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quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Google lança Gemini, sua IA mais poderosa; entenda como ela vai funcionar

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Modelo foi integrado ao Bard, rival do ChatGPT e chegará a outros produtos do Google, como Busca e Chrome, nos próximos meses. IA foi criada para funcionar tanto em infraestruturas grandes, como as de data centers, quanto em celulares.
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Por Victor Hugo Silva, g1

Postado em 07 de dezembro de 2023 às 08h00m

Post. N. - 4.785

O Google lançou nesta quarta-feira (6) o Gemini, modelo de inteligência artificial (IA) que é tratado pela empresa como o mais poderoso já criado por sua equipe. Ele já pode ser testado no Bard (concorrente do ChatGPT), mas, por enquanto, apenas em inglês.

Em uma demonstração, o Gemini conseguiu analisar a foto de um exercício de física e identificar um erro no cálculo. A IA foi capaz de apresentar a solução correta e criar problemas semelhantes para o usuário tentar resolver.

Demonstração do Google mostra que Gemini analisa exercício de física e identifica quando há um erro de cálculo — Foto: Divulgação/Google
Demonstração do Google mostra que Gemini analisa exercício de física e identifica quando há um erro de cálculo — Foto: Divulgação/Google

Segundo o Google, ajudar estudantes com a lição de casa é apenas uma das áreas em que o modelo poderá ajudar. Ele também deverá ser útil para realizar outras tarefas que exigem uma capacidade maior de raciocínio lógico, como programar em diversas linguagens.

O Gemini superou a capacidade humana em um teste de conhecimento e solução de problemas que combina 57 temas, incluindo matemática, física e história, segundo o Google. A empresa também diz que ele se saiu melhor que o GPT-4, modelo da OpenAI.

Como o Gemini funciona?

O Gemini é o modelo de IA mais flexível já desenvolvido pelo Google. A ideia é que ele consiga rodar tanto em infraestruturas grandes, como as de data centers, quanto em dispositivos mais limitados, como celulares.

Para atender a esse objetivo, a nova inteligência artificial terá três versões:

  • Gemini Ultra: maior e mais poderoso, voltado para tarefas altamente complexas – será liberado apenas em 2024;
  • 💻 Gemini Pro: voltado rodar uma ampla gama de tarefas e atender a desenvolvedores e usuários – começa a ser liberado nesta quarta;
  • 📱 Gemini Nano: criado para dispositivos móveis, vai rodar diretamente no dispositivo, o que lhe permite funcionar mesmo quando não há internet – disponível no Pixel 8 Pro, o celular do Google, para criar resumos de áudios e sugerir respostas inteligentes no WhatsApp.
Gemini, IA do Google, foi desenvolvida para ser flexível e funcionar de data centers a celulares com versões Ultra, Pro e Nano — Foto: Divulgação/Google
Gemini, IA do Google, foi desenvolvida para ser flexível e funcionar de data centers a celulares com versões Ultra, Pro e Nano — Foto: Divulgação/Google

O primeiro contato de muitos usuários com o Gemini deverá ser com a versão Pro, que vai melhorar raciocínio, planejamento e compreensão do Bard. A partir desta quarta, o robô do Google já vai usar a nova IA em respostas em inglês (outros idiomas receberão a atualização em breve).

No início de 2024, o Google vai lançar o Bard Advanced, que fará o Gemini Ultra estar disponível no Bard. E, ainda segundo a empresa, produtos como Busca e Chrome se integrarão ao Gemini nos próximos meses.

A partir de 13 de dezembro, desenvolvedores e empresas poderão usar o Gemini Pro por meio das plataformas de inteligência artificial Google AI Studio e Google Cloud Vertex AI. E o Gemini Ultra vai passar por mais verificações de segurança antes de ser liberado para todos em 2024.

O Google diz que a abordagem para desenvolver o Gemini foi um pouco diferente da adotada em outros modelos de inteligência artificial multimodais, isto é, que conseguem entender ao mesmo tempo diferentes formatos, como textos, imagens, áudios e códigos.

Segundo a empresa, a criação de modelos de IA costuma envolver "treinamentos" separados, com foco em cada formato. Em uma segunda etapa, o aprendizado de texto é reunido com o de imagem, por exemplo, e tudo é "empacotado" em apenas um produto.

Na avaliação do Google, esse método permite realizar algumas tarefas, como descrever imagens, mas tem limitações nos casos que exigem mais raciocínio.

"Projetamos o Gemini para ser nativamente multimodal, pré-treinado desde o início em diferentes modalidades. Em seguida, aperfeiçoamos com dados multimodais adicionais para refinar ainda mais sua eficácia", disse Demis Hassabis, diretor-executivo da DeepMind, subsidiária de IA do Google.

Sundar Pichai, diretor-executivo da Alphabet, durante evento sobre inteligência artificial, em 16 de novembro de 2023 — Foto: AP Photo/Eric Risberg
Sundar Pichai, diretor-executivo da Alphabet, durante evento sobre inteligência artificial, em 16 de novembro de 2023 — Foto: AP Photo/Eric Risberg

O Google admite que, como toda inteligência artificial, o Gemini também está sujeito ao problema de alucinação, um erro que faz a resposta de um robô incluir informações incorretas, tendenciosas ou sem sentido.

Mas a empresa diz que o Gemini é capaz de fazer as melhores avaliações de segurança de uma IA já criada por sua equipe. O objetivo é que ela seja capaz de evitar conteúdo violento ou estereotipado, por exemplo.

A criação do Gemini envolveu ainda o treinamento sobre o que não deve ser exibido aos usuários a partir de um conjunto de 100 mil frases consideradas tóxicas retiradas da internet. Um grupo de especialistas independentes também trabalha para testar os limites da nova IA.

"Estamos abordando esse trabalho com ousadia e responsabilidade", disse Sundar Pichai, diretor-executivo da Alphabet, controladora do Google.

"Isso significa ser ambiciosos em nossa pesquisa e buscar capacidades que trarão benefícios enormes para as pessoas e a sociedade, ao mesmo tempo em que construímos salvaguardas e trabalhamos em colaboração com governos e especialistas para enfrentar os riscos à medida que a IA se torna mais capaz", afirmou.

Bard, o 'ChatGPT do Google', é lançado no Brasil
Bard, o 'ChatGPT do Google', é lançado no Brasil
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terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Após aplicar multa milionária, Senacon instaura processo contra o Facebook por anúncios falsos do 'Desenrola'

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Em novembro, órgão federal aplicou multa diária de R$ 150 mil contra a empresa por descumprir medida que determinou remoção de anúncios fraudulentos.
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Por Wesley Bischoff, g1 — São Paulo

Postado em 05 de dezembro de 2023 às 07h45m

Post. N. - 4.784

Composição de imagens com os logos do Facebook e da Meta — Foto: Dado Ruvic/Reuters
Composição de imagens com os logos do Facebook e da Meta — Foto: Dado Ruvic/Reuters

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) instaurou um processo administrativo contra o Facebook pela veiculação de anúncios falsos sobre o programa de renegociação de dívidas "Desenrola Brasil". A medida foi publicada em edição do Diário Oficial da União, nesta terça-feira (5).

Em julho, a Senacon determinou que o Facebook removesse em 48 horas todos os anúncios falsos veiculados relacionados ao programa. À época, o g1 mostrou que supostas empresas estavam anunciando na plataforma se passando por intermediárias do "Desenrola".

Já em novembro, a secretaria anunciou que aplicou multa diária de R$ 150 mil contra a Meta, que controla o Facebook, por não cumprir a medida que determinava a retirada das publicidades fraudulentas.

Segundo o órgão, foram identificados mais de 2 mil anúncios falsos com conteúdo ilícito em um período de 62 dias. Com isso, a multa aplicada contra a empresa poderia chegar a R$ 9,3 milhões.

Por meio de nota, a Senacon afirmou que "a Meta não demonstrou a adoção de medidas cabíveis para evitar tais veiculações" e que, caso a situação não fosse regularizada, a empresa poderia receber punições mais graves.

Após a abertura do processo administrativo, a sede do Facebook no Brasil terá prazo de 20 dias para apresentar defesa. O despacho da secretaria deixa claro que, se a defesa não for apresentada no prazo, a empresa pode sofrer "consequências legais pertinentes".

A Meta afirmou, em julho, que estava removendo anúncios enganosos identificados sobre o "Desenrola" e que coopera com as requisições das autoridades brasileiras.

Em nota, a Meta disse estar colaborando com as autoridades. "Não permitimos atividades fraudulentas em nossos serviços e temos removido anúncios enganosos sobre o programa Desenrola Brasil de nossas plataformas, assim que identificados por meio de uma combinação de uso de tecnologia, denúncias de usuários e revisão humana. Reiteramos nossa disposição em seguir colaborando com as autoridades."

Anúncio com fraude envolvendo o nome do Desenrola Brasil — Foto: Reprodução/Biblioteca de Anúncios da Meta
Anúncio com fraude envolvendo o nome do Desenrola Brasil — Foto: Reprodução/Biblioteca de Anúncios da Meta

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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

O X pode ir à falência sob o comando de Elon Musk?

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Para uma empresa que Musk comprou por 44 bilhões de dólares no ano passado, a falência pode parecer impensável. Mas é possível.
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TOPO
Por James Clayton

Postado em 04 de dezembro de 2023 às 07h00m

Post. N. - 4.783

Elon Musk durante a conferência anual DealBook, do The New York Times. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Elon Musk durante a conferência anual DealBook, do The New York Times. — Foto: GETTY IMAGES via BBC

O ataque ferino de Elon Musk contra anunciantes que boicotam o X (o antigo Twitter) confundiu os especialistas. Se os anunciantes continuarem saindo e não voltarem, será que a rede social poderá sobreviver?

Em abril, Musk deu uma entrevista para a BBC News — nela, soltou as primeiras de muitas declarações caóticas sobre a aquisição do X.

Ele disse algo bastante revelador, mas que passou despercebido na época.

Ao falar sobre publicidade, Musk disse à época: Se a Disney se sente confortável em anunciar filmes infantis [no X] e a Apple se sente bem em anunciar iPhones na plataforma, esses são bons indicadores de que o X é um bom lugar para anunciar.

Sete meses depois, tanto Disney quanto Apple não fazem mais anúncios no X — e Musk usou palavrões para expressar sua reação à mudança de postura das empresas.

As empresas fizeram uma pausa os anúncios depois que uma investigação de uma organização norte-americana, a Media Matters for America, apontou que os anúncios publicitários apareciam ao lado de postagens pró-nazistas.

Em nota, o X desafiou ferozmente o relatório, questionou os métodos de pesquisa e abriu um processo judicial contra a organização.

Numa entrevista inflamada na quarta-feira (29/11), Musk também mencionou a palavra falência, num sinal do quanto o boicote publicitário pode prejudicar os resultados financeiros da empresa.

Para uma empresa que ele comprou por 44 bilhões de dólares (R$ 216 bilhões) no ano passado, a falência pode parecer impensável. Mas é possível.

Para entender por que, é preciso observar até que ponto o X depende das receitas de publicidade — e porque os anunciantes parecem abandonar a plataforma.

Embora não tenhamos os números mais recentes, no ano passado cerca de 90% da receita do X foi proveniente de publicidade. Esse é o coração do negócio.

Na quarta-feira, Musk foi muito além de insinuações sobre isso.

"Se a empresa falir... Ela vai falir por causa de um boicote dos anunciantes. Será isso que levará a empresa à falência", disse.

Numa entrevista em Nova York, nos EUA, Elon Musk passou uma mensagem contundente aos anunciantes. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Numa entrevista em Nova York, nos EUA, Elon Musk passou uma mensagem contundente aos anunciantes. — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Mark Gay, diretor de clientes da consultoria de marketing da Ebiquity, que trabalha com centenas de empresas, diz que não há sinais de que algum anunciante esteja voltando ao X.

"O dinheiro saiu e ninguém parece ter uma estratégia para reinvestir na plataforma", aponta ele.

Na sexta-feira (1/12), o gigante varejista Walmart anunciou que também não anunciaria mais no X.

Depois que Musk usou palavras contundentes para reagir a esse movimento dos anunciantes — em que ele mandou as empresas para "aquele lugar" — o empresário ainda fez uma menção direta a uma das empresas.

"Olá, Bob", disse ele — uma referência ao presidente-executivo da Disney, Bob Iger.

Quando Musk coloca os executivos-chefes "na mira" dessa forma, eles ficam ainda mais reticentes em se envolver com o X, diz Lou Paskalis, da consultoria de marketing AJL Advisory.

Jasmine Enberg, analista principal da consultoria Insider Intelligence, acrescenta: "Não é preciso ser um especialista em mídia social para entender que atacar publicamente e pessoalmente anunciantes e empresas que pagam as contas do X não será bom para os negócios."

Então o X poderia realmente ir à falência?

Se os anunciantes sumirem para sempre, o que Musk tem de trunfo?

Quando ele foi entrevistado pela BBC News em abril, ficou claro que Musk entendia que as assinaturas no X não substituiriam o dinheiro da publicidade.

"Se você tem um milhão de assinantes por, digamos, 100 dólares (R$ 492) ao ano, isso equivale a US$ 100 milhões. Esse é um fluxo de receita pequeno em relação à publicidade", estimou ele.

Em 2022, a receita de publicidade do Twitter foi de cerca de US$ 4 bilhões (R$ 19,6 bilhões). A Insider Intelligence estima que este ano o valor cairá para US$ 1,9 bilhão (R$ 9,3 bilhões).

Musk diz que Twitter perdeu 50% da receita de publicidade e continua com caixa negativo

A empresa tem dois grandes gastos. O primeiro é a conta de pessoal. Musk já cortou X até o osso, ao demitir milhares de funcionários.

A segunda é pagar os empréstimos que Musk contraiu para comprar o Twitter, que totalizam cerca de 13 bilhões de dólares (R$ 64 bilhões). A Reuters informou que a empresa agora tem que pagar cerca de US$ 1,2 bilhão (R$ 5,9 bilhões) em pagamentos de juros todos os anos.

Se a empresa não puder bancar os juros dos empréstimos ou pagar o salário dos funcionários, então, sim, o X poderá realmente ir à falência.

Mas esse seria um cenário extremo, que Musk certamente gostaria de evitar.

A mudança da marca do Twitter por Elon Musk para X começou no final de julho de 2023. — Foto: REUTERS via BBC
A mudança da marca do Twitter por Elon Musk para X começou no final de julho de 2023. — Foto: REUTERS via BBC

Musk tem opções. De longe, a coisa mais simples seria investir mais dinheiro — mas parece que ele não quer fazer isso.

Musk poderia tentar renegociar com os bancos, de modo a ter acesso a juros menos onerosos.

Mas se a renegociação não funcionar e os bancos não receberem o dinheiro de volta, então a falência poderá ser a única opção e, nessa altura, os bancos poderão tentar pressionar para uma mudança de gestão da rede social.

"Seria muito confuso e complexo", diz Jared Ellias, professor da Faculdade de Direito de Harvard, nos EUA. "E seria extremamente desafiador. Criaria muitas notícias porque ele seria constantemente deposto e teria que testemunhar em tribunal."

Poderia ser terrível para a reputação empresarial de Musk e também teria impacto na forma como o empresário conseguiria obter empréstimos no futuro.

E, num cenário de falência, o X simplesmente sairia do ar?

"Acho isso muito difícil de acreditar nisso", diz Ellias.

"Se isso acontecesse, seria porque Musk decidiu. Mas, mesmo assim, se ele fizesse isso, os credores teriam a opção de levar a empresa à falência, nomear um administrador e retomar a plataforma", antevê ele.

O que vem a seguir para Musk?

A solução óbvia para todos estes problemas do X é simplesmente encontrar outro fluxo de receitas — e rápido. Musk certamente está buscando isso.

Ele lançou um novo serviço de chamadas de áudio e vídeo. No mês passado, Musk fez transmissões jogando videogame pela plataforma — ele espera que o X possa competir com aplicativos que já fazem isso, como a Twitch.

Ele quer que o X se torne o "aplicativo de tudo", que cubra desde bate-papos até pagamentos online.

De acordo com o jornal americano The New York Times, que obteve a apresentação de Musk a investidores no ano passado, o X deveria arrecadar US$ 15 milhões (R$ 73 milhões) a partir de um sistema de pagamentos ainda em 2023. Ele estimava que esse valor subiria para cerca de US$ 1,3 bilhão (R$ 6,4 milhões) em 2028.

O X também possui um enorme banco de dados — e seu vasto arquivo de conversas pode ser usado para treinar robôs. Musk acredita que esses dados são extremamente valiosos.

Então o X ainda tem muito potencial.

Mas, no curto prazo, nenhuma dessas opções preenche o buraco financeiro deixado pela saída dos anunciantes.

É por isso que a resposta ferina de Musk foi tão desconcertante para muitos.

"Não tenho nenhuma teoria para explicar que essas declarações fazem sentido", diz Paskalis. "Existe um modelo de receita na cabeça [de Musk] que me escapa."

5 pontos sobre a crise do Twitter
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