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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Redes sociais não fazem mal, desde que não substituam atividades mais saudáveis, diz estudo

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Pesquisa entrevistou milhares de adolescentes em escolas inglesas e também revelou que meninas são mais vulneráveis a 'cyberbullying'.
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 Por BBC  

 Postado em 16 de agosto de 2019 às 18h20m  

GIPOPE - GARIBA'S Logística for 2012 - 2013
Especialistas recomendam que celulares sejam deixados longe dos quartos depois das 22h — Foto: TV Globo 
Especialistas recomendam que celulares sejam deixados longe dos quartos depois das 22h — Foto: TV Globo

As redes sociais fazem mal para os adolescentes?
A pergunta que tira o sono de pais, educadores e cientistas em todo o mundo recebeu, por ora, uma nova resposta.

E ela é: as redes não prejudicam diretamente os mais jovens, mas podem tirar o tempo que eles gastam em atividades vitais e saudáveis, como dormir e se exercitar.

O alerta vem de pesquisadores do Reino Unido, que recomendam a proibição de celulares depois das 22h e incentivos a atividades físicas.
Segundo o estudo, as meninas são especialmente vulneráveis ​​ao cyberbullying, o que pode levar a problemas psicológicos.

No Reino Unido, nove em cada dez adolescentes usam redes sociais e há uma crescente preocupação com o seu impacto na saúde mental dos mais jovens.

Até agora, as conclusões das pesquisas são contraditórias devido à falta de estudos de longo prazo.

Neste estudo recente, publicado no na revista médica especializada "The Lancet Child & Adolescent Health", mais de 12 mil adolescentes em idade escolar na Inglaterra foram entrevistados durante três anos, dos 13 aos 16.

Eles cursavam os anos 9, 10 e 11 (equivalentes ao 9º ano do ensino fundamental e 1º e 2º do ensino médio no Brasil) do sistema de ensino britânico.

O que o estudo fez?
Os adolescentes informaram com que frequência checavam redes como Instagram, Facebook, WhatsApp e Twitter diariamente, mas não quanto tempo gastavam usando-as.

No ano 9, a maioria (51%) das meninas e 43% dos meninos entraram em redes sociais mais de três vezes por dia; no ano 11, a frequência subiu para 69% entre os meninos e 75% entre as meninas.

Já no ano 10, os mesmos jovens preencheram um questionário sobre sua saúde mental e relataram experiências de cyberbullying, sono e atividade física.

No ano 11, os adolescentes avaliaram seus níveis de felicidade e ansiedade.
Na pesquisa, meninas disseram usar redes sociais com mais frequência que meninos — Foto:  AJ PHOTO/BSIP/AFP 
Na pesquisa, meninas disseram usar redes sociais com mais frequência que meninos — Foto: AJ PHOTO/BSIP/AFP

O que a pesquisa encontrou?
Os meninos e meninas que verificavam suas redes mais de três vezes por dia tinham pior saúde mental e maior sofrimento psicológico.
As meninas também parecem mais propensas a dizer que são menos felizes e mais ansiosas à medida que os anos avançaram, ao contrário dos meninos.

Os pesquisadores dizem que há indícios de um vínculo forte entre o uso de redes sociais e saúde mental.

Nas meninas, os efeitos negativos são revelados principalmente em perturbações do sono, ciberbullying e, em menor medida, falta de exercício.

Nos meninos, os fatores também têm um impacto, mas muito menor.

Os pais devem se preocupar?
O coordenador do estudo, Russell Viner, professor de saúde do adolescente do University College London, diz: "Os pais andam em círculos quando o assunto é o tempo que seus filhos passam nas redes sociais todos os dias."
"Mas eles deveriam se preocupar com a quantidade de atividade física e sono dos filhos, porque as mídias sociais estão substituindo outras coisas."
As redes sociais também podem ter um efeito positivo nos adolescentes e "desempenham um papel central na vida de nossos filhos", acrescentou.

Também envolvida no estudo, a professora de psiquiatria infantil, Dasha Nicholls, da universidade Imperial College London, completa: "Não é o tempo na rede social em si, a questão é quando ela desloca os contatos e atividades da vida real."
"A questão é encontrar um equilíbrio."

É diferente para meninos?
A equipe de especialistas diz que, embora tenha observado diferenças no uso de redes sociais entre garotas e garotos, elas ainda não são bem compreendidas.

Também são necessários outros estudos para descobrir de que forma o uso das redes sociaiso pode influenciar o sofrimento psicológico dos meninos.

E quanto ao cyberbullying?
Nicholls diz que os pais devem monitorar as atividades de seus filhos para ter certeza de que não estão acessando conteúdo prejudicial, principalmente à noite.

"Com o cyberbullying, nem a nossa cama é um lugar seguro. Mas, se o seu celular estiver em outro cômodo da casa, você não pode ser intimidado em sua cama."

Louise Theodosiou, do corpo docente sobre crianças e adolescentes do Royal College of Psychiatrists (organização profissional de psiquiatras do Reino Unido), diz: "Mais estudos são necessários para entender como podemos evitar os impactos mais negativos das redes sociais, particularmente em crianças e jovens vulneráveis."
"É justo que as empresas de redes sociais contribuam para financiar esses estudos e façam mais para apoiar os jovens a usar a internet com segurança."

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Empresa deixou dados de reconhecimento facial e de digitais expostos na web, diz site

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Fornecedora de travas eletrônicas com sistemas biométricos deixou banco de dados com informações de clientes expostas, segundo especialistas.
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 Por Altieres Rohr  

 Postado em 15 de agosto de 2019 às 21h30m  

GIPOPE - GARIBA'S Logística for 2012 - 2013
Banco de dados armazenava digitais na íntegra, permitindo falsificação. — Foto: REUTERS/Thomas Peter 
Banco de dados armazenava digitais na íntegra, permitindo falsificação. — Foto: REUTERS/Thomas Peter

O site vpnMentor encontrou um servidor de banco de dados exposto na internet contendo 27,8 milhões de registros, entre os quais estavam as informações referentes ao reconhecimento de digitais de mais de um milhão de pessoas. O site também trazia informações pessoais, e-mails e credenciais de acesso, inclusive senhas desprotegidas. A descoberta ocorreu em colaboração com os especialistas Noam Rotem e Ran Locar.

O servidor era de responsabilidade da Suprema, uma empresa especializada em sistemas de segurança e controle de acesso com travas eletrônicas. Segundo dados da própria empresa, seus sistemas foram instalados em mais de 1,5 milhão de locais no mundo. Os dados vazados pertenciam ao sistema BioStar 2.

A tecnologia da Suprema é utilizada por várias organizações e entidades do governo, como a Polícia Metropolitana do Reino Unido e empresas da indústria da saúde. Procurada, a Suprema não enviou posição oficial sobre o caso.

A Suprema informou ao jornal "The Guardian" que conduziu uma avaliação aprofundada do caso e que notificaria seus consumidores caso encontrasse uma "ameaça clara". Segundo a vpnMentor, a empresa inicialmente não demonstrou interesse em resolver o problema e foram necessários diversos contatos, com escritórios em vários países, até a companhia fechar o acesso aos dados expostos.

No total ficaram expostos 23 gigabytes de dados. No total, ficaram expostos 23 gigabytes de informações, incluindo senhas, dados de permissões de acessos, registros de entrada e saída dos ambientes, informações sobre funcionários e dados de autenticação, incluindo fotos e dados referentes a reconhecimento facial e de digital.

O vpnMentor informou que as digitais eram armazenadas na íntegra, sem nenhum tipo de proteção ou representação matemática, o que permite duplicar ou falsificar essas digitais.
Os especialistas lembram que, diferente das senhas, não é possível modificar uma digital roubada, o que a torna permanentemente insegura.
O vpnMentor recomendou que clientes da Suprema troquem suas senhas e entrem em contato com a companhia para ter mais informações. Embora o banco de dados tenha sido descoberto por especialistas que relataram o problema à empresa, é possível que as informações tenham sido copiadas por criminosos antes do acesso ser fechado.

Dados podiam ser modificados
Os dados estavam presentes em um servidor de "Elastic Search", uma tecnologia que fornece um canal para consultas em bancos de dados. Duas camadas de acesso ao banco de dados — o Elastic Search em si e o Kibana, que é um software que cria uma tela mais amigável para o próprio Elastic Search — estavam expostas.

Quando configurado corretamente, essas telas deveriam ficar bloqueadas e inacessíveis sem uma senha ou outra forma de proteção.
De acordo com o vpnMentor, o banco de dados da Suprema também permitia alterações. Em teoria, seria possível modificar as senhas ou inserir novos dados de autenticação para conceder acesso a pessoas que não deveriam ter autorização para tal.

O vazamento de dados referentes a 190 milhões de números do CPF e mais 35 milhões de do CNPJ, relatado pelo G1 em janeiro, também ocorreu por conta de um servidor de Elastic Search exposto na internet.

Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com
Selo Altieres Rohr — Foto: Ilustração: G1 
Selo Altieres Rohr — Foto: Ilustração: G1

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Ministério da Justiça notifica Facebook por rede social ter contratado pessoas para transcrever áudios de usuários

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Rede social tem 10 dias para responder aos questionamentos feitos pela Secretaria Nacional do Consumidor.
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 Por Thiago Lavado, G1  

 Postado em 14 de agosto de 2019 às 21h00m  

GIPOPE - GARIBA'S Logística for 2012 - 2013
Mark Zuckerberg, presidente do Facebook — Foto: Aaron Bernstein/Reuters 
Mark Zuckerberg, presidente do Facebook — Foto: Aaron Bernstein/Reuters

O Ministério da Justiça e Segurança Pública notificou o Facebook nesta quarta-feira (14) após ter sido revelado que a rede social havia contratado funcionários para transcrever áudios de usuários.

A notificação foi feita especificamente pela Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senacon). Em nota, a Senacon afirmou que inicia uma nova investigação sobre a empresa, que tem até 10 dias para responder aos questionamentos.

"Caso o Facebook não responda aos questionamentos no prazo estipulado, bem como se responder e houver indícios de violação de direitos dos consumidores, o órgão poderá instaurar processo administrativo, que eventualmente poderá resultar na imposição de multa", disse o comunicado.

De acordo com o ministério, o Facebook já é investigado pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor da Secretaria Nacional do Consumidor (DPDC/Senacon) em outros casos envolvendo o tratamento de dados dos consumidores.

Escuta do Facebook
O caso foi revelado pela agência Bloomberg, nesta terça-feira (13), que reportou que o Facebook pagou funcionários terceirizados para transcrever arquivos de áudio dos usuários do aplicativo Messenger. A agência afirmou que recebeu a informação de pessoas que foram contratadas para realizar o serviço, mas que precisavam permanecer anônimas para não perder os empregos.

De acordo com a reportagem, pessoas contratadas para fazer a transcrição dos áudios não recebiam informações sobre a origem das gravações, nem sobre como foram feitas.
A empresa — que acabou de receber uma multa histórica de US$ 5 bilhões de reguladores nos Estados Unidos por violações de privacidade — sempre negou que coletasse áudios de usuários de maneira não solicitada para direcionar publicidade.

Executivos do Facebook já disseram, em depoimentos a legisladores dos EUA, que apenas obtêm informações de áudio se o usuário utiliza o microfone para alguma ação, como mandar mensagens de áudio pelo aplicativo Messenger.

Outras também fizeram
Com a revelação da atividade de escuta e transcrição dos áudios, o Facebook entrou para uma lista de empresas que já mantinham práticas semelhantes. Google, Apple e Microsoft revelaram no último mês que também contrataram pessoas para transcrever trechos de conversas que usuários mantinham com seus assistentes virtuais.

Google e Apple afirmam que interromperam essas atividades. Em nota, o Facebook afirmou que também interrompeu a prática.

Inicialmente, o Google defendeu a prática como um meio de melhorar os algoritmos responsáveis pelo assistente de voz. Depois, a empresa afirmou que suspenderia a prática por 3 meses. O caso foi revelado por uma TV da Holanda, que mostrou que a empresa fazia transcrições de áudios no país.

No caso da Apple, as informações foram reveladas também por uma reportagem, do jornal "The Guardian. Depois foram confirmadas pela companhia, que disse que suspenderia as transcrições.

O caso foi especialmente controverso para a Apple, já que a empresa usa o argumento da privacidade dos usuários como parte determinante do marketing em seus produtos. Executivos da empresa, como o presidente Tim Cook, já afirmaram publicamente que consideram a privacidade "um direito humano fundamental".

"Enquanto realizamos uma revisão completa, estamos suspendendo as análises da Siri globalmente. Adicionalmente, em um update futuro do software, os usuários terão a possibilidade de escolher não participar dos programas de análise de conteúdo", disse a Apple em posicionamento.

Já a Microsoft afirmou que coleta dados de conversas para proporcionar e melhorar serviços habilitados para voz — como a busca, comandos de voz ou serviços de tradução —, mas somente quando obtém a autorização do usuário. As aplicações são para o Skype e para a assistente Cortana.

O uso de assistentes de voz está expandido e empresas como o Google tem investido nesse segmento. Com isso, cresce também o escrutínio sobre essas empresas. Quando o caso do Google, na Holanda, foi revelado, a Comissão Europeia se posicionou, afirmando que "o uso de assistentes de voz por provedores como Google, Apple e Amazon está se mostrando de alto risco para a privacidade dos envolvidos".