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quinta-feira, 6 de abril de 2023

Reino Unido multa TikTok por uso ilegal de dados de crianças

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Aplicativo foi multado em R$ 82 milhões por ter permitido a criação de contas de até 1,4 milhão de crianças britânicas com menos de 13 anos, o que viola as suas próprias regras.  
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TOPO
Por RFI

Postado em 06 de abril de 2023 às 16h30m

Post. N. - 4.593

Aplicativo chinês TikTok — Foto: Michael Dwyer/ AP
Aplicativo chinês TikTok — Foto: Michael Dwyer/ AP

O aplicativo chinês TikTok foi multado nesta terça-feira (4) pela agência de regulação digital do Reino Unido (ICO) em 12,7 milhões de libras esterlinas (o equivalente a R$ 82 milhões) por falhar em proteger a privacidade de crianças menores de 13 anos, além do uso “ilegal” de dados pessoais.

A agência reguladora britânica condenou o aplicativo por ter permitido a criação de contas de até 1,4 milhão de crianças com menos de 13 anos apenas no Reino Unido, algo que viola as próprias regras da rede social. A agência considerou que os dados dessas crianças foram capturados e tratados pelo aplicativo sem o consentimento de seus responsáveis.

A investigação da ICO revelou que o TikTok não implementou mecanismos adequados de verificação “para identificar e anular as contas criadas por crianças” abaixo da idade mínima exigida pela plataforma, apesar da preocupação ter sido apontada por diretores em discussões internas da empresa, detalha o comunicado.

"Há leis no Reino Unido para garantir a segurança de nossas crianças no ambiente virtual e o TikTok não as respeitou, comentou o comissário britânico da informação, John Edwards.

A punição acontece em meio a uma onda de proibições do uso do aplicativo chinês por governos devido à falta de transparência no uso dos dados dos usuários. Os governos temem que as informações sejam compartilhadas com as autoridades chinesas.

A Casa Branca, a Comissão Europeia, os governos canadenses, e britânicos proibiram recentemente seus funcionários de utilizarem o TikTok nos smartphones profissionais.

A Austrália se uniu ao grupo nesta terça-feira, quando anunciou que o aplicativo não poderá ser usado nos celulares e dispositivos eletrônicos do governo por questões de segurança.

O procurador-geral Mark Dreyfus disse que a decisão segue o conselho das agências de inteligência do país e será implementada "assim que possível".

Com mais de um bilhão de inscritos no mundo, especialistas em segurança cibernética alertam que o aplicativo coleta dados em massa de seus usuários, com pouca transparência sobre sua estocagem. Essas informações podem ser potencialmente compartilhadas com o governo chinês.

A China criticou a proibição da Austrália, como já havia feito com os outros países, e afirmou que a medida é discriminatória em relação às empresas chinesas.

"Pedimos às autoridades australianas que respeitem as normas da economia de mercado e os princípios da concorrência leal, além de proporcionar às empresas chinesas um ambiente comercial justo, transparente e não discriminatório", declarou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

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quarta-feira, 5 de abril de 2023

Justiça do DF condena Facebook a indenizar homem que teve WhatsApp fraudado por golpistas

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Empresa deverá pagar R$ 1,5 mil à vítima que teve identidade usada por criminosos para aplicação de golpes. G1 tenta contato com Facebook.
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Por g1 DF

Postado em 05 de abril de 2023 às 08h30m

Post. N. - 4.592

Pessoa usa WhatsApp em celular — Foto: Divulgação
Pessoa usa WhatsApp em celular — Foto: Divulgação

A 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal condenou o Facebook Serviços Online do Brasil a indenizar um usuário que teve o WhatsApp fraudado para aplicação de golpes. Segundo a sentença por danos morais, a empresa deverá pagar R$ 1,5 mil à vítima.

A decisão, em segunda instância, é da última sexta-feira (31) e foi divulgada pelo Tribunal de Justiça do DF e Territórios nesta terça (4). De acordo com a sentença, com a identidade da vítima, os criminosos mandaram mensagens para todo Brasil em agosto de 2021.

"Os estelionatários, de posse dos dados pessoais, ofereciam cartões de crédito a diversas pessoas com finalidade de obter vantagem ilícita, em detrimento da sua imagem e reputação", diz o processo.

O g1 tenta contato com o Facebook, que administra o WhatsApp. A Justiça considerou que houve "falha na prestação de serviço", já que ficou "constatada a fragilidade da segurança da empresa".

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Segundo a decisão, a indenização por danos morais é justificada porque um terceiro conseguiu utilizar o aplicativo vinculado ao número da vítima, para enviar mensagens falsas em massa para números de todo Brasil.

"A fraude operada acarreta indignação e angústia que fogem aos meros aborrecimentos do cotidiano, sobretudo diante do descuido com os dados da parte autora, cujo sigilo violado causou-lhe também prejuízos à sua imagem e honra", diz a decisão.

Leia outras notícias sobre a região no g1 DF.

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terça-feira, 4 de abril de 2023

Qual a diferença entre o TikTok e o Douyin, versão do app usada na China

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Especialistas definem os dois aplicativos de rede social como 'irmãos gêmeos separados no nascimento' — mas não são idênticos.
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TOPO
Por BBC

Postado em 04 de abril de 2023 às 16h10m

Post. N. - 4.591

Aplicativo chinês TikTok — Foto: Getty Images via BBC
Aplicativo chinês TikTok — Foto: Getty Images via BBC

Estamos no verão de 2016 no hemisfério norte, e uma revolução está se formando nos escritórios da ByteDance na China.

Um grupo de desenvolvedores, liderado pelo empresário Zhang Yiming, está finalizando um aplicativo com o qual espera conquistar o incipiente mercado de plataformas de vídeos curtos.

O tão esperado lançamento acontece em setembro.

Eles decidem chamar o aplicativo de Douyin e, em menos de um ano, ele alcança mais de 100 milhões de usuários.

O nome não soa familiar?

Douyin é a versão do TikTok usada na China, seu "irmão gêmeo". A ByteDance decidiu lançar o aplicativo com o nome de TikTok no Ocidente.

Só o TikTok já foi baixado mais de 3,5 bilhões de vezes, impulsionado por um algoritmo habilidoso que nos prende irremediavelmente à tela, gerando preocupações.

A ferramenta coleta muitas informações: sua idade, localização, dispositivo e até seu ritmo de digitação.

Não é de se espantar que tenha levantado suspeitas por parte de vários governos, especialmente pelos supostos vínculos da empresa com o Partido Comunista chinês e as denúncias de que o mesmo usa o TikTok para espionagem e "lavagem cerebral".

Essas preocupações são agravadas pelo que está acontecendo com a versão chinesa do TikTok, o Douyin, um aplicativo fortemente censurado e, segundo várias reportagens, desenvolvido para incentivar a viralização de material didático e não conflituoso.

Mas o que mais sabemos sobre o Douyin? E como ele se diferencia do TikTok?

Como surgiu o Douyin

O Douyin domina o mercado de aplicativos de vídeos curtos na China.

"No final de 2022, tinha 730 milhões de usuários", diz Zizheng Yu, professor de publicidade e marketing da Universidade de Greenwich, no Reino Unido.

Como Yu explica em artigo publicado no site de notícias acadêmicas The Conversation, Douyin e TikTok são essencialmente o mesmo aplicativo, ambos permitindo que seus usuários criem, compartilhem e assistam a vídeos curtos.

O logotipo de ambas as ferramentas é o mesmo, e elas compartilham a mesma empresa-controladora, a ByteDance.

O Douyin e o TikTok foram desenvolvidos durante a gestão de Zhang Yiming como CEO da ByteDance, um dos desenvolvedores de aplicativos mais poderosos do mundo — Foto: Getty Images via BBC
O Douyin e o TikTok foram desenvolvidos durante a gestão de Zhang Yiming como CEO da ByteDance, um dos desenvolvedores de aplicativos mais poderosos do mundo — Foto: Getty Images via BBC

Quando foi lançado em 2016, o Douyin logo se destacou com conteúdo novo e bem-humorado.

Brincadeiras simples como a sincronização labial — também conhecida como lip sync — enquanto a música do momento tocava se espalharam rapidamente.

Então vieram os desafios virais, e houve um crescimento meteórico na popularidade do aplicativo.

"No início, era para os jovens compartilharem e assistirem a vídeos de música curtos. Agora se expandiu, e vários estilos surgiram, como vídeos de média e longa duração", explica Nara Bi, do Nanjing Marketing Group, na China, à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

"A plataforma oferece uma ampla variedade de categorias, incluindo entretenimento, notícias, comentários, gastronomia, animais de estimação, saúde e conteúdo educacional", acrescenta.

Conteúdos que, por sua vez, também se popularizaram no TikTok nos últimos anos.

Ao estilo dos aplicativos chineses mais populares com vários recursos, como é o caso do WeChat, o Douyin permite entrega de comida e recomendações de restaurantes locais, por exemplo - um leque de possibilidades que o TikTok não oferece no momento.

'Dois gêmeos separados no nascimento'

Em seu livro TikTok Boom, o jornalista britânico Chris Stokel-Walker cita um grupo de acadêmicos para definir a relação entre o TikTok e sua versão chinesa, o Douyin.

"Eles são como duas plataformas gêmeas separadas no nascimento, desenvolvidas sob o mesmo teto, mas implementadas em dois contextos muito diferentes."

Nara Bi cita algumas das particularidades que levaram ao lançamento do TikTok para os mercados internacionais.

"Cada país tem políticas e regulamentos diferentes, especialmente a China, com mecanismos regulatórios únicos. Também há algumas restrições para usuários chineses quando acessam sites estrangeiros", diz ela à BBC.

A transmissão ao vivo está disponível no Douyin desde o lançamento do aplicativo, algo que o TikTok só implementaria anos depois — Foto: Getty Images via BBC
A transmissão ao vivo está disponível no Douyin desde o lançamento do aplicativo, algo que o TikTok só implementaria anos depois — Foto: Getty Images via BBC

"Portanto, o Douyin é exclusivo da China, enquanto o TikTok é para países estrangeiros", acrescenta a especialista em marketing.

O TikTok foi lançado logo após o Douyin, em 2017, se popularizando primeiro em outros mercados asiáticos, como Japão, Tailândia, Vietnã e Índia.

O Tenba Group, uma agência especializada em marketing digital chinês, explica que "por ter duas plataformas separadas, a ByteDance pode permitir mais conteúdo gerado por usuários no TikTok e cumprir com as restrições exigidas no Douyin".

Como o Douyin se diferencia do TikTok?

Navegar em ambos os aplicativos é praticamente a mesma experiência: layouts idênticos e menus simples que facilitam a criação, reprodução e localização de vídeos.

Mas há várias diferenças.

A primeira é que são aplicativos diferentes. Em outras palavras, abrir uma conta no TikTok não é o mesmo que abrir uma conta no Douyin.

Quando eles foram lançados, a transmissão ao vivo estava mais estabelecida na China do que no Ocidente. Por isso, desde o início, o Douyin incentivou lives entre seus usuários. O TikTok só disponibilizaria essa função com a chegada dos lockdowns impostos pela pandemia de Covid-19.

Da mesma forma, as doações para criadores de conteúdo no Douyin são tradicionalmente mais comuns do que no TikTok.

Outra diferença fundamental é onde os dados são armazenados. Com o TikTok ou qualquer outra rede social, a maioria de nós assume seu uso por meio de um acordo nada secreto: oferecemos informações pessoais em troca de entretenimento.

A possibilidade de os donos do TikTok compartilharem os dados coletados com o governo chinês é uma das principais preocupações que o aplicativo gera entre usuários e governos, sobretudo no Ocidente.

Uma das peculiaridades do Douyin em relação ao TikTok é sua multifuncionalidade, incluindo a possibilidade de fazer compras diretamente no aplicativo — Foto: Getty Images via BBC
Uma das peculiaridades do Douyin em relação ao TikTok é sua multifuncionalidade, incluindo a possibilidade de fazer compras diretamente no aplicativo — Foto: Getty Images via BBC

Mas essa relação entre o TikTok e a China não foi comprovada. Supostamente, os dados do TikTok são armazenados fora do gigante asiático.

Nos Estados Unidos, por exemplo, as informações se encontram em uma base de dados no estado da Virgínia com backup em Cingapura.

O Douyin, por outro lado, armazena seus dados na China.

"Da mesma forma, o Douyin segue as leis chinesas de proteção de dados, enquanto o TikTok cumpre as regulamentações de outros países", explica Bi.

O Tenba Group também destaca a diferença de idade dos usuários.

"Os (usuários) do Douyin continuam sendo jovens, mas um pouco mais velhos do que os do TikTok. É por isso que o Douyin oferece mais conteúdo sobre estilo de vida, dicas de negócios e até vídeos de autoridades locais."

As hashtags e tendências do TikTok também variam de acordo com a localização e as diferenças culturais.

Voltando à multifuncionalidade do Douyin, as agências de marketing digital destacam tudo o que pode ser feito no aplicativo, além de publicar e interagir com vídeos como no TikTok.

Por exemplo, desde 2021, o Tenba Group diz que os usuários podem comprar produtos diretamente em lojas nativas ou até mesmo em transmissões ao vivo.

"O comércio eletrônico está se tornando cada vez mais popular dentro do Douyin, você pode até mesmo reservar hotéis e fazer tours em restaurantes", afirma.

Censura e controle de idade

O Tenba Group destaca a maior presença de vídeos educativos e voltados para negócios no Douyin, enquanto observa que o TikTok é mais focado em música e dança, "provavelmente devido ao público um pouco mais jovem".

Neste sentido, o Douyin também parece ser afetado pela forte censura que existe em todas as redes sociais na China, com um exército de policiais na internet que apaga conteúdos críticos ao governo ou que possam incitar instabilidade política.

Em 2019, enquanto o TikTok começava sua grande ascensão internacional, a conta da usuária Feroza Aziz foi suspensa após ela falar sobre o tratamento dado por Pequim aos muçulmanos uigures da Província de Xinjiang.

Em 2019, a criadora de conteúdo Feroza Aziz foi censurada no TikTok após publicar um vídeo sobre a situação dos muçulmanos uigures na China — Foto: Reprodução/ BBC
Em 2019, a criadora de conteúdo Feroza Aziz foi censurada no TikTok após publicar um vídeo sobre a situação dos muçulmanos uigures na China — Foto: Reprodução/ BBC

A decisão gerou fortes críticas, e o TikTok se desculpou e restabeleceu a conta.

Desde então, não parece ter havido muitos outros casos de censura, além de certas decisões controversas de moderação de conteúdo comuns em todas as plataformas.

Os pesquisadores do Citizen Lab realizaram uma comparação entre o TikTok e o Douyin e concluíram que o TikTok não aplica a mesma censura política que sua versão chinesa.

No entanto, os usuários relataram um fenômeno conhecido como "shadow banning", uma espécie de censura encoberta que faz com que alguns conteúdos tenham menos impacto e sejam menos promovidos pela plataforma.

Dois aplicativos na mira

Ambas as plataformas enfrentam críticas de usuários, instituições e meios de comunicação.

"O Douyin foi criticado por material vulgar, enquanto o TikTok foi criticado por questões de privacidade, suposta censura e disseminação de desinformação", diz Bi à BBC.

A especialista observa que o Douyin tem sido criticado na China por prejudicar os jovens com um algoritmo que apresenta continuamente conteúdos que interessam a eles, em vez de conteúdos que sejam bons para eles.

“Isso pode deixar os usuários presos em uma câmera, expostos a um alcance limitado de ideias e perspectivas. Eles podem se tornar mais suscetíveis à influência do conteúdo que veem e perder a capacidade de pensar criticamente”, avalia Bi.

O TikTok e o Douyin foram criticados, entre outras questões, pela suposta censura de conteúdo — Foto: Getty Images via BBC
O TikTok e o Douyin foram criticados, entre outras questões, pela suposta censura de conteúdo — Foto: Getty Images via BBC

Essas críticas levaram o Douyin a habilitar uma seção na aba "Descobrir" que tampouco vemos no TikTok.

Chama-se zheng nengliang, que pode ser traduzida como "energia positiva", e exibe vídeos promovendo o Partido Comunista chinês e seus ideais sociais, segundo conta Stokel-Walker em seu livro sobre o TikTok.

"Acadêmicos e analistas chamaram isso de 'tática de sobrevivência', aplacando políticos que poderiam fechar o negócio por capricho (...) Isso mostrou como, apesar do mesmo mecanismo que roda os dois aplicativos, havia diferenças fundamentais entre eles em termos de ambientes operacionais muito distintos", escreveu Stokel-Walker.

As preocupações em relação ao nível de dependência que a plataforma pode gerar em menores de idade também tem sido alvo frequente de críticas.

Em 2019, o Douyin limitou o uso do "modo adolescente" a 40 minutos por dia — e acessível apenas entre 6h e 22h. Depois, em 2021, esse modo adolescente se tornou obrigatório para usuários menores de 14 anos.

Esses tipos de medidas demoraram um pouco mais para chegar ao TikTok. Só no início de março deste ano que a plataforma anunciou que implementaria um limite padrão de 60 minutos por dia para usuários menores de 18 anos.

Além disso, menores de 13 anos precisariam de um código inserido pelos pais para usar o aplicativo por mais 30 minutos.

Não está completamente claro, no entanto, como é viável cumprir essas limitações.

Assista:

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