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domingo, 22 de agosto de 2021

OnlyFans: investigação da BBC mostra como a plataforma lida com conteúdo ilegal

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Anúncio de proibição de pornografia no site aconteceu depois que documentos vazados revelaram que a empresa tinha certa 'tolerância' com contas que postavam conteúdo ilegal.
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TOPO
Por BBC

Postado em 22 de agosto de 2021 às 14h35m

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OnlyFans — Foto: REUTERS/Andrew Kelly
OnlyFans — Foto: REUTERS/Andrew Kelly

Documentos internos, aos quais a BBC News teve acesso, revelam que o OnlyFans — site que oferece conteúdo por assinatura — permite aos moderadores dar várias advertências a contas que postam conteúdo ilegal em sua plataforma antes de decidir fechá-las.

Descritos como "manual de compliance", os documentos também mostram que os funcionários são solicitados a serem mais lenientes com as contas bem-sucedidas do serviço britânico de compartilhamento de conteúdo.

Especialistas em moderação de conteúdo e em proteção infantil dizem que isso mostra que o OnlyFans — que é mais conhecido por hospedar pornografia — tem uma certa "tolerância" com contas que postam conteúdo ilegal.

O OnlyFans, por sua vez, afirma que vai muito além de "todos os padrões e regulamentos de segurança globais relevantes" e não tolera violações de seus termos de uso.

Na noite de quinta-feira (19/8), o OnlyFans anunciou que vai proibir conteúdo sexualmente explícito no site a partir de 1º de outubro.

O anúncio foi feito depois que a BBC News abordou a empresa para comentar os documentos vazados e preocupações sobre a gestão de contas que publicam conteúdo ilegal.

O OnlyFans disse que ainda permitiria aos criadores de conteúdo postar fotos e vídeos com nudez se estivessem de acordo com seus termos de uso, que serão atualizados.

O site tem mais de 120 milhões de assinantes, que pagam mensalidade e gorjetas aos "criadores" de vídeos e fotos, com a possibilidade de enviar mensagens pessoais para eles. O OnlyFans fica com 20% de todos os pagamentos.

LEIA TAMBÉM:

Em maio, a BBC News revelou que o site estava deixando de impedir menores de 18 anos de vender e aparecer em vídeos explícitos, apesar de ser ilegal.

Na época, o OnlyFans disse que tentativas de usar o site de forma fraudulenta eram "raras".

Agora, os documentos vazados mostram que as contas não são encerradas automaticamente se violarem os termos de uso do site.

Moderadores de conteúdo da plataforma também contaram à BBC News que encontraram anúncios de serviços de prostituição, bestialidade e material que um moderador acredita ser incesto.

A BBC viu exemplos de alguns desses conteúdos proibidos. Em um vídeo, um homem aparece comendo fezes. Em outro, um homem paga moradores de rua para fazer sexo com ele diante das câmeras.

O OnlyFans diz agora que removeu os vídeos e que os documentos não são manuais ou "orientação oficial".

Em comunicado, a empresa afirma: "Não toleramos qualquer violação de nossos termos de uso e tomamos medidas imediatas para garantir a segurança de nossos usuários."
Logo do OnlyFans é visto em computador. Plataforma é conhecida por conteúdo erótico — Foto: Andrew Kelly/Reuters
Logo do OnlyFans é visto em computador. Plataforma é conhecida por conteúdo erótico — Foto: Andrew Kelly/Reuters

Os moderadores com quem conversamos nos deram uma perspectiva de como o conteúdo do site é verificado.

Christof (nome fictício) diz que em alguns dias visualiza até 2 mil fotos e vídeos em busca de conteúdo proibido pelo site.

Ele usa listas de palavras-chave para pesquisar em bios, posts e trocas de mensagens privadas entre criadores de conteúdo e assinantes.

Ele conta que encontrou conteúdo ilegal e extremista em vídeos — incluindo zoofilia envolvendo cães e o uso de câmeras escondidas, armas, facas e drogas.

Alguns materiais não são procurados ativamente pelos moderadores com a frequência que ele acredita que deveria, diz Christof, apesar de serem proibidos pelos termos de uso da plataforma.

Em várias ocasiões, ele afirma que foi informado pelo OnlyFans que havia moderado demais, particularmente em relação a vídeos mostrando sexo em público e conteúdo de "terceiros" — material apresentando pessoas não registradas no OnlyFans.

O OnlyFans diz que os moderadores recebem instruções específicas, e se eles rotineiramente vão além delas, são "direcionados a se concentrar apenas no tipo de conteúdo designado".

Christof afirma ainda que apesar de proibida, a propaganda de prostituição é comum entre pessoas de baixa renda no site.

Christof, e uma segunda pessoa que também modera conteúdo do site, dizem que alguns criadores de conteúdo oferecem competições para conhecer e fazer sexo com fãs, como uma forma de aumentar o pagamento de gorjetas.

Um dos documentos a que a BBC teve acesso detalhando as diretrizes de moderação em 2020, afirma que anúncios de sexo são um problema para o site.

Diz que os "locais mais populares para promoção de acompanhantes" no site são os nomes de usuário dos criadores de conteúdo, biografias, descrições de conteúdo e "menus de gorjetas", que anunciam vídeos customizados.

O documento cita que os "exemplos" deste tipo de promoção incluem referências a "PPM (pay per meet)", "CashMeets", "Book me", "IRL Meet", "scort", entre outros.

Apesar disso, a BBC News foi capaz de encontrar mais de 30 contas ativas usando essas palavras-chave em bios, perfis e postagens, em um único dia.

O perfil de um criador de conteúdo o descrevia como "[e]scort — parceiro sexual".

Uma conta diferente perguntava: "Alguém quer me 'reservar' para um fim de semana?" Apenas duas das contas que encontramos foram removidas 10 dias depois.

O OnlyFans diz que respeita seus termos de uso, utiliza formas de moderação humanas e tecnológicas e fecha contas quando há uma violação grave de seus termos.

Mas os documentos mostram que, embora o conteúdo ilegal em si seja removido, o OnlyFans permite que os moderadores deem aos criadores de conteúdo várias advertências antes de fechar as contas.

Um deles, de fevereiro deste ano, revela que o OnlyFans recomenda que sejam dadas três advertências às contas quando um conteúdo ilegal é descoberto. E fornece modelos para cada aviso sucessivo — explicando por que o material foi removido e que o não cumprimento dos termos de uso pode resultar no encerramento da conta.

A BBC obteve várias versões com datas diferentes do mesmo documento de 2021.

Todas, exceto a mais antiga, afirmam que deve haver pelo menos cinco exemplos de conteúdo "ilegal" em uma conta para que o caso seja "escalado" imediatamente à gerência.

Versões mais recentes incluem uma declaração aparentemente contraditória exigindo encaminhamento imediato à gerência para alguns exemplos de conteúdo ilegal.
OnlyFans — Foto: REUTERS/Andrew Kelly
OnlyFans — Foto: REUTERS/Andrew Kelly

O documento também fornece aos moderadores instruções específicas para lidar com as contas — dependendo da popularidade de cada uma.

Diz que contas com um número maior de assinantes podem receber advertências adicionais quando as regras são violadas.

No entanto, a equipe é instruída a moderar as contas com baixo número de usuários "como faríamos e [restringir] quando for necessário".

Com contas de médio alcance, eles são orientados a advertir, "mas restringir apenas após o terceiro aviso".

Se um dos criadores de conteúdo do site mais bem-sucedidos — e lucrativos — infringir as regras, o caso será tratado por uma equipe diferente.

"Existe uma discriminação entre contas", diz Christof.

"Isso mostra que o dinheiro é a prioridade."

O segundo moderador acrescenta que com violações de qualquer tipo, "você recebe algumas advertências, não recebe apenas uma e então está fora."

Um especialista em moderação de conteúdo diz que os documentos mostram claramente que o OnlyFans tem uma "certa tolerância" com material ilegal.

"Isso sugere que eles conhecem o suficiente o tipo de conteúdo ilegal que seus usuários estão tentando fazer upload para ter padrões para isso", afirma Sarah Roberts, codiretora do Centro de Investigação Crítica da Internet da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos.

"Como [o OnlyFans] tem uma certa dose de leniência, isso também sugere que eles não estão dispostos a alienar completamente seus criadores de conteúdo — mesmo pessoas que podem fazer coisas ilegais na pior das hipóteses, inadequadas na melhor das hipóteses — retirando eles imediatamente da plataforma."

Apesar de ser descrito como um "manual de compliance" no cabeçalho de cada página de todas as versões do documento de 2021, o OnlyFans afirma que os documentos não são manuais ou "orientações oficiais".

O primeiro documento — de 2020 — tem edições atribuídas a Tom Stokely, diretor de operações da empresa.

Christof conta que frequentemente se depara com conteúdos em que teme que as pessoas possam estar sendo exploradas.

Ele diz que embora os documentos estabeleçam instruções para lidar com conteúdo proibido, eles não contêm requisitos para os moderadores levantarem questões sobre exploração.

Vídeos, a que a BBC assistiu, do homem pagando moradores de rua para fazer sexo diante das câmeras levantaram tais preocupações. A conta se gaba de "caçar" sem-teto e fala abertamente sobre "tirar vantagem" deles.

Uma conta diferente apresenta sinais característicos de tráfico e exploração, de acordo com um advogado que direcionou a BBC News para a mesma.

Uma mulher, cujo rosto nunca é mostrado, aparece em alguns vídeos com as paredes e o chão totalmente cobertos por tapetes — e há referências repetidas a viagens pela Europa.

O detetive Joseph Scaramucci, que trabalha no Texas, nos Estados Unidos, diz que atuou recentemente em casos específicos de tráfico de seres humanos em que havia sinais óbvios de mulheres sob o controle de outra pessoa aparecendo em vídeos do OnlyFans.

Ele diz que alguns homens ficam felizes em pagar para fazer sexo com essas mulheres — e pagam mais ainda para serem filmados e terem o vídeo publicado no OnlyFans.

Neste mês, 101 membros do Congresso americano assinaram uma carta pedindo que o Departamento de Justiça dos EUA investigue o conteúdo do OnlyFans, principalmente com foco na exploração sexual infantil.

Em resposta, o OnlyFans disse que tem uma política de tolerância zero em relação a conteúdo de abuso sexual infantil, que denuncia às autoridades relevantes e apoia suas investigações.

O agente especial Austin Berrier, do departamento de segurança nacional dos EUA, é especialista em investigar exploração infantil online.

Ele estima encontrar entre 20-30 imagens de abuso infantil por semana, que ele diz terem claramente se originado no OnlyFans.

Segundo ele, todos os fóruns da internet que visitou como parte de suas investigações nos últimos seis meses mais ou menos, incluíam imagens de abuso infantil proveniente do OnlyFans.

A maioria são vídeos que foram transmitidos ao vivo no site. E, de acordo com ele, em alguns deles, as crianças recebem orientações.

"Está por aí, está em todo o lugar e está sendo amplamente negociado."

Dezenas de contas que parecem ter sido criadas por usuários menores de idade são fechadas todos os dias, de acordo com Christof, que compartilhou com a BBC News um registro de algumas contas fechadas durante um período de algumas semanas.

Quase todas as contas de menores de idade são de assinantes, e não de criadores de conteúdo — incluindo, diz ele, crianças de 10 anos.

Embora não possam postar fotos ou receber pagamentos diretamente pelo site, Christof afirma que alguns usam a plataforma para anunciar serviços de "acompanhantes" ou a venda de fotos explícitas de si mesmos.

O perfil de um assinante afirmava ter 16 anos e anunciava a venda de fotos de pés "ou outras" partes por £ 4.

Christof diz que este é um problema particular em contas que não usam o inglês como idioma.

De acordo com ele, algumas contas em línguas estrangeiras são insuficientemente moderadas, apesar da enorme popularidade do site em todo o mundo.

A BBC News conseguiu abrir duas contas de assinantes em francês e alemão — apesar de declarar explicitamente que eram jovens adolescentes na biografia e anunciar a venda de fotos.

As contas permaneceram ativas por uma semana até que a BBC News entrou em contato com o OnlyFans.

O OnlyFans disse que todo o conteúdo pode ser denunciado por moderadores, e a empresa cumpre a legislação de combate ao tráfico e fornece treinamento anual para os funcionários.

A companhia afirmou ainda que a conta que apresenta moradores de rua viola seus termos e condições e agora foi encerrada, e que analisa ativamente os feeds transmitidos ao vivo.

A baronesa Kidron, ativista de direitos das crianças, diz que qualquer leniência em relação a contas que postam material ilegal é "errada".

"A resposta está no nome: se for conteúdo ilegal, deve haver tolerância zero", diz a fundadora da instituição 5Rights Foundation, que luta pelo direito das crianças, e membro do comitê pré-legislativo de avaliação do projeto de lei de segurança online, há muito adiado.

Segundo ela, as empresas de pagamento devem assumir a responsabilidade pela forma como seus serviços estão sendo usados.

"As empresas devem retirar seu apoio comercial, a menos que e até que haja um OnlyFans que seja claramente um site adulto", sugere.

Na quinta-feira (19/8), o OnlyFans disse ao Financial Times que a empresa estava proibindo a pornografia na plataforma para "atender às solicitações de nossos parceiros bancários e provedores de pagamentos".

Muitos provedores de pagamento, incluindo os gigantes do setor Visa e Mastercard, proíbem o uso de seus serviços para tipos específicos de conteúdo. No ano passado, ambos encerraram seu relacionamento com o Pornhub após denúcias de material ilegal.

Kidron também acredita que padrões mínimos de moderação e um código de conduta estatutário devem ser introduzidos para lidar com a leniência em relação a contas que publicam material ilegal.

A BBC News soube que o Departamento de Cultura, Mídia e Esporte (DCMS, na sigla em inglês) do Reino Unido foi avisado por uma instituição americana de combate ao tráfico sobre o conteúdo do OnlyFans em 2019 e assistiu a uma apresentação.

Em comunicado, o DCMS disse que o projeto de lei de segurança online introduziria as leis mais rigorosas do mundo — e que o OnlyFans enfrentaria multas pesadas ou seria bloqueado se falhasse em combater o conteúdo ilegal.

E acrescentou que o Ofcom, órgão regulador britânico de telecomunicações, já tem o poder de suspender sites de vídeo se não tomarem medidas para proteger os usuários de conteúdo prejudicial.

Em maio, o OnlyFans publicou seu balanço mais recente e afirmou que "qualquer lapso" no monitoramento de conteúdo de menores e tráfico "poderia trazer sanções governamentais de uma ampla variedade de países e órgãos reguladores".

A empresa se recusou repetidamente a ser entrevistada pela BBC News sobre esses assuntos.

Em resposta à BBC News, a companhia disse que cumpre integralmente todas as leis e regulamentos que se aplicam a ela globalmente — incluindo as da Ofcom — e que usa um software de monitoramento e verificação de idade de última geração, juntamente ao monitoramento humano.

O OnlyFans afirma acreditar que um dos moderadores com quem a BBC News conversou foi um funcionário demitido por repetidas falhas no fechamento de contas contendo material não autorizado.

A fonte diz que repetidamente levantou a questão do número de contas de assinantes menores de idade com o OnlyFans.

Dá para ganhar dinheiro no OnlyFans?
Dá para ganhar dinheiro no OnlyFans?

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sábado, 21 de agosto de 2021

Ativistas pedem que Apple desista de sistema que analisa imagens suspeitas de abuso infantil ao serem enviadas ao iCloud

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Especialistas em privacidade e segurança dizem que a solução poderia ser usada para buscar conteúdos genéricos e para governos perseguirem opositores. Empresa diz que não aceitará pedidos de autoridades para rastrear outros conteúdos.
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Por G1

Postado em 21 de agosto de 2021 às 10h00m

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Logo da Apple — Foto: REUTERS/Lucy Nicholson
Logo da Apple — Foto: REUTERS/Lucy Nicholson

Mais de 90 grupos ativistas pelo mundo publicaram uma carta aberta na última quinta-feira (19) pedindo que a Apple abandone seus planos de escanear mensagens de crianças em busca de nudez e os telefones de adultos por imagens de pedofilia.

"Embora esses recursos tenham a intenção de proteger crianças e reduzir a disseminação de material pedófilo, estamos preocupados que eles sejam usados para censurar discurso protegido, ameaçar a privacidade e a segurança de pessoas do mundo inteiro, e ter consequências desastrosas para muitas crianças", escreveram os grupos na carta.

A Apple anunciou dois recursos distintos:

  1. Leitura por meio de uma inteligência artificial das mensagens recebidas pelo iMessage de menores de idade para identificar há nudez em imagens. O recurso precisa ser habilitado pelos pais e caso a companhia detecte imagens consideradas sensíveis, a foto ficará borrada. Se o aparelho for usado por menores de 12 anos, os pais serão notificados caso o menor visualize a mensagem.
  2. Detecção de material de abuso sexual infantil (ou CSAM, na sigla em inglês) no iCloud. A Apple diz que irá consultar banco de dados de autoridades que contenham imagens de abusos de menores e irá cruzar essas informações em uma varredura nas fotos armazenadas na nuvem do iCloud. A companhia afirma que não irá utilizar esse sistema para nenhum outro fim, mesmo que autoridades de países solicitem.

A adoção do sistema pela Apple foi alvo de críticas de alguns especialistas em privacidade e segurança. Eles afirmaram que a solução também poderá ser usada para buscar conteúdos genéricos e para governos perseguirem opositores.

Alguns signatários de outros países estão preocupados com o impacto das mudanças em nações com sistemas legais diferentes, incluindo alguns que já são palco de discussões acaloradas sobre criptografia e privacidade.

"É decepcionante e perturbador que a Apple esteja fazendo isso porque eles foram aliados ferrenhos na defesa da criptografia no passado", disse Sharon Bradford Franklin, co-diretora do Projeto de Segurança e Vigilância do Centro, à agência de notícias Reuters.

Um porta-voz da Apple afirmou que a empresa abordou questões de privacidade e segurança em um documento, delineando porque a arquitetura complexa do software de escaneamento deveria resistir às tentativas de subvertê-lo.

Os signatários incluem vários grupos no Brasil, onde os tribunais bloquearam múltiplas vezes o WhatsApp, do Facebook, por não descriptografar mensagens em investigações criminais.

O Congresso discute a possibilidade de que mensagens sejam rastreáveis no projeto de lei apelidado de "PL das fake news", o que exigiria uma maneira de marcar o conteúdo. Uma lei similar passou na Índia este ano.

"Nossa principal preocupação é a consequência desse mecanismo, como ele pode ser estendido a outras situações e outras empresas", afirmou Flávio Wagner, presidente do braço independente do Brasil da Internet Society, um dos grupos signatários, que também incluem índia, México, Alemanha, Argentina, Gana e Tanzânia.

Embora a maioria das objeções seja em relação ao mecanismo de escaneamento, a carta também aponta uma falha na mudança às contas do iMessage, que tentaria identificar e borrar a nudez em mensagens de crianças, permitindo que elas vissem apenas se os pais fossem notificados.

Surpresa pela reação negativa após o anúncio duas semanas atrás, a Apple ofereceu uma série de explicações e documentos para argumentar que o risco de falsas detecções é baixo.

Os signatários afirmam que isso pode colocar em risco crianças que vivem em casas intolerantes ou que estão procurando material educacional. Mais amplamente, dizem que a mudança quebraria a criptografia do iMessage, que a Apple defendeu com firmeza no passado.

"Se essa porta for construída, governos podem obrigar a Apple a estender a notificação para outras contas e detectar imagens que são questionáveis por outros motivos, não por serem sexualmente explícitas", diz a carta.

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quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Facebook quer substituir as videochamadas por reuniões em realidade virtual

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Divisão da companhia liberou versão de testes de ambiente pensado para simular encontros de trabalho.
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Por G1

Postado em 19 de agosto de 2021 às 12h10m

  *.- Post.N. -\- 4.107 -.* 

VÍDEO: como é a realidade virtual do Facebook
VÍDEO: como é a realidade virtual do Facebook

A Oculus, divisão de realidade virtual (VR, na sigla em inglês) do Facebook, anunciou nesta quinta-feira (19) uma versão de testes de um ambiente pensado para simular reuniões presenciais.

Chamado de Horizon Workrooms, o espaço está disponível para pessoas que possuem um headset Quest 2, que custa US$ 299 (cerca de R$ 1.600, na cotação atual) e que não é vendido oficialmente no Brasil.
Horizon Workrooms, ambiente em realidade virtual desenvolvido pela Oculus, empresa do Facebook — Foto: Divulgação
Horizon Workrooms, ambiente em realidade virtual desenvolvido pela Oculus, empresa do Facebook — Foto: Divulgação

Ao se conectar com outros usuários, as pessoas podem configurar um avatar e interagir com elementos como lousas, blocos de anotações e tela de apresentação.
Cada usuário tem um 'teclado' no ambiente digital do Horizon Workrooms — Foto: Divulgação
Cada usuário tem um 'teclado' no ambiente digital do Horizon Workrooms — Foto: Divulgação

Quem não tem um headset pode se conectar por chamada de vídeo convencional e participar por meio de uma "tela" no ambiente.
O equipamento também conta com uma tecnologia chamada "áudio espacial", capaz de simular a direção de onde o som está vindo. A tentativa é simular um ambiente físico.
As aplicações de realidade virtual existem há anos, mas ainda não decolaram – ainda é uma tecnologia cara e com muitas restrições, já que exige bastante poder de processamento gráfico.

Oculus Quest 2, o headset de realidade virtual do Facebook — Foto: Divulgação/Facebook
Oculus Quest 2, o headset de realidade virtual do Facebook — Foto: Divulgação/Facebook

Essa novidade do Facebook é um passo na direção do que Mark Zuckerberg, presidente-executivo da empresa, tem chamado de "metaverso" – uma espécie de universo digital, que de certa forma se sobrepõe à realidade física.

Em entrevista recente ao site americano "The Verge", Zuckerberg disse que o "metaverso" pode vir a ser um sucessor da internet como conhecemos e substituir em parte a interação com celulares e outras telas. Essa visão é compartilhada por alguns outros executivos do setor da tecnologia.

Horizon Workrooms conta com tecnologia de 'áudio espacial' que simula realidade — Foto: Divulgação
Horizon Workrooms conta com tecnologia de 'áudio espacial' que simula realidade — Foto: Divulgação

Ao mesmo site, o chefe do Facebook afirmou que a empresa tem utilizado o Workrooms para reuniões internas há cerca de seis meses.

Apesar disso, os óculos VR ainda parecem estarem longe de conquistar o público geral – seja pelo preço ou pelo design pouco discreto e confortável.

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