Total de visualizações de página

domingo, 27 de julho de 2025

O ChatGPT está nos deixando burros?

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


A forma como usamos as ferramentas de IA pode desencorajar a curiosidade intelectual e criar uma dependência que limita o desenvolvimento cognitivo a longo prazo.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
TOPO
Por BBC

Postado em 27 de Julho de 2.025 às 09h35m

. #.*     Post. - Nº.\  5.182     *.# .

Chat GPT — Foto: Getty Images via BBC
Chat GPT — Foto: Getty Images via BBC

Em 2008, a revista americana The Atlantic causou polêmica com uma matéria de capa provocativa que questionava: o Google está nos deixando burros?

No artigo de 4.000 palavras, que depois acabou virando um livro, o autor Nicholas Carr sugeria que a resposta era sim, argumentando que tecnologias com mecanismos de pesquisa estavam piorando a capacidade dos americanos de pensar com profundidade e reter conhecimento.

No centro da preocupação de Carr estava a ideia de que as pessoas já não precisavam mais memorizar ou aprender fatos quando elas podiam simplesmente pesquisar isso online. Apesar de haver alguma verdade nisso, as ferramentas de busca ainda demandam pensamento crítico para interpretar e contextualizar os resultados.

Chegamos aos dias de hoje, e com uma mudança tecnológica ainda mais profunda. Com o surgimento de ferramentas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, os usuários da internet não podem apenas terceirizar a memória, mas o próprio pensamento.

Ferramentas de IA generativa não só resgatam informações, elas podem criar, analisar e resumir conteúdos. Isso representa uma mudança crucial: a IA generativa é a primeira tecnologia com potencial de substituir o pensamento e a criatividade do ser humano.

Isso levanta uma questão importante: o ChatGPT está nos deixando burros?

Como professor de sistemas de informação que trabalha com IA por mais de duas décadas, eu acompanhei essa transformação de perto. E, à medida que cada vez mais pessoas delegam tarefas cognitivas à inteligência artificial, eu acredito que vale a pena refletir o que estamos ganhando e o que corremos risco de perder.

IA e o efeito Dunning-Kruger

A IA generativa está mudando a forma como as pessoas acessam e processam informação.

Para muitos, ela está substituindo a necessidade de analisar fontes, comparar pontos de vista e lidar com ambiguidades. Mas, a IA oferece respostas claras e refinadas em questão de segundos.

Embora os resultados possam ser ou não precisos, eles são inegavelmente eficientes. Isso já vem provocando grandes mudanças no nosso modo de trabalhar e pensar.

Mas a conveniência pode ter um custo.

Quando as pessoas se apoiam na IA para realizar tarefas e pensar por elas, podem acabar enfraquecendo sua capacidade de pensar criticamente, resolver problemas complexos e se envolver profundamente com a informação.

Google e Chat GPT não são médicos; conheça os riscos de se informar somente com eles
Google e Chat GPT não são médicos; conheça os riscos de se informar somente com eles

Embora as pesquisas até o momento sejam limitadas, o consumo passivo de conteúdos de IA generativa pode desencorajar a curiosidade intelectual, reduzir a capacidade de atenção e criar uma dependência que limita o desenvolvimento cognitivo a longo prazo.

Para melhor entender os riscos, consideremos o efeito Dunning-Kruger.

Esse é um fenômeno em que as pessoas menos informadas e menos competentes tendem a ser mais confiantes em suas habilidades, porque elas não sabem o que não sabem.

Em contraste, pessoas mais competentes tendem a ser menos confiantes, geralmente porque elas conseguem reconhecer as complexidades que ainda não dominaram.

Esse conceito pode ser aplicado ao uso da inteligência artificial. Alguns usuários podem se apoiar fortemente em ferramentas como o ChatGPT para substituir seu esforço cognitivo, enquanto outros o usam para potencializar suas capacidades.

No primeiro caso, eles podem acreditar erroneamente que compreendem um assunto por apenas conseguirem repetir o conteúdo gerado por IA. Dessa forma, a inteligência artificial pode artificialmente inflar a percepção de inteligência, ao mesmo tempo que reduz o esforço cognitivo.

Isso cria uma divisão em como as pessoas usam a IA. Alguns permanecem presos no "topo do monte dos burros" usando essas ferramentas para substituir a criatividade e o pensamento crítico. Outras as usam para aumentar suas habilidades cognitivas existentes.

Em outras palavras, o que importa não é se uma pessoa usa IA generativa, mas como ela usa.

Quando usado de forma acrítica, o ChatGPT pode levar à acomodação intelectual. Os usuários podem aceitar suas respostas sem questionar premissas, buscar pontos de vista alternativos ou realizar análises mais profundas.

Mas, quando o ChatGPT é usado como uma ajuda complementar, isso pode torná-lo um recurso poderoso para estimular a curiosidade, gerar ideias, esclarecer temas complexos e provocar diálogos intelectuais.

A diferença entre o ChatGPT nos tornar burros ou aumentar nossas capacidades está em como o utilizamos. A IA generativa deve ser usada para potencializar a inteligência humana, não substitui-la. Isso significa usar o ChatGPT como apoio a uma pesquisa, não um atalho. Significa usar as respostas das ferramentas de IA como o ponto de partida de um pensamento, não o fim.

A adoção em massa de ferramentas de inteligência artificial generativa, liderada pela ascensão explosiva do ChatGPT — que alcançou 100 milhões de usuários dois meses após seu lançamento — tem, na minha opinião, deixado usuários da internet diante de uma encruzilhada.

Um caminho leva ao declínio intelectual: um mundo onde nós deixamos a IA pensar por nós. O outro caminho oferece uma oportunidade: expandir a capacidade do nosso cérebro ao trabalhar em parceria com a IA, aproveitando seu poder para ampliar o nosso próprio.

Com frequência, ouvimos que a inteligência artificial "não vai roubar o nosso emprego", mas alguém usando IA vai.

No entanto, parece claro que as pessoas que usam a IA para substituir suas próprias habilidades cognitivas ficarão presas no topo do "monte dos burros". Essas serão as mais fáceis de serem substituídas.

Aqueles que adotam uma abordagem de aumento cognitivo no uso da IA vão alcançar o caminho da compreensão, trabalhando em conjunto com a inteligência artificial para gerar resultados que nenhum dos dois conseguiria produzir sozinho. É nesse ponto que, inevitavelmente, estará o futuro do trabalho.

Este artigo começou com a pergunta: O ChatGPT está nos deixando burros? Mas eu gostaria de terminá-lo com uma pergunta diferente: Como usaremos o ChatGPT para nos tornar mais inteligentes?

As respostas para ambas as perguntas não dependem da ferramenta, mas de quem a utiliza.

*Aaron French é professor assistente de Sistema da Informação na Universidade estadual de Kennesaw, nos EUA.

Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).

++-====-------------------------------------------------   ----------------------=======;;==========---------------------------------------------------------------------  -----------====-++----  

sábado, 26 de julho de 2025

Golpistas conseguem usar suas fotos nas redes para burlar o reconhecimento facial?

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Fotos tiradas para redes sociais ou acesso a prédios podem ser usadas em fraudes, mas não é tão fácil assim; especialistas alertam para cuidados com dados pessoais.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Darlan Helder, g1

Postado em 26 de Julho de 2.025 às 06h00m

. #.*     Post. - Nº.\  5.181     *.# .

Criminosos podem usar suas fotos nas redes para aplicar golpes financeiros?
Criminosos podem usar suas fotos nas redes para aplicar golpes financeiros?

Para entrar no prédio, na academia, no consultório médico... o reconhecimento facial já faz parte da sua rotina. E a coleta dessas imagens em vários lugares diferentes preocupa especialistas, que alertam para o risco sobre vazamentos, se elas não forem armazenadas com os devidos cuidados.

Mas será que fotos como as que são tiradas para entrar em condomínios e até as selfies nas redes sociais podem ser usadas para burlar sistemas de reconhecimento facial e pedir empréstimos em bancos, por exemplo?

Especialistas ouvidos pelo g1 dizem que sim e a fraude pode ser mais fácil quando o sistema de verificação do aplicativo, por exemplo, não é do tipo "prova de vida" ("liveness detection", inglês), em que a pessoa precisa mexer o rosto para o reconhecimento (entenda mais abaixo).

No entanto, apenas o "liveness" não é suficiente como mecanismo de proteção. Ele precisa ser combinado a outras formas de identificação para garantir que quem está acessando o serviço é, de fato, o titular.

No caso do golpe envolvendo o gov.br, por exemplo, a TV Globo apurou que os suspeitos exploravam justamente essa tecnologia, usando fotos, vídeos e até máscaras para enganar o sistema e serem reconhecidos como rostos vivos.

Os especialistas explicam que fotos comuns geralmente não são suficientes para um golpe. Mas, combinadas com dados como nome, CPF, e-mail, número de telefone, endereço e informações familiares, representam mais risco.

Inclusive, o golpe mais comum envolvendo fotos extraídas das redes sociais é o do "número novo no WhatsApp", uma fraude muito conhecida por afetar vários brasileiros, lembra Rafael Zanatta, diretor do Data Privacy Brasil.

É aquele em que a vítima recebe uma mensagem de alguém que se passa por um conhecido, mas aparece com um número desconhecido. O golpe geralmente começa com algo como "Anota meu número novo" e termina com um pedido de dinheiro.

'Prova de vida' é uma das soluções contra golpes

Sistema de liveness detection. — Foto: Divulgação/Microsoft
Sistema de liveness detection. — Foto: Divulgação/Microsoft

Para evitar fraudes envolvendo reconhecimento facial, muitos apps e serviços adotaram o "liveness detection".

Ele está presente principalmente em apps de bancos e pede para o usuário aproximar o rosto, piscar ou virar a cabeça diante da câmera, para confirmar que se trata de uma pessoa real.

O objetivo é garantir que o sistema esteja interagindo com uma pessoa fisicamente presente e viva no momento da autenticação.

Ele é importante para evitar que criminosos obtenham acesso ao sistema usando uma fotografia, vídeo, máscara ou outros meios para se passar por outra pessoa, segundo a Microsoft.

De acordo com a Amazon, a tecnologia de reconhecimento facial funciona a partir do mapeamento da geometria do rosto. Entre os pontos analisados estão:

  1. a distância entre os olhos;
  2. a profundidade das cavidades oculares;
  3. a distância da testa até o queixo;
  4. o espaço entre o nariz e a boca;
  5. o formato das maçãs do rosto;
  6. além do contorno dos lábios, orelhas e queixo.

Esses pontos do rosto são usados tanto para identificar e verificar a identidade da pessoa quanto para detectar tentativas de fraude, com o uso de fotos, vídeos ou máscaras — é nesse último que entra o recurso de liveness detection, explica Micaella Ribeiro, especialista em identidades e acessos da empresa de cibersegurança IAM Brasil.

A especialista diz que tecnologias modernas de reconhecimento facial — como o Face ID, da Apple, e os sistemas da Amazon e da Microsoft, analisam entre 68 e mais de 100 pontos do rosto. "O número exato vai depender da tecnologia usada por cada empresa", afirma a especialista.

Conheça as estratégias dos banidos e não caia no golpe da biometria facial — Foto: Fantástico/ Reprodução
Conheça as estratégias dos banidos e não caia no golpe da biometria facial — Foto: Fantástico/ Reprodução

"Apesar de o reconhecimento facial ser eficiente em muitos serviços, em ambientes sensíveis, como bancos, o ideal é sempre combiná-lo com outras ferramentas de autenticação", afirma Micaella Ribeiro.

Ainda mais porque a popularização de softwares de inteligência artificial que geram vídeos sintéticos se tornou uma grande ameaça aos sistemas de reconhecimento facial, reforça Rafael Zanatta.

"A tecnologia está avançando rápido e já permite criar vídeos a partir de uma única foto. O Google, por exemplo, lançou o Veo 3, que já faz isso. E os criminosos também vão se adaptando", afirma Rudolf Theoderich Buhler, professor de ciência da computação e IA do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).

Segundo ele, se as empresas não investirem em tecnologias avançadas de autenticação, como prova de vida e multiplos sistemas de verificação, vídeos gerados com IA poderão ser usados para imitar pessoas e simular identidades, burlando sistemas de reconhecimento facial em fraudes.

E como se proteger?

Mulher fazendo uma selfie em seu celular. — Foto: Social.Cut/Unsplash
Mulher fazendo uma selfie em seu celular. — Foto: Social.Cut/Unsplash

Em junho, a Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou uma operação contra uma quadrilha suspeita de aplicar golpes em aposentados do INSS. Segundo a investigação, o grupo tirava selfies das vítimas e, com acesso a seus dados pessoais, abria contas bancárias e contratava empréstimos consignados em nome delas.

Nesses exemplos recentes, não há indícios de que as imagens tenham sido obtidas em redes sociais.

É claro que não existe uma dica perfeita para se proteger nas redes, e os especialistas reconhecem que pedir para as pessoas simplesmente não usarem as plataformas ou não postarem selfies seria extremo demais.

No entanto, eles compartilham algumas dicas que podem te ajudar a evitar que criminosos se aproveitem de suas fotos para aplicar golpes.

Segundo Patricia Peck, advogada em direito digital, a principal recomendação é monitorar seu CPF no site do Banco Central para verificar se há contas bancárias ou empréstimos abertos indevidamente em seu nome. O serviço, chamado Registrato, é gratuito (acesse aqui).

Outra forma simples de aumentar a segurança é ativar a autenticação de dois fatores em todos os serviços que oferecem essa camada de proteção. O recurso é importante para evitar que criminosos invadam suas contas, recomenda o professor Rudolf Theoderich Buhler.

Por fim, especialistas recomendam tornar os perfis nas redes sociais privados. Essa prática pode oferecer uma proteção adicional para suas imagens e limitar o acesso de desconhecidos ao conteúdo que você compartilha.


Reconhecimento facial: veja dilemas na implantação da tecnologia em condomínios
Reconhecimento facial: veja dilemas na implantação da tecnologia em condomínios

Como criar uma senha forte, difícil de ser violada, e proteger suas contas
Como criar uma senha forte, difícil de ser violada, e proteger suas contas

++-====-------------------------------------------------   ----------------------=======;;==========---------------------------------------------------------------------  -----------====-++----  

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Musk mandou Starlink desligar internet durante operação da Ucrânia contra Rússia em 2022, diz agência

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Mais de 100 terminais ficaram inativos após ordem do bilionário; falha de comunicação afetou ofensiva ucraniana e deixou drones e artilharia sem conexão, segundo a Reuters.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
TOPO
Por Reuters

Postado em 25 de Julho de 2.025 às 12h50m

. #.*     Post. - Nº.\  5.180     *.# .

Elon Musk em um evento de luta livre que aconteceu na Filadélfia, nos Estados Unidos. — Foto: Matt Rourke/ AP Foto
Elon Musk em um evento de luta livre que aconteceu na Filadélfia, nos Estados Unidos. — Foto: Matt Rourke/ AP Foto

Elon Musk ordenou que a Starlink desligasse o sinal de internet via satélite em uma região da Ucrânia, em setembro de 2022, interrompendo uma contraofensiva militar contra a Rússia, segundo informações obtidas pela Reuters.

O bilionário forneceu o serviço de internet via satélite da Starlink no início da guerra para que as Forças Armadas da Ucrânia mantivessem comunicação no campo de batalha. A ação, no entanto, abalou a confiança de Kiev na Starlink.

Segundo três pessoas ouvidas pela reportagem, Musk mandou um engenheiro sênior cortar o sinal em regiões como Kherson, ao norte do Mar Negro, que a Ucrânia tentava recuperar. A ordem foi dada no escritório da SpaceX, que controla a Starlink, na Califórnia.

"Temos que fazer isso", afirmou o engenheiro Michael Nicolls, aos colegas ao receber a ordem, segundo uma das fontes.

As três fontes disseram que a ordem foi cumprida e que pelo menos 100 terminais foram desativados. No sistema interno da Starlink, os sinais em forma de hexágono ficaram escuras no mapa de cobertura.

O corte de sinal também atingiu outras regiões ocupadas pela Rússia, como partes da província de Donetsk, no leste do país.

Os horrores da guerra: histórias de brasileiros que se alistaram para lutar pela Ucrânia contra a Rússia
Os horrores da guerra: histórias de brasileiros que se alistaram para lutar pela Ucrânia contra a Rússia

Soldados em pânico

Após a ordem de Musk, as tropas ucranianas enfrentaram um apagão repentino nas comunicações, de acordo com um oficial militar ucraniano, um assessor das Forças Armadas e duas outras pessoas que testemunharam a falha da Starlink na linha de frente.

Os soldados entraram em pânico, os drones que monitoravam as forças russas ficaram às escuras e as unidades de artilharia de longo alcance, que dependiam da Starlink para apontar seus tiros, tiveram dificuldades para atingir os alvos.

Segundo os dois militares, a falha impediu que as tropas cercassem uma posição russa em Beryslav, cidade próxima a Kherson. “O cerco foi totalmente interrompido. Fracassou”, afirmou um dos oficiais.

Mais tarde, a Ucrânia conseguiu retomar Beryslav, Kherson e outros territórios que estavam sob ocupação russa.

Essa foi a primeira vez que veio a público uma ordem direta de Musk para desligar o sinal da Starlink em um campo de batalha durante um conflito.

A decisão chocou alguns funcionários da Starlink e reformulou a linha de frente dos combates, permitindo que Musk se apropriasse do resultado de uma guerra, segundo disse uma das fontes.

O que dizem Musk e a Starlink

O relato do comando contraria a narrativa do bilionário sobre o serviço da Starlink na Ucrânia em meio à guerra.

Em março, Musk fez um comentário crítico ao conflito, no X, e disse que o sistema da Starlink era "a espinha dorsal" do exército ucraniano. "Toda a linha de frente deles iria desabar se eu o desligasse", acrescentou.

Depois, ele disse que o comentário não representava nenhum tipo de ameaça. "Para ser bem claro: não importa o quanto eu discorde da política da Ucrânia, a Starlink jamais desligará seus terminais. Estou apenas afirmando que, sem a Starlink, as linhas ucranianas entrariam em colapso, já que os russos podem bloquear todas as outras comunicações!"

"Jamais faríamos uma coisa dessas ou usaríamos isso como moeda de troca", concluiu Musk.

O bilionário e o engenheiro Michael Nicolls não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.

Um porta-voz da SpaceX disse, por email, que a reportagem é "imprecisa" e encaminhou aos repórteres uma publicação da empresa no X. O post, de fevereiro de 2025, diz que a Starlink "está totalmente comprometida com o fornecimento de serviços para a Ucrânia".

O porta-voz não especificou nenhuma imprecisão na reportagem e não respondeu a uma longa lista de perguntas sobre o incidente, o papel da Starlink na guerra da Ucrânia ou outros detalhes sobre os negócios da empresa.

O gabinete do presidente Volodymyr Zelensky e o Ministério da Defesa da Ucrânia não responderam aos pedidos de comentários.

A Starlink ainda fornece serviços para a Ucrânia, e as Forças Armadas ucranianas dependem dela para alguma conectividade. Neste ano, Zelensky expressou publicamente sua gratidão a Musk pela Starlink.
Motivo desconhecido

Não está claro o que teria motivado a decisão de Musk, ou o momento exato que ele teria dado a ordem. Também não se sabe exatamente quanto tempo a interrupção durou.

As três pessoas familiarizadas com a ordem disseram acreditar que a decisão ocorreu por preocupações de Musk, que o bilionário expressou algum tempo depois, de que os avanços da Ucrânia poderiam causar uma retaliação nuclear da Rússia.

Uma fonte afirmou que o corte ocorreu em 30 de setembro de 2022. As outras duas afirmaram que foi por volta dessa data.

Um ex-funcionário da Casa Branca disse à Reuters que algumas autoridades de alto escalão dos EUA compartilhavam as preocupações de Musk de que a Rússia cumpriria as ameaças de escalada militar.

Trump e Musk: da lua de mel ao divórcio
Trump e Musk: da lua de mel ao divórcio

Influência de Musk na geopolítica

A ordem de Musk foi um primeiro indício do poder que o magnata exerce na geopolítica e na segurança global com seu serviço de internet via satélite. A Starlink mal existia no início desta década e agora fornece conectividade até em regiões isoladas do mundo.

Mesmo antes de se aproximar de Donald Trump e atuar como seu conselheiro na Casa Branca, Musk já havia ganhado influência entre líderes políticos, governos e Forças Armadas por causa do avanço da Starlink e sua capacidade de oferecer conexão global.

A influência do bilionário em assuntos militares em Washington e em outros países por meio do domínio da Starlink e da influência da SpaceX em lançamentos espaciais alcançou níveis antes exclusivos de governos. Isso despertou preocupação entre reguladores e parlamentares.

"O atual domínio global de Elon Musk exemplifica os perigos do poder concentrado em domínios não regulamentados", afirmou a parlamentar britânica Martha Lane Fox em um debate neste ano. Ela é ex-integrante do conselho do Twitter, rede social que Musk comprou em 2022 e rebatizou como X.

Segundo ela, o controle da Starlink "depende exclusivamente de Musk, permitindo que seus caprichos ditem o acesso à infraestrutura vital".

A influência política de Musk e seus grandes contratos com o governo federal dos EUA estão agora sendo questionados.

Após se afastar de Trump, Musk brigou publicamente com o presidente dos EUA, anunciou que criará um novo partido e criticou uma lei do governo envolvendo gastos, alegando que ela aumenta o déficit e ameaça empregos.

Trump respondeu ameaçando cortar contratos e subsídios concedidos às empresas de Musk, inclusive projetos de defesa considerados lucrativos.

Independentemente das razões, a decisão de Musk sobre o corte surpreendeu quem acompanhava a guerra, desde soldados ucranianos até militares dos EUA.

Cinco pessoas familiarizadas com o incidente disseram que, durante a interrupção, autoridades ucranianas entraram em pânico e pediram informações ao Pentágono, mas receberam poucas respostas sobre o motivo da interrupção.

O Departamento de Defesa dos EUA não quis comentar. A Reuters não conseguiu confirmar se a Casa Branca ou o Pentágono conversaram com Musk após o incidente.

++-====-------------------------------------------------   ----------------------=======;;==========---------------------------------------------------------------------  -----------====-++----