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quarta-feira, 20 de novembro de 2024

O acordo Brasil-China que pode colocar domínio da Starlink de Elon Musk em xeque

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Chinesa SpaceSail está desenvolvendo um serviço de internet de alta velocidade por meio de um sistema de satélites de órbita baixa da Terra para operar no Brasil.
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TOPO
Por BBC

Postado em 20 de novembro de 2024 às 08h40m

#.* Post. - Nº.\  5.008 *.#

Acordo entre Brasil e China pode ameaçar domínio de antenas da Starlink no Brasil — Foto: Getty Images via BBC
Acordo entre Brasil e China pode ameaçar domínio de antenas da Starlink no Brasil — Foto: Getty Images via BBC

Às vésperas do encontro entre os presidentes do Brasil e China, o Ministério das Comunicações assinou nesta terça-feira (19/11) acordos com a SpaceSail e a Administração Nacional de Dados da China.

Segundo o governo, a chinesa SpaceSail está desenvolvendo um serviço de internet de alta velocidade por meio de um sistema de satélites de órbita baixa da Terra (LEO, por sua sigla em inglês). Já a Administração Nacional de Dados da China apoia iniciativas de cidades inteligentes e desenvolve a infraestrutura digital.

Esse consegue criar sistemas e padrões para a economia digital do país. Entre suas funções estão integrar, compartilhar, desenvolver e aplicar recursos de dados.

O plano pode ajudar a diminuir a dominância que a empresa Starlink, do bilionário americano Elon Musk, tem sobre o serviço de internet via satélite no Brasil.

O plano prevê o início das operações da empresa chinesa de satélites SpaceSail no Brasil, que pretende operar no mercado brasileiro hoje liderado pela Starklink.

Internet via satélite da Starlink, empresa de Elon Musk, é a segunda mais acessada no Brasil

Ainda não há prazo, no entanto, para que a companhia comece a operar no país. Procurada, a embaixada da China não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem.

A assinatura dos memorandos acontece pouco mais de dois meses depois do ápice da crise entre Musk e autoridades brasileiras, a qual culminou, em agosto, com a suspensão do X (antigo Twitter) no Brasil.

A SpaceSail é uma empresa privada chinesa sediada em Xangai e atua no mercado de internet banda larga provido por satélites de órbita baixa.

Atualmente, a companhia conta com 18 satélites, mas seus planos incluem o lançamento de até 15 mil até 2030. A título de comparação, estima-se que a Starlink tenha 6 mil.

Conhecidos como LEO (Low Earth Orbit), estes satélites são menores e formam verdadeiras “constelações” ao redor da Terra. Eles ficam a uma distância de aproximadamente 549 km em relação à superfície terrestre, enquanto os convencionais ficariam a quase 1.000 km.

Por estarem mais próximos, o tempo para a transmissão de dados é menor, o que permite uma internet mais rápida e confiável.

No Brasil, a Starlink de Elon Musk é líder e detém 45,9% do mercado de internet via satélite, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Mas o agravamento das tensões entre Musk e autoridades brasileiras levantou rumores sobre os eventuais impactos da dependência do país em relação à empresa do bilionário.

SpaceSail no Brasil

Hoje, antenas Starlink são usadas para acessar internet em áreas remotas — Foto: Getty Images via BBC
Hoje, antenas Starlink são usadas para acessar internet em áreas remotas — Foto: Getty Images via BBC

Os contatos entre a SpaceSail e o Brasil começaram oficialmente em meados de agosto. No dia 20 daquele mês, uma comitiva liderada pelo presidente da empresa, Jie Zheng, reuniu-se com representantes do governo brasileiro. Entre eles, o vice-presidente, Geraldo Alckmin.

Os planos da empresa, apresentados à época, incluem entrar em operação no Brasil até 2025.

Para isso, no entanto, a empresa precisa de autorizações junto à Anatel para que, entre outras coisas, a companhia construa a infraestrutura necessária em solo que permita que o sinal dos seus satélites possam ser acessados no Brasil.

A SpaceSail funcionaria de forma semelhante à Starlink e outros serviços de internet via satélite. O usuário precisaria instalar uma pequena antena para conseguir acessar a internet.

Em entrevista à BBC News Brasil no início deste mês, o secretário das Comunicações afirmou ainda que não estava definido se o memorando envolveria apenas os ministérios de comunicações dos dois países ou se a SpaceSail e a Telebras, estatal brasileira no setor de telecomunicações, também participariam do documento.

Uma possibilidade é que a Telebrás , que já mantém contratos com o governo federal, possa utilizar os serviços da SpaceSail para fornecer internet de banda larga a escolas ou outras instalações de interesse do governo brasileiro.

Crise com Elon Musk

O ápice da crise entre Musk e as autoridades brasileiras aconteceu no dia 30 de agosto, quando o STF decidiu suspender as operações do X no Brasil — Foto: Getty Images via BBC
O ápice da crise entre Musk e as autoridades brasileiras aconteceu no dia 30 de agosto, quando o STF decidiu suspender as operações do X no Brasil — Foto: Getty Images via BBC

O ápice da crise entre Musk e as autoridades brasileiras aconteceu no dia 30 de agosto, quando o STF decidiu suspender as operações do X (antigo Twitter, que Musk comprou em 2022).

A suspensão do X no Brasil foi determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes após a plataforma fechar seu escritório no Brasil, ficar sem representante legal no país e se recusar a cumprir determinações da Corte relacionadas a inquéritos que investigam milícias digitais.

Musk reagiu às decisões do STF e fez diversas críticas diretas a Moraes. Segundo o bilionário, as decisões seriam um atentado à liberdade de expressão.

A crise, porém, espirrou em outro negócio de Musk: a rede de satélites de órbita baixa Starlink. O STF chegou a determinar o bloqueio das contas da empresa no Brasil depois que o X deixou de pagar multas aplicadas pela Corte.

Em 8 de outubro, o STF autorizou o retorno do funcionamento do X no Brasil após a empresa, segundo a Corte, atender às exigências feitas pelo tribunal.

A escalada da crise em direção à Starlink, no entanto, levou a rumores de que a empresa poderia ter seu funcionamento suspenso no Brasil, a exemplo do que aconteceu com o X. E isso deixou setores da economia e até militares preocupados.

A Starlink é um braço da SpaceX, a companhia de exploração espacial de Elon Musk.

A empresa fornece serviços de internet por meio de uma enorme rede de satélites. No Brasil, ela é frequentemente utilizada por pessoas e instituições que vivem em áreas remotas, onde não há infraestrutura local como cabos e postes — caso de boa parte da Amazônia.

Especialistas no assunto afirmam que a empresa tem hoje a maior constelação de satélites operando no mundo e que é capaz de atender a pelo menos 37 países.

No Brasil, a ascensão da empresa no mercado foi meteórica.

Em janeiro de 2023, segundo a Anatel, a Starlink era a quinta principal provedora do mercado e responsável por 4,7% do mercado de internet via satélite.

Um ano e meio depois, em julho deste ano, a empresa já havia assumido a liderança com 45,9% de participação no mercado.

Atualmente, além de fornecer internet de banda larga para pessoas físicas em áreas isoladas, ela também fornece conexão para embarcações da Marinha, instalações militares do Exército e para plataformas e navios da Petrobras.

Apesar de Hermano Tercius dizer que não sabe se a crise entre Musk e as autoridades brasileiras influenciaram na decisão do governo de buscar novos fornecedores de internet via satélite, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o bilionário não é visto com bons olhos.

Ao longo das eleições presidenciais de 2022, Musk declarou apoio ao então presidente Jair Bolsonaro (PL). Em meio à crise com o STF, ele acusou o ministro Alexandre de Moraes de ter interferido no resultado das eleições vencidas por Lula.

Em agosto, Lula disse que Musk precisava respeitar as leis brasileiras e que o Brasil não poderia ter “complexo de vira-latas”.

“Ele tem que respeitar a decisão da Suprema Corte Brasileira. Se quiser bem, se não quiser, paciência. Se não for assim, esse país nunca será soberano, esse país não é um país que tem uma sociedade com complexo de vira-lata. Porque o cara americano gritou e a gente fica com medo. Não! Esse cara tem que aceitar as regras desse país”, disse Lula em entrevista à Rádio MaisPB, da Paraíba.

Para o diretor de tecnologia da empresa Sage Networks, Thiago Ayub, a liderança da Starlink se deve à qualidade do serviço oferecido em comparação com seus atuais competidores.

“Essa dominância da Starlink se revela nos indicadores que observamos esse ano, como a de 90% das cidades da Amazônia contendo clientes do serviço ou da preocupação revelada pelas Forças Armadas do Brasil diante de uma possível suspensão do serviço diante do atrito entre a empresa e o STF”, diz Ayub.

Ele avalia, porém, que ampliar o número de fornecedores de internet via satélite pode ser bom para o país.

“Ter múltiplos fornecedores do mesmo produto é um indicador de saúde de qualquer mercado, mas nesse em especial, por ser estratégico, é essencial que o Brasil consiga atrair outros competidores da Starlink na categoria LEO para atender tanto o setor público como o privado”, afirma.

Do ponto de vista chinês, obter novos mercados para este setor é uma das prioridades do governo. Em 2020, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, um dos órgãos executivos mais importantes do país, elencou a criação de uma nova infraestrutura de internet via satélite como um dos principais objetivos do país no curto e médio prazos.

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terça-feira, 19 de novembro de 2024

Roblox reforça regras de mensagens para menores de 13 anos após denúncias de abuso infantil

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Plataforma disse que está eliminando envio de mensagens fora dos jogos e implementará novas ferramentas de controle parental.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 19 de novembro de 2024 às 11h00m

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Roblox é uma plataforma de desenvolvimento de jogos cada vez mais popular entre crianças e adolescentes — Foto: Roblox
Roblox é uma plataforma de desenvolvimento de jogos cada vez mais popular entre crianças e adolescentes — Foto: Roblox

O Roblox disse nesta segunda (18) que está implementando novas medidas de segurança para usuários menores de 13 anos. Uma das medidas é encerrar de vez com a opção de enviar mensagens para outras pessoas fora dos jogos da plataforma.

As medidas foram adotadas após reclamações de abuso infantil na plataforma, segundo a agência Reuters.

De acordo com a empresa os menores ainda poderão enviar mensagens a outras pessoas dentro do jogo com o consentimento dos pais.

A empresa disse que disponibilizou uma configuração integrada que permitirá que menos de 13 anos acessem mensagens de transmissão pública somente em jogos ou experiências.

A plataforma, que registrou cerca de 89 milhões de usuários no último trimestre, ainda afirmou que permitirá que pais e responsáveis gerenciem remotamente a conta Roblox de seus filhos, visualizem listas de amigos, definam controles de gastos e gerenciem o tempo de tela.

Em agosto, a Turquia bloqueou o acesso ao Roblox seguindo uma ordem judicial, pois os promotores investigaram preocupações sobre conteúdo gerado por usuários que poderia levar a abusos.

Uma ação judicial de 2022, movida em São Francisco, nos EUA, alegou que o Roblox facilitou a exploração sexual e financeira de uma menina da Califórnia por homens adultos, supostamente incentivando-a a beber, abusar de medicamentos prescritos e compartilhar fotos sexualmente explícitas.

O Roblox substituirá os rótulos de conteúdo com base na idade por descrições que variam de "Mínimo" a "Restrito", indicando o tipo de conteúdo que os usuários podem esperar. Por padrão, os menores de nove anos só podem acessar jogos rotulados como "Minimal" ou "Mild".

Essas novas restrições também impedirão que essas crianças pesquisem, descubram ou joguem experiências não rotuladas, informou a empresa.

O conteúdo restrito permanecerá inacessível até que o usuário tenha pelo menos 17 anos de idade e tenha verificado sua idade.

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segunda-feira, 18 de novembro de 2024

A rotina traumatizante dos moderadores de redes sociais: 'Sacrifico minha saúde mental pelos outros'

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Existem em andamento diversas ações judiciais alegando que o trabalho destruiu a saúde mental dessas pessoas.
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TOPO
Por BBC

Postado em 18 de novembro de 2024 às 13h25m

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Moderadores analisam e removem fotos e vídeos ilegais ou perturbadores nas redes sociais. — Foto: Getty Images via BBC
Moderadores analisam e removem fotos e vídeos ilegais ou perturbadores nas redes sociais. — Foto: Getty Images via BBC

Importante: esta reportagem contém detalhes que podem ser perturbadores para alguns leitores.

A BBC conheceu de perto, nos últimos meses, um mundo oculto e sombrio. Nele, é possível encontrar o que há de pior, mais tenebroso e mais perturbador no conteúdo online.

Grande parte deste conteúdo é ilegal. Decapitações, assassinatos em massa, abuso infantil, discurso de ódio – tudo isso acaba nas caixas de entrada de um exército global de moderadores de conteúdo.

Você certamente não ouve falar deles com frequência. O trabalho dessas pessoas é analisar e, quando necessário, excluir conteúdo denunciado por outros usuários ou assinalado automaticamente pelas ferramentas da tecnologia.

A segurança na internet vem se tornando uma questão cada vez mais relevante. As empresas de tecnologia enfrentam pressões para remover rapidamente o material nocivo que é postado online.

No entanto, apesar da grande quantidade de pesquisas e investimentos em soluções tecnológicas para ajudar neste processo, até o momento, a palavra final ainda fica, em grande parte, a cargo de moderadores humanos.

Os moderadores costumam ser funcionários de empresas terceirizadas, mas seu trabalho é analisar conteúdo postado diretamente nas grandes redes sociais, como o Instagram, o TikTok e o Facebook.

Os moderadores ficam espalhados pelo mundo.

Conversei com vários deles para a série da BBC Rádio 4 The Moderators, disponível em inglês no site BBC Sounds. Eles moram principalmente no leste africano e todos já deixaram seus cargos desde então.

Suas histórias são angustiantes. Algumas das nossas gravações eram chocantes demais para irem ao ar. Às vezes, meu produtor Tom Woolfenden e eu terminávamos uma gravação e simplesmente ficávamos parados, em silêncio.

"Se você pegar seu celular e for ao TikTok, irá ver uma série de atividades, danças, sabe... coisas alegres", conta o ex-moderador Mojez, de Nairóbi, no Quênia. Ele trabalhava com conteúdo do TikTok.

"Mas, por trás disso, eu moderava pessoalmente centenas de vídeos horríveis e traumatizantes."

"Eu assumi aquilo para mim. Deixei que minha saúde mental absorvesse o golpe para que os usuários comuns pudessem prosseguir com suas atividades na plataforma", ele conta.

Existem em andamento diversas ações judiciais alegando que o trabalho destruiu a saúde mental desses moderadores. Alguns dos antigos profissionais do leste africano se reuniram e formaram um sindicato.

"De fato, a única coisa que me impede de assistir a uma decapitação quando entro em uma plataforma de rede social é que há alguém sentado em um escritório, em algum lugar, assistindo àquele conteúdo para mim e analisando para que eu não precise ver", conta Martha Dark, responsável pela organização ativista Foxglove, que apoia as ações judiciais.

Mojez trabalhava removendo conteúdo perturbador no TikTok. Ele afirma que o trabalho prejudicou sua saúde mental. — Foto: Via BBC
Mojez trabalhava removendo conteúdo perturbador no TikTok. Ele afirma que o trabalho prejudicou sua saúde mental. — Foto: Via BBC

Em 2020, a Meta – na época, conhecida como Facebook – concordou em pagar um acordo de US$ 52 milhões (cerca de R$ 300 milhões) para moderadores que desenvolveram problemas de saúde mental devido a esse trabalho.

O processo judicial foi aberto por uma antiga moderadora dos Estados Unidos chamada Selena Scola. Ela descreveu os moderadores como "guardiões de almas", devido à quantidade de vídeos a que eles assistem, mostrando os momentos finais da vida das pessoas.

Todos os ex-moderadores com quem conversei usaram a palavra "trauma" para descrever o impacto do trabalho sobre eles. Alguns tinham dificuldade para dormir e se alimentar.

Um deles contou sobre um colega que entrava em pânico ao ouvir um bebê chorar. Outro disse que tinha dificuldades para interagir com sua esposa e os filhos, devido aos abusos infantis que ele havia presenciado online.

Eu esperava que eles dissessem que este é um trabalho tão extenuante, mental e emocionalmente, que nenhum ser humano deveria estar a cargo dele. Pensei que eles fossem apoiar totalmente a automação completa do setor, com a evolução de ferramentas de inteligência artificial para desempenhar esta tarefa em larga escala.

Mas não. O que surgiu, com muita força, foi o imenso orgulho dos moderadores pelo papel que eles desempenharam para proteger o mundo dos danos online.

Eles se consideram um serviço de emergência fundamental. Um deles declarou que queria um uniforme e um distintivo, comparando-se com um bombeiro ou paramédico.

"Nem um só segundo foi mal empregado", disse alguém que chamamos de David. Ele pediu para permanecer anônimo.

David trabalhou com material usado para treinar o chatbot viral de IA ChatGPT, fazendo com que ele fosse programado para não regurgitar esse horrível material.

"Tenho orgulho dos indivíduos que treinaram este modelo para ser o que ele é hoje em dia", declarou. Mas a própria ferramenta que David ajudou a treinar poderá, um dia, concorrer com ele.

A ativista Martha Dark trabalha em defesa dos moderadores das redes sociais. — Foto: Martha Dark
A ativista Martha Dark trabalha em defesa dos moderadores das redes sociais. — Foto: Martha Dark

Dave Willner é o ex-chefe de confiança e segurança da OpenAI, a empresa criadora do ChatGPT. Ele afirma que sua equipe construiu uma ferramenta de moderação rudimentar, baseada na tecnologia do chatbot. Esta ferramenta, segundo ele, conseguiu identificar conteúdo prejudicial com índice de precisão de cerca de 90%.

"Quando eu meio que finalmente percebi, 'oh, isso vai funcionar', honestamente me engasguei um pouco", ele conta. "[As ferramentas de IA] não ficam entediadas. Elas não ficam cansadas, não ficam chocadas... elas são infatigáveis."

Mas nem todos estão certos de que a IA seja uma bala de prata para os problemas do setor de moderação online.

"Acho que é problemático", afirma o professor de comunicação e democracia Paul Reilly, da Universidade de Glasgow, no Reino Unido. "Claramente, a IA pode ser uma forma binária e bastante obtusa de moderar conteúdo."

"Ela pode acabar bloqueando excessivamente a liberdade de expressão e, é claro, pode deixar passar nuances que moderadores humanos seriam capazes de identificar", explica ele.

"A moderação humana é essencial para as plataformas. O problema é que não há moderadores suficientes e o trabalho é incrivelmente prejudicial para os profissionais."

Nós também entramos em contato com as empresas de tecnologia mencionadas na série.

Um porta-voz do TikTok declarou que a empresa sabe que a moderação de conteúdo não é uma tarefa fácil e procura promover um ambiente de trabalho solidário para seus funcionários. Suas medidas incluem a oferta de apoio clínico e a criação de programas de apoio ao bem-estar dos moderadores.

O TikTok destaca que os vídeos são inicialmente analisados por tecnologia automatizada que, segundo a empresa, remove um grande volume de conteúdo prejudicial.

Já a OpenAI – a empresa responsável pelo ChatGPT – declarou reconhecer o trabalho importante e, às vezes, desafiador dos profissionais humanos que treinam a IA para identificar essas fotos e vídeos.

Um porta-voz da empresa acrescentou que, junto com seus parceiros, a OpenAI executa políticas de proteção ao bem-estar das suas equipes.

Por fim, a Meta – proprietária do Instagram e do Facebook – afirma exigir que todas as suas empresas parceiras forneçam apoio presencial, 24 horas por dia, com profissionais treinados. Ela destaca que os moderadores podem personalizar suas ferramentas de análise, para desfocar as imagens sensíveis.

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