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quinta-feira, 10 de abril de 2025

Hackers deixam Coreia do Norte bilionária com criptomoedas

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Após uma série de ciberataques, Pyongyang ostenta o terceiro maior estoque de bitcoin do mundo — uma vantagem para o país empobrecido que busca manter seu arsenal militar atualizado.
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Por Redação g1
TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 10 de Abril de 2.025 às 06h00m

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Hackers deixam Coreia do Norte bilionária com criptomoedas

Hackers norte-coreanos vêm atuando nos últimos anos para roubar e acumular bilhões de dólares em criptomoedas, colocando o país no ranking de nações com as maiores reservas de tokens digitais.

No final de fevereiro, hackers pertencentes ao Lazarus Group – uma conhecida rede norte-coreana de roubo de criptomoedas – conseguiram se apropriar de 1,5 bilhão de dólares (R$ 8,8 bilhões) em tokens digitais da empresa de criptomoedas ByBit, sediada em Dubai.

Segundo a companhia, o grupo conseguiu invadir sua carteira digital de Ethereum, a segunda maior moeda eletrônica depois do Bitcoin.

A Binance News, uma nova plataforma operada pela empresa de câmbio de criptomoedas Binance, informou que a Coreia do Norte já acumula outros 13.562 bitcoins, o equivalente a 1,14 bilhão de dólares (R$ 6,7 bilhões).

O bitcoin é a criptomoeda mais antiga e mais popular do mundo, frequentemente comparada ao ouro devido à sua suposta resistência à inflação. Somente os EUA e o Reino Unido têm reservas maiores que os norte-coreanos, segundo o plataforma de criptomoedas Arkham Intelligence.

"Não vamos medir palavras – [a Coreia do Norte] conseguiu isso por meio de roubo", diz à DW Aditya Das, analista da empresa de pesquisa de criptomoedas Brave New Coin de Auckland, Nova Zelândia.

"Agências globais de segurança, como o FBI, alertaram publicamente que hackers patrocinados pelo Estado norte-coreano estão por trás de vários ataques a plataformas de criptomoedas".

Criptomoedas / Bitcoin / Ethereum — Foto: Reuters
Criptomoedas / Bitcoin / Ethereum — Foto: Reuters

Apesar desses avisos, as empresas de cripto seguem vulneráveis aos ataques cibernéticos, que se tornam cada vez mais sofisticados, disse o analista.

"A Coreia do Norte emprega uma ampla gama de técnicas de ataque cibernético, mas se tornou especialmente conhecida por sua habilidade em engenharia social", explica Das, referindo-se à técnica de manipulação usada para obter informações privadas por meio da exploração de erros humanos.

"Muitas de suas operações envolvem a infiltração em dispositivos de funcionários e, em seguida, o uso desse acesso para violar sistemas internos [das empresas] ou montar armadilhas a partir do interior".

Segundo Das, os principais alvos dos hackers são startups de criptografia, bolsas de valores e plataformas de finanças descentralizadas (baseadas em blockchains, que funcionam sem intermediários), devido a seus "protocolos de segurança que são frequentemente menos desenvolvidos".

Recuperação de fundos 'extremamente rara'

Os hackers norte-coreanos de elite tendem a levar tempo para se infiltrar em uma organização global legítima, muitas vezes se passando por investidores de risco, recrutadores ou trabalhadores remotos de TI para criar confiança e violar as defesas das empresas.

"Um grupo, Sapphire Sleet, atrai as vítimas a baixar malwares disfarçados como aplicativos de vagas de emprego, ferramentas de reunião ou software de diagnóstico – essencialmente transformando as vítimas em seus próprios vetores de ataque", explica Das.

Depois que a criptografia é roubada, Das diz que a recuperação é "extremamente rara".

Os sistemas de criptomoeda são projetados para tornar as transações irreversíveis, e contra-atacar os agentes norte-coreanos "não é uma opção viável, porque esses são atores estatais com defesas cibernéticas de alto nível".

Criptomoedas 'salvam' regime de Kim Jong-un

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, durante uma cerimônia de despedida do presidente da Rússia, Vladimir Putin, no aeroporto de Pyongyang, Coreia do Norte, em 19 de junho de 2024 — Foto: Sputnik/Gavriil Grigorov/Pool via REUTERS
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, durante uma cerimônia de despedida do presidente da Rússia, Vladimir Putin, no aeroporto de Pyongyang, Coreia do Norte, em 19 de junho de 2024 — Foto: Sputnik/Gavriil Grigorov/Pool via REUTERS

Park Jungwon, professor de direito da Universidade de Dankook, afirma que a Coreia do Norte no passado dependeu de transações arriscadas – como o contrabando de narcóticos e produtos falsificados ou o fornecimento de instrutores militares para nações africanas – para obter fundos ilícitos.

Agora, porém, a criptomoeda "tem sido uma grande oportunidade" para o líder norte-coreano Kim Jong-un.

"Dada a forma como o mundo estava reprimindo o contrabando de Pyongyang, as criptomoedas salvaram o regime", avalia Park. "Sem elas, eles teriam ficado completamente sem fundos. Eles sabem disso e investiram pesadamente no treinamento dos melhores hackers e os elevaram a um nível muito alto de habilidade."

"O dinheiro que eles estão roubando vai direto para o governo e se supõe que esteja sendo gasto em armas e maior tecnologia militar, bem como na família Kim", diz o professor.

Coreia do Norte imune à pressão internacional

Park diz não achar que a pressão externa forçaria a Coreia do Norte a parar com os ataques hackers.

"Para Kim, a sobrevivência de sua dinastia é a prioridade mais importante. Eles se acostumaram com essa fonte de receita, mesmo que seja ilegal, e não mudarão", afirma. "Não há motivo para que, de repente, eles comecem a respeitar as leis internacionais. Não há como exercer mais pressão."

Aditya Das concorda que há pouca margem de influência internacional na Coreia do Norte e cabe às empresas ampliarem sua segurança.

"Práticas recomendadas como contratos seguros, verificação interna constante e conscientização sobre engenharia social são essenciais se o setor quiser se manter à frente", ressalta.

Criptomoedas "têm sido uma grande oportunidade" para o líder norte-coreano Kim Jong-un, segundo especialista. — Foto: Reuters e Reuters
Criptomoedas "têm sido uma grande oportunidade" para o líder norte-coreano Kim Jong-un, segundo especialista. — Foto: Reuters e Reuters

Há um incentivo crescente para que o setor compartilhe mais informações, o que ajudaria as empresas a detectarem as táticas norte-coreanas e evitar ataques, mas Das adverte que as empresas de criptomedas permanecem "fragmentadas" porque não há um padrão de segurança universal.

Além disso, os hackers norte-coreanos aplicam táticas contra os usuários, de acordo com o analista.

"No caso da Bybit, os invasores exploraram o Safe, um sistema de carteira com várias assinaturas e senhas destinado a aumentar a segurança. Ironicamente, essa camada de segurança adicional tornou-se a própria janela que eles usaram", observa.

Das aponta ainda que, na prática, "algumas empresas ainda tratam a segurança como um problema secundário".

"Pela minha experiência, as equipes geralmente priorizam sistemas rápidos em detrimento de sistemas seguros e, até que isso mude, o ambiente continuará vulnerável", afirma.

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quarta-feira, 9 de abril de 2025

Apple faz iPhone no Brasil, mas diz que visa o mercado local e não tem planos de aumentar produção

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Guerra comercial entre China e EUA joga holofotes sobre países que poderiam ganhar espaço na fabricação do smartphone, ainda muito concentrada no país asiático.
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Por Redação g1

Postado em 09 de Abril de 2.025 às 19h40m

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iPhone 16 em uma loja da Apple em Nova York, em foto de setembro de 2024 — Foto: AP Photo/Ted Shaffrey
iPhone 16 em uma loja da Apple em Nova York, em foto de setembro de 2024 — Foto: AP Photo/Ted Shaffrey

Com a China ainda respondendo pela maior parte da produção de iPhones no mundo, a guerra comercial entre o país asiático e os EUA motiva especulações sobre se a Apple deverá investir na produção em outros centros.

A supertaxa para os asiáticos deve fazer com que iPhones e outros itens importados subam bastante de preço para o consumidor americano.

No tarifaço de Trump, o Brasil recebeu uma taxa de 10% para a entrada de seus produtos nos EUA enquanto a China ficou com 125%, até agora.

Os iPhones vendidos no Brasil são feitos em Jundiaí (SP) pela taiwanesa Foxconn, que monta esses aparelhos a serviço da Apple.

A produção local estreou em 2011 e a Apple informa que ela está totalmente voltada para o mercado brasileiro. Atualmente são montadas no Brasil as linhas 14, 15 e 16 do iPhone. Os modelos Pro, mais sofisticados, são importados.

Perguntada sobre a possibilidade de passar a exportar aparelhos montados no Brasil, a Apple disse que não comenta especulações. Em relação a um aumento na produção, a marca afirmou que não existem planos no momento.

A Apple não respondeu qual é o volume de produção em Jundiaí, sob a justificativa de que não divulga números locais.

O g1 procurou a Foxconn, mas não teve retorno. No LinkedIn, a filial brasileira diz ter entre 5.000 e 10.000 funcionários. A empresa não produz apenas iPhones, mas também atende a outras marcas de tecnologia.

Unidade da Foxconn em Jundiaí (SP)  — Foto: Renato Jakitas/G1
Unidade da Foxconn em Jundiaí (SP) — Foto: Renato Jakitas/G1

Índia ganha espaço, mas China domina

A Apple vem buscando uma descentralização da China nos últimos anos. A criadora do iPhone tem investido principalmente na Índia e no Vietnã.

Ambos os países receberam taxas mais altas que o Brasil no tarifaço de Trump, mas inferiores às aplicadas aos chineses: 46% e 26%, respectivamente.

Mas, nesta quarta-feira (9), o presidente dos EUA reduziu, temporariamente, as tarifas de todos os países afetados para 10% — exceto para a China.

A CNBC reportou que a China responde por 80% da produção de iPhones e iPads, além de 55% da linha Mac, citando dados de março atribuídos à consultoria Evercore ISI.

A Índia passou a produzir 10% a 15% dos iPhones, enquanto o Vietnã é responsável por cerca de 20% da produção de iPads e 90% dos vestíveis (Apple Watch e Air Pod), segundo a mesma fonte.

Outros países que fornecem para a Apple são Malásia e Tailândia, que também produzem a linha Mac, além de Coreia do Sul, Japão, Taiwan e os próprios Estados Unidos, na parte de componentes.

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Produção nos EUA não resolveria preço

A equipe de Trump diz que o presidente espera que iPhones passem a ser montados nos EUA, com mas analistas explicam que essa transferência não seria simples e isso não necessariamente resolveria a questão do preço.

Segundo o Bank of America, o iPhone pode ficar 90% mais caro se for produzido nos EUA, se as taxas anunciadas por Trump fossem mantidas.

E não é só a questão da importação de componentes. "O valor do iPhone poderia subir 25% só com os custos trabalhistas dos EUA", disse Wamsi Mohan, analista do banco, em um comunicasdo para clientes divulgado nesta quarta-feira e reportado pela Bloomberg.

O objetivo não é a transferência da linha de montagem do iPhone, mas aumentar a capacidade de unidades de produção já existentes nos EUA e construir uma nova fábrica em Houston, no Texas, destinada a produzir servidores que até agora eram fabricados "fora dos Estados Unidos", segundo o comunicado da empresa.

Esses servidores darão suporte para o Apple Intelligence, a IA da marca.

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segunda-feira, 7 de abril de 2025

Apple tem perdas pelo 3º dia consecutivo após tarifaço de Trump

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Empresa perdeu US$ 104 bilhões (R$ 615 bilhões) nesta segunda e já encolheu 18% desde que Donald Trump anunciou novas taxas de importação para os EUA.
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Por Redação g1

Postado em 07 de Abril de 2.025 às 20h25m

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iPhone 16 em loja da Apple em Londres, em 6 de outubro de 2024 — Foto: Reuters/Hollie Adams/File Photo
iPhone 16 em loja da Apple em Londres, em 6 de outubro de 2024 — Foto: Reuters/Hollie Adams/File Photo

A Apple perdeu US$ 104 bilhões (R$ 615 bilhões) em valor de mercado nesta segunda-feira (7). É o 3º dia seguido de negociações com quedas da empresa, uma das mais impactadas pelo tarifaço feito na última semana por Donald Trump.

Desde que o presidente americano anunciou as novas taxas, o valor da empresa encolheu 18%, segundo levantamento da Elos Ayta. O prejuízo equivale a US$ US$ 637 bilhões (R$ 3,7 trilhões).

Entre as chamadas "Sete Magníficas", além da Apple, apenas a Tesla e a Microsoft perderam valor de mercado. Nvidia, Amazon, Meta (Instagram, Facebook e WhatsApp) e Alphabet (Google) tiveram o primeiro dia de alta desde o tarifaço.

Considerando as variações das sete empresas, houve crescimento de US$ 32 bilhões (R$ 190 bilhões) nesta segunda. Na quinta (3) e na sexta-feira (4), as marcas tinham acumulado perda de US$ 1,8 trilhão (R$ 10,6 trilhões).

A Apple tem 90% dos iPhones fabricados na China e deverá ser atingida em cheio pela alta de tarifas, segundo o jornal The New York Times.

Os custos para a empresa produzir no país devem subir em US$ 8,5 bilhões (R$ 50 bilhões), segundo a empresa de investimentos Morgan Stanley.

O iPhone, o iPad e o Apple Watch trazem a maior parte do faturamento anual da empresa, de cerca de US$ 400 bilhões (R$ 2,3 trilhões), segundo o NYT. Agora, a empresa deve decidir se os novos custos serão absorvidos, o que reduzirá sua margem de lucro, ou repassados aos consumidores.

Se as novas taxas forem repassadas para clientes, o preço do iPhone 16 Pro Max nos EUA pode subir de US$ 1.599 (R$ 9.450) para quase US$ 2.300 (R$ 13.600), segundo afirmou a Reuters com base em projeções da empresa de investimentos Rosenblatt Securities, que estima aumento de custos em 43%.

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