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quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Ministério da Justiça notifica Facebook por rede social ter contratado pessoas para transcrever áudios de usuários

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Rede social tem 10 dias para responder aos questionamentos feitos pela Secretaria Nacional do Consumidor.
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 Por Thiago Lavado, G1  

 Postado em 14 de agosto de 2019 às 21h00m  

GIPOPE - GARIBA'S Logística for 2012 - 2013
Mark Zuckerberg, presidente do Facebook — Foto: Aaron Bernstein/Reuters 
Mark Zuckerberg, presidente do Facebook — Foto: Aaron Bernstein/Reuters

O Ministério da Justiça e Segurança Pública notificou o Facebook nesta quarta-feira (14) após ter sido revelado que a rede social havia contratado funcionários para transcrever áudios de usuários.

A notificação foi feita especificamente pela Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senacon). Em nota, a Senacon afirmou que inicia uma nova investigação sobre a empresa, que tem até 10 dias para responder aos questionamentos.

"Caso o Facebook não responda aos questionamentos no prazo estipulado, bem como se responder e houver indícios de violação de direitos dos consumidores, o órgão poderá instaurar processo administrativo, que eventualmente poderá resultar na imposição de multa", disse o comunicado.

De acordo com o ministério, o Facebook já é investigado pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor da Secretaria Nacional do Consumidor (DPDC/Senacon) em outros casos envolvendo o tratamento de dados dos consumidores.

Escuta do Facebook
O caso foi revelado pela agência Bloomberg, nesta terça-feira (13), que reportou que o Facebook pagou funcionários terceirizados para transcrever arquivos de áudio dos usuários do aplicativo Messenger. A agência afirmou que recebeu a informação de pessoas que foram contratadas para realizar o serviço, mas que precisavam permanecer anônimas para não perder os empregos.

De acordo com a reportagem, pessoas contratadas para fazer a transcrição dos áudios não recebiam informações sobre a origem das gravações, nem sobre como foram feitas.
A empresa — que acabou de receber uma multa histórica de US$ 5 bilhões de reguladores nos Estados Unidos por violações de privacidade — sempre negou que coletasse áudios de usuários de maneira não solicitada para direcionar publicidade.

Executivos do Facebook já disseram, em depoimentos a legisladores dos EUA, que apenas obtêm informações de áudio se o usuário utiliza o microfone para alguma ação, como mandar mensagens de áudio pelo aplicativo Messenger.

Outras também fizeram
Com a revelação da atividade de escuta e transcrição dos áudios, o Facebook entrou para uma lista de empresas que já mantinham práticas semelhantes. Google, Apple e Microsoft revelaram no último mês que também contrataram pessoas para transcrever trechos de conversas que usuários mantinham com seus assistentes virtuais.

Google e Apple afirmam que interromperam essas atividades. Em nota, o Facebook afirmou que também interrompeu a prática.

Inicialmente, o Google defendeu a prática como um meio de melhorar os algoritmos responsáveis pelo assistente de voz. Depois, a empresa afirmou que suspenderia a prática por 3 meses. O caso foi revelado por uma TV da Holanda, que mostrou que a empresa fazia transcrições de áudios no país.

No caso da Apple, as informações foram reveladas também por uma reportagem, do jornal "The Guardian. Depois foram confirmadas pela companhia, que disse que suspenderia as transcrições.

O caso foi especialmente controverso para a Apple, já que a empresa usa o argumento da privacidade dos usuários como parte determinante do marketing em seus produtos. Executivos da empresa, como o presidente Tim Cook, já afirmaram publicamente que consideram a privacidade "um direito humano fundamental".

"Enquanto realizamos uma revisão completa, estamos suspendendo as análises da Siri globalmente. Adicionalmente, em um update futuro do software, os usuários terão a possibilidade de escolher não participar dos programas de análise de conteúdo", disse a Apple em posicionamento.

Já a Microsoft afirmou que coleta dados de conversas para proporcionar e melhorar serviços habilitados para voz — como a busca, comandos de voz ou serviços de tradução —, mas somente quando obtém a autorização do usuário. As aplicações são para o Skype e para a assistente Cortana.

O uso de assistentes de voz está expandido e empresas como o Google tem investido nesse segmento. Com isso, cresce também o escrutínio sobre essas empresas. Quando o caso do Google, na Holanda, foi revelado, a Comissão Europeia se posicionou, afirmando que "o uso de assistentes de voz por provedores como Google, Apple e Amazon está se mostrando de alto risco para a privacidade dos envolvidos".

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Vulnerabilidade em câmera fotográfica da Canon permite instalar vírus de resgate Falhas nas conexões Wi-Fi, USB e até Bluetooth, que a câmera oficialmente não possui. Canon corrigiu as falhas e divulgou alerta de segurança.

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Falhas nas conexões Wi-Fi, USB e até Bluetooth, que a câmera oficialmente não possui. Canon corrigiu as falhas e divulgou alerta de segurança.
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 Por Altieres Rohr  
 É fundador de um site especializado na defesa contra ataques cibernéticos  

 Postado em 13 de agosto de 2019 às 19h45m  
GIPOPE - GARIBA'S Logística for 2012 - 2013
Especialista simulou cenário de instalação de um vírus de resgate que embaralha dados no cartão da câmera para inutilizar as fotos — Foto: Divulgação/Check Point 
Especialista simulou cenário de instalação de um vírus de resgate que embaralha dados no cartão da câmera para inutilizar as fotos — Foto: Divulgação/Check Point
A empresa de segurança Check Point encontrou vulnerabilidades em uma câmera fotográfica da Canon que permitem modificar o sistema da câmera, viabilizando, por exemplo, a instalação de um vírus de resgate que impede o uso do equipamento e exige cobrança para a liberação.

As falhas estão presentes nas conexões PTP (USB) e Wi-Fi da Canon EOS 80D. Existem também vulnerabilidades que podem ser exploradas por Bluetooth, embora a câmera oficialmente não tenha suporte a essa modalidade de comunicação sem fio. Ao todo, são seis brechas diferentes.

Os problemas mais graves – por serem os mais fáceis de explorar – estão na conexão Wi-Fi. A Check Point publicou um vídeo demonstrando o ataque, com uma tela falsa de um suposto vírus de resgate exigindo pagamento para recuperara as fotos que estavam armazenadas na câmera.
No entanto, o ataque por USB poderia ser usado por um vírus já instalado no computador para se propagar para a câmera.

A Canon publicou um alerta de segurança recomendando que consumidores não conectem suas câmeras a redes Wi-Fi públicas ou grátis, nem a computadores que possam estar contaminados com vírus. Os recursos de rede da câmera também devem ser desativados quando não estiverem em uso.

O firmware 1.0.3, que corrige essas falhas, já está disponível para a EOS 80D. Segundo a Canon, os problemas também impactam outros modelos e as atualizações ainda estão em desenvolvimento.

A Check Point relatou as falhas de segurança para a Canon no dia 31 de março. As duas empresas cooperaram para que os detalhes dos problemas só viessem a público após o lançamento da atualização.

Não é a primeira vez que uma falha é encontrada na comunicação Wi-Fi das câmeras da Canon. Em 2013, especialistas descobriram uma vulnerabilidade que dava acesso a todas as fotos armazenadas no cartão a EOS 1D-X.

Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com
 — Foto: Ilustração: G1 
— Foto: Ilustração: G1

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Óculos com fita adesiva e vítima dormindo derrotam FaceID para desbloquear iPhone

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Especialistas da Tencent demonstraram ataque contra o sistema de segurança da Apple.
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 Por Altieres Rohr  

 Postado em 12 de 2019 às 22h45m  

GIPOPE - GARIBA'S Logística for 2012 - 2013
Especialistas da chinesa Tencent demonstraram que é possível burlar o FaceID, o sistema de reconhecimento facial usado no iPhone, usando óculos e fita adesiva se a vítima estiver dormindo ou inconsciente.

Eles descobriram que, quando o FaceID analisa uma pessoa que está usando óculos, a tecnologia apenas procura por um ponto branco onde estaria o olho, não sendo necessário criar uma réplica do olho da vítima: os óculos têm potencial para funcionar em qualquer pessoa quando colocados sobre a face da vítima, permitindo que o FaceID a reconheça de olhos fechados.
A pesquisa foi conduzida por três especialistas do Tencent Security Xuanwu Lab que se identificaram como Yu Chen, Bin Ma e HC Ma. Eles apresentaram a técnica em uma palestra na conferência de segurança Black Hat, em Las Vegas.
Protótipo de óculos criado por especialistas da Tencent. Ponto branco no centro, formado por fitas adesivas pretas e brancas, engana o FaceID. — Foto: Tencent 
Protótipo de óculos criado por especialistas da Tencent. Ponto branco no centro, formado por fitas adesivas pretas e brancas, engana o FaceID. — Foto: Tencent

Tecnologias de autenticação biométricos — que reconhecem a pessoa pela voz, rosto ou impressão digital — devem verificar se a pessoa está consciente para que a trava de segurança digital não coloque em risco a segurança física do indivíduo. Isso é normalmente um desafio para esses sistemas, principalmente quando é necessário equilibrar a segurança com a conveniência de uso.

No caso do FaceID, é a compatibilidade com óculos que permite o ataque. Segundo o trio da Tencent, quando FaceID detecta um par de óculos, o reconhecimento do olho é substituído pela busca por um ponto branco onde o sistema acredita que o olho estaria.

O reconhecimento facial do FaceID é feito em 3D. Para detectar o olho em um rosto com óculos, ele passa a aceitar um sinal em apenas duas dimensões. A situação se agrava ainda mais em um ambiente escuro.
Apesar de funcional e simples, o ataque necessita que o invasor tenha acesso ao iPhone da vítima e à própria vítima, que precisaria estar dormindo ou inconsciente enquanto os óculos são colocados na face.
Pesquisadores explicam por que um ponto branco funciona como 'olho' no reconhecimento facial. — Foto: Tencent 
Pesquisadores explicam por que um ponto branco funciona como 'olho' no reconhecimento facial. — Foto: Tencent

Procurada, a Apple não se manifestou até a publicação da reportagem.
O FaceID é considerado o melhor sistema de reconhecimento facial em celulares. Em aparelhos Android, a preferência é pelo reconhecimento de digital. Embora diversos aparelhos Android ofereçam a opção de reconhecimento facial, essa opção às vezes não é recomendada nem pelo fabricante.

Desde o iOS 11, o iPhone inclui um recurso de SOS de emergência que pode ser ativado segurando o botão lateral e um dos botões de volume. Essa função desativa o FaceID ou o TouchID, exigindo o uso da senha para o próximo desbloqueio, sendo ideal para situações em que o usuário corre risco de coação ou de ter seu rosto ou digital usado sem permissão para realizar o desbloqueio. O Android 9 introduziu uma tecnologia semelhante chamada "Bloqueio Total".

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Selo Altieres Rohr — Foto: Ilustração: G1 
Selo Altieres Rohr — Foto: Ilustração: G1