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segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Como funciona um data center? E por que ele pode consumir tanta energia e água?

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Local voltado para armazenar e processar informações tem o consumo elevado se for destinado ao treinamento de modelos de inteligência artificial.
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Por Victor Hugo Silva, g1
25/08/2025 00h45 
Postado em 25 de Agosto de 2.025 às 07h45m

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Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas
Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas

Operar um data center exige uma estrutura complexa de energia para que todos os equipamentos funcionem e sejam refrigerados de forma adequada.

Como podem ser usados por milhões de pessoas, esses espaços devem funcionar 24 horas por dia. Para garantir isso, as empresas adotam geradores e até suas próprias subestações de energia (veja abaixo como eles funcionam).

 Um data center ("centro de dados", em inglês) é um local que armazena e processa informações. Ele pode ser dividido em dois tipos: nuvem (cloud), para operar serviços na internet, e IA, para treinar modelos de linguagem complexos.

O treinamento dos modelos de IA mais conhecidos envolve um enorme volume de dados e só pode ser feito com chips de processamento modernos, que exigem mais energia e, por isso, esquentam mais.

Com equipamentos mais quentes, a única forma de controlar a temperatura é adotar um sistema de resfriamento líquido, por água ou óleo – data centers de nuvem podem ser refrigerados a ar porque consomem menos energia.

Data centers refrigerados a água preocupam por conta do alto consumo. Fazer até 50 perguntas para o ChatGPT pode consumir meio litro de água, segundo um estudo da Universidade da Califórnia, em Riverside.

O Brasil tem cerca de 180 data centers em funcionamento. Nenhum deles é voltado para inteligência artificial, mas quatro projetos desse tipo já foram anunciados no país. Eles poderão ter consumo de energia equivalente ao de 16,4 milhões de casas – saiba mais sobre os projetos.

Como funciona um data center por dentro — Foto: Dhara Assis e Gui Sousa/g1
Como funciona um data center por dentro — Foto: Dhara Assis e Gui Sousa/g1

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O que é o processador do celular e como ele funciona?

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Além de fazer o smartphone rodar apps sem travar, o chip controla vários outros recursos, como câmera, desempenho dos games e das funcionalidades de inteligência artificial, por exemplo.
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Por Henrique Martin, g1

Postado em 25 de Agosto de 2.025 06h00m

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Smartphone desmontado. O processador está na maior peça, que é a placa principal do celular. — Foto: Dan Cristian Pădureț/Pexels
Smartphone desmontado. O processador está na maior peça, que é a placa principal do celular. — Foto: Dan Cristian Pădureț/Pexels

O processador faz parte de quase todos os aspectos do desempenho do celular. É o "cérebro" do dispositivo.

O chip precisa garantir rapidez no uso do aparelho, desde a abertura de aplicativos em milissegundos, o gerenciamento do consumo de bateria e lidar com tarefas simultâneas sem travar.

Para fazer tudo isso, o chip usado nos celulares é diferente daquele usado nos computadores convencionais. Nos PCs, cada parte é individual – como a placa-mãe, o processador, a placa de vídeo, por exemplo.

Empresas como Apple, MediaTek, Qualcomm e Samsung desenvolvem esses produtos baseados no que se chama de SoC, ou System on a Chip – sistema em um chip só.

O SoC junta os pedacinhos essenciais para o funcionamento do celular em uma peça só:

  • CPU (o processador)
  • GPU (a placa de vídeo)
  • NPU (unidade de processamento neural, usada para funções de inteligência artificial)
  • ISP (processador de sinal de imagem, usado na fotografia)
  • Módulos de conectividade (modem 5G, wi-fi, bluetooth)

O Guia de Compras preparou uma lista de perguntas e respostas sobre o tema. Veja a seguir:

Dá para pensar que a construção de um processador é similar à de um motor de carro, explica Samir Vani, diretor da MediaTek no Brasil.

O chip do celular precisa equilibrar as funcionalidades principais para garantir que nada trave, por exemplo.

O desempenho é determinado pela arquitetura e geração dos processadores (quanto mais nova, maior a capacidade de processamento), pela velocidade do clock (a frequência que eles executam suas funções básicas) e pelo número de núcleos da CPU (o padrão hoje são de 8 a 10, distribuindo a carga de processamento).

Abrir um game exige do processador o esforço de inicializar o aplicativo, mas o SoC consegue liberar o processamento de vídeo (os gráficos do jogo) para a GPU, em um jogo do equilíbriocom a CPU e, dependendo do aparelho, a NPU.

A ideia aqui é que o SoC consiga balancear todos os recursos ao mesmo tempo – como rodar o game em maior resolução, sem travar, com gráficos fluidos e ainda gastar o mínimo de energia possível.

"Hoje, os processadores têm os mesmos recursos de placas de vídeo mais avançadas, com o Ray Tracing, que "simula o comportamento da luz real" para oferecer gráficos mais realistas, explica Helio Oyama, diretor de negócios da Qualcomm.

Vale ressaltar que cada fabricante pode criar o SoC (e seus ajustes internos) seguindo especificações do smartphone.

Mas todos os chips de celular, independentemente de quem o produziu, seguem as instruções de produtos criados pela ARM, uma companhia inglesa dona da "receita" dos chips de celular.

Um celular dobrável tem chip diferente?

Galaxy Z Fold7 aberto: apenas 4,2 mm de espessura — Foto: Samsung/Divulgação
Galaxy Z Fold7 aberto: apenas 4,2 mm de espessura — Foto: Samsung/Divulgação

Na prática, é quase o mesmo chip, com algumas pequenas mudanças.

Ele precisa ser poderoso para atender a demandas específicas, segundo Oyama, como suporte a múltiplas telas, maior eficiência para equilibrar o consumo de energia e melhorar a gestão térmica.

Nesse momento, entra a otimização de fabricante de chip em parceria com a marca do celular. "São feitos ajustes na GPU para lidar de forma mais eficiente com as telas externas e internas", completa o executivo da Qualcomm.

Por que os celulares mais caros têm processadores melhores?

Os processadores usados nos smartphones topo de linha são os que têm chips mais avançados fabricados em processos nanométricos. Um nanômetro é uma medida de tamanho referente à bilionésima parte de um metro.

"Os nanômetros referem-se à litografia, ou seja, a distância entre os transistores em um chip. Quanto menor esse espaçamento, maior o número de transistores que podem ser colocados nele, comenta Oyama.

Na prática, mais transistores representam maior velocidade de processamento e melhor desempenho sem precisar aumentar o tamanho físico do SoC.

Os chips mais novos, como o Apple A18 Pro (iPhone 16e), Qualcomm Snapdragon 8 Elite (Samsung Galaxy Z Fold7), Samsung Exynos 2400e (Galaxy S24 FE) e MediaTek Dimensity 9400+ (aparelhos da Oppo e Jovi lançados na Ásia), são fabricados com processos de 3 nanômetros, o mais avançado até o momento.

Aparelhos intermediários usam chips de 4 a 6 nanômetros, por exemplo. Pouco mais de dez anos atrás, os processos eram de 28 nanômetros, como o Apple A7 do iPhone 5C.

O que o controle da temperatura tem a ver com o processador?

Se a temperatura do processador aumenta muito, o celular esquenta na mão do consumidor.Isso faz com que o desempenho caia e o consumo de energia aumente, diz Vani, da MediaTek.

Mais calor significa aumento no consumo e menor duração da bateria.

Os SoCs utilizam algoritmos para reger a orquestra de componentes para tornar tudo mais eficiente, segundo o executivo.

Celular carrega mais rápido se tiver processador melhor?

Além do controle energético presente nos processadores de celulares, que ajuda a bateria a durar mais, o SoC também lida com o tempo de carregamento. Nesse caso, não precisa ser o celular mais novo, com o chip mais recente.

Modelos intermediários mais novos (como a geração chinesa recém-chegada ao Brasil) suportam carregadores de 45W, 60W e até 100W, que permite "encher" a bateria bem rápido.

Para comparação, o carregador padrão do iPhone vendido pela Apple é de 20W.

O chip ajusta o controle de corrente e voltagem enviado para a bateria.

Se o celular tiver o recurso de carga rápida, o tempo do telefone ligado na tomada diminui drasticamente. "Um carregamento de 5% a 70% em 20 minutos pode mudar como o usuário interage com o aparelho, diz Vani.

Uso de inteligência artificial causa impacto no uso do celular?

As funcionalidades mais novas de inteligência artificial no celular esbarram em uma questão de privacidade.

Ao pedir para editor de imagens de um Galaxy S25 ou iPhone 16 removerem e recriarem partes da foto, por exemplo, é comum que os dados sejam enviados para a nuvem do Google, Samsung ou Apple para processamento.

A NPU do SoC entra para resolver ou pelo menos reduzir o envio de dados pessoais para os servidores dessas empresas. Como ocorre com a GPU, a NPU alivia o processador para lidar com esses dados.

De novo, entra a questão da bateria: com o processamento no celular, o consumo de energia é reduzido e elimina a questão de usar wi-fi ou 5G para mandar os dados.

Como saber qual é o melhor processador para o meu celular?

Essa resposta envolve avaliar os diversos critérios citados acima – como desempenho geral e eficiência energética –, além das capacidades específicas de cada celular (como tamanho e resolução da tela, capacidade total da bateria, número de câmeras, resolução das câmeras).

Checar pela última geração dos fabricantes (Apple, MediaTek, Samsung e Qualcomm) também é um indicador de um produto melhor.

Os sistemas em um chip mais recentes dessas marcas são:

  • Apple: A16 Bionic, A17 Pro, A18 e A18 Pro (usados do iPhone 15 em diante)
  • MediaTek: Dimensity 9300 e 9400 (topo de linha), 7200 e 8300 (intermediários) e 6300 (básicos)
  • Samsung: Exynos 2400 e 2500 (topo de linha), 1580 (intermediários) e 1530 (básicos)
  • Qualcomm: Snapdragon 8 Elite (topo de linha), 7 Gen 4 e 6 Gen 4 (intermediários), 4 Gen 2 (básicos).

Veja a seguir uma lista de smartphones com SoCs mais recentes da Apple, Qualcomm e MediaTek. Os preços dos produtos iam de R$ 4.000 a R$ 13.600 nas lojas on-line consultadas em agosto.

iPhone 16 Pro Max
Apple iPhone 16 Pro Max
  • Processador: Apple A18 Pro
Moto Edge 60 Pro
Motorola Edge 60 Pro
  • Processador: Mediatek Dimensity 8350 Extreme
Samsung Galaxy Z Fold7
Samsung Galaxy Z Fold7
  • Processador: Qualcomm Snapdragon 8 Elite
Xiaomi Mi 14T
Xiaomi 14T
  • Processador: Mediatek Dimensity 8300 Ultra

Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados. Caso o leitor opte por adquirir algum produto a partir de links disponibilizados, a Globo poderá auferir receita por meio de parcerias comerciais. Esclarecemos que a Globo não possui qualquer controle ou responsabilidade acerca da eventual experiência de compra, mesmo que a partir dos links disponibilizados. Questionamentos ou reclamações em relação ao produto adquirido e/ou processo de compra, pagamento e entrega deverão ser direcionados diretamente ao lojista responsável.

Celulares dobráveis em 2025: mais opções, mas bem mais caros
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Inteligência artificial no celular
Inteligência artificial no celula

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quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Representantes de big techs reclamam de STF, Anatel, Congresso e PIX para órgão dos EUA que investiga Brasil

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Representantes de gigantes como Meta e Google afirmam ter preocupações que as redes sociais têm no Brasil sobre conteúdo publicado por terceiros.
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Por Redação g1

Postado em 21 de Agosto de 2.025 às 05h00m

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Brasil responde à acusação dos EUA e nega práticas desleais de comércio
Brasil responde à acusação dos EUA e nega práticas desleais de comércio

Associações de gigantes americanas de tecnologia afirmam ter preocupações com o aumento da responsabilidade que as redes sociais têm no Brasil sobre o conteúdo publicado por terceiros.

Elas também reclamam de medidas tomadas por órgãos como o Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso Nacional, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Banco Central.

As representantes das empresas dizem que, apesar de ser um mercado importante, o Brasil criou ou propôs uma série de medidas que minam as operações de serviços digitais no mercado brasileiro.

As declarações foram enviadas ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que investiga o Brasil a pedido de Donald Trump sob alegação de "práticas comerciais desleais" contra os EUA.

As empresas foram representadas pelas seguintes entidades: Associação da Indústria de Computadores e Comunicações (CCIA), Associação de Tecnologia do Consumidor (CTA) e Conselho da Indústria de Tecnologia da Informação (ITI).

Entre os membros das associações, estão empresas americanas como Meta, Google, Microsoft, Amazon, Apple, Nvidia e OpenAI.

O X, de Elon Musk, enviou seu posicionamento próprio, sem associações. No documento, a rede social afirma que decisões da Justiça brasileira ignoram um acordo jurídico entre o Brasil e os Estados Unidos e colocam em risco a liberdade de expressão.

O governo brasileiro enviou sua resposta ao USTR na segunda-feira (18), afirmando que não adota políticas discriminatórias, injustificáveis ou restritivas ao comércio com os EUA e que não há base jurídica ou factual para a imposição de sanções.

Veja abaixo o que as associações de big techs afirmaram em seus posicionamentos.

STF

Elas citam o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do artigo 19 do Marco Civil da Internet. O trecho diz que redes sociais são responsáveis pela postagem de um usuário se descumprirem ordem judicial que obrigue a derrubada do conteúdo.

O STF decidiu que o artigo 19 do Marco Civil da Internet é parcialmente inconstitucional e listou mais sete casos em que as plataformas devem derrubar posts criminosos por conta própria, isto é, sem precisar esperar uma ordem judicial.

Em seu comentário, a CCIA afirma que as plataformas vão "enfrentar fortes incentivos para se envolverem na remoção preventiva ou generalizada de conteúdo para mitigar o risco legal".

A CTA, por sua vez, diz que o Brasil exigiu a remoção de conteúdo não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, e alegou que isso "viola os direitos da Primeira Emenda de empresas e cidadãos americanos".

Anatel

A CCIA critica a decisão da Anatel de ampliar a responsabilidade de marketplaces sobre o que é vendido por terceiros.

Para a associação, as disposições inibem "a participação no mercado online do Brasil, aumentando os custos de compliance para plataformas internacionais e criando barreiras de entrada para empresas estrangeiras".

O ITI diz que tornar empresas responsáveis por bens e serviços que não produzem ou controlam "cria encargos desproporcionais de compliance, especialmente para empresas americanas que operam no mercado brasileiro".

Congresso

As associações da indústria de tecnologia expressam preocupações com o projeto de lei sobre inteligência artificial que tramita no Congresso.

Elas argumentam que a legislação, se aprovada em sua forma atual, criaria barreiras significativas para desenvolvedores de IA dos EUA e empresas que buscam exportar produtos e serviços relacionados à IA para o Brasil

Elas citam o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), do governo, e afirmam que ele enfatiza a criação de soluções "por brasileiros e para brasileiros". A priorização pode "limitar o acesso a ofertas estrangeiras mais avanças ou econômicas", diz a ITI.

Banco Central

As representantes das big techs reconhecem o "sucesso notável" do PIX, mas alegam que há um "duplo papel" do Banco Central, que atua como regulador e competidor no setor de pagamentos.

O ITI afirma que o PIX é uma rede de pagamentos administrada pelo Banco Central, que serve como um concorrente no mercado. "Na prática, os EPS [serviços de pagamentos eletrônicos] americanos estão sujeitos a uma grave desigualdade de condições, pois precisam competir com seu próprio regulador".

As associações apontam o que consideram "distorções anticompetitivas", afirmando que o Banco Central tem acesso a informações confidenciais que lhe permitem moldar dinâmicas de mercado em benefício próprio.

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