.

Como funciona o Gemini, a inteligência artificial mais poderosa do Google

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