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quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

DeepSeek: chip mais barato, autocensura, 'ameaça' aos EUA... veja perguntas e respostas sobre a IA chinesa

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Rival do ChatGPT ganhou atenção mundial após fazer gigantes de tecnologia perderem US$ 1 trilhão na bolsa e ultrapassar o ChatGPT em número de downloads nos EUA.
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Por Redação g1

Postado em 29 de Janeiro de 2.025 às 04h00m

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Por que a IA chinesa DeepSeek é apontada como ameaça ao protagonismo dos EUA?

O assistente de inteligência artificial chinês DeepSeek virou assunto da semana depois de fazer gigantes de tecnologia perderem US$ 1 trilhão na bolsa de Nova York e ultrapassar o rival americano ChatGPT em número de downloads nos EUA.

O robô conversador (chatbot) chinês se apresentou como uma alternativa mais barata do que os modelos de inteligência artificial mais famosos do mundo e colocou xeque a liderança dos EUA no tema.

Veja abaixo perguntas e respostas sobre o DeepSeek.

  • O que é o DeepSeek?
  • Por que essa IA está sendo tão falada?
  • O DeepSeek ameaça os EUA?
  • O DeepSeek é melhor que o ChatGPT?
  • O DeepSeek tem 'autocensura'?
  • O DeepSeek é grátis? Fala português?
  • O DeepSeek custou menos do que os outros?
  • O DeepSeek é de código aberto? O que isso significa?
  • Quem criou o DeepSeek?
O que é o DeepSeek?

O DeepSeek, assim como o ChatGPT e o Copilot, é um aplicativo de inteligência artificial generativa, ou seja, que tem a capacidade de "conversar" com os usuários.

Assistentes como esses são treinados com muitos dados que já estão disponíveis na internet para entender e gerar respostas coerentes. Quanto mais eles interagem, mais "afiados" ficam.

Esses aplicativos, também conhecidos como chatbots (robôs conversadores), podem realizar várias tarefas, como escrever um parágrafo sobre qualquer tema, criar uma lista de compras ou fazer um orçamento financeiro.

Por que essa IA está sendo tão falada?

A versão mais recente do DeepSeek foi lançada ao público no dia da posse de Donald Trump, em 20 de janeiro.

Na última segunda-feira (27), o aplicativo superou o ChatGPT e assumiu a liderança entre os mais baixados na loja de aplicativos da Apple, nos EUA, e apareceu entre os principais na Play Store, do Google.

No mesmo dia, ações de "big techs" caíram na bolsa de Nova York, e as empresas perderam, em conjunto, US$ 1 trilhão em valor de mercado.

O "efeito DeepSeek" foi tão forte que fez analistas e investidores classificarem a novidade chinesa como um "momento Sputinik", em referência ao lançamento do satélite soviético em 1957, que pegou os americanos de surpresa e deu origem à corrida espacial durante a Guerra Fria.

Parte do que preocupa observadores da indústria de tecnologia dos EUA e os investidores é a ideia de que a startup chinesa esteja emparelhando com empresas americanas na corrida pelo domínio da inteligência artificial, só que com gastos bem menores.

E essa nova corrida vai muito além da tecnologia. Afinal, o domínio sobre a inteligência artificial é considerado um poder. "Estamos falando de uma tecnologia generalista que tem se apresentado como o grande combustível da nova Revolução Industrial", diz Anderson Soares, coordenador Centro de Excelência em IA da Universidade Federal de Goiás.

"Ela está presente em todos os eletrônicos usados hoje e dominá-la significa ter produtos melhores e mais baratos e, consequentemente, ter mais poder e influência", completa. 
O DeepSeek ameaça os EUA?

O crescimento do DeepSeek coloca em xeque a ideia de que os EUA vão manter sua liderança global por meio da infraestrutura de inteligência artificial, afirma o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Álvaro Machado Dias.

A possibilidade dos EUA perderem a liderança no domínio da IA para a China pode ter consequências geopolíticas relevantes, completa Anderson Soares, da Universidade Federal de Goiás.

A China ter conseguido produzir modelos de inteligência generativa avançados com menos recursos pode contribuir, inclusive, com a expansão desse mercado para além das duas potências, destaca Evandro Barros, fundador da Data-H, empresa de tecnologia com base no Canadá.

Um dia depois da queda das ações das "big techs", a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que os EUA analisam possíveis implicações do DeepSeek para segurança nacional.

Congressistas americanos usaram esta motivação para aprovar uma lei que exige que o app chinês TikTok venda sua operação nos EUA para continuar funcionando no país. O prazo para que isso acontecesse venceu na véspera da posse de Trump, que deu mais tempo para a rede social.

Saiba mais aqui

O DeepSeek é melhor que o ChatGPT?

Especialistas ouvidos pelo g1 destacam que o DeepSeek oferece, em sua versão mais recente, uma experiência bastante parecida com a mais atual do ChatGPT.

"A Open IA, dona do ChatGPT, quer lançar a versão 3 este trimestre, mas, pelo menos até lá, eles [DeepSeek e ChatGPT] estão em pé de igualdade", destaca Anderson Soares, coordenador Centro de Excelência em IA da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG).

A capacidade do chatbot chinês de resolver problemas matemáticos difíceis e outras questões técnicas tem sido elogiada.

"O que constatamos é que o DeepSeek [...] é o melhor, ou está no nível dos melhores modelos americanos", disse à emissora CNBC Alexandr Wang, da empresa americana Scale AI, fornecedora de treinamento de inteligência artificial para gigantes como OpenAI, Google e Meta. 
Uma diferença para os principais rivais é que a IA chinesa mostra para o usuário como está "pensando" antes de responder; veja no exemplo abaixo.

IA chinesa mostra ao usuário como está 'pensando' antes de responder

Por outro lado, o próprio DeepSeek diz que seus dados estão atualizados só até julho de 2024.

No entanto, diferente das versões mais recentes dos chatbots norte-americanos, o DeepSeek-R1, não consegue extrair informações de imagens e raciocinar em cima delas, destaca Carlos Souza, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio).

O DeepSeek tem 'autocensura'?

Ao menos nos primeiros dias desde o lançamento da versão mais recente, em 20 de janeiro, o DeepSeek tende a fazer autocensura quando questionado sobre temas políticos sensíveis à China.

Em teste realizado pelo g1, o assistente não respondeu se a China está em um regime de democracia, o que é Taiwan e o que foi o Massacre da Praça da Paz Celestial, episódio de repressão na capital Pequim, em 1989.

Nos três casos, o robô começou a escrever a conversa, mas voltou atrás, apagando o conteúdo e se limitando a apresentar a seguinte mensagem: "Desculpe, isso está além do meu escopo atual. Vamos falar de outra coisa".

Outros serviços também podem limitar respostas sobre política. O Gemini, do Google, disse que não pode ajudar com "respostas sobre eleições e personalidades políticas" ao ser questionado sobre a condenação de Donald Trump na Justiça dos EUA, em julho de 2024.

DeepSeek se autocensura em pergunta sobre Massacre da Praça da Paz Celestial — Foto: Reprodução/DeepSeek

O DeepSeek é grátis? Fala português?

O aplicativo é gratuito e pode ser baixado nas lojas de apps do Google e da Apple. E, sim, ele "entende" português e lista a língua entre as principais que consegue processar.

O "raciocínio" do DeepSeek (quando ele mostra como esta "pensando") só aparece em inglês.

O DeepSeek custou menos do que os outros?

Os pesquisadores do DeepSeek dizem que o investimento usado para treinar a versão atual do chatbot foi de US$ 6 milhões (cerca de R$ 35 milhões) frente às centenas de milhões de dólares gastos por empresas americanas.

A OpenAI, por exemplo, teria gasto US$ 100 milhões para a versão atual do ChatGPT, segundo a Wired. A Forbes apontou que o Google gastou quase o dobro disso com o Gemini.

Além disso, engenheiros da DeepSeek diz que usou apenas 2 mil chips para realizar a mesma tarefa, de acordo com o jornal The New York Times. Gigantes do setor treinam seus robôs de IA com supercomputadores que usam cerca de 16 mil chips.

Os chineses também tiveram que buscar alternativas por não terem à disposição os chips mais avançados para IA, ao contrário de empresas como a Meta e da OpenAI, criadora do ChatGPT.

Isso porque os EUA proibiram as fabricantes americanas de fornecerem equipamentos de ponta para a China, acreditando que isso atrapalharia a evolução da tecnologia no país asiático.

Mas a reviravolta com o lançamento do DeepSeek, com desempenho parelho ao de rivais e um custo supostamente muito inferior, fez investidores questionarem a sustentabilidade de gastos no setor. Daí as perdas na bolsa de valores, que se concentraram sobre as big techs.

Alguns analistas, no entanto, questionam se o valor descrito pela startup chinesa para treinar seu chatbot faz sentido.

"Parece algo forçado, para dizer que as inovações lançadas pela DeepSeek são completamente desconhecidas pelos maiores pesquisadores de outros inúmeros laboratórios do setor em todo o mundo", disse Stacy Rasgon, da consultoria Bernstein, que acompanha a indústria dos chips, à Reuters.

Outros apontam que esse custo não seria sustentável se houvesse uma expansão do chatbot, já que a IA requer altos gastos de infraestrutura, incluindo a demanda de energia para datacenters (as centrais onde os dados ficam armazenados).

O DeepSeek usa um modelo de inteligência artificial com código aberto.

➡️ Código é a forma como uma página na internet, um aplicativo e outros produtos virtuais são programados. É um conjunto de ordens que determina o visual e as funcionalidades desses produtos.

Deixar o código aberto ("open source", em inglês) significa que outros desenvolvedores podem ter acesso à programação daquele aplicativo ou site, e poderão aplicá-la em outros produtos e adaptar esse código às suas necessidades.

Isso não é comum para empresas comerciais, mas tem sido mais praticado no setor de IA. A OpenAI mantém abertos os códigos de modelos mais antigos (GPT-2 e GPT-3, por exemplo), enquanto a Meta (dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp) faz isso com o Llama, seu modelo de inteligência artificial.

Abrir o código faz com que mais gente tenha acesso a ele e, consequentemente, possa produzir melhorias, tornando o seu desenvolvimento mais rápido e barato, segundo Anderson Soares, da Universidade Federal de Goiás.

"O Deep Seek provavelmente também tem uma versão com código fechado, que, possivelmente, é melhor ainda, mas ainda não está disponível", disse o coordenador do CEIA-UFG.

Quem criou o DeepSeek?

O DeepSeek foi fundado em 2023 por Liang Wenfeng em Hangzhou, uma cidade no sudeste da China conhecida pela alta concentração de empresas de tecnologia.

O engenheiro eletrônico de 40 anos também fundou o High-Flyer, um fundo de hedge (estratégias de investimentos), que financiou o DeepSeek.

O High-Flyer tem um escritório localizado no mesmo prédio que o DeepSeek e possui patentes relacionadas a tecnologia de chips usados ​​para treinar modelos de IA, segundo a Reuters.

Liang manteve um perfil bastante discreto até 20 de janeiro, quando foi um dos nove convidados a fazer um discurso em um simpósio a portas fechadas organizado pelo primeiro-ministro chinês, Li Qiang, destaca a Reuters.

O DeepSeek consegue se comunicar em vários idiomas, incluindo o português, mas — segundo a empresa explicou à AFP — domina mais o inglês e o chinês.

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terça-feira, 28 de janeiro de 2025

DeepSeek: quem é o 'nerd' fundador da startup chinesa que desafia os gigantes do Vale do Silício

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Prodígio da tecnologia e das finanças, Liang Wengfeng criou o chatbot chinês que desafiou a liderança dos EUA em IA generativa; até então, ele era uma figura pouco conhecida no cenário global.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 28 de Janeiro de 2.025 às 21h25m

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Liang Wenfeng, fundador do DeepSeek, em uma reunião com o primeiro ministro chinês — Foto: Reuters/CCTV
Liang Wenfeng, fundador do DeepSeek, em uma reunião com o primeiro ministro chinês — Foto: Reuters/CCTV

Liang Wengfeng é o fundador da startup DeepSeek, startup chinesa que colocou em xeque a liderança das gigantes de tecnologia do Vale do Silício, nos EUA, nos últimos dias. Ele é um entusiasta da tecnologia que acredita que a inteligência artificial "pode mudar o mundo".

O DeepSeek-R1, chatbot (robô conversador) da empresa, chamou atenção ao ultrapassar o rival americano ChatGPT em downloads na loja de aplicativos da Apple dos EUA e pelos seus baixos custos de desenvolvimento, o que causou trilhões de dólares em perdas em ações de big techs na bolsa de Nova York.

A startup DeepSeek, criadora do chatbot, foi criada pelo prodígio da tecnologia e das finanças Liang Wengfeng.

Embora pareça ter surgido do nada, a startup está sediada em Hangzhou, uma metrópole no leste da China onde se encontram vários dos gigantes da tecnologia do país, o que lhe rendeu o apelido de "Vale do Silício chinês".

Pouco conhecido no exterior, o DeepSeek já era de grande interesse na China há muito tempo.

Nascido em 1985, Liang se formou em engenharia na prestigiosa Universidade de Zhejiang, em Hangzhou, onde diz ter se convencido de que a IA "mudaria o mundo".

Ele passou anos tentando aplicar a IA em vários campos, de acordo com uma entrevista que deu no ano passado ao site chinês Waves.

Por volta de 2015, ele fundou a High-Flyer, uma empresa de investimentos especializada no uso de IA para analisar as tendências do mercado de ações.

Sua técnica permitiu que ela atingisse dezenas de milhares de yuans (moeda chinesa) de ativos sob gestão, tornando-a um dos principais fundos de cobertura quantitativos da China.

"Nós simplesmente fazemos as coisas em nosso próprio ritmo, calculamos os custos e os preços. Nosso princípio não é subsidiar [o mercado] ou gerar lucros enormes", explicou Liang.

Segundo o jornal norte-americano Financial Times, em 2021, Liang começou a comprar processadores gráficos da especialista em chips para desenvolvimento de IA americana Nvidia para um "projeto paralelo", o que foi confirmado por um veículo de comunicação local.

Liang "não era nem um pouco como um chefe, mas mais como um nerd" com uma "capacidade de aprendizado assustadora", disseram seus associados ao Waves.

Esse "projeto" paralelo, à margem dos mercados de ações, era um chatbot baseado em IA generativa: um produto que acaba de abalar o universo tecnológico dos EUA e aproximou Liang Wenfeng dos bastidores do poder chinês.

O empresário apareceu na semana passada ao lado de outros representantes importantes do mundo dos negócios durante uma reunião com o primeiro-ministro chinês Li Qiang.

Imagens da televisão estatal CCTV mostraram um homem de cabelos escuros e óculos de aro grosso ouvindo atentamente o premiê (veja acima).

'Sinal de alerta'

O sucesso do DeepSeek colocou sob questionamento as quantias colossais investidas pelos gigantes dos EUA no desenvolvimento de IA generativa avançada e a eficácia das sanções ocidentais para impedir que os rivais chineses as igualem ou até mesmo as superem.

O presidente dos EUA, Donald Trump, reconheceu esse fato: é um "alerta" para o Vale do Silício.

"Um momento Sputnik" (uma alusão ao choque no Ocidente em 1957, quando a União Soviética colocou em órbita o primeiro satélite artificial), reagiu Marc Andreessen, um renomado investidor do setor.

E isso sob o risco dos planos de Washington de aumentar ainda mais as restrições às empresas chinesas de tecnologia.

Em sua entrevista à Waves no ano passado, Liang enfatizou que essas restrições eram o obstáculo mais difícil de superar:

"O dinheiro nunca foi um problema para nós. O problema é o embargo aos chips de última geração", disse.

No entanto, apesar dos altos e baixos geopolíticos, Liang expressou a esperança de que o surgimento da IA ajude a entender melhor o funcionamento do espírito humano.

"Nossa hipótese é que a essência da inteligência humana pode ser a linguagem, que o pensamento humano pode ser essencialmente um processo linguístico", disse ele. "O que você considera 'pensamento' pode ser, na verdade, seu cérebro tecendo uma linguagem".

Por que a IA chinesa DeepSeek é apontada como ameaça ao protagonismo dos EUA?

IA chinesa mostra ao usuário como está 'pensando' antes de responder

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

App chinês DeepSeek supera ChatGPT nos EUA e derruba ações de empresas ligadas a IA

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Assistente de inteligência artificial ultrapassou o rival ChatGPT em downloads na App Store dos EUA. A ascensão do DeepSeek motivou a queda das ações de outras empresas vinculadas a inteligência artificial, como Nvidia e Oracle, nesta segunda.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 27 de Janeiro de 2.025 às 11h30m

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Startup chinesa DeepSeek — Foto: Reuters
Startup chinesa DeepSeek — Foto: Reuters

O assistente de inteligência artificial DeepSeek, de uma startup chinesa, ultrapassou o rival norte-americano ChatGPT em downloads na App Store e também é o aplicativo gratuito mais bem avaliado disponível na loja da Apple nos Estados Unidos.

A ascensão do DeepSeek motivou a queda das ações de outras empresas vinculadas à inteligência artificial, como Nvidia e Oracle, nesta segunda-feira (27).

No índice Nasdaq, a bolsa norte-americana que reúne empresas de tecnologia, as ações da Nvidia, principal fornecedora de chips para sistemas de IA, recuavam 10%, enquanto os papéis da Oracle caíam 8% nas negociações pré-abertura. Os contratos futuros do Nasdaq 100 caíam quase 4%.

O DeepSeek pode ser uma alternativa viável e mais barata de inteligência artificial, o que levantou questões sobre a sustentabilidade dos gastos e investimentos em IA por empresas norte-americanas, incluindo Apple e Microsoft, e colocou em dúvida o domínio ocidental no setor.

A startup chinesa lançou o assistente de IA no último dia 10. Segundo ela, a inteligência artificial utiliza menos dados a um custo bem menor do que modelos das empresas já estabelecidas, possivelmente marcando um ponto de virada no nível de investimento necessário para a IA.

A popularidade do DeepSeek repercutiu no Vale do Silício, derrubando teorias sobre o protagonismo dos EUA em IA e a eficácia dos controles de exportação de Washington visando os recursos avançados de chip e inteligência artificial da China.

Os criadores do modelo DeepSeek-V3 alegam que ele "lidera a tabela de classificação entre os modelos de código aberto e rivaliza com os modelos de código fechado mais avançados globalmente".

A empresa atraiu a atenção nos círculos globais de IA após escrever, em um artigo no mês passado, que o treinamento do DeepSeek-V3 exigiu em poder de computação dos chips Nvidia H800 um valor abaixo de US$ 6 milhões.

A startup chinesa alega que a qualidade e o custo eficiente dos modelos DeepSeek-V3 e DeepSeek-R1 renderam elogios de executivos do Vale do Silício e engenheiros de empresas de tecnologia dos EUA, colocando as tecnologias no mesmo nível dos modelos mais avançados da OpenAI e da Meta.

Eles também são mais baratos. O DeepSeek-R1, lançado na semana passada, é de 20 a 50 vezes mais barato de usar, dependendo da tarefa, do que o modelo OpenAI o1, de acordo com uma postagem na conta oficial do WeChat da DeepSeek.

Mas alguns estão céticos sobre os custos totais de desenvolvimento da tecnologia. Analistas da gestora Bernstein, por exemplo, questionaram nesta segunda-feira (27) a afirmação da empresa de que gastou US$ 5,58 milhões para os testes do modelo V3, dizendo que os custos teriam sido bem maiores.

É provável que os investidores questionem se os desenvolvimentos da DeepSeek têm o potencial de realmente desestabilizar o setor, diz Adam Sarhan, presidente-executivo da 50 Park Investments. Segundo ele, se isso acontecer, "todas essas ações de IA e o mercado como um todo serão reavaliados".

Quem está por trás da DeepSeek

A DeepSeek é uma startup sediada em Hangzhou cujo acionista controlador é Liang Wenfeng. Ele é cofundador do fundo de hedge quantitativo High-Flyer, com base em registros corporativos chineses.

O fundo de Liang anunciou em março de 2023 que concentraria recursos na criação de um "novo e independente grupo de pesquisa para explorar a essência da AGI" (inteligência geral artificial). O DeepSeek foi criado naquele mesmo ano.

Não está claro quanto a High-Flyer investiu na DeepSeek. A High-Flyer tem um escritório localizado no mesmo prédio que a DeepSeek e também possui patentes relacionadas a clusters de chips usados ​​para treinar modelos de IA, de acordo com registros corporativos chineses.

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