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terça-feira, 20 de junho de 2023

Marca denunciada por golpe com nome da Shein faz novas vítimas em aplicativo

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Meses depois do alerta da empresa sobre golpe, app 'Money Looks' seguia disponível na loja do Google, com promessa de pagar usuários por avaliarem conjuntos de roupa.
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Por Gabriel Croquer, g1

Postado em 20 de junho de 2023 às 11h00m

Post. N. - 4.653

Muitos comentários denunciam fraude do aplicativo  — Foto: Reprodução/Google Play Store
Muitos comentários denunciam fraude do aplicativo — Foto: Reprodução/Google Play Store

Dois meses depois do alerta da Shein sobre golpe que promete pagamento por avaliar roupas, a marca "Money Looks" continuava promovendo o aplicativo disponível na Play Store, do Google, com vários relatos de novas vítimas de golpe.

Com a promessa tentadora de pagar a usuários até R$ 300 por avaliar roupas, o app teve mais de 10 mil downloads e estava no ar até a tarde desta segunda-feira (19). Nesta terça (20), o Google afirmou que o aplicativo foi removido (leia mais abaixo).

Comentários de usuários afirmam que o aplicativo, na verdade, convence pessoas a investirem dinheiro sem dar nenhum retorno."É uma fraude. Depois que aderimos, investimos valores, ele simplesmente desaparece", escreve um usuário, na aba de comentários sobre o aplicativo da Play Store.

Existem outros relatos parecidos:

  • "Efetuei o pagamento, mas tudo que aparece é um curso que simplesmente nem existe";
  • "Decepcionada, efetuei a compra e não consigo acessar nada";
  • "Paguei por Pix, não recebi acesso, manda pagar novamente".

A plataforma desenvolvedora rebateu, com mensagens iguais, a alguns dos comentários críticos: "Sentimos muito pela sua experiência, consultei em nosso banco de dados e não lhe encontrei, aparentemente voce [sic] comprou por alguém que esteja fazendo algo errado e não deu certo", diz parte da resposta.

A Shein já havia alertado que não realiza campanhas para pagar usuários que avaliem suas roupas e divulga novas iniciativas apenas pelos seus canais oficiais.

Veja em FOTOS como funciona o app da "Money Looks", denunciada por fraude na Shein

Aplicativo tinha mais de 10 mil downloads e média de avaliação baixa: apenas uma estrela e meia — Foto: Reprodução/Play Store Logo na entrada, diz "você ganhou R$ 20" — Foto: Reprodução/Aplicativo Money Looks
7 fotos
Caso aceite, aplicativo te pede para avaliar looks, com notas de 1 a 5  — Foto: Reprodução/Aplicativo Money Looks
App continuou disponível meses depois de empresa de roupas alertar que não paga usuários para avaliarem conjuntos

Em nota, o Google disse que o app foi removido "por violar as políticas de Google Play". Segundo a empresa, a plataforma não permite "apps que expõem usuários a produtos financeiros enganosos e prejudiciais".

O Google afirmou ainda que conta com uma "combinação de inteligência de máquina, revisores humanos e denúncias de usuários para identificar conteúdo impróprio".

Além disso, ressaltou a importância de denunciar esse tipo de aplicativo no próprio Google Play. "Na página do app, basta tocar no botão de três pontos e, em seguida, ‘Sinalizar como impróprio’.”

O g1 também entrou em contato, por e-mail, com a desenvolvedora do aplicativo, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

Money Looks

O "Money Looks" estava entre os sites que foram denunciados em abril deste ano, como parte do golpe que usou o nome da Shein e enganava usuários com uma página fraudulenta.

Ainda existem vários sites com o nome da empresa na internet, que promovem o aplicativo e a promessa de pagar dinheiro fácil pela avaliação de roupas.

Mesmo sem apoio oficial da empresa, o golpe contou com a divulgação de influenciadores. Alguns citaram a Shein, enquanto outros diziam apenas que "grandes marcas estão falindo". Em alguns vídeos, eles afirmaram que é possível ganhar R$ 1 por peça avaliada.

Em resposta ao g1, na época em que o golpe usando o nome da loja veio a público, a Shein reafirmou que não tinha nenhuma relação com o site que promovia a falsa avaliação e que não fazia campanhas do tipo. Veja abaixo o posicionamento da empresa na íntegra.

"A Shein esclarece que não tem relação alguma com o site fraudulento denominado "Money Looks", que tem como domínio o endereço segredodinheiro.fun/shein. Esse website está sendo enganosamente utilizado para propagar informações falsas sobre a companhia, com uso indevido do nome e imagem da empresa, com intenção de enganar usuários para que eles adquiram um aplicativo com falsa promessa de obtenção de uma renda extra por meio de avaliações de looks da marca.

A companhia adotou as medidas legais cabíveis relativas ao uso indevido de seu nome e imagem e vem promovendo medidas para inibir a propagação de informações que possam expor a empresa e seus consumidores.

A Shein recomenda ainda que nenhuma pessoa realize cadastros neste site, a fim de evitar o uso indevido de seus nomes, informações pessoais e dados bancários.

Adicionalmente, a empresa ressalta que informações sobre os produtos, ações e campanhas da marca podem ser encontrados e são sempre divulgados nos seus canais oficiais, nas redes sociais e no site."

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segunda-feira, 19 de junho de 2023

O trauma devastador de quem teve imagem usada em 'deepfakes' pornôs

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Os 'deepfakes' são imagens nas quais o rosto de alguém é adicionado digitalmente ao corpo de outra pessoa.
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TOPO
Por BBC

Postado em 19 de junho de 2023 às 15h35m

Post. N. - 4.652

'Quem seria capaz de fazer isso?', questiona Helen Mort — Foto: My Blonde GF via BBC
'Quem seria capaz de fazer isso?', questiona Helen Mort — Foto: My Blonde GF via BBC

A diretora de um documentário sobre o impacto dos deepfakes na pornografia disse que espera que seu filme ajude as pessoas a entender o trauma imensurável que isso gera.

O filme de Rosie Morris, My Blonde GF, é sobre o que aconteceu com a escritora Helen Mort quando ela descobriu que fotos do rosto dela haviam aparecido em deepfakes em um site de ponografia.

Helen diz no documentário que acredita que as imagens dela podem ter saído de uma conta antiga do Facebook e de ensaios profissionais que estão em domínio público.

No filme, ela aparece vendo fotos de si mesma quando tinha entre 19 e 32 anos, sorrindo em casamentos, eventos familiares e quando estava grávida.

Essas são as imagens que foram editadas digitalmente e incluídas sobre fotos de mulheres em cenas sexualmente explícitas e violentas.

Helen diz que 'não consegue esquecer nenhuma das imagens' — Foto: Tyke Films via BBC
Helen diz que 'não consegue esquecer nenhuma das imagens' — Foto: Tyke Films via BBC

"Eu precisava ver as fotos com meus próprios olhos", diz ela no documentário, falando direto para a câmera. Isso faz com que o público se sinta parte de uma conversa desconfortável.

"Tem uma mulher, ela está sentada na beira da cama, ela tem meu rosto, mas não é minha boca, ela está [fazendo um ato sexual]… a pele dela é muito mais bronzeada do que a minha, e essa mulher tem exatamente a minha tatuagem."

"Ela está olhando para algum texto... um convite para humilhar a pessoa na foto, que sou eu."

No texto, Helen é descrita como "My Blonde GF", algo como "minha namorada loura", que acabou virando o título do documentário.

'Meu filme não dá notoridade aos criminosos', diz diretora Rosie Morris — Foto: Tyke Films via BBC
'Meu filme não dá notoridade aos criminosos', diz diretora Rosie Morris — Foto: Tyke Films via BBC

Morris diz à BBC que queria explorar o impacto que as imagens tiveram sobre Helen, incluindo pesadelos recorrentes e paranoia.

No filme, Helen afirma que muitas vezes se sente como se "as pessoas na rua de alguma forma soubessem a respeito das fotos e soubessem desse segredo horrível sobre mim, que de repente parecia meu segredo horrível".

Esta não é a primeira vez que ela fala sobre isso, e já houve outros documentários sobre pornografia deepfake — então o que faz do filme de Morris diferente?

"Meu filme não dá notoriedade aos criminosos — não estou interessada na cabeça das pessoas que fizeram aquilo", diz a diretora.

"Meu principal objetivo era fazer o espectador caminhar ao lado de Helen nesta história."

"O que me impressionou quando conheci Helen foi que é possível violentar alguém sexualmente sem entrar em contato físico com ela", afirma ela.

"Foi isso que me motivou."

O trauma de ser usado para pornografia deepfake é muito real. "O impacto pode ser devastador e destruir vidas", diz à BBC Clare McGlynn, professora da Universidade de Durham, no Reino Unido, especialista em abuso sexual baseado em imagens.

"Muitas vítimas descrevem uma forma de 'ruptura social', na qual suas vidas são divididas entre 'antes' e 'depois' do abuso, e o abuso afeta todos os aspectos de suas vidas, profissional, pessoal, econômica, sua saúde, bem-estar."

Helen diz no filme que a "sensação foi de que eram imagens reais, e é difícil explicar para alguém que não viu isso acontecer com suas próprias fotos, como é realmente — não fizeram nada comigo".

"Mas plantaram todas essas coisas na minha cabeça, essas fotos, não consigo esquecer nenhuma das imagens. Também não consigo ver as imagens perfeitamente inalteradas da mesma maneira."

"Agora eu olho para aquela foto [uma imagem dela de vestido], e se eu a visse de forma independente, sinto que é a foto de um ataque."

"O aspecto mais perturbador é que não acho que você consiga separar a imagem da memória com muita facilidade, como as fotografias. Tipo, se você olhar para trás, não sabe se lembrou do momento ou se lembrou da fotografia daquele momento."

"Então, o que aconteceu com Helen é que essas imagens, que estão ligadas a memórias, foram reapropriadas, e praticamente plantaram essas memórias falsas, chamadas de fake, na cabeça dela. E você não pode mesmo medir esse trauma."

"É como ser atacado psicologicamente por isso, tem a ver com o apego emocional à imagem original."

Reportagem do Fantástico mostrou que cresceram os casos de estupro virtual no Brasil; ASSISTA:

Estupro virtual, em que vítimas são ameaçadas com divulgação de imagens íntimas, cresceEstupro virtual, em que vítimas são ameaçadas com divulgação de imagens íntimas, cresce

Erika Rackley, professora da Kent Law School, no Reino Unido, contou à BBC que ela e alguns colegas entrevistaram há alguns anos vítimas de abuso sexual baseado em imagens.

"Uma delas comentou no contexto dos deepfakes que a foto 'ainda era uma foto dela... ainda é um abuso'", diz ela.

Um relatório de 2019 da Sensity AI, empresa que monitora deepfakes, descobriu que 96% eram imagens sexuais não consensuais — e, destas, 99% eram de mulheres.

McGlynn concorda. "As mulheres são muito mais propensas a sofrer esse abuso, e os autores são principalmente homens."

"A sociedade não tem um bom histórico de levar a sério os crimes contra as mulheres, e esse também é o caso da pornografia deepfake. O abuso online costuma ser minimizado e banalizado."

Helen também fala em My Blonde GF sobre a inimaginável preocupação de não saber quem criou as imagens.

"Em cada uma dessas fotos, são meus olhos olhando para a câmera", diz ela.

"Mas apesar de tudo, essa pessoa, esse criador de perfil, esse acumulador de imagens não tem rosto."

Ela ficou ainda mais horrorizada quando descobriu que a polícia não podia fazer nada para processar quem quer que havia feito as imagens.

Eles disseram a ela que não havia nada que poderiam fazer, uma vez que nenhum crime havia sido cometido. Não é ilegal fazer imagens deepfake.

No Reino Unido, a lei na Escócia já permite que a polícia investigue, mas a atual legislação na Inglaterra e no País de Gales, não.

O Projeto de Lei de Segurança Online, que está atualmente sendo analisado na Câmara dos Lordes, prevê tornar ilegal o compartilhamento não consensual de imagens pornográficas deepfake.

McGlynn diz que "as mudanças incluídas no projeto de lei são há muito tempo esperadas" — mas para que seja realmente eficaz, "precisa nomear a violência online contra mulheres e meninas como um problema prioritário, e incluir medidas para garantir que as plataformas de internet levem esses abusos a sério".

O Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia, responsável pelo projeto de lei, informou à BBC que o mesmo deve se tornar lei neste ano.

Morris conclui que está "tentando fazer perguntas" com seu filme.

"Não tenho soluções, mas realmente sinto que é algo que precisamos prestar atenção."

Ela diz ainda que a importância dos documentários não pode ser subestimada.

"Acho que eles abrem uma janela para a vida de outras pessoas."

"Sinto que agora, por causa das redes sociais, estamos tão envolvidos com nossa própria experiência e em como nos representamos."

"É muito importante pensar em como as outras pessoas vivem e sentem o mundo."

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domingo, 18 de junho de 2023

3 áreas em que a inteligência artificial já está melhorando nossas vidas

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Em um mundo cada vez mais digital, muitas vezes usamos a inteligência artificial sem saber. Esta tecnologia, se bem conduzida, pode ajudar a "empoderar" o ser humano, dizem duas especialistas na área.
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TOPO
Por BBC

Postado em 18 de junho de 2023 às 16h00m

Post. N. - 4.651

Muitas vezes, já usamos a inteligência artificial no cotidiano, mas nem sabemos disso — Foto: Getty Images via BBC
Muitas vezes, já usamos a inteligência artificial no cotidiano, mas nem sabemos disso — Foto: Getty Images via BBC

O que a inteligência artificial gera de fascínio, gera também de medo.

Para Daniela Rus, que trabalha com essa tecnologia, o veredito depende de nós, humanos.

"É uma ferramenta que não é inerentemente boa ou ruim, é o que se decide fazer com ela. Como qualquer outra — como uma faca, o fogo —, ela pode ser usada de diferentes maneiras, e precisamos garantir que seja usada por razões positivas", diz Rus, professora de engenharia elétrica e ciência da computação no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, além de diretora do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial (CSAIL).

"Quanto mais pessoas participam da inteligência artificial, mais ela se democratiza, mais pode florescer."

Rus reconhece que a comunidade que pesquisa a inteligência artificial "não entende todos os aspectos da tecnologia, mas está trabalhando muito para obter uma compreensão mais profunda e aprender sobre seus possíveis usos e obstáculos".

E afirma que há muitos que se dedicam ao desenvolvimento de ferramentas contra a desinformação e contra outras coisas que "podem dar errado com a inteligência artificial".

Rus se sente otimista.

“(A inteligência artificial) pode nos capacitar de várias maneiras: pode melhorar nossa memória, velocidade de cálculo, capacidade de previsão, pode nos ajudar a julgar situações para tomarmos melhores decisões”.

A seguir, Daniela Rus e outra entusiasta da tecnologia, a engenheira Mihaela van der Schaar, apontam como a inteligência artificial já está afetando nossas vidas positivamente — da saúde ao transporte.

"Há muito debate sobre como a inteligência artificial (IA) pode substituir os humanos, mas estou muito interessada em construir uma IA que não substitua os humanos, mas que possa nos tornar, independentemente da idade, mais inteligentes. Uma IA para o empoderamento humano", aponta Mihaela van der Schaar, professora de inteligência artificial e medicina da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

1. Diagnóstico e tratamento de doenças

O aprendizado automático (machine learning), que é um subcampo da inteligência artificial, consiste no uso de várias fontes de dados para mapear padrões complexos.

"Isso é importante, por exemplo, para que a medicina personalizada permita o diagnóstico precoce de doenças", explica Mihaela van der Schaar, que dirige um laboratório com seu sobrenome na Universidade de Cambridge.

Ela aponta que o aprendizado automático tem sido usado para analisar imagens, descobrir padrões e, assim, diagnosticar o câncer, por exemplo.

Mas a tecnologia pode ser usada muito antes da necessidade de um diagnóstico.

"O aprendizado automático é muito bom para identificar fatores de risco", diz a cientista.

E é útil também depois, no tratamento de diversas doenças.

"A inteligência artificial pode nos ajudar a aprender não apenas com diferentes pacientes, mas com diferentes respostas a vários medicamentos."

"Fazer isso mentalmente é muito difícil para os médicos. Mesmo médicos muito inteligentes não conseguem integrar fontes de dados tão diversas, além de não terem nas mãos informações suficientes."

A médica afirma que, em um trabalho conjunto com colegas dos Estados Unidos, Reino Unido e Países Baixos, eles perceberam que a inteligência artificial pode identificar até 24 horas antes dos médicos que um paciente precisará ser internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI).

Outro exemplo do uso dessa tecnologia na medicina é o de Jean Tyler, de 75 anos. Ela participou de um estudo chamado Colo-Detect, no Reino Unido, que usa a inteligência artificial para detectar o câncer de intestino.

A tecnologia marca uma caixa verde na tela quando descobre áreas que podem ser motivo de preocupação para o especialista que realiza a colonoscopia.

São áreas que "muitas vezes o olho humano pode perder", segundo representantes da Universidade de Newcastle, uma das instituições envolvidas no projeto.

A inteligência artificial detectou na colonoscopia de Tyler vários pólipos e uma área com câncer. Após passar por uma cirurgia, a idosa teve remissão da doença.

2. Encontrar rotas e nichos de mercado

"Se você usa Waze, Google Maps ou qualquer outro aplicativo de navegação, já está usando inteligência artificial, porque todas as estatísticas e previsões para se deslocar de um lugar para outro usam essa tecnologia", diz a engenheira Daniela Rus.

O Google se tornou uma das empresas que mais utiliza esta ferramenta.

Seja de carro ou a pé, o Google Maps ajuda os usuários a encontrar um determinado lugar "graças a um sistema que aprendeu a ler nomes de ruas e endereços de mais de 1 bilhão de imagens do Street View", explica a empresa em seu blog.

Além do transporte, a inteligência artificial está nos ajudando em áreas do mercado de trabalho, explica Rus.

"Com inteligência artificial, podemos obter estatísticas sobre o que os clientes estão dizendo nas mídias sociais, sobre o que precisam e também sobre o que é necessário na cadeia de suprimentos."

Com uma melhor compreensão sobre os consumidores, é possível oferecer serviços mais personalizados, defende. Além disso, Rus aponta que essa distribuição de tarefas para as máquinas não despreza as capacidades humanas.

"Com a robótica da inteligência artificial e as tecnologias de aprendizado automático, podemos delegar algumas tarefas rotineiras para as máquinas. Isso realmente aumenta nossa eficiência e produtividade, além de nos permitir focar em aspectos mais cognitivos, como o pensamento crítico e a criatividade."

Ferramentas de geração e tradução de textos só conseguem funcionar após terem sido abastecidas com milhares de textos — Foto: Getty Images via BBC
Ferramentas de geração e tradução de textos só conseguem funcionar após terem sido abastecidas com milhares de textos — Foto: Getty Images via BBC

3. Idiomas

Se você já usou o Google Tradutor, também já usou a inteligência artificial. A ferramenta foi treinada com conteúdo tirado da própria internet e consegue fazer o reconhecimento visual de caracteres.

Rus explica que as tecnologias de tradução fazem parte do que é conhecido como o processamento de linguagem natural ou modelos de linguagem extensivos.

Esse tipo de tecnologia abarca "uma grande quantidade de dados" — em texto ou não.

Para nos ajudar a entender melhor como ela funciona, a especialista nos convida a pensar em imagens.

Se você deseja ter um sistema de inteligência artificial que reconheça automaticamente os objetos ao seu redor, como um celular, uma estante ou uma cadeira, você precisa dar à ferramenta muitos exemplos deles.

Com esses exemplos cadastrados — e em diferentes ângulos —, o modelo de aprendizado automático é treinado para reconhecer esses objetos.

No caso da geração e da tradução de textos, o que a tecnologia faz é analisar exemplos de textos anteriores e suas maneiras de ordenar as palavras, para depois criar a partir disso novos textos.

"Assim, grandes modelos de linguagem agora nos permitem olhar para sequências de texto cada vez mais longas, para gerar sequências cada vez mais complexas."

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