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sábado, 30 de maio de 2020

Webcrentes do TikTok: Quem são os jovens cristãos que fazem sucesso com pregações divertidas

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Tendência no app ganhou força na quarentena. Seminarista virou meme com reinterpretação da ressurreição de Jesus, mas rede também tem padre, 'gótica cristã' e 'otaku gospel'; veja vídeos. 
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Por Carol Prado, G1  
29/05/2020 06h00  Atualizado há um dia  
Postado em 30 de maio de 2020 às 12h00m  

Veja vídeos que brincam com temas religiosos no TikTok
Veja vídeos que brincam com temas religiosos no TikTok

A passagem bíblica que narra a ressurreição de Cristo só precisou de uma reinterpretação carismática e uma trilha remixada de Billie Eilish e Khalid para viralizar na internet.

Postado no TikTok pelo seminarista René Gomez, o vídeo revelou à web o mundo de publicações cristãs, que têm conquistado mais seguidores na rede social (assista a algumas delas no vídeo acima).

Na esteira de recordes batidos pela religião na internet durante a quarentena, o segmento também ganhou força no TikTok, segundo os responsáveis por algumas das maiores contas religiosas ouvidos pelo G1 - a empresa não divulga números.

A rede social, vista por muitos adultos como coisa da geração Z, viu seu público e conteúdo se diversificarem durante o confinamento causado pelo coronavírus.

Mexicano, René faz parte da Congregação dos Legionários de Cristo e trabalha em uma organização católica de adolescentes no Brasil, onde mora há menos de um ano.

Após a suspensão dos encontros do grupo por causa da pandemia, ele decidiu usar o TikTok para manter os jovens fiés engajados, postando desafios e vídeos engraçados, sempre relacionados à religião.

“Percebi que existe um mercado lá para o conteúdo religioso. Os adolescentes têm uma sede grande de espiritualidade, de conteúdos de formação católica, de valores e virtudes”, diz.
Menos de dois meses depois de se tornar mais ativo na rede, o seminarista acumula mais de 165 mil seguidores e 2 milhões de curtidas.
Seu público, ele diz, é formado principalmente por jovens de 13 a 16 anos, nem todos católicos. “Tento falar para todos. Acredito que o mundo precisa aprender a 
dialogar e escutar as diferentes opiniões.”

'Gótica cristã', 'otaku gospel'
Em seus vídeos, René prega a tolerância entre religiões. Ele costuma interagir com “tiktokers” de outras crenças.
Evy posta vídeos religiosos com maquiagem gótica no TikTok — Foto: Reprodução/TikTok
Evy posta vídeos religiosos com maquiagem gótica no TikTok — Foto: Reprodução/TikTok

Uma delas é Evy, 22, evangélica com 26 mil seguidores. Com maquiagem gótica, ela interpreta um diálogo com o pecado em um de seus vídeos. Ele lança a tentação: “Posso fazer você se sentir viva”. Ela responde: “Eu sei! Mas preciso de você para sobreviver?”.
Depois, com um edredom em volta da cabeça, Evy atua como Deus zombando do mal.

Para popularizar suas publicações, ela usa hashtags como “#webcrente” e “#christiangoth” (“gótica cristã”, em inglês).
“Esse público [do TikTok] é mais aberto, predominantemente jovem. É um público que gosta mais de falar do amor de Jesus do que de apontar o dedo para as pessoas”, avalia.

Filha de pastor, ela diz que, nas igrejas, há quem rejeite esse tipo de abordagem - mais leve - da religião. “Muitos amigos meus, que também usam o TikTok, reclamam que, na igreja deles, falam que eles não estão mais servindo a Deus.”

O padre Luiz Claudio Braga, que também usa a rede social para publicar vídeos divertidos, conta que a Igreja Católica também vê com receio algumas brincadeiras envolvendo a religião.
Padre Luiz Claudio Braga, que usa o TikTok para se comunicar com os fiéis — Foto: Reprodução/TikTok
Padre Luiz Claudio Braga, que usa o TikTok para se comunicar com os fiéis — Foto: Reprodução/TikTok

“É tênue a linha que divide o bom humor e a ridicularização. O que os padres pregam é que não haja uma ridicularização. A igreja zela pela imagem da instituição”, explica.

“Mas também existe uma corrente de leigos, mais conservadora, que não vê com bons olhos um padre na internet. Isso não vem dos bispos. Hoje a igreja sabe que precisa da tecnologia para se comunicar.”

Há ainda, no TikTok, quem mescle o conteúdo religioso com outros nichos.
Esther Manilha (a “otaku gospel”, com quase 26 mil seguidores) fala de Deus e animes, como na série de vídeos “Momentos que refleti na minha vida com Deus vendo Naruto”.
Esther Manilha mescla conteúdo religioso com vídeos sobre animes — Foto: Reprodução/TikTok
Esther Manilha mescla conteúdo religioso com vídeos sobre animes — Foto: Reprodução/TikTok

Luna (233 mil seguidores) faz sucesso com covers de músicas religiosas, temas de desenhos animados e outros.

Renner Aguiar (78 mil seguidores) cria memes com humor cristão, como em sua série de “palavrões gospel” (“Vá tomar na Santa Ceia!” e outros).

O último, aos 20 anos e evangélico desde os cinco, acredita que conteúdos religiosos atingiram, em 2020, o auge da popularidade entre jovens.

Por trás disso, ele diz, há uma geração que acredita na possibilidade de “se divertir, com decência”. “Deus é isso, é alegria e amor, mas com cuidado.”
As cenas de 'lives' da quarentena que já estão na história do entretenimento brasileiro
As cenas de 'lives' da quarentena que já estão na história do entretenimento brasileiro

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Japão investiga se hackers obtiveram dados sobre protótipo de míssil após invasão da Mitsubishi

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Falha em antivírus teria permitido entrada de invasores chineses.  
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Por Altieres Rohr  
É fundador de um site especializado na defesa contra ataques cibernéticos  
26/05/2020 12h00  Atualizado há 2 dias  
Postado em 28 de maio de 2020 às 14h00m  

 Mitsubishi Electric informou que hackers levaram 200 MB de dados pessoais de funcionários, mas governo teme que informações sobre míssil foram comprometidas.  — Foto: TheDigitalWay/Pixabay
Mitsubishi Electric informou que hackers levaram 200 MB de dados pessoais de funcionários, mas governo teme que informações sobre míssil foram comprometidas. — Foto: TheDigitalWay/Pixabay
O Japão está investigando a possibilidade de que hackers tiveram acesso a dados de um protótipo de um míssil licitado pelas forças armadas japonesas. As informações podem ter vazado da Mitsubishi Electric, que participou da licitação e teve sua rede invadida por hackers em março de 2019.

A investigação foi anunciada pelo secretário-chefe do gabinete do governo, Yoshihide Suga, mas o inquérito está sendo conduzido pelo Ministério da Defesa. Suga explicou que o objetivo é averiguar o "impacto" do vazamento na segurança nacional do Japão.

O blog procurou a Mitsubishi Electric nesta segunda-feira (25) para que a empresa se pronunciasse, mas não houve resposta até a publicação.

A licitação tratava de um míssil supersônico conhecido como HGV. De acordo com a "Associated Press", acredita-se que o Japão pretende adotar o armamento na defesa de ilhas remotas ameaçadas pela "assertividade" militar da China na região.

A Mitsubishi Electric é uma das várias empresas do conglomerado Mitsubishi e é focada na produção de equipamentos eletrônicos. A empresa não foi a vencedora da licitação, mas havia preparado um projeto para encontrar fornecedores e entrar na disputa. Durante esse processo, a empresa digitalizou instruções e documentos sigilosos do governo que haviam sido entregues em papel. A digitalização desses textos não era permitida.

A invasão à rede da Mitsubishi Electric foi revelada pela própria empresa em janeiro. A companhia informou que os invasores teriam copiado 200 MB de dados, entre os quais estariam informações pessoais de 8 mil indivíduos – todos colaboradores ou candidatos para vagas de emprego na empresa.

Segundo relatos publicados na imprensa japonesa, os invasores teriam conseguido acesso à rede explorando uma falha no programa antivírus usado pela Mitsubishi Electric. Os invasores estariam ligados ao Tick, um grupo de ciberespiões chineses conhecidos por atacar alvos no Japão.

Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com

terça-feira, 26 de maio de 2020

Ladrão de senhas brasileiro para Android chegou à Play Store disfarçado de solução de segurança, alerta empresa

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Aplicativo utilizou permissão destinada a programas para pessoas com necessidades especiais. 
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 Por Altieres Rohr  
 É fundador de um site especializado na defesa contra ataques cibernéticos  
 26/05/2020 07h00  Atualizado há 6 horas  
 Postado em 26 de maio de 2020 às 13h10m  

Defensor Digital, um dos dois aplicativos suspeitos que chegaram à Play Store.  — Foto: Reprodução
Defensor Digital, um dos dois aplicativos suspeitos que chegaram à Play Store. — Foto: Reprodução
Uma praga digital de origem aparentemente brasileira conseguiu chegar à Play Store do Google, a loja oficial de conteúdo e software para smartphones com Android. Criado para roubar senhas bancárias, o aplicativo "DEFENSOR ID" foi identificado pelo especialista em segurança Lukas Stefanko, da fabricante de antivírus Eset.

O "DEFENSOR ID" prometia "mais segurança ao utilizar aplicativos", com "criptografia para usuários de ponta a ponta". O app, no entanto, não possuía nenhum desses recursos.
Em vez disso, ele requisitava as permissões de acessibilidade do Android. Caso a vítima concedesse essa permissão, o "DEFENSOR ID" passava a ter acesso a tudo que era digitado ou visualizado na tela.

De acordo com Stefanko, informações como SMS, e-mails e senhas – inclusive as geradas por aplicativos de autenticação de dois fatores – eram encaminhadas a um servidor de controle mantido pelos criadores do código. Isso permitia ao programa espião derrotar a maioria das medidas de autenticação em duas etapas.

As permissões de acessibilidade são voltadas para apps que facilitam o uso do smartphone por quem possui dificuldades de visão ou audição. Por esse motivo, elas são utilizadas por apps leitores de tela, que convertem texto em áudio. Isso exige acesso total a tudo o que é visualizado.

Não é incomum que programas maliciosos se aproveitem dessa permissão, já que ela dá acesso a informações que, por regra, ficam fora do alcance dos aplicativos.

Embora tenha chegado à loja do Google, o app conseguiu acumular apenas 10 instalações antes de ser removido da Play Store. Mas outra versão do aplicativo, chamada de "Defensor Digital", alcançou 100 downloads na Play Store, conforme apuração do blog. Essa versão não foi analisada pelo especialista da Eset, pois já havia sido removida da loja quando o "DEFENSOR ID" foi encontrado.

Segundo Stefanko, o "DEFENSOR ID" conseguiu evitar a atenção dos programas de segurança reduzindo sua atividade maliciosa ao mínimo necessário. Pragas digitais normalmente combinam várias ações suspeitas, mas o "DEFENSOR ID" se manteve operante apenas com as permissões de acessibilidade. Além de burlar os filtros da Play Store, nenhum dos mais de 60 antivírus no site "Virus Total" identificou o programa como suspeito.
"DEFENSOR ID", cadastro na Play Store. Aplicativo oferecia 'mais proteção ao utilizar seus aplicativos'.  — Foto: Reprodução/Eset
"DEFENSOR ID", cadastro na Play Store. Aplicativo oferecia 'mais proteção ao utilizar seus aplicativos'. — Foto: Reprodução/Eset

Controle remoto do smartphone
De acordo com Stefanko, o "DEFENSOR ID" era capaz de controlar o aparelho de celular, iniciando aplicativos e falsificando toques em áreas específicas da tela. É possível que os criminosos tivessem a intenção de roubar as contas bancárias das vítimas simulando um acesso a partir dos próprios aparelhos contaminados.

No início de 2019, a Diebold Nixdorf detectou um ladrão de senhas bancárias brasileiro com esse mesmo comportamento. Na época, o app também conseguiu chegar à Play Store.

Porém, ao contrário do programa identificado no ano passado, o "DEFENSOR ID" não é capaz de assumir o controle do smartphone se a tela for bloqueada. Por conta dessa limitação, ele muda a configuração do desligamento de tela do smartphone para "10 minutos". Com isso, o smartphone só será bloqueado se o botão de bloqueio for pressionado ou após dez minutos de inatividade.

Se o smartphone não for bloqueado de forma deliberada, os hackers têm esse intervalo de dez minutos para acessar o aparelho remotamente.

Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com