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Indiciado na França por crimes que acontecem no app de mensagens, Durov critica uso de leis 'pré-smartphone' para sua responsabilização. E disse esperar que episódio ajude a tornar a plataforma mais segura. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por g1 Postado em 05 de setembro de 2024 às 18h40m #.*Post. - Nº.\ 4.955 *.#
Pavel Durov, presidente-executivo e dono do Telegram, no Mobile World
Congress, em Barcelona, em 2016 — Foto: Albert Gea/Reuters
O cofundador e CEO do Telegram,
Pavel Durov, se manifestou nesta quinta-feira (5) após ficar preso por
quatro dias na França. Ele disse que a acusação de que a plataforma
contribui para a prática de crimes foi "surpreendente por vários
motivos" e feita com a "abordagem equivocada".
"As alegações em alguns veículos de que o Telegram é uma espécie de
paraíso anárquico são absolutamente falsas", disse Durov, que também
citou a derrubada de milhões de postagens na plataforma, a publicação de
relatórios de transparência.
O executivo foi preso em 24 de agosto após descer de seu jato particular no aeroporto de Le Bourget, nos arredores de Paris. Ele foi solto no dia 28 do mesmo mês, mas foi indicado por 12 crimes que, de acordo com a promotoria, acontecem no aplicativo. Ele também foi proibido de deixar o país.
A promotoria francesa diz que a
falta de moderação no aplicativo e recusa da empresa de colaborar com
investigações tornam o dono do Telegram cúmplice de crimes como abuso sexual infantil, tráfico de drogas e fraude.
"Usar
leis da era pré-smartphone para acusar um CEO de crimes cometidos por
terceiros na plataforma que ele gerencia é uma abordagem equivocada",
afirmou Durov, em seu canal no Telegram, em sua primeira manifestação
pública após a prisão.
Para Durov, a prisão foi surpreendente porque o Telegram tem
representante legal na União Europeia para responder às solicitações de
países do bloco e as autoridades francesas têm várias formas de entrar
em contato com ele.
O empresário disse ainda que o país que estiver insatisfeito com um
serviço de internet deve abrir uma ação legal contra a plataforma.
"Construir tecnologia já é difícil o bastante. Nenhum inovador jamais
construirá novas ferramentas se souber que pode ser pessoalmente
responsabilizado por potencial abuso dessas ferramentas".
Casal processou plataforma após ouvir podcast e descobrir que vozes deles foram usadas por empresa de inteligência artificial. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Ben Derico 04/09/2024 17h17 Atualizado há uma hora Postado em 04 de setembro de 2024 às 18h20m #.*Post. - Nº.\ 4.954 *.#
Paul Skye Lehrman e Linnea Sage entraram com uma ação coletiva contra a plataforma Lovo. — Foto: BBC
A ideia de que a inteligência artificial, um dia, pode tomar nossos empregos é uma mensagem que muitos de nós temos ouvido nos últimos anos.
Mas, para Paul Skye Lehrman, este alerta foi particularmente pessoal,
inesperado e assustador. Ele ouviu o aviso com a sua própria voz.
Em junho de 2023, Lehrman e sua parceira Linnea Sage andavam de carro
perto de casa, em Nova York, nos Estados Unidos. Eles ouviam um podcast
sobre as greves em Hollywood e como a inteligência artificial (IA)
poderá afetar aquele setor.
O episódio era interessante porque o casal é profissional de dublagem.
E, como muitos outros artistas criativos, eles receiam que os geradores
de voz que parecem humanos logo poderão ser empregados para
substituí-los.
E aquele podcast tinha um atrativo específico. Era uma entrevista com
um chatbot gerado por IA, equipado com software que transforma texto em
fala. A intenção era saber dele quais as possíveis consequências do uso
da inteligência artificial para os empregos em Hollywood.
Mas, quando o chatbot falou, sua voz se parecia exatamente com a de Paul Lehrman.
"Tivemos
de estacionar o carro", ele conta. "A ironia era que a IA está chegando
à indústria do entretenimento e ali estava a minha voz, falando sobre a
possível destruição do setor. Realmente, foi muito assustador."
Naquela noite, eles passaram horas online procurando indicações sobre o que poderia ter ocorrido, até que eles chegaram ao site da plataforma Lovo, que transforma texto em fala. Ali, Sage conta que também encontrou uma cópia da voz dela.
"Fiquei impressionada", relembra ela. "Não conseguia acreditar. Uma
empresa de tecnologia roubou as nossas vozes, fez clones delas com IA e
as vendeu, talvez centenas de milhares de vezes."
O casal processou a Lovo e a empresa ainda não respondeu à ação, nem aos pedidos de comentários da BBC.
Guerra dos clones
Mas como a Lovo conseguiu recriar as duas vozes? O casal afirma que tudo foi feito sob falsos pretextos.
Um dos fundadores da Lovo, Tom Lee, havia dito anteriormente que seu software de clonagem de voz precisa apenas que o usuário leia cerca de 50 sentenças para criar um clone confiável.
"Nós
conseguimos capturar o tom, as características, o estilo, os fonemas e,
até se você tiver sotaque, também conseguimos capturar", contou ele ao
podcast Future Visionaries, em 2021.
Na ação judicial, Lehrman e Sage descrevem como eles acreditam que a Lovo tenha conseguido essa gravação das suas vozes.
Eles alegam que funcionários anônimos da Lovo entraram em contato com
eles para gravar trechos de áudio no popular website Fiverr, para
talentos freelancer. Lá, eles vendiam seus serviços para fornecer áudio
para o rádio, televisão, videogames e outros meios.
Sage conta que, em 2019, um usuário entrou em contato com ela, pedindo
que ela gravasse dezenas de testes de roteiros de rádio, aparentemente
genéricos.
As gravações de teste costumam ser usadas no cinema e na televisão para
grupos de referência, reuniões internas ou para reservar espaços para
trabalhos em andamento. E, como estas gravações não serão amplamente
compartilhadas, elas custam muito menos do que o áudio destinado a
transmissão.
Sage afirma que realizou o trabalho, forneceu os arquivos e recebeu por eles US$ 400 (cerca de R$ 2.200).
Lehrman conta que recebeu um pedido similar de gravação de dezenas de
anúncios de rádio com sons genéricos, cerca de seis meses depois.
Nas mensagens compartilhadas pelo casal com a BBC, o usuário anônimo do
Fiverr afirma que o áudio seria usado para pesquisas com "síntese de
fala".
Depois de pedir ao usuário a garantia de que os roteiros não serão
empregados fora do seu projeto de pesquisa específico, Lehrman perguntou
qual seria o objetivo do projeto.
"Os roteiros não serão empregados para nada além disso", declarou o
usuário, "e ainda não posso contar o objetivo, pois é um trabalho
confidencial em andamento. Desculpe, haha."
Lehrman perguntou se os arquivos terminados seriam redirecionados ou
empregados em outra ordem. O usuário respondeu que os arquivos seriam
utilizados apenas para fins de pesquisa.
Ele conta que enviou os arquivos e recebeu US$ 1.200 (cerca de R$ 6.700). E a conexão entre o usuário anônimo e a Lovo veio, segundo eles, da própria Lovo.
Eles apresentaram as evidências encontradas sobre a clonagem das suas
vozes para a Lovo, que respondeu que não havia feito nada de errado. A
empresa indicou as comunicações entre eles e o usuário anônimo, como
prova de que havia feito contato com o casal legalmente.
"Nas
nossas carreiras, já fornecemos mais de 100 mil gravações de áudio",
conta Lehrman, sobre seu trabalho no Fiverr por mais de meia década.
"Conseguimos encontrar esta agulha no palheiro."
Nos dois casos, Lehrman e Sage afirmam que não tinham contrato por
escrito, apenas os diálogos. A BBC não conseguiu verificar todas as suas
conversas. O casal declarou que o usuário com quem eles conversaram
também parece ter excluído algumas mensagens.
A BBC entrou em contato com a Lovo em diversas ocasiões para pedir uma
entrevista com Lee e buscar uma resposta às afirmações do casal. A
empresa não respondeu às nossas mensagens.
Inteligência artificial lança música: entenda a polêmica
O que diz a lei?
O casal deu entrada no processo em maio. A ação alega que a Lovo usou
as gravações para criar cópias que concorrem ilegalmente com as vozes
reais de Sage e Lehrman. Eles afirmam que a empresa agiu sem permissão,
nem remuneração adequada.
Esta é uma ação coletiva, ou seja, o casal espera que outros demandantes entrem no processo, o que, até agora, não aconteceu.
A professora Kristelia Garcia, especialista em direito da propriedade
intelectual da Universidade Georgetown em Washington DC, nos Estados
Unidos, afirma que o caso provavelmente se enquadra em uma área da
legislação norte-americana referente aos direitos de publicidade.
Também denominados direitos de personalidade, eles incluem as violações
da personalidade de alguém, frequentemente devido ao abuso ou
desvirtuamento da voz ou da imagem de uma pessoa.
Garcia também afirma que, provavelmente, haverá uma quebra de contrato
em relação às licenças concedidas por Sage e Lehrman ao usuário que
encomendou as gravações.
"As licenças são permissões de uso restrito e muito específico", explicou ela à BBC.
"Eu
posso dar a você uma licença para usar minha piscina por uma tarde, mas
isso não significa que você pode vir sempre que quiser e dar uma festa
na minha piscina. Isso excederia os termos da licença."
Seja qual for o resultado do processo, esta é mais uma em uma longa
lista de ações judiciais apresentadas por artistas, escritores,
ilustradores e músicos, que não querem perder o controle do seu trabalho
e do seu sustento. E, provavelmente, eles são apenas a ponta do
iceberg.
No início de setembro, a empresa financeira Klarna anunciou que
pretende usar a IA para reduzir sua equipe de trabalho pela metade. E
alguns especialistas preveem que 40% de todos os empregos irão sofrer os
impactos da IA.
Mas, para Paul Skye Lehrman e Linnea Sage, as preocupações com o futuro chegaram mais cedo.
Para Sage, "toda esta experiência parece surreal. Quando pensamos em
inteligência artificial, pensamos na IA dobrando nossa roupa lavada e
fazendo o jantar, não explorando os esforços de criação dos indivíduos".
Big tech apresentou plano de conformidade e anunciou medidas visando aumentar transparência da prática. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Vivian Souza, Lara Castelo, g1 03/09/2024 02h00 Atualizado há 04 horas Postado em 03 de setembro de 2024 às 06h00m #.*Post. - Nº.\ 4.953 *.#
ANPD libera coleta de dados dos usuários para o treinamento de IA da Meta. — Foto: Reuters
Isso aconteceu após o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec)
questionar a ANPD sobre os riscos à privacidade de quem usa a Meta e a
falta de transparência da plataforma sobre esse compartilhamento de
dados.
Mas, nesta sexta-feira (30), a ANPD liberou a big tech para a prática
sob a condição do cumprimento de um "plano de conformidade"(veja mais detalhes abaixo), para adequar o tratamento dos dados ao disposto na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Para os especialistas em inteligência artificial entrevistados pelo g1,
usar dados pessoais para treinar inteligência artificial é algo
consolidado no mercado e faz parte do caminho para a criação de produtos
mais diversos e adaptados à cultura brasileira.
Mas, por se tratar de algo novo, os especialistas concordam que falta regulamentação sobre o tema e que o caso da Meta pode indicar uma nova direção para o mercado.
Além disso, é importante ficar de olho se a empresa será clara na
comunicação ao usuário sobre como os seus dados serão usados, para que
haja uma compreensão do que significaria aceitar ou não a coleta, afirma
Yasmin Curzi, pesquisadora do Karsh Institute of Democracy, na
Universidade de Virginia, nos Estados Unidos.
Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (30), a diretora da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Miriam Wimmer, destacou algunsparâmetros estabelecidos com a nova decisão:
a empresa deve deixar explícito o que será feito com os dados;
o usuário deve ter o direito de negar a coleta de seus dados e o formulário para isso deve ter um acesso simplificado;
dados coletados não podem remeter aos seus donos;
é preciso proteger o público vulnerável, como crianças e adolescentes.
"A
principal questão não é apenas a identificação dos usuários, mas o uso
compulsório de seus dados pessoais para uma finalidade que vai além da
prestação do serviço e que visa unicamente o lucro da empresa", diz o
Idec.
‘Primeiro passo’
O compartilhamento de dados de usuários para o treinamento de IA já é
consolidado no mercado, mas faltam diretrizes sobre o tema, explica o
advogado especializado em direito digital, Carlos Affonso Souza, diretor
do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS).
Por isso, orientações da ANPD no sentido de aumentar a transparência dessa prática ao usuário são bem-vindas, afirma.
“Agora, pelo menos, temos uma orientação da ANPD sobre o assunto”, diz.
O especialista destaca ainda que as instruções dadas à Meta jogam luz
nas práticas do mercado como um todo. Isso porque, segundo ele, a tendência é que as demais empresas de tecnologia que atuam no Brasil sigam os mesmos passos para não serem alvo da ANPD.
Mas ele espera que esse seja só o primeiro passo.
“O
melhor seria que a agência usasse esse caso como um impulso para
fornecer ainda mais informações às empresas de tecnologia sobre o
assunto. Afinal, hoje, elas são empresas de IA”.
A opinião é compartilhada pelo professor da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC-SP) especializado em inteligência artificial
Diogo Ortiz.
Para ele, o problema está em a Meta não deixar claro aos usuários quais
dados iria coletar e em como as pessoas poderiam se recusar a
participar do treinamento da IA.
Segundo a ANPD, por exemplo, o acesso ao formulário por meio do qual o
usuário poderia dizer que não quer participar dos testes era difícil.
Agora, o link com o formulário será enviado no e-mail do usuário.
Nesse sentido, Ortiz acredita que, com as alterações exigidas pela ANPD, as informações ficarão mais claras para o usuário.
Para Curtiz, da Universidade de Virginia, a ANPD precisa fiscalizar a
transparência da Meta na notificação que será enviada ao usuário com o
direito de oposição.
"A notificação não pode ser um padrão obscuro", afirma. O texto precisa
ser explicativo, de fácil compreensão e que deixe claro que as
publicações e fotos serão usadas para treinar a inteligência artificial.
Além disso, muitas pessoas podem não entender o que significa o
"direito de oposição". Portanto, seria fundamental ter uma campanha da
ANPD que ensinasse isso à população, aponta.
Ortiz, da PUC SP, pontua que o estranhamento dos usuários em relação ao
compartilhamento dos dados para o treinamento de IAs acontece por se
tratar de algo novo, que não existia quando a LGPD foi instituída no
Brasil.
O professor destacou que 95% do treinamento da IA da Meta foi feito em
inglês e que o uso dos dados das redes sociais dos brasileiros para o
treinamento da IA pode facilitar a adaptação ao consumo e a cultura do
país.
O especialista afirma que seria interessante se os dados coletados pela Meta fossem compartilhados com programadores brasileiros evitando um “extrativismo digital”, onde apenas a empresa estrangeira cresceria com as informações de brasileiros.
Dados de crianças
Ortiz é contra a coleta de dados pessoais de crianças e adolescentes. Por enquanto, este tipo de extração está suspenso pela ANPD, mas deve ser tema de conversas entre o órgão e a Meta.
Ainda assim, para Curzi, isso já pode ser um problema, uma vez que as fotos de crianças publicadas pelos pais poderão ser usadas pela IA. Bem como imagens de sites de notícias e com direitos autorais.
Contudo, a pesquisadora pontua que, sem o usuário manifestar o direito
de oposição no formulário, a Meta estaria dentro da legalidade ao usar
esse tipo de conteúdo.
O que a ANPD quer da Meta:
que em cinco dias úteis ela apresente um cronograma de implementação do "plano de conformidade";
que a empresa tenha uma atenção especial ao prazo mínimo de 30 dias entre o envio da notificação aos usuários e o início do uso dos dados;
que
a Meta garanta o "direito de oposição" dos usuários (o chamado
"opt-out"). Ou seja, que o usuário da rede tenha o direito de não
fornecer seus dados para o treinamento dos sistemas.
Que o
usuário que tenha contas vinculadas poderá assinalar a oposição apenas
uma vez, e esta já valerá para todas as redes da Meta.
Que,
quem não possui uma conta nas redes sociais, mas teve alguma informação
exposta por terceiros, possa buscar nos sites das plataformas um
formulário para detalhar quais dados seus gostaria de remover do banco
da Meta.
O que diz a Meta
A Meta informou nesta sexta-feira (30) que, em resposta às
recomendações da ANPD, está "oferecendo transparência adicional para
ajudar os usuários do Facebook e do Instagram no Brasil a entenderem
como treinamos os modelos que alimentam nossas experiências de
Inteligência Artificial generativa".
Segundo a empresa, as medidas incluem:
notificações
no Facebook e no Instagram, e e-mails "para que os usuários no Brasil
saibam como planejamos expandir nossas experiências de IA na Meta";
inclusão,
nas notificações e e-mails, de um link para o "formulário de oposição" –
onde os usuários poderão expressar que não querem contribuir com seus
dados para o treinamento da inteligência artificial.
atualização da Política de Privacidade e o Aviso de Privacidade do Brasil;
possibilidade de o usuário se opor ao uso de seus dados a qualquer tempo;
banners
na Central de Privacidade da Meta, bem como na Política de Privacidade,
"para conscientizar os usuários que estão no Brasil sobre como tratamos
os dados dos usuários e com links direcionando para o formulário de
oposição";
uso de informações públicas de contas de usuários nas plataformas