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segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Google apresenta celular com chip projetado 'em casa'

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Pixel 6 conta com chip Google Tensor e segue passos do iPhone, que também utiliza 'cérebro' feito pela própria Apple. Modelos não costumam ser lançados no Brasil.
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Por G1

Postado em 02 de agosto de 2021 às 18h15m

  *.- Post.N. -\- 4.093 -.* 

Google revela primeiros detalhes do Pixel 6 — Foto: Divulgação
Google revela primeiros detalhes do Pixel 6 — Foto: Divulgação

O Google revelou nesta segunda-feira (2) uma prévia do Pixel 6, nova versão do celular de fabricação própria da empresa. A grande novidade desta geração é a utilização de um chip projetado "em casa", chamado Google Tensor.

O Tensor é um "sistema em um chip", ou SoC (como é chamado em inglês), que reúne componentes como processador, unidade de gráficos, modem 5G, entre outros.

A empresa não deu detalhes específicos sobre esses itens, mas disse que o chip do seu novo telefone terá uma unidade específica para operações relacionadas com inteligência artificial (IA) e outra para segurança, chamada Titan M2.

Com essas adições, o Google promete oferecer um processamento "mais poderoso" nas fotos e vídeos, além de uma experiência mais refinada nas funções de reconhecimento de voz (saiba mais abaixo).

Os novos Pixel ainda não têm data de lançamento nem preço definidos, mas esses devem ser os modelos que encabeçam a linha de celulares do Google.

A expectativa é que fiquem próximo da faixa dos US$ 1.000 (cerca de R$ 5.130, na cotação atual) e cheguem aos EUA até o final do ano. Esses aparelhos não costumam ser lançados no Brasil.
Celulares Pixel 6, do Google, serão lançados nos EUA em diversas cores — Foto: Divulgação
Celulares Pixel 6, do Google, serão lançados nos EUA em diversas cores — Foto: Divulgação

Serão duas versões: o Pixel 6 e 6 Pro. A diferença entre os dois está no tamanho e nas câmeras, de acordo com as informações reveladas até agora – a companhia ainda faz mistério sobre alguns detalhes, como memória.

O modelo padrão tem tela de 6,4 polegadas e duas câmeras na traseira. Já o modelo Pro chega a 6,7 polegadas e virá com câmera tripla – o sensor adicional é uma lente telefoto, que permite aproximar imagens em 4 vezes.

Google Tensor

Utilizar um "cérebro" feito em casa é uma mudança significativa para os celulares do Google. A estratégia vai na mesma direção da concorrente Apple, que usa seus próprios chips nos iPhones.

Até agora, a empresa incluía processadores Snapdragon, fabricados pela Qualcomm, nos celulares Pixel. Os chips dessa companhia estão presentes na maioria dos modelos Android à venda.

O Google não será completamente responsável por itens como CPU (processamento), GPU (gráficos) ou RAM (memória), que impactam na velocidade do telefone. Esses componentes foram licenciados por outras empresas, que não foram reveladas.

Por outro lado, a companhia tomou para si partes do SoC que envolvem segurança e inteligência artificial.

Isso é relevante porque os telefones Pixel são conhecidos por tirar fotos de alta qualidade, embora não tenha sensores de câmera tão poderosos quanto alguns correntes. Para conseguir os resultados acima da média, a companhia investe forte na inteligência artificial para "aprimorar" os cliques.

Google Tensor, chip desenvolvido pela própria empresa — Foto: Divulgação
Google Tensor, chip desenvolvido pela própria empresa — Foto: Divulgação

Em demonstrações feitas para a imprensa estrangeira, o Google exibiu uma foto borrada de uma criança que estava em movimento e, graças ao seu chip, conseguiu "salvar" a imagem deixando o assunto mais nítido. Os exemplos de fotografias ainda não puderam ser divulgados.

Outra frente destacada pela companhia aos sites do exterior foram os recursos relacionados com a fala – a possibilidade de ditar palavras para serem escritas quase que instantaneamente ou a tradução em tempo real de um vídeo do francês para o inglês, por exemplo.

Sundar Pichai, presidente-executivo do Google, disse que o Tensor está em desenvolvimento há quatro anos e comparou seu tamanho com um clipe em um post feito nas redes sociais.

Mais detalhes sobre os novos celulares e o chip devem serão revelados nos próximos meses. A promessa do Google é de um telefone "mais útil do que nunca".

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domingo, 1 de agosto de 2021

Descumprir a Lei Geral de Proteção de Dados pode gerar punições a partir deste domingo

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Empresas que desrespeitarem a LGPD podem ser multadas em até R$ 50 milhões por infração, mas documento que define cálculo para esta sanção ainda não foi publicado. Autoridade de proteção de dados deve começar aplicando advertências.
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Por Alessandro Feitosa Jr, G1

Postado em 01 de agosto de 2021 às 10h00m

  *.- Post.N. -\- 4.092 -.* 

LGPD tem objetivo de proteger dados de cidadãos — Foto: Franck/Unsplash
LGPD tem objetivo de proteger dados de cidadãos — Foto: Franck/Unsplash

Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que estabelece regras sobre os uso dos dados pessoais dos brasileiros, está em vigor desde setembro de 2020. Mas só a partir deste domingo (1º) a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) poderá aplicar sanções a quem descumprir.

O prazo quase um ano foi determinado pelo Congresso para dar tempo de as empresas se adequarem à lei e para que a ANPD, órgão ligado à Presidência da República e formado em outubro de 2020, pudesse regulamentar algumas regras.

Apesar do fim desse período, especialistas ouvidos pelo G1 dizem que o órgão deve ter uma atuação "educativa" neste início. Por isso, as primeiras ações da ANPD contra denúncias sobre o uso irregular de dados devem ser de advertir as empresas – o tipo mais brando de sanção.

Uma resolução do órgão indicou que as penalidades serão aplicadas de forma "escalável", subindo de degrau em degrau, levando em consideração a gravidade do casos.

As multas ainda devem demorar para ocorrer porque não foi publicado o documento que estabelece como elas serão calculadas.

Hoje, dados pessoais são requeridos em diversas atividades do dia a dia. Qualquer empresa ou entidade que realiza cadastros com nome ou um documento de um cidadão, seja ele feito pela internet ou não, precisa seguir a LGPD, até mesmo órgãos ligados ao governo – que não podem ser multados, mas estão sujeitos a outras sanções. Veja ao fim da reportagem como denunciar.


Quais são as punições?

Caso haja descumprimento das regras, a ANPD pode abrir um processo administrativo, que pode culminar em uma penalização:

  • advertência;
  • publicidade da infração, que funciona como uma maneira de alertar a sociedade de que determinada empresa desrespeitou as regras;
  • multa simples, de até 2% do faturamento da empresa e que pode chegar a, no máximo, R$ 50 milhões por infração;
  • multa diária;
  • bloqueio dos dados pessoais referentes a infração;
  • eliminação dos dados pessoais referentes a infração;
  • suspensão do exercício da atividade de tratamento dos dados pessoais referentes a infração pelo período máximo de 6 meses, que pode ser estendido por outros 6 meses;
  • proibição parcial ou total do exercício de atividades relacionadas a tratamento de dados.

As empresas poderão se defender caso sejam processadas.

Se forem multadas, o valor não será pago para as pessoas que tiveram seus dados gerenciados de forma incorreta. Ele será destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), que financia projetos que tenham como objetivo reparação de danos ao consumidor, meio ambiente, patrimônio e outros.

Além disso, a multa não é a penalidade mais severa. O advogado e professor no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), Danilo Doneda, apontou ao G1 que uma sanção que obrigue uma empresa a interromper o uso de determinados dados pode ser mais efetiva do que a punição em dinheiro, já que irá interromper potenciais abusos no uso dessas informações.

Primeiro passo deve ser advertência

A ANPD irá seguir algumas diretrizes para aplicar sanções. Essas normas foram submetidas à consulta pública, mas ainda não foram publicadas.

A diretiva indica que as penalidades devem ser dadas em forma de pirâmide, como explica João Victor Archegas, pesquisador de direito e tecnologia do ITS-Rio (Instituto de Tecnologia e Sociedade).

"Vai começar com advertência e, a depender da extensão do dano, a depender também do tamanho do controlador [a empresa ou órgão que gerencia os dados] envolvido naquela violação, você começa a subir", afirmou.

O professor Danilo Doneda ressaltou que ainda faltam alguns passos até que as primeiras multas apareçam.

"A própria lei fala que, antes aplicar multa, a ANPD vai ter que publicar um documento dizendo como que será feito o cálculo das sanções em dinheiro. Enquanto isso não for feito, é bem pouco provável que [a autoridade] aplique multa, porque depois é fácil contestar", disse Doneda.

Em nota ao G1, a ANPD disse que a metodologia para o cálculo ainda será submetida à consulta pública e que não há um prazo para isso ocorrer.

Apesar disso, Doneda indicou ainda que, a partir de agora, o período de adaptação das empresas acabou e que qualquer infração à LGPD poderá gerar processos administrativos a partir da autoridade.

Archegas, do ITS-Rio, apontou que a ANPD não existe somente para aplicar sanções, mas tem o papel de educar a população sobre a importância da proteção de dados no dia a dia, publicar orientações de boas práticas de segurança e garantir que a proteção de dados continue se fortalecendo no país.

A ANPD está pronta?

A estrutura da ANPD foi publicada pelo presidente Jair Bolsonaro em agosto de 2020, e estabeleceu 36 cargos para o órgão.

Ao G1, a assessoria de imprensa da autoridade indicou que os responsáveis por monitorar o cumprimento da lei, receber denúncias e aplicar as sanções fazem parte da Coordenação-Geral de Fiscalização, setor com 3 cargos previstos no decreto, que já estão preenchidos.

O pesquisador João Victor Archegas indicou que a autoridade avançou em sua estrutura interna e está em contato com a sociedade, pesquisadores e tem publicado suas resoluções pra consulta pública.

"A tendência é que partir de 1º de agosto a ANPD tenha fôlego pra fazer valer todos os dispositivos da lei. É óbvio que, como qualquer outro órgão público, isso vai ser muito gradual e vai depender também da demanda", disse.

Para o professor Danilo Doneda, o órgão, com 36 servidores, ainda é muito pequeno se comparado com autoridades equivalentes de outros países, embora faça uma ressalva.

"Essas comparações são sempre difíceis de fazer. Cada país tem suas diferenças, cada lei também. Mesmo dando todos os descontos, é difícil imaginar que ANPD tenha gente suficiente para dar conta de um volume um pouco maior de reclamações. A gente pode falar isso com segurança, que tamanho ainda é uma coisa que preocupa", afirmou.

A ANPD é um órgão ligado à Presidência da República e ainda não tem orçamento próprio – esse, inclusive, é um dos objetivos listados na agenda da autoridade. Por isso, não há autonomia para adicionar novos servidores.

Posso fazer denúncias?

Sim, a ANPD recebe denúncias sobre o uso indevido de dados, mas existem dois sistemas separados para o envio dessas reclamações:

  1. Na página inicial da ANPD, há um link de "Denúncia" que leva ao sistema Fala.BR. Nele, o cidadão indica que quer enviar uma manifestação para a Autoridade Nacional de Proteção de Dados e descreve o problema;
  2. Há ainda uma página dedicada para "Reclamações" que indica a utilização do sistema de Peticionamento Eletrônico, que permite o envio de documentos de forma digital.

As denúncias podem ser feitas caso o cidadão acredite que seus dados estejam sendo utilizados indevidamente.

Mas há uma regra: é preciso tentar um contato direto com o controlador dos dados, ou seja, a empresa que está armazenando ou utilizando suas informações. É preciso comprovar a tentativa de contato ao fazer uso do sistema de Peticionamento Eletrônico, incluindo capturas de tela de e-mails não respondidos, por exemplo.

"Se não conseguir resolver, aí envia uma reclamação diretamente pra ANPD, que pode entrar em ação", disse João Victor Archegas.

Em casos de vazamentos de dados, a ANPD recomenda ainda que seja registrado um boletim de ocorrência. 
Somente a ANPD pode atuar em questões de proteção de dados?

Não. O professor Danilo Doneda explica que existem temas que são somados à proteção de dados, como é o caso do direito do consumidor.

A ANPD não destina valores de multas para as pessoas. Se um cidadão se sentir prejudicado e quiser buscar uma indenização, ele poderá procurar órgãos de defesa do consumidor ou a justiça para a reparação de danos.

Nesses casos, só há direito à indenização caso fique comprovado algum prejuízo sofrido.

É por isso que as multas previstas na LGPD só poderão ser aplicadas agora, mas a Justiça já condenou empresas tendo a lei como referência para as suas decisões.

Quais são os seus direitos segundo a LGPD:

VÍDEO: Já posso usar a LGPD para buscar os meus direitos?
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sábado, 31 de julho de 2021

O lado sombrio dos aplicativos de relacionamento

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As plataformas de relacionamento online apresentam muitas vantagens — mas têm um lado preocupante que pode deixar alguns usuários, sobretudo mulheres, abalados.
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TOPO
Por BBC

Postado em 31 de julho de 2021 às 17h45m

  *.- Post.N. -\- 4.091 -.* 

Os aplicativos de relacionamento eram populares antes da pandemia de covid-19, mas o isolamento forçado provocou um verdadeiro 'boom' — Foto: Getty Images via BBC
Os aplicativos de relacionamento eram populares antes da pandemia de covid-19, mas o isolamento forçado provocou um verdadeiro 'boom' — Foto: Getty Images via BBC

Os aplicativos de relacionamento eram populares antes da pandemia de covid-19, mas o isolamento forçado provocou um verdadeiro "boom".

O Tinder, aplicativo de relacionamento mais baixado do mundo, alcançou a marca de 3 bilhões de swipes (quando o usuário desliza a foto de um pretendente para a esquerda ou para a direita no intuito de curtir ou não) em um único dia, em março de 2020 — e bateu esse recorde mais de 100 vezes desde então.

Embora esses aplicativos tenham ajudado muitas pessoas a se conectar durante anos, alguns usuários alertam sobre o ambiente que criaram.

Isso vale especialmente para as mulheres, que sofrem uma quantidade desproporcional de assédio e abuso nas plataformas, na maioria das vezes por parte de homens heterossexuais.

"Os aspectos mais difíceis para mim envolviam ser tratada como se estivesse sendo usada para trabalho sexual gratuito", diz a escritora Shani Silver, de Nova York.

"Não é uma sensação boa. Machuca."

Apresentadora do podcast de relacionamento "A Single Serving", Silver usou aplicativos de relacionamento por uma década.

"Muitas vezes, me pediam um favor sexual antes de dizer "oi", antes de me dizerem seu nome verdadeiro. A maior parte do que estava acontecendo naquele mundo para mim era desdém — muito desdém, me faziam sentir que tinha menos valor."

Mensagens deste tipo proliferam entre as plataformas e afetam tanto homens quanto mulheres.

Mas as mulheres parecem ser afetadas de forma desproporcional. Dados de um estudo do Pew Research Center de 2020 confirmam que muitas sofrem algum tipo de assédio em sites e aplicativos de relacionamento.

Das mulheres com idades entre 18 e 34 anos que utilizam essas plataformas, 57% disseram ter recebido mensagens ou imagens sexualmente explícitas que não haviam pedido.

O mesmo acontece com meninas adolescentes de 15 a 17 anos, que também relatam ter recebido esse tipo de mensagem.

Um estudo australiano de 2018 sobre mensagens trocadas em plataformas de relacionamento revelou que o abuso e assédio sexista afetam desproporcionalmente as mulheres, que são alvo de homens heterossexuais.

Alguns usuários também relatam estresse psicológico — e experiências ainda mais extremas. Um estudo de 2017 do Pew Research Center indicou que 36% achavam suas interações "extremamente ou muito perturbadoras".

No estudo do Pew de 2020, mulheres de 18 a 35 também relataram uma grande ocorrência de ameaças de lesões corporais — 19% (em comparação com 9% dos homens).

E, de maneira geral, um estudo mostrou que homens cisgêneros heterossexuais e bissexuais raramente manifestavam preocupação com sua segurança pessoal ao usar aplicativos de relacionamento, enquanto as mulheres se preocupavam muito mais.

A escritora de cultura jovem Nancy Jo Sales ficou tão abalada com sua experiência nessas plataformas que escreveu um livro autobiográfico sobre o tema: Nothing Personal: My Secret Life in the Dating App Inferno ("Nada pessoal: Minha vida secreta no aplicativo de relacionamento Inferno", em tradução livre).

"Essas coisas se normalizaram tão rapidamente — coisas que não são normais e nunca deveriam ser normais, como a quantidade de abuso que acontece, e o risco e o perigo disso, não apenas físico, mas emocional", diz ela, citando as experiências que viveu.

Ela adverte que nem todo mundo em aplicativos de relacionamento está tendo experiências negativas, mas tem bastante gente que está — "precisamos falar sobre os danos".

Já que esse tipo de comportamento desconcertante estraga a experiência das mulheres em aplicativos de relacionamento, por que interações como essas conseguem se perpetuar?

Parte da resposta está na forma como essas plataformas são policiadas, tanto pelas empresas que as desenvolvem quanto pelas estruturas governamentais mais amplas.

Isso implica em efeitos prejudiciais para os usuários-alvo — e mudar a situação pode ser uma batalha árdua.

Quem se responsabiliza?

Há alguns mecanismos para reduzir esses problemas.

O Tinder, por exemplo, introduziu o machine learning (aprendizagem automática) para detectar mensagens e linguagem abusivas e, na sequência, pedir a quem escreveu para reconsiderar o conteúdo antes de enviá-la.

Em 2020, o Bumble adotou inteligência artificial para borrar imagens específicas e exigir o consentimento do usuário para visualizá-las.

De acordo com alguns estudos, as mulheres recebem um volume maior de mensagens de assédio do que os homens — Foto: Getty Images via BBC
De acordo com alguns estudos, as mulheres recebem um volume maior de mensagens de assédio do que os homens — Foto: Getty Images via BBC

Algumas plataformas também introduziram a verificação de usuário, em que combinam as fotos de um perfil com uma selfie fornecida pelo usuário (na qual ele é fotografado realizando uma ação altamente específica, para que a plataforma possa verificar a autenticidade da imagem).

A medida visa ajudar a prevenir golpes e abusos, já que os usuários não podem (em tese) se esconder atrás de identidades falsas.

A iniciativa é boa e "é melhor do que nada — mas acho que temos um longo caminho a percorrer", diz Silver. Muitos usuários concordam.

"A única coisa que temos à nossa disposição é um botão de bloqueio. E embora ele esteja lá e você possa bloquear as pessoas, o que não levamos em consideração é que, para bloquear alguém, você precisa sentir antes a negatividade da ação", diz ela.

Uma das maiores preocupações dos usuários é a violência sexual que pode ocorrer quando há um encontro presencial.

Embora haja um aumento no número de usuárias de aplicativos de relacionamento que tomam precauções como carregar seus telefones ou informar a família e amigos sobre seus planos, elas continuam vulneráveis ​​à violência sexual.

Em 2019, o departamento de jornalismo da Universidade Columbia, em Nova York, e o site de notícias ProPublica descobriram que o Match Group, que possui cerca de 45 aplicativos de relacionamento, só checa se há criminosos sexuais em seus aplicativos pagos, e não em plataformas gratuitas como Tinder, OKCupid e Hinge.

Essas descobertas levaram a uma investigação por parte de parlamentares americanos em maio de 2021, após a qual eles apresentaram um projeto de lei que exigiria que as plataformas de relacionamento aplicassem suas regras destinadas a prevenir fraudes e abusos.

Mas há uma brecha na lei americana de internet, a seção 230 da Lei de Decência das Comunicações, que determina que os sites não podem ser responsabilizados por danos causados ​​a terceiros por meio de suas plataformas.

Isso significa que essa indústria multibilionária em grande parte não é responsabilizada por interações abusivas — e cabe às plataformas introduzir medidas como as que o Tinder e o Bumble implementaram algumas delas.

(A BBC entrou em contato com seis aplicativos de relacionamento online diferentes, mas todos se recusaram a ser entrevistados para este artigo.)

A seção 230 é controversa — e há muitos apelos atualmente para atualizá-la ou eliminá-la por completo.

Muitos argumentam que a regra, que teve origem na década de 1990, está desatualizada porque as plataformas, assim como as pessoas as utilizam, evoluíram substancialmente.

Por enquanto, diz Sales, "é como uma terra sem lei".

As coisas podem melhorar?

Atualmente, a maioria dos usuários não está protegida além das medidas de triagem que cada plataforma escolhe implementar. Muitos, é claro, estão encontrando conexões positivas — e até relacionamentos duradouros.

Mas, em geral, os usuários ainda utilizam as plataformas por sua própria conta e risco, sobretudo em países sem proteções explícitas.

Além dos avanços jurídicos e das medidas corporativas de segurança, também há mudanças culturais que podem fazer a diferença e ajudar a proteger as mulheres e outros usurários dessas plataformas, tanto online quanto offline.

Os homens precisam ser informados sobre como suas ações estão afetando as usuárias com as quais se comunicam: eles subestimam dramaticamente o impacto de seu abuso.

Noções arraigadas sobre papéis de gênero e uma atitude social frequentemente misógina devem ser desconstruídas para que um avanço maior aconteça — o que também significa que as mulheres precisam parar de aceitar esse tipo de interação como algo que "faz parte", por assim dizer.

Para Silver, o abuso foi o suficiente. Ela saiu das plataformas, abruptamente, cerca de dois anos atrás. E não olhou para trás.

"Nunca me deram nada de bom. Então, por que eu continuava dando a elas acesso a mim, minha vida, meu tempo, meu dinheiro?", questiona.

"E quando me fiz essa pergunta, realmente coloquei as coisas em perspectiva para mim. Foi a primeira vez que fui capaz de deletar (os aplicativos), e nunca senti sequer uma pequena vontade de baixar novamente."

E conclui: "Parece dramático, mas é como se eu tivesse recuperado minha vida de volta."

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