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quinta-feira, 28 de julho de 2011

O desafio de comunicar a sustentabilidade


Empresas precisam desenvolver meios próprios para divulgar iniciativas com credibilidade e transparência...

 

Por Cláudio Martins,  | 28/07/2011




!!*\^::^/*!! Comunicar iniciativas de sustentabilidade e responsabilidade social de forma transparente é um desafio presente na agenda das empresas. Cabe a cada companhia encontrar uma maneira de construir este diálogo, não somente com o consumidor, mas com todos os públicos de interesse. É necessário criar uma linguagem capaz de convencê-los do compromisso das marcas com estes temas.

Manter esta conversa, no entanto, tem sido uma tarefa árdua. Segundo dados do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), 85% dos consumidores brasileiros não acreditam no discurso sustentável das empresas. Outra dificuldade encontrada pelas companhias que de fato querem investir no conceito é a falta de uma literatura específica, algo que oriente o trabalho dos departamentos de Marketing e Comunicação.

Tentando encontrar uma forma própria de apresentar seu trabalho no pilar social, a Endesa Cachoeira criou vídeos para dar visibilidade ao Projeto Descobrindo a Música, realizado em Goiás. A iniciativa da empresa de distribuição de energia elétrica promoveu dois concertos com a Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás, para os estudantes das escolas de Cachoeira Dourada em 2009.

Endesa aposta em vídeos corporativos 
 
O desafio era comunicar a ação com credibilidade. Umas das primeiras medidas adotadas foi priorizar o depoimento das crianças e dos professores, e não apresentar porta-vozes da companhia. “Nos filmes há uma ausência da imagem corporativa. O objetivo é mostrar o projeto e não a empresa falando de si mesma. O que nos fez escolher este formato é o apelo e a capacidade de atrair públicos distantes”, afirma Bonança Mouteira (foto), responsável pela área de Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa da Endesa Brasil.

Os vídeos foram apresentados durante o V Fórum de Sustentabilidade e Responsabilidade Social, realizado no último dia 21, no Rio de Janeiro. A proposta da empresa não era impactar somente os internautas. A sustentabilidade é encarada como um negócio para a Endesa e as gravações pretendiam gerar confiança de grupos de interesse, como acionistas.

O Banco da Providência, instituição que apoia famílias em situação de risco social, também vê na responsabilidade social uma forma negócio. A organização não governamental gera renda a partir de eventos como a Feira e o Arraial da Providência e conta ainda com a marca Providência comercializando colares e bolsas confeccionadas por mulheres atendidas pelo Banco.

CEBDS cria guia para orientar empresas 


Em 2010, 63% da receita do Banco da Providência foi gerada a partir de eventos e a marca da instituição colaborou com apenas 8%. “Uma das grandes dificuldades para o terceiro setor é própria sustentabilidade do empreendimento. A falta de recursos acaba interferindo na comunicação deste tipo de iniciativa”, ressalta Clarice Linhares, Superintendente do Banco da Providência, durante o fórum.

A falta de verba, no entanto, não impede as empresas de comunicar suas ações sustentáveis. Na tentativa de facilitar este processo, o CEBDS criou um Guia de Comunicação e Sustentabilidade para orientar as companhias. O desenvolvimento do livro, disponível para download na página da instituição, surgiu a partir de uma pesquisa realizada pelo Conselho que verificou a necessidade de unificar os esforços em torno do tema.

A publicação apresenta formas de se relacionar com os públicos das companhias, destacando objetivos claros e utilizando os canais adequados para ter transparência no diálogo. “Só a existência do guia não basta. É preciso implementar estas práticas, que vão desde o relacionamento com os colaboradores até a escolha do suporte para a divulgação do Relatório de Sustentabilidade”, afirma Lia Lombardi (foto), Coordenadora da Câmara de Comunicação do CEBDS.

Esforços para mensurar ações sustentáveis
 
Mesmo com a implementação destas iniciativas, existe uma dificuldade em medir o quão sustentável é uma empresa. Em uma tentativa de parecerem “verdes”, as marcas entram na corrida por selos, como o Despoluir e a Norma ISSO 26000. Ao lançarem mão de práticas como essas, as companhias podem estar se esquecendo que estes indicadores fazem parte das obrigações com o meio ambiente, e por si só não provam que a empresa é sustentável.

Em um esforço para medir o impacto da sustentabilidade na comunicação, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) está desenvolvendo indicadores, em parceira com a Associação Brasileira de Agências de Publicidade. “O programa está em fase de teste e pretende ser um banco de dados para as empresas mensurarem como estão posicionadas no mercado quando o assunto é sustentabilidade e responsabilidade social”, explicou o Professor Hiran Castello, Vice Presidente da ESPM.
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terça-feira, 26 de julho de 2011

Marcas buscam diferenciais para enfrentar a guerra dos tablets no Brasil


Concorrência no segmento cresce com entrada de marcas como Samsung e Motorola 

 

Por Cláudio Martins, do Mundo do Marketing |




Os tablets estão ganhando cada vez mais espaço no mercado brasileiro. Impulsionada pelo iPad (foto), da Apple, a categoria recebe o investimento de marcas como Samsung, Motorola, LG, HP e a brasileira Multilaser, que estão de olho no potencial do segmento.
Segundo uma pesquisa realizada pela International Data Corporation (IDC), foram vendidos 100 mil aparelhos e a projeção para 2011 é de que esse número cresça para cerca de 350 mil unidades. Lançado em abril de 2010, o iPad conquistou o mercado mundial se tornando uma febre entre os aficionados por tecnologia. No fim do ano passado, no entanto, a Apple começou a perder sua soberania.
Durante o último trimestre de 2010, a companhia caiu dos 93% de market share para 73%, enquanto a concorrente Samsung, que havia lançando em novembro o Galaxy Tab, encerrou 2010 com 13% de participação. Ainda assim, a Apple vendeu 4,69 milhões de iPads no primeiro trimestre de 2011 e, em maio, apresentou o iPad 2.
Obstáculo do preço começa a ser vencidoUm dos primeiros desafios para a comercialização do tablets no Brasil foi o preço elevado. Com a aprovação da Medida Provisória 534 pelo Governo brasileiro, no último dia 23 de maio, empresas estrangeiras conquistaram o direito de produzir os aparelhos no Brasil, o que pode reduzir o preço dos aparelhos em até 30%. Mesmo antes da aprovação da chamada “Lei do Bem”, companhias como a Motorola, que lançou o tablet Motorola Xoom (foto, à esquerda) em abril, já comemoram a vendas.
“O desempenho do produto tem sido muito satisfatório e acima das previsões iniciais, considerando que contávamos com a aprovação dos incentivos fiscais em abril. O preço ficou um pouco acima do que desejávamos, mas estamos confiantes de que poderemos muito em breve oferecer o Xoom por um valor mais acessível ao consumidor brasileiro”, diz Rodrigo Vidigal, Diretor de Marketing da Motorola Mobility para a América Latina Leste, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Para atrair o consumidor, a Motorola aposta na oferta de conteúdos. Quem adquirir o produto da empresa ganha assinatura grátis de até cinco revistas da editora Abril durante três meses e download de seis best sellers da Livraria Saraiva. Outro diferencial que o aparelho possui são as saídas HDMI e Mini USB, que dão liberdade de conexão aos usuários para equipamentos da marca e de outros fabricantes.
Samsung aposta na diversificação do mercado Outra marca que investe neste mercado é a Samsung, que trouxe o Galaxy Tab (foto) em 2010 para o Brasil. Para atingir diversos públicos, a empresa pretende diversificar sua produção de tablets e retirar alguns recursos de alguns produtos para tornar o preço mais acessível, de acordo com a segmentação do mercado e as necessidades dos consumidores. Em 2011 estão previstos lançamentos de modelos de 5, 8.9 e 10 polegadas.
“Acreditamos que na medida em que a oferta no mercado se amplia, os consumidores procurarão tablets segundo necessidades específicas. Haverá aqueles que buscarão mais conectividade, outros desempenho e preço. Os lançamentos da Samsung têm o objetivo de atender a todas essas expectativas”, acredita Benjamin Sicsú, Vice-Presidente de Novos Negócios da Samsung, em entrevista ao portal.
Não é apenas a Samsung que tem preparado lançamentos para este ano. Outra empresa que aposta no mercado brasileiro é a LG, que trará para o país o LG Optimus Pad, com o diferencial da gravação de imagens em 3D. A novidade estará disponível no Brasil neste semestre e será produzida na fábrica da empresa, em Taubaté, no estado de São Paulo.
Concorrência começa a aumentar Marcas como HP também entraram no segmento. A empresa lançou este ano o TouchPad, tablet que usa o sistema operacional WebOS, diferente da maioria do mercado, que opera com a plataforma Android. A HP tem planos de comercializar o aparelho no Brasil ainda em 2011. Já a Flyer, se diferencia da concorrência oferecendo uma caneta que permite ao usuário escrever ou desenhar na tela do equipamento, sem precisar usar os dedos. O produto foi lançado no Estado Unidos em maio e ainda não tem previsão de chegar ao Brasil.
Outras novidades que devem estreiar no varejo brasileiro entre julho e agosto são os tablets Win Touch, da CCE, e o Eee Pad Transformer, da Asus. Os produtos foram apresentados na Eletrolar Show 2011, feira de informática, eletroeletrônicos e eletrodomésticos da América Latina, voltada para o segmento de B2B.
Neste mercado há ainda espaço para concorrentes nacionais, como o Oasis (foto, à esquerda) e o Life, da Multilaser. Os produtos utilizam o preço como forma de atrair os consumidores e estão sendo comercializados na internet e nos pontos de venda por valores que variam entre R$ 500,00 e R$800,00. Outra empresa que adotou inicialmente essa estratégia foi a ZTE, ao lançar o V9 em 2010, que chegou ao país custando cerca de R$ 900,00. 
A tendência, entretanto, é que preço deixe de ser considerado um atrativo daqui para frente. “No início do ano, vimos o consumidor comprar tablets mais estimulado pela curiosidade do que pelo entendimento dos reais benefícios do produto. Hoje, começamos a enxergar um comportamento diferente, em que os clientes primeiro procuram compreender as vantagens para depois adquirir um tablet”, afirma o executivo da Motorola, em entrevista ao portal.
Tablets e a sustentabilidade Os tablets também poderão ser grandes aliados da sustentabilidade, colaborando para a redução do uso de papel, principalmente no segmento educacional. O Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia da Coreia do Sul, por exemplo, assumiu o compromisso de trocar os livros escolares por tablets até 2015. O projeto deve custar cerca de US$ 2 milhões ao país e prevê também a instalação de redes wireless nas escolas.
A Universidade Estácio de Sá realiza uma iniciativa semelhante no Brasil. Os estudantes que se matricularam em 2011 nos cursos de Direito, Gastronomia e Hotelaria da instituição ganharam o material didático em um tablet Android. O projeto-piloto, que beneficiará os alunos das unidades do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, pretende gerar uma economia de seis milhões de folhas de papel e, para os próximos cinco anos, a previsão é que sejam reduzidas 240 milhões, quando a universidade ampliará o programa para todos os campi.