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terça-feira, 19 de março de 2024

O TikTok é mesmo um perigo para o Ocidente?

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Projeto de lei em tramitação no Congresso americano pode acabar proibindo o aplicativo nos Estados Unidos.
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TOPO
Por Joe Tidy

Postado em 19 de março de 2024 ás 16h15m

Post. N. - 4.849

O TikTok é mesmo um perigo para o Ocidente? — Foto: AFP
O TikTok é mesmo um perigo para o Ocidente? — Foto: AFP

A China criticou um projeto de lei em tramitação no Congresso americano que pode acabar proibindo o TikTok nos Estados Unidos, chamando o mesmo de injusto.

É a iniciativa mais recente para fazer frente a uma discussão que dura anos sobre os riscos de segurança do aplicativo que pertence a uma empresa chinesa.

Autoridades, políticos e equipes de segurança em vários países ocidentais foram proibidos de instalar o TikTok em seus telefones de trabalho.

Mais quais são as três grandes preocupações de segurança cibernética em relação ao aplicativo? E como a empresa responde a elas?

1. TikTok coleta uma quantidade 'excessiva' de dados

O TikTok afirma que a coleta de dados do aplicativo está "alinhada com as práticas do setor".

Os críticos frequentemente acusam o TikTok de coletar grandes quantidades de dados. Um relatório de segurança cibernética publicado em julho de 2022 por pesquisadores da Internet 2.0, uma empresa cibernética australiana, é geralmente citado como evidência.

Os pesquisadores estudaram o código-fonte do aplicativo — e informaram que ele realiza "coleta excessiva de dados".

Analistas afirmam que o TikTok coleta detalhes como localização, que dispositivo específico está sendo usado e que outros aplicativos há nele.

No entanto, um teste semelhante conduzido pelo Citizen Lab concluiu que "em comparação com outras plataformas populares de rede social, o TikTok coleta tipos semelhantes de dados para monitorar o comportamento do usuário".

Da mesma forma, um relatório do Instituto de Tecnologia da Geórgia, do ano passado, concluiu que "o principal fato aqui é que a maioria das outras redes sociais e aplicativos fazem as mesmas coisas".

O TikTok afirma que a empresa é totalmente independente — e não forneceu dados de usuários ao governo chinês, nem forneceria se fosse solicitado.

Embora isso irrite os especialistas em privacidade, a maioria de nós aceita que entregar grandes quantidades de dados privados é parte do acordo que fazemos com as redes sociais.

Em troca dos serviços gratuitos, eles coletam conhecimento sobre a gente, e utilizam o mesmo para vender publicidade na sua plataforma ou vendem os nossos dados para outras empresas que tentam fazer propaganda para a gente em outro lugar na internet.

O problema que os críticos têm com o TikTok é que o mesmo é propriedade da empresa de tecnologia ByteDance, com sede em Pequim, na China o que faz dele o único aplicativo popular que não é americano.

Facebook, Instagram, Snapchat e YouTube, por exemplo, coletam quantidades semelhantes de dados, mas são empresas fundadas nos EUA.

A ByteDance, empresa de tecnologia de Xangai, é dona do TikTok e do Douyin — Foto: GETTY IMAGES
A ByteDance, empresa de tecnologia de Xangai, é dona do TikTok e do Douyin — Foto: GETTY IMAGES

Durante anos, legisladores dos EUA, assim como a maior parte do resto do mundo, adotaram uma certa confiança: que os dados coletados por estas plataformas não vão ser utilizados para razões nefastas que possam colocar em risco a segurança nacional.

Um decreto assinado em 2020 pelo então presidente americano, Donald Trump, alegou que a coleta de dados pelo TikTok poderia potencialmente permitir à China "rastrear a localização de funcionários públicos e terceirizados, criar dossiês de informações pessoais para chantagem e realizar espionagem comercial".

Até agora, as evidências apontam que este é apenas um risco teórico — mas os temores são alimentados por uma lei chinesa vaga aprovada em 2017.

O artigo sete da Lei Nacional de Inteligência da China afirma que todas as organizações e cidadãos chineses devem "apoiar, ajudar e cooperar" com os esforços de inteligência do país.

Esta frase é frequentemente citada por pessoas que suspeitam não apenas do TikTok, mas de todas as empresas chinesas.

Mas os pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia argumentam que esta frase foi retirada de contexto — e observam que a lei também inclui ressalvas que protegem os direitos dos usuários e das empresas privadas.

Desde 2020, os executivos do TikTok têm tentado repetidamente tranquilizar as pessoas de que os funcionários chineses não podem acessar os dados de usuários que não são chineses.

Mas, em 2022, a ByteDance admitiu que vários dos seus funcionários baseados em Pequim acessaram os dados de pelo menos dois jornalistas nos EUA e no Reino Unido para rastrear suas localizações e verificar se estavam se encontrando com funcionários do TikTok suspeitos de vazar informações para a imprensa.

A porta-voz do TikTok afirma que os funcionários que acessaram os dados foram demitidos.

A empresa insiste que os dados dos usuários nunca foram armazenados na China —e está construindo data centers no Texas para processar os dados dos usuários dos EUA, e em locais na Europa para os dados dos cidadãos europeus.

Na União Europeia, a empresa também foi muito mais longe do que qualquer outra rede social — e recrutou uma empresa independente de segurança cibernética para supervisionar toda a utilização de dados nas suas instalações europeias.

O TikTok afirma que "dados dos nossos usuários europeus são preservados em um ambiente de proteção especialmente concebido — e só podem ser acessados por funcionários autorizados, sujeitos a uma supervisão e verificação rigorosa e independente".

3. TikTok e 'lavagem cerebral'

O TikTok argumenta que suas diretrizes "proíbem desinformação que possa causar danos à nossa comunidade ou ao público em geral, o que inclui a prática de comportamento não autêntico coordenado".

Em novembro de 2022, Christopher Wray, diretor do FBI, a polícia federal americana, disse ao Congresso dos EUA que "o governo chinês poderia… controlar o algoritmo de recomendações, o que poderia ser usado para operações de influência". A acusação foi repetida muitas vezes.

Essas preocupações ganham força pelo fato de que o aplicativo irmão do TikTok, o Douyin — que só está disponível na China — é fortemente censurado e supostamente desenvolvido para viralizar conteúdo educacional e seguro para sua base de usuários jovens.

Todas as redes sociais são fortemente censuradas na China, com um exército de policiais que patrulham a internet excluindo conteúdos que criticam o governo ou provocam agitação política.

A versão chinesa do TikTok, chamada Douyin, compartilha o mesmo formato do aplicativo — Foto: GETTY IMAGES
A versão chinesa do TikTok, chamada Douyin, compartilha o mesmo formato do aplicativo — Foto: GETTY IMAGES

No início da ascensão do TikTok, houve casos de censura no aplicativo: uma usuária nos EUA teve sua conta suspensa por discutir o tratamento dado por Pequim aos muçulmanos em Xinjiang.

Após uma forte reação negativa do público, o TikTok pediu desculpas e reativou a conta.

Desde então, houve poucos casos de censura, além de decisões controversas de moderação com as quais todas as plataformas têm de lidar.

Os pesquisadores do Citizen Lab realizaram uma comparação entre o TikTok e o Douyin. E concluíram que o TikTok não aplica a mesma censura política.

A plataforma não aplica uma censura óbvia das postagens, informaram os pesquisadores em 2021.

Os analistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia também pesquisaram temas como a independência de Taiwan ou piadas sobre o primeiro-ministro chinês, Xi Jinping.

"Vídeos em todas essas categorias podem ser facilmente encontrados no TikTok. Muitos são populares e amplamente compartilhados", concluíram.

Risco teórico

O panorama geral é, portanto, de receios teóricos — e de riscos teóricos.

Os críticos argumentam que o TikTok é um cavalo de Troia — embora pareça inofensivo, pode se revelar uma arma poderosa em tempos de conflito, por exemplo.

O TikTok já está proibido na Índia, que tomou medidas em 2020 contra o aplicativo e dezenas de outras plataformas chinesas.

Mas uma eventual proibição do TikTok pelos EUA pode ter um grande impacto na plataforma, uma vez que normalmente os países aliados costumam acompanhar tais decisões.

Isso ficou evidente quando os EUA lideraram, com sucesso, os apelos para impedir a participação da gigante chinesa de telecomunicações Huawei na infraestrutura 5G — mais uma vez, com base em riscos teóricos.

É importante observar, é claro, que estes riscos são uma via de mão única. A China não precisa se preocupar com os aplicativos dos EUA porque o acesso dos cidadãos chineses está bloqueado há muitos anos.

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segunda-feira, 18 de março de 2024

SpaceX, de Elon Musk, está construindo rede de satélites espiões para agência de inteligência dos EUA, diz agência

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Fontes ouvidas pela Reuters dizem que os equipamentos podem monitorar alvos no solo e enviar esses dados para a inteligência e as autoridades militares dos EUA.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 18 de março de 2024 às 13h40m

Post. N. - 4.848

Starship na base áerea da SpaceX, no Texas, antes de terceiro lançamento, em foto de 13 de março de 2024 — Foto: Reuters/Joe Skipper
Starship na base áerea da SpaceX, no Texas, antes de terceiro lançamento, em foto de 13 de março de 2024 — Foto: Reuters/Joe Skipper

A SpaceX, empresa aeroespacial do bilionário Elon Musk, está construindo uma rede de centenas de satélites espiões sob um contrato secreto com uma agência de inteligência dos EUA, revelaram fontes familiarizadas com o programa à agência Reuters.

A rede está sendo construída pela unidade de negócios Starshield da SpaceX por um contrato de US$ 1,8 bilhão assinado em 2021 com o National Reconnaissance Office (NRO), uma agência de inteligência que gerencia satélites espiões, explicaram as fontes.

Os planos mostram a extensão do envolvimento da SpaceX nos projetos militares e de inteligência dos EUA e ilustram um investimento mais profundo do Pentágono em vários sistemas de satélites em órbita baixa da Terra destinados a apoiar as forças terrestres.

Se for bem-sucedido, o programa aumentaria significativamente a capacidade do governo e das forças armadas dos EUA de identificar rapidamente alvos potenciais em praticamente qualquer lugar do mundo.

Os satélites podem rastrear alvos no solo e compartilhar esses dados com a inteligência e as autoridades militares dos EUA. Em princípio, isso permitiria que o governo capturasse rapidamente imagens contínuas de atividades no solo em praticamente qualquer lugar, auxiliando as operações militares e de inteligência.

Cerca de uma dúzia de protótipos foram lançados desde 2020, entre outros satélites nos foguetes Falcon 9 da SpaceX, disseram três das fontes.

O contrato sinaliza a crescente confiança por parte da inteligência do governo dos EUA em uma empresa cujo proprietário entrou em conflito com o governo Biden e gerou polêmica sobre o uso da conectividade por satélite Starlink na guerra da Ucrânia, disseram as fontes.

A Reuters não conseguiu determinar quando a nova rede de satélites entrará em operação e não conseguiu estabelecer quais outras empresas fazem parte do programa com seus próprios contratos.

A SpaceX, maior operadora de satélites do mundo, não respondeu a vários pedidos de comentários sobre o contrato, seu papel nele e detalhes sobre lançamentos de satélites. O Pentágono encaminhou um pedido de comentário à NRO e à SpaceX.

Em uma declaração, o NRO reconheceu sua missão de desenvolver um sofisticado sistema de satélites e suas parcerias com outras agências governamentais, empresas, instituições de pesquisa e nações, mas se recusou a comentar as descobertas da Reuters sobre o envolvimento da SpaceX no esforço.

"O National Reconnaissance Office está desenvolvendo o sistema de inteligência, vigilância e reconhecimento baseado no espaço mais capaz, diversificado e resiliente que o mundo já viu", disse um porta-voz.

Todas as fontes pediram para permanecer anônimas porque não estavam autorizadas a discutir o programa do governo dos EUA.

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sábado, 16 de março de 2024

TikTok sob pressão: quem é o dono do app e por que a rede desperta desconfiança de políticos nos EUA

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Proposta de banir a rede social do país avança sob o temor de espionagem de dados pela China. Empresa diz que intenção de parlamentares é beneficiar a concorrência.
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Por g1

Postado em 16 de março de 2024 às 11h00m

Post. N. - 4.847


Câmara dos EUA aprova lei que pode banir TikTok do país

O TikTok está na mira dos políticos dos Estados Unidos, onde avança um projeto de lei que pode banir a rede social no país.

Há alguns anos o aplicativo que tem ao menos 1 bilhão de usuários no mundo, sendo 170 milhões nos EUA, se vê sob pressão no mercado americano.

O cerco apertou na última quarta-feira (13), quando foi aprovada na Câmara a proposta que exige que a chinesa ByteDance, dona do TikTok, consiga um novo proprietário para o aplicativo nos EUA ou deixe de atuar no país. O texto seguiu para análise no Senado.

O atual presidente-executivo rede social é Shou Zi Chew, um ex-banqueiro de 41 anos que também trabalhou como diretor financeiro da fabricante de celulares Xiaomi (leia mais sobre Chew).

O que dizem os EUA - O projeto de lei se baseia no temor de que dados de usuários do TikTok nos EUA possam ser espionados pelo governo da China, uma desconfiança lançada ainda durante o governo de Donald Trump e que acabou se espalhando por outros países.

A suposta parcialidade do TikTok no conteúdo exibido também é questionada por alguns políticos.

O atual presidente, Joe Biden, já afirmou ser a favor do projeto de lei. Na última semana, no entanto, ele passou a ter um perfil verificado no TikTok de sua campanha à reeleição.

O que dizem a China e a ByteDance - O governo chinês se queixa de que os EUA nunca forneceram evidências de que o TikTok ameace a segurança nacional.

A ByteDance diz que não armazena dados de usuários na China e entende que o projeto de lei, na verdade, visa beneficiar suas concorrentes.

Executivos do Facebook/Instagram e do Google, dono do YouTube, já expressaram preocupação com o crescimento meteórico do TikTok nos últimos anos.

Enquanto as principais "big techs" americanas têm seus passos acompanhados de perto por investidores, já que possuem ações na bolsa de valores, existem poucas informações oficiais sobre o faturamento e outros números do aplicativo de vídeos chinês.

Especialista fala sobre projeto de lei pode banir TikTok nos EUA

Esta reportagem vai abordar:

A ByteDance não tem ações na bolsa de valores e, portanto, não é obrigada a publicar balanços financeiros. Mas fontes disseram ao jornal "Financial Times", na última sexta-feira (15), que a rede social faturou US$ 120 bilhões (R$ 600 bilhões) em 2023, sendo US$ 16 bilhões (R$ 80 bilhões) apenas nos EUA.

O jornal afirma que o dinheiro vem principalmente de plataformas populares na China, como o Douyin, versão do TikTok voltada para o mercado asiático.

Como comparação, a Meta, dona de Instagram, Facebook e WhatsApp, teve US$ 135 bilhões (R$ 674 bilhões) de faturamento no ano.

Ainda segundo o "Financial Times", o TikTok ainda não registrou lucro por conta dos investimentos em sua expansão global, mas o grupo que controla a plataforma teria tido um ganho de US$ 28 bilhões (R$ 140 bilhões) em 2023.

Quem são os donos do TikTok?

O TikTok é controlado pela ByteDance, empresa chinesa fundada por um grupo liderado por Zhang Yiming, presidente do conselho da companhia até 2021, e Liang Rubo, que ocupa o cargo atualmente.

A ByteDance, por sua vez, afirma que é repartida entre três grupos de proprietários: investidores (60%), fundadores (20%) e funcionários (20%). A empresa diz que "não pertence nem é controlada por nenhuma entidade governamental ou estatal".

Zhang Yiming, cofundador da ByteDance, em Palo Alto, na Califórnia, EUA, em março de 2020 — Foto: REUTERS/Shannon Stapleton
Zhang Yiming, cofundador da ByteDance, em Palo Alto, na Califórnia, EUA, em março de 2020 — Foto: REUTERS/Shannon Stapleton

Quem é o chefão do TikTok?

O TikTok é comandado desde 2021 por Shou Zi Chew, um ex-banqueiro de 41 anos que, antes de assumir a rede social, também trabalhou como diretor financeiro da fabricante de celulares Xiaomi.

O executivo nasceu em Singapura e, devido à desconfiança sobre uma ligação da rede social com a China, foi questionado algumas vezes sobre a sua nacionalidade em depoimento ao Congresso dos EUA, em fevereiro último.

Chew teve que negar algumas vezes que não tem nem nunca solicitou cidadania chinesa e que não possui relação com o Partido Comunista Chinês, que governa a China.

CEO do TikTok é questionado sobre sua nacionalidade no Senado dos EUA

Em outra audiência, em março de 2023, ele afirmou que a empresa não trabalha com o governo chinês nem nunca recebeu pedidos para compartilhar informações de usuários com autoridades chinesas.

"A ByteDance não pertence ao governo chinês nem é controlada por ele", disse Chew.

Shou Zi Chew, presidente-executivo do TikTok, em audiência no Congresso dos EUA em março de 2023 — Foto: Evelyn Hockstein/Reuters
Shou Zi Chew, presidente-executivo do TikTok, em audiência no Congresso dos EUA em março de 2023 — Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

Qual a desconfiança sobre o TikTok?

As acusações contra o TikTok ganharam força durante o governo do ex-presidente dos EUA Donald Trump, que apontava que a China poderia se aproveitar do poder da empresa para conseguir informações sobre usuários americanos.

Em 2020, Trump ordenou o banimento do TikTok e do WeChat, uma espécie de "WhatsApp chinês", a menos que eles conseguissem novos donos para operarem nos EUA.

A medida acabou derrubada na Justiça horas antes do prazo definido para o bloqueio do serviço no país.

No mesmo ano, a campanha do então candidato à presidência Joe Biden chegou a pedir que seus funcionários deletassem o aplicativo, por segurança.

Em 2021, ao assumir a Casa Branca, Biden ordenou uma investigação sobre os supostos riscos de apps ligados a governos de adversários estrangeiros.

No ano passado, o Ministério das Relações Exteriores da China se queixou de que os EUA ainda não tinham fornecido evidências de que o TikTok ameaçava a segurança nacional.

Rival de Biden nas eleições deste ano, Trump agora diz que ainda considera a plataforma uma ameaça, mas que os "jovens podem ir à loucura" com o banimento.

Algoritmo em xeque - Assim como aconteceu com o Twitter (agora X), criticado por permitir a livre circulação de posts que incentivavam a violenta invasão do Capitólio dos EUA, em janeiro de 2021, o "feed" do TikTok também é alvo de questionamentos.

Em 2019, o jornal britânico "The Guardian" apontou que a empresa orientava funcionários a barrarem a circulação de vídeos que desagradassem o governo chinês.

Em novembro de 2023, a suspeita se virou ao conteúdo relacionado à guerra entre Israel e o Hamas: vídeos com hashtags pró-Palestina tinham muito mais visualizações que vídeos pró-Israel.

O TikTok negou priorizar qualquer lado no conflito, mas isso não impediu políticos americanos de apontarem que o serviço é usado para promover interesses chineses.

Depois da repercussão, a rede social deixou de exibir um contador de visualizações de hashtags. Um porta-voz disse ao "Washington Post" que a decisão foi tomada para a plataforma ficar em linha com padrões de outras redes.

Biden e Trump — Foto: Jornal Nacional/Reprodução
Biden e Trump — Foto: Jornal Nacional/Reprodução

Onde ficam os dados de usuários do TikTok?

O TikTok diz que não armazena dados de usuários na China. Segundo a plataforma, as informações ficam em servidores nos Estados Unidos, em Singapura e na Malásia.

A rede social afirma ainda que o conteúdo é protegidas por "fortes controles de segurança físicos e lógicos, incluindo pontos de entrada fechados, firewalls e tecnologias de detecção de intrusões".

Em 2022, após questionamentos do governo Trump, o TikTok passou a armazenar dados de usuários nos EUA junto à empresa americana Oracle. A empresa criou uma subsidiária chamada U.S. Data Security (USDS) para evitar sua venda para uma companhia dos EUA.

O TikTok diz ainda que os dados só podem ser acessados por um grupo restrito de funcionários, que ficam sujeitos a controles de segurança quando precisam visualizar esse tipo de informação.

Onde o TikTok foi banido/restrito?

A decisão mais próxima de um banimento geral do TikTok foi tomada pelo estado americano de Montana, que anunciou uma regra para proibir o aplicativo que valeria a partir deste ano.

Mas a rede social conseguiu derrubar a medida em uma decisão provisória da Justiça.

Ainda sob alegação de risco à segurança nacional, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Bélgica, Nova Zelândia e Índia, além da União Europeia, chegaram a vetar o TikTok em celulares oficiais, usados por funcionários de governo.

Jovens estão trocando o Google pelo TikTok na hora fazer pesquisas

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