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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

O pedido de desculpas de Mark Zuckerberg a famílias de crianças prejudicadas por redes sociais

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Mark Zuckerberg, CEO da Meta – que administra o Instagram e o Facebook –, disse para pais cujos filhos foram prejudicados pelas redes sociais que "ninguém deveria passar" pelo que eles passaram.
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TOPO
Por BBC

Postado em 01 de fevereiro de 2024 às 11h00m

Post. N. - 4.828

Zuckerberg disse a pais de filhos prejudicados pelas redes sociais que 'ninguém deveria passar' pelo que eles passaram — Foto: TASOS KATOPODIS/EPA-EFE/REX/SHUTTERSTOCK
Zuckerberg disse a pais de filhos prejudicados pelas redes sociais que 'ninguém deveria passar' pelo que eles passaram — Foto: TASOS KATOPODIS/EPA-EFE/REX/SHUTTERSTOCK

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, pediu desculpas a famílias que dizem que seus filhos foram prejudicados pelas redes sociais, durante audiência no Senado dos Estados Unidos.

Zuckerberg – que administra o Instagram e o Facebook – virou-se para pais de filhos presentes na audiência e disse que "ninguém deveria passar" pelo que eles passaram.

Ele e os diretores do TikTok, Snap, X e Discord foram interrogados durante quase quatro horas por senadores dos dois partidos.

Os parlamentares querem saber o que as empresas estão fazendo para proteger as crianças nas suas plataformas na internet.

Está em tramitação no Congresso uma legislação que busca responsabilizar as empresas de mídia social pelo material postado em suas plataformas.

A audiência de quarta-feira (31/1) foi uma rara oportunidade para os senadores dos EUA questionarem os chefes das empresas de tecnologia.

Zuckerberg e o CEO do TikTok, Shou Zi Chew, concordaram voluntariamente em dar seu depoimento – mas os diretores do Snap, X (antigo Twitter) e da plataforma de mensagens Discord inicialmente recusaram e foram intimados.

Sentados atrás dos cinco diretores das gigantes de tecnologia estavam famílias que disseram que seus filhos se machucaram ou se mataram como resultado de conteúdo nas redes sociais.

Os pais se manifestaram o tempo todo durante a audiência — vaiando quando os CEOs entraram e aplaudindo quando os legisladores fizeram perguntas difíceis.

Embora a audiência tenha se concentrado principalmente na proteção das crianças contra a exploração sexual online, as questões variaram bastante, com os senadores aproveitando a oportunidade de ter cinco executivos poderosos sob juramento.

Shou Zi Chew, diretor do TikTok (que pertence à empresa chinesa ByteDance), foi questionado se sua empresa compartilhava dados de usuários dos EUA com o governo chinês, o que ele negou.

O senador Tom Cotton perguntou a Chew, que é de Singapura, se alguma vez ele pertenceu ao Partido Comunista Chinês.

"Senador, sou de Siganpura. Não", respondeu Chew.

Cotton então perguntou: "Você já foi associado ou afiliado ao Partido Comunista Chinês?"

Chew respondeu: "Não, senador. Mais uma vez, sou de Singapura."

Ele acrescentou que, como pai de três filhos pequenos, sabia que as questões em discussão eram "horríveis e o pesadelo de todos os pais".

Ele afirmou que seus próprios filhos não usavam o TikTok por causa das regras em Singapura, que proíbem menores de 13 anos de criar contas.

Pais de filhos que se machucaram ou se mataram por causa de redes sociais se manifestaram na audiência — Foto: Getty Images
Pais de filhos que se machucaram ou se mataram por causa de redes sociais se manifestaram na audiência — Foto: Getty Images

Senadores frustrados

O foco da audiência foi a atitude das empresas em relação à legislação de segurança online atualmente em tramitação no Congresso.

Isso foi resumido em um debate tenso entre Jason Citron, da empresa Discord, e o legislador republicano Lindsey Graham.

Graham listou uma série de projetos de lei em tramitação no Congresso relacionados à segurança online, perguntando se Citron os apoiava ou não.

Embora Graham tenha dado poucas oportunidades a Citron para responder, o chefe do Discord parecia ter reservas sobre a maioria deles.

Graham concluiu: "Então aqui está – se vocês esperam que esses caras resolvam o problema, vamos morrer esperando".

Antes da audiência, Meta anunciou novas medidas de segurança, incluindo que menores de idade não poderão receber mensagens de estranhos no Instagram e no Messenger.

O analista da indústria de mídia social Matt Navarra disse à BBC que acha que a audiência se assemelha a muitos outros confrontos — com exibição de muita arrogância por parte dos políticos e com Zuckerberg aproveitando uma oportunidade perfeita para aparecer nas fotos do noticiário, com seu pedido de desculpas, segundo ele.

O especialista diz que, apesar dos senadores concordarem com a necessidade de uma legislação bipartidária para regular as plataformas, não se sabe o que será decidido no futuro.

"Vimos essas audiências repetidas vezes, até agora, elas ainda não geraram nenhuma regulamentação significativa ou substancial", disse ele.

"Estamos em 2024 e os EUA praticamente não têm regulamentação, como foi apontado nas audiências, no que diz respeito às empresas de mídia social."

Na audiência, os diretores revelaram quantas pessoas contrataram para moderar o conteúdo em suas plataformas.

Meta e TikTok, com o maior número de usuários das plataformas representadas, disseram ter 40 mil moderadores cada; o Snap disse ter 2.300, o X, 2 mil e o Discord – que alegou ser uma plataforma menor – disse que tinha "centenas" de moderadores.

O Discord é uma plataforma de mensagens e já foi questionado no passado sobre como detecta e previne o abuso infantil em sua plataforma.

Após a audiência, alguns dos pais que estavam na sala organizaram uma manifestação do lado de fora, com vários apelando aos legisladores para aprovarem urgentemente legislação para responsabilizar as empresas.

"Assim como eu fazia antes, muitos pais continuam pensando que esses danos de que estamos falando hoje não afetarão suas famílias", disse Joann Bogard, cujo filho Mason morreu em maio de 2019. Ela disse que Mason participou de uma corrente no TikTok sobre asfixia.

"Esses danos estão acontecendo da noite para o dia com crianças comuns", disse ela. "Temos os testemunhos. Agora é a hora de nossos parlamentares aprovarem a Lei de Segurança Online para Crianças".

Arturo Béjar, um ex-funcionário de alto escalão da Meta que testemunhou no Congresso em novembro de 2023, também estava na audiência de quarta-feira e disse à BBC: "A Meta está tentando transferir aos pais sua responsabilidade de fornecer um ambiente seguro para os adolescentes, mas não adiciona um botão onde um adolescente pode dizer que sofreu uma abordagem indesejada."

"Como eles podem tornar esse ambiente seguro para os adolescentes sem isso?"

Durante a audiência desta semana, a Meta disse que criou "mais de 30 ferramentas" para gerar um ambiente seguro para adolescentes na internet.

Mark Zuckerberg pede desculpas por danos causados em suas redes sociais

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quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Xiaomi lança Redmi Note 13 com câmera de até 200 MP; veja preços no Brasil

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Representante oficial da empresa no país apresentou três modelos: Redmi Note 13, Note 13 5G e Note 13 Pro 5G. Preços começam em R$ 1.299 e chegam a R$ 3.299 na versão mais completa.
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Por Darlan Helder, g1 — São Paulo

Postado em 31 de janeiro de 2024 às 22h00m

Post. N. - 4.827

Novo Xiaomi Redmi Note 13 Pro 5G — Foto: Darlan Helder/g1
Novo Xiaomi Redmi Note 13 Pro 5G — Foto: Darlan Helder/g1

A Xiaomi anunciou nesta quarta-feira (31) novos celulares intermediário premium no Brasil. Ao todo, são três modelos: Redmi Note 13, Note 13 5G e Note 13 Pro 5G, que são considerados os aparelhos carro-chefe da marca no país.

Os smartphones têm tela AMOLED de 6,67 polegadas, desbloqueio facial com inteligência artificial (IA) e câmera principal de até 200 MP no modelo mais caro. Vale observar que o Redmi Note 13 é o único com conexão 4G.

Os preços começam em R$ 1.299 e chegam a R$ 3.299 na versão mais completa (veja todos os valores ao final da reportagem).

Em entrevista ao g1, Thiago Araripe, gerente de marketing da Xiaomi no Brasil, revela que a linha Redmi já ultrapassou a marca de 340 milhões de unidades vendidas no mundo. "A família Redmi é a de maior sucesso da marca no Brasil também", conta.

Principais configurações

Novo Xiaomi Redmi Note 13 Pro 5G — Foto: Darlan Helder/g1
Novo Xiaomi Redmi Note 13 Pro 5G — Foto: Darlan Helder/g1

Assim como em outros modelos dessa categoria, os novos Redmi Note 13 têm como destaque tela, câmeras e bateria. O mais avançado da família, Redmi Note 13 Pro 5G, tem como destaque a câmera principal que produz fotos de até 200 MP.

A empresa diz que a "tecnologia de zoom integrada dos sensores proporciona efeitos sem que se perca a qualidade de imagem. Dessa forma, é possível capturar os detalhes de paisagens distantes para criar ainda mais possibilidades".

Questionado pelo g1 sobre a tecnologia de reconhecimento facial com inteligência artificial, Thiago Araripe afirma que a IA aprimora a segura, "mapeando mais rapidamente o rosto do usuário".

Sobre bateria e carregamento, o Redmi Note 13 e o Note 13 5G vêm com carregador de 33 watts de potência. No modelo mais potente, esse número avança para 67 watts.

Xiaomi opera com representante no Brasil

Nova linha Xiaomi Redmi Note 13 — Foto: Divulgação/Xiaomi
Nova linha Xiaomi Redmi Note 13 — Foto: Divulgação/Xiaomi

A primeira vez que a Xiaomi desembarcou em solo brasileiro foi em 2015, mas ela diminuiu a sua presença no país no ano seguinte e deixou de fazer novos lançamentos por aqui.

Questões tributárias foram motivos para a pausa, segundo a companhia na época.

Após a DL assumir as operações, Luciano Barbosa, responsável pelo "Projeto Xiaomi no Brasil", disse que a "a fabricante assumiu de maneira global trabalhar com margem de lucro mínima. A DL também se compromete a isso".

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terça-feira, 30 de janeiro de 2024

O primeiro computador Mac faz 40 anos – e continua em uso

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Em 24 de janeiro de 1984, o computador pessoal Apple Macintosh 12
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TOPO
Por Chris Baraniuk

Postado em 30 de janeiro de 2024 às 06h35m

Post. N. - 4.826

O lançamento do Macintosh 128K acaba de completar 40 anos — Foto: Alamy via BBC
O lançamento do Macintosh 128K acaba de completar 40 anos — Foto: Alamy via BBC

David Blatner preserva até hoje praticamente todos os computadores Macintosh que já comprou. Mas um deles merece destaque: o primeiro.

Ele se lembra da forma da disposição da tela; do volumoso manual; e dos tutoriais em fitas cassete, ensinando como usar a máquina. Era tudo o que ele achava que um computador devia ser.

Ele já havia observado versões anteriores de computadores pessoais quando era criança.

Blatner costumava ir de bicicleta até o Centro de Pesquisa da Xerox em Palo Alto, na Califórnia (Estados Unidos), onde seu padrasto trabalhava nos anos 1970. Ali, ele conseguiu operar os primeiros computadores pessoais, como o Alto, que tinha uma interface gráfica e um mouse.

"Um computador que funcionaria para uma única pessoa — a própria ideia era extraordinária", lembra Blatner.

Hoje, ele é presidente do portal CreativePro Network, dedicado a profissionais da área de criação.

Mas Blatner precisou esperar ainda mais uma década até conseguir seu próprio computador, com a chegada do Macintosh da Apple.

No dia 24 de janeiro de 1984, um homem chamado Steve Jobs (1955-2011) subiu em um palco e retirou uma caixa bege de uma maleta de transporte. Ele introduziu um disco flexível na caixa e ficou esperando.

Ao som da música-tema de Carruagens de Fogo, a palavra Macintosh varreu a minúscula tela daquele computador e surgiu uma série de imagens monocromáticas. A plateia formada por acionistas da Apple ficou encantada e enlouquecida.

Pelos padrões da tecnologia atual, a tela minúscula, o formato de caixa e os elementos gráficos rudimentares do Macintosh original parecem ridículos.

Aquele aparelho não foi nem mesmo o primeiro computador pessoal. Mas, sem dúvida, foi o primeiro a mudar o mundo.

O pomposo lançamento feito por Steve Jobs no Centro Flint em Cupertino, na Califórnia, passou a servir de modelo para suas muitas apresentações posteriores de aparelhos da Apple, incluindo o iMac e o iPhone.

Hoje, o Mac 128K — assim chamado porque vinha com 128 KB de RAM (na sigla em inglês, memória de acesso aleatório) — é uma peça de museu. Apple deixou de produzir o aparelho em outubro de 1985 e suspendeu sua assistência de software em 1998.

Mas um punhado de obstinados admiradores ainda usa seus computadores Mac 128K até hoje, apesar das frustrações. Afinal, essas máquinas são extremamente limitadas devido à sua pouca capacidade de memória.

Steve Jobs queria que o Macintosh fosse um computador pessoal acessível, usado por qualquer pessoa — Foto: Getty Images via BBC
Steve Jobs queria que o Macintosh fosse um computador pessoal acessível, usado por qualquer pessoa — Foto: Getty Images via BBC

Criativo e duradouro

Mesmo com sua memória diminuta, gráficos rudimentares, ausência de modem e sem possibilidade de conexão à internet, existe uma comunidade de ávidos fãs que se divertem operando esse equipamento aparentemente antiquado.

O historiador da computação David Greelish, da Flórida (EUA), lançou em janeiro um documentário sobre o predecessor do 128K, o Apple Lisa.

Ele destaca a criatividade da placa-mãe original do 128K.

"Ela tem tudo: ROM, RAM, processador e todas as entradas e saídas", conta.

"Tudo está ali em uma pequena e bela placa quadrada integrada. Para 1984, era incrível."

E, para os colecionadores, ele é uma parte da história da computação, com as assinaturas da equipe que o construiu inscritas na parte de trás do gabinete de plástico, no lado interno.

Mas alguns donos de Mac 128K usam suas valiosas máquinas para jogar games curiosos, como Frogger ou Lode Runner — tudo em preto e branco. O Macintosh II, primeiro Macintosh com tela colorida, só foi lançado em 1987.

O Centro da História da Computação de Cambridge, no Reino Unido, é uma das muitas coleções que apresentam um 128K funcionando.

"Ele tem 40 anos de idade e ainda funciona", conta a diretora do centro, Lisa McGerty.

Ela se lembra do lançamento dos computadores Macintosh como um desenvolvimento "de massa" para pessoas do setor editorial e gráfico. A impressora gráfica da Apple, ImageWriter, foi lançada pouco antes do 128K.

Adrian Page-Mitchell, colega de McGerty e responsável pelas coleções, afirma que nem sempre é fácil manter esses antigos Macintoshes funcionando.

Ele conta que um outro 128K que ficou em exibição por muito tempo no Centro da História da Computação acabou quebrando e "não pôde ser consertado".

Às vezes, os Macs demonstram sua idade de formas estranhas.

O YouTuber e colecionador de computadores Steven Matarazzo conta que um dos capacitores da máquina, às vezes, pode se degradar com o tempo. Com isso, a tela do 128K não irá funcionar corretamente — ela irá parecer levemente comprimida.

Em 2023, ele postou um vídeo no YouTube sobre um aparente protótipo do 128K. Ele não estava funcionando e seu dono pediu a Matarazzo que desse uma olhada no aparelho. Em pouco tempo, Matarazzo fez o computador voltar a funcionar.

Ele estudou detalhadamente cada centímetro daquele Mac. E ficou entusiasmado com as minúsculas diferenças entre aquele aparelho e a versão que chegou ao mercado.

Havia no protótipo, por exemplo, pequenos logos da Apple impressos sobre os pés de borracha, que não estavam presentes no design final. Essas descobertas são um pouco como uma arqueologia dos aparelhos eletrônicos.

"Você tenta juntar as peças: qual era o processo aqui, qual a idade disso, qual a idade daquilo", explica ele. "É isso que, especialmente para mim, é realmente interessante."

Apple II e o Apple Lisa, lançados antes do 128K, também pretendiam ser aparelhos intuitivos com alta capacidade. Mas cada um deles tinha suas próprias falhas ou limitações.

Apple II, por exemplo, não tinha uma interface gráfica de usuário ou mouse. Já o Lisa era muito mais caro que o 128K.

Na época do lançamento do 128K, Blatner estava no final do ensino médio. Ele procurava um computador para levar para a faculdade que tivesse a mesma capacidade das máquinas que ele havia visto na Xerox anos antes.

Seus pais o levaram às compras e eles logo encontraram um 128K à venda em uma loja no centro de Palo Alto.

"Ele tinha menus, tinha pastas, tinha uma interface gráfica de usuário, tinha um mouse", relembra ele. "Era tudo o que eu achava que um computador deveria ser."

Blatner ainda guarda a nota fiscal da compra. Seus pais pagaram pelo aparelho, em 1984, US$ 2.495.

Na faculdade, Blatner logo estaria mostrando o aparelho para seus colegas. Eles costumavam formar filas atrás dele no dormitório, aguardando uma chance de usar o computador.

"Tenho um arquivo com todas aquelas coisas malucas que imprimíamos na faculdade", ele conta. "As pessoas simplesmente adoravam."

Não foi por coincidência que aquela tecnologia refletiu as experiências anteriores de Blatner com computadores na Xerox.

Jef Raskin, que começou o projeto do Macintosh — e deu ao computador o nome da sua variedade preferida de maçã —, também havia observado a mesma tecnologia da Xerox, que serviu de inspiração.

Mais do que isso: em dezembro de 1979, Jobs e um grupo de engenheiros da Apple visitaram diversas vezes a Xerox. Eles conseguiram ideias que, mais tarde, seriam usadas no Lisa e no Macintosh.

Em troca dessas importantes demonstrações, a Xerox recebeu uma grande quantidade de ações da Apple, que foram rapidamente vendidas. A empresa perdeu a possibilidade de ganhar bilhões de dólares se tivesse mantido as ações em seu poder.

Como se sabe, Jobs acabou assumindo o projeto do Macintosh iniciado por Raskin, depois de ser excluído da equipe do Lisa. Naquela época, ele já havia desenvolvido a visão do computador pessoal acessível e decidiu que o Macintosh o ajudaria a tornar esse aparelho uma realidade.

Um dos pontos que diferenciava o Macintosh era sua apresentação. Ele não era apenas um computador pessoal — ele tinha personalidade.

A designer gráfica Susan Kare criou ícones que pareciam sair de desenhos animados e que praticamente qualquer pessoa conseguiria compreender. Ela também colaborou com a coleção de fontes digitais do Macintosh.

O Macintosh 128K ocupa até hoje um lugar especial no coração dos primeiros funcionários da Apple que trabalharam na época do seu desenvolvimento — Foto: Getty Images via BBC
O Macintosh 128K ocupa até hoje um lugar especial no coração dos primeiros funcionários da Apple que trabalharam na época do seu desenvolvimento — Foto: Getty Images via BBC

Mas grande parte do impacto causado pelo Mac foi alimentado pelo marketing e pela propaganda.

O cineasta e historiador Jason Scott trabalha no Internet Archive, uma plataforma de arquivo digital sem fins lucrativos. Ele se lembra de ter visto o anúncio original do Mac 128K na televisão quando era adolescente.

A estranha propaganda foi dirigida por Ridley Scott e ilustrava um futuro distópico inspirado pelo romance de George Orwell, 1984.

O que nos salvaria daquele futuro sombrio? O Mac 128K, é claro!

"Aquele comercial começou a passar e parecia algo totalmente vindo de Marte", relembra Scott. "Alguma coisa estava acontecendo, mas eu não entendia muito bem o quê."

Não muito tempo depois, Scott testou um Macintosh pela primeira vez e ficou maravilhado. Era, segundo ele, como observar outro mundo por um telescópio.

Ainda assim, o Mac não foi o sucesso de vendas que alguns esperavam.

"Ele não foi vendido para pessoas de negócios, como Steve acreditava que seria", relembra Andy Cunningham, que trabalhou na campanha de marketing do aparelho.

"Foi por isso, em última instância, que Steve acabou sendo despedido da Apple."

Jobs saiu da empresa em 1985, mas retornou no final dos anos 1990.

Foi apenas em 1988 que o total de vendas dos aparelhos Macintosh, incluindo diversas de suas versões posteriores, superou o do Apple II, lançado em 1977.

Macintosh SE usado entre 1988 e 1994 por Steve Jobs, cofundador da Apple — Foto: Reprodução
Macintosh SE usado entre 1988 e 1994 por Steve Jobs, cofundador da Apple — Foto: Reprodução

Mas os Macs realmente chamaram a atenção de muitas pessoas, especialmente jovens e profissionais de áreas criativas.

Cunningham e sua colega Jane Anderson ajudaram a impulsionar a publicidade do Macintosh original. Eles ofereceram seis horas com pessoas da Apple, incluindo Jobs, a jornalistas individualmente — e fizeram diversas demonstrações do aparelho para ter certeza de que eles compreenderiam o objeto das suas reportagens.

"Observei todos eles brincando com o computador e seus olhos simplesmente brilhavam", relembra Cunningham.

Seria errado afirmar que o Mac 128K era um computador perfeito. Na verdade, ele tinha sérias limitações e seu sucesso comercial inicialmente foi limitado. Mas ele deixou uma marca indelével.

A ascensão do computador pessoal, sem dúvida, foi um divisor de águas. Os computadores com gabinetes ridiculamente grandes, que você só conseguia conectar com um terminal desajeitado, agora parecem irremediavelmente antiquados.

Hoje em dia, temos máquinas portáteis, divertidas e acessíveis, que quase qualquer pessoa consegue usar.

Mas o engraçado é que a era dos computadores individuais iniciada pelo Macintosh original, de certa forma, está chegando ao fim.

No século 21, estamos ficando cada vez mais dependentes de fazendas de servidores, processamento em nuvem, grandes volumes de dados e sistemas em rede. Os computadores de outras pessoas são cada vez mais indispensáveis para podermos operar o nosso próprio equipamento.

"Estamos agora do outro lado", reflete Blatner. "Nós realmente precisamos desse período de 40 anos para capacitar e empoderar as pessoas."

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