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segunda-feira, 3 de maio de 2021

'Todas as coisas deixam uma pegada digital', afirma executivo de empresa que extrai dados de celulares

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Cellebrite, fundada em Israel, que é polo de cibersegurança, oferece soluções para desbloqueio de celulares e recuperação de dados apagados, usadas pela polícia no caso Henry Borel. Apesar de restringir clientes, ONGs já apontaram que os produtos da empresa também foram utilizados em cenários questionáveis.
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Por Alessandro Feitosa Jr, G1

Postado em 03 de maio de 2021 às 11h45m

  *.- Post.N. -\- 4.021 -.*  

Aparelho UFED da Cellebrite, usado para extrair informações de celulares, no Instituto Geral de Perícias de Santa Catarina (IGP-SC) — Foto: Divulgação/IGP-SC
Aparelho UFED da Cellebrite, usado para extrair informações de celulares, no Instituto Geral de Perícias de Santa Catarina (IGP-SC) — Foto: Divulgação/IGP-SC

Um conjunto de programas de computador e equipamentos capaz de realizar perícias em celulares e extrair dados dos aparelhos para investigações. Esse é o produto vendido pela Cellebrite, empresa fundada em Israel, país referência em cibersegurança, que ganhou destaque nas investigações do caso do menino Henry Borel, que faria 5 anos nesta segunda-feira (3).

Essa não foi a primeira vez que os produtos da Cellebrite foram utilizados no Brasil: relatórios da Polícia Federal indicam que os equipamentos periciaram celulares na Operação Lava Jato e o próprio site da empresa destaca uma colaboração na Operação Enterprise, que investigou tráfico internacional de drogas.

Aliado em investigações de crimes, esse tipo de software também é alvo de polêmicas e preocupações de abusos de autoridades por causa de seu poderio – até mesmo dados apagados podem ser recuperados em algumas situações (veja mais abaixo).

O G1 entrevistou Mark Gambill, executivo de marketing da Cellebrite, que defendeu o uso dos equipamentos pelas autoridades.

"Se formos vítimas de um crime, gostaríamos que a polícia pudesse usar toda a tecnologia à disposição para descobrir quem fez isso e resolver o caso", afirmou.

Segundo ele, as soluções da empresa podem ser utilizadas em várias fases de investigação como coleta, análise e gerenciamento de informações.

"Em relação à tecnologia, todas as coisas deixam uma pegada digital", disse o executivo, se referindo à capacidade de recuperar informações apagadas.

Além de extrair dados de aparelhos, os softwares podem indicar trechos mais importantes utilizando inteligência artificial, por exemplo.

A companhia ficou famosa em 2016, quando ofereceu ao FBI a possibilidade de desbloquear o iPhone do terrorista Syed Farook, envolvido na ação que matou 14 pessoas e feriu 17 em San Bernardino, na Califórnia.

A informação de que a tecnologia da empresa foi usada não foi confirmada pela polícia dos EUA, mas desde então o uso de equipamentos da Cellebrite passou a chamar atenção – principalmente pelo fato de desbloquearem até smartphones da Apple, que têm boa reputação em segurança digital.

Os detalhes do funcionamento dos produtos são segredos comerciais – a companhia utiliza de brechas de segurança nos aparelhos para obter os acessos, o que incomoda desenvolvedores de aplicativos e sistemas operacionais.

Brechas de segurança

A utilização de vulnerabilidades é um dos pontos controversos dos equipamentos do gênero.

O NSO Group, outra empresa israelense que desenvolve soluções para extração de dados, ficou conhecido pelo software espião Pegasus-3, supostamente utilizado para invadir o celular do fundador da Amazon, Jeff Bezos.

Embora as empresas ofereçam soluções diferentes, o NSO Group afirma que também vende serviços voltados para governos e autoridades policiais.

A principal diferença é que a solução da Cellebrite exige acesso físico ao aparelho, enquanto a NSO criou um mecanismo de espionagem remoto.

Questionado sobre eventuais abusos no uso dessas ferramentas, Gambill afirmou que todos os clientes assinam um termo de uso e que todos os dados precisam obtidos por meio de um mandado judicial ou autorização voluntária do dono do aparelho.

"Nossa organização tem clientes ao redor do mundo, são quase 670 clientes, predominantemente autoridades públicas", disse o executivo.

Além de oferecer produtos para autoridades, a Cellebrite vende produtos para empresas, mas com finalidades diferentes. Entre os exemplos citados pelo executivo Mark Gambill estão auxílio em investigações sobre roubo de propriedade intelectual e acusações de assédio.

Usos polêmicos

Apesar das restrições previstas em contrato, investigações de ONGs já apontaram que os produtos da Cellebrite foram utilizados em cenários questionáveis.

Em 2017, o site americano "Vice" disse ter recebido um vazamento com informações relacionadas à Cellebrite – a companhia confirmou o incidente na época.

Segundo a publicação, os dados sugeriam que a companhia vendeu suas tecnologias para países como a Rússia, Emirados Árabes Unidos e Turquia – locais com histórico de desrespeito aos direitos humanos.

Uma reportagem do jornal americano "Washington Post" de 2019 mostrou que as ferramentas da empresa foram utilizadas em celulares de dois jornalistas da agência Reuters em Mianmar, de acordo com documentos e depoimento de um advogado de defesa.

As autoridades locais acusaram os repórteres de violarem leis de segredo de Estado depois de relataram violência contra a minoria muçulmana Rohingya do país.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), ONG sediada nos EUA, relatou casos similares de buscas em celulares de jornalistas na Nigéria e em Gana, em 2019 e 2020, respectivamente.

"Trabalhamos estreitamente em Israel com o Ministério da Defesa que identifica países malfeitores. A mesma coisa vale nos EUA", disse Mark Gambill, da Cellebrite.

Ao G1, a companhia enviou uma lista de 29 países com os quais afirmou não fazer negócios, entre eles a Rússia, Turquia e Mianmar, que foram citados em reportagens internacionais.

Na América Latina, a Cellebrite disse não fazer negócios com Bolívia, Cuba e Venezuela.

"Temos um comitê de ética que está continuamente analisando este tipo de situação para ser o mais transparente possível e em uma situação improvável em que você tenha uma mudança de regime em um país", disse o executivo.

Ele afirmou ainda que a companhia desabilitou dispositivos em Hong Kong após a China apertar o cerco contra o movimento pró-democracia.

"Temos componentes dentro de nossa tecnologia que nos permitem, por falta de um termo técnico melhor, desligá-la", completou o executivo. 
Preocupação com abusos

A advogada especialista em direito digital Jacqueline Abreu destacou ao G1 os riscos de ferramentas poderosas como as da empresa.

"Em um país com instituições sólidas e mecanismos regulatórios que funcionam bem, há mais segurança de que o uso desse tipo de dispositivo será legítimo", disse.

"Mas essa é uma ferramenta que pode cair nas mãos de alguém que não é confiável. Mesmo em um país democrático pode permitir abusos", comentou.

Segundo ela, os critérios com os quais são deferidas ordens judiciais e de quebra de sigilo no Brasil "com muita frequência são frágeis".

"A partir do celular, você consegue acessar todo o tipo de aplicativo instalado, obter informações que estão na nuvem, armazenadas em servidores de empresas", afirmou.

A advogada usou como exemplo situações em que são necessárias ordens judiciais para que grandes empresas de tecnologia liberem informações relacionadas a e-mails. A partir das ferramentas de extração não seria mais preciso passar por esse trâmite, já que a conta estaria logada no aparelho.

Ela apontou ainda que os equipamentos de perícia como os da Cellebrite têm uso amplo em polícias dos Estados Unidos, mas ainda não há detalhes sobre o Brasil.

Abreu afirmou que o uso dos equipamentos da Cellebrite no país ganhou destaque em casos de grande repercussão, como na Lava Jato, nas investigações da morte da deputada Marielle Franco e na morte do menino Henry. Com isso, esse tipo de extração de dados pode ganhar apoio da opinião pública.

Porém, ela se preocupa com a banalização na extração dos dados – o que poderia, segundo a advogada, acarretar perseguições ou abusos das autoridades.

"É preciso pensar em políticas de uso [no Brasil]. De a polícia começar, por exemplo, a catalogar as instâncias em que utiliza esse tipo de informação extraída e que isso seja tornado público", disse.

"Além de regulamentações para dizer o que pode ou não pode se fazer com os dados obtidos a partir dos celulares, para que as informações não sejam mantidas ou alimentem um banco de dados", completou.

Expectativa de privacidade

O executivo da Cellebrite admitiu que há um dilema entre a expectativa de privacidade das pessoas e os serviços oferecidos pela empresa.

A companhia utiliza falhas de segurança para burlar proteções como bloqueios de tela e criptografia de informações.

Muitas fabricantes de aparelhos celulares, como a Apple, ressaltam os aspectos de segurança e privacidade de seus produtos. Parte do trabalho da Cellebrite é encontrar maneiras de superar essas medidas.

Gambill disse que a Apple é uma das empresas que estão tentando criar criptografias capazes de proteger a privacidade de dados e que compreende que esse é o trabalho deles, mas defende que sua empresa também tem uma missão.

"A Apple é uma empresa com a qual trabalhamos muito", afirmou o executivo, sem dar detalhes sobre as interações entre as companhias.

Ele contou que a companhia possui um comitê de ética responsável por discutir questões de privacidade e até mesmo com quais países a Cellebrite faz negócios.

"Acho que essa [a presença do comitê] é uma das formas de tentarmos encontrar esse equilíbrio é ter diálogos com indivíduos, com grupos que defendem a privacidade, entendendo as necessidades de uma comunidade", afirmou.

As vulnerabilidades utilizadas pela Cellebrite geralmente incomodam empresas que desenvolvem aplicativos e sistemas operacionais.

Em dezembro passado, a Cellebrite disse ter encontrado uma forma de acessar dados de mensagens do Signal, burlando medidas de segurança do aplicativo, que é famoso por elas.

No final de abril, o fundador e presidente-executivo do Signal, aplicativo de mensagens rival do WhatsApp e conhecido por suas opções de segurança e privacidade divulgou um texto em que expõe brechas em um dispositivo da Cellebrite.

O executivo do Signal disse que o UFED (Dispositivo de Extração Forense Universal, em tradução da sigla em inglês) possui "diversas vulnerabilidades" que poderiam "adulterar o dispositivo escaneado e os dados que poderiam ser acessados" – o que poderia comprometer a integridade de perícias.

O CEO do Signal disse estar disposto a revelar para a Cellebrite todas as falhas de segurança que encontrou, mas a empresa precisaria se comprometer revelar as brechas que usa para desbloquear celulares "agora e no futuro".

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domingo, 2 de maio de 2021

Google antecipa homenagem de Dia das Mães sem querer e retira Doodle do ar

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Plataforma disse que "corrigiu o problema" e "guardou homenagem" para o próximo domingo (9). Alguns usuários brasileiros tiveram acesso ao sistema, que permitia criar cartões virtuais.
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Por G1

Postado em 02 de maio de 2021 às 12h30m

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Doodle do Google permite criação de cartão virtual personalizado em homenagem ao Dia das Mães — Foto: Reprodução
Doodle do Google permite criação de cartão virtual personalizado em homenagem ao Dia das Mães — Foto: Reprodução

O Doodle do Google vai ajudar os internautas a presentear as mães, repetindo a ação criada e realizada no Dia das Mães de 2020, o primeiro em meio à pandemia de coronavírus.

Neste ano, a plataforma se antecipou à data, celebrada no Brasil no próximo domingo (9), e disponibilizou a ferramenta sem querer. Depois, o Doodle foi retirado do ar.

Hoje, pelo começo da manhã, alguns usuários brasileiros encontraram nossa página principal com o tradicional Doodle de Dia das Mães. Pedimos desculpas, já que no Brasil, diferente de outros países, a data é comemorada no segundo domingo de maio. Nosso time já corrigiu o problema e guardou a homenagem para o dia no qual a data é celebrada no país", disse o Google.

Como ficou a homenagem

Ao abrir a página de buscas, uma imagem na plataforma fazia uma homenagem ao evento.

Ao clicar na ilustração, o internauta podia criar um cartão virtual personalizado com alguns desenhos já disponibilizados na plataforma. Ao final, era possível escolher o compartilhamento e envio do presente para o e-mail ou redes sociais.

Doodle do Google permite criação de cartão virtual personalizado em homenagem ao Dia das Mães — Foto: Reprodução
Doodle do Google permite criação de cartão virtual personalizado em homenagem ao Dia das Mães — Foto: Reprodução

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sábado, 1 de maio de 2021

União Europeia acusa Apple de práticas anticompetitivas em loja de aplicativos

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Comissão do bloco abriu investigação após acusações do serviço de streaming Spotify, que reclamou de comissão em transações no iOS, sistema dos iPhones.
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Por G1
30/04/2021 08h26 
Postado em 01 de maio de 2021 às 10h30m

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Foto de 16 de junho de 2020 mostra a maçã símbolo da Apple na fachada da loja da empresa na Quinta Avenida, em Manhattan, na cidade de Nova York — Foto: Mark Lennihan/AP
Foto de 16 de junho de 2020 mostra a maçã símbolo da Apple na fachada da loja da empresa na Quinta Avenida, em Manhattan, na cidade de Nova York — Foto: Mark Lennihan/AP

União Europeia acusou nesta sexta-feira (30) a Apple de manter práticas anticompetitivas em sua loja de aplicativos, a App Store.

A Comissão responsável pela regulação de mercado disse que a fabricante do iPhone "abusou de sua posição dominante na distribuição de apps de streaming de música".

Essa é a avaliação preliminar das autoridades europeias, que emitiu um "comunicado de acusaçõesapós um requerimento do Spotify, serviço de streaming que concorre com o Apple Music.

Esse é um passo formal do bloco para iniciar investigações antitruste. A Apple será convidada a responder às acusações iniciais.

A União Europeia focou em duas regras que a Apple impõe aos criadores de aplicativos:

  1. o uso obrigatório do sistema da própria empresa para compras dentro desses apps, no qual a fabricante do iPhone fica com uma fatia entre 15% e 30% de todas as transações;
  2. e uma regra que proíbe que os criadores de aplicativos avisem os usuários de outras opções de compra, a partir de um site, por exemplo.

Caso as investigações determinem que a Apple infringiu as regras de competição, a empresa pode ser multada em até 10% de sua receita anual, o que pode chegar a US$ 27 bilhões, considerando a receita anual de US$ 274,5 bilhões que teve no ano passado.

A companhia também pode precisar mudar o seu modelo de negócios da App Store, que é alvo de reclamações de diversos desenvolvedores de aplicativos.

Ao G1, a Apple disse que não comentaria o caso.

Google, que desenvolve do sistema concorrente Android, também cobra comissões pelas transações em sua loja, a Play Store – porém, a plataforma é mais aberta para lojas alternativas.

Briga com criadora de 'Fortnite'

Em 2020, a Epic Games, criadora do jogo "Fortnite"iniciou uma batalha judicial contra a Apple, alegando que a fabricante do iPhone exerce um monopólio ilegal sobre a distribuição de aplicativos para seus sistemas operacionais.

O game foi removido da App Store, do iPhone, quando foram oferecidos descontos na compra de "V-Bucks" (a moeda virtual do "Fortnite") para quem comprasse diretamente da Epic, sem a intermediação do sistema de pagamentos da Apple.

Pouco depois do início dessas acusações, um grupo com criadores de apps como Spotify, Tinder e do jogo "Fortnite" criaram uma aliança para pressionar a Apple contra o "impostocobrado em sua loja de aplicativos.

Com protestos de desenvolvedores, a empresa reduziu pela metade as comissão para pequenas empresas no início de 2021.

Desenvolvedores que ganham menos de US$ 1 milhão por ano pagam taxa de 15% nas transações pela loja de aplicativos do iPhone, iPad e Mac.

Na mira de autoridades

As ações judiciais da Epic Games foram levadas aos Estados Unidos e à União Europeia.

Desde então, as práticas da Apple em sua loja de aplicativos começou a ser investigada por senadores dos EUA e pelo regulador de concorrência do Reino Unido.

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