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sexta-feira, 11 de junho de 2021

Governo promulga lei que garante internet gratuita a alunos e professores de escola pública

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Serão R$ 3,5 bilhões para ações de conectividade no país. Recursos deverão ser transferidos em até 30 dias.
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Por Elida Oliveira, G1

Postado em 11 de junho de 2021 às 13h00m

  *.- Post.N. -\- 4.053 -.*  

Lei pretende garantir acesso à educação remota, com pagamento de conectividade para alunos carentes e professores. — Foto: Julio Cavalheiro/Governo do Estado de Santa Catarina
Lei pretende garantir acesso à educação remota, com pagamento de conectividade para alunos carentes e professores. — Foto: Julio Cavalheiro/Governo do Estado de Santa Catarina

O governo promulgou nesta sexta-feira (11) a lei que garante acesso à internet gratuita para alunos e professores carentes da rede pública. A lei já está em vigor.

Serão destinados R$ 3,5 bilhões para ações que promovam a conectividade. Entre as fontes de recursos, estão as dotações orçamentárias e o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust).

O texto prevê repasses a estados, municípios e DF, que vão aplicá-los conforme a demanda local. A transferência da União deverá ocorrer em parcela única em até 30 dias.

Na última terça-feira (1º), o Congresso derrubou o veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao projeto, que já havia sido aprovado na Câmara e no Senado.

O presidente disse que a proposta era um empecilho para o cumprimento da meta fiscal do governo. O ministro da Educação, Milton Ribeiro, também era contrário à iniciativa. Ele defendia como prioridade levar conectividade às escolas, em vez de distribuir gratuidade a alunos e professores. Em março, afirmou que 'despejar dinheiro na conta não é política pública'.

Para especialistas, a liberação de recursos deverá atender a uma demanda urgente pelo acesso à educação remota. Também vão garantir acesso ao ensino híbrido, em locais onde será possível retomar parte das atividades presenciais nas escolas (leia mais abaixo).

Os recursos serão voltados a:

  • alunos da rede pública que sejam de famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico)
  • Alunos de comunidades indígenas e quilombolas
  • professores da educação básica
  • a prioridade será, pela ordem: alunos do ensino médio, os alunos do ensino fundamental, os professores do ensino médio e os professores do ensino fundamental

Os recursos poderão pagar conexão fixa na casa dos beneficiários ou em comunidades, quando for comprovado o custo-efetividade, ou quando não houver oferta de dados móveis. Ela também prevê contratação de internet nas escolas, de modo excepcional.

Derrubada do veto

Para Edméa Santos, que pesquisa cibercultura e educação há 25 anos, e é professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a derrubada do veto atende a uma demanda urgente.

"Deveria haver internet gratuita em todo lugar público: nas ruas, escolas e universidades. Só que, agora, esta internet precisa chegar na casa dos alunos. É lá que eles estão. No pós-pandêmico, é óbvio que será preciso retomar a conectividade nas escolas, e ter internet", afirma.

O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Vitor de Angelo, diz que a aprovação vai distribuir recursos e permitir que todos os estados forneçam equipamentos aos alunos.

"Já se sabe que alguns estados, por conta própria, têm feito este esforço [de levar internet gratuita a alunos e professores]. Mas essa iniciativa nem sempre depende de decisão do gestor. Muitas vezes, depende mais da disponibilidade fiscal e orçamentária. Portanto, recursos extras seriam muito bem-vindos nessa hora", afirma.


O desafio de uma maior conectividade na educação

A pandemia escancarou a defasagem das escolas públicas em direção a um mundo digital: em sua maioria, não havia sistemas on-line que pudessem unir professores e estudantes. Em outras, o problema era estrutural: faltava internet ou conexão de qualidade.

Ao mesmo tempo, a desigualdade e a exclusão digital das famílias se refletiram nos dados educacionais: muitos alunos não conseguiam acessar as aulas remotas por falta de equipamentos adequados ou internet.

O cenário da educação é que:

  • A internet banda larga não chegava a 17,2 mil escolas urbanas (20,5%) em 2020, indica o Censo Escolar da Educação Básica.
  • Ao fim de 2020, somente duas a cada dez cidades (22,5% das redes municipais) terminaram o ano com plataformas educacionais, apontam dados da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).
  • A pesquisa Undime indicou que, para 78,6% dos respondentes, a conectividade dos alunos foi apontada com grau de dificuldade médio a alto para a continuidade da educação no ano passado.
  • O levantamento "TIC Domicílios 2019", divulgado em maio de 2020, aponta que 39% dos estudantes de escolas públicas urbanas não têm computador ou tablet em casa. Nas escolas particulares, o índice é de 9%.
  • Em relação à internet, foram identificados 20 milhões de lares sem conexão, o que representa 28% do total. No recorte por classes, as D e E eram as mais desfavorecidas, com 50% sem internet.
  • Uma pesquisa desta semana aponta que alunos do ensino médio poderão se formar em 2021 sabendo 20% do que deveriam em português e ainda regredir em matemática
  • Outra, do início de maio, avaliou alunos do 5º e 9º anos do ensino fundamental e 3º ano do ensino médio. Entre eles, o maior déficit de aprendizagem estava em matemática, no 5º ano, o que acende um alerta também nos anos iniciais de ciclo.

"A maior parte dos estudantes do país estão ou sem aula ou no ensino remoto. Um dado importante sobre isso é que 55% dos estudantes nas favelas não estão conseguindo estudar e, desses, mais de um terço, 34%, não estão fazendo isso porque não tem acesso à internet. Este é um dado que mostra a magnitude, a importância da internet para o acesso às aulas no ensino remoto", afirma Lucas Fernandes Hoogerbrugge, gerente de Estratégia Política no Todos Pela Educação.

Os esforços para levar internet às escolas

A pandemia acelerou um processo de conectividade nas escolas que começou em 1997. Foi o Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo), que pretendia incentivar o uso pedagógico de tecnologias na educação.

Edmea Santos, da UFRRJ, conta que a ideia era fazer laboratórios de informática nas escolas. Depois, outros programas se seguiram, dando formação a professores tutores que incentivariam o uso das tecnologias nas escolas entre colegas; outros tentaram comprar computadores a baixo custo para alunos, ou ainda levar internet às escolas. Os programas foram encerrados.

"O que não fizemos de lição de casa se mostrou agora. Em um momento de restrição de contato físico que só nos deu a opção de trabalhar virtualmente com a educação", afirma Jane Reolo, coordenadora de Soluções com Tecnologia do Instituto Unibanco.

Infográfico mostra a oferta de internet nas escolas do Brasil; cores cinzas apontam internet em até 40% das escolas, os tons de vermelho indicam outros percentuais — Foto: G1
Infográfico mostra a oferta de internet nas escolas do Brasil; cores cinzas apontam internet em até 40% das escolas, os tons de vermelho indicam outros percentuais — Foto: G1

Atualmente o MEC tem o programa Educação Conectada, que foi criado em 2017. Em abril, um relatório da Câmara dos Deputados apontou que o MEC reduziu em 45,1% os recursos destinados ao programa durante a pandemia, um corte de R$ 82 milhões (veja no vídeo abaixo). Em 14 de maio, a pasta anunciou que distribuiu 154 mil chips no programa Alunos Conectados.
Deputados mostram redução de investimentos do MEC durante a pandemia
Deputados mostram redução de investimentos do MEC durante a pandemia

Em meio à lacuna de informações, e para acelerar a conectividade das escolas, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e o Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) lançaram em março um mapa que mostra a conectividade das escolas, por rede municipal e estadual, porque não havia esta informação centralizada.

"Reunimos um grupo de provedores para tentar resolver a conectividade. A Anatel tinha parte da informação, o MEC tinha a declaração de escolas, as próprias escolas tinham outros dados. Vimos que seria interessante criar um mapa integrado", conta Lúcia Dellagnelo, diretora-presidente do CIEB.

Para Dellagnelo, a derrubada do veto é positiva. "Isso passa uma mensagem de que a tecnologia será parte do processo da educação daqui para frente, e que precisaremos de políticas públicas que consigam reduzir essa desigualdade de acesso entre os estudantes brasileiros", afirma .

Alfabetização digital

A falta de internet na educação levou a uma geração de alunos que têm acesso à informação, mesmo que precariamente em um celular, mas não foi instruído para navegar no ambiente virtual.

Dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que 67% dos estudantes de 15 anos do Brasil não conseguem diferenciar fatos de opiniões quando fazem leitura de textos. O documento cita que o fluxo de informações da era digital exige tal habilidade dos leitores.

"Estar on-line não é critério de qualidade", aponta Reolo. "A escola ajuda a decodificar o que são letras e números. Com a tecnologia, também deveria ser nesta perspectiva", defende.

"O acesso à internet é considerado um direito básico, mas se a escola não souber usar para fins educacionais, aumentando o grau de tecnologia em ações pedagógicas, ela estará lá sem atingir seu fim", defende Dellagnelo.

Atualmente, as escolas do Acre, Amazonas, Maranhão, Roraima, Pará e Amapá têm os menores índices de conectividade do país. Em média, até 60% das escolas nestes estados têm internet, mas no AC e no AM, por exemplo, o índice cai para 40%, segundo dados do Censo Escolar 2020.

Na análise por ciclo, as escolas do ensino médio têm maior conectividade (96,9%) do que as de ensino fundamental (76,10%).

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quinta-feira, 10 de junho de 2021

Google lança programa para ajudar empreendedores a vender pela internet

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Expectativa é atingir cerca de 20 mil pequenas e médias empresas até dezembro. Participantes poderão criar sua primeira loja virtual e ter acesso a plataformas de gestão e recebimento de pagamentos.
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Por G1

Postado em 10 de junho de 2021 às 16h10m

  *.- Post.N. -\- 4.052 -.*  

O Google anunciou nesta quinta-feira (10) o lançamento da segunda edição do programa criado para apoiar a entrada de empreendedores no comércio eletrônico. As empresas participantes poderão aprender a criar sua primeira loja virtual, ter acesso a plataformas de gestão e meio de pagamento, além de estratégias digitais para atrair mais consumidores.

Na primeira edição do programa no ano passado, o Cresça suas Vendas com o Google impulsionou a criação de mais de 7 mil lojas virtuais. A expectativa agora é atingir cerca de 20 mil pequenas e médias empresas (PMEs) até dezembro.

Na edição deste ano, o programa terá a parceria de empresas como Loja Integrada, Mercado Shops e Cielo.

São oferecidas ferramentas e soluções – gratuitas e pagas – em quatro diferentes etapas:

  • Crie sua loja virtual;
  • Gerencie sua loja virtual;
  • Receba pagamentos on-line;
  • Anuncie o estoque da sua loja física.

Os interessados em participar do programa podem encontrar todas as informações no site g.co/CrescaSuasVendas.

Vender on-line não depende apenas de um e-commerce. As pequenas e médias empresas também têm outras necessidades, como gerenciar seu estoque ou receber pagamentos on-line, afirma Susana Ayarza, diretora de marketing do Google Brasil.

O Google também disponibiliza no site treinamentos digitais para quem ainda não vende produtos por meio da Internet ou quer aprender novas habilidades digitais como gestão da presença on-line, precificação de produtos, técnicas de vendas, entre outros. Os conteúdos são gratuitos.

O Google destaca que cerca de 13 milhões de pequenas e médias empresas foram diretamente afetadas pela crise gerada pela pandemia, de acordo com os dados oficiais, mas que o aumento do número de brasileiros que realizam compras pela internet ampliou as oportunidades para novas lojas online.

Vendas pela internet ajudam comerciantes na pandemia
Vendas pela internet ajudam comerciantes na pandemia

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As 'impressões digitais' ocultas nas fotos que revelam mais do que você imagina

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Quando você tira uma foto, seu smartphone ou câmera digital armazenam 'metadados' no arquivo de imagem.
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TOPO
Por BBC

Postado em 10 de junho de 2021 às 15h35m

  *.- Post.N. -\- 4.051 -.*  

O que está escondido na sua foto? — Foto: Getty Images/BBC
O que está escondido na sua foto? — Foto: Getty Images/BBC

Em 3 de outubro de 2020, a Casa Branca publicou duas fotos do então presidente americano Donald Trump, assinando papéis e lendo briefings.

No dia anterior, Trump havia anunciado que havia contraído Covid-19 — e estas fotos aparentemente foram divulgadas para mostrar que ele estava com a saúde boa.

Sua filha Ivanka tuitou uma das imagens com a legenda: "Nada pode impedi-lo de trabalhar para o povo americano. IMPLACÁVEL!"

Mas os observadores mais atentos notaram algo incomum.
Duas fotos de Trump no hospital militar em que foi internado com Covid-19 — Foto: EPA/JOYCE N BOGHOSIA/THE WHITE HOUSE
Duas fotos de Trump no hospital militar em que foi internado com Covid-19 — Foto: EPA/JOYCE N BOGHOSIA/THE WHITE HOUSE

As fotos foram tiradas em duas salas diferentes do hospital militar Walter Reed. Em uma delas, Trump está de paletó, na outra apenas de camisa.

Junto a declarações públicas sobre seu bom estado de saúde e ética profissional, a insinuação era que ele havia se dedicado às funções presidenciais o dia todo, apesar da doença.

Os registros de data/hora das fotos, no entanto, diziam outra coisa. As imagens foram tiradas com 10 minutos de intervalo.

É claro que existem outras explicações possíveis para o fato de terem sido tiradas tão próximas uma da outra. Talvez o fotógrafo só tivesse acesso por 10 minutos, e de repente Trump sempre teve a intenção de trocar de cômodo durante aquele intervalo de tempo.

Mas a Casa Branca não deve ter ficado muito contente ao saber que as pessoas notaram os registros de data/hora.

Isso levou os meios de comunicação e comentaristas a questionar se as imagens haviam sido encenadas para uma sessão de fotos com o objetivo de passar uma mensagem política, e a duvidar se Trump realmente estava trabalhando tão "implacavelmente" no fim das contas.

Não foi a primeira vez que informações ocultas em uma foto digital levaram a consequências indesejadas. Basta perguntar a John McAfee, fundador do software de antivírus de mesmo nome.

Em 2012, ele fugiu das autoridades de Belize, na América Central.
5 dicas para aproveitar a câmera de selfies do seu celular
5 dicas para aproveitar a câmera de selfies do seu celular

Repórteres da revista Vice localizaram McAfeee e publicaram uma foto dele na internet, com o título "Estamos com John McAfee agora, otários".

No entanto, sem que eles percebessem, os dados de localização incorporados na foto revelaram inadvertidamente que McAfee estava na Guatemala. Ele foi logo encontrado e detido.

Estes são apenas dois exemplos de como as informações ocultas nas fotos digitais podem revelar muito mais do que os fotógrafos e as pessoas retratadas esperam.

Será que suas próprias fotos estão compartilhando mais detalhes por aí do que você imagina?

John McAfee fala com jornalistas na Suprema Corte da Guatemala depois que sua localização foi revelada por uma foto — Foto: Johan ordonez/Getty images
John McAfee fala com jornalistas na Suprema Corte da Guatemala depois que sua localização foi revelada por uma foto — Foto: Johan ordonez/Getty images

Quando você tira uma foto, seu smartphone ou câmera digital armazenam "metadados" no arquivo de imagem.

Eles se inserem automaticamente e parasitariamente em cada foto que você tira.

São dados sobre dados, fornecendo informações de identificação, como quando e onde uma imagem foi capturada e que tipo de câmera foi usada.

Não é impossível limpar metadados usando ferramentas disponíveis gratuitamente como o ExifTool.

Mas muita gente nem sequer se dá conta de que os dados estão lá, muito menos de como podem ser usados, então não se preocupa em fazer nada a respeito antes de postar imagens online.

Algumas plataformas de rede social removem informações como geolocalização (apenas da visualização pública, no entanto), mas muitos outros sites não.

Essa falta de conhecimento tem se mostrado útil para os investigadores da polícia, à medida que ajuda a associar criminosos desprevenidos a determinadas cenas.

Mas também representa um problema de privacidade para os cidadãos cumpridores da lei, se as autoridades forem capazes de rastrear suas atividades por meio de imagens em suas câmeras e redes sociais.

E, infelizmente, criminosos experientes podem usar os mesmos truques que a polícia: se eles são capazes de descobrir onde e quando uma foto foi tirada, isso pode te deixar vulnerável a crimes como assalto a residência ou assédio.

Mas os metadados não são a única coisa escondida em suas fotos.

Também existe um identificador pessoal único que associa cada foto que você tira à câmera específica que foi usada, mas é algo que você provavelmente jamais imaginou.

Até mesmo fotógrafos profissionais podem não perceber ou se lembrar que ele está lá.

Para entender o que é esse identificador, primeiro você precisa entender como uma foto é capturada.

O sensor de imagem é vital para cada câmera digital, incluindo aquelas dentro de smartphones.

Ele é composto por uma matriz de milhões de diodos fotossensíveis, chamados photosites, de silício — que são cavidades que absorvem fótons (luz).

Devido a um fenômeno conhecido como efeito fotoelétrico, a absorção de fótons faz com que um photosite lance elétrons.

A carga elétrica dos elétrons emitida por um photosite é medida e convertida em um valor digital.

Isso resulta em um valor único para cada photosite, que descreve a quantidade de luz detectada. E é assim que uma foto é formada. Ou, etimologicamente falando, um desenho com luz.

No entanto, devido a imperfeições no processo de fabricação dos sensores de imagem, as dimensões de cada photosite diferem ligeiramente.

E quando combinada com a inerente falta de homogeneidade do seu material, o silício, a capacidade de cada photosite de converter fótons em elétrons varia.

Isso resulta em alguns photosites serem mais ou menos sensíveis à luz do que deveriam ser, independente do que está sendo fotografado.

Portanto, mesmo que você usasse duas câmeras da mesma marca e modelo para capturar uma superfície uniformemente iluminada — onde cada ponto da superfície tem o mesmo brilho — haveria diferenças sutis únicas para cada câmera.

As diferentes sensibilidades dos photosites criam um tipo de marca d'água imperceptível na imagem.

Embora não seja intencional, ela age como uma impressão digital, exclusiva do sensor da sua câmera, que é impressa em cada foto que você tira. Assim como os flocos de neve, não há dois sensores de imagem iguais.

Na comunidade forense de imagem digital, esta impressão digital do sensor é conhecida como "não-uniformidade da resposta fotográfica".

E é "difícil de remover, mesmo quando alguém tenta", diz Jessica Fridrich, da Binghamton University, no estado de Nova York , nos EUA.

É inerente ao sensor, ao contrário de recursos como metadados de fotos, que são "implementados intencionalmente", explica.

Fotos falsas

A vantagem da técnica de impressão digital não-uniforme é que ela pode ajudar pesquisadores como Fridrich a identificar imagens falsas.

Por princípio, as fotos constituem uma rica referência para o mundo físico e, portanto, podem ser utilizadas por seu valor probatório, uma vez que retratam o que é.
Os sensores das câmeras digitais contêm pequenas imperfeições que agem como uma impressão digital — Foto: Getty Images/BBC
Os sensores das câmeras digitais contêm pequenas imperfeições que agem como uma impressão digital — Foto: Getty Images/BBC

No entanto, em meio à atual onda de desinformação — agravada pela ampla disponibilidade de softwares de edição de imagens — é cada vez mais importante conhecer a origem, integridade e natureza das imagens digitais.

Fridrich patenteou a técnica de impressão digital de fotos, e ela foi oficialmente aprovada para uso como evidência forense em processos judiciais nos Estados Unidos.

Isso significa que os investigadores podem identificar áreas manipuladas, associá-las a um dispositivo de câmera específico ou estabelecer seu histórico de processamento.

Fridrich acredita que essa tecnologia também pode ser usada para revelar imagens falsas geradas por inteligência artificial, conhecidas como deepfakes.

E pesquisas preliminares corroboram isso. A característica distintiva de um deepfake é seu fotorrealismo.

Após ganharem notoriedade em 2018, devido ao seu uso em vídeos pornográficos, os deepfakes representam uma ameaça tangível ao ecossistema da informação.

Se não formos capazes de diferenciar entre o que é real e o que não é, então todo conteúdo consumido pode ser razoavelmente colocado em dúvida.

Na era da pós-verdade, a capacidade de detectar o que é falso é, sem dúvida, uma evolução positiva.

Mas, ao mesmo tempo, métodos como o da impressão digital de fotos podem "ter usos positivos e negativos", diz Hany Farid, professor de engenharia elétrica e ciências da computação na Universidade da Califórnia em Berkeley e especialista em análise forense de imagens digitais.

Embora Farid tenha usado a técnica de não-uniformidade para vincular fotos a câmeras específicas em casos de abuso sexual infantil — um benefício evidente —, ele também adverte que, como "com qualquer tecnologia de identificação, é preciso tomar cuidado para garantir que não seja mal utilizada" .

Isso é particularmente pertinente para indivíduos como ativistas de direitos humanos, fotojornalistas e delatores, cuja segurança pode depender do seu anonimato.

De acordo com Farid, essas pessoas poderiam ser "identificadas ao vincularem uma imagem ao seu dispositivo ou a imagens postadas [online] anteriormente".

Quando consideramos essas questões de privacidade, podemos traçar paralelos com outra tecnologia.
Empresas lançam concurso para combater 'Deep fakes'
Empresas lançam concurso para combater 'Deep fakes'

Muitas impressoras coloridas adicionam pontos de rastreamento secretos aos documentos: pontos amarelos praticamente invisíveis que revelam o número de série da impressora, assim como a data e a hora em que um documento foi impresso.

Em 2017, esses pontos podem ter sido usados ​​pelo FBI, a polícia federal americana, na identificação de Reality Winner como fonte do vazamento de um documento da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês), que detalhava a suposta interferência russa na eleição presidencial de 2016 nos EUA.

Independentemente da sua opinião sobre a denúncia de irregularidades, essas técnicas de vigilância podem afetar a todos nós. A Comissão Europeia manifestou preocupação, sugerindo que tais mecanismos podem corroer o "direito de um indivíduo à privacidade e à vida privada".

Se considerarmos as impressões digitais das fotos como equivalentes ao número de série de uma impressora, isso nos leva a perguntar se a não-uniformidade da resposta fotográfica também viola o direito do indivíduo à proteção de seus dados pessoais.

Apesar da nossa predisposição crônica a nos expor na internet, nos reservamos veementemente ao direito à privacidade.

Por princípio, as pessoas devem ser capazes de decidir até que ponto as informações sobre si mesmas são comunicadas externamente.

Mas, à luz do que sabemos agora sobre o rastreamento de fotos forenses, essa autonomia pode ser apenas um controle ilusório.

Os metadados padrão são bem difíceis de evitar — você precisa limpá-los depois, e a única informação que você pode impedir de ser criada em primeira instância é a geolocalização da foto.

A não-uniformidade da resposta fotográfica, no entanto, é muito mais difícil de extrair. Tecnicamente, deveria ser possível suprimir, por exemplo, ao reduzir a resolução da imagem, diz Farid. Mas, em quanto?

É claro que isso depende de muitos fatores, como o tipo de dispositivo usado para a captura da imagem, assim como o algoritmo de correspondência de impressão digital empregado. Não existe uma solução única para a remoção de impressões digitais.

Então, até que ponto devemos nos preocupar com a não-uniformidade da resposta fotográfica do ponto de vista ético?

Quando perguntei a Fridrich sobre as implicações de suas várias aplicações, ela observou com franqueza: "Um carpinteiro pode fazer maravilhas com um martelo, mas um martelo também pode matar".

Embora ninguém esteja dizendo que os dados ocultos nas fotos podem ser fatais, a questão é que essa é uma técnica que pode causar danos nas mãos erradas.

Você não precisa ser Donald Trump ou John McAfee para ser afetado pelos metadados e impressões digitais das imagens.

Portanto, da próxima vez que você tirar uma foto com seu smartphone, pare para refletir sobre o que está sendo capturado que você não é capaz de ver através das lentes.

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* Jerone Andrews escreveu este artigo enquanto trabalhava como pesquisador na University College London (UCL), no Reino Unido, como parte de uma bolsa de estudos organizada pela Associação Britânica para o Avanço da Ciência

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