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domingo, 14 de setembro de 2025

Como a inteligência artificial ajudou a salvar o Google

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O crescente uso da IA em chatbots como o ChatGPT foi um fator decisivo na decisão de um tribunal dos EUA de não desmembrar o Google.
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TOPO
Por Timothy Rooks

Postado em 14 de Setembro de 2.025 às 05h00m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
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Escritório do Google em São Paulo — Foto: Divulgação/Google
Escritório do Google em São Paulo — Foto: Divulgação/Google

A inteligência artificial (IA) parece ter vindo em socorro de um representante da velha guarda do Vale do Silício: a empresa Google e seu navegador Chrome.

Há cerca de um ano, o futuro de uma das principais big techs americanas era incerto. No maior desafio antitruste que ela já enfrentou, um tribunal em Washington concluiu que a empresa monopolizava ilegalmente o mercado de buscas na internet com acordos bilionários para garantir que o seu mecanismo de busca fosse a opção padrão, o que, na prática, barrava os concorrentes.

Com essa decisão, o Departamento de Justiça dos EUA queria forçar o Google a vender seu lucrativo navegador Chrome ou seu sistema operacional Android, o que levou muitos analistas a preverem o fim da gigante da tecnologia e de seu domínio nos mecanismos de busca.

Um processo judicial longo e técnico

O juiz do caso, Amit Mehta, levou mais de um ano para tomar sua decisão, que foi anunciada em 2 de setembro de 2025 e recebida com alívio pela empresa – parece que a maré finalmente virou.

Num "memorando de opinião" de 230 páginas, Mehta decidiu que o Google não precisaria vender o Chrome nem ser desmembrado e não proibiu os acordos bilionários que a empresa vem fazendo há anos para garantir que seu mecanismo de busca seja o padrão em smartphones, computadores pessoais e outros dispositivos.

Mas Mehta ordenou que o Google conceda aos seus atuais e potenciais rivais acesso a parte da fórmula secreta do seu mecanismo de busca: os dados armazenados a partir de trilhões de buscas que ele utiliza para melhorar a qualidade dos seus resultados de busca.

O mais surpreendente foi a visão do juiz de que a inteligência artificial generativa, com suas dezenas de milhões de usuários, havia mudado, em alguns poucos meses, a situação de todo o mercado de mecanismos de busca.

Modo IA: Google começa a liberar versão repaginada da busca que lembra ChatGPT

Agente do ChatGPT reserva restaurante, faz compra, mas erra ao insistir demais
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Respostas prontas em vez de links

"O surgimento da IA generativa mudou o curso deste caso", escreveu Mehta, de forma muito clara, na primeira página de sua sentença.

Quando o caso começou, em 2020, quase ninguém falava sobre inteligência artificial. Hoje só se fala nela, e a possibilidade de que mecanismos de busca com tecnologia de IA possam afetar substancialmente, se não substituir, os mecanismos de busca convencionais é uma ameaça que o juiz aceita como real.

De fato, a IA está mudando rapidamente a forma como as pessoas pesquisam ou mesmo usam a internet. Em vez de uma lista de links, os chatbots com tecnologia de IA, como o ChatGPT, fornecem respostas prontas que podem abarcar mais de uma busca. Diante disso, o próprio Google adicionou recursos de chatbot no seu mecanismo de busca.

As interfaces de busca tradicionais estão sendo substituídas pela interface de chatbots, e analistas dizem que essa tendência continuará a se acelerar.

Três fatores estão impulsionando essa mudança, diz o professor de inteligência artificial Jinjun Xiong, da Universidade de Buffalo: o modelo gratuito do ChatGPT mostrou a muitas pessoas a capacidade da inteligência artificial, a popularização da tecnologia por meio da mídia e os avanços tecnológicos surpreendentes em IA.

Apple anuncia o novo Iphone 17
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Nova realidade no mercado

Para sublinhar seu novo conhecimento sobre IA e o mercado de buscas online, Mehta dedicou 30 páginas em sua sentença para explicar como esse mercado funciona. O Google ainda é dominante no setor de buscas, mas "tecnologias de inteligência artificial, particularmente a IA generativa, ainda podem se provar revolucionárias", concluiu Mehta.

Embora essa tecnologia de IA ainda não esteja perto de substituir os mecanismos de busca gerais, "a indústria espera que os desenvolvedores continuem a adicionar recursos aos produtos de IA generativa para que tenham um desempenho mais semelhante ao dos mecanismos de busca gerais".

O juiz reconheceu as "novas realidades" do mercado, e elas tiveram um profundo impacto em sua sentença. "O dinheiro que flui para esse setor, e a rapidez com que ele chegou, são impressionantes", escreveu. "Essas empresas já estão agora numa posição melhor, tanto financeira quanto tecnologicamente, para competir com o Google do que qualquer empresa de busca tradicional tenha estado em décadas."

Para demonstrar a complexidade de se lidar com uma tecnologia tão inovadora, Mehta acrescentou uma nota pessoal. "Ao contrário do caso típico em que a função do tribunal é resolver uma disputa com base em fatos do passado, aqui o tribunal é solicitado a olhar para uma bola de cristal e prever o futuro", escreveu.

Ecossistema aberto

Alguns especialistas esperam ver poucas mudanças na forma como o Google conduzirá seus negócios após a decisão, mas outros acreditam que a empresa terá que reformular seu funcionamento.

A verdadeira questão é o poder de ecossistemas criados por empresas como o Google, afirma Xiong. "O Google e o Chrome construíram um ecossistema muito poderoso em torno de várias ferramentas das quais as pessoas dependem fortemente, como Gmail, Google Docs, YouTube, Google Drive, Maps, etc", diz Xiong. "E essas ferramentas vão ficar melhores com as tecnologias de IA do Google."

Ecossistemas como esse dificultam a entrada de outras empresas e, portanto, a concorrência. Xiong diz que gostaria de ver as big techs adotarem um ecossistema aberto, algo que a decisão do juiz não incentivou.

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sábado, 13 de setembro de 2025

O que é o Signal, aplicativo citado por Fux em julgamento da trama golpista

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De acordo com a PF, aplicativo de mensagens foi usado para trocar informações sobre autoridades, como o ministro Alexandre de Moraes. Signal tem foco em privacidade e segurança dos usuários.
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Por Redação g1

Postado em 13 de Setembro de 2.025 às 15h30m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
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Aplicativo de mensagens Signal tem foco em privacidade — Foto: AP Photo/Jeff Chiu
Aplicativo de mensagens Signal tem foco em privacidade — Foto: AP Photo/Jeff Chiu

O aplicativo de mensagens Signal foi citado algumas vezes pelo ministro Luiz Fux do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (10), em seu voto durante o julgamento da trama golpista.

De acordo com relatório da Polícia Federal (PF), o aplicativo foi usado por militares para trocar informações sobre autoridades, como o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Mas, afinal, o que é Signal?

O Signal é um aplicativo com foco em privacidade e segurança. Para isso, ele usa um protocolo de criptografia de ponta a ponta, em que ninguém fora da conversa pode interceptar a troca de mensagens. O padrão criado pela plataforma foi adotado pelo WhatsApp em 2016.

Assim como outros aplicativos, o Signal permite enviar mensagens, áudios e figurinhas, além de fazer chamadas de vídeo.

Mas alguns recursos, como o que impede que alguém te encontre pelo número do celular, atraem o interesse de quem precisa de mais privacidade, como informantes, jornalistas e ativistas de direitos humanos, por exemplo.

Figuras como o bilionário Elon Musk, dono do X, da SpaceX e da Tesla, e Edward Snowden, ex-agente da Agência Nacional de Segurança que revelou a existência de um programa de espionagem massiva nos Estados Unidos já recomendaram o Signal.

Lançado em 2012, o serviço é mantido pela Signal Foundation, organização sem fins lucrativos criada em fevereiro de 2018. A entidade diz que sua missão de "proteger a liberdade de expressão e permitir uma comunicação global segura por meio de tecnologia de privacidade de código aberto".

Signal é visto como canal não oficial de comunicação do governo dos EUA

Governo dos EUA adiciona sem querer repórter a grupo que discutia ataques militares
Governo dos EUA adiciona sem querer repórter a grupo que discutia ataques militares

Em março, o Signal chamou atenção após um jornalista americano ser incluído sem querer em grupo de integrantes do governo dos EUA no aplicativo.

No grupo, membros do alto escalão do governo Trump discutiam planos de guerra contra rebeldes houthis, no Iêmen.

As informações foram divulgadas pelo editor-chefe da revista americana "The Atlantic", Jeffrey Goldberg, que foi incluído no grupo.

"Eu não conseguia acreditar que a liderança da segurança nacional dos Estados Unidos iria comunicar no Signal sobre planos de guerra iminentes", escreveu Goldberg, que foi incluído em um grupo com o secretário de Estado, o secretário de Defesa e até o vice-presidente dos EUA.

O episódio foi descrito como "uma falha extraordinária" de segurança pelo jornal americano The New York Times.

Durante o governo Biden, apesar de não ser um canal oficial do governo, o Signal era usado para comunicações sobre o agendamento de reuniões sensíveis ou ligações telefônicas confidenciais, segundo fontes informaram à Associated Press.

O uso do aplicativo dentro da Casa Branca tornou-se mais recorrente em 2024, principalmente depois que o Serviço Secreto alertou que a China e o Irã estavam hackeando a Casa Branca.

Ainda de acordo com a Associated Press, há relatos de que autoridades importantes do governo Biden — como a vice-presidente Kamala Harris, o secretário de Defesa Lloyd Austin e o conselheiro de Segurança Nacional Jake Sullivan — usavam o Signal para discutir planos sensíveis, como as autoridades do governo Trump fizeram.

Divergência de Fux sobre os crimes foi o que mais surpreendeu
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'Não Me Perturbe' e prefixo 0303: o que mudou nas regras do telemarketing

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Anatel anunciou nas últimas semanas mudanças de sistemas usados por serviços de telemarketing. Agência aposta no Origem Verificada, sistema contra golpes telefônicos.
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Por Redação g1

Postado em 13 de Setembro de 2.025 às 07h00m
Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.
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Ligações automáticas indesejadas, chamadas de "robocalls" — Foto: Fantástico
Ligações automáticas indesejadas, chamadas de "robocalls" — Foto: Fantástico

O sistema "Não Me Perturbe" e o prefixo 0303, usados por serviços de telemarketing, tiveram as regras alteradas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) nas últimas semanas.

As mudanças devem diminuir as ligações de operadoras de telefonias para alguns dos consumidores, mas podem aumentar as chamadas de empresas sem identificação.

Elas estão previstas porque a Anatel:

A nova regra do "Não Me Perturbe" começa a valer em novembro e vai aumentar a lista de operadoras que aderem ao serviço. Até então, ele só era usado por Claro, Vivo, TIM, Oi, Algar, Ligga e Sky.

O sistema foi criado para clientes que não querem ofertas de serviços de telefone, TV, internet e instituições financeiras. Além das operadoras, 67 empresas bancárias fazem parte da iniciativa.

Para bloquear essas ligações, é preciso se cadastrar em www.naomeperturbe.com.br. O pedido começa a valer em até 30 dias.

Apesar da proposta, muita gente ainda é incomodada por essas ligações. Especialistas ouvidos pelo g1 explicam que as chamadas continuam porque golpistas e algumas empresas de vendas ignoram o cadastro do "Não Me Perturbe".

'Não Me Perturbe' não funciona? Por que pessoas recebem ligações de telemarketing
'Não Me Perturbe' não funciona? Por que pessoas recebem ligações de telemarketing

Já o fim da obrigatoriedade do prefixo 0303 entrou em vigor em agosto, quando a Anatel atendeu a pedidos de associações beneficentes, do sindicato das operadoras Conexis Digital e da empresa de aluguel de imóveis QuintoAndar.

O prefixo 0303 era exigido para a maior parte do telemarketing ativo, quando a empresa liga para o cliente. Mas a Anatel indicou que a alta rejeição a esse tipo de ligação exigiu a derrubada da regra.

Segundo a conselheira da Anatel Cristiana Camarate, as regras foram alteradas porque o perfil das ligações também mudou nos últimos anos.

"Em 2021, quando determinamos a criação do 0303, o que mais importunava consumidores eram ligações com ofertas de produtos e serviços. Hoje, as que mais importunam são as ligações perigosas, fraudulentas, que lesam o consumidor", disse a conselheira em agosto, quando a exigência do prefixo foi derrubada.

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Aposta no 'Origem Verificada'

No lugar da obrigatoriedade para o prefixo 0303, empresas que fazem mais de 500 mil ligações por mês terão que aderir até novembro à autenticação do Origem Verificada, sistema contra golpes telefônicos.

A exigência para a autenticação afetará cerca de 350 empresas, afirmou em agosto à TV Globo Cristiana Camarate, da Anatel.

Isso inclui o chamado spoofing, golpe que usa números falsos para se passar por empresas confiáveis e enganar consumidores. É o que também ficou conhecido como "Golpe do 0800".

Outro problema que pretende ser enfrentado são as robocalls, ligações automáticas que desligam ao serem atendidas e servem para aumentar a produtividade em call centers ou verificar quais telefones continuam ativos.

Por que recebemos ligações mudas que desligam sozinhas – e como evitá-las
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O Origem Verificada usa o protocolo internacional Stir Shaken, que checa em tempo real se o número corresponde à empresa. A validação é feita pelo banco de dados da ABR Telecom, abastecido por operadoras.

Segundo a Anatel, o Origem Verificada funciona em duas frentes:

  • autenticação, um processo que verifica se quem está ligando é uma empresa legítima;
  • identificação, que mostra no celular do consumidor qual empresa está ligando.

A agência prevê que, em até três anos, a autenticação será adotada em todas as ligações de empresas e diz que ela vai abranger 50% das chamadas, e não apenas 10% como era o caso do prefixo 0303.

A identificação, que será opcional, permite a empresas mostrar no celular do usuário o seu nome e, em alguns casos, o motivo da chamada, mesmo que o número não esteja salvo no aparelho.

Mas nem todos os celulares suportam a identificação. Eles devem estar conectados a redes 4G ou 5G e atender aos requisitos de modelo e sistema operacional (veja a lista dos smartphones compatíveis).

A Anatel alerta que o Origem Verificada ajuda a identificar chamadas autênticas, mas não é capaz de garantir proteção contra roubo de dados. Por isso, ainda é importante se atentar para não cair nesse tipo de golpe.

A agência também diz que tem um plano de ação para combater SMS fraudulentos, como os que incluem links falsos. "Há uma série de medidas para garantir uma maior integridade dos SMS que recebemos", afirmou a conselheira Cristiana Camarate em agosto.

Como são as chamadas com o Origem Verificada — Foto: g1
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Fim das robocalls? Veja se seu celular é compatível com ferramenta contra golpes
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