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terça-feira, 10 de março de 2026

Governo Lula dá 5 dias para TikTok se explicar por trend com apologia à violência contra mulher

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Ministério da Justiça diz em ofício que circulação massiva dos vídeos coloca em questão capacidade da plataforma de cumprir dever de cuidado.
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 Por Juliana Braga, GloboNews

Postado em 10 de Março de 2.026 às 18h05
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Trend 'Caso ela diga não' estimula violência contra as mulheres e vira caso de polícia
Trend 'Caso ela diga não' estimula violência contra as mulheres e vira caso de polícia

O Ministério da Justiça enviou nesta terça-feira (10) um ofício ao TikTok dando cinco dias para a rede social se explicar sobre a trend "se ela disser não".

Nela, homens simulam ações violentas contra mulheres caso elas dissessem não a pedidos de casamento.

A pasta diz que a obrigação do TikTok não se limita à remoção de conteúdos específicos solicitada pela Polícia Federal (PF), mas sim promover a remoção imediata, independentemente de pedido.

"A circulação massiva dos conteúdos da trend referenciada coloca em questão o cumprimento dos deveres de cuidado acima delineados — suscitando, em especial, a possibilidade de falha sistêmica", argumenta.

O ofício é assinado por três secretários da pasta: o de Direitos Digitais, Victor Fernandes, o de Segurança Pública, Francisco Veloso, e o do Consumidor, Osny Filho.

O governo pede, inicialmente, uma descrição detalhada das medidas técnicas e organizacionais para detecção e remoção proativa de conteúdo misógino. Nesse detalhamento, o TikTok deve esclarecer se há sistemas automatizados de moderação e análise de trends emergentes com potencial conteúdo ilícito, por exemplo.

O Ministério da Justiça também quer informações se os mecanismos de recomendação, ou o feed algorítmico, e os de impulsionamento de conteúdo foram auditados quanto ao risco de amplificação de conteúdo misógino.

Por fim, solicita dados sobre possível monetização dos conteúdos removidos ou sobre contraprestação pelo alcance em forma de patrocínio, anúncio ou formato relevante.

O TikTok informou que agiu de forma proativa, iniciando a remoção dos vídeos ainda no fim de semana. Segundo a plataforma, quando a PF apresentou a lista de conteúdos investigados na segunda, grande parte do material já havia sido retirada do ar por descumprir as diretrizes da comunidade. Os links restantes foram derrubados no mesmo dia, e a companhia mantém colaboração total com as autoridades.

Ainda, ao g1, o TikTok disse, por meio de nota:

"Os referidos conteúdos violam nossas Diretrizes da Comunidade e foram removidos da plataforma assim que identificados. Nosso time de moderação segue atento e trabalhando para identificar possíveis conteúdos violativos sobre o tema. Não permitimos discurso de ódio, comportamento de ódio ou promoção de ideologias de ódio. Nossa prioridade é manter a comunidade segura e protegida, e continuamos a investir em medidas contundentes que reforçam e defendem ativamente a segurança de nossa plataforma."

Montagem mostra exemplos de vídeos da trend “treinando caso ela diga não”, em que criadores simulam reações violentas após rejeição a pedidos de namoro ou casamento — Foto: Reprodução/TikTok
Montagem mostra exemplos de vídeos da trend “treinando caso ela diga não”, em que criadores simulam reações violentas após rejeição a pedidos de namoro ou casamento — Foto: Reprodução/TikTok

Entenda o caso

Uma trend que circula no TikTok com a frase “treinando caso ela diga não” ganhou força nas redes sociais e tem gerado repercussão nas últimas semanas.

Nos vídeos, os criadores simulam situações de abordagem romântica, geralmente um pedido de namoro ou casamento. Em seguida, aparece a frase “treinando caso ela diga não” ou variações semelhantes.

Depois da legenda, os autores encenam reações agressivas diante da possibilidade de rejeição. Em muitos casos, as simulações incluem socos em objetos, movimentos de luta ou golpes com faca.

🔍 O g1 analisou vinte vídeos divulgados na plataforma, publicados entre 2023 e 2025. Os posts são de perfis de 883 até 177 mil seguidores, e acumulam mais de 175 mil interações na plataforma.

Segundo o blog da Julia Duailibi, a Polícia Federal (PF) derrubou perfis e abriu inquérito para investigar os vídeos virais que simulam violência a mulheres.

Isso ocorre em um contexto de recorde de feminicídios e escalada de violência contra as mulheres. O Brasil registrou recorde de feminicídios em 2025. Ao todo, 1.470 mulheres foram mortas por esse tipo de crime no país ao longo do ano, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O número supera os 1.464 casos contabilizados em 2024, que até então representavam o maior patamar da série histórica. Na média, os registros indicam que quatro mulheres foram assassinadas por dia no país no ano passado.

O formato simples facilitou a reprodução do conteúdo. Muitos vídeos usam a mesma frase na tela e pequenas variações na encenação, algo comum em trends replicáveis da plataforma.

Embora a tendência tenha voltado a circular com força entre criadores brasileiros no final de 2025, registros de vídeos com esse formato aparecem nas redes desde pelo menos 2023.

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segunda-feira, 9 de março de 2026

Celular que mantém o horizonte estável: como funciona a tecnologia que viralizou nas redes

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Tecnologia de estabilização de vídeo mantém o horizonte nivelado em celulares Samsung e Motorola, além de câmeras de ação da GoPro e Insta360.
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Por Henrique Martin, g1

Postado em 09 de Março de 2.026 às 07h05m
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Como o celular consegue filmar e manter o horizonte estável?
Como o celular consegue filmar e manter o horizonte estável?

As redes sociais foram tomadas nos últimos dias por vídeos que continuam com a imagem estável mesmo com o celular movimentado em várias direções.

O aparelho em destaque é o Samsung Galaxy S26 Ultra, anunciado em fevereiro e previsto para chegar às lojas este mês.

Mas ele não é o único com a função: alguns celulares da Motorola têm algo similar desde 2023, e câmeras de esportes e ação desde 2019 (GoPro) e 2025 (Insta360).

O funcionamento do recurso, segundo as fabricantes, é resultado da combinação de dados de dois sensores: o acelerômetro e o giroscópio.

O giroscópio detecta o movimento de rotação do celular, e o acelerômetro indica a direção do chão.

O software da câmera e o processador do smartphone, então, combinam essas informações em tempo real para nivelar o vídeo no eixo horizontal. Assim, qualquer movimento para cima, para baixo ou de ponta-cabeça mantém o horizonte fixo na gravação.

Alguns fabricantes, como a Insta360, também mencionam o uso de um recorte na área do sensor de imagem para manter a cena centralizada. Cortam-se as bordas para manter o centro nivelado.

Tanto a Samsung quanto a Motorola alertam que é preciso ter boa iluminação no ambiente para obter resultados satisfatórios.

Vídeos no TikTok testando a trava de horizonte do Galaxy S26 Ultra — Foto: Reprodução
Vídeos no TikTok testando a trava de horizonte do Galaxy S26 Ultra — Foto: Reprodução

Cada marca adota um nome diferente para a função. Na Samsung, chama-se "bloqueio horizontal" e está presente no Galaxy S26 Ultra, que custava a partir de R$ 11.500 nas lojas on-line no início de março.

Na Motorola, o recurso é a "estabilização inteligente", disponível em modelos como o Edge 60, vendido por cerca de R$ 2.500 na internet.

O Moto Signature, novo topo de linha da marca com lançamento nesta segunda-feira (09), também terá a funcionalidade.

Filmando com o Galaxy S26 Ultra de ponta-cabeça em frente a um espelho — Foto: Henrique Martin/g1
Filmando com o Galaxy S26 Ultra de ponta-cabeça em frente a um espelho — Foto: Henrique Martin/g1

Já as câmeras da GoPro usam o termo "nivelamento de horizonte", presente em todos os modelos da marca, com produtos que custam na faixa de R$ 3.500. Veja a seguir opções das três marcas.

GoPro Hero13 Black
GoPro Hero13 Black
Moto Edge 60
Motorola Edge 60
Samsung Galaxy S26 Ultra
Samsung Galaxy S26 Ultra

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domingo, 8 de março de 2026

'Meus pais estão vivos?': apagão de internet imposto pelo Irã completa uma semana e afeta iranianos em meio à guerra

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Apagão digital restringiu gravemente a comunicação não apenas com o resto do mundo, mas também dentro do país. Sem notícias de parentes e amigos, iranianos no exterior estão aflitos.
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TOPO
Por Erfan Kasraie

Postado em 08 de Março de 2.026 às 07h00m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

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Ataque ao Irã: Entenda o que aconteceu e o que pode vir agora
Ataque ao Irã: Entenda o que aconteceu e o que pode vir agora

Bloqueios de internet e apagões digitais não são novidade no Irã. O regime teocrático islâmico costuma cortar o acesso à rede sempre que ocorrem protestos antigoverno em massa no país.

Durante a onda de manifestações em janeiro, que teria deixado milhares de mortos após a repressão brutal das forças de segurança, as autoridades impuseram um apagão da internet que durou semanas. O mesmo roteiro se repetiu durante a guerra de 12 dias com Israel em junho passado.

Desde 28 de fevereiro, no início da ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, a internet voltou a ser cortada pelas autoridades iranianas, mergulhando o país em um apagão de informações.

No sábado (7), a plataforma de monitoramento da internet NetBlocks contabilizava mais de 168 horas ininterruptas de apagão – uma semana –, com a conectividade ainda estagnada em torno de 1% dos níveis normais.

Dentro do Irã, tarefas simples como o uso do Google Maps ou a busca de informações em sites tornaram-se impossíveis. Apenas a intranet local, extremamente limitada, permanecia disponível.

Conectividade de internet no Irã em 7 de março, após início de ofensiva militar dos EUA e de Israel contra o país — Foto: Reprodução/NetBlocks
Conectividade de internet no Irã em 7 de março, após início de ofensiva militar dos EUA e de Israel contra o país — Foto: Reprodução/NetBlocks

Preocupação dos iranianos no exterior

O bloqueio restringiu severamente o fluxo de informações e comunicação, não apenas de dentro para fora do Irã, mas também no interior do país.

Hayberd Avedian é membro do conselho da Ayande e.V., uma associação juvenil na Alemanha que se concentra em jovens com ascendência iraniana no mundo de língua alemã.

Avedian disse que não poder se comunicar com seus entes queridos no Irã tem sido extremamente estressante e desafiador.

"Quando acordo de manhã, minha primeira pergunta é: 'Meus pais ainda estão vivos? Estão ilesos?' Imediatamente verifico as notícias: quais áreas foram bombardeadas, onde houve ataques?", disse Avedian à DW.

"Mesmo que eu não veja nenhum ataque onde eles moram, o medo permanece porque muitas vezes não consigo contatá-los", acrescentou.

"Devido ao bloqueio da internet e das comunicações, é impossível sequer saber se eles estão bem. Eu sei que, numa situação dessas, até mesmo uma simples ida à padaria para comprar pão pode ser perigosa."

Mitra B., de 50 anos, que deixou o Irã após a Revolução Islâmica de 1979 e agora vive na Alemanha, compartilhou preocupações semelhantes.

"Ainda não tive notícias da minha tia no Irã. Minha esperança é que ela esteja viva, que esteja bem e que o Irã se liberte em breve deste regime", disse ela à DW.

Embora a maioria dos iranianos esteja isolada do mundo digital, um grupo seleto de pessoas ligadas ao regime e seus apoiadores continua a desfrutar de acesso irrestrito à internet usando os chamados "chips brancos", cartões pré-pagos anônimos.

Relatórios sugerem que existam mais de 50 mil desses chips no Irã, com muitos desses usuários permanecendo ativos nas redes sociais, disseminando propaganda do governo e narrativas enganosas.

Para outros, no entanto, a comunicação tem sido um grande desafio. Telefonar para o Irã a partir do exterior, seja para celulares ou telefones fixos, é quase impossível.

Alguns iranianos relataram breves momentos do dia em que conseguem se conectar e enviar mensagens.

Muitos também recorreram a ferramentas para burlar a censura, como a plataforma de internet aberta Psiphon, redes virtuais privadas (VPNs) ou assinaturas ilegais da Starlink, provedora de internet via satélite de propriedade de Elon Musk, o que levou as autoridades iranianas a emitirem alertas para que as pessoas não se conectem à internet.

A situação dificulta a cobertura jornalística do conflito e impede que ativistas e o público em geral compartilhem relatos independentes dos acontecimentos. Especialistas afirmam que isso também leva a uma onda de desinformação, já que relatos pró-regime ocupam esse vácuo de informações.

Israel e Estados Unidos fazem nova rodada de ataques contra o Irã — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Israel e Estados Unidos fazem nova rodada de ataques contra o Irã — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Risco adicional aos iranianos

A atual suspensão dos serviços de internet acarreta um risco adicional, já que os militares israelenses emitem regularmente alertas antes de lançar ataques aéreos, instando civis a evacuarem certas áreas ou evitarem locais específicos em cidades iranianas.

Com o apagão digital, o acesso dos cidadãos a esses alertas fica cada vez mais limitado, colocando vidas de civis em risco.

"Mesmo alertas importantes e pedidos de evacuação, como os emitidos pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), não chegam a muitas pessoas a tempo porque a internet no Irã é deliberadamente desligada", disse Avedian.

Tahireh Panahi, pesquisadora da Universidade de Kassel no departamento de Direito Público, Direito da Tecnologia da Informação e Direito Ambiental, disse à DW que o apagão da internet "não é apenas um problema individual, mas também social".

Ela destacou que isso dificulta a organização e a coordenação de protestos antigovernamentais em massa.

"Além disso, o regime clerical garante que as informações sobre seus crimes não cheguem ao mundo exterior", observou.

"É por isso que o fim do bloqueio da internet é essencial. Muitos iranianos exilados se sentem responsáveis por garantir que as informações saiam do país e que as pessoas possam ser ajudadas."

Entenda o que levou Israel e EUA a atacarem o Irã
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