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sábado, 3 de maio de 2025

Quem vai vencer a corrida para desenvolver um robô humanoide?

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Robôs humanoides estão atraindo muitos investimentos, num mercado bilionário disputado por China, Estados Unidos e Europa.
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TOPO
Por Carrie King, Ben Morris

Postado em 03 de Maio de 2.025 às 18h55m

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Robôs humanoides estão atraindo muitos investimentos, num mercado bilionário disputado por China, Estados Unidos e Europa — Foto: Getty Images via BBC
Robôs humanoides estão atraindo muitos investimentos, num mercado bilionário disputado por China, Estados Unidos e Europa — Foto: Getty Images via BBC

É uma manhã ensolarada de primavera em Hanover, na Alemanha, e estou a caminho de um encontro com um robô.

Fui convidado para ver o G1, um robô humanoide construído pela empresa chinesa Unitree, na Hannover Messe, uma das maiores feiras industriais do mundo.

Com cerca de 1,30 m de altura, o G1 é menor e mais acessível do que outros robôs humanoides do mercado e possui uma amplitude de movimento e destreza tão fluidas que vídeos dele realizando números de dança e artes marciais viralizaram.

Hoje, o G1 está sendo controlado remotamente por Pedro Zheng, gerente de vendas da Unitree. Ele explica que os clientes devem programar cada G1 para funções autônomas.

Transeuntes param e tentam ativamente interagir com o G1, o que não se pode dizer de muitas das outras máquinas exibidas na sala de conferências cavernosa.

Eles estendem a mão para cumprimentá-lo, fazem movimentos bruscos para ver se ele responde, riem quando o G1 acena ou se inclina para trás, pedem desculpas se esbarram nele. Há algo em seu formato humano que, por mais estranho que seja, tranquiliza as pessoas.

O robô G1 da startup chinesa Unitree vem encantando o público em feiras de negócios — Foto: Getty Images via BBC
O robô G1 da startup chinesa Unitree vem encantando o público em feiras de negócios — Foto: Getty Images via BBC

A Unitree é apenas uma das dezenas de empresas ao redor do mundo que desenvolvem robôs com forma humana.

O potencial é enorme – para as empresas, promete uma força de trabalho que não precisa de férias ou aumentos salariais.

Também pode ser o eletrodoméstico definitivo. Afinal, quem não gostaria de uma máquina que lavasse roupa e enchesse a máquina de lavar louça?

Mas a tecnologia ainda está um pouco distante. Embora braços robóticos e robôs móveis sejam comuns em fábricas e armazéns há décadas, as condições nesses locais de trabalho podem ser controladas e os trabalhadores podem ser mantidos em segurança.

Introduzir um robô humanoide em um ambiente menos previsível, como um restaurante ou uma casa, é um problema muito mais difícil.

Para serem úteis, robôs humanoides teriam que ser fortes, mas isso também os torna potencialmente perigosos – simplesmente cair na hora errada pode ser perigoso.

Muito trabalho precisa ser feito na inteligência artificial (IA) que controlaria tal máquina.

"A IA simplesmente ainda não atingiu o ponto de virada", disse um porta-voz da Unitree à BBC.

"A IA robótica atual considera a lógica e o raciocínio básicos – como para entender e concluir tarefas complexas de forma lógica – um desafio", disseram eles.

No momento, o G1 é comercializado para instituições de pesquisa e empresas de tecnologia, que podem usar o software de código aberto da Unitree para desenvolvimento.

Por enquanto, os empreendedores estão concentrando seus esforços em robôs humanoides para armazéns e fábricas.

O mais famoso desses empresários é Elon Musk. Sua montadora, a Tesla, está desenvolvendo um robô humanoide chamado Optimus.

Em janeiro, ele afirmou que "vários milhares" serão construídos este ano e espera que eles façam "coisas úteis" nas fábricas da Tesla.

Outras montadoras estão seguindo um caminho semelhante.

A BMW introduziu recentemente robôs humanoides em uma fábrica nos EUA. Enquanto isso, a montadora sul-coreana Hyundai encomendou dezenas de milhares de robôs da Boston Dynamics, a empresa de robôs que comprou em 2021.

Thomas Andersson, fundador da empresa de pesquisa STIQ, acompanha 49 empresas que desenvolvem robôs humanoides – aqueles com dois braços e pernas.

Se ampliarmos a definição para robôs com dois braços, mas que se impulsionam sobre rodas, ele analisa mais de 100 empresas.

Andersson acredita que as empresas chinesas provavelmente dominarão o mercado.

"A cadeia de suprimentos e todo o ecossistema de robótica na China são enormes, e é muito fácil aperfeiçoar desenvolvimentos e fazer P&D [pesquisa e desenvolvimento]", diz Andersson.

A Unitree demonstra essa vantagem: seu G1 é barato (para um robô), com um preço anunciado de US$ 16 mil (R$ 90,9 mil).

Além disso, Andersson ressalta que o investimento favorece os países asiáticos.

Em um relatório recente, a STIQ observa que quase 60% de todo o financiamento para robôs humanoides foi captado na Ásia, com os EUA atraindo a maior parte do restante.

As empresas chinesas têm o benefício adicional do apoio do governo nacional e local.

Por exemplo, em Xangai, há um centro de treinamento para robôs apoiado pelo Estado, onde dezenas de robôs humanoides estão aprendendo a realizar tarefas.

As empresas chinesas estão bem posicionadas para dominar o mercado de robôs humanoides — Foto: Getty Images via BBC
As empresas chinesas estão bem posicionadas para dominar o mercado de robôs humanoides — Foto: Getty Images via BBC

Então, como os fabricantes de robôs americanos e europeus podem competir com isso?

Bren Pierce, com sede em Bristol, fundou três empresas de robótica e a mais recente, a Kinisi, acaba de lançar o robô KR1.

Embora o robô tenha sido projetado e desenvolvido no Reino Unido, ele será fabricado na Ásia.

"O problema que você enfrenta como empresa europeia ou americana é que você tem que comprar todos esses subcomponentes da China para começar", diz Pierce.

"Então se torna estúpido comprar motores, comprar baterias, comprar resistores, transportá-los para o outro lado do mundo para montá-los, quando você poderia simplesmente juntá-los na fonte, que fica na Ásia."

Além de fabricar seus robôs na Ásia, Pierce está mantendo os custos baixos ao não optar pela forma humanoide completa.

Projetado para armazéns e fábricas, o KR1 não tem pernas.

"Todos esses lugares têm piso plano. Por que você iria querer o gasto adicional de um formato tão complexo... quando você pode simplesmente colocá-lo em uma base móvel?", ele pergunta.

Sempre que possível, seu KR1 é construído com componentes produzidos em série — as rodas são as mesmas que você encontraria em uma scooter elétrica.

"Minha filosofia é comprar o máximo de coisas possível prontas. Então, todos os nossos motores, baterias, computadores e câmeras são peças disponíveis comercialmente e produzidas em série", diz ele.

Assim como seus concorrentes na Unitree, Pierce diz que o verdadeiro "ingrediente secreto" é o software que permite que o robô trabalhe com humanos.

"Muitas empresas lançam robôs de alta tecnologia, mas aí você precisa de um doutorado em robótica para poder realmente instalá-los e usá-los", diz ele.

"O que estamos tentando projetar é um robô muito simples de usar, onde um trabalhador comum de armazém ou fábrica possa aprender a usá-lo em poucas horas", diz Pierce.

Ele afirma que o KR1 consegue executar uma tarefa após ser guiado por um humano 20 ou 30 vezes.

O KR1 será entregue a clientes-piloto para testes este ano.

Bren Pierce diz que o robô da Kinisi será fácil de treinar — Foto: Divulgação/Kinisi
Bren Pierce diz que o robô da Kinisi será fácil de treinar — Foto: Divulgação/Kinisi

Será que os robôs algum dia sairão das fábricas e chegarão às casas? Até mesmo o otimista Pierce diz que isso ainda está longe de acontecer.

"Meu sonho de longo prazo nos últimos 20 anos tem sido construir um robô que faça tudo", diz o empreendedor.

"Foi a isso que dediquei meu doutorado. Acho que esse é o objetivo final, mas é uma tarefa muito complicada", diz Pierce.

"Ainda acho que eles chegarão lá, mas isso levará pelo menos 10 a 15 anos."

* Esta reportagem foi traduzida e revisada por nossos jornalistas utilizando o auxílio de IA na tradução, como parte de um projeto piloto.

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sexta-feira, 2 de maio de 2025

Os golpes virtuais que mais fazem os brasileiros perder dinheiro

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Fraudes digitais custaram em 2024 mais de R$ 10 bilhões às vítimas, salto de 17% frente a 2023. Segundo pesquisa, uma em cada quatro pessoas com mais de 16 anos já foi lesada. Veja quais os golpes mais frequentes.
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TOPO
Por Simone Machado

Postado em 02 de Maio de 2.025 às 14h05m

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Golpe do WhatsApp, das falsas vendas e do falso funcionário de banco lideram ranking das fraudes mais comuns — Foto: Bernd Feil/MiS/IMAGO
Golpe do WhatsApp, das falsas vendas e do falso funcionário de banco lideram ranking das fraudes mais comuns — Foto: Bernd Feil/MiS/IMAGO

"Mãe, tudo bem? Tive um problema com meu cartão, você consegue me enviar um pix de R$ 800 agora?”. Foi essa mensagem que a aposentada Lourdes Diana, de 77 anos, recebeu em seu WhatsApp em agosto do ano passado e a fez perder R$ 1 mil.

O contato, que usava a foto de sua filha de 36 anos, fez o pedido justamente na semana em que a mulher estava viajando. Sem desconfiar, a idosa fez a transferência pensando que estava ajudando a filha num momento de imprevisto. Mas era golpe.

Assim como Lourdes, 153 mil pessoas foram vítimas do "golpe do WhatsApp", no Brasil em 2024, segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O golpe das falsas vendas (150 mil vítimas) e do falso funcionário de banco (105 mil vítimas) completam o ranking das três abordagens mais comunicadas por clientes às instituições bancárias.

Prejuízo que, segundo o órgão, chega a R$10,1 bilhões, em 2024. Volume 17% maior do que o registrado no ano anterior quando essa perda foi de R$8,6 bilhões.

Mas porque tantas pessoas ainda caem em golpes que não são novos? Segundo especialistas ouvidos pela DW, há três fatores principais: a capacidade de a internet atingir milhões de pessoas; o imediatismo e a capacidade dos golpistas de manipular as pessoas.

"Estatisticamente quanto mais pessoas você atinge, maior a possibilidade de essas pessoas caírem em golpes. O segundo ponto é a rapidez. A internet dá essa necessidade de ser tudo mais rápido, fazendo com que as pessoas nem pensem no que estão fazendo", explica Wanderson Castilho, perito em crimes digitais. a terceira é a questão da tecnologia.

"Apesar de as pessoas usarem a internet diariamente, elas não têm noção da força que ela tem. Consequentemente, se usar algumas técnicas psicológicas, vai ser muito fácil manipular as pessoas”, completa.

Outra pesquisa feita sobre os golpes digitais no Brasil, aponta que 24% dos brasileiros com mais de 16 anos afirmaram já terem perdido dinheiro em golpes no último ano. Ou seja, isso representa quase um a cada quatro pessoas com mais de 16 anos.

Segundo o Instituto DataSenado, responsável pelo levantamento, são mais de 40,8 milhões de pessoas que perderam dinheiro em função de algum crime cibernético, como clonagem de cartão, fraude na internet ou invasão de contas bancárias.

A pesquisa foi feita por telefone, o que significa que muitas dessas vítimas podem não ter procurado a polícia ou a instituição bancária para relatar o golpe.

Os dois tipos de perfis que mais são vulneráveis aos golpes de crimes eletrônicos são as pontas das pirâmides, ou seja, os mais novos e os mais velhos, segundo os especialistas ouvidos pela DW.

O aplicativo de mensagens WhatsApp é um dos meios preferidos pelos criminosos — Foto: Photothek/Picture alliance
O aplicativo de mensagens WhatsApp é um dos meios preferidos pelos criminosos — Foto: Photothek/Picture alliance

"Os mais velhos não têm tanta intimidade com a tecnologia, porque o seu raciocínio está um pouco mais lento, são coisas completamente novas e eles tendem a acreditar mais, principalmente quando os criminosos se passam por alguém da família", diz Castilho.

"Os mais novos, por outro lado, têm um excesso de confiança, porque estão nascendo dentro da tecnologia, e eles acreditam que sabem tudo, mas o conhecimento é muito raso, normalmente. E os criminosos sabem muito bem disso e sabem que esse público quer agilidade, facilidade e o [produto] mais barato", completa o especialista.

Como são os golpes mais comuns

Golpe do WhatsApp

O golpe do WhatsApp acontece quando criminosos clonam a conta de WhatsApp da vítima.

Para obter o código de segurança que o aplicativo envia por SMS sempre que é instalado em um novo dispositivo, o golpista envia uma mensagem se fazendo passar por algum tipo de serviço de atendimento ao cliente. Nessa mensagem é solicitado o código para a vítima, que, ao fornecê-lo, tem o número clonado.

Para evitar que o WhatsApp seja clonado é necessário habilitar no aplicativo a opção "verificação em duas etapas”. Assim, é possível cadastrar uma senha que será solicitada periodicamente pelo app. Essa senha não deve ser enviada para outras pessoas ou digitada em links recebidos.

Falsa venda

No golpe de falsa venda, os criminosos criam sites e páginas falsas de lojas nas redes sociais, e enviam promoções inexistentes por e-mails, SMS e mensagens de WhatsApp.

Para não cair nesse tipo de golpe, é importante ficar atento a preços praticados muito abaixo dos cobrados pelo mercado. Também é importante tomar cuidado com links recebidos em e-mails e mensagens.

Falsa central bancária ou falso funcionário

Já nesse golpe, os criminosos passam por funcionários do banco ou empresa com a qual o cliente já tem um relacionamento. O estelionatário faz contato por telefone e diz haver algum tipo de problema na conta ou relata alguma compra irregular usando o cartão bancário.

A partir daí, ele solicita os dados pessoais e financeiros da vítima. Em alguns casos, ele também pede para que a pessoa realize transferências financeiras alegando a necessidade de regularizar problemas na conta ou no cartão.

Para evitar cair nesse golpe, o cliente deve sempre verificar a origem das ligações e mensagens recebidas. Os bancos podem entrar em contato com os clientes para confirmar transações suspeitas, mas nunca solicitam dados pessoais, senhas, atualizações de sistemas, chaves de segurança, ou ainda que o cliente realize transferências ou pagamentos.

Ao receber uma ligação suspeita, o melhor é desligar e ligar nos canais oficiais do banco ou entrar em contato diretamente com o seu gerente.

Dados pessoais expostos

Vazamentos de dados que expõem informações pessoais e até mesmo senhas acendem um alerta ainda maior para os golpes virtuais. Munidos de mais informações importantes sobre pessoas e empresas, cibercriminosos aproveitam para agirem e fazerem mais vítimas.

Nos últimos cinco anos, o governo federal registrou quase 58 mil incidentes cibernéticos ou alertas de vulnerabilidade digital, sendo mais de 9 mil casos envolvendo vazamentos de dados em sistemas da União.

Em novembro de 2024, a Polícia Civil de São Paulo descobriu uma quadrilha responsável por vender dados de, ao menos, 120 milhões de pessoas, ou seja, mais da metade da população brasileira teve os dados acessados e vazados pelo grupo, que operava como um call center do crime.

"Os vazamentos de dados impulsionam muito os golpes, na medida em que o que os golpistas precisam de informações que tornem o contato deles crível. Se alguém te contacta, tem uma boa comunicação, um tom de voz adequado e quer confirmar nome completo, endereço, ela vai dando essas informações que conseguiu, por exemplo, através de um vazamento", diz Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação.

"E do outro lado a pessoa tende a acreditar que é um contato de verdade. Por isso que esses vazamentos são tão ruins, porque dão muita munição para os golpistas".

Como se proteger dos golpes

Homem idoso usando o celular — Foto: Andrea Piacquadio/Pexels
Homem idoso usando o celular — Foto: Andrea Piacquadio/Pexels

Medidas simples de "higiene digital" podem ajudar a evitar uma parcela expressiva das fraudes, como: ativar a verificação em duas etapas nos aplicativos; desconfiar de preços muito abaixo dos praticados no mercado; checar se um perfil comercial é recente e tem poucas opções de pagamento; e nunca compartilhar dados por mensagens ou ligações suspeitas.

"É importante lembrar que instituições financeiras jamais solicitam senhas ou códigos de autenticação", lembra Rony Vainzof, professor especializado em direito digital, proteção de dados e segurança cibernética e conselheiro titular do Comitê Nacional de Cibersegurança (CNCiber).

Segundo ele, como hoje grande parte dos dados cadastrais dos cidadãos já se encontram expostos, além de outras informações que podem ser coletadas em redes sociais pelos criminosos, somado ao uso da Inteligência Artificial, a prática de engenharia social tornou-se significativamente mais fácil.

"Isso exige um grau de atenção e cautela muito maior por parte das pessoas em suas interações", diz Vainzof.

Ainda de acordo com o especialista, tomar os cuidados pessoais é importante, mas superar esse cenário exige mais do que medidas pontuais ou reações isoladas.

"É necessário estruturar uma política nacional de cibereducação, fortalecer os mecanismos de normatização e garantir que a Lei Geral de Proteção de Dados seja aplicada, bem como a repressão contundente contra os criminosos", diz.

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quinta-feira, 1 de maio de 2025

IA no mercado do trabalho: veja previsões e análises de executivos de big techs no Web Summit Rio

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Representantes de grandes empresas de tecnologia como Nvidia, IBM, Microsoft, Meta e Groq estiveram no Web Summit Rio em 2025 e falaram sobre os novos desafios da inteligência artificial. Todos concordam que estamos vivendo uma revolução.
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Por Raoni Alves, g1 Rio

Postado em 01 de Maio de 2.025 às 06h50m

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Representantes de grandes empresas de tecnologia como Nvidia, IBM, Microsoft, Meta e Groq estiveram no Web Summit Rio 2025. — Foto: Divulgação
Representantes de grandes empresas de tecnologia como Nvidia, IBM, Microsoft, Meta e Groq estiveram no Web Summit Rio 2025. — Foto: Divulgação

A presidente da Microsoft Brasil, Priscyla Laham, respondeu uma das perguntas mais recorrentes durante os quatro dias de Web Summit Rio 2025. Afinal, as ferramentas de inteligência artificial vão roubar nossos empregos?

"Os profissionais e as pessoas não vão ser substituídos por IA em seus empregos. Eles vão ser substituídos por outros profissionais que sabem utilizar a IA", respondeu Laham.

O g1 esteve no maior evento de tecnologia do mundo, que levou mais de 30 mil pessoas ao Riocentro, na Zona Oeste do Rio, entre domingo (27) e quarta-feira (30), e ouviu representantes de grandes empresas sobre o impacto da IA no mercado de trabalho.

A conclusão de todos segue a mesma linha: a tecnologia será fundamental para todos os setores da economia, mas não substituirá o ser humano em todas as suas funções.

'Revolução'

Para Maren Lau, vice-presidente regional da Meta para a América Latina, a IA representa uma revolução e abre um mundo de novas possibilidades.

"A tecnologia em si é incrível, mas a grande maravilha é o que você, o que nós, o que o mundo vai fazer com ela. Abrir a IA para o mundo cria oportunidades para todos nós. Então vamos poder sonhar mais alto", disse Maren Lau.
'Aprendizado'

Apesar de tantas novidades e dúvidas surgindo ao mesmo tempo, Márcio Aguiar, diretor-executivo da Nvidia, umas das gigantes do Vale do Silício, garante que as pessoas não precisam se desesperar. Para ele, o momento é de aprendizado.

"É só o início. Se você não fez nada e acha que está super atrasado, não é verdade. Estamos só no início do ponto de inflexão da IA. Tem muito ainda a ser feito", comentou.

"Se vocês ainda não começaram sua jornada e têm duvidas de como aplicar a IA no seu negócio, eu quero te tranquilizar. Isso é normal. Vamos chegar todos nesse ponto de inflexão", completou Aguiar.

'Efeito líquido positivo'

Segundo Chris Stephens, CTO de campo da Groq, as previsões que indicam um cenário apocalíptico de dominação das máquinas devem ficar apenas nos filmes de ficção cientifica. Ele aponta a tecnologia como grande aliado do ser humano em qualquer área.

"Eu costumo ser uma pessoa bastante otimista, apesar de ser da geração X. Pelo que eu entendo, todos os avanços tecnológicos da história, como a agricultura e outros avanços, sempre no final das contas tivemos um efeito líquido positivo para o mundo. Estou otimista para que isso aconteça agora novamente."

O especialista, porém, acredita que o problema atual com a IA é a velocidade das inovações. Na opinião dele, as pessoas precisam se qualificar para esse novo mundo.

"Agora a velocidade será bem diferente, e é importante observar isso. A IA vai mudar praticamente tudo. Não sei se alguém aqui viveu a época antes da internet, e como a vida era em comparação com a vida de hoje. É esse tipo de revolução que estamos vivendo. E tem outras coisas que nem sabemos como seremos impactados", analisou o executivo da Groq.

Google libera nova IA que gera vídeos a partir de texto

Alfabetização em IA

Durante o Web Summit, o mantra repetido a todo momento é sobre a necessidade de aprendizado. Segundo os especialistas, não importa a área de atuação, todos vão precisar se alfabetizar em IA para não ficarem ultrapassados.

A definição de alfabetização em IA pode ser resumida pela capacidade de compreender vários aspectos da inteligência artificial, incluindo seus recursos, limitações e considerações éticas. A IBM é uma das empresas que oferece cursos de aprimoramento em IA, como anunciou durante o Web Summit.

"A gente precisa levar em consideração essa jornada de alfabetização. Todos precisam ter. A alfabetização em IA é grande parte do que fazemos. Cursos, ciência de dados, ética no uso de IA. (...) Esses são os cursos que oferecemos para todos", disse Justina Nixon-Saintil, diretora de impacto da IBM.

"É importante usar a IA para fazer trabalhos que podem ser automatizados e deixar os seres humanos com as atividades mais criativas. Como trabalhar junto com a IA para fazer o que você precisa? Como usar os pedidos certos para ela fazer o que eu você quer? Isso vai aumentar o impacto econômico das empresas", completou Justina.

O Web Summit 2025 deve injetar mais de R$ 170 milhões na economia da cidade, segundo a Prefeitura do Rio. — Foto: Divulgação
O Web Summit 2025 deve injetar mais de R$ 170 milhões na economia da cidade, segundo a Prefeitura do Rio. — Foto: Divulgação

Para Márcio Aguiar, diretor-executivo Nvidia, as grandes empresas já estão buscando maneiras de qualificar seus funcionários. Contudo, ele alerta para a importância de as empresas entenderem como usar essas novas ferramentas.

"A alfabetização em IA tem acontecido nas grandes empresas. A pergunta é o que significa para o meu trabalho ter um gerador de imagens ou outros sistemas. Ele não veio para me substituir e sim para tornar o meu trabalho ainda melhor", orientou o executivo.

Já Chris Stephens, da Groq, lembrou de como era o mundo antes do lançamento do ChatGPT, que ampliou a utilização de IA generativa no planeta.

"No dia 29 de novembro de 2022, antes do ChatGPT, as pessoas não pesavam nisso. Mas no dia seguinte apareceu uma nova era. As pessoas e as máquinas estão aprendendo. Agora, dois ou três anos depois, todo mundo está trabalhando nessas áreas. Precisamos ampliar essa competência mesmo nas equipes mais tradicionais", reforçou o executivo da Groq.

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