Com a conexão ultrarrápida, a previsão é de muitas novidades: carros que podem dirigir sozinhos, cirurgias feitas à distância e uma infinidade de dispositivos ligados à internet ao mesmo tempo.
Brasileiros que vivem em Japão, Estados Unidos e Suíça contaram ao g1 como é poder usar o 5G no dia a dia. Para eles, o que chama mais atenção é a grande velocidade da internet, mas a esperada "revolução" ainda não aconteceu.
Aumenta 'vício' e pega até no Alasca
A arquiteta Camila Delvaz, de 35 anos, mora em Nova York e usa o 5G
desde novembro passado. Ela aprova a nova tecnologia e diz que consegue
ver filmes e seriados na qualidade máxima sem precisar se conectar ao
wi-fi.
"O negativo é aumentar o vício em se manter conectada", diz. Em viagens nos Estados Unidos, ela já passou por Utah, Arizona, Nevada e até o remoto estado do Alasca.
"Eu fiquei impressionada, para ser sincera, que pegou em muito mais lugares do que eu imaginava", afirma Camila.
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A arquiteta Camila Delvaz usou 5G até no Alasca — Foto: Arquivo pessoal / Camila Delvaz
Ela
comenta que o sinal tem alguns "buracos" em regiões mais desabitadas,
mas não é algo exclusivo do 5G. "Não pegava em todos os lugares, mas não
apenas o 5G. Isso acontece em regiões onde o celular não funciona",
explica.
Vivendo em uma rotina de viagens entre Nova York e Miami, o economista e
diretor de RH Daniel Rodrigues Ribeiro, de 34 anos, começou a usar a
tecnologia neste ano, e ainda sente falhas.
"Ele
[o 5G] é mais rápido, quando pega. Ainda é uma tecnologia muito nova, e
a cobertura não é tão boa como a do 4G, que já está em todos os
lugares", conta o brasileiro.
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O economista e diretor de RH, Daniel Rodrigues Ribeiro, de 34 anos, diz
que 5G é bem rápido — Foto: Arquivo Pessoal / Daniel Ribeiro
Restrito a grandes cidades no Japão
A falta de uma cobertura em toda a área de um país não é exclusividade dos EUA. Brasileiros que vivem no Japão relatam que por lá a tecnologia ainda tem foco nas grandes cidades.
"Quando
estou trocando de região, para uma em que não funciona 5G, a internet
dá uma falhada quando volta para o 4G", conta a influencer Isabella
Borrego, de 24 anos. Ela vive em Kanagawa, na região metropolitana de
Tóquio.
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Influencer Isabella Borrego, de 24 anos, diz que sinal pode falhar
quando muda para o 4G — Foto: Arquivo pessoal / Isabella Borrego
Em Oizumi, na província de Gunma, a 70 km da capital japonesa, a quinta
geração de banda larga móvel ainda não chegou, conta a também
influencer Aline Duarte, de 26 anos.
Ao
contrário dos EUA, onde os preços se mantiveram os mesmos, segundo os
entrevistados, no Japão houve algum aumento de valor para usar o 5G.
"Mudou coisa de mil e pouco ienes [mais de R$ 50] para ter o chip com 5G", diz Aline.
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A influencer Aline Duarte, de 26 anos, não consegue usar o 5G em cidade
a 70 km de Tóquio — Foto: Arquivo pessoal / Aline Duarte
Mas faz tanta diferença assim?
O cinegrafista Fábio Rogério Saheki, de 37 anos, morou no Japão por 20
anos e acaba de voltar ao Brasil. Ele acompanhou as evoluções
tecnológicas do país asiático nas últimas décadas, inclusive a chegada
do 5G.
"Eu
não senti muita diferença. Particularmente, o que senti é que vídeos do
YouTube abriam mais rápido. Mas, realmente, não senti uma diferença
grande, nada absurdo", comenta. "Para outras pessoas, que fazem um tipo
de uso mais intenso de dados, pode ser que dê uma diferença".
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O cinegrafista Fábio Rogério Saheki, de 37 anos, morou no Japão por 20
anos, e viu chegada do 5G — Foto: Arquivo pessoal / Fábio Saheki
Um dos primeiros efeitos para quem usa o 5G é chamada baixa latência da
rede. É aquele tempo mínimo de resposta entre um aparelho e os
servidores de internet – o "delay" que acontece em ligações em vídeo,
quando é preciso esperar uns segundos até que a pessoa do outro lado
veja e ouça o que falamos.
Para o economista Daniel Ribeiro, que vive nos EUA, a tecnologia tem
ajuda bastante no dia-dia. "Os vídeos são mais rápidos. Usamos muito
Zoom e Teams. Nessas videoconferências, a ligação fica com maior
qualidade", diz Daniel.
No lugar do wi-fi
Mesmo que o 5G seja muito potente e prometa velocidades maiores — de
até 100 vezes em relação ao 4G —, a tendência é que a rede móvel sirva
como um complemento ao wi-fi.
O gestor de desenvolvimento de produtos Fernando Souza, que vive em Lucerna, na Suíça, tem "desapegado" de encontrar as redes de internet fixa.
"Como
positivo é não precisar de wi-fi para nada, nem mesmo para trabalho
remoto onde quer que você esteja, como num café ou num parque", comenta
Fernando.
Ele não teve que trocar de aparelho para usar o 5G por já ter uma
modelo acessível à conexão, mas a maior parte dos entrevistados precisou
comprar novo smartphone compatível com a tecnologia (veja modelos que comportam o 5G à venda no Brasil).
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Fernando Souza, gestor de desenvolvimento de produtos, que vive em
Lucerna, na Suíça, tem usado 5G no lugar do Wi-FI — Foto: Arquivo
pessoal / Fernando Souza
Uma transição para o '5G puro'
A maioria dos locais em que a conexão 5G está disponível utiliza o
padrão DSS (Compartilhamento Dinâmico de Espectro, da sigla em inglês),
que oferece maiores velocidades, mas utiliza a infraestrutura existente
do 4G. É o caso de algumas cidades brasileiras, por exemplo.
O 5G DSS não chega a entregar o potencial máximo do 5G, que só é
atingido com a instalação de uma infraestrutura para o 5G SA
(standalone, ou autossuficiente, na tradução para o português).
Isso explica o porquê de muitos avanços prometidos pela nova geração de
banda larga ainda estarem "engatinhando". A Opensignal, empresa que
analisa a qualidade das conexões de internet, disse ao g1 que
a maioria das redes 5G SA estão na China e que há um investimento
intenso da tecnologia nos Estados Unidos pela operadora T-Mobile.