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sexta-feira, 25 de março de 2022

Celulares sem conexão estão ressurgindo no mundo hiperconectado

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Por que as vendas de celulares bem básicos, sem aplicativos e conexão com a internet, estão aumentando.
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TOPO
Por BBC

Postado em 25 de março de 2022 às 13h10m

Post. N. - 4.308

O telefone Nokia 3310 é um dos aparelhos celulares mais vendidos de todos os tempos: 126 milhões de unidades — Foto: Getty Images via BBC
O telefone Nokia 3310 é um dos aparelhos celulares mais vendidos de todos os tempos: 126 milhões de unidades — Foto: Getty Images via BBC

Robin West tem 17 anos de idade e é uma pessoa diferente das demais — ela não tem um smartphone (telefone inteligente).

Em vez de rolar a tela em aplicativos como TikTok e Instagram o dia inteiro, ela usa o chamado "telefone burro".

São aparelhos celulares básicos, telefones comuns, com funções muito limitadas em comparação, por exemplo, com um iPhone. Tipicamente, você pode apenas fazer e receber ligações e trocar mensagens de texto por SMS. E, se você tiver sorte, poderá ouvir rádio e tirar fotos muito simples, mas certamente não se conectará à internet, nem terá aplicativos.

Esses aparelhos são similares a alguns dos primeiros telefones celulares que as pessoas compravam no final da década de 1990.

A decisão de West de abandonar seu smartphone dois anos atrás foi tomada de impulso. Ela estava procurando um aparelho substituto em uma loja de telefones usados quando foi atraída pelo baixo preço de um telefone do tamanho de um tijolo.

Estes telefones são de 2005 - dois anos antes do lançamento do primeiro iPhone da Apple e 11 anos antes de surgir o TikTok — Foto: Getty Images via BBC
Estes telefones são de 2005 - dois anos antes do lançamento do primeiro iPhone da Apple e 11 anos antes de surgir o TikTok — Foto: Getty Images via BBC

Seu aparelho atual é da empresa francesa MobiWire e custou apenas 8 libras (R$ 51). E, como ele não tem as funcionalidades dos smartphones, ela não precisa se preocupar com contas mensais de acesso à internet com alto valor.

"Só quando comprei um telefone 'burro' é que percebi o quanto o smartphone estava ocupando a minha vida", ela conta. "Eu tinha muitos aplicativos de redes sociais e não conseguia fazer minhas tarefas porque estava sempre ao telefone."

West, que mora em Londres, não acredita que vá comprar outro smartphone algum dia. "Estou satisfeita com meu tijolo — não acho que ele imponha limitações. Certamente estou mais proativa."

Robin West conta que seus amigos continuam perguntando quando ela irá comprar um novo smartphone — Foto: Robin West via BBC
Robin West conta que seus amigos continuam perguntando quando ela irá comprar um novo smartphone — Foto: Robin West via BBC

Os telefones "burros" estão ressurgindo. As buscas por eles no Google saltaram em 89% entre 2018 e 2021, segundo um relatório da empresa de software norte-americana Semrush.

Os números de vendas são difíceis de encontrar, mas um relatório afirma que as vendas globais de telefones "burros" estavam a ponto de atingir um bilhão de unidades no ano passado, em comparação com 400 milhões em 2019. Paralelamente, foram vendidos em todo o mundo 1,4 bilhão de smartphones em 2021, após uma redução de 12,5% em 2020.

Além disso, um estudo feito em 2021 pelo grupo contábil Deloitte concluiu que um em cada 10 usuários de telefones celulares no Reino Unido tem um telefone "burro".

"Parece que a moda, a nostalgia e o fato deles aparecerem em vídeos no TikTok colaboram no ressurgimento dos telefones 'burros'", segundo Ernest Doku, especialista em telefones celulares do site de comparação de preços Unswitch.com. "Muitos de nós tivemos um telefone 'burro' como nosso primeiro celular e é natural sentirmos um pouco de nostalgia com relação a esses aparelhos clássicos."

Doku afirma que o relançamento do modelo 3310 da Nokia em 2017 — lançado pela primeira vez em 2000 e um dos telefones celulares mais vendidos de todos os tempos — realmente incentivou esse renascimento. Para ele, "a Nokia ofereceu o 3310 como uma alternativa acessível em um mundo cheio de telefones celulares muito avançados".

Ele reconhece que os telefones "burros" não podem competir com os últimos modelos da Apple e da Samsung em termos de desempenho ou funcionalidade, "mas eles podem superá-los em questões igualmente importantes, como o consumo de bateria e a durabilidade".

Cinco anos atrás, o psicólogo Przemek Olejniczak trocou seu smartphone por um Nokia 3310, inicialmente devido ao seu menor consumo de bateria. Mas ele logo percebeu que havia outros benefícios.

Przemek Olejniczak admite que agora ele se planeja melhor antes de viajar — Foto: Przemek Olejniczak via BBC
Przemek Olejniczak admite que agora ele se planeja melhor antes de viajar — Foto: Przemek Olejniczak via BBC

"Antes, eu ficava sempre preso ao telefone, verificando tudo e qualquer coisa, navegando pelo Facebook, pelas notícias ou por outros fatos que eu não precisava saber", ele conta. "Agora, tenho mais tempo para mim e para minha família. Um enorme benefício é que não sou viciado em curtir, compartilhar, comentar ou descrever minha vida para outras pessoas. Agora, tenho mais privacidade."

Mas Olejniczak, que vive em Lodz, na Polônia, admite que, inicialmente, a mudança foi um desafio. "Antes, eu verificava tudo, como ônibus e restaurantes, no meu smartphone [durante a viagem]. Agora que não é mais possível, aprendi a fazer tudo isso com antecedência em casa. E me acostumei com isso."

'Espécie superior que controla os humanos'

A companhia Light Phone, de Nova York, nos Estados Unidos, é um fabricante de telefones "burros". Um pouco mais inteligentes que o padrão para esses produtos, seus aparelhos permitem que os usuários ouçam música e podcasts e os conectem aos seus fones de ouvido Bluetooth.

Mas a empresa afirma que seus telefones "nunca terão redes sociais, notícias para atrair cliques, e-mail, navegadores da internet, nem outros feeds infinitos para induzir a ansiedade".

A Light Phone afirma que a venda dos seus aparelhos, como o da foto, disparou — Foto: Light Phone via BBC
A Light Phone afirma que a venda dos seus aparelhos, como o da foto, disparou — Foto: Light Phone via BBC

A companhia afirma que registrou em 2021 seu melhor desempenho financeiro em um ano, com aumento das vendas de 150% em comparação com 2020. Isso, apesar do alto custo dos seus aparelhos, em termos de telefones "burros". Seus preços começam em US$ 99 (R$ 478).

Um dos fundadores da Light Phone, Kaiwei Tang, afirma que o aparelho foi criado inicialmente para uso como telefone secundário - para pessoas que quisessem desligar-se do seu smartphone no fim de semana, por exemplo. Mas, agora, a metade dos clientes da empresa usa o aparelho como telefone principal.

Kaiwei Tang, um dos fundadores da Light Phone, brinca que muitas pessoas são controladas pelos seus smartphones — Foto: Kaiwei Tang via BBC
Kaiwei Tang, um dos fundadores da Light Phone, brinca que muitas pessoas são controladas pelos seus smartphones — Foto: Kaiwei Tang via BBC

"Se extraterrestres viessem para a Terra, eles pensariam que os telefones celulares são a espécie superior que controla os seres humanos", afirma ele. "E isso não irá parar, só irá ficar pior. Os consumidores estão percebendo que algo está errado e queremos oferecer uma alternativa."

Tang acrescenta que, surpreendentemente, os principais clientes da empresa têm idade entre 25 e 35 anos. Ele esperava que seus clientes seriam muito mais velhos.

Para a especialista em tecnologia Sandra Wachter, pesquisadora sênior na área de inteligência artificial da Universidade de Oxford, no Reino Unido, é compreensível que algumas pessoas estejam procurando telefones celulares mais simples.

"Pode-se afirmar de forma razoável que, atualmente, a capacidade de um smartphone de completar chamadas e enviar mensagens curtas é quase uma função secundária", explica ela. "O smartphone é o seu centro de entretenimento, gerador de notícias, sistema de navegação, agenda, dicionário e carteira."

Ela acrescenta que os smartphones sempre "querem chamar nossa atenção" com notificações, atualizações e notícias de última hora interrompendo constantemente o seu dia. "Isso pode manter você apreensivo e até agitado. Você pode se sentir sobrecarregado."

Sandra Wachter afirma que é compreensível que algumas pessoas se sintam "sobrecarregadas" pelos seus smartphones — Foto: Sandra Wachter via BBC
Sandra Wachter afirma que é compreensível que algumas pessoas se sintam "sobrecarregadas" pelos seus smartphones — Foto: Sandra Wachter via BBC

Wachter acrescenta: "faz sentido que algumas pessoas estejam agora procurando tecnologias mais simples e acreditem que os telefones 'burros' podem representar um retorno a tempos mais simples. Eles poderão oferecer mais tempo para que as pessoas se concentrem em uma única tarefa e se dediquem a ela mais objetivamente. Eles poderão até acalmar as pessoas. Estudos demonstraram que a quantidade excessiva de escolhas pode criar infelicidade e agitação."

De volta a Londres, Robin West afirma que muitas pessoas ainda estão perplexas com sua escolha de aparelho celular. "Todos acham que é algo temporário. Eles perguntam: 'então, quando você vai comprar um smartphone? Você vai comprar um esta semana?'"

Com reportagem adicional de Will Smale, editor da série New Tech Economy, da BBC News.

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quarta-feira, 23 de março de 2022

Rússia bloqueia plataforma de notícias Google News

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Órgão regulador de comunicações do país, Roskomnadzor, acusa plataforma de permitir acesso ao que chama de "material falso sobre a operação militar do país na Ucrânia".
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Por g1

Postado em 23 de março de 2022 às 17h45m

Post. N. - 4.307

Fachada do Google em Nova York. — Foto: REUTERS/Brendan McDermid
Fachada do Google em Nova York. — Foto: REUTERS/Brendan McDermid

O órgão regulador de comunicações da Rússia, Roskomnadzor, bloqueou nesta quarta-feira (23) o Google News, de propriedade da Alphabet.

Conforme a agência de notícias Interfax, a Roskomnadzor acusa a plataforma de permitir acesso ao que chama de "material falso sobre a operação militar do país na Ucrânia".

A agência ainda afirmou que Roskomnadzor agiu a pedido do gabinete do procurador-geral da Rússia.

"O recurso de notícias online americano em questão forneceu acesso a inúmeras publicações e materiais contendo informações inautênticas e publicamente importantes sobre o curso da operação militar especial no território da Ucrânia", disse a Interfax citando o regulador.

O governo de Vladimir Putin diz que a invasão ao país vizinho se trata de uma "operação militar especial". Por isso, uma nova lei russa torna ilegal relatar qualquer evento que possa desacreditar os militares russos.

O Google afirmou nesta quarta-feira (23) que não ajudará sites, aplicativos e canais do YouTube a vender anúncios junto com conteúdo que considere explorar, rejeitar ou tolerar o conflito Rússia-Ucrânia em andamento.

"Podemos confirmar que estamos tomando medidas adicionais para esclarecer e, em alguns casos, expandir nossas diretrizes de monetização relacionadas à guerra na Ucrânia", disse à agência Reuters o porta-voz do Google, Michael Aciman.

Em um e-mail para editores visto pela Reuters, o Google disse ainda que os anúncios não seriam exibidos ao lado, por exemplo, de "alegações que implicam que as vítimas são responsáveis ​​por sua própria tragédia ou instâncias semelhantes de culpabilização das vítimas, como alegações de que a Ucrânia está cometendo genocídio ou atacando deliberadamente seus próprios cidadãos.

A plataforma também proíbe anúncios que capitalizam eventos sensíveis e aplicou essa política à guerra.

Autoridades russas de alto escalão dizem que a mídia ocidental deturpou o conflito na Ucrânia, que chama de "operação especial" para desmilitarizar o país.

Muitos dos principais serviços de publicidade e mídia social ocidentais anunciaram novos conteúdos e restrições de pagamento em torno do conflito, incluindo o bloqueio da mídia estatal russa RT e Sputnik na União Europeia. No início deste mês, o Google disse que parou de vender todos os anúncios online na Rússia.

Sites bloqueados

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante reunião em Moscou — Foto: Mikhail Klimentyev, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante reunião em Moscou — Foto: Mikhail Klimentyev, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP

No dia 16 de março, a Roskomnadzor bloqueou sites de pelo menos 15 veículos de comunicação, constatou a AFP.

As páginas online do veículo investigativo Bellingcat, de jornais locais russos e de veículos em russo baseados em Israel e na Ucrânia estavam inacessíveis sem uma rede privada virtual (VPN, na sigla em inglês).

Entre os sites com sede na Rússia que foram bloqueados estavam o canal independente Kavkazki Ouzel, que cobre o Cáucaso, e um canal regional baseado nos Urais.

A Roskomnadzor também suspendeu o acesso a dois canais russófonos baseados em Israel, onde há uma comunidade significativa que migrou da antiga União Soviética: 9 TV Channel Israel e Vesty Israel.

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terça-feira, 22 de março de 2022

O que é o WhatsApp GB e quais são os riscos de usar a versão pirata do aplicativo

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No Twitter, usuários relatam que tiveram seus números banidos no WhatsApp. Especialista alerta para o risco de segurança envolvido no uso da versão alternativa.
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Por Tiago Alcantara, g1

Postado em 22 de março de 2022 às 13h05m

Post. N. - 4.306

Versão alternativa do WhatsApp promete novos recursos, mas pode fazer usuários terem contas banidas — Foto: Dado Ruvic/Reuters
Versão alternativa do WhatsApp promete novos recursos, mas pode fazer usuários terem contas banidas — Foto: Dado Ruvic/Reuters

O WhatsApp está banindo usuários que baixarem versões alternativas do seu aplicativo. De acordo com relatos no Twitter, a plataforma de mensagens está bloqueando contas que acessarem o serviço por meio do app chamado "WhatsApp GB".

O nome do aplicativo figura, inclusive, entre os principais assuntos comentados na rede social desde a última segunda-feira (21). O WhatsApp GB é uma espécie de clone da plataforma de mensagens desenvolvida pela Meta.

O aplicativo se conecta a uma conta de WhatsApp e acrescenta funções, como: agendamento de mensagens, a possibilidade de esconder o status online e conectar mais de um número de telefone ao mesmo perfil.

A versão só está disponível para celulares com Android. O app precisa ser baixado fora da Play Store, loja oficial de aplicativos do Google. Esse fato, por si só, já configura um risco para a segurança dos usuários, aponta Thiago Ayub, especialista em segurança consultado pelo g1 (leia mais a seguir).

O time de comunicação da empresa alerta que não existe nenhuma outra versão oficial do aplicativo a não ser o WhatsApp Messenger e o WhatsApp Business. As duas estão disponíveis nas lojas de aplicativos de Google e da Apple. Ainda é possível acessar o comunicador pela internet na versão Web.

A empresa justifica a falta de suporte ao WhatsApp GB e outros aplicativos semelhantes por não conseguir garantir a segurança desse tipo de app alternativo.

Os aplicativos [como o WhatsApp GB] não compatíveis são versões modificadas do WhatsApp. Eles foram desenvolvidos por terceiros e violam nossos Termos de Serviço. O WhatsApp não é compatível com esses aplicativos porque não podemos validar as medidas de segurança implementadas por eles, explica a companhia em comunicado. 
Riscos para a segurança

Para o especialista em segurança Thiago Ayub, esse tipo de aplicativo pode ser um terreno fértil para criminosos explorarem vulnerabilidades. Mesmo que seus criadores tenham boas intenções, softwares como o WhatsApp GB podem ser uma porta de entrada para as contas e até para os celulares dos usuários.

"A questão é que as comunicações trocadas no WhatsApp são sigilosas, passar isso para uma segunda empresa que você não conhece e que não tem a confiança, abre sempre um risco", explica Ayub.

Outro ponto relevante é os usuários precisam procurar e baixar os arquivo desses softwares em sites que nem sempre são confiáveis. Ayub não descarta a possibilidade de hackers usarem o aplicativo para inserirem softwares maliciosos ou mesmo usar o tema como isca para as vítimas.

"Já tivemos casos de um grupo criar um malware, embutir no software e a própria fabricante não perceber ou mesmo de inserir no mecanismo usado para download", conta o especialista. "Na loja oficial há um sistema de checagem sobre a segurança do aplicativo".

O especialista ainda aponta que empresas como a Meta não podem ser responsabilizadas caso ocorram vazamento de dados associados ao uso de apps como o WhatsApp GB e outros que realizam funções semelhantes.

Contas banidas

De acordo com as páginas de ajuda do WhatsApp, usuários que receberam a mensagem de "temporariamente banido" podem mudar para a versão oficial do aplicativo para restabelecer sua conexão. Quem continuar usando o WhatsApp GB ou semelhante pode ser banido de forma permanente.

A empresa também recomenda que os usuários façam um backup do histórico de suas conversas antes da migração.

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