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O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA se separou do segundo estágio do foguete Falcon Heavy da SpaceX às 8h57 (horário de Brasília) e passou a voar de forma autônoma.
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Por Redação g1, g1
Postado em 30 de Agosto de 2.026 às 10h35m
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NASA lança telescópio que vai expandir o trabalho do James Webb
A Nasa lançou neste domingo (30) o Nancy Grace Roman, um telescópio espacial criado para observar enormes regiões do céu de uma só vez e encontrar objetos e fenômenos que outros observatórios poderão investigar depois em detalhes.
O lançamento aconteceu às 8h26, no horário de Brasília, a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
Os 27 motores do foguete iniciaram a operação impulsionando-o rapidamente através da atmosfera. Em seguida, o Falcon Heavy atingiu o Max Q, ponto de pressão aerodinâmica máxima durante a subida. Esse é considerado o momento de maior tensão mecânica no foguete.
Após desligarem seus motores, cerca de 2 minutos e 24 segundos depois o lançamento, os dois foguetes auxiliares laterais se separaram do núcleo central e executaram uma manobra de inversão e completaram seu retorno à Flórida, pousando nas Zonas de Pouso 2 e 40.
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Telescópio Roman: Nasa lança novo observatório espacial que terá uma visão do céu pelo menos 100 vezes maior — Foto: Reprodução
Um dos foguetes auxiliares laterais completou seu primeiro voo. O outro completou seu terceiro voo, após ter dado suporte às missões GOES-U e Viasat-3 F3. Cerca de 30 minutos após o lançamento, o Roman permanecia preso ao segundo estágio do Falcon Heavy, e o motor continuava em chamas.
Roman estabeleceu comunicação por meio de um satélite de rastreamento e retransmissão de dados da NASA no início da ascensão, às 8h56. A separação do segundo estágio do foguete ocorreu às 8h57, quando o telescópio passou a voar de forma autônoma.
Os controladores da missão continuarão monitorando o observatório enquanto ele inicia sua jornada rumo a uma órbita ao redor do segundo ponto de Lagrange Sol-Terra, ou L2, a cerca de 1,6 milhão de quilômetros da Terra.
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Telescópio vai mapear grandes áreas do céu. — Foto: Arte g1
O diferencial do Roman
O principal diferencial do Roman está justamente no tamanho da área que conseguirá enxergar.
Sua câmera de 300 megapixels terá um campo de visão pelo menos 100 vezes maior que o de instrumentos semelhantes do Hubble.
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Lançamento aconteceu às 8h26 deste domingo (30). — Foto: Reprodução
A expectativa é que a missão identifique planetas, galáxias, supernovas e outros fenômenos que poderão ser estudados depois por observatórios como o James Webb.
O Roman está a caminho de uma região localizada a cerca de 1,6 milhão de quilômetros da Terra, conhecida como ponto de Lagrange 2, ou L2. O Webb também opera nessa área, que oferece condições estáveis para observações espaciais.
O Roman deverá levar algumas semanas para chegar ao destino. Em seguida, passará por testes e ajustes antes do início das observações científicas, previsto para o começo de 2027.
Apesar da proximidade e das frequentes comparações, o novo observatório não substituirá o Webb. Os dois foram construídos para tarefas diferentes.
O Webb consegue observar pequenas áreas e objetos muito distantes com grande riqueza de detalhes. Já o Roman terá uma visão panorâmica e poderá registrar extensas regiões do céu rapidamente.
Com isso, o Roman poderá localizar galáxias, planetas, explosões estelares e outros fenômenos raros. Alguns desses objetos poderão ser observados depois, com mais profundidade, pelo James Webb.
A própria Nasa destaca que os dois observatórios vão trabalhar juntos para estudar galáxias antigas, buracos negros e mundos fora do Sistema Solar.
Veja mais detalhes abaixo.
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Ilustração em alta resolução do telescópio espacial Nancy Grace Roman. — Foto: NASA
O Nancy Grace Roman é o novo grande observatório de astrofísica da Nasa.
O telescópio recebeu o nome da astrônoma Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da Nasa e uma das responsáveis por abrir caminho para a criação do Hubble.
Ele foi desenvolvido principalmente para fazer grandes levantamentos do céu e estudar milhões ou bilhões de objetos ao mesmo tempo.
Seu espelho principal tem 2,4 metros de diâmetro, o mesmo tamanho do espelho do Hubble. A diferença está principalmente no campo de visão e na velocidade com que o Roman poderá fotografar o espaço.
Segundo a Nasa, o telescópio será capaz de observar grandes áreas do céu até mil vezes mais rápido que o Hubble, mantendo sensibilidade e nitidez semelhantes no infravermelho.
O observatório tem cerca de 13 metros de altura e, quando abastecido, pesa aproximadamente 10,5 toneladas.
A sua missão principal terá duração prevista de cinco anos, mas o telescópio foi projetado com a meta de funcionar por até uma década.
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O telescópio recebeu o nome da astrônoma Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da Nasa e uma das responsáveis por abrir caminho para a criação do Hubble. — Foto: Nasa
Ele será o novo James Webb?
Não. O Roman não será sucessor nem substituto do James Webb.
O Webb tem um espelho principal de 6,5 metros e instrumentos capazes de observar regiões muito distantes do Universo, inclusive galáxias formadas quando o cosmos ainda era jovem.
Sua visão, porém, cobre áreas relativamente pequenas. Isso permite estudar cada alvo em detalhes, mas dificulta a realização de grandes levantamentos.
O Roman fará o caminho contrário. Ele observará áreas muito maiores, encontrará grandes populações de objetos e ajudará os astrônomos a escolher quais merecem uma análise mais profunda.
O Roman poderá, por exemplo, detectar uma galáxia rara em meio a milhões de outras. O Webb poderá então apontar seus instrumentos para ela e estudar sua composição, sua idade e as estrelas que existem ali.
Os dois telescópios devem operar ao mesmo tempo e na mesma região do espaço, mas em órbitas diferentes e suficientemente afastadas para não haver risco de colisão.
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Comparação mostra o Hubble (esquerda) e o James Webb. O espelho do Webb tem 6,5 metros de diâmetro; o do Hubble é muito menor, com 2,4 metros. — Foto: Canadian Space Agency
O Roman vai acrescentar contexto às observações detalhadas feitas pelo James Webb.
Uma fotografia do Webb pode mostrar uma pequena região com nitidez extraordinária. O Roman poderá observar uma área muito maior ao redor daquele ponto e revelar se o objeto analisado é comum ou raro.
Essa combinação é importante porque uma descoberta isolada nem sempre mostra o que acontece no restante do Universo.
Ao comparar milhões de galáxias, estrelas ou planetas, os cientistas conseguem identificar padrões e entender como esses objetos mudam ao longo do tempo.
E o Roman também poderá encontrar fenômenos raros que dificilmente apareceriam por acaso no campo mais estreito do Webb, como explosões estelares, estrelas destruídas por buracos negros e colisões entre objetos muito densos.
Depois da localização, o Webb poderá ser usado para examinar os casos mais interessantes.

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Como será a visão do Roman?
O principal instrumento do telescópio será uma câmera de 300 megapixels chamada Wide Field Instrument.
Ela terá um campo de visão pelo menos 100 vezes maior que o de instrumentos semelhantes do Hubble.
Uma única imagem poderá cobrir uma área do céu maior que o tamanho aparente da Lua cheia.
Nos cinco primeiros anos, o Roman deverá observar mais de 50 vezes a quantidade de céu registrada pelo Hubble em suas três primeiras décadas. A missão poderá acompanhar bilhões de galáxias, estrelas, planetas e outros objetos.
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Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, durante sua apresentação ao público no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, em 21 de abril de 2026 — Foto: SAUL LOEB / AFP
O que o Roman vai investigar?
A missão terá três áreas principais de pesquisa: a expansão do Universo, a matéria escura e os planetas localizados fora do Sistema Solar.
Para investigar a energia escura, fenômeno associado à aceleração da expansão do Universo, o Roman observará centenas de milhões de galáxias em diferentes distâncias.
Como a luz desses objetos levou bilhões de anos para chegar à Terra, as imagens permitirão estudar diferentes momentos da história do Universo.
O telescópio também ajudará a mapear a matéria escura, que não pode ser vista diretamente, mas exerce força gravitacional sobre estrelas e galáxias.
Para isso, ele medirá pequenas deformações na luz de galáxias distantes. Essas distorções indicam onde existem grandes concentrações de massa.
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Técnicos conectam as partes interna e externa do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da Nasa, em novembro de 2025. — Foto: NASA/Sydney Rohde
Que planetas ele poderá encontrar?
O Roman vai monitorar estrelas na região central da Via Láctea e procurar pequenas alterações em seu brilho.
A missão usará o método de trânsito, que identifica a passagem de um planeta diante de uma estrela, e a microlente gravitacional, efeito em que a gravidade amplia temporariamente a luz de um objeto distante.
As estimativas indicam que o telescópio poderá encontrar dezenas de milhares de planetas pelo trânsito e mais de mil por microlente.
O Roman também poderá detectar planetas errantes, que viajam pela galáxia sem girar ao redor de uma estrela.
Além disso, levará um coronógrafo, instrumento que reduz o brilho das estrelas para tentar fotografar planetas gigantes e discos de poeira onde novos mundos estão se formando.
Por que a missão é importante?
O Roman deverá produzir dezenas de petabytes de dados ao longo da missão principal. As informações ficarão disponíveis para pesquisadores de diferentes países, inclusive do Brasil.
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Ilustração do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA — Foto: NASA
Sua capacidade de observar grandes áreas permitirá encontrar objetos raros e comparar milhões de galáxias, estrelas e planetas ao mesmo tempo.
Ao mesmo tempo, o James Webb continuará oferecendo uma visão mais profunda e detalhada de alvos específicos.
Juntos, os dois observatórios poderão combinar uma visão ampla do céu com análises precisas de seus objetos mais interessantes.