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domingo, 13 de junho de 2021

iOS 15 e Android 12: veja o que vai mudar nos sistemas para celulares

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Apple e Google anunciaram mudanças na interface e novos recursos para os softwares dos smartphones. Confira os detalhes e quando as atualizações chegarão nos aparelhos.
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Por G1

Postado em 13 de junho de 2021 às 14h35m

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iOS 15 ganhou SharePlay, Texto ao Vivo e mudanças nas notificações. — Foto: Divulgação/Apple
iOS 15 ganhou SharePlay, Texto ao Vivo e mudanças nas notificações. — Foto: Divulgação/Apple

Todos os anos a Apple e o Google demonstram as novas versões dos seus sistemas operacionais para celulares, o iOS e o Android, respectivamente.

A fabricante do iPhone anunciou suas novidades na última terça-feira (7) em sua conferência global para desenvolvedores (WWDC, na sigla em inglês). O Google, por sua vez, fez a sua apresentação em 18 de maio, durante o Google I/O.

Confira todas as novidades do iOS 15 e do Android 12:

iOS 15

A nova versão do sistema do iPhone já está disponível na versão de testes para desenvolvedores, mas, a Apple informou que a versão estável só será liberada no outono do hemisfério Norte, isto é, entre setembro e dezembro (veja ao fim da reportagem quais celulares serão compatíveis).

Novas notificações

As notificações do iOS 15 foram redesenhadas: elas passarão a exibir fotos de quem enviou uma mensagem e ícones maiores de aplicativos.
Novo sistema de notificações do iOS 15. — Foto: Divulgação/Apple
Novo sistema de notificações do iOS 15. — Foto: Divulgação/Apple

O sistema também terá uma coletânea de notificações que considera de pouca urgência. Ela é entregue uma só vez de manhã ou à noite – serviços de mensagens continuarão alertando em tempo real.

Foco

O modo Foco é uma tentativa da Apple de reduzir distrações de acordo com o momento do dia. Funcionará como uma espécie de "perfil de uso": será possível configurar o modo de trabalho e o modo pessoal, por exemplo.

Ao alternar entre os perfis, o celular vai bloquear notificações de determinados apps e priorizar de outros.
Modo Foco do iOS 15. — Foto: Divulgação/Apple
Modo Foco do iOS 15. — Foto: Divulgação/Apple

A tela inicial também poderá ser configurada de forma personalizada, com aplicativos de trabalho na primeira página durante o expediente, por exemplo.

O iOS irá sugerir o modo Foco automaticamente com base nos horários pessoais, de trabalho e de dormir. O perfil de uso selecionado poderá ser sincronizado entre todos os aparelhos da Apple.

FaceTime

O FaceTime, serviço de videochamadas da Apple, vai ficar mais aberto: usuários do Windows ou do Android poderão entrar nas ligações. Até agora, a ferramenta era restrita para quem tinha produtos da empresa.
FaceTime poderá ser acessado pelo navegador no Windows e no Android. — Foto: Reprodução
FaceTime poderá ser acessado pelo navegador no Windows e no Android. — Foto: Reprodução

Os usuários de iPhone ou de outros dispositivos da Apple poderão enviar o link da chamada para outros participantes, como já acontece com ferramentas como o Google Meet e Zoom. O FaceTime também terá opções para melhorar a qualidade de áudio e para desfocar o fundo da imagem.

SharePlay

Função SharePlay no iOS 15. — Foto: Divulgação/Apple
Função SharePlay no iOS 15. — Foto: Divulgação/Apple

O serviço de chamadas da Apple ganhou ainda o SharePlay, que permitirá assistir séries e vídeos simultaneamente com amigos que também tiverem um iPhone (ou iPad ou Mac). Quem estiver assistindo pode pausar, avançar ou voltar e o outro participante ficará sincronizado.

Texto ao Vivo

O iOS 15 ganhou recursos de inteligência artificial que se assemelham ao do Google Lens, aplicativo do concorrente.
Ferramenta no iOS 15 vai permitir copiar texto de foto. — Foto: Divulgação/Apple
Ferramenta no iOS 15 vai permitir copiar texto de foto. — Foto: Divulgação/Apple

Ao acessar as fotos no rolo da câmera, será possível tocar e segurar sobre um objeto para obter informações como a raça de um cachorro ou a localização de um estabelecimento. Esse recurso também permitirá copiar da foto um texto escrito à mão.

Outras novidades

  • O navegador Safari vai liberar um novo visual;
  • O aplicativo Notas permitirá criar hashtags para categorias e marcar outros usuários;
  • O aplicativo Fotos tem nova interface e integração com Apple Music para criar automaticamente vídeos com colagens;
  • O aplicativo de e-mail ganhará uma proteção de privacidade para esconder seu endereço de IP e localização, além de bloquear serviços que avisam se o usuário abriu uma mensagem;
  • O aplicativo Apple Maps terá interface repaginada com novo modo noturno;
  • Relatório de Privacidade de Apps, que irá mostrar como cada aplicativo acessou informações, dados e sensores como câmera e microfone;
  • A Siri, assistente de voz do sistema, vai processar todas as informações localmente, o que, segundo a Apple, vai deixá-la mais ágil;
  • O iCloud ganhou um recurso de "herança", no qual será possível definir um contato que poderá solicitar acesso aos seus dados.
Android 12

O Android 12 já disponibilizou sua versão de testes, mas, por enquanto, ela está disponível apenas para alguns celulares. A expectativa do Google é que o sistema chegue à sua versão estável no terceiro trimestre de 2021.

No entanto, a maior parte dos usuários deverá levar mais tempo para receber a atualização. Isso porque cabe a cada fabricante definir quando os seus smartphones receberão a nova geração do sistema operacional (veja no fim da reportagem quais celulares já suportam o Android 12).

Novo visual

O Android 12 ganhou nova linguagem visual, considerada pelo Google como a maior mudança desde a criação do sistema. O padrão, batizado de "Material You", é mais colorido e personalizável, de acordo com a empresa.
Novo visual do Android 12. — Foto: Reprodução/Google
Novo visual do Android 12. — Foto: Reprodução/Google

Entre as novidades, está a mudança automática nas cores dos botões para deixá-los mais parecidos com o papel de parede na tela inicial. A plataforma identifica as cores predominantes da imagem e, então, utiliza tons semelhantes em suas telas.

A alteração poderá ser observada em áreas como tela de notificações, tela de bloqueio, controles de volume e widgets.

Nova tela de notificações

O Google afirmou que a área de notificações do Android 12 foi modificada para ajudar usuários a concluírem suas tarefas mais rapidamente.

Novo tela de notificações do Android 12. — Foto: Divulgação/Google

A tela facilitará o acesso a configurações como Wi-Fi e Bluetooth. Quando uma delas for selecionada, o sistema abrirá uma janela rápida para fazer os ajustes, sem precisar abrir as configurações. Além disso, os botões com acesso rápido poderão ser personalizados.

Recursos de privacidade

O sistema ganhou uma lista para indicar quais aplicativos têm acesso a permissões como microfone, câmera e localização.

O Painel de Privacidade, como é chamado, informará o que cada serviço pode acessar e qual a frequência com que eles utilizam essas informações. Além disso, a seção permitirá remover permissões aos apps.

A plataforma exibirá ainda um ícone no topo direito da tela, que aparecerá quando a câmera ou o microfone estiverem sendo utilizados. O objetivo é garantir que você saiba quando os componentes estão ativos para evitar gravações sem o seu conhecimento.
Android 12 sinalizará quando microfone ou câmera do celular estão sendo usados. — Foto: Divulgação/Google
Android 12 sinalizará quando microfone ou câmera do celular estão sendo usados. — Foto: Divulgação/Google

Quem preferir pode desativar os componentes em todo o sistema e liberá-los quando eles precisarem ser usados pelos aplicativos. Neste caso, os apps deverão pedir permissão a cada vez que precisarem usar microfone ou câmera.

Outras novidades:

  • O Google Assistente poderá ser acionado ao apertar e segurar botão de liga/desliga;
  • Em sites compatíveis, o Google Assistente pode realizar no Chrome todo o processo de mudança de senhas para os usuários;
  • O Google Lens permitirá pesquisar por produtos que aparecem em capturas de tela;
  • O Google Maps mostrará informações sobre circulação em bairros, e não apenas em determinados estabelecimentos;
  • O smartphone poderá ser usado para destrancar carros com Android Auto.
Celulares que receberão iOS 15 e Android 12

De acordo com a Apple, o iOS 15 será liberado para os seguintes aparelhos:

  • iPhone 6s e 6s Plus;
  • iPhone SE e SE 2ª geração;
  • iPhone 7 e 7 Plus;
  • iPhone 8 e 8 Plus;
  • iPhone X;
  • iPhone XR
  • iPhone XS e XS Max;
  • iPhone 11, 11 Pro e 11 Pro Max;
  • iPhone 12, 12 mini, 12 Pro, 12 Pro Max.

Já a disponibilidade do Android 12 será definida por cada fabricante. Mas, o Google informou que a versão de testes do sistema já está disponível nestes celulares:

  • Asus Zenfone 8;
  • Google Pixel 3, 3 XL, 3a, 3a XL, 4, 4 XL, 4a, 4a (5G) e 5;
  • OnePlus 9 e 9 Pro;
  • Oppo Find X3 Pro;
  • Realme GT;
  • Aquos Sense 5G;
  • Tecno Camon 17;
  • TCL 20 Pro 5G;
  • Vivo iQOO7 Legend;
  • Xiaomi Mi 11, Mi 11 Ultra, Mi 11i e Mi 11x Pro;
  • ZTE Axon 30 Ultra 5G.

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Falta de chips faz Volkswagen suspender produção em SP e no Paraná por 10 dias

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Em nota, companhia afirmou que tenta minimizar os efeitos da escassez de semicondutores que atinge a produção de veículos no Brasil.
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Por Patrícia Basilio, G1

Postado em 13 de junho de 2021 às 13h10m

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Linha de produção da Volkswagen  — Foto: Divulgação/Volkswagen
Linha de produção da Volkswagen — Foto: Divulgação/Volkswagen

A Volkswagen anunciou nesta sexta-feira (11) que vai suspender por 10 dias a fabricação de veículos em duas unidades de São Paulo e outra no Paraná, devido à falta de chips. Os funcionários entrarão em férias coletivas.

Em nota, a companhia afirmou que tem tentado minimizar no Brasil os efeitos da escassez de semicondutores que atinge a produção de veículos no mundo.

"Entretanto, o cenário atual não demonstra o encaminhamento para uma solução definitiva visando a normalização do fornecimento de chips. Ao contrário, há sérios riscos de agravamento dessa situação nas próximas semanas", afirmou a empresa, no documento.

Devido à escassez de insumos, a montadora alemã anunciou que vai paralisar as operações de suas fábricas de São Bernardo do Campo e São Carlos (SP) e de São José dos Pinhais (PR) a partir de 21 de junho, por 10 dias.

"Novas paralisações não estão descartadas futuramente caso o cenário global de fornecimento de semicondutores permaneça crítico, impactando diretamente as atividades de produção da empresa no Brasil", acrescentou a empresa.

Em entrevista à Globo News na terça-feira (8), Pablo Di Si, presidente da Volkswagen no Brasil, afirmou que a solução para a falta de peças só deve vir em 2022, com o aumento na produção de semicondutores e o equilíbrio entre oferta e consumo.

Até lá, vamos ter interrupções diárias ou por semana, ficaremos nesses altos e baixos, disse.

Apesar das dificuldades, a Volkswagen mantém as projeções de crescimento para o ano. Di Si lembra que a escassez de semicondutores é uma realidade desde outubro do ano passado.

E que, ainda assim, a produção de veículos no Brasil, segundo a Anfavea, associação que reúne as montadoras, cresceu 55,6% de janeiro a maio deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.

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sexta-feira, 11 de junho de 2021

Governo promulga lei que garante internet gratuita a alunos e professores de escola pública

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Serão R$ 3,5 bilhões para ações de conectividade no país. Recursos deverão ser transferidos em até 30 dias.
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Por Elida Oliveira, G1

Postado em 11 de junho de 2021 às 13h00m

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Lei pretende garantir acesso à educação remota, com pagamento de conectividade para alunos carentes e professores. — Foto: Julio Cavalheiro/Governo do Estado de Santa Catarina
Lei pretende garantir acesso à educação remota, com pagamento de conectividade para alunos carentes e professores. — Foto: Julio Cavalheiro/Governo do Estado de Santa Catarina

O governo promulgou nesta sexta-feira (11) a lei que garante acesso à internet gratuita para alunos e professores carentes da rede pública. A lei já está em vigor.

Serão destinados R$ 3,5 bilhões para ações que promovam a conectividade. Entre as fontes de recursos, estão as dotações orçamentárias e o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust).

O texto prevê repasses a estados, municípios e DF, que vão aplicá-los conforme a demanda local. A transferência da União deverá ocorrer em parcela única em até 30 dias.

Na última terça-feira (1º), o Congresso derrubou o veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao projeto, que já havia sido aprovado na Câmara e no Senado.

O presidente disse que a proposta era um empecilho para o cumprimento da meta fiscal do governo. O ministro da Educação, Milton Ribeiro, também era contrário à iniciativa. Ele defendia como prioridade levar conectividade às escolas, em vez de distribuir gratuidade a alunos e professores. Em março, afirmou que 'despejar dinheiro na conta não é política pública'.

Para especialistas, a liberação de recursos deverá atender a uma demanda urgente pelo acesso à educação remota. Também vão garantir acesso ao ensino híbrido, em locais onde será possível retomar parte das atividades presenciais nas escolas (leia mais abaixo).

Os recursos serão voltados a:

  • alunos da rede pública que sejam de famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico)
  • Alunos de comunidades indígenas e quilombolas
  • professores da educação básica
  • a prioridade será, pela ordem: alunos do ensino médio, os alunos do ensino fundamental, os professores do ensino médio e os professores do ensino fundamental

Os recursos poderão pagar conexão fixa na casa dos beneficiários ou em comunidades, quando for comprovado o custo-efetividade, ou quando não houver oferta de dados móveis. Ela também prevê contratação de internet nas escolas, de modo excepcional.

Derrubada do veto

Para Edméa Santos, que pesquisa cibercultura e educação há 25 anos, e é professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a derrubada do veto atende a uma demanda urgente.

"Deveria haver internet gratuita em todo lugar público: nas ruas, escolas e universidades. Só que, agora, esta internet precisa chegar na casa dos alunos. É lá que eles estão. No pós-pandêmico, é óbvio que será preciso retomar a conectividade nas escolas, e ter internet", afirma.

O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Vitor de Angelo, diz que a aprovação vai distribuir recursos e permitir que todos os estados forneçam equipamentos aos alunos.

"Já se sabe que alguns estados, por conta própria, têm feito este esforço [de levar internet gratuita a alunos e professores]. Mas essa iniciativa nem sempre depende de decisão do gestor. Muitas vezes, depende mais da disponibilidade fiscal e orçamentária. Portanto, recursos extras seriam muito bem-vindos nessa hora", afirma.


O desafio de uma maior conectividade na educação

A pandemia escancarou a defasagem das escolas públicas em direção a um mundo digital: em sua maioria, não havia sistemas on-line que pudessem unir professores e estudantes. Em outras, o problema era estrutural: faltava internet ou conexão de qualidade.

Ao mesmo tempo, a desigualdade e a exclusão digital das famílias se refletiram nos dados educacionais: muitos alunos não conseguiam acessar as aulas remotas por falta de equipamentos adequados ou internet.

O cenário da educação é que:

  • A internet banda larga não chegava a 17,2 mil escolas urbanas (20,5%) em 2020, indica o Censo Escolar da Educação Básica.
  • Ao fim de 2020, somente duas a cada dez cidades (22,5% das redes municipais) terminaram o ano com plataformas educacionais, apontam dados da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).
  • A pesquisa Undime indicou que, para 78,6% dos respondentes, a conectividade dos alunos foi apontada com grau de dificuldade médio a alto para a continuidade da educação no ano passado.
  • O levantamento "TIC Domicílios 2019", divulgado em maio de 2020, aponta que 39% dos estudantes de escolas públicas urbanas não têm computador ou tablet em casa. Nas escolas particulares, o índice é de 9%.
  • Em relação à internet, foram identificados 20 milhões de lares sem conexão, o que representa 28% do total. No recorte por classes, as D e E eram as mais desfavorecidas, com 50% sem internet.
  • Uma pesquisa desta semana aponta que alunos do ensino médio poderão se formar em 2021 sabendo 20% do que deveriam em português e ainda regredir em matemática
  • Outra, do início de maio, avaliou alunos do 5º e 9º anos do ensino fundamental e 3º ano do ensino médio. Entre eles, o maior déficit de aprendizagem estava em matemática, no 5º ano, o que acende um alerta também nos anos iniciais de ciclo.

"A maior parte dos estudantes do país estão ou sem aula ou no ensino remoto. Um dado importante sobre isso é que 55% dos estudantes nas favelas não estão conseguindo estudar e, desses, mais de um terço, 34%, não estão fazendo isso porque não tem acesso à internet. Este é um dado que mostra a magnitude, a importância da internet para o acesso às aulas no ensino remoto", afirma Lucas Fernandes Hoogerbrugge, gerente de Estratégia Política no Todos Pela Educação.

Os esforços para levar internet às escolas

A pandemia acelerou um processo de conectividade nas escolas que começou em 1997. Foi o Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo), que pretendia incentivar o uso pedagógico de tecnologias na educação.

Edmea Santos, da UFRRJ, conta que a ideia era fazer laboratórios de informática nas escolas. Depois, outros programas se seguiram, dando formação a professores tutores que incentivariam o uso das tecnologias nas escolas entre colegas; outros tentaram comprar computadores a baixo custo para alunos, ou ainda levar internet às escolas. Os programas foram encerrados.

"O que não fizemos de lição de casa se mostrou agora. Em um momento de restrição de contato físico que só nos deu a opção de trabalhar virtualmente com a educação", afirma Jane Reolo, coordenadora de Soluções com Tecnologia do Instituto Unibanco.

Infográfico mostra a oferta de internet nas escolas do Brasil; cores cinzas apontam internet em até 40% das escolas, os tons de vermelho indicam outros percentuais — Foto: G1
Infográfico mostra a oferta de internet nas escolas do Brasil; cores cinzas apontam internet em até 40% das escolas, os tons de vermelho indicam outros percentuais — Foto: G1

Atualmente o MEC tem o programa Educação Conectada, que foi criado em 2017. Em abril, um relatório da Câmara dos Deputados apontou que o MEC reduziu em 45,1% os recursos destinados ao programa durante a pandemia, um corte de R$ 82 milhões (veja no vídeo abaixo). Em 14 de maio, a pasta anunciou que distribuiu 154 mil chips no programa Alunos Conectados.
Deputados mostram redução de investimentos do MEC durante a pandemia
Deputados mostram redução de investimentos do MEC durante a pandemia

Em meio à lacuna de informações, e para acelerar a conectividade das escolas, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e o Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) lançaram em março um mapa que mostra a conectividade das escolas, por rede municipal e estadual, porque não havia esta informação centralizada.

"Reunimos um grupo de provedores para tentar resolver a conectividade. A Anatel tinha parte da informação, o MEC tinha a declaração de escolas, as próprias escolas tinham outros dados. Vimos que seria interessante criar um mapa integrado", conta Lúcia Dellagnelo, diretora-presidente do CIEB.

Para Dellagnelo, a derrubada do veto é positiva. "Isso passa uma mensagem de que a tecnologia será parte do processo da educação daqui para frente, e que precisaremos de políticas públicas que consigam reduzir essa desigualdade de acesso entre os estudantes brasileiros", afirma .

Alfabetização digital

A falta de internet na educação levou a uma geração de alunos que têm acesso à informação, mesmo que precariamente em um celular, mas não foi instruído para navegar no ambiente virtual.

Dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que 67% dos estudantes de 15 anos do Brasil não conseguem diferenciar fatos de opiniões quando fazem leitura de textos. O documento cita que o fluxo de informações da era digital exige tal habilidade dos leitores.

"Estar on-line não é critério de qualidade", aponta Reolo. "A escola ajuda a decodificar o que são letras e números. Com a tecnologia, também deveria ser nesta perspectiva", defende.

"O acesso à internet é considerado um direito básico, mas se a escola não souber usar para fins educacionais, aumentando o grau de tecnologia em ações pedagógicas, ela estará lá sem atingir seu fim", defende Dellagnelo.

Atualmente, as escolas do Acre, Amazonas, Maranhão, Roraima, Pará e Amapá têm os menores índices de conectividade do país. Em média, até 60% das escolas nestes estados têm internet, mas no AC e no AM, por exemplo, o índice cai para 40%, segundo dados do Censo Escolar 2020.

Na análise por ciclo, as escolas do ensino médio têm maior conectividade (96,9%) do que as de ensino fundamental (76,10%).

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