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terça-feira, 20 de outubro de 2020

O mistério do grupo hacker 'Robin Hood' que doa dinheiro roubado para caridade

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Especialistas e instituições de caridade ficam intrigados com os hackers que começaram a doar dinheiro roubado. 
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TOPO
Por BBC  
20/10/2020 14h23 Atualizado há 05 horas
Postado em 20 de outubro de 2020 às 19h30m


  * Post.N. -\- 3.853 *  

Um grupo de hackers está doando dinheiro roubado para instituições de caridade, o que vem intrigando especialistas em crimes cibernéticos.

Os hackers do grupo Darkside afirmam ter extorquido milhões de dólares de empresas, mas dizem que agora querem "tornar o mundo um lugar melhor".

Em um post na dark web ("camada" da internet que só pode ser acessada com softwares específicos, e onde costuma haver atividade criminal), a gangue divulgou recibos de US$ 10 mil (R$ 56 mil) em doações de Bitcoin para duas instituições de caridade.

Uma delas, a Children International, diz que não ficará com o dinheiro.

A mudança está sendo vista como uma evolução estranha e preocupante, tanto moral quanto legalmente.

Na postagem do blog no dia 13 de outubro, os hackers afirmam que só atacam grandes empresas com um tipo de hack conhecido como ransomware, em que os sistemas de TI das organizações são mantidos "reféns" até que o resgate seja pago.

Os hackers postaram seu recibo de impostos para a doação de US$ 10 mil — Foto: Reprodução via BBC
Os hackers postaram seu recibo de impostos para a doação de US$ 10 mil — Foto: Reprodução via BBC

"Achamos que é justo que parte do dinheiro que as empresas pagaram vá para a caridade. Por pior que você ache que nosso trabalho é, temos o prazer de saber que ajudamos a mudar a vida de alguém. Hoje enviamos as primeiras doações", anunciaram os hackers.

Os cibercriminosos postaram a doação junto com os recibos de impostos que receberam em troca pelo 0,88 Bitcoin que enviaram para duas instituições de caridade, The Water Project e Children International.

A Children International ajuda crianças, famílias e comunidades na Índia, Filipinas, Colômbia, Equador, Zâmbia, República Dominicana, Guatemala, Honduras, México e Estados Unidos. Um porta-voz da Children International disse à BBC:

"Se a doação estiver ligada a um hacker, não temos intenção de ficar com ela".

O The Water Project, que trabalha para melhorar o acesso à água potável na África Subsaariana, não respondeu aos pedidos de entrevista.

Outro recibo foi postado no blog da dark web mostrando uma doação de US$ 10 mil — Foto: Reprodução via BBC
Outro recibo foi postado no blog da dark web mostrando uma doação de US$ 10 mil — Foto: Reprodução via BBC

Vigaristas sem consciência

Brett Callow, analista de ameaças da empresa de segurança cibernética Emsisoft, disse: "O que os criminosos esperam alcançar fazendo essas doações não está nada claro. Talvez ajude a amenizar a culpa deles? Ou talvez por razões egoístas eles querem ser vistos como Robin Hood, em vez de vigaristas sem consciência".

"Quaisquer que sejam suas motivações, certamente é algo muito incomum e é, até onde eu sei, a primeira vez que um grupo de ransomware doou uma parte de seus lucros para instituições de caridade."

O grupo de hackers Darkside é relativamente novo, mas uma análise do mercado de criptomoedas confirma que eles estão extorquindo fundos das vítimas.

Também há evidências de que eles podem ter ligações com outros grupos cibercriminosos responsáveis por ataques de alto perfil a empresas, incluindo a Travelex, que foi atingida por um ransomware em janeiro.

A forma como os hackers pagaram as instituições de caridade também é um possível motivo de preocupação para as autoridades.

Os cibercriminosos utilizaram um serviço com sede nos Estados Unidos chamado The Giving Block, que é usado por diferentes organizações sem fins lucrativos de todo o mundo, incluindo Save The Children, Rainforest Foundation e She's the First.

O The Giving Block se descreve online como "a única solução específica sem fins lucrativos para aceitar doações em criptomoeda".

A empresa foi criada em 2018 para oferecer aos "milionários" das criptomoedas a capacidade de aproveitar o "enorme incentivo fiscal para doar Bitcoin e outras criptomoedas diretamente para organizações sem fins lucrativos".

O The Giving Block disse à BBC que não sabia que essas doações eram feitas por cibercriminosos. A entidade disse: "Ainda estamos trabalhando para determinar se esses fundos foram realmente roubados".

"Se descobrirmos que essas doações foram feitas com fundos roubados, é claro que começaremos o trabalho de devolvê-las ao legítimo proprietário."

A empresa não esclareceu se isso significa devolver o dinheiro roubado aos criminosos ou tentar descobrir quais foram as vítimas dos roubos.

O The Giving Block, que também defende as criptomoedas, acrescentou: "O fato de eles usarem criptografia tornará mais fácil, não mais difícil, capturá-los".

No entanto, The Giving Block não deu detalhes sobre quais informações eles coletam sobre seus doadores. A maioria dos serviços que compram e vendem moedas digitais, como Bitcoin, exigem que os usuários verifiquem sua identidade, mas não está claro se isso é feito no site.

Como um experimento, a BBC tentou doar anonimamente por meio do sistema online do The Giving Block e não recebeu nenhuma pergunta de verificação de identidade.

Especialistas dizem que o caso destaca a complexidade e os perigos das doações anônimas.

O tweet (agora excluído) celebrava a doação dos hackers — Foto: Reprodução via BBC
O tweet (agora excluído) celebrava a doação dos hackers — Foto: Reprodução via BBC

Perigo de lavagem de dinheiro

O pesquisador de criptomoedas Philip Gradwell, da Chainanalysis, disse: "Se você entra em uma instituição de caridade com uma máscara anônima e doa 10 mil libras em dinheiro e depois pede um recibo, provavelmente algumas perguntas precisam ser feitas".

"É correto dizer que os pesquisadores e o setor de segurança tentam rastrear fundos de criptomoedas conforme eles são movidos de carteira em carteira. Mas descobrir quem realmente possui cada carteira é muito mais complicado."

"Ao permitir doações anônimas de fontes potencialmente ilícitas, aumenta o perigo de lavagem de dinheiro."

"Todas as empresas de criptografia precisam de uma gama completa de medidas de combate à lavagem de dinheiro, incluindo um programa Know Your Client (KYC, algo como" Conheça Seu Cliente", em tradução livre) de verificações básicas de antecedentes, para que possam entender quem está por trás das transações que seus negócios facilitam."

A BBC conversou com outras instituições de caridade que aceitam doações por meio do The Giving Project.

A Save the Children disse à BBC que "nunca aceitaria intencionalmente dinheiro obtido por meio do crime".

A She's the First, uma instituição de caridade para a educação de meninas em todo o mundo, disse que não se sentiria confortável aceitar dinheiro de fontes anônimas, possivelmente criminosas, e disse:

"É uma pena que maus atores explorem a oportunidade de doar criptomoeda para ganho pessoal, e esperamos que até mesmo doadores anônimos compartilhem os valores de nossa comunidade".

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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Software em chip de placa-mãe é adulterado para contaminar Windows após 'formatação'

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Praga digital foi usada contra entidades diplomáticas e organizações sem fins lucrativos na Ásia, África e Europa.  
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TOPO
Por Altieres Rohr
É fundador de um site especializado na defesa contra ataques cibernéticos
14/10/2020 08h00 Atualizado há 10 horas


  * Post.N. -\- 3.852 *  
Software do chip UEFI usado por placas-mãe pode ser adulterado para contaminar o sistema operacional.  — Foto: Bruno-Germany/Pixabay
Software do chip UEFI usado por placas-mãe pode ser adulterado para contaminar o sistema operacional. — Foto: Bruno-Germany/Pixabay

A fabricante de antivírus Kaspersky publicou uma análise de uma praga digital capaz de contaminar o Windows a partir de um código injetado em um chip da placa-mãe.

A presença do programa na placa-mãe impede que o sistema seja descontaminado com a reinstalação do Windows (prática conhecida como "formatação"), que é eficaz contra todos os vírus de computador comuns.

A descoberta da Kaspersky marca a segunda vez que esse tipo de ataque é encontrado e documento por especialistas.

Este caso se diferencia do anterior, contudo, por estar aparentemente baseado no VectorEDK, uma técnica de ataque que veio a público em 2015 com o vazamento de dados da Hacking Team, uma empresa de hacking comercial da Itália.

O VectorEDK é instalado a partir de uma modificação da UEFI (sigla em inglês para "Interface Unificada de Firmware Extensível"). A UEFI é um software usado pela placa-mãe para realizar checagens de segurança e determinar a rotina que inicia o sistema operacional.

A Hacking Team desenvolveu um programa capaz de acessar o dispositivo de armazenamento a partir da UEFI e gravar novos arquivos. Essa função é utilizada para colocar um vírus na pasta de inicialização do Windows, que será executado automaticamente pelo sistema.

A modificação na UEFI projetada pela Hacking Team precisa ser realizada presencialmente, ligando o computador com um pen drive USB preparado para instalar o código.

A Kaspersky disse que não pôde determinar como os computadores foram contaminados e que não descarta a possibilidade de que os invasores tenham conseguido instalar a modificação a partir do próprio vírus, sem usar o pendrive fisicamente.

Vírus esconde atividades em 'módulos'

A Kaspersky observou que, embora a persistência do ataque seja garantida pelo VectorEDK – que é conhecido desde o vazamento da Hacking Team –, o arquivo gravado no Windows é um código malicioso inédito. Os especialistas batizaram esse novo programa de "MosaicRegressor".

A análise da Kaspersky pôde determinar que o MosaicRegressor é uma ferramenta de espionagem – e não um vírus de resgate ou outro tipo de praga digital. Porém, não é possível definir os limites da capacidade do MosaicRegressor.

Muitos programas espiões possuem toda a sua lógica de funcionamento em sua instalação, permitindo que um servidor de controle envie comandos para capturar um arquivo, mensagens ou informação da tela, por exemplo. O MosaicRegressor não adere a essa estrutura.

Os "comandos" enviados ao MosaicRegressor chegam na forma de módulos temporários. Dessa forma, só é possível saber o que o programa espião está fazendo no exato momento em que o código é recebido do servidor de controle. Depois do comando ser executado, o arquivo responsável por ele é apagado; antes do comando ser recebido, não existe código para ser analisado.

"Em última análise, não há uma lógica de funcionamento concreta nos componentes persistentes, já que ela é fornecida pelo servidor de comando e controle na forma de arquivos DLL, em sua maioria temporários", resume a análise da Kaspersky.

Vítimas tinham ligação com a Coreia do Norte

Ataques sofisticados e discretos como o MosaicRegressor costumam ser direcionados a alvos específicos – em outras palavras, eles não atingem o público em geral.

A Kaspersky não informou o nome das vítimas, mas disse que todas tinham alguma ligação com a Coreia do Norte – seja por realizando atividades relacionadas ou tendo uma presença dentro do país.

De acordo com a fabricante de antivírus, foram atacadas entidades diplomáticas e organizações sem fins lucrativos na Ásia, África e Europa.

Em alguns casos, arquivos ligados ao MosaicRegressor chegaram a essas entidades disfarçados de documentos com supostas notícias sobre a Coreia do Norte.

O responsável pelos ataques, por sua vez, é provavelmente um grupo ou indivíduo fluente em chinês. A Kaspersky também acredita que seja o mesmo operador responsável pelo vírus espião Winnti.

Embora a Kaspersky não tenha feito essa associação, o Winnti já foi vinculado ao governo chinês por alguns relatórios de especialistas. Em maio, uma campanha de ataques que atingiu fabricantes de jogos na Coreia do Sul foi atribuída ao Winnti.

Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com

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terça-feira, 13 de outubro de 2020

Apple anuncia iPhone 12 em quatro modelos; pela primeira vez, carregador e fone de ouvido não serão inclusos

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Empresa fez evento on-line para mostrar iPhone 12, iPhone 12 mini, iPhone 12 Pro e iPhone 12 Pro Max. Único acessório na caixa será o cabo USB.  
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Por G1  
13/10/2020 14h17 Atualizado há 5 horas
Postado em 13 de outubro de 2020 às 19h25m


  * Post.N. -\- 3.851 *  
iPhone 12 Pro. — Foto: Reprodução/Apple
iPhone 12 Pro. — Foto: Reprodução/Apple

A Apple anunciou em um evento on-line nesta terça-feira (13) a nova geração de seus celulares, desta vez com quatro modelos: iPhone 12, iPhone 12 mini, iPhone 12 Pro e iPhone 12 Pro Max.

Ainda sem preços para o Brasil, os aparelhos custam a partir de US$ 699 nos EUA. Pela primeira vez, eles não virão com o carregador de parede e o fone de ouvido na caixa.

Os novos celulares possuem processador A14 Bionic, que usa o processo de fabricação de 5 nanômetros – a Apple afirma ser o mais veloz do mercado. Outra novidade é o suporte para a tecnologia 5G em toda a linha.

Os modelos são os sucessores dos iPhones 11, 11 Pro e 11 Pro Max, apresentados no ano passado.

iPhone 12

O iPhone 12 foi o primeiro a ter seus detalhes revelados. Com preço sugerido de US$ 799 (R$ 4.450 na cotação atual), mais caro do que seu antecessor, o celular tem bordas mais quadradas, lembrando o visual do iPhone 4.

Ele é 11% mais fino, 15% menor e 16% mais leve do que a versão anterior, mas a tela permaneceu com o mesmo tamanho: 6,1 polegadas.

iPhone 12. — Foto: Reprodução/Apple
iPhone 12. — Foto: Reprodução/Apple

A tecnologia do painel mudou, abandonando o LCD e adotando o OLED, que a Apple chama de "Super Retina XDR". O contraste da tela aumentou e a quantidade de pixels também: o iPhone 12 tem o dobro da resolução do iPhone 11.

A companhia se juntou com a Corning para incluir um material mais resistente na tela, chamado de "escudo de cerâmica", que segundo a fabricante é "mais forte do que qualquer vidro em smartphones".

O celular também ganhou uma atualização em seu processador, com o A14 Bionic, que usa o processo de fabricação de 5 nanômetros – o que o torna mais veloz.

O iPhone 12 possui duas câmeras: uma lente grande angular e outra ultra angular, que permite imagens mais abertas, com campo de visão maior. Ambas possuem 12 megapixels. As tecnologias do processador permitem otimizar a qualidade das fotos com ajustes de contraste, cores mais precisas e modo noturno.

O modelo será disponibilizado nas cores preta, branca, azul, vermelha e verde.

iPhone 12 mini

Em seguida, a companhia mostrou o iPhone 12 mini. Ele tem as mesmas características do iPhone 12, mas sua tela tem 5,4 polegadas.

iPhone 12 mini, com tela de 5,4 polegadas, em comparação com o iPhone SE, com tela de 4,7 polegadas. — Foto: Reprodução/Apple
iPhone 12 mini, com tela de 5,4 polegadas, em comparação com o iPhone SE, com tela de 4,7 polegadas. — Foto: Reprodução/Apple

A versão menor será vendida nos EUA por US$ 699 (R$ 3.900 na cotação atual), preço que vinha sendo praticado no modelo padrão dos iPhones.

iPhone 12 Pro e iPhone 12 Pro Max

Foram anunciados ainda o iPhone 12 Pro e o iPhone 12 Pro Max, são as versões mais sofisticadas da linha.

Eles cresceram: a versão Pro tinha tela de 5,8 polegadas, agora tem 6,1 polegadas. A versão Pro Max passou de 6,5 polegadas para 6,7 polegadas.

iPhone 12 Pro e 12 Pro Max têm acabamento brilhante. — Foto: Reprodução/Apple
iPhone 12 Pro e 12 Pro Max têm acabamento brilhante. — Foto: Reprodução/Apple

HomePod mini

HomePod mini, alto-falante inteligente da Apple. — Foto: Reprodução/Apple
HomePod mini, alto-falante inteligente da Apple. — Foto: Reprodução/Apple

A empresa também mostrou um novo alto-falante inteligente, o HomePod Mini, que conta com a assistente de voz Siri.

O HomePod mini é uma versão menor do alto-falante inteligente lançado em 2017. Por meio de comandos de voz, dispositivo pode tocar músicas, controlar itens inteligentes da casa como lâmpadas, enviar mensagens, transmitir notícias, entre outros.

Esta reportagem está em atualização

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